TRAILLER: BLADE RUNNER 2049

A previsão de estreia é 5 de outubro desse ano. Dennis Villeneuve (A Chegada) dirige e Ridley Scott produz a aguardada sequência do cult “Blade Runner” trazendo Harrison Ford novamente no papel de Rick Deckard. Os eventos se desenrolam 30 anos depois do filme original. A sinopse oficial diz : “30 anos após os eventos do primeiro filme, um novo blade runner, policial de Los Angeles K (Ryan Gosling) desenterra um segredo há muito enterrado que tem o potencial de levar o que resta da sociedade para o caos. A descoberta de K o leva a uma busca por Rick Deckard (Harrison Ford), um ex-policial que está desaparecido há 30 anos”.

IN MEMORIAN: MARTIN LANDAU

landau

             Quando eu era criança, conheci o ator Martin Landau no papel do Comandante Koenig no seriado “Espaço 1999” (Space 1999) que ele protagonizou entre 1975 e 1977. Foi depois que eu vim a assistir a fase inicial de “Missão Impossivel” (1966/1969) em que interpretou Rollis Hand, o mestre nos disfarçes. Landau já vinha de uma prolífica carreira na TV e no cinema que incluia clássicos como “INtriga Internacional” (1959) e “Cleopatra” (1963). O reconhecimento de seu talento pela Academia só veio em 1994, aos 66 anos quando personificou Bela Lugosi em “Ed Wood“. Embora tivesse reduzido sua atividade nos últimos anos, seu talento atravessou gerações como em “Arquivo X – O Filme” (1999), “CRimes & Pecados” (1989) de Woody Allen entre outros. Que sua passagem seja de luz !

IN MEMORIAN: GEORGE ROMERO

Romero-534x409

     “Walking Dead”, “Resident Evil” e outros do gênero popularizaram em tempos recentes a imagem do zumbi, mas muito antes dos efeitos digitais, uma geração inteira tremeu diante dos mortos vivos graças ao trabalho de George Romero, um mestre no gênero que faleceu nesse domingo conforme notícia divulgada pelo “Los Angeles Times”. Romero inventou o gênero no assustador “A Noite dos Mortos Vivos” (Night of the Living Dead) de 1968, insuperável !! Refilmado em 1991, não tem o mesmo efeito que a fotografia preto e branco do original que ganhou sequências do próprio Romero nas décadas seguintes: “O Despertar dos Mortos” (1978), “O Dia dos Mortos” (1983), “Terra dos Mortos” (2005), “Diário dos Mortos” (2007) e “Ilha dos Mortos” (2009), todos escritos e dirigidos por ele. Nascido em fevereiro de 1940, George Andrew Romero nunca esteve no primeiro time de Hollywood, nunca ganhou um Oscar, mas deixou sua marca no gênero e nos deixou agora aos 77 anos depois de uma batalha contra o câncer de pulmão. Que descanse em paz !!!

AÍ VEM O AMIGO DA VIZINHANÇA: O HOMEM ARANHA DE VOLTA AO LAR

            A lembrança mais antiga que tenho de minha infância é meu pai me levando a um posto de vacinação, enquanto eu chorava muito de medo. A coragem surgiu, e o choro parou, quando meu pai me comprou  “Homem Aranha #20” da editora Bloch. Na capa o herói estava algemado a J.Jonah Jameson em uma sala inundada.  Se o herói podia romper as algemas e sobreviver, eu poderia enfrentar qualquer coisa. Naquele momento me tornei Peter Parker.

HA20-Bloch.jpg

AQUI DESCOBRI QUEM EU ERA

           O personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko, em agosto de 1962, na revista “Amazing Fantasy #15” toca cada um de uma forma. Mas a sua volta ao lar anunciada no novo filme apresenta algumas diferenças em relação às primeiras histórias do cabeça de teia. O Homem Aranha não foi pupilo de Tony Stark, e o primeiro encontro de ambos só se deu no título “Marvel Team Up #9” (1973), publicado pela primeira vez no Brasil em março de 1980 na revista “Super Herois Marvel #9”. A história “Tomorrow War” foi escrita por Gerry Conway e desenhada por Ross Andru, apresentando os heróis em uma parceria acidental, movida pelas circunstâncias, e não a de mestre–aprendiz. Poucas vezes ambos se encontrariam ao longo das décadas seguintes. Esta relação somente foi mudada a partir de uma reformulação que a editora americana começou a fazer a partir de 2004, quando o Homem Aranha passou a fazer oficialmente parte dos Vingadores, tudo orquestrado por Brian Michael Bendis e David Finch. Preparando o terreno para a vindoura guerra civil, Peter se muda para a Torre Stark passando a ser seu protegido.

