HQCINEMA: LIGA DA JUSTIÇA

             A estratégia de reunir heróis já populares em uma equipe NÃO foi criação de Stan Lee, nem mesmo surgiu com o Universo Marvel. O mérito cabe a Gardner Fox (1911-1986), que em plena “Era de Ouro” como se convencionou chamar o período imediatamente após o surgimento do Superman, se aproveitou do bom relacionamento de sua editora de quadrinhos, a All-American,  com a National Periodical  para propor um título trazendo um grupo de heróis que se junta para enfrentar ameaças de grandes proporções, formando assim … A Sociedade da Justiça, publicada a partir de “All Star Comics” #3 (1940). O escritor novaiiorquino, que também criou o primeiro Flash, o Gavião Negro, e outros heróis, retratava nas historias da Sociedade o ufanismo inerente ao período com a equipe ligada às ordens do Presidente Franklin Roosevelt combatendo vilões megalomaníacos e espiões nazistas.

primeira aparição da Liga da Justiça

             A “Liga da Justiça” é o resultado do primeiro renascimento desses personagens, que haviam sido cancelados após a Segunda Guerra, mas que a partir de 1956 (Showcase #4) foram reimaginados por Fox. Depois de um novo Flash, um novo Lanterna Verde, a eles se juntaram versões rejuvenescidas de Superman, Batman e Mulher Maravilha criando o advento da Era de Prata do gênero. Novamente, Fox pensou em juntar os heróis em uma equipe, mas preferiu o termo “Liga”, uma alusão às populares equipes de baseball. Assim, três anos antes de Stan Lee lançar “Os Vingadores” pela Marvel, a capa da revista “The Brave & The Bold” #28 (Março de 1960), trazia a estreia da Liga com Aquaman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Flash e Caçador de Marte enfrentando Starro (uma estrela do mar gigante).Cinco meses depois o surpreendente resultado de vendas mostrou que o raio caíria novamente no mesmo lugar, e o time de heróis recriado por Gardner Fox ganha seu próprio título “Justice League of America”, com Superman e Batman aparecendo com menor frequência durante um bom tempo, mas incluindo gradativamente outros personagens como o Arqueiro Verde, Atom, Gavião Negro e promovendo, inclusive, um encontro entre a Liga e Sociedade (Justice League of America #21) que se tornaria tradição na DC Comics (nascida da fusão da National com a All American).

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             O traço de Mike Sekowsky(1923 – 1989) foi substituído por Dick Dillin (1928 – 1980) – o mais longevo dos artistas a trabalhar com os personagens – seguidos por George Perez, Don Heck, Kevin Maguire, Howard Porter, John Byrne e outros. A popularidade da Liga alcançou nível ainda maior quando, a partir de 1973, o estúdio Hanna Barbera produziu a série de animação para a Tv “SuperAmigos” (Superfriends) com tom mais infantil e moralizante, onde os heróis salvam o mundo além de dar lições de civilidade e humanidade, mesmo quando enfrentam a Legião do Mal, grupo de vilões que formam uma anti-Liga. Mais fiel às origens das HQs é a série animada produzida por Bruce Timm a partir de 2001 e que aproveita várias fases do grupo.

liga da justiça 1997

            As primeiras tentativas de se fazer uma versão live action, no entanto,  resultaram em desastre. A primeira foi no especial de TV “Legend of the Super Heroes” de 1979, com o mesmo tom cômico da série de TV “Batman”, incluindo a presença de Adam West (recentemente falecido) e Burt Ward no papel da dupla dinâmica. A ridicularização inclui o Charada (Frank Gorshin) como psiquiatra tratando de um deprimido Shazam (Garret Graig) e um Gavião Negro (Bill Nuckols) retratado como um filho rebelde. Novamente a Tv arriscou usar a Liga em nova adaptação buscando como referência a fase em que a equipe ganhou status internacional, no final dos anos 80, com uma formação que pontuava mais o humor que a ação. O filme em questão de 1997 era uma tentativa de funcionar como piloto para uma série de TV pela CBS, reunindo Flash, Lanterna Verde, Atomo, Caçador de Marte, Fogo e Gelo, excluindo, portanto, a trindade Superman-Mulher Maravilha-Batman, que sempre foi carro chefe da editora. O resultado foi tão pífio que o diretor Lewis Teague foi chamado às pressas para salvar o projeto assinado pelo desconhecido Felix Alcala. O próprio Teague tratou de pedir que seu nome não fosse incluído nos créditos do filme. Uma produção mais digna da equipe foi inicialmente pensada para ser dirigida por George Miller (Mad Max) há algum tempo atrás, mas o projeto só foi materializado quando Zach Snyder ficou à frente da elaboração do Universo Cinemático da DC Comics. Claro que mais de 50 anos de aventuras guardam curiosidades por muitos desconhecidas como:

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  1. O Brasil já teve uma heroína como membro da Liga, a heroína Fogo, alcunha de Beatriz da Costa, heroína com poderes pirocinéticos. Dois desenhistas brasileiros já ficaram responsáveis por fases distintas do grupo como o paraibano Ed Benes e o paulistano Ivan Reis.
  2. Os elementos relacionados ao vilão Darkseid foram criados pelo icônico artista Jack Kirby (co-criador do Universo Marvel) quando este trabalhou para a DC Comics.
  3. A Liga e os Vingadores da Marvel já estrelaram uma aventura conjunta (Crossover entre as editoras concorrentes) publicado entre 2003 e 2004. Em formato de mini-série em quatro capítulos, a aventura foi escrita por Kurt Busiek e desenhada por George Perez, renomados artistas.
  4. Muitas fases do grupo tornaram-se clássicos como “O Prego” (2002) onde em uma realidade alternativa o Superman não existe, “A Nova Fronteira” (2004) onde a equipe é mostrada no contexto da Era de Prata em clima de Guerra Fria e Macartismo, “Crise de Identidade” (2007) onde um crime desenterra segredos obscuros dos integrantes, “Justiça” (2006) onde o traço realista do artista Alex Ross mostra a Liga confrontando a Legião do Mal, e “Reino do Amanha” (2003) também de Alex Ross mostrando a Liga em um futuro onde os heróis precisam reconquistar a confiança perdida.
  5. O autor de Best-sellers Brad Meltzer foi o responsável por elevar as vendas da Liga da Justiça acima dos 200 mil exemplares, tendo sido o autor também da miniserie “Crise de Identidade”, que antecedeu sua bem sucedida fase no título da equipe dividindo os creditos desta com o desenhista brasileiro Ed Benes.

                  Com tanto pode de fogo assim, espera-se que a estreia da Liga em uma superprodução do cinema possa apaziguar o público depois do resultado insatisfatório de “Batman & Superman A Origem da Justiça” e “Esquadrão Suicida”. O sucesso do filme solo da “Mulher Maravilha” já mostrou que os super heróis da DC Comics ainda podem oferecer diversão. Renovar os fãs conquistando uma nova geração que possa nos seguir, da velha guarda, para o alto e avante !!

 

 

 

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40 ANOS DE SAUDADES DE SPENCER TRACY – UM TALENTO NATURAL

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     Uma das lembranças mais antigas que tenho dos filmes que assisti em minha infância é a imagem de um pescador português humanizando um menino resgatado do mar. Na ocasião, com nove ou dez anos, eu não sabia que aquele ator formidável, dono de um sorriso que irradiava dignidade, já havia falecido. Sei hoje que minha cinefilia foi enriquecida por ter conhecido o pescador Manuel, o padre Flanagan, o advogado Adam Bonner, o ciumento papai Stanley, um velho pescador, o homem de um braço só, todos … Spencer Tracy.

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Marujos Intrepidos

 

         Spencer Bonaventure Tracy costumava dizer que atuar não era tão importante (Acting is not an important job in the scheme of things) e ainda assim fazia de cada personagem uma imagem marcante e envolvente como o piloto que se torna um anjo da guarda em “Dois no Céu” (A Guy Named Joe)  de 1943 – refilmado por Steven Spielberg em 1989 ou o dicotômico Jekyl/Hyde em “O Médico & O Monstro” (Dr.Jekyl & Mr.Hyde) de 1941. Tinha um espírito aventureiro e indomável desde criança quando por volta dos sete anos fugiu de casa para brincar no outro lado da cidade, na qual nasceu em 5 de Abril de 1900. Aos 17 tentou se alistar para lutar na Primeira Guerra, mas foi recusado pela idade. Voltou a insistir pouco depois e ingressou na Marinha ao lado do amigo Pat O’Brien, que também se tornou ator. Contudo, nenhum dos dois conseguiu lutar no front, ficando em postos no pátio naval da Virginia.

