GRANDE ESTREIA : O PROTETOR 2

(THE EQUALIZER 2) EUA 2018. DIR: ANTOINE FUQUA. COM DENZEL WASHINGTON, MELISSA LEO, BILL PULLMAN, PEDRO PASCAL. AÇÃO.

O Protetor 2.png

Não lembro de ter assistido à série de Tv (1985 – 1989) na qual esse filme se baseia. Na verdade isso não faz falta, pois o que importa aqui é a hábil maneira de conduzir a ação do diretor e seu astro Denzel Washington (ambos juntos pela quarta vez). É a primeira sequência dirigida por Fuqua que sabe como explorar habilmente os clichês do gênero para produzir uma narrativa envolvente. Beneficiado claro pela presença de Denzel Washington, também estrelando sua primeira sequência, um ator de amplos recursos, sempre equilibrado nos papéis que defende. Denzel é Robert McCall, o ex agente da CIA que agora defende a causa dos desamparados. McCall está envolvido em uma missão mais pessoal, o assassinato de uma grande amiga (Leo). O primeiro filme, de 2014, foi uma grata surpresa custando em torno de 55 milhões de dolares e rendendo nas bilheterias mundiais três vezes mais. Essa credibilidade do astro e diretor são fundamentais para garantir a apreciação desse segundo filme que comete seus deslizes narrativos. Sem entregar spoilers, pode-se garantir que nada compromete o prazer de assistir ao filme e, claro, a forte possibilidade de que tenhamos um terceiro capítulo em breve.

 

Anúncios

GRANDE ESTREIA: CHRISTOPHER ROBIN UM REENCONTRO INESQUECÍVEL

(CHRISTOPHER ROBIN) EUA 2018. DIR: MARC FORSTER. COM EWAN MACGREGOR, HAYLEY ATWELL, MARK GATISS. DRAMA/FANTASIA.

robin

TODOS CONHECEM A HISTÓRIA DE WINNIE THE POOH (NA MINHA INFÂNCIA ERA SÓ URSINHO PUFF) E UMA TURMA DE AMIGOS IMAGINÁRIOS SAÍDAS DA MENTE DE CHRISTOPHER ROBIN, O PERSONAGEM QUE TAMBÉM É O NOME DO FILHO DO AUTOR BRITÂNICO A.A. MILNER. ESTE CRIOU TUDO A PARTIR DA FÉRTIL IMAGINAÇÃO DE SEU FILHO COM SEUS BRINQUEDOS. A DISNEY, DONA DOS DIREITOS DOS PERSONAGENS DECIDIU SEGUIR A MESMA FORMULA DE “HOOK – A VOLTA DO CAPITÃO GANCHO”, OU SEJA, A CRIANÇA CRESCEU E ESQUECEU A MAGIA DE TEMPOS MAIS INOCENTES. HOJE UM EXECUTIVO CHEIO DE PROBLEMAS DO MUNDO ADULTO, ELE REENCONTRA TODA A TURMA QUE O AJUDARÁ A REVIVER O MENINO DENTRO DO HOMEM, A GRAÇA DA VIDA E UM DOCE LEMBRANÇA DE QUE SEMPRE DEVEMOS CULTIVAR A CRIANÇA INTERIOR. POR ISSO, O FILME FUNCIONA BEM PARA CRIANÇAS E PAIS.

GRANDE ESTREIA : MEGATUBARÃO

meg-fp-0002-600x400

THE MEG. EUA 2018. DIR: JOHN TURTELTAUB. COM JASON STATHAM, BINGBING LI, MASI OKA, RUBY ROSE. SUSPENSE/AVENTURA.

Sejamos sinceros já foram incontáveis filmes de tubarão (Vide matéria abaixo) e o melhor continua sendo o filme de 1974 de Steven Spielberg. Em meio a coisas rídiculas como “Sharknado” tivemos boas tentativas como “Águas Rasas” e “Medo Profundo” recentemente. O filme de Jon Turteltaub (A Lenda do Tesouro Perdido) não foge aos clichês, mas se rende a eles. Não digo como demérito mas como apreciação da diversão pretendida.

meg gg.jpg

Claro que o livro de Steven Alten, publicado em Julho de 1997, tem muitos méritos e conseguiu se destacar entre a vasta literatura do gênero, apesar de liberdades poéticas como mostrar dinossauros co-existindo com o megalodonte, pertencentes a períodos pré históricos bem distintos.  Se Hollywood vai filmar os outros 7 livros restantes é preciso esperar pelo resultado da bilheteria. O famigerado site “Rotten Tomatoes” deu 50% de aprovação mostrando uma crítica dividida.

megatubarao-1533835433

Jason Statham faz o papel do herói destemido, o biólogo e mergulhador profissional Jonas Taylor, que ajudar um grupo a caçar o tubarão pre-histórico (de 30 metros) encontrado nas fossas Marianas, uma das maiores fenda submarinas, ainda inexplorada na vida real. Sim, há um embasamento cientifico para a história do filme, mas apenas superficial pois estamos diante de um filme de aventura e ação. Momentos de humor aliviam a trama, mas esta falha em criar a mesma tensão que o clássico de Spielberg apesar de obvias homenagens a este. O projeto levou 20 anos para se concretizar e nos traz uma boa diversão para o fim de semana.

TUBARÕES NO CINEMA

jaws spielb.jpg

SPIELBERG NA BOCA DE BRUCE

                   O cinema nunca se cansa de mostrar filmes sobre tubarões. Não importa o quanto os biólogos tentem defendê-lo, o cinema cuidou de explorar bem o medo inconsciente que temos desse predador que vive há aproximadamente 400 milhões de anos em nossos mares. Nas telas ele protagoniza praticamente um sub- gênero do típico filme de monstro, o que mostra o quanto o público está disposto a ver pessoas sendo devoradas por esse vilão marinho.

ROY

BRUCE ENFRENTA ROY SCHEIDER

                 Mesmo que mais de 200 espécies de tubarão estejam sob o risco de extinção, de acordo com a “International Shark Foundation”, eles estão no topo da cadeia alimentar e nós estamos no topo do cardápio. Assim o cinema e a Tv fizeram tudo para vilanizá-lo mostrando tubarões gigantes, tubarões inteligentes e tubarões vingativos. Peter Benchley enriqueceu com o livro “Tubarão” (Jaws), a história de um grande branco que ataca as praias da fictícia Amity, ilha na costa leste dos Estados Unidos. Adaptado ao cinema, este tornou o nome de Steven Spielberg mundialmente conhecido, abocanhando as bilheterias e inaugurando para uma geração o conceito de blockbuster de verão. Seu filme seguiu a cartilha hithcockiana de mostrar pouco e sugerir muito, estimulando a imaginação com o tema de duas notas de John Williams. Foi uma forma criativa de disfarçar as deficiências técnicas de Bruce, o tubarão mecânico batizado pelo diretor com o nome de seu advogado, um monstro sorrateiro que não faz concessões, movido por uma fome insaciável: O peixe ou o advogado ?! Ainda mais voraz é a fome de lucro dos produtores que realizaram mais 3 sequências, nenhuma das quais dirigidas por Spielberg: “Tubarão 2” (1978) repetiu Roy Scheider a contragosto no papel do Chefe Brody; “Tubarão 3” (1983) em 3D que acentua ainda mais suas deficiências, e “Tubarão IV – A Vingança” (1987) que trouxe de volta Lorraine Gary, do elenco original, quando  o tema já estava desgastado. O único desses que consegue trazer alguma informação respeitosa é o filme de 1978 quando o Chefe Brody comenta que os Tubarões seguem sensorialmente os impulsos elétricos dos corpos em movimento na água. Entre todos o filme de Spielberg se mantém superior a todos, uma envolvente história ainda capaz de mexer com o público.