ASM-7-02.jpg

SURGE O ABUTRE – POR STAN LEE & STEVE DITKO

            Ned, o amigo de Peter no filme, é uma adaptação da figura de Ned Leeds, repórter do Clarim Diário nas hqs originais, surgido em “Amazing Spider Man #18 (Novembro de 1964). Já o vilão Abutre, alcunha de Adrian Toomes, foi criado pela dupla Lee & Ditko como um brilhante engenheiro eletrônico que cria um artefato anti-gravidade que valeria milhões se comercializado. Ao descobrir que vinha sendo roubado por seu sócio nos negócios, Toomes resolve usar sua criação para roubar e, claro, se vingar de seu ex-sócio. A primeira aparição do vilão foi em “Amazing Spider Man #2” (Maio de 1963) junto com outro vilão, o Consertador (Michael Chernus), que também aparece no novo filme. Nos quadrinhos o Abutre sempre foi um dos vilões mais recorrentes do herói, aparecendo poucos meses depois, já em “Amazing Spider #7” (Dezembro de 1963). A galeria de vilões do Aranha sempre foi bastante rica e criativa, tanto quanto a do Batman da concorrente DC Comics. Assim, o novo filme ainda introduz a figura de Mac Gargan, o Escorpião (Michael Mondo) de “Amazing Spiderman #20”, outro inimigo clássico do herói e o Shocker (Logan Marshall-Green), saído das páginas de “Amazing Spiderman #46”, quando o herói já era desenhado por John Romita.

HARANHA SERIE

HOMEM ARANHA – O ELENCO DA SÉRIE DOS ANOS 70

           Tom Holland é o quarto ator a viver Peter Parker. O primeiro foi o ator Nicholas Hammond (O Friedrich, uma das crianças de “A Noviça Rebelde”) no seriado de TV “Homem Aranha” (Spider Man) produzido originalmente para a grade de programação da CBS onde estreou em setembro de 1977. No Brasil, o filme passou nas salas de cinema, assim como dois outros filmes “Homem Aranha Volta a Atacar” (Spiderman: Deadly Dust) e “Homem Aranha & O Desafio do Dragão” (Spiderman: The Chinese Web), estes sendo a junção de episódios da série da CBS que teve 14 episodios, exibidos irregularmente entre 1978 e 1979, e que no Brasil foi exibido inicialmente pela Rede Globo. Os efeitos eram toscos, com a teia sendo uma “cordinha” saída dos lançadores de pulso do herói que quase nada falava quando usva a roupa, não trazia nenhum vilão das HQs e explorava muito pouco dos costumeiros coadjuvantes das histórias, Tia May (Irene Tedrow) só apareceu por umas duas ocasiões, nada de Mary Jane ou Gwen Stacy, mas ao menos a figura do mal-humorado chefe J. Jonah Jameson (David White no piloto e Robert F.Simon na série). Como na época a CBS exibia outras séries de super heróis (Hulk, Mulher Maravilha, Shazam etc) , a emissora decidiu cancelar todas as séries mesmo que os índices de audiência fossem regulares. Foram mais duas décadas até que rumores apontavam para o interesse de James Cameron em dirigir um novo filme do herói que se diz “O amigo da vizinhança”, tal qual na clássica animação de 1967 cuja popular canção (Spider man, spider man, does whatever a spider can …) chegou a ser regravada pelos Ramones.

spiders.jpg

QUEM É SEU PREFERIDO? O MEU AINDA É O MAGUIRE.

             A bem sucedida trilogia dirigida por Sam Raimi entre 2002 e 2007 trouxe Tobey Maguire e Kirsten Dunst nos papeis centrais, conseguindo transpor para as telas a riqueza dos trabalhos de Lee, Ditko e Romita, fazendo das HQs originais um storyboard extenso e bem elaborado agradando aos fãs, apesar do fraco terceiro filme. Andrew Garfield trocou a imagem nerd e retraída de Maguire por um estilo mais leve e descolado nos dois filmes dirigidos por Marc Webb em 2012 e 2014. Estes no entanto falharam em imprimir nas telas o charme das HQs do popular personagem, repetiram a já batida origem do personagem, se perdendo na tentativa de dar um novo enfoque às aventuras já adaptadas. A talentosa Emma Stone foi o que melhor se sobressaiu desses filmes.

                O filme novo vem a integrar o universo cinemático da Marvel e a coroar a volta de um dos heróis mais queridos dos quadrinhos. Como muitos, eu me apaixonei por Gwen Stacy e Mary Jane, me pendurei pelos móveis de casa brincando que eu tinha aqueles poderes. Fui um garoto tímido e descobri minha coragem quando percebi que eu também era Peter Parker.

MEMORIAS DE UM CINÉFILO: 100 ANOS DO GRUPO LUIZ SEVERIANO RIBEIRO / KINOPLEX

Majestic-Praca.jpg.pagespeed.ic.76oa-lyCdn

CINE MAJESTIC EM FORTALEZA      

               A primeira vez que eu entrei em um cinema na minha vida foi no saudoso Cine – Paz, em minha cidade natal, Duque de Caxias. A sala de exibição, que ficava na Praça do Pacificador, onde hoje existe uma mega loja C&A, trazia em cartaz o filme “O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão”. Era o ano de 1977 e minha mãe não tinha a mínima noção do amor que acenderia quando as luzes se apagaram e o filme começou, amor pela sétima arte, coroado por uma sala pertencente ao grupo Luis Severiano Ribeiro, que chega agora a seu centenário, momento histórico em um país de memória tida como curta.