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Spencer Tracy & Bette Davis recebem o Oscar

           Depois de ter dado baixo no serviço militar, descobriu a arte dramática conseguindo a principio papéis em peças universitárias ainda durante o tempo em que cursou Medicina na Reppon College. Tendo despertado o prazer pela atuação, deixou o curso de Medicina e se juntou a companhias teatrais durante os loucos anos 20, período em que conheceu sua esposa Louise Treadwell já estabelecida nos palcos. Casaram-se em Setembro de 1923 e tiveram dois filhos.

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A Familia Tracy: Spencer, a filha Susam, a esposa Louise e o filho John Tracy

           O espírito de coragem indômita, ele demonstrou fosse como o aventureiro Stanley em “As Aventuras de Stanley & Livingstone” (Stanley & Livingstone) em 1939 ou o marinheiro Manuel em “Marujos Intrépidos” (Captain Courageous) em 1937, este sendo o papel que lhe deu o primeiro de dois Oscars. A primeira vez não esteve presente na cerimônia pois estava hospitalizado. No ano seguinte repetiu o feito ao interpretar o Padre Flanagan em “Com Os Braços Abertos” (Boys Town) se tornando o primeiro ator a ganhar como melhor ator em dois anos consecutivos, mérito só igualado por Tom Hanks 58 anos depois. Tracy também se tornou um dos 18 atores a terem sido premiados por um personagem da vida real enquanto este ainda vivia, no caso o Padre Flanagan, que criou uma comunidade para ajudar a tirar garotos da deliquência juvenil. Feito admirável que Spencer julgava uma honra e uma responsabilidade para interpretar.

           A carreira cinematográfica do ator começou quando John Ford o assistiu em uma montagem da Broadway, partindo daí um convite para se juntar ao elenco de “Up The River” (1930), que também foi o primeiro filme de outra lenda de Hollywood, Humphrey Bogart. Este foi um entre vários amigos que Spencer Tracy encontrou em sua carreira. O mesmo ocorreu com Clark Gable com quem dividiu a cena em três filmes, sendo o mais memorável deles “San Francisco – A Cidade do Pecado” (San Francisco) de 1935, sua primeira indicação ao Oscar, com apenas 17 minutos em cena.  Dizem que Tracy se ressentia de sempre ficar em segundo plano na história sendo Gable o galã que sempre ficava com a moçinha.

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Spencer Tracy & Katherine Hepburn

          Foi a partir de “Fúria” (Fury), realizado no mesmo ano, que o público passou a ver do que Tracy era capaz. A história mostrava um homem pacato que sobrevivia ao próprio linchamento tornando-se amargo e vingativo. Era a estreia do renomado Fritz Lang (Metrópolis) em Hollywood e Tracy não se deu bem com o diretor, chegando a desafiar sua ordens no set quando Lang se recusava a dar um intervalo para o almoço.

           Em 1941 durante as filmagens de “A Mulher do Ano” (Woman of the year), o talentoso ator fez o primeiro de 9 filmes com a atriz Katherine Hepburn. Reza a lenda que ela teria dito “Receio que eu seja um pouco alta para o senhor Mr. Tracy ”. Este prontamente teria respondido “Não se preocupe, vou adaptá-la ao meu tamanho …” Assim começou uma lendária história de amor que o cinema registrou em títulos como “A Costela de Adão” (Adam’s Rib) de 1949, “Amor Eletrônico” (Desk Set) de 1957, “Mulher Absoluta” (Pat & Mike) de 1952 entre outros. Spencer nunca se divorciou de Louise, vivendo com Hepburn o romance adúltero mais incomum do cinema, já que era velado, vivido debaixo dos narizes dos tabloides sensacionalistas. Longe das câmeras o ator vivia um drama pessoal com seu filho mais velho. Tracy e Louise tiveram John Tracy e Susan, sendo que o primogênito perdeu a audição assim que nascera em 1924. Louise abandonou a carreira de atriz, aprendeu a ler lábios e ensinou a técnica ao menino. Em uma época em que não havia nenhum avanço significativo para auxiliar os deficientes auditivos, Spencer e sua esposa criaram a “John Tracy Clinic” em 1943 ajudando pais com filhos surdos, ajudando a desenvolver técnicas de ensino e posteriormente inaugurando um programa para ensinar crianças surdas. A clínica está atuante até hoje e sua atividade pode ser acompanhada on-line no site http://jtc.org/. Tracy garantia as doações de seu cachês e Louise cuidava das necessidades especiais de seu filho com igual dedicação ao lugar. O ator reconhecia a importância do trabalho de Louise e dizia que não havia comparação entre este e seus filmes. Além de Hepburn, conta-se que o ator manteve casos com as atrizes Loretta Young e Gene Tierney. O alcoolismo parecia ser a penitência que pagava pela infidelidade e pela vergonha que Louise passava. A Diabetes era o calcanhar de Aquiles que nos anos que se seguiram lhe minariam a saúde.

               Ainda digno de nota é o papel do investigador solitário de um braço só que chega a uma cidade pequena cheia de segredos em “Conspiração do Silêncio” (Bad Day at Black Rock) de 1955, último filme que fez para a MGM, estúdio para o qual trabalhou por 20 anos. A versatilidade era uma marca indelével no talento de Spencer Tracy, transitando por papéis diversos como o western “A Lança Partida” (Broken Arrow) de 1954, a comédia em “O Papai da Noiva” (Father of the Bride) de 1950, ou o drama “O Velho & O Mar” (The Old Man & The Sea) de 1957. Mesmo envelhecido, Spencer conseguia ser incrivelmente natural qualquer fosse o personagem que interpretasse. Nunca ensaiava, raramente repetia tomadas e lia seu texto pouco antes de começar as filmagens graças a uma notável capacidade de memorização.

            Por volta de 1963 sofreu um ataque cardíaco que o forçou a reduzir os trabalhos. Mesmo assim chegou a ser convidado para viver o vilão Pinguim na série do Batman, antes do papel ser entregue a Burguess Meredith. Teria dito que somente aceitaria se pudesse matar o Batman. Seus últimos filmes tiveram a direção de Stanley Kramer como o juiz no filme de tribunal “Julgamento em Nuremberg” (Judgement at Nuremberg) de 1961, o advogado que defende um professor que ensinou a teoria de Darwin em “O Vento será Tua Herança” (Inherint the Wind” de 1960, voltou a fazer comedia em “Deu a Louca no Mundo” (It’s a Mad Mad World) de 1963 e , enfim seu canto do cisne novamente dividindo a cena com Katherine Hepburn em “Advinhe quem vem para Jantar” (Guess who is coming to dinner) de 1967. Neste, Spencer faz um comovente discurso anti-racista cujas palavras ecoam até hoje a quem assiste o filme e nota, inclusive, Hepburn visivelmente emocionada. O filme foi lançado postumamente, bem como sua ultima indicação ao Oscar pelo papel do liberal Matt Drayton. Em seu funeral Katherine Hepburn não compareceu em respeito a Louise, a viúva dele.

            Em minha memória ficaram lembranças de um ator vigoroso que fazia tudo com naturalidade invejável. Um dos maiores atores de todos os tempos em uma filmografia de mais 70 títulos, dentre os quais até hoje me faz repetir o mesmo grito emocionado … MANOEL, MANOEL !!! Eu também fui humanizado por ele, que nunca escondeu suas falhas, nunca se supervalorizou, dizia como conselho “Decore suas falas e nunca esbarre na mobília”. Sua única pretensão, enfim, era de ser humano. Para mim foi sempre Intrépido.