Jaws_Bruce-e1494001706299.jpg

BRUCE SEM A MAGIA DA CÂMERA DE SPIELBERG

               Até lá, no entanto, claro que outros estúdios invadiram essa praia e investiram em filmes B. Em 1976 “Mako – O Tubarão Assassino” (Mako – The Jaws of Death) mostrava um homem com o poder de se comunicar com um tubarão dessa espécie hoje ameaçada pela caça predatória. Outro caso curioso é a co-produção anglo-mexicana “Tintorera” (1977) baseado no livro do oceanógrafo Ramón Bravo. O nome de origem espanhola se refere ao tubarão-tigre, que despertou o interesse de Bravo que observou como estes peixes ficam em estado adormecido no fundo do mar em “Isla Mujeres” no Caribe. O ataque da referida espécie é secundário, já que o filme dirigido por Rene Cardona Jr está mais para uma aventura erótica destacando os corpos curvilíneos das atrizes Susan George e Fiona Lewis. Na época, o filme foi bem popular aqui no Brasil, além de ter se tornado parte da coleção particular do renomado Quentin Tarantino que o exibiu no 8ª Festival Internacional de Filmes de Morella, no México.

tintorera-susan-george-fiona-lewis-jennifer-ashley-cartaz-xz-D_NQ_NP_984356-MLB27115502945_042018-F.jpg

Tintorera

             Outra pérola que nadou por essas águas foi o italiano Enzo Castellari em “O Último Tubarão” (L’Ultimo Squalo) de 1981. Este não se preocupou em disfarçar o plágio em cima do filme de Spielberg. O ator James Francisco interpreta um personagem chamado de Peter Benton (semelhança com Benchley não é mera coincidência), o mesmo papel de Roy Scheider, da mesma maneira que Vic Morrow faz o experiente pescador tal qual Quint (Robert Shaw) no filme de 1975. Todos os momentos icônicos do filme original são absurdamente imitados, até a maneira como o peixe é morto. Com isso tudo, o filme de Castellari foi proibido de ser exibido nos Estados Unidos, embora possa ser facilmente encontrado no You Tube ou à venda pela Amazon. Diferente do filme de Spielberg, o filme de Castellari é, no mínimo, risível usando um tubarão mecânico ainda mais tosco que Bruce. Dando um sabor brasileiro, ainda tivemos uma paródia brasileira: “Bacalhau”, de 1975, dirigida por Adriano Stuart e estrelado por Helio Souto e Mauricio do Vale. Essa pérola de nossa cinematografia mostra uma cidade no litoral paulista atacada pelo peixe do título. O bacalhau usado nas filmagens ainda traz a marca “Made in Ribeirão Preto”.Surpreendentemente foi um dos filmes brasileiros de maior bilheteria em 1976.

bacalhau.jpg

NOSSA VERSÃO BRASILEIRA

            Na segunda metade da década de 70 ainda tivemos variações no tema “monstros aquáticos” enfurecidos. A mais notável é a paródia assumida de Joe Dante “Piranha” (1978) que ganhou duas refilmagens: uma em 1995 e outra em 2010. Ainda tivermos a baleia azul de “Orca – A Baleia Assassina” (Orca The Killing Whale) de 1977 e o polvo gigante da produção italiana “Tentáculos” (Tentacoli) no mesmo ano. Quando já se pensava que o mar seria seguro, os produtores arranjavam um jeito de atrair o público, mas o efeito final está mais para o ridículo. Em tempos mais recentes tivemos tubarões inteligentes (Deep Blue Sea), habitantes das areias (Sand Shark) fora as inusitadas versões de TV que constantemente aparecem na telinha como “Tubarão Fantasma” (Ghost Shark) ou “Sharkanado” e suas inacreditáveis sequências, todas realizadas pelo sci-fi channel.

o ultimo tubarao

O ÚLTIMO TUBARÃO

            Quando a pergunta é se ainda há espaço para alguma produção respeitosa sobre esses animais, merece menção o caso de “Águas Rasas” (The Shallows) de 2016, que tornou-se uma grande sucesso de bilheteria. O filme de Jaume-Collet Serra serviu como “Tubarão” de uma nova geração, trocando o modelo mecânico pela computação gráfica. Eficiente suspense com sua abordagem psicológica, o filme mostrou um fato no mínimo questionável quando a personagem de Blake Lively nada no meio de águas-vivas sugerindo que o tubarão branco teria medo destas mesmo tendo uma pele extremamente grossa. Ainda tivemos ano passado “Medo Profundo” (47 Meters Down) onde duas irmãs ficam presas em uma gaiola no fundo do mar em águas infestadas de tubarões. Fala-se até de uma provável sequência a ser filmada no Brasil, e agora o “MegaTubarão” (The Meg) com Jason Statham.

shallows

ÁGUAS RASAS

           Feras desalmadas, devoradores, ou animais vulneráveis, mal-compreendidos, vítimas da má-propaganda de Hollywood, não importa pois as pessoas parecem não perder o interesse por eles sendo notável o acesso às mídias digitais que perpetuam filmagens e relatos de ataques. Certamente virão mais filmes já que o filão constantemente se renova com o público. Admito ainda assim, eu nunca consigo ir à praia e entrar na água sem que em minha mente eu ouça aqueles os tensos acordes daquelas notas. Tudo culpa de John Williams, Peter Benchley e Steven Spielberg. Boa diversão e bom apetite !

GRANDE ESTREIA : MAMMA MIA – LÁ VAMOS NÓS DE NOVO

Mamma Mia – Here we go again. EUA 2018. Dir: Oil Parker. Com Amanda Seyfried, Meryl Streap, Lily James, Dominic Cooper, Pierce Brosnan, Stellan Skarsgard, Colin Firth, Cher, Andy Garcia, Christine Baranski, Julie Walters. Musical.

Mamma mia 1

Há dez anos o cinema balançou ao som das canções do Abba, grupo sueco que dominou o mundo pop na década de 70. Suas melodiosas canções já haviam sido reunidas em um musical da Broadway, então por que não levá-las ao cinema ? O resultado foi um sucesso arrebatador de público e crítica que impressionou também pela versatilidade com a qual a estrela Meryl Streap cantava e encantava sucessos como “Dancing Queen”, “The Winner Takes it All” e “S.O.S” entre outras, divididas com os demais membros do elenco incluindo o ex 007 Pierce Brosnan e a igualmente talentosa Amanda Seyfried como Sophie, a obstinada jovem que convida seus três possíveis pais para seu casamento. Tudo isso tendo como cenário as belas paisagens da Grécia.

cher-andy-garcia-mamma-mia-2-1024x563

CHER & ANDY GARCIA: ALGO NO AR

Claro que não demoraria para que uma sequência fosse realizada, embora pareça tardio o lançamento do filme. Há novas canções do imenso repertório do Abba, assim como repetições no momento em que Sophie (Seyfried) retorna para o lugar em que foi criada cinco anos depois que Donna (Streap) falecera. Grávida, Sophie descobre histórias do passado de sua mãe, de como ela conheceu Sam, Bill & Harry. A novidade está nas passagens de tempo entre o presente e o passado e a chegada de Cher como a mãe de Donna.  É nas incursões do passado que Lily James (Cinderella, O Destino de Uma Nação)  brilha como a jovem Donna trazendo charme e mostrando talento para se conectar com uma personagem já marcada pela diva Meryl Streap. Lily consegue convencer, consegue encantar e mostrar como suas escolhas e atitudes levarão aos eventos do primeiro filme. À presença hipnótica de Cher adiciona-se o sempre ótimo Andy Garcia, o Fernando da clássica canção do Abba, papel para o qual foi escolhido pela própria Cher.

1_Lily-James

LILY JAMES – DONNA JOVEM

Infelizmente os roteiristas tomaram uma decisão lamentável, para os fâs do primeiro filme. Meryl aparece pouquíssimo, praticamente em lembranças já que Donna está morta quando o filme começa. Nem mesmo contracena com Cher, que faz sua mãe. Ambas já são amigas de longa data e trabalharam juntas em 1983 no filme “Silkwood – Retrato de uma Coragem”. Ainda que a morte de sua personagem sirva para o desenvolvimento da narrativa, não há como não lamentar sua ausência. Ainda assim vale a pena assistir e se deixar por canções belíssimas, personagens marcantes e uma história, que não há de se surpreender, pode gerar no futuro um terceiro filme. Mamma Mia !!!!!

 

MISSÃO IMPOSSÍVEL: SÉRIE ORIGINAL & FILMES.

            O sucesso de “Missão: Impossível” vem muito antes do agente Ethan Hunt e conta mais de 50 anos desde a primeira vez em que uma gravação seguida de uma contagem regressiva anunciava a aventura embalada pelo instigante tema musical do argentino Lalo Schifrin que marcou gerações.

mi serie1.jpg

Da direita para a esquerda: Peter Graves, Barbara Bain, Peter Lupus, Greg Morris e Martin Landau.

            No Brasil a extinta Tv Excelsior trouxe a série “Missão: Impossível” (Mission: Impossible) para as noites de segunda-feira em junho de 1967, quase um ano depois de sua estreia pela CBS. A história, criada pelo roteirista norte-americano Bruce Gellar, foi filmada pela Desilu Productions, o estúdio fundado em 1951 pela comediante Lucille Ball e seu marido Desi Arnaz. Inicialmente, o projeto intitulado “Brigg’s Squad” mostraria um grupo de agentes recrutados para missões de alto risco nas quais o governo não poderia se envolver abertamente. As características dos personagens seriam refinadas por Gellar, que se recusou a criar um passado para cada um, mantendo uma aura de mistério em torno destes. O que importava era a habilidade de cada membro da equipe: Rollis Hand (Martin Landau) era o mestre dos disfarces, Cinnamon (Barbara Bain) era a espiã irresistivelmente sedutora, Barney Collier (Greg Morris) era o expert em eletrônica, Willy Armitage (Peter Lupus) era o braço forte e Dan Briggs (Steven Hill) o líder da equipe. As missões chegavam até Briggs em um gravador que relatava os detalhes da missão que, caso aceita, seria realizada sem apoio oficial do governo que negaria conhecimento caso tudo desse errado. Bruce Gellar se indispôs com a CBS, e depois com a Paramount que comprara o estúdio Desilu, para manter seu controle criativo. “Missão: Impossível” era um produto inteligente demais para as intenções de baixo custo e lucro imediato dos produtores de TV. As missões da equipe de Briggs tratavam de espionagem internacional, política externa e guerra fria. Cada membro agia nas sombras, de acordo com seus próprios dons, manipulando os eventos de forma que o alvo cometesse algum erro que o fizesse se entregar.

mi serie2

Leonard Nimoy, Greg Morris, Peter Graves e Peter Lupus.