Luiz Severiano Ribeiro 2

LUIZ SEVERIANO RIBEIRO

                 Nascido em Julho de 1917, durante o governo do Presidente Venceslau Brás, ainda durante a Primeira Guerra Mundial. A primeira sala foi aberta em Fortaleza e se chamava “Cine-Theatro Majestic Palace”. O cinema mudo ainda era o padrão e assim continuaria por mais dez anos. Embora um incêndio nos anos 60 tenha destruído o prédio, este fez parte indiscutível da história da cultura deste país. A iniciativa deste cearense nascido em 3 de junho de 1886 foi comprar outras salas e espalhar-se por outras cidades, chegando ao Rio de Janeiro em 1926, época em que se associou à Metro Goldwyn Mayer, abrindo em seguida o Cine Odeon, único sobrevivente dos cinemas de rua no centro do Rio. Próximo, o grupo fez do Cine Palácio a primeira sala a exibir um filme sonoro.

centro-empresarial-luiz-severiano-ribeiro_cab

             Ostentando a propaganda que dizia “Cinema é a maior diversão”, a fase dourada da rede Luis Severiano Ribeiro sobreviveu a diversas intempéries : a televisão, o home-video e a internet, vindo de uma época em que a entrada das salas era um preço extremamente popular, os filmes eram exibidos em projetores de 35mm, a pipoca era barata e pagávamos muitas vezes para assistir a uma sessão dupla, entrávamos ao final de uma sessão e ficávamos dentro da sala esperando a sessão seguinte. Assim assisti filmes como “A Hora do Espanto”, “Uma Cilada Para Roger Rabbit”, “O Exterminador do Futuro”, “Robocop”, “Aliens o Resgate”. Foi nos cinemas da rede Luiz Severiano Ribeiro que ri com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, aprendi o que significava a Força Jedi e descobri que um homem podia de fato voar.

Odeon fachada

            Com a chegada da exibição digital, o grupo reduziu o número de salas e trocou o nome para Kinoplex em 2002, ainda permanecendo com um vasto espaço em um circuito de exibição disputado com marcas como Cinemark e Cinesystem, desprovido dos antigos cinemas de rua substituídos pelas atuais salas de shopping onde muitas vezes o preço da pipoca é tão caro ou mais caro que o valor da entrada. Atualmente a rede conta com cerca de 260 salas em 19 cidades e ainda uma parceria com a rede UCI, oferecendo uma infra-estrutura que inclui a tecnologia 3D. Depois de um tempo em que o Odeon foi administrado pelo grupo Estação Bortafogo, este sobrevivente dos velhos tempos voltou para as mãos do grupo, que é o maior exibidor nacional, rebatizando-o de “Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro”. Só no Rio de Janeiro o grupo conta com pontos estratégicos como o cinema do shopping Rio Sul, Madureira, Nova Iguaçu e Norte Shopping.

oreidocinema2

            Em 2007, o fundador da rede ganhou uma biografia entitulada “O Rei do Cinema, a extraordinária história de Luiz Severiano Ribeiro”, publicada pela Editora Record. Em entrevista recente concedida ao jornal O Globo, Luiz Severiano Ribeiro Neto alegou não se preocupar com o sucesso de serviços de streaming como a Netflix. Revelou  “o maior concorrente do streaming é a TV aberta. É ela quem tem que se cuidar. Eu só preciso ficar atento.” Sem dúvida esse centenário marca um episodio de extrema relevância para a cultura desse país e inclui a “Iniciativa Projetor de Sonhos” que, desde março, realizou 100 sessões beneficentes para ONGs, Associações e Fundações, que trabalham com crianças e adolescentes em situação de risco social.  As inscrições deverão ser feitas até o dia 11 de agosto no site www.kinoplex.com.br/centenario.  As instituições que se inscreverem poderão ganhar uma sessão em um cinema da Rede Kinoplex a sua escolha, a ser realizada até o dia 31 de dezembro de 2017.

CAÇADORES DOS CLÁSSICOS PERDIDOS: O FINO DA VIGARICE

FINO DA VIGARICE 3 CARTAZ.jpg

             Há filmes que merecem o status de clássico mas que são menos badalados seja pelos críticos ou pelo grande público que desconhece sua existência, principalmente aqui no Brasil, que reprisam exaustivamente alguns filmes em detrimento de outros que não alcançam o mesmo espaço na Tv ou nos lançamentos de home vídeo (dvd, blu ray), desprezados até mesmo pelas plataformas de streaming como Netflix. Em resumo, há verdadeiras pérolas ignoradas por todos mas que ainda possuem seus fãs, aqueles com boa memória, cinéfilos de carteirinha assinada que chamo pelo título da coluna que agora inicio no blog. Periodicamente estarei revendo alguns desses tesouros e trazendo para cá sua lembrança e para começar um exemplar de humor raro nas produções atuais, “O Fino da Vigarice”.

FINO DA VIGARICE

        Foi o primeiro roteiro escrito pelo dramaturgo Neil Simon (O Estranho Casal, Descalços no Parque) que serviu de veículo para a versatilidade insana de Peter Sellers (1925/1980), na época já célebre por suas atuações em filmes como “A Pantera Cor de Rosa” (Pink Panther) de 1963 e “Dr.Fantástico” (Dr.Strangelove) de 1964. O diretor italiano Vittorio De Sica (1901/1974) se interessou pelo projeto que enxergou como um veículo para fazer uma crítica social, lembrando que foi ele um dos que deram o pontapé inicial para o Neo-realismo em 1949 com “Ladrões de Bicicleta” ( Ladri di Biciclette) e pelo qual ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro.