ESTREIAS DA SEMANA: 02 DE NOVEMBRO DE 2017

O CIRCUITO COMERCIAL DESSE FIM DE SEMANA PROLONGADO COM FERIADO AINDA É DOMINADO PELO DEUS DO TROVÃO EM “THOR RAGNAROK”. ABRE-SE ESPAÇO PARA DUAS MOVIMENTADAS AVENTURAS DRAMÁTICAS, UMA ESTRELADA POR KATE WINSLET E OUTRA ESTRELADA POR ELIZABETH OLSEN. AMBAS TRAZEM UM CINEMA MENOS PIROTECNICO E MAIS TRADICIONAL AFINAL NEM SÓ DE SUPER HEROIS VIVE O CINEMA HOLLYWOODIANO. UM FILME BRASILEIRO CHEGA A NOSSAS SALAS COM UMA REFILMAGEM E READAPTAÇÃO DE JORGE AMADO. PARA QUEM GOSTA DE TRAMAS BASEADAS EM FATOS REAIS, ELE ESTÁ DE VOLTA … SCHWARZENEGGER, MAS NÃO NO PAPEL DE INDESTRUTIVEL HEROI DE AÇÃO QUE O POPULARIZOU NOS ANOS 80 E 90, MAS PARA MOSTRAR SEUS DOTES DRAMÁTICOS. VEJAMOS ABAIXO AS ESTREIAS DA SEMANA MAIS DETALHADAS:

DEPOIS DAQUELA MONTANHA (The Mountain between us) EUA 2017. Dir: Hany-Abu Assad. Com Idris Elba, Kate Winslet, Beau Bridges, Dermot Mulroney. Drama /Ação.

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IDRIS ELBA & KATE WINSLET: O QUE É UMA MONTANHA PARA QUEM JÁ SOBREVIVEU AO TITANIC ?

Cancelamento de vôo leva um médico e uma jornalista a dividir um jatinho. Contudo, o avião cai nas montanhas quando o piloto sofre um ataque cardíaco. Perdidos em região inóspita, cheia de perigos (abismos, animais selvagens, tempestade de neve) o casal tenta sobreviver para chegar à civilização, redescobrindo seus próprios sentimentos. O filme é adaptação do livro “A Montanha Entre Nós” de Charles Martin. O filme seria inicialmente estrelado por Michael Fassbender e Margot Robbie que desistiram do projeto. Depois os nomes de Charles Hunnam e Rosamund Pike foram cotados mas também desistiram até que Idris Elba e Kate Winslet assumiram os papeis de protagonistas. As filmagens foram feitas na maioria no Canadá na fronteira entre Alberta e a Columbia Britânica. Segundo o diretor, filmaram sob temperaturas extremamente frias, incluindo com sequências feitas no cume de uma montanha com o açoite das condições climáticas da região. Assistir o desenrolar da história traz o atrativo do realismo com o qual a ação é retratada.

TERRA SELVAGEM (Wind River) EUA 2017. Dir: Taylor Sheridan. Com Elizabeth Olsen, Jeremy Renner, Jon Bernthal, Graham Greene, Tantoo Cardinal.  Suspense / Drama.

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JEREMY RENNER & ELIZABETH OLSEN: INVESTIGAÇÃO SEM FLECHAS E SEM FEITIÇOS.

Caçador (Renner) e agente do FBI (Olsen) se unem para investigar a morte de um adolescente em uma reserva indígena. Renner e Olsen serão reconhecidos facilmente pelo publico por interpretarem o Gavião Arqueiro e a Feitiçeira Escarlate nos filmes do Universo Marvel. Baseado em fatos reais, o filme é a terceira incursão do diretor e roteirista no tema da fronteira norte-americana (os outros são “Sicario – Terra de Ninguem” e “A Qualquer Custo”), tendo sido filmado  na sétima maior reserva indígena americana. Os atores Graham Greene e Tantoo Cardinal interpretaram marido e mulher no clássico “Dança com Lobos”, que trata de tema similar.

DONA FLOR & SEUS DOIS MARIDOS. Bra 2017. Dir: Pedro Vasconcelos. Com Juliana Paes, Marcelo Faria, Leandro Hassum. Comedia.

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HASSUM, PAES & FARIAS: AMOR À TRÊS COM TEMPERO AMADO

Segunda adaptação para o cinema da obra de Jorge Amado que tornou-se um clássico nos anos 70 estrelado por Jose Wilker, Sonia Braga e Mauro Mendonça nos papeis agora vividos por Marcelo Faria, Juliana Paes e Leandro Hassum. A história, passada na década de 40, gira em torno de uma curiosa bigamia: Flor é casada com o sério farmaceutico Teodoro (Hassum) mas mantem um relacionamento com o espirito de seu falecido primeiro marido, o mulherengo Vadinho (Faria). Também houve uma adaptação para a TV nos anos 90 com Giulia Gam no papel central. A história de Jorge Amado trata de assuntos como adulterio e sensualidade no micro-cosmo da Bahia, terra adorada pelo autor.

EM BUSCA DE VINGANÇA (Aftermath) EUA 2017. Dir:Elliot Lester. Com Arnold Schwarzenegger, Maggie Grace, Scott McNairy. Suspense / Drama.

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SCHWARZENEGGER : ELE NÃO É INDESTRUTÍVEL MAS ESTÁ DE VOLTA

Baseado em um desastre real ocorrido em Uberlingen, na Alemanha, causado por negligência do controlador de tráfego aereo que veio a ser morto por facadas por homem que perdeu a esposa e os filhos no acidente. Schwarzenegger não está fazendo seu típico papel de ação, enveredando para um papel mais dramático nesta produção de Darren Aronofsky. Curioso ver Schwarzenegger em um papel mais humano, distante de personagens como Conan e o Exterminador do Futuro. Talvez por isso seus fãs venham a estranhar sua atuação.

GALERIA DE ESTRELAS : CENTENÁRIO DE DEAN MARTIN

DEAN MARTIN 1                 Uma belíssima voz e um ar de gozador que contrastava com  a figura de incorrigível conquistador. Assim o mundo aprendeu a conhecer Dean Martin, que conquistou o mundo do entretenimento nos três principais veículos de massa (rádio, Tv e cinema), razão pela qual é um dos poucos a ter três estrelas na calçada da fama, uma para cada uma destas  em que se sagrou um dos maiores artistas do século XX.

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                  Dino, como também ficou conhecido, pode ser ouvido em filmes como “Cassino” (1995), “Os Bons Companheiros” (1989), em séries de TV como Friends, House e até em desfiles de moda como o “Victoria’s Secret Fashion Show” em 2008 mostrando que o apelo de sua voz sedutora foi além de sua morte em 1995. Seu sucesso não foi imediato para esse filho de imigrantes italianos nascido em 7 de junho de 1917, batizado Dino Paulo Crocetti. Teve uma infância pobre em Steubenville, Ohio falando apenas italiano em casa com os pais e o irmão até os 5 anos. Quando entrou para a escola, sofreu bullying pelo forte sotaque italiano. Ainda muito jovem foi trabalhar como cropier em um cassino, operário na industria do aço e boxeador sob a alcunha de Kid Crochett. Mais tarde, já uma celebridade fez piada dizendo que só perdera onze vezes mas que poderia ter feito história no esporte. Uma boa piada era algo que nunca perdia, pois apesar da fama de mulherengo e beberrão, Dean sempre foi um brincalhão, de língua ferina. Certa vez disse que viu uma estatua de cera do colega James Stewart, e ressaltou que esta “falava melhor do que o original”.

MARTIN E ESPOSA

DINO & A SEGUNDA ESPOSA JEANNE

                   Esta veia humorística, sempre disposto a tirar um “sarro” de tudo foi parte da química que demonstrou com Jerry Lewis com quem fez dupla por mais de dez anos. Quando ainda eram talentos desconhecidos, se encontraram casualmente  em 1945 no Glass Hat Club em Nova York, mas em apresentações separadas. O destino interveio para que um ano depois voltassem a se encontrar em Atlantic City, no 500 Club quando pressionados a apresentar algo atraente ao público ou seriam demitidos, improvisaram uma serie de sketches onde Martin tenta cantar, mas é interrompido pelos desastres causados por Lewis. O resultado foi uma onda contagiante de gargalhadas que levou a outras apresentações, chegando ao famoso Copacabana Club em Nova York, e pouco tempo depois ao lendário “Ed Sullivan Show” na TV.