            As filmagens da primeira temporada foram prejudicadas por constantes atrasos já que Steven Hill, o ator principal, era judeu ortodoxo e se recusava a filmar nos fins de semana. Em seu contrato o ator só poderia trabalhar até as 16 horas de sexta feira, e muitas das vezes o cronograma das filmagens invadia os finais de semana, até mesmo os feriados. Quando a segunda temporada foi aprovada Hill foi substituído por Peter Graves interpretando o novo líder, Jim Phelps, que ficou fixo no elenco à medida que, nas temporadas seguintes, outros agentes entravam e saíam. Greg Morris também se manteria fixo, mas disputas contratuais levaram Martin Landau e Barbara Bain (eram casados na vida real) a deixar a série na quarta temporada. Leonard Nimoy, Leslie Ann Warren, Lynda Day George, Sam Elliot, Lee Meriwether e Barbara Anderson se revezariam ao longo das temporadas (sete ao todo) que se seguiam com progressivo perda de controle por Gellar, vítima dos executivos que não se preocupavam em descaracterizar a série com roteiros que se distanciavam da visão de seu criador. Da mesma maneira que ocorrera com Gene Roddenberry em “Star Trek”, Bruce Gellar foi posto de lado jamais sendo consultado ou respeitado até que a série foi cancelada em março de 1973.

mi serie3

Phil Morris, Thaad Penghlis, Peter Graves, Jane Badler e Anthony Hamilton.

            Bruce Gellar morreu em um acidente aéreo em 1978, mas sua criação colecionava admiradores graças às constantes reprises na Tv, fora as imitações que surgiam na telinha tentando reproduzir a formula de contragolpe com a qual os agentes capturavam os vilões. Ao longo da década de 80, a Paramount tentou diversas vezes adaptar a série para o cinema, mas os roteiros eram escritos e reescritos sem se chegar a um resultado satisfatório. Em 1988, devido a uma greve dos roteiristas, a Paramount aprovou a retomada da série com novo elenco, refilmando alguns episódios e mantendo o personagem Jim Phelps, de Peter Graves, que deixava a aposentadoria para liderar uma nova equipe: Anthony Hamilton, Terry Markwell, Jane Badler, Thaad Panghlis e Phil Morris, filho do veterano Greg Morris. A retomada da série se sustentou no ar por duas temporadas mas desprovida do prestígio do passado.

             Quando o astro Tom Cruise adquiriu os direitos da série para adaptá-la ao cinema modificou um elemento essencial da série. Em vez de ações regidas em equipe, a ação ficou concentrada no personagem de Cruise, o agente Ethan Hunt, único sobrevivente de uma missão em Praga. O ator Martin Landau chegou a ser convidado a repetir o papel de Rollis Hand mas declinou quando descobriu que a equipe original seria morta logo no início do filme. A ideia permaneceu mesmo sem a participação dos atores da série, incluindo Peter Graves que ficou contrariado ao descobrir que seu personagem seria transformado em um traidor. Al Pacino, Michael Douglas e Robert Redford foram considerados para o papel de Jim Phelps, que veio a ficar com Jon Voight. A direção de “Missão: Impossível” – o filme (1996) , ficou com Brian De Palma, que anos antes havia alcançado feito impressionante ao adaptar “Os Intocáveis”, outra série de TV. O tema musical da série de Lalo Schifrin foi remixado por Larry Mullen Jr. e Adam Clayton do U2. A essência da série, no entanto, estava ausente, pois nesta o foco era maior na tensão psicológica envolvendo os agentes e seus alvos, enquanto no filme o agente Ethan Hunt monopolizava a ação. A bilheteria do filme garantiu a sequência de 2000 “Missão Impossível 2” (Mission: Impossible 2) dirigido por John Woo. Este já começa o filme mostrando Hunt se pendurando em um penhasco, cena realizada pelo próprio ator dispensando dublês, e que se tornaria marca registrada na série. A história mostra Hunt na trilha de um ex-agente que negocia a venda de um vírus mortal. O vilão Dougray Scott na época foi inicialmente escalado para o papel de Wolverine em “X Men”, mas as filmagens demoradas da nova missão de Cruise impediram Scott de ficar com o papel do herói mutante, que acabou indo para Hugh Jackman.

mi3

Jonathan Rhys Myers, Ving Rhames, Tom Cruise e Maggie Q.

         O espírito da série foi parcialmente recuperado quando J.J.Abrams assumiu a cadeira de diretor em “Missão:Impossível III” (2006). A missão de capturar um traficante de armas (o saudoso Philip Seymour Hoffman) reúne Cruise com Keri Russell, Jonathan Rhys Myers, Maggie Q e Simon Pegg. Apesar de Cruise ainda ser o centro da trama, a ação em equipe ganha mais espaço , e ainda inclui Luther Stickwell (Ving Rhames), único membro a estar presente em todos os filmes, além do próprio Cruise.

miprtfat

Paula Patton e Tom Cruise em “Protocolo Fantasma”.

         Em 2011, Brad Bird, o diretor da animação “Os Incríveis” dirige a volta de Hunt em “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” (Mission: Impossible – Ghost Protocol) que substitui o esperado IV por um subtítulo repetindo Rhames e Pegg na equipe, mas trazendo Paula Patton e Jeremy Renner para o time. O trabalho em equipe é ainda mais ampliado a medida que o carisma inegável de Cruise garante um resultado notável da bilheteria. O filme foi o primeiro da série filmado em IMAX, valorizando o impacto da imagem como na cena em que Cruise, dispensando dublês mais uma vez, se pendura do lado de fora de um arranha-céu de 160 andares em Dubai. O filme foi um triunfo para o público e a crítica especializada como o renomado Roger Ebert quer comparou o filme a uma “poesia do gênero”. A diversão só melhora quando chega o quinto filme, dirigido por Christopher McQuarrie “Missão: Impossível – Nação Secreta” (Mission: Impossible – Rogue Nation) que retoma outro elemento da série original: o Sindicato, uma anti IMF empenhada em formentar o caos no mundo. A equipe recebe o apoio da bela atriz sueca Rebecca Fergunson no papel de Ilsa Faust, uma agente dupla que não se resume a interesse romântico, mas se junta a Hunt para desbaratar os planos de Solomon Lane (Sean Harris), líder do Sindicato. A personagem de Fergunson impulsiona a trama graças à habilidade da atriz de se mostrar moralmente dúbia, outra característica inserida originalmente por Bruce Gellar.

minaçaosecreta

Rebecca Fergunson e Tom Cruise em “Nação Secreta”

                  A chegada do sexto filme certamente confirma que o público está bastante receptivo a novas proezas do agente Hunt. Seguindo o ritmo das sequências de resgatar elementos da série, adaptando-os aos novos tempos, podemos contar com novas aventuras, seja centrada em Hunt, ou em outro agente disposto a se pendurar em aviões, descer por cabos ou saltar em cinco, quatro, três, dois, um, … antes que essa mensagem se auto-destrua.

GRANDE ESTREIA: MISSÃO IMPOSSÍVEL – EFEITO FALLOUT

(MISSION:IMPOSSIBLE – FALLOUT) EUA 2018. DIR: CHRISTOPHER MCQUARRIE. COM TOM CRUISE, HENRY CAVILL, REBECCA FERGUNSON, VING RHAMES, SIMON PEGG, ALEC BALDWIN, MICHELLE LONAGHAN, SEAN HARRIS, ANGELA BASSET. AÇÃO

missao-impossivel-fallout-cruise-cavill-ferguson

        Pela primeira vez na franquia, um diretor repetiu o comando da franquia iniciada por Tom Cruise em 1996 e o resultado já podemos verificar com a estreia do novo episódio dessa cine-série que empolga mesmo com as diferenças em relação à série original criada por Bruce Gellar na segunda metade dos anos 60 , um mundo ainda mergulhado na guerra fria. Se uma das características desta é ação desenfreada, então são várias as sequências aqui com as já esperadas tomadas de Tom Cruise dispensando dublês em favor de realismo “muy mucho” (O ator se machucou em uma cena de salto ano passado durante as filmagens) , mas se tem uma coisa que a franquia tem desenvolvido positivamente ao longo das aventuras anteriores é de saber distribuir a ação nos personagens periféricos. Assim como na série de Tv em que o trabalho de equipe era fundamental para a boa realização da missão. Assim temos Ving Rhames, Simon Pegg, Alec Baldwin (que protagoniza uma ótima cena de luta com Henry Cavill)  e o retorno da melhor personagem do filme anterior, Ilsa Faust, interpretada pela bela sueca Rebecca Fergunson, que estava grávida de sete meses ao término das filmagens. Lamentável a falta do agente Brendt de Jeremy Renner, mas volta também o vilão Solomon Lane (Sean Harris), o mentor do Sindicato, a anti IMF, que foi o antagonista do filme anterior, o melhor de MI no cinema na minha opinião.