FINO DA VIGARICE 2

        A história é sobre Aldo Vanucci, vulgo “A Raposa”, um notório ladrão internacional e mestre nos disfarçes, desafiado a roubar uma grande remessa de ouro que atravessa uma pequena cidade italiana. Para alcançar seu objetivo, Aldo se faz passar por um renomado diretor de cinema (parodiando Fellini) que chega a Sevalio, uma cidade pequena na costa, para rodar um filme, conseguindo atrair Tony Powell (Victor Mature), um famoso galã e até mesmo o apatetado chefe de polícia (Lando Buzzanca). A premissa do filme dentro do filme antecipa a missão diplomática disfarçada no Irã, que aconteceu nos anos 70 e gerou o filme “Argo” (2012).

Britt_Ekland_Peter_Sellers_bondmania

BRITT EKLAND & PETER SELLERS

        O papel de Aldo “Raposa” Vanucci caiu como uma luva no camaleônico Peter Sellers que também assumiu a função de co-produtor junto a John Bryan. O astro, no entanto, era uma pessoa muito difícil e coleciona-se histórias de bastidores em que Sellers simplesmente infernizava a vida dos diretores, e com De Sica não foi diferente. Curioso que foi o próprio Sellers quem trouxe o diretor italiano para o projeto, mas durante as filmagens fez de tudo para demiti-lo alegando “Ele pensa em italiano, e eu em inglês”. Também foi Sellers quem convenceu Victor Mature (1913/1999), que estava afastado das telas, a ficar com o papel de Tony Powell. O elenco ainda incluiu Britt Ekland, na época casada com Peter Sellers, como Gina, a irmã de Aldo, Lydia Brazzi, esposa do ator Rozanno Brazzi, como Mama Vanucci, Akim Tamiroff (1899 / 1972), ator de origem russa, como Okra – o chefão do crime, Martin Balsam como Harry – empresário de Tony e a voluptuosa Maria Grazia Bucella, ex miss Italia, como uma das meninas de Okra. O diretor, que enxergava na história uma crítica de como a ambição corrompe a arte,  faz uma aparição no filme rodando uma produção bíblica de onde Aldo rouba os equipamentos de filmagem.

                        O clima de pilantragem do filme seria um mote bem explorado em outras produções de sucesso como “Golpe de Mestre” (The Sting) de 1973 e “Os Safados” (Dirty, Rotten, Scondrels) de 1988. “O Fino da Vigarice”, no entanto, é divertido mas irregular em sua narrativa, resultado dos cortes que desagradaram o roteirista. O montador de confiança do diretor não entendeu o humor do texto de Simon e isso é visível a medida que se aproxima o desfecho e o golpe é descoberto. De acordo com o site imdb, mesmo quando o filme foi remontado a pedido de Simon, por Russell Lloyd – montador de John Houston, várias sequências haviam se perdido como Sellers personificando os Beatles.

           Uma das últimas vezes que lembro do filme ter sido exibido na Tv brasileira foi no Corujão da Rede Globo no inicio dos anos 90, quando o impagável Sellers, embalado pela trilha sonora de Hal David e Burt Bacharach, divertiu mais uma vez os cinéfilos que tentaram pegar aquela raposa.

GALERIA DE ESTRELAS : RITA RAYWORTH

RHAY

            Me apaixonei por Rita Hayworth em dois filmes, seu papel como a sedutora Dona Sol em “Sangue & Areia” (Blood & Sand) e a musa Terpsichore em “Quando os Deuses Amam” (Down to Earth). De fato, faz-se juz a frase que acompanhou um de seus maiores êxitos “Nunca houve uma mulher como Rita Hayworth”, que há 30 anos nos deixou.

gilda

GILDA

              Somente quando me tornei adulto assisti “Gilda” (1945), papel título que interpretou ao lado de Glenn Ford, um dos 3 filmes que fizeram juntos, o papel de uma mulher infiel, sedutora ao extremo e que imortalizou a sequência de um streaptease somente insinuado, mas que arrancou suspiros dos homens de seu tempo. Margarita Carmen Cansino (1918 – 1987) tinha um notável sex appeal, um sorriso cativante e generosas curvas que lhe conferiram o apelido de “deusa do amor”. Nascido em talentosa família, seu pai era um dançarino espanhol que iniciou os primeiros passos de Rita que aos 12 anos já se juntava ao seu pai nos palcos. Em um desses espetáculos foi descoberta por um figurão da Fox que lhe ofereceu um contrato já aos 16 anos. Assinando como Rita Cansino ficou no estúdio por cinco filmes e durante esse tempo casou-se aos 19 anos com o empresário Edward Judd, que a levou à Columbia Pictures onde mudou seu sobrenome para Hayworth e mudou seu cabelo. Emprestada à Warner, fez “Uma Loira com Açucar” (The Strawberry Blonde) em 1941 trabalhando ao lado de James Cagney e Olivia DeHavilland. DE volta a Columbia estrelou “Ao Compasso do Amor” (You’ll never get rich) brilhando como o par de Fred Astaire ao lado de quem voltou a trabalhar em “Bonita como Nunca” (You were never lovelier). Rita foi uma elegante e charmosa parceira para a classe de Astaire, mas também acompanhou os passos atléticos e sensuais de Gene Kelly em “Modelos” (Covergirls) de 1944.