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              Algum tempo depois já estavam diante de HaL B.Wallis, homem forte da Paramount que os contratou para ser o alívio Cômico de “Minha Amiga Irma” (My Friend Irma) de 1949. Nos dez anos seguintes, a dupla Martin & Lewis se tornou um campeão de bilheteria já protagonizando a partir de “O Palhaço do Batalhão” (At War With The Army) de 1950. A formula dos 16 filmes que fizeram juntos era simples: Martin cantava, conquistava as mulheres enquanto Lewis aloprava destilando seu histrionismo cênico. Deste período, um dos melhores é “Artistas & Modelos” (Artists & Models) de 1956 dirigido pelo mestre Frank Tashlin. Nele, os papeis da dupla relembram os dias em que procuravam se encaixar no showbizz, interpretando Rick Todd, um pintor desconhecido e Eugene Fullstack, um aspirante a escritor de histórias infantis, precursor dos nerds fâs de histórias em quadrinhos. Curioso que era Martin, e não Lewis, quem gostava do gênero. A crescente insatisfação de Martin e o controle cada vez maior de Lewis levou a desentendimentos e à separação da dupla em 1956.

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MATT HELM

               Ainda que vendesse muitos discos na época, muitos detratores apontavam Dean como a metade menos talentosa da dupla. Seu primeiro filme em carreira solo “Dez Mil Alcovas” (Ten Thousand Bedrooms) de 1957 não foi bem sucedido. Determinado a se provar um ator dramático, Dean assumiu o papel de um  soldado americano no drama “Os Deuses Vencidos” (Young Lions) de Edward Dymitrik em 1958, dividindo a cena com Marlon Brando e Montgomery Cliff. Este ajudou Dean a se colocar diante da câmera e mudando sua imagem, ao que Martin foi mais do que grato apoiando Cliff em seus problemas pessoais. Provando de vez seu valor, o ator fez o papel de um delegado bêbado em “Onde Começa o Inferno” (Rio Bravo) de Howard Hawks em 1959, contracenando com John Wayne.

RAT PACK

THE RAT PACK

               Entrando a década de 60, Dean Martin desbancou os Beatles das paradas de sucesso com a gravação de “Everybody Loves Somebody” que tornou-se uma marca sua dentre as mais de 600 canções que gravou, entre elas também a balada “That’s Amore” em que usa de seu charme ítalo-americano para embalar romances. Sua carreira ganhou novo impulso quando se juntou a Frank Sinatra, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop formando o “Rat Pack” (apelido que teria sido atribuído por Lauren Bacall) em apresentações por toda a Las Vegas além de uma série de filmes incluindo “Onze Homens & Um Segredo” (Ocean’s Eleven) de 1960, que seria refilmado décadas depois por Steven Sodenbergh.

DEAN E JERRY REECONTRO

O REENCONTRO COM JERRY LEWIS NOS ANOS 70

              Nesta fase, Martin popularizou sua imagem de mulherengo e beberrão, o que seu filho Dean Paul Martin, anos depois desmistificou dizendo que seu pai somente bebia suco de maçã, mas gostava de fazer todos pensarem que era bebida alcoólica. Martin fez de seu “The Dean Martin Show” um dos programas mais bem vistos da TV americana, durante dez anos e levando um Golden Globe por isso. Mesmo que nunca viesse a ter uma indicação ao Oscar, Dean Martin parecia não se importar. Cantava, contava piadas, se divertia e divertia a todos de forma despretensiosa, como na série de quatro filmes que fez no papel do agente secreto Matt Helm, uma parodia de 007 onde Dean cultivava a persona que criara para seu público. Este não sabia que ele era um amigo leal, tendo se desligado da produção de “Something Gotta Give” depois da morte da estrela Marilyn Monroe com quem contracenaria. Também desistiu de um quinto Matt Helm depois que a estrela Sharon Tate foi assassinada. Martin disfarçava sua sensibilidade e mantinha uma rotina relativamente tranquila sempre que podia, saindo cedo de suas apresentações para jogar golf no dia seguinte ou passando o máximo de tempo possível ao lado dos filhos tal qual um pai amoroso que era para seus filhos, quatro do primeiro casamento com Betty McDonald e três do casamento com Jeanne Biegger. De seu terceiro casamento com Catherine Hawn adotou a filha desta durante os três anos em que ficaram juntos até 1976.

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ARTISTAS & MODELOS: DEAN MARTIN, DOROTHY MALONE, JERRY LEWIS & SHIRLEY MACLAINE

               Nos anos 70 fez as pazes com Jerry Lewis aparecendo de surpresa no Telethon apresentado pelo ex companheiro, tudo por intermédio de Frank Sinatra. Outro grande sucesso foi seu papel de piloto em “Aeroporto” (Airport) de 1970, que iniciou o ciclo dos filmes catástrofes. A tragédia se abateu sobre o artista quando seu filho Dean Paul Martin, então com 36 anos, morreu em um desastre aéreo. Para quem conhecia Dean Martin pessoalmente, contava-se que naquele dia ele também morreu. Retirou-se da vida pública, se isolou, mergulhando na bebedeira e no cigarro. Relatava-se que era como se ele tivesse desistido de viver pois mesmo quando foi diagnosticado com Câncer em 1993 se recusou a fazer uma cirurgia que prolongaria sua vida, vindo a fazer sua passagem na noite de Natal de 1995. Triste final para um artista que trazia alegria para tantos e que n os mostrou que todos amam alguém, e todos amamos de fato o artista extraordinário que foi Dean Martin.

IN MEMORIAN : ROBERT GUILLAUME

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Faleceu no último dia 24 o ator Robert Guillaume, famoso por ter dublado Rafiki na animação “Rei Leão” (1995). Com uma extensa filmografia, em maior parte advinda de trabalhos na TV, eu particularmente guardo com carinho sua atuação na sitcom “O Poderoso Benson” (1979-1986) em que interpretou o espirituoso e sábio mordomo do governador de Nova York. A série foi exibida no Brasil na segunda metade da década de 80 na faixa “Sessão Comedia” da Rede Globo.

THOR RAGNAROK & MAIS

                 O mais recente capítulo no universo compartilhado Marvel usa de humor e ação unindo dois heróis de peso, mas mistura duas narrativas diferentes das HQs.

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           Ragnarok é o apocalipse da mitologia nórdica no qual os deuses (Thor, Loki, Odin etc…) perecem, o mundo é mergulhado em cataclismas encerrando um ciclo para depois renascerem e repovoarem o mundo. Já tendo sido objeto de estudos acadêmicos, o Ragnarok pode ser lido em poemas como o “Edda”, compilação datada do século XIII. Nos quadrinhos da Marvel, o apocalipse nórdico foi primeiro explorado por Stan Lee & Jack Kirby em “Thor” #157 (Outubro 1968). A chegada do demônio Mangog, quatro meses antes, colocou o filho de Odin diante da eminente destruição de Asgard, almejada por Hela, a deusa da morte, surgida em 1964. Nas historias de Lee & Kirby, Hela nunca foi a filha de Odin, mas segundo a tradição nórdica contada no “Edda” e outros textos históricos, ela é a filha de Loki. Em 1978, Roy Thomas e John Buscema voltaram a tratar do assunto (publicado no Brasil em “Herois da TV” #99).  Um dos melhores arcos a traçar o destino final dos deuses se deu, no entanto, na primorosa “Saga de Surtur”, escrita e desenhada por Walt Simonson em 1984, a primorosa narrativa explorar todos os elementos mergulhados na tradição das lendas nórdicas. Sendo um evento cíclico, embora adiado ao final de fase Simonson, o Ragnarok finalmente caiu sobre os deuses de Asgard no período em que os Vingadores foram reformulados por Brian Michael Bendis no arco “A Queda” (2004 3 2005). Lógico que pouco tempo depois os deuses renascem e um  novo título do deus do trovão é iniciado por J.M.Strancswiski (criador da serie de TV “Babylon 5”) e Oliver Coipiel.

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ARTE DE JACK KIRBY

         Se o filme fosse adaptar com seriedade o Ragnarok, deveria de aparecer o Lobo Fenris, o nobre Balder, a Serpente de Midgard e outros elementos ligados ao profético fim dos asgardianos. Além disso o evento é de uma dimensão que não caberia em um filme preocupado em se conectar com o anunciado “Vingadores: Guerra Infinita”. Não há humor nas histórias mencionados, uma vez que o personagem sempre foi mais sisudo que sua representação por Chris Hemsworth iniciada em um pálido filme inicial em 2011, continuado com uma sensível melhora em 2013 e, depois da participação em dois filmes dos Vingadores, chegamos ao terceiro filme solo do personagem.