mission-impossible---fallout-scenejpg

        Muito foi falado do bigode de Henry Cavill, mas o adereço pouco importa para o desenvolvimento da trama além de afastar sua imagem do Superman. O personagem de Cavill é ambíguo e reflete o clima de tensão na história que continua do ponto em que “Nação Secreta” acabou. Apesar da aparente dissolução do Sindicato e da prisão de Solomon Lane, este deixou seguidores, os Apóstolos, que se apoderam de ogivas nucleares e chantageiam os governos a trocá-las pela liberdade de Lane. O agente Hunt fracassa em recuperar uma das ogivas e fica mais uma vez sob o olhar de suspeita do governo, sendo levado a trabalhar com o agente da CIA Carter (Cavill). O filme ainda aumenta sua ligação com os episódios anteriores trazendo de volta Julia (Monaghan), a ex-esposa de Hunt do terceiro filme.

missao-impossivel-fallout-poster-760x428

          Entre tiros, explosões e traições a história se desenrola de forma confusa ao longo de suas quase duas e meia de duração, a maior dos filmes até agora, e também o primeiro da franquia a ser lançado em uma versão 3D. Com alto grau de provação no famigerado “Rotten Tomatoes” e a receptividade do público não será impossível nos reencontramos com o agente Hunt no futuro em uma nova sequência embalado é claro pelo hipnotizante tema de Lalo Schifrin.

 

 

SAN DIEGO COMIC CON : TRAILLERS

“AQUAMAN” DE JAMES WAN É UM DOS FILMES MAIS AGUARDADOS DO SEGUNDO SEMESTRE E TEVE SEU PRIMEIRO TRAILLER DIVULGADO NA SAN DIEGO COMIC CON. DE CARA PERCEBE-SE QUE EMBORA O VISUAL DO HERÓI AQUÁTICO REMETE À FASE DE PETER DAVID NAS HQS DOS ANOS 90, A HISTÓRIA ESTÁ BASEADA NAS AVENTURAS DE AQUAMAN DE GEOFF JOHNS E DO BRASILEIRO IVAN REIS, PUBLICADA NA FASES DOS NOVOS 52. NO ARCO “O TRONO DA ATLÂNTIDA”, ARTHUR E SEU IRMÃO ORM TRAVAM UMA BATALHA EM MEIO À INVASÃO DA SUPERFÍCIE.

SHAZAM CHEGA AOS CINEMA DE 2019 COM UMA TRAMA MAIS LEVE, QUE REMETE AO CLÁSSICO “QUERO SER GRANDE”, E ASSIM COMO O FILME DO AQUAMAN, SE BASEIA NA FASE DOS NOVOS 52 QUANDO GEOFF JOHNS (NOVAMENTE!) JUNTO A GRAY FRANK REINTRODUZ O HERÓI NA CONTINUIDADE DA DC COMICS.

NEM SÓ DE SUPER HEROIS VIVE O CINEMA E EM 2019 AGUARDAMOS A VOLTA DE GODZILLA, O REI DOS MONSTROS, ESTRELADO POR MILLIE BOBBY BROWN, A ELEVEN DE “STRANGER THINGS”. A TRAMA SEGUE A CARTILHA DOS FILMES CLÁSSICOS DE GODZILLA NOS QUAIS ESTE ENFRENTAVA OUTROS MONSTROS, SIM COMO O ANTERIOR DE 2016.

EDDIE REDMAYNE VOLTA A EMPUNHAR A VARINHA MÁGICA NA AGUARDADA SEQUÊNCIA DE “ANIMAIS FANTÁSTICOS & ONDE HABITAM – OS CRIMES DE GRIDENWALD”  ANUNCIADO AINDA PARA 2018 E QUE TRARÁ JOHNNY DEPP NO PAPEL DO VILÃO DA HISTÓRIA DE J.k.ROWLING QUE AINDA PROMETE JUDE LAW NO PAPEL DE DUMBLEDORE.

GRANDE ESTREIA: ARRANHA-CÉU – CORAGEM SEM LIMITES

arranha ceu 2

(SKYSCRAPER) EUA 2018. DIR: RAWSON MARSHALL-THURBER. COM DWAYNE JOHNSON, NEVE CAMPBELL, PABLO SCHREIBER, NOAH TAYLOR. AÇÃO.

Com o cinema Hollywoodiano dominado pelos filmes de super heróis é digno de nota ver The Rock herdar o posto de astros como Stallone, Schwarzenegger e Willis cujos sobrenome carregavam o filme que estrelavam e atraíam multidões às salas de exibição.  O Will Sawyer do Sr.Johnson é o John MacLane dessa geração, por isso guardado as devidas proporções, seu pai herói e capaz de proezas que nem mesmo o duro de matar Willis conseguia. Desafiando as leis da física, Dwayne Johnson faz o impossível que nem Tom Cruise consegue. Isso não é demérito para o filme que consegue cumprir seu papel de escapismo graças ao carisma em cena de Dwayne Johnson. Ele consegue convencer como o especialista em segurança acusado de provocar incêndio em um prédio de mais de 200 andares, como o pai e marido desesperado para salvar sua família, ou como um super heroi sem identidade secreta, capaz de realizar saltos impossíveis, desafiar a lei da gravidade, tudo pela diversão. As comparações com “Duro de Matar” ou “Inferno na Torre” (do mestre do desastre Irwin Allen) são apenas aparentes pois “Arranha Céu – Coragem sem Limites” está voltado para um público diferente.

arranha ceu

               Não se trata de dizer que isso faz o filme bom ou ruim, apenas que não se deve buscar verossimilhança. O incêndio, as explosões e as perseguições estão embebidas no mais puro clichê do gênero, apenas potencializadas pelos méritos técnicos de nos envolver na luta do herói com a certeza que Dwayne Johnson vencerá no final. É como andar em uma montanha russa sabendo que chegaremos seguros ao final. Divertido ? Certamente, pois essa é a habilidade de seu astro, nos fazer embarcar em uma movimentada fantasia seja nas selvas de Jumanji ou como um super espião como em filmes anteriores. Esse, dirigido pelo mesmo Rawson Marshall-Thurber de “Um Espião & Meio”, não é uma novidade, nem se propõe a ser. Legal rever Neve Campbell retomar sua carreira depois de um longo tempo identificada apenas como a musa de “Pânico”. Sua personagem se junta a The Rock no quesito super mãe, sobrevivendo a todos os perigos e salvando o dia ao final pois coragem não tem limites, nem a diversão.

GRANDE ESTREIA: HOTEL TRANSILVÂNIA 3 – FÉRIAS MONSTRUOSAS

hotel-transylvania-3-summer-vacation-2018

(HOTEL TRANSILVANIA 3 – SUMMER VACATION) EUA 2018. DIR: GENNDY TARTAKOVSKY. COM ADAM SANDLER, SELENA GOMEZ, ANDY SAMBERG, KEVIN JAMES, FRAN DRESCHER, STEVE BUSCEMI, MEL BROOKS, DAVID SPADE. 

Há muito tempo que os monstros clássicos deixaram de provocar o medo que traziam as roupagens da Universal ou Hammer Films. As atuais gerações não se impressionam tão facilmente, mas se habituaram com a transformação destes em figuras pop. Embora desde 2012, ano do primeiro “Hotel Transilvania”, rimos pra valer dessas figuras que outrora eram restritos aos pesadelos personificados por Boris Karloff e Bela Lugosi. Essa interpretação humorística já havia sido tentada em 1967 no pouco conhecido “A Festa do Monstro Maluco” (Mad Monster Party) de Jules Bass, feito em stop-motion, que trazia o próprio Karloff na dublagem como o Barão Frankenstein.  A Sony Animation tem na franquia seu maior triunfo com um time e tanto de comediantes fazendo as vozes originais e, justiça seja feita, um excelente trabalho de dublagem com Alexandre Moreno (Drac), Mauro Ramos (Frank), Jorge Lucas (Wayne), Fernanda Baronne (Mavis) entre outros.