Rita-Hayworth-Dancing

MODELOS

      Um anos antes casou-se com Orson Welles que desconstruiu sua imagem, tosando-lhe as belas madeixas  no obscuro “A Dama de Shanghai” (The lady from Shanghai) de 1947. O curto relacionamento com Welles lhe deu seu primeiro filho, mas alguns anos depois seu fim favoreceu o romance com o príncipe Aly Khan, que se tornou seu terceiro marido. Muito antes de Grace Kelly, foi Rita a primeira atriz a se tornar uma princesa de verdade. Mas não abandonou o cinema, mesmo com o nascimento de sua filha Yasmin, e em 1953 viveu o papel da princesa judia “Salomé”.

RITA SORRISO

QUANDO OS DEUSES AMAM

              Nesse mesmo ano divorciou-se de Khan e sua carreira estagnou. Ainda brilhou ao lado de Frank Sinatra e Kim Novak, nova estrela da Columbia,  em “Meus Dois Carinhos” (Pal Joey) de 1957. Paralelo a sua carreira, sua vida pessoal também parecia declinar em maios dois casamentos, nenhum deles lhe trazendo a felicidade pretendida. Costumava dizer “Os homens se deitam com Gilda, mas acordam comigo.” Esteve ao lado de John Wayne em “O Mundo do Circo” (Circus World) de 1964, de Anthony Quinn em “O Heroico Lobo do mar” (L’avventuriero) de 1965 mas seu prestígio e glamour pareciam não mais encantar as plateias dos anos 60 e veio a fazer seu último filme “A Divina Ira” (The Wrath of God) em 1972, quando estava com 54 anos. Sua saúde já mostrava sinais de problemas quando em 1980 foi diagnosticada com Alzeihmer, mal que na época pouco se sabia a respeito e que tomou sua vida até 14 de maio de 1987, aos 68 anos. O mundo chorou então a perda da deusa Hawyworth, que fosse em preto e branco ou cores ensinou o mundo que sedução e graça nos movimentos tem a mais ver com que se sugere do que o que se mostra. No fim, sempre fomos seus súditos bela Rita, e eu ainda gostaria de estar na pele de Tyrone Power, que em “Sangue & Areia” esteve a seus pés.  Ainda a tempo, em 1983 a atriz Lynda Carter (a Mulher Maravilha da TV) interpretou Rita Hayworth em um filme de TV.

Rita_Hayworth_and_Tyrone_Power_in_Blood_and_Sand_trailer

SANGUE & AREIA : AQUI EU QUERIA SER TYRONE POWER

ESTREIAS DA SEMANA: 22 DE JUNHO

MEUS 15 ANOS

meus 15 anos

Bra 2017. Dir: Carolini Fioratti. Com Larissa Manoela, Rafael Infante, Bruna Tatar, Anitta, Bruno Peixoto. Comédia.

A jovem Bia não é nem um pouco popular na escola. Seus pais planejam uma festa de 15 anos e convidam todos para transformar sua filha na estrela da noite. Larissa Manoela começou a carreira da atriz nas novelas “Carrossel” e “Cúmplices de um Resgate”, no SBT, alcançando grande popularidade, e agora protagoniza seu primeiro filme.

O CIRCULO

o circulo

(The Circle) EUA 2017. Dir: James Ponsonldt. Com Emma Watson, Tom Hanks, Karen Gillian, John Boyega, Bill Paxton, Gleanne Headly. Suspense.

Jovem (Watson) é contratada para o trabalho de seus sonhos, em uma empresa de tecnologia chamada “O Circulo”. A principio entusiasmada, ela vem a descobrir uma trama conspiratoria que envolve quebra de sigilo e invasão de privacidade. O filme adapta o livro de Dave Eggars, que também co-roteirizou o filme junto ao diretor. A história chega em momento oportuno em que a tecnologia parece não respeitar a privacidade e a individualidade. Foi o ultimo filme dos atores Bill Paxton e Gleanne Hedley, recentemente falecidos.

ESTREIAS DA SEMANA : 15 DE JUNHO

BAYWATCH 

baywatch 2222

(Baywatch) EUA 2017. Dir: Seth Gordon. Com Dwayne Johnson, Alexandra Daddario, Zac Efrom, David Hasselhof, Pryanka Chopra, Pamela Anderson, Kelly Rorhback. Ação.