PLANETHULK

PLANETA HULK – A HQ

           Diluindo ainda mais o impacto do que seria de fato o Ragnarok, Thor divide a cena com o “Hulk”, um riquíssimo personagem relegado ao status de coadjuvante nos filmes do Marvel Studios já que a Universal, detentora dos direitos do personagem, não autoriza a realização de um filme solo do herói verde. Nos quadrinhos, Thor e Hulk se enfrentaram em diversas ocasiões começando com a clássica edição “Thor” #112 (Janeiro de 1965) anunciada como a batalha épica do ano com a arte maestra de Jack Kirby, este sendo co-criador do universo Marvel (Sim, Stan Lee NÂO É o único pai dos heróis da editora), Pouco divulgado é o fato de que nos anos 50, Kirby havia criado uma versão de Thor para a concorrente DC Comics. O herói que conhecemos hoje e popularizado pelos filmes do universo cinemático Marvel/Disney estreou  em Agosto de 1962 na 83ª edição da revista “Journey Into Mystery“. A partir da edição #97, Lee & KIrby exploram toda a riqueza da cultura nórdica em histórias curtas batizadas ‘”Contos de Asgard”. Nesse período Thor era um entre outros personagens publicados em “Journey into Mystery”, um título de antologias. A partir do número #104 o herói passa a ostentar seu nome abaixo do nome da revista, ganhando destaque cada vez maior até que na edição #126 passa a se chamar apenas “The Mighty Thor”. No Brasil o personagem chegou em 1967 pela editora Ebal que o publicou nas páginas de “Album Gigante”, enquanto na TV, o personagem teve seu próprio desenho animado produzido pelo estúdio canadense Grantray-Lawrence Animation , e popularizado pelo programa do saudoso Capitão Aza na antiga Tv Tupi.

THOR E HULK

A VOLTA DO INCRÍVEL HULK DE 1988

        O filme atual também não é a primeira vez que os heróis se enfrentam em um filme compartilhado. Em 1988, o telefilme da NBC “A Volta do Incrivel Hulk” trazia Bill Bixby & Lou Ferrigno interpretando a popular versão de carne e osso do dicotômico herói verde da Marvel. Nele, o Dr. Banner luta ao lado de Thor, invocado pelo Dr.Donald Blake (sua identidade secreta criada por Lee & Kirby) a cada vez que este grita “Odin” e ergue o martelo do herói. Levado ao em Maio de 1988, e pouco depois exibido pelo SBT no Brasil, a intenção inicial era fazer deste o piloto de uma série do Thor, nos mesmos moldes da estrelada por Bixby/Ferrigno, o que acabou não acontecendo.

       O Hulk aliás aparece no filme “Thor Ragnarok” como um coadjuvante de luxo com elementos enxertados no filme extraído do popular arco “Planeta Hulk”, escrito por Greg Pak (2006) onde o herói foi exilado em um outro planeta, tornou-se gladiador e depois grande líder daquele povo. Misturar elementos de “Planeta Hulk” e “Ragnarok” foi uma jogada da Marvel para satisfazer os fans do Hulk, interligando-o aos eventos de sua atual fase anunciada para terminar no mais distante “Vingadores 4” e, assim como o Ragnarok nórdico traçar um fim para um ciclo para começar um outro com renovação de personagens e elenco. Afinal, o fim apontará um novo começo.

ESTREIAS DA SEMANA : 26 DE OUTUBRO DE 2017

THOR RAGNAROK

THOR RAGNAROK

(Thor Ragnarok) EUA 2017. Dir: Taika Waititi. Com Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Tom Hiddlestone, Anthony Hopkins, Cate Blanchett, Jeff Goldblum, Tessa Thompson, Karl Urban, Idris Elba, Sam Neill. Aventura.

Thor corre contra o tempo para salvar Asgard do Ragnarok, o apocalipse das lendas nórdicas. Contudo, é derrotado por Hela, a deusa da morte, tem seu martelo destruído e é exilado em um planeta de gladiadores onde reencontra o Hulk. A eles se juntam o traiçoeiro Loki e a corajosa Walkiria em uma batalha decisiva. Apesar da ação inerente a essa mistura de duas narrativas diferentes das HQs Marvel (Ragnarok e Planeta Hulk) está impregnada com o humor típico do filme do Deadpool e com aquela trilha sonora pop que remete a “Guardiões da Galáxia”. Essa mistura promete atrair o público e preparar o terreno para a chegada de “Vingadores:Guerra Infinita” ano que vem. A participação de Ruffalo é menor em relação às pretensões de se aproveitar de um arco tão extenso quanto “Planeta Hulk”, mas a Marvel não pode fazer um filme solo do personagem, que está preso a um contrato com a Universal. O filme ainda tem a participação especial de Benedict Cumberbatch como Dr.Estranho, que auxiliará Thor a reencontrar Odin, desaparecido depois dos eventos de “Thor Mundo Sombrio”. A vilã de Cate Blanchett é o maior atrativo da história e funciona como uma excelente antagonista para Thor. Leiam a postagem especial acima que trará outras informações sobre o deus do trovão nas hqs originais.

MARK FELT – O HOMEM QUE DERRUBOU A CASA BRANCA

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(Mark Felt – The Man Who Brought Down the House) EUA 2017. Dir: Peter Landesman. Com Liam Neeson, Brian D’Arcy, Bruce Greenwood, Diane Lane, Josh Lucas. Biopic.

O roteirista e diretor Peter Landesman dramatiza a história do diretor do FBI que entrou para a história com a alcunha “Garganta Profunda”, o homem que tornou-se informante dos reporteres do Washington Post, sendo fundamental para a queda do ex presidente Nixon no historico Escândalo de Watergate. Filme voltado para os apreciadores de filmes biográficos. Em um momento de corrupção escandalosa em nosso próprio país é positivo assistir um episódio real que mostra como um país realmente democrático procede diante do abuso de poder.

O FORMIDÁVEL

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(Le Redoubtable) Fr. 2017. Dir: Michel Hazanavicius. Com Louis Garrel, Berenice Bejó, Stacy Martin, Biopic.

Adaptação do livro “Un An Aprés” de Anne Wiezemsky que faz um recorte na vida do cineasta francês Jean-Luc Goddard que durante as filmagens de “A Chinesa” (1967) apaixonou-se pela atriz de 17 anos Anne Wiezemsly, a autora do livro. O romance abala profundamente a vida de Goddard, um dos maiores nomes do cinema francês de sua geração. O filme é escrito e dirigido pelo cineasta parisiense Michel Hazanavicius que em 2011 conquistou o mundo e 5 Oscars com “O Artista”, onde também trabalhou com a atriz Berenice Bejó.

PELÉ – O NASCIMENTO DE UMA LENDA

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(Pelé – The Birth of a Legend) EUA 2017. Dir:Jeff Zimbalist & Michael Zimbalist. Com Rodrigo Santoro, Seu Jorge, Milton Nascimento,  Vincent D’Onofrio,  Felipe Simas, Diego Boneta. Biopic.

Já houve um documentário sobre o rei do futebol em 2004. Este filme biográfico estava inicialmente previsto para estrear na Copa do Mundo de 2014, mas só foi finalizado recentemente. A trajetória de Edson Arantes do Nascimento que de uma infância pobre tornou-se um dos jogadores de futebol mais famosos do mundo, tendo integrado a seleção que ganhou a Copa do Mundo de 1958

ESTREIA ESPECIAL: BLADE RUNNER 2049

Se imaginássemos que daqui  a dois anos as grandes cidades se tornariam extremamente populosas, com a poluição se alastrando por entre imensos prédios castigados por constante chuva, insuficientes no entanto para lavar a sujeira física e moral desta realidade depreciativa. Se você ainda se pergunta se o homem é realmente a imagem e semelhança de Deus, então o que dizer de sofisticados androides dotados de inteligência artificial buscando o sentido da vida ? Se quiser descobrir o que há nisso tudo, bem vindo ao mundo de “Blade Runner”.