Hotel T3

            O primeiro filme trouxe o choque entre os monstros e Johnny, o jovem mochileiro que por acaso descobre o castelo de Drácula nos Cárpatos Romenos. Rolou o tchan entre Johnny e Mavis, a herdeira do Conde Drácula, pivô de romance e confusão já que os monstros tinham mais medo dos humanos que o oposto. No segundo filme (2015) nasce Dennis, o neto de Drácula dando prosseguimento a mais uma geração, incluindo a volta de Vlad, o pai de Drácula vivido pelo rei das paródias Mel Brooks. Tirando nossos adoráveis personagens do lugar comum, os reencontramos em um cruzeiro de férias, no qual Drácula se apaixona mais uma vez. O tchan rola entre ele e a Comandante Érica sem que Drac imagine que ela é descendente de seu arqui inimigo Abraham Van Helsing. Claro que muitas trapalhadas se seguirão com essa turma atípica embarcando nessa viagem, e as piadas conseguem ser criativas e, bem adaptadas no caso da dublagem. Crianças e adultos talvez mais não conseguirão segurar as gargalhadas em momentos como Blob se tornando pai, os planos de Erica nada amigáveis e, sobretudo, a mensagem de respeito às diferenças que conecta o humor com a ação. Boa pedida para o clima de férias escolares, certo é que aguardamos a volta dessa trupe em um quarto filme que nos faça descobrir o monstro dentro de nós, claro monstrinho camarada.

 

 

GRANDE ESTREIA: HOMEM FORMIGA & VESPA

                 O projeto de um filme do “Homem Formiga” já existia desde 2003, bem antes da formação do assim chamado Universo Cinemático Marvel, quando o diretor e roteirista Edgar Wright desenvolveu a história como um filme de aventura com tons de comédia. Foram necessários mais de dez anos para uma das criações menos badaladas da Marvel se tornasse um triunfo do seu gênero.

Ant_Man_and_the_Wasp.0

PAUL RUDD & EVANGELINE LILY

                 Cinco anos depois de Richard Matheson publicar seu romance “The Shrinking Man” (adaptado para o cinema no ano seguinte) sobre um homem que involuntariamente encolhe até dimensões subatômicas, a editora Dc Comics publicou o herói “The Atom” que usa tais habilidades para combater o crime. No inicio da assim batizada “Era de Prata dos quadrinhos” (1956-1970), Stan Lee juntamente com seu irmão Larry Lieber e seu parceiro, o desenhista Jack Kirby publicaram na revista de antologias “Tales to Astonish” #27 a história do cientista Henry Pym que cria um soro capaz de reduzir seu tamanho. Eram apenas sete páginas da história intitulada “The Man in the Ant Hill”, mas esta flertava com a ficção científica e não com uma típica história de super herói. O sucesso inesperado fez Lee retomar o personagem oito meses depois (Tales to Astonish #35) transformando-o em improvável campeão da justiça. Sem que houvesse detalhamento científico em como as chamadas Partículas Pym conseguiam comprimir tanto o espaço atômico ao ponto de permitir o deslocamento de sua massa e ainda manter sua força física, o personagem se juntou à galeria de maravilhas que capturou a imaginação das crianças e jovens sessentistas. Capaz ainda de se comunicar e controlar as formigas com seu capacete cibernético, o Dr.Pym se juntou a Thor, Hulk, Homem de Ferro e, juntos fundaram a equipe dos Vingadores em 1963 (The Avengers #1), assim batizados pela Vespa, a única heroína do grupo e namorada do Dr.Pym. A Vespa fez sua primeira aparição em “Tales to Astonish” #44 a princípio a socialite Janet Van Dyne,  que compartilha os poderes das partículas Pym, mas que evolui com o passar do tempo vindo a se tornar uma das mais queridas heroínas da Marvel, até mesmo liderando os Vingadores por um período. No novo filme a heroína vem a ser interpretada por Michelle Pfeiffer.

MICHELLE MA BELLE VES´PA

MICHELLE PFEIFFER É A VESPA ORIGINAL

             Os anos de história que se seguiram, no entanto, judiaram bastante do personagem que sentindo-se inferiorizado perante o poder dos outros membros da equipe, ganha estatura descomunal como o “Gigante” (Tales to Astonish #49 / Novembro 1963), e “Golias” (Avengers #28 / Maio 1966), mudanças de identidade que seriam explicadas mais tarde como uma esquizofrenia gerada como efeito colateral da absorção da mesma formula que lhe concedia os poderes, ora de encolhimento ora de aumento de tamanho. O personagem ainda mudaria para Jaqueta Amarela (The Avengers #59 / Dezembro 1968) anos mais tarde, e seria o responsável pela criação do vilão Ultron (nos filmes atribuída a Tony Stark) personificando o clichê do cientista genial ora do bem ora do mal.

TALES TO ASTONISH

A CLÁSSICA HQ DO HERÓI

           Recuperado de seus atos, o Dr.Pym deu sua benção para que o ladrão Scott Lang o substituísse como Homem Formiga a partir de Março e Abril de 1979 quando David Micheline e John Byrne criaram o personagem que cairia no gosto popular. Outro personagem que compartilharia o poder da formula Pym foi o Dr. Bill Foster criado por Stan Lee e Don Heck (The Avengers #32 / Setembro 1966) que, depois de ajudar Pym, vem a se tornar o segundo Gigante, e mais tarde o “Golias Negro”. Foster chega às telas no novo filme vivido por Lawrence Fishburne.

ALEX ROSS GIANT

ALEX ROSS PINTA O GIGANTE EM “MARVELS”

          Todos esses personagens surgem nas telas desde o lançamento de “Homem Formiga” (2015), que acabou dirigido por Peyton Reed (Sim Senhor), depois que diferenças criativas afastaram Edgar Wright. O filme teve mudanças no tom pretendido inicialmente por Wright, que manteve crédito como co-autor do roteiro, que ainda teve contribuições de Joe Cornish, Adam McKay e do próprio Paul Rudd, intérprete do herói. Uma das discordâncias que levaram a saída de Edgar Wright era que este pretendia fazer um filme isolado, sem conexão com os demais do Estúdio Marvel. Além disso, a participação da Vespa seria praticamente nenhuma, e a jovem Hope (Evangeline Lily), filha do Dr.Pym (Michael Douglas) tinha passagem menor na trama. Um dos grandes feitos da mudança para a direção de Peyton Reed foi fazer do filme uma eficiente trama de assalto, valorizando a jornada de Lang como bandido regenerado que também luta para ser um pai melhor. Nos quadrinhos, Hank Pym descobriu depois de muito tempo que tinha uma filha chamada Nadia Van Dyne, de seu primeiro casamento, antes de conhecer a Janet. Curiosamente tanto Nadia quanto Hope significam “Esperança”, respectivamente em inglês e russo !!

homem-formiga-fica-gigante-em-cena-de-homem-formiga-e-a-vespa-1517321149571_v2_615x300

SURGE O GIGANTE

             O orçamento estimado em US$130 milhões tornou-se uma bilheteria mundial de mais de US$500 milhões coroando o fim da Fase Dois da Marvel. Peyton Reed assegurou assim seu retorno na sequência “Homem Formiga & Vespa”, mas ficou desapontado quando Scott vira o Gigante em sua segunda aparição nas telas em “Capitão América: Guerra Civil” (2016) já que o diretor queria que a estreia desse poder ficasse para o segundo filme solo do herói. O curioso é que o vilão escolhido para o novo filme, a “Fantasma” (Hannah John-Kamen), nos quadrinhos era inimigo do Homem de Ferro (Iron Man #219 / Junho 1987). Já o Agente secreto Jimmy Woo (Randall Park) apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em “Yellow Claw” #1 (1956) pela Editora Atlas, antecessora da Marvel.

MDO

MICHAEL DOUGLAS È HANK PYM

              Com altos e baixos em sua vida, o herói Hank Pym, vivido por Michael Douglas, é um dos primeiros criados pela clássica colaboração Stan Lee-Jack Kirby, tendo este último celebrado ano passado seu centenário, um gênio não tão badalado quanto Stan Lee. Provando que a soma das partes é maior que seus componentes, suas criações continuam a encantar gerações e parece longe de parar pois seja o incrível homem ou a mulher, eles encolheram mas a diversão é gigante!

GALERIA DE ESTRELAS: CENTENÁRIO DE WILLIAM HOLDEN

holden 1.jpg

O JOVEM WILLIAM HOLDEN

        Uma longa carreira marcada por papeis diversos que pontuaram sua versatilidade: gigolô, jornalista, prisioneiro de guerra, escritor, e tantos mais. Ainda assim sua carreira foi de altos e baixos deixando seu nome entre os grandes atores de uma Hollywood que não mais existe: William Holden… 100 anos depois de seu nascimento celebramos sua vida e filmes.