Entre 1989 e 2001, uma das séries mais populares era “Baywatch” – aqui chamada durante um tempo de S.O.S Malibu, quando estreiou pela Rede Globo. O filme, assim como na série, gira em torno de uma equipe de salva-vidas unindo esforços para resgatar banhistas. Em 1996, a série chegou a entrar para o livro Guiness de Recordes como a série mais assistida no mundo (lembrando que era um mundo pré-Netflix), com 1,1 bilhão de telespectadores. O personagem de Dwayne Johnson, Mitch Buchanon (na série interpretado por David Hasselhoff – alguem lembra dele de “A Super Máquina”?) é o salva vidas experiente que precisa da ajuda do jovem Matt Brody (Zac Effron), todo se querendo, para investigar um crime, relacionado às atividades de uma perigosa traficante de drogas. Os apelidos que Mitch usa para se referir a Matt (Biber, One Direction) foram todos sugeridos pelo próprio Zac Efrom. As cenas de ação estão bem diluídas em humor, e aí reside a falha do filme … o excesso de piadas que se por um lado confere ao filme um tom despretensioso, por outro disafarça mal um roteiro mais raso do que piscina de criança. O carisma de Johnson em cena é indiscutivel, mas mesmo o ator não consegue salvar o conjunto da obra. Aos antigos fans da série fica a presença em cena de David Hasselhoff e Pamela Anderson em rápidas aparições.

COLOSSAL

colossal-filme

(Colossal) EUA 2017. Dir: Nacho Vigalondo. Com Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Tim Blake Nelson, Dan Stevens.Ficção Cientifica

Mulher sofre série de infortunios em sua vida pessoal e deixa a cidade de Nova York para recomeçar a vida, mas desconfia que há uma estranha criatura mimetizando seus movimentos e ações. De volta à sua cidade natal, em Seul, Coreia, ela descobre que o futuro da raça humana depende de sua habilidade para evitar uma grande catástrofe envolvendo a citada criatura. O filme foi lançado no Festival de Toronto em setembro do ano passado, e foi rodado durante o segundo trimestre de gravidez da atriz Anne Hathaway.

UM TIO QUASE PERFEITO

filmes_11633_quase

Bra 2017. Dir: Pedro Antonio. Com Marcus Majella, Leticia Isnard, Ana Lucia Torre, Bia Montez, Eduardo Galvão. Comédia.

Tony (Majella) vive de bicos e trambiques para sobreviver. Quando é despejado, vai parar na porta da irmã (Isnard) que não vê durante muito tempo. Como esta ficou sem babá para cuidar dos filhos, o tio sem noção resolve ajudar. O filme lembra um pouco a premissa de “Quem ve cara, não vê coração” (Uncle Buck) de 1989, no qual John Candy vive um personagem similar. Marcus Majella, de “Vai que Cola”, faz um papel divertido, de humor demolidor.

TUDO E TODAS AS COISAS

tudo

(Everything, everything) EUA 2017.Dir: Stella Maghie. Com Nick Robinson, Amandla Steinberg, Taylor Rickson, Ana de la Reguera. Drama

Jovem de 18 anos sofre de uma alergia acentuada que a mantem com serie de restrições com o mundo exterior. Quando ela se apaixona pelo vizinho, decide explorar o mundo a sua volta mesmo que isso custe sua vida. Adaptado do livro de Nicola Yoon, o filme busca em seu publico o romance entre pesoas que precisam desafiar o impossivel, no estilo dos romances de John Green e Nicholas Sparks.

CLÁSSICO REVISITADO: 0S 30 ANOS DE “DIRTY DANCING – RITMO QUENTE”

dirty_dancing POSTER

         Recentemente a ABC levou ao ar nos Estados Unidos um remake do clássico “Dirty Dancing” com o desconhecido Colt Pratter e Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine) nos papeis que pertenceram respectivamente a Patrick Swayze (1952 – 2009) e Jennifer Grey. Há quase 30 anos, o filme dirigido por Emile Ardolino fez todos balançarem ao som de “I’ve had the time of my life”, e hoje a ouvimos emocionados com a saudade de Swayze, e daquele verão romântico de 1963.

dirty dancing ground.jpg

              A história do filme foi escrita com  base nas memorias da roteirista Eleanor Bergstein, que nos anos 60 passou um tempo em um resort nas montanhas Catskill (no estado de Nova York) onde o professor de dança Johnny Castle (Swayze) se envolve com a jovem Frances “Babe” Houseman (Grey). Assim como esta, Eleanor vem de um família judia cujo pai era médico e o apelido Babe também usara até completar 22 anos. O filme desenvolve sua narrativa a partir da chegada de Babe e sua familia ao mesmo tempo em que Penny (Cynthia Rhodes), a parceira de dança de Johnny, engravida de um dos garçons e faz um aborto que quase a mata, mas que faz todos pensarem que é culpa de Johnny. Como Penny não pode mais prosseguir com os ensaios para a apresentação, Babe a subsititui.

corner

Ninguem coloca Babe de lado !!!