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Agente K (Ryan Gosling) & Deckard (Harrison Ford)

     Quando lançado em 1982 o filme não causou nenhum furor imediato aos intrigantes questionamentos da história, em que humanos e replicantes estão mergulhados na filosofia Nietzschiniana em que ao olhar para o abismo, este olha de volta para você. Na verdade, a bilheteria da época não correspondeu ao investimento estimado então em torno de US$28,000,000 e o status cult do filme surgiu ao longo dos anos que se seguiram. O público digeriu devagar as implicações desta perceptível dicotomia entre o velho e o moderno, o humano e o inumano, a vida e a morte. Já sua atmosfera distópica remete ao pesadelo orwelliano misturada à fotografia noir que faz de Rick Deckard (Harrisson Ford) herdeiro futurista dos detetives amorais e cafajestes inspirados na literatura de Raymond Chandler e Dashiel Hammet. A personagem Rachael (Sean Young) representa a sedução gélida e fatal das femme fatales e pivô de uma tensão que se estende para além da aparentemente rotineira investigação de Deckard.

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O Filme de 1982

      O roteiro de Hampton Fancher, reescrito por David Webb Peoples, adapta o romance “Do Androids dream of electric sheep?” do escritor americano Philip K.Dick publicado pela primeira vez em 1968. O filme toma o livro apenas na superfície se concentrando na caçada aos androides fugitivos, que nunca são chamados de replicantes pelo autor. O termo foi sugerido em uma conversa entre o roteirista David Peoples e sua filha que comentara com o pai sobre a capacidade replicante das células clonadas. O livro também toca na extinção dos animais e a ação se desenvolve em uma São Francisco pós apocalíptica em vez da Los Angeles mostrada no filme. O livro mostra a Terra como um planeta sendo evacuado em favor de colônias em outros planetas como Marte e os humanos que ainda residem no planeta seguem uma religião chamada Mercerismo, em que seus membros compartilham habilidades telepáticas, o que não é sequer mencionado no filme.

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Philip K. Dick – O Autor

      O filme veio a ser dirigido por Ridley Scott que foi demitido ao longo das filmagens, e depois readmitido devido a conflitos com os produtores do filme. Também tornou-se notório as constantes desavenças entre o diretor e Harrisson Ford. Este durante muitos anos se recusou a falar do filme em suas entrevistas, e dizia recusar qualquer possibilidade de voltar ao papel, o que acabou eventualmente fazendo este ano. Ford teria gravado a narração em off, não prevista no roteiro original extremamente contrariado, forçado pelos produtores que acharam o filme incompreensível no corte original. Anos depois, dois funcionários da Warner teriam encontrado um arquivo considerado perdido, sem a narração em off e com uma montagem que se achou fosse a pretendida por Ridley Scott. Esta suposta versão original chegou a ser lançada em 1989, mas Scott disse que não era assim que ele pretendia fazer e em 2007 o estúdio fez as pazes com o diretor permitindo que este remontasse o filme como inicialmente pensado, gerando o “Final Cut” e dividindo os fãs com três versões diferentes do clássico.  Curiosamente, muitos acreditaram que o filme carregava uma espécie de maldição pois empresas como a RCA e a Atari, cujos logos são usados no filme faliram tempos depois.

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         O monologo final de Rutge Hauer (escolhido para o papel de Roy Beatty sem que Ridley Scott o tivesse entrevistado para o papel) foi improvisado pelo ator e a cena previa a principio haveria uma luta entre Roy e Deckard em vez de apenas uma perseguição na chuva. A beleza das palavras “Todos aqueles momentos estarão logo perdidos como lágrimas na chuva” cria um efeito de espelho distorcido entre caça e caçador, homem e replicante (apesar das constantes interpretações de que Deckard seria um replicante também), onde orgânico e inorgânico procuram pelas mesmas perguntas: Quanto tempo ainda temos? Por que existimos? Podemos prolongar nossa vida? Qual o sentido da vida? Uma relação Frankensteniana elevada a uma constrangedora dimensão que nos faz nos perceber de forma diferente. Assim o autor confronta nossa humanidade falha, corrupta, ambiciosa e inconsequente. O novo filme que chega a nossas telas promete prosseguir com as divagações, explorar os mistérios do filme original que reflete para 2019 a insistente e inquietante pergunta que procura saber se realmente somos meras máquinas orgânicas ou uma obra de inspiração divina, sonhando com ovelhas elétricas em nossa vã filosofia.

ESTREIAS DA SEMANA : 05 DE OUTUBRO DE 2017

O PICA PAU

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(Woody Woodpecker) EUA 2017. Dir: Alex Zamm. Com Thaila Ayala, Timothy Omundson, Graham Verchere. Animação.

Sou de uma geração que assistia, quando criança, os desenhos do Pica-pau pelo SBT. Marcou nossa infância sem dúvida, e fez parte da história já que foi o primeiro desenho exibido na TV brasileira, em 19 de setembro de 1950, na hoje extinta TV Tupi. O personagem nasceu em 1940 no curta “Knock Knock“, criado por Walter Lantz. De coadjuvante no curta protagonizado por Andy Panda, o insano pássaro roubou a cena e se tornou a estrela principal do estudio de Lantz. Reza a lenda que este criou o personagem depois que um pica-pau incomodou sua lua-de-mel. O longa que chega a nossos cinemas é uma tentativa de apresentar a transloucada ave a uma nova geração que não acompanhou as constantes reprises na TV, passando por exibições na Record, Globo e tv por assinatura. No inicio, o pica pau era bem mais malvado, com olhos grandes vesgos, dentuço e barriga vermelha, uma força de caos com penas capaz de enlouquecer um guarda que persegue os rachadores (The Screwdriver, 1941), ou caçar um operário que só queria fazer a barba entoando a clássica ópera de Rossini (The Barber of Seville, 1944). Com o sucesso, o personagem foi domado por seu criador, ganhou traços mais suaves e comportamento anárquico, porém mais contido. Essa versão mais sociável estrela esse filme onde um casal ameaça desmatar uma área natural onde o pica-pau mora e, claro não deixará barato. A atriz brasileira Thalia Ayala está no centro da história dirigida por Alex Hamm (O Fada do Dente 2, Dr. Doolittle 5). Certamente que os adultos se deliciarão mais com o filme, mas não espere ver os coadjuvantes clássicos como Zeca Urubu, Zé Jacaré, Leôncio ou o bandido Dooley. Erro dos roteiristas em não aproveitar o rico elenco que acompanhou o personagem em mais de 200 desenhos (levando-se em conta claro a retomada da série pela Fox no final da década de 90). Se você que lê essa resenha ver um adulto comentar que já teve vontade de descer as cataratas em um barril, é normal. Com tantos anos trabalhando nesta industria vital, não é a primeira vez que isso acontece. Então, como diria a bruxa “E la vamos nós”.

CHOCANTE

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(BRa 2017) Dir: Johnny Araújo & Gustavo Bonafé. Com Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro Filho, Marcus Majella, Bruno Garcia, Pedro Neschling, Debora Lamm, Tony Ramos, Klara Castanho. Comédia.

Membros de uma boy band dos anos 90 se reune depois de vinte anos para o funeral de um deles. Com isso decidem voltar a ativa e reconquistar o público.  O filme, co-roteirizado por Bruno Mazzeo, revive a gloria e a decadencia de grupos como Menundo, Tremendo (anos 80), Backstreet Boys (anos 90) etc. O filme, co-produzido pela Globo Filmes, investe no clima de paródia explorado por um bom elenco de comediantes.

 

 

 

NAS BANCAS : CONHECIMENTO PRÁTICO LITERATURA Nº 73

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AMIGOS LEITORES DO BLOG, CHEGOU ÀS BANCAS A EDIÇÃO N°73 DA REVISTA “CONHECIMENTO PRÁTICO LITERATURA“, DA EDITORA ESCALA. BELÍSSIMA CAPA TRAZENDO A VIDA E A OBRA DO ESCRITORN FRANCÊS EMILE ZOLA. COMO COLABORADOR FREQUENTE DA REVISTA, ASSINO A MATÉRIA SOBRE AS LENDAS ARTURIANAS COM UMA ANÁLISE HISTÓRICO & LITERARIA DO MITO DE ARTHUR E SEUS CAVALEIROS DA TÁVOLA REDONDA. A EDIÇÃO ESTÁ RIQUÍSSIMA COM UMA ANÁLISE DO MAGNUS OPUS DE MACHADO DE ASSIS “MEMORIAS PÓSTUMAS DE BRAS CUBAS”, ALÉM DE COMOVENTE ULTIMA ENTREVISTA DO ESTUDIOSO E HISTORIADOR DE QUADRINHOS ÁLVARO DE MOYA, QUE NOS DEIXOU MÊS PASSADO. BOA LEITURA & OBRIGADO.