Holden e Stanwyck.jpg

WILLIAM HOLDEN & BARBARA STANWYCK – REENCONTRO DÉCADAS DEPOIS DE “GOLDEN BOY”

            O primeiro filme estrelado por William Holden a que assisti foi “Suplicio de Uma Saudade” (Love is a Many Splendored Thing) de 1955, ícone do romantismo cinquentista no qual Holden interpreta o jornalista Mark Elliiot cobrindo a Guerra da Coreia de Hong Kong, onde conhece e se apaixona pela médica eurasiana Suyin (Jennifer Jones). Além do obstáculo do avanço comunista na China como pano de fundo, o casal sofre com a natureza adultera de seu romance, já que Mark é casado, o que desperta a ira da sociedade e de sua família que não aprova o relacionamento. O casal Holden – Jones fotografado em meio ao esplendor de Hong Kong alimentou os sonhos amorosos ao som da canção-título gravada pelo grupo Four Aces, e que foi premiada com o Oscar. O astro já tinha 37 anos na época, era seu 40º trabalho no cinema iniciado em 1938 com dois papeis não creditados. Nascido William Franklin  Beedle Jr, em 17 de Abril de 1918, em Illinois, Estados Unidos, filho de um químico e uma professora de inglês. Seu nome artístico lhe foi dado por Harold Winston, diretor assistente na Columbia, que lhe rebatizou com o sobrenome de sua ex esposa, Gloria Holden. Bill havia sido escalado para o papel central em “Conflito de Duas Almas” (Golden Boy) em 1939, contrariando a vontade de Harry Cohn, o chefão da Columbia que queria John Garfield para o papel. Tendo recém completado 21 anos na época, Bill era muito inexperiente e estava a um passo de ser substituído quando a diva Barbara Stanwyck (sua co estrela) começou a ajudar o jovem Holden, ensaiando com ele,  encourajando – o  e ensinando tudo sobre como atuar frente às câmeras. O resultado foi o nascimento de um astro. Em eterna gratidão, William sempre enviava um buquê de rosas vermelhas à atriz no aniversário de estreia do filme, e a grande dama sempre o chamava de “Meu Golden Boy”.

sunset boulevard

COM GLORIA SWANSON EM “CREPUSCULO DOS DEUSES”

              Com o estrelato assegurado, diversos filmes vieram mas nenhum deles escalando o ator para papeis que representassem um real desafio para seu talento. Em 1941 Bill se casou com a atriz Brenda Marshall com quem teve dois filhos. A carreira ficou de lado quando ele se alistou ficando quatro anos no exército até o fim da Segunda Guerra, alcançando a patente de segundo tenente. Dando baixa, voltou a Hollywood fazendo comédia romântica, faroeste e drama, mas nenhum desses papeis foi à altura do grande ator, atuações menores que não impulsionavam sua carreira. Isso mudou quando em 1950 foi contratado para viver Joe Gills, o roteirista azarado que se torna amante e gigolô de uma atriz envelhecida interpretada por Gloria Swanson no pungente “Crepúsculo dos Deuses” (Sunset Boulevard), obra prima de Billy Wilder, que lhe deu sua primeira indicação ao Oscar. Seu porte atlético, olhos azuis e sorriso sedutor ganhava uma química impressionante com as atrizes com quem contracenava. Gloria Swanson disse certa vez que “Bill Holden era um homem por quem eu poderia me apaixonar. Perfeito dentro ou fora das telas”. Em 1953 a estatueta dourada finalmente foi para suas mãos pelo papel do Sargento J.J. Sefton, um oportunista suspeito de ser um espião dos nazistas em um campo de concentração em “Inferno Nº17” (Stalag 17), adaptação da peça de Donald Bevan e Edmund Trzcinski.

sabrina

COM BOGART & HEPBURN EM “SABRINA”

               De fato, foi um homem sedutor, mantendo um caso de amor notório com Audrey Hepburn com quem filmou “Sabrina” (1954), também de Billy Wilder. Os bastidores desta comédia romântica foi bastante conturbado devido ao clima hostil dos bastidores. O astro principal era Humphrey Bogart, que hostilizava Hepburn sendo esta defendida por Holden. Este veio a se separar de sua esposa, mas o fato de ter feito uma vascectomia foi um duro golpe para Audrey que sonhava em ser mãe. O casal se separou em meio à continua ascenção da carreira de ambos. Nessa época, no entanto, Bill começou a beber, vício que seria sua ruína nos anos que se seguiram. O coração partido foi temporariamente preenchido por um envolvimento com a belíssima Grace Kelly com quem Bill atuou por duas vezes em “As Pontes de Toko Ri” (The Bridges of Toko Ri) e “Amar é sofrer” (The Country Girl) de 1954. Sua popularidade alcançou grande dimensão nos anos 50, época em que a Tv surgia com força e rivalizava com o cinema. William Holden apareceu como ele próprio em um dos episódios de “I Love Lucy”, um dos programas de maior receptividade diante do público. Mulheres e álcool eram uma combinação compulsiva para o ator então próximo de completar 40 anos.

suplicio de uma saudade

COM JENNIFER JONES EM “SUPLICIO DE UMA SAUDADE”

               Um dos pontos altos de sua carreira veio em 1955 quando aceitou o papel de Hal Carter, um jovem amoral que chega a uma típica cidade pequena. “Férias de Amor” (Pic Nic) de Joshua Logan foi um marco do cinema e tornou-se um espelho da sociedade americana na era Eike. Como seu personagem deveria ser bem mais jovem, o estúdio pediu que Bill raspasse o peito, mas ainda assim a insegurança o fez resistir a fazer a cena em que dançava sensualmente para Kim Novak, esta então com 22 anos. Para garantir a execução da cena, o estúdio permitiu que Bill bebesse para garantir sua entrega à cena. A década de 50 não terminaria antes de um dos mais emblemáticos papeis de sua carreira, a do militar prisioneiro dos japoneses no épico de David Lean “A Ponte do Rio Kwai” (The Bridge on the Kwai River) de 1957. Foram 7 Oscars para o filme e uma soma milionária para o ator, que recebera uma percentagem dos lucros. Apesar de ser bem pago por “Marcha de Heróis” (The Horse Soldiers) o filme naufragou nas bilheterias. Ainda assim teve com ele a oportunidade de trabalhar com dois ícones do faroeste: o diretor John Ford e John Wayne, com quem manteve relacionamento nada amistoso fruto das opiniões politicas divergentes entre o conservador Wayne e o liberal Holden.

amar e sofrer.jpg

COM GRACE KELLY & BING CROSBY EM “AMAR É SOFRER”

            Encerrando os anos 50 como um dos atores mais bem pagos de Hollywood, William Holden chegou aos anos 60 com papeis menores, abaixo de seu talento, mas voltou a trabalhar com Audrey Hepburn em “Quando Paris Alucina” (Paris when it sizzles) de 1964 e ainda trabalhou sob o comando de Sam Peckinpah no faroeste “Meu Ódio Será Tua Herança” (The Wild Bunch) de 1969. Em sua vida pessoal mudou para Genebra, Suiça com a família e fundou o “Mount Kenya Safari Club” que despertou no ator uma grande paixão pela proteção da vida selvagem, paixão essa que compartilhou com a atriz Stephanie Powers (Casal 20) com quem teve um longo romance. Contudo, se envolveu em grave acidente de trânsito na Itália e decidiu voltar a morar nos Estados Unidos. Nos anos 70 ganhou um Emmy pelo drama de TV “O Cavaleiro Azul” (The Blue Knight) e atuou em três grandes sucessos: “Inferno Na Torre” (The Towering Inferno) de 1974,  “Rede de Intrigas” (Network) de 1976  e “Damien A Profecia II” (Damien The Owen II) de 1978. No primeiro destes se juntou a um elenco estelar em um dos maiores filmes catástrofes de Hollywood.

william holden e stephanie

HOLDEN & STEPHANIE POWERS

            Seu último filme foi dirigido por Blake Edwards em “S.O.B” (1981), mergulhando nas causas ambientais que defendia com tanto ardor e, com a ajuda de Stephanie Powers, abrindo a “William Holden Wildlife Foundation”. Infelizmente, o álcool era seu calcanhar de Aquiles e refúgio para suas decepções e frustrações, sendo a razão do fim de seu relacionamento com Stephanie Powers. Sozinho em sua casa, levou um tombo depois de ter bebido muito mas não procurou socorro. Segundo os médicos legistas, se o tivesse feito não teria morrido naquele fatídico dia 15 de novembro de 1981 em que um estupido acidente trouxe o fim a uma carreira admirável, um talento notável e uma vida de realizações. Anos depois sua morte foi citada pela cantora e compositora Suzanne Vega na letra da canção Tom’s diner, um de seus grandes sucessos. Um grande ator, um grande defensor, um homem sedutor, um garoto dourado.

GRANDE ESTREIA: OS INCRIVEIS 2

                   Quando “Os Incriveis” (The Incredibles) foi lançado, o chamado Universo Cinemático Marvel ainda não havia sido desenvolvido, embora já houvessem filmes do gênero bem sucedidos (Homem Aranha, X Men). Era uma questão de tempo que houvesse uma sequência, e quanto tempo !!! Brad Bird disse que só faria se tivesse uma boa ideia para explorar, e nesse meio tempo dirigiu “Ratatouille”(Oscar de melhor animação), “Missão Impossível: Protocolo Fantasma” e “Tomorrowland”, ao fim do qual finalmente assumiu a aguardada sequência das aventuras da família Pera.