             Embora a quimica entre Swayze e Grey seja parte essencial do encanto do filme, nos bastidores o casal central não compartilhava o mesmo sentimento. Os atores já se conheciam quando filmaram juntos “Amanhecer Violento” (Red Dawn) de 1984, e não tinham se dado nada bem. Quando foram escolhidos para estrelar “Dirty Dancing”, Swayze precisou convencer Jennifer Grey, então com 27 anos e fazendo papel de uma adolescente. O diretor Emile Ardolino, que havia ganhado o Oscar de melhor documentário em 1983, precisou de um esforço conjunto com  Eleanor para acalmar as insatisfações mútuas dos protagonistas. Na cena em que Swayze, por exemplo, desliza os dedos pelas axilas da atriz, que genuinamente começava a rir, despertando a impaciência do experiente bailarino que Swayze era.  Este fazia sua próprias cenas sem dublê, incluindo a sequência do tronco sobre o lago, gravado sob as baixas temperaturas das águas locais apesar do filme, rodado durante o outono, se passar no verão. O filme alcançou grande popularidade na época de seu lançamento, tendo sua trilha sonora alcançado alta vendagem na época misturando antigos hits dos anos 60 com a belíssima “She’s like the wind”, cantada e co-escrita pelo próprio Patrick Swayze, e – claro – a dançante e oscarizada “I’ve had the time of my life”, um dueto da cantora Jennifer Warner com Bill Medley, que nos anos 60 foi parte dos Righteous Brothers. Esta empolga o ato final quando a inocência de Johnny (também injustamente  acusado de roubo) é provada e este volta ao resort a tempo de puxar Babe para o palco. A fala “Nobody puts Babe in a corner” foi transformada em título de uma canção da banda “Fall out Boy”.

dirty-dancing-lift.jpg

              Esqueça a sequência “Dirty Dancing – Noites de Havana” de 2004, bem como a refilmagem recente da ABC. O filme de 1987 ainda é pura magia em qualquer reprise e um deslumbre para os olhos a dança final de Swayze e Grey. Romantico na medida certa para quem quiser tentar erguer a parceira como na imagem. Ninguem põe Babe de lado, e ninguém conseguiria ser tão majestoso quanto Patrick Swayze.

 

 

UNIVERSO DE MONSTROS 2: AS MUMIAS -DE KARLOFF A BOUTELLA

The-Mummy-1932-Boris-Karloff.jpg

BORIS KARLOFF – 1932

         A cultura egípcia sempre alimentou a curiosidade  de historiadores e arqueólogos na mesma medida que estimulou a imaginação humana acerca de maldições milenares que caem sobre os profanadores de túmulos, o que o cinema logo tratou de se apropriar. Quando Boris Karloff  (1887 – 1969) interpretou o sumo-sacerdote Imhotep no clássico “A Mumia” (1932), haviam passado dez anos desde que os arqueólogos Howard Carter e Lord Carnarvon haviam descoberto a tumba do rei Tutancâmon.

            O roteirista John L.Balderston, a partir da história de Nina Putnam e Richard Schayer, criou um sub-gênero que seria explorado com sucesso pela Universal, o estúdio de Carl Laemmle Jr que alcançara anos antes sucesso com as adaptações literárias de “Dracula” e “Frankenstein” (1931). A política de Laemmle era custo baixo, muita sugestão para despertar sustos. Em “A Mumia” (The Mummy), o diretor Karl Freund, que fora fotografo em clássicos como “Metropolis” (1922) e “Dracula” (1931), usa e abusa das técnicas expressionistas das quais era um mestre. A maquiagem de Jack Pierce (também vindo de “Frankenstein”) demorava cerca de oito horas para transformar Karloff em uma múmia desperta pelas palavras mágicas do livro dos mortos. Contudo, em seu despertar, pouco é mostrado e em um salto no tempo Karloff surge como Ardath Bay, manipulando a descoberta do túmulo de sua amada Aucksonamon. Karloff pouco fala, mas seu olhar ameaçador assusta ainda mais. O nome de Imhotep foi tirado do arquiteto que criou as pirâmides, e muito longe de ser um sacerdote amaldiçoado, gozava de prestígio abaixo apenas dos faraós.

mummy-1lee.jpg

CHRISTOPHER LEE EM “A MUMIA DE ANANKA”

             Oito anos depois a Universal decidiu fazer outro filme, mas Karloff não retorna como Imhotep. Assim, o estúdio faz a primeira de várias reinvenções da história, trocando Imhotep por Kharis, a múmia guardiã da princesa Ananka em “A Mão da Múmia” (The Mummy’s Hand). Jack Pierce volta como maquiador transformando Tom Tyler (ator de antigos westerns e serials) na nova criatura egipicia. Nesta nova série, a múmia ganha como algoz a figura do arqueólogo John Banning que antagonizará o mal representado por Kharis. A este se seguiram mais três filmes “A Tumba da Mumia” (The Mummy’s Tomb) de 1942,”A Sombra da Mumia” (The Mummy’s Ghost) de 1944 e , no mesmo ano que este, “The Mummy’s Curse”, todos com a múmia sendo interpretado por Lon Chaney Jr, que tornou-se o único ator a ter já interpretado todos os monstros clássicos da Universal : O Lobisomem (1941), o monstro de Frankentein (The Ghost of Frankenstein) e Dracula (The Son of Dracula) de 1943. A máscara usada pelo ator é exibida até hoje na exposição de terror do Museu em Seattle.

bloodfromthemummystomb04.png

VALERIE LEON EM “SANGUE NO SACORFAGO DA MUMIA”