ESTREIAS NO CINEMA – 14 DE SETEMBRO

FEITO NA AMERICA

(American Made) EUA 2017. DIR: Doug Liman. Com Tom Cruise, Jayma Mays, Downhall Gleeson, Connor Trinneer. Drama.

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Baseado em fatos reais, o filme de Doug Liman (que dirigiu Cruise em “No Limite do Amanhã” ) retrata a vida do piloto Barry Seal, que nos anos 80, se envolveu no tráfico de armas para o Irã. Sua atividade  o colocou diretamente ligado às ações da CIA e do cartel de Mendelin na Colombia. Cruise teve que engordar vários kilos para personificar Seals e visitou os locais reais visitados por este na Colombia.

O QUE SERÁ DE NOZES 2

(The Nut Job 2 – Nutty by Nature) EUA 2017. Dir: Carl Brunker. Vozes: Will Arnett, Maya Rudolph, Katherine Heigl, Gabriel Iglesias. Animação.

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O esquilo Surley e seus amigos arquiteam um plano para evitar que o prefeito vilanesco destrua o bosque en que vivem para construir um parque de diversões. O primeiro filme de 2014 custou US$ 42 milhões lucrando três vezes mais.

AMITYVILLE – O DESPERTAR

(Amityville – The Awakening.) EUA 2004. Dir: Frank Callfoun. Com Jennifer Jason Leigh, Bella Thorne, Thomas Mann, Jennifer Morrison, Cameron Monaghan, Kurtwood Smith. Terror

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Um dos casos mais famosos de casa mal-assombrada, baseado em fato ocorrido por volta de 1974, a historia de Amityville foi publicado em 1976, escrito por Jay Anson e adaptado para o cinema várias vezes: 1979, 1982, 1987 e refilmado em 2005 com Ryan Reynolds. Este novo filme é uma história original e estava na prateleira desde 2014. Enquanto este chega finalmente a nossas telas, anuncia-se uma nova versão da história dos crimes ocorridos na casa da Ocean Avenue 112 que será produzida em breve, demonstrando que o público não se cansou ainda da história. Em “O Despertar”, um espirito maligno toma o corpo de um rapaz que sofrera um acidente. Entre os rostos conhecidos temos duas Jennifers: Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados) e jennifer Morrison (a Emma de “Once Upon a Time”).

ESTREIAS NO CINEMA (ESPECIAL) : IT – A COISA.

IT – A COISA

(It) EUA 2017. Dir: Andres Muschietti. Com Bill Skarsgard, Finn Wolfhard, Wyatt Oleff, Steven Williams, Jaeden Lieberher, Megan Charpentier. Terror.

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               Os antigos gregos tinham a figura de Fobos como o deus do medo. Em tempos mais recentes, ninguém foi tão hábil em instigar o medo quanto Stephen Edwin King, que em setembro desse ano completa 70 anos, tendo nas últimas quatro décadas se tornado autor de inúmeros best-sellers, sendo “It – A Coisa” um dos mais assustadores e a mais recente das adaptações a chegar às telas.

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STRANGER THINGS – INSPIRAÇÃO

              O momento não poderia ser mais oportuno com o sucesso da série da Netflix “Stranger Things”  assumindo várias referências ao trabalho do autor e, inclusive, o ator mirim Finn Wolfhard integra o elenco da série da Netflix e desta segunda versão do 12° romance escrito pelo prolífico autor. A primeira versão foi feita para a Tv em 1990 no formato de mini-série estrelada por Tim Curry no papel de Pennywise, o palhaço assassino que na verdade é uma criatura maligna que aparece a cada 27 anos na cidade de Derry, no Maine, estado natal de King e palco de suas histórias. Na época, dividido em duas partes, o filme ficou entre os programas mais assistidos da Tv americana, com a primeira parte em #5° lugar e a segunda parte em #2°lugar. No Brasil, o filme foi um dos mais alugados no auge das locadoras de vídeo.

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IT – 1990: TIM CURRY, O PENNYWISE ORIGINAL.

             Na história original, sete crianças são afetadas pelos assassinatos brutais cometidos por Pennywise, que pode mudar sua forma e se alimenta do medo que instiga antes de matar. Reunidos para caçar e eliminar a criatura, o Clube dos Perdedores, como as crianças se chamam, promete se reencontrar décadas depois, todos já adultos, para enfrentarem Pennywise, que voltou a matar crianças. A aventura se divide em dois tempos, no passado quando os membros do clube (Ben,Stanley, Beverly, Mike, Eddie, Ritchie e Bill) têm seu primeiro contato com a criatura em 1958, e na década de 80 quando estão adultos, na casa dos 40 anos, e a trágica morte de um deles anuncia a volta de Pennywise. Cada um dos membros do clube permite que o autor trabalhe características que são fáceis de se identificar como o menino hipocondríaco (Eddie), o garoto boca suja (Ritchie), o garoto inseguro (Stanley), o gordinho gentil (Bem), cada um espelho de nossa própria infância. A interação entre estes e a passagem para a vida adulta é tão importante para a narrativa quanto o embate com o maligno Pennywise. Assim, o livro de King, embora cheio de sequências ricas em sustos e pavor , também encontra espaço para mostrar a importância da amizade dos membros do clube dos perdedores, da mesma forma que King faria com as crianças de seu conto “O Corpo” (Incluído na coletânea “Different Seasons” de 1982) , e que seria adaptado no filme “Conta Comigo” (Stand By Me). A dinâmica da narrativa é o paralelo traçado entre a infância e a vida adulta, vida e morte.

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OS BASTIDORES DA VERSÃO DE 1990

            Na primeira adaptação, o elenco adulto de “It” (que recebeu o sub-título “Uma Obra Prima do Medo”) havia sido indicado a prêmios como o já falecido John Ritter (O Pestinha) vencedor de um Golden Globe, a atriz já indicada ao Oscar Annette O’Toole (Os Grandes Músicos), Richard Thomas (indicado duas vezes ao Oscar pelo clássico seriado “Os Waltons”), além do já citado Tim Curry (Rocky Horror Picture Show, A Caçada ao Outubro Vermelho), que segundo consta teria ficado com o papel inicialmente pensado para o rock star Alice Cooper, segundo o imdb.  O final do livro também foi modificado no filme, retirando a presença de um personagem que seria o inimigo natural de Pennywise, sendo esse uma força elemental do mal.

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QUER FLUTUAR COMIGO ? O NOVO PENNYWISE.

           Na nova versão, a ação se passa em 1989, exatos 27 anos depois da primeira versão. O papel do palhaço Pennywise chegou a ser pensado para Richard Armitage (O Hobbit), Tilda Swinton (Dr. Estranho), Hugo Weaving (Capitão America o Primeiro Vingador), Tom Hiddleston (Thor) e Jim Carrey (O Máscara) , mas ficou com o ator Bill Skarsgard, que a pedido do diretor manteve-se afastado do elenco jovem como forma de imprimir desconforto genuíno no elenco. O ator (filho do ator Stellan Skarsgard) sentiu a pressão de substituir a elogiada performance de Tim Curry no papel do personagem-título. O projeto desta readaptação começou na Warner Bros por volta de 2009, pensado a princípio como um filme único condensando as quase 1000 páginas do livro de King. A demora levou à contratação de Cary Fukunaga para escrever o roteiro e, para assumir a direção com o ator Will Poulter (Maze Runner) no papel do palhaço assassino.  Algum tempo depois a Warner transferiu o filme para sua subsidiária, a New Line, mantendo Fukunaga como co-roteirista, mas contratando Andres Muschietti para a cadeira de diretor. Nesse momento foi anunciado  a divisão do extenso livro em uma duologia com o primeiro filme centrado nas crianças, como se fosse “Os Goonies” em uma temática sobrenatural,  e o segundo filme com os personagens já adultos cumprindo a promessa de se reunir quando a criatura despertasse novamente.