5720930.jpg-c_215_290_x-f_jpg-q_x-xxyxx

                A ideia para “Os Incriveis” veio à mente de Bird muito antes quando Brad tentava com dificuldade administrar seu tempo entre sua vida profissional e pessoal. Competente animador, Bird fez parte da equipe criativa de “Os Simpsons” durante suas primeiras oito temporadas e, mesmo com o fiasco de bilheteria de “O Gigante de Ferro” (The Iron Giant) em 1999, impressionou John Lasseter, o homem forte da Pixar. O roteiro de Bird foi criativo ao equilibrar ação e humor para mostrar uma família de super heróis proibida de usar seus poderes novamente devido ao prejuízo causado pelo rastro de destruição das batalhas travadas. Nessa realidade ser um super herói não tem nenhum glamour e a família Pera leva vidas monótonas no fictício subúrbio de Metroville. Pais de três filhos, a retraída adolescente Violeta e os meninos Flecha e Zezé que tem dificuldades de se inserir com crianças de sua idade. Bird conseguiu desglamourizar o gênero explorando o potencial de uma história que fala em como seria um mundo em que super heróis realmente existissem. Além disso a animação foi um triunfo da tecnologia dando à pele dos personagens humanos uma definição mais realista. Diferente das produções anteriores do estúdio, “Os Incriveis” foi o primeiro a ter protagonistas humanos tratando de temas como família, relação marido e mulher, morte e filhos hiperativos.

inc

               Claro que me meio a toda a diversão percebe-se referências obvias às histórias em quadrinhos. Da clássica Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons vem a ideia da realidade distópica em que a atividade dos heróis não é bem vista, e os personagens são claras alusões ao Quarteto Fantástico de Stan Lee e Jack Kirby, conseguindo diga-se de passagem obter um resultado melhor que os filmes do quarteto produzidos pela Fox. Os poderes da família incrível são reconhecíveis: O Sr. Incrivel é forte como o Superman, Violeta fica invisível, Flecha corre veloz, e a Mulher Elástica estica seu corpo além dos limites. Seu codinome, no entanto, gerou na época um problema pois já existe um Mulher Elástica nos quadrinhos da Dc Comics, membro da equipe Patrulha do Destino. A Pixar conseguiu um acordo onde o nome Mulher Elástica só seria usado no filme, enquanto nos matérias promocionais ela seria chamada de Sra Incrível. Entre os personagens destaca-se o vilão Síndrome que foi feito a partir das feições do próprio Brad Bird e a estilista Edna Moda dublada pelo próprio Bird, inspirada a partir de Edith Head que foi uma figurinista da clássica Hollywood, tendo trabalhado em filmes como “A Malvada” (1950) e “Golpe de Mestre” (1973) e tendo sido premiada com o Oscars por 8 vezes. Por último mas não menos importante para a história é o herói Gelado, melhor amigo do Sr Incrivel, e dublado originalmente por Samuel L.Jackson que já participou de vários filmes do Universo Marvel no papel de Nick Fury.

incredibles-2-rgb-z095-25a-pubpub16207_uyyb.jpg

               Se no primeiro filme o Sr.Incrivel é o foco da história, na continuação a Mulher Elástica protagoniza a trama, bem ao sabor do papel mais ativo das mulheres no mundo. O Sr Incrivel fica com a tarefa de cuidar dos filhos em casa, o que não é fácil principalmente com os vários poderes que Zezé, o mais novo, começa a manifestar. Mais uma vez não é ação desenfreada que mais importa, mas as relações familiares e os conflitos gerados pelo cotidiano de uma vida nada tão simples, e muitas vezes mais atribulada do que derrotar super vilões e salvar o mundo. “Os incríveis 2” é o filme mais longo da Pixar contando com 1 hora e 58 minutos, de acordo com o renomado site imdb. Sua história começa imediatamente após a conclusão do primeiro filme. Sendo o 20º filme do estúdio e quarto produto da Pixar a ganhar uma sequência, o filme seria lançado inicialmente somente em 2019 mas o cronograma adiantado deste levou os executivos a antecipar seu lançamento, deixando o também anunciado “Toy Story 4” para o próximo ano. Fiquem ligados nas várias referências e easter-eggs que se tornaram parte dos atrativos dos filmes da Pixar. Desta vez, estas incluem até mesmo os temas do clássico desenho “Jonny Quest” e da série de tv “Quinta Dimensão” dos anos 60.

               Certamente o sucesso será inevitável em meio ao cada vez maior número de filmes de super heróis que conquistam cada vez mais o público e a Disney sabe como explorar o filão, sendo a dona dos heróis Marvel. Já podemos garantir a pipoca e embarcar nessa diversão que vem sendo esperada há 14 anos. Quem sabe não teremos em breve também um MegaMente II? O mundo sempre precisa de heróis e nós de boa diversão, com o perdão da expressão obvia, simplesmente incrível !

GRANDE ESTREIA : JURASSIC WORLD REINO AMEAÇADO.

             É curioso que esses gigantescos repteis gerem tanto fascínio tendo sido extintos há cerca de 65 milhões de anos. Eu próprio tinha um dinossauro de brinquedo tipo o Rex de “Toy Story” e nunca me liguei que dinossauros e seres humanos, na verdade nunca co-existiram no planeta. Imaginar esse encontro é recorrente no cinema e o escritor Michael Crichton (1942/2008) soube explorar essa fantasia e adicionar à receita do entretenimento os temores provocados pela engenharia genética, e assim a pré-história revive.

Jurassic-World-Reino-Ameaçado-Chris-Pratt.jpg

           O embrião para o livro que Crichton escreveu do assunto começou com um roteiro de 1983 sobre um pterodátilo clonado, mas foi rejeitado pelos estúdios. Muitos anos depois o escritor e ex-médico norte americano juntou à história o cenário de um parque temático, coisa que já havia explorado em “Westworld”, filme de 1973 e atualmente série da HBO de muito sucesso. O mundo havia mudado em 1990 e já pronto para receber os dinossauros renascidos em meio a discussões filosóficas sobre a teoria do caos. Ação e conteúdo eram bem equilibradas e os estúdios se interessaram pelo livro “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros” antes mesmo de sua publicação inicial em 1990, inspirado nos trabalhos dos paleontólogos Robert Bakker e Jack Horner. A Universal conseguiu os direitos garantindo o interesse de Steven Spielberg. O grande triunfo técnico foi o uso eficiente de animatrônicos e efeitos digitais que tornaram os dinossauros rápidos e mortais, distantes dos efeitos stop motion que acompanharam durante anos os filmes do gênero. Impressionantes no realismo em cenas como o ataque do T-Rex ou a perseguição dos Velociraptores.

jurassic-trio-1

             O sucesso do filme despertou diversas discussões sobre o comportamento dos dinossauros e um aumento considerável no interesse de jovens por paleontologia, área de estudo do Dr. Alan Grant (Sam Neill) e Dra. Ellie Sattler (Laura Dern) dupla central na história que se junta ao matemático Ian Malcolm (Jeff Goldblum) em uma visita surpresa a uma ilha que abriga dinossauros renascidos pelo milagre da clonagem, a partir do sangue coletado de um mosquito encontrado preso em âmbar. O Dr. Malcolm com sua ironia e postura questionadora serve como voz para o escritor discursar suas teorias sobre a natureza e a postura dos cientistas de se colocarem irresponsavelmente como Deus. O dono do lugar é o milionário John Hammond (Richard Altenborough) que leva seus netos para o passeio que vem a se tornar um grande pesadelo para todos. Hammond e Malcolm representam esses polos respectivos de esperança (vestido em branco) e caos (vestido em preto) frente ao avanço da ciência. O filme realizado em 1993 obteve uma bilheteria milionária e levou Crichton a escrever a sequência “The Lost World – Jurassic Park” cujo subtítulo vem para evitar confusão com um romance homônimo escrito por Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes. Novo livro levou claro a novo filme lançado em 1997 com várias passagens que homenageiam clássicos como “King Kong” e “Goldzilla”. Curioso que o livro seja centrado no Dr.Malcolm (Goldblum), personagem que morreu no primeiro livro (no filme ele sobrevive), mas aparece miraculosamente vivo nas páginas do segundo livro. A história ainda guarda espaço para romance entre o Dr.Malcom (Goldblum) e a Dra Sarah Harding (Julianne Moore) e uma sequência eletrizante de safari com os dinos tecnicamente tão elogiosa quanto John Wayne caçando os animais selvagens em “Hatari” (1962).

steven-spielberg-behind-the-scenes-the-lost-world-jurassic-park

               Em 2001, um terceiro capítulo foi dirigido por Joe Johnston (Capitão America Primeiro Vingador), sendo o primeiro não baseado em um livro de Michael Crichton. “Jurassic Park III” tras o Dr.Alan Grant ajudando a uma família a recuperar seu filho perdido na Ilha Sorna, cheia de dinossauros perigosos. Como novidade, os pteredátilos que estão presentes no primeiro livro, mas não chegaram a ser usados no primeiro filme, protagonizam diversas cenas de ação junto a um elenco humano que ainda inclui William H.Macy e Tea Leoni. A bilheteria milionária da franquia deixava claro que os dinos não deixariam as telas, mesmo levando-se conta que o animal no logo do filme na verdade não pertence ao período jurássico (200 a 155 milhões de anos), e sim ao período cretáceo (145 a 65 milhões de anos).