            Apesar da comédia “Abbot & Costello meets the Mummy” de 1955, o público foi perdendo  interesse  no monstro, a medida que os estúdios entraram os anos 50 explorando discos voadores e monstros do espaço. Coube à produtora inglesa Hammer Films trazer de volta o personagem em “A Mumia de Ananka” (The Mummy) de 1959 com Christopher Lee no papel de Kharis. As cores e a presença magnética de Christopher Lee garantiram o êxito dessa retomada inglesa realizada em acordo com a Universal International. Na década de 60 ainda teríamos “A Maldição da Mumia” (The Curse of the Mummy’s Tomb) de 1964, “A Mortalha da Mumia” (The Mummy’s Shroud) de 1967 e “Sangue no Sacorfago da Mumia” (Blood from the Mummy’s Tomb) de 1970, este último adaptado de “The Jewel of the Seven Stars”, de Bram Stoker, com a beldade Valerie Leon no papel de uma rainha egícpica do mal possuindo o corpo (e que corpo) da filha do arqueólogo. Todos esses filmes foram constantemente exibidos na TV brasileira durante as décadas de 70 e 80 perpetuando a atmosfera B dos filmes da Hammer. Na década de 80 tivemos nossa múmia brasileira no terrir “O Segredo da Mumia”, de Ivan Cardoso (1982) que deu a Wilson Grey, ator típico das chanchadas da Atlântida, seu primeiro papel de protagonista depois de décadas de contribuição ao cinema brasileiro.

imhotep.jpg

IMHOTEP (ARNOLD VOSLOO EM “A MUMIA”) DE 1999

                Quando a Universal decidiu refilmar “A Mumia” em 1999 sabia-se que o público não iria mais se assustar com um monstro enrolado em ataduras, andando devagar atrás das pessoas. Assim, o diretor Stephen Sommers transformou a história de Imhotep em uma aventura movimentada como Indiana Jones. O sucesso, que teve Brendan Fraser, Rachel Weisz e Arnold Vosloo como Imhotep, levou em pouco tempo à sequencia “O Retorno da Mumia” (The Mummy Returns) de 2001 que, alguns não lembram foi o debut cinematográfico do hoje astro Dwayne Johnson, este no papel do escorpião rei. Ainda houve o tardio “A Mumia: A Tumba do Imperador Dragao” (2008), muito fraco e já sem nenhum atrativo para manter o interesse do público com uma incursão pela China (lembrando que os chineses não mumificavam seus mortos). Mesmo com a inclusão do popular astro de artes marciais Jet Li, o filme deixa a desejar.

the-mummy-20178726

SOFIA BOUTELLA

            A nova versão do monstro com Sofia Boutella e Tom Cruise mostra que o antigo Egito continuará a assombrar as telas com suas maldições, mas muito longe de chegar perto da inocente medo que figuras como Karloff, Chaney e Lee conseguiram imprimir na memória do cinema, em preto em branco ou em cores, mas empoeirado com milênios de tradição do que já foi o horror nas telas.

IN MEMORIAN : ADAM WEST

adamest

MINHA MÁSCARA E CAPA JÁ SE PERDERAM FAZ MUITO TEMPO. EU TINHA UNS NOVE OU DEZ ANOS E VIVIA PULANDO NO SOFÁ DE CASA, SOCANDO AS ALMOFADAS COMO SE ESTAS FOSSEM O CORINGA OU O CHARADA E BEIJANDO UMA OUTRA COMO SE FOSSE A JULIE NEWMAR. CERTAS COISAS NÃO SE ESQUECEM E A INOCÊNCIA DE OUTRORA CULTIVAMOS EM NOSSA MEMORIA AFETIVA. DIGO ISSO PORQUE ESTOU MUITO TRISTE COM A MORTE ANUNCIADA ONTEM DO ATOR ADAM WEST, O BATMAN DE MINHA, DE NOSSA INFÂNCIA. SANTA SAUDADE DESSE ATOR QUE DURANTE UM LONGO TEMPO FOI A ENCARNAÇÃO DO CRUZADO EMBUÇADO IMAGINADO POR BOB KANE. A SÉRIE DE TV PRODUZIDA DE 1966 A 1968, EMBALADA PELO CONTAGIANTE TEMA DE NEAL HEFTI, FOI LEVADA AO CINEMA EM 1967 COM A DUPLA DINÂMICA ENFRENTANDO QUATRO DOS SEUS PRINCIPAIS VILÕES: O CORINGA DE CESAR ROMERO, O CHARADA DE FRANK GORSHIN, O PINGUIM DE BURGUESS MEREDITH E A MULHER GATO, ESTA INTERPRETADA POR LEE MERIWETHER JÁ QUE JULIE NEWMAR NÃO ESTAVA DISPONIVEL PARA AS FILMAGENS. VI  FILME NO CINEMA, UMA DE SUAS REPRISES JUSTIFICADA PELO INCRIVEL APELO QUE A SÉRIE PRODUZIDA POR WILLIAM DOZIER MANTEVE AO LONGO DAS DÉCADAS. POW! CRASH! BOOM! AQUELAS ONAMOTOPEIAS GIGANTESCAS NA TELA COM CORES BERRANTES, TUDO BEM CAMP, DIVERTIDO E PARA SEMPRE EM NOSSOS CORAÇÕES. FAÇA A PASSAGEM E PAZ, ADAM, MEU HERÓI.