chrispratt_jurassic

          As licenças poéticas voltam a povoar a imaginação quando o diretor Colin Trevorrow ressuscitou mais uma vez os grandes lagartos em “Jurassic World – Mundo dos Dinossauros” (2015), realizado sete anos depois da morte do autor. Carregado de referências aos filmes anteriores e com o casal Chris Pratt (Starlord de “Guardiões da Galaxia”) e Bryce Dallas Howard a frente do elenco. O filme ainda aproveitou alguns elementos da história original como o diálogo entre o Dr. Wu (BD Wong) e o Sr. Masrani (Irffan Khan). A chegada do Indominus Rex como o monstro da vez é aterrador e impulsiona a história tanto quanto o ataque do T Rex no primeiro filme. Na receita entram novas considerações sobre o avanço impensado da ciência e famílias partidas (os sobrinhos de Claire) lutando para não serem devoradas. Uma das ideias não aprovadas para a retomada da franquia foi o uso de soldados híbridos metade humanos, metade repteis.

jurassicworld2-750x380

         A chegada do novo título “Jurassic World II – Reino Ameaçado” vem com a certeza de que a franquia deve em breve gerar outros. A cultura pop sempre acolheu bem esses animais pré históricos, até mesmo o genial Mauricio de Souza criou o simpático filhote de T Rex Horácio que é um sucesso nas hqs. Divertido como descer pela cauda de um brontossauro e gritar “IABADABADUU”!

GRANDE ESTREIA: OITO MULHERES & UM SEGREDO

oceans-eight_21-11-2016.jpg

             Para o escritor Machado de Assis, o conto do Vigário, aquela expressão que aponta um golpe de esperteza, é o mais antigo gênero de ficção. No cinema é um dos mais divertidos, já tendo rendido diversas pérolas explorando a arte de passar a perna em alguém e estabelecendo uma empatia instantânea com o público.  Agora é a vez de Sandra Bullock à frente de um elenco de divas, mas a semente desse golpe começou há muito tempo.

11.jpg

                 Uma das mais memoráveis foi o “Onze Homens & Um Segredo” original, dirigido por Lewis Milestone em 1960. Este reunia pela primeira vez nas telas o “Rat Pack” liderado por Frank Sinatra e composto por Dean Martin, Sammy Davis Jr, Joey Bishop entre outros. O clã perpetuava nas telas a imagem boêmia dos palcos de Las Vegas, onde divertiam o público com canções e piadas. Sinatra, que tinha uma velada relação com a máfia, usa essa imagem para fazer de Danny Ocean um golpista simpático disposto a assaltar cinco cassinos na Las Vegas sessentista. O clima descontraído nas filmagens era resultado dos laços de amizade e camaradagem de um elenco que incluía uma ponta não creditada e improvisada de Shirley MacLaine, além de nomes como Akim Tamiroff, Cesar Romero, Angie Dickenson e Henry Silva, nomes hoje desconhecidos, mas extremamente populares na época. O filme ainda trouxe a colaboração do designer Saul Bass (O Homem do Braço de Ouro, Intriga Internacional, Deu a Louca no Mundo) nos créditos de abertura, os arranjos de Nelson Riddle (o favorito de Sinatra) na trilha sonora e, segundo reza a lenda, uma contribuição não creditada de Billy Wilder no roteiro.

oceans-eleven.png

              A ocasião não faz o ladrão, mas certamente faz o roubo, então por que não chamar um grupo de amigos e roubar um cofre com o dinheiro de três cassinos pertencentes ao milionário Terry Benedict (Andy Garcia). Assim se desenrola a segunda versão de “Onze Homens & Um Segredo” (2001), reunindo George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Bernie Mac, Don Cheadle (Máquina de Combate nos filmes da Marvel) e os veteranos Carl Reiner e Elliot Gould. O toque feminino é dado pela presença de Julia Roberts que faz Tess, a ex-mulher de Danny Ocean, que no início do filme, está envolvida com o antagonista da trama. O filme triunfou com o público e crítica, sendo indicado a vários prêmios e faturando acima do dobro de seu orçamento estimado em torno de US$ 85 milhões. Curioso é que a vontade inicial do diretor Steven Sodenberg era filmar em preto e branco. Do elenco original, os veteranos Angie Dickenson e Henry Silva fazem rápidas aparições no filme, cujo final também difere do original. A trupe de Sinatra perde todo o dinheiro incinerado no caixão de um de seus homens enquanto Clooney e sua quadrilha embolsam uma pequena fortuna.

fino vig

             Três anos depois, Benedict (Andy Garcia) caça a gang de Danny Ocean (Clooney) exigindo a devolução do dinheiro roubado, com juros, em “Doze Homens & Um Segredo” (2004). Mas gritar “pega ladrão!” não deixa um, deixa onze planejando outro golpe na Europa a medida que são perseguidos por uma agente da lei interpretada pela bela Catherine Zeta-Jones, que tal qual Faye Dunaway atrás de Steve McQueen em “Crown, o magnífico” (The Thomas Crown Affair), vem seguindo os passos do grupo de Rusty (Brad Pitt) com quem se envolveu romanticamente. A narrativa destaca locações em Armstedam, Paris e Monte Carlo, ao som de uma sofisticada trilha sonora que inclui “L’Appuntamento”, versão em italiano de “Sentado à Beira do Caminho” de Roberto Carlos.  O clima de diversão “entre amigos” inclui Bruce Willis como ele mesmo, e ironicamente introduzindo Tess como Julia Roberts. O 12º homem do bando é o ator francês Vincent Cassell, um milionário que atende pela alcunha de “Raposa Noturna”, cuja função na trama serve a uma drástica reviravolta no final.

sting

                Cumprindo a máxima que diz “Ladrão que rouba de ladrão…” chega-se a “Treze Homens & Um Segredo” (2007). Desta vez o bando se reúne para contra o gangster vivido por Al Pacino, que engana Rueben (Elliot Gould), integrante da gang de Ocean, que por isso sofre um enfarte. A história explora o senso de camaradagem entre os simpáticos vigaristas em busca de vingança, levando a uma aliança inusitada quando Benedict (Garcia) torna-se o 13º homem. A produção recriou um cassino todo em estúdio com detalhes e sofisticação, e o resultado nas bilheterias não foi decepcionante, embora Soderbergh e Clooney tenham se oposto a um quarto capítulo.

oceans_8.jpg

                 A formula de sucesso desses filmes é a ideia de um engenhoso golpe idealizado e praticado por escroques charmosos, modernos Robin Hoods que ignoram as leis, subvertem as convenções de certo e errado. Como não lembrar de Aldo Vanucci (Peter Sellers), outra notória raposa de “O Fino da Vigarice” (After The Fox), de Vittorio De Sica que dizia “Se ao menos eu pudesse roubar o suficiente para me tornar um homem honesto!”. Essa refinada ironia é o tom recorrente em filmes como “Os Sete Homens de Ouro” (Il Grande Golpo dei 7 Uomini D’Oro) de 1965, “Um Golpe à Italiana” (The Italian Job) de 1969, ou o excelente “Golpe de Mestre” (The Sting) de 1973.  Tivemos ainda o brasileiro “Assalto ao Trem Pagador” de 1962, baseado em um fato real: O roubo do pagamento da Estrada de Ferro Central do Brasil ocorrido em 1960, pela gang liderada pelo temido Tião Medonho (Eliezer Gomes). Três anos depois a vida imitou a arte na Inglaterra onde um trem com pagamentos foi roubado por 15 homens que levaram 2,6 milhões de libras esterlinas, tendo um deles, Ronald Biggs se refugiado no Brasil por mais de 30 anos.

208346.432834-Oito-Mulheres-e-um-Segredo.jpg

                Hoje o espaço é maior para as mulheres e já existem rumores de uma refilmagem de outra pérola do gênero “Os Safados” (Dirty, Rotten, Scoundrels) de 1989 que será estrelada por Rebel Wilson e Anne Hathaway, sendo que esta integra o elenco de “Oito Mulheres & Um Segredo” (2018). A gang traz Cate Blanchett, Helena Bohman Carter, Sarah Poulson, Mindy Kaling, a cantora Rihanna e a rapper Awkawafina, lideradas por Sandra Bullock, cujo personagem é irmã de Danny Ocean. O diretor Gary Ross (Jogos Vorazes) aproveita as participações de Carl Reiner e Matt Damon para fortalecer a conexão com os filmes anteriores. Tantos talentos reunidos servem ao empenho de belas golpistas em roubar um colar de diamantes valiosíssimo exibido em evento no MET (Museu Metropolitano de Arte).

              São oito beldades, inteligentes, ardilosas, espertas, impostoras, sedutoras, deliciosamente burladoras e desonestas, em resumo maravilhosas. As únicas regras são “roubar de quem merece”, “não ferir ninguém” e “divertir todos”. Nos filmes, tudo parece fácil, por isso mesmo divertido pois ali reside toda a catarse, de rir e tirar um belo sarro da vida com um bom e velho conto do vigário!