           O livro original veio a fazer parte de um “Kingverse”, um universo interligando as várias histórias do autor conforme mostrado na série literária “A Torre Negra” (The Dark Tower), cujo primeiro livro chegou recentemente às telas com Idris Elba e Matthew MacCoughney. De fato, personagens e situações de vários livros do autor são entrelaçados, mostrando uma coesão entre as histórias. O clube dos perdedores, por exemplo, é mencionado nas páginas de “O Apanhador de Sonhos” (publicado em 2011) e a mudança de forma de Pennywise em aranha e palhaço é falada em “Insônia” (publicado em 1994).

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STEPHEN KING – O AUTOR

          Stephen King chegou a usar o pseudônimo de Richard Bachman durante um curto período como forma de não super-expor seu nome em vários livros, além de poder experimentar histórias sem precisar associar seu nome, mas seu toque de Midas foi percebido e hoje, Stephen Edwin King, que em setembro desse ano completa 70 anos, tornou-se mais do que apenas autor de best-sellers. Chegou a dirigir o filme “Comboio do Terror” (Maximum Overdrive) em 1987, o que o próprio admite ter sido uma experiência desastrosa. King é um dos autores americanos mais adaptados para o cinema e para a TV. Seu nome, segundo o renomado site “imdb” tem 240 créditos como escritor, além de produtor, ator e até compositor de trilha sonora. Ainda que nem sempre as adaptações de seus livros resultem em bons filmes, as histórias criadas por King sempre tem encontrado espaço na mídia e receptividade de um público fiel.

                Cofirmando a declaração do filósofo francês Jean-Paul Sartre “todos os homens têm medo”, e King soube explorar tal máxima com seu talento imaginativo. Ícone da cultura pop, o rei na arte de destilar os temores mais sombrios que trazemos, mesmo que não estejamos conscientes, mesmo se você não acreditar na “coisa” que o faz ser estranho, criativo, aterrorizante, o deus do medo ao menos na literatura e no cinema.

ESTREIAS NOS CINEMAS – 7 DE SETEMBRO

POLICIA FEDERAL – A LEI É PARA TODOS

(Bra 2017) Dir: Marcelo Antunez. Com Marcelo Serrado, Antonio Calloni, Flavia Alessandra, Laura Proença., Ary Fountora. Ação.

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Orçado em R$12 Milhões, o filme é uma dramatização do escândalo decorrente da Operação Lava-a-Jato, envolvendo empresários e políticos do país. A própria polícia federal prestou assessoria para realização do filme que a príncipio teria o ator Rodrigo Lombardi como o juiz Sergio Moro. Quando Lombardi declinou do convite, o papel foi para Marcelo Serrado (Crô,o filme). O filme foi rodado em Brasilia, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo com base no roteiro escrito por Thomas Stravos, tendo este tomado depoimentos de diversas autoridades para reconstituir os passos da operação que levou a uma série de prisões e uma investigação sem precedentes no país.

LINO – UMA VIDA EM SETE VIDAS

(Bra 2017) Dir:Rafael Ribas. Vozes: Selton Mello, Dira Paes, Paolla Oliveira, Animação.

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Lino anima festas com uma fantasia de gato gigante que o deixa tão ridículo que sempre é zombado por todas as crianças. Tudo piora quando um feitiçeiro o transforma em um gato de verdade. A animação brasileira dá um toque próprio a uma narrativa, já usada no cinema (lembrem de “Virei um Gato” com Kevin Spacey?), retratando a realidade brasileira onde a falta de oportunidade castra talentos e promove a infelicidade. Claro que o clichê de que a força de vontade remove montanhas aparece no roteiro mas o que é digno de nota é o resultado obtido em uma area que caminha tímido em nosso cinema, o filme de animação.

 

 

IN MEMORIAN : JERRY LEWIS

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          Ontem, há poucas horas, foi divulgado a passagem de Jerry Lewis (1926 – 2017), falecido aos 91 anos por causas naturais. Acho que falo por todos quando digo que Jerry marcou toda uma geração com suas comédias, assistidas principalmente na época dourada da “Sessão da Tarde” setentista, quando Lewis era o rei da comédia. Subestimado nos Estados Unidos, Endeusado na França, idolatrado no Brasil, Lewis foi também um grande humanista, tendo ajudado na luta contra a distrofia muscular e apoiado causas humanistas que lhe deu reconhecimento e um Oscar especial, apesar de nunca ter recebido uma estatueta competitiva. Foram 74 créditos como ator, sendo 16 desses co-estrelado com Dean Martin, seu parceiro e grande amigo com quem iniciou carreira junto em diversas apresentações em night-clubs, antes de descobertos em Hollywood em 1949 em “O Amigo da Onça” (My Friend Irma). Lewis foi um showman, tendo trabalhado como ator, diretor, escritor, produtor e até mesmo compondo trilha sonoras, cantando e dançando. Inspirou muitos artistas como Sean Hayes (que o interpretou em um telefilme) , Jim Carrey, Leandro Hassum etc… Entre os títulos que protagonizou inclui “O Bagunçeiro Arrumadinho” (The Disorderly Orderly – 1964), “Artistas & Modelos” (Artists & Models – 1956), “O Professor Aloprado” (The Nutty Professor” – 1963), “O Rei do Laço” (Pardners – 1956), “A Familia Fuleira” (Family Jewells – 1963) etc… Trabalhou com Martin Scorcese, Frank Tashlin, teve participação especial ao lado de Leandro Hassum em “Ate Que a Sorte Nos Separe 2” (2013) e fez Tv também aparecendo em papel dramático em “O Homem da Mafia” (Wiseguy) de 1988. Seu trabalho mais polêmico, no entanto, foi o nunca lançado “O Dia que o Palhaço Chorou” que filmara em 1972, seu projeto mais pessoal e que por motivos nunca devidamente esclarecidos abortou mesmo depois de aprontá-lo. Parte de minhas melhores lembranças de infância foi assistindo Lewis, dublado em Português por Nelson Batista. Lewis foi um meninão, foi aloprado, foi genial, um talento único. Saudades que ficam da nossa inocência perdida.

ELVIS 40 – SAUDADES DO REI

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O PRISIONEIRO DO ROCK N’ROLL

      Lembro muito bem aquele dia 16 de agosto de 40 anos atrás, eu tinha 8 anos e já era um mini-fã que assistia filmes como “Feitiço Havaiano” e “Saudades de um Praçinha” na Sessão da Tarde. O jornal noticiava então a morte de um homem, o nascimento de um ícone que atravessaria décadas angariando uma legião de admiradores e imitadores. Aos 42 anos, Elvis havia tido uma carreira cinematográfica que contava 31 títulos, tinha feito a primeira transmissão de um show via satélite, em cores, para mais de 40 países, e viria a se tornar postumamente o artista mais vendido do mundo, superando os números alcançados em vida, que já eram astronômicos.

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ELVIS ALOHA FROM HAWAII

             Em seu tempo, Elvis chegou a ser chamado de “o branco com voz de negro”, com sua voz poderosa entoando canções que mesclavam gospel e o rhythm and blues.  Na primeira fase de sua trajetória, de 1954 a 1958 Elvis foi o rei da rebeldia juvenil ao som de “That’s all right Mama”, “Blue Suede Shoes” e “Jailhouse Rock”, ponto alto dessa fase que teve filme homônimo, entitulado no Brasil “O Prisioneiro do Rock n’Roll”, hino dessa geração que quebrava convenções e ditava um ruptura comportamental com o sistema. A segunda fase se inicia com Elvis no exército, domado por uma manobra empresarial que visava mostrar o cantor, que antes não podia ser filmado na TV da cintura para baixo, sob uma ótica de bom moço, patriótico. Elvis serviu na Alemanha, sem regalias e chegou a sargento dois anos depois, quando deu baixa, mas abandonou os palcos em prol de uma carreira em Hollywood. Durante os próximos oito anos, o rei lançou vários discos acompanhando uma média de dois a três filmes por ano. Nenhum deles, no entanto, provou-se à altura de um desafio para Elvis. Devido a constantes interferências do seu empresário, o Coronel Tom Parker, Elvis perdeu o papel de “West Side Story” e ficou restrito a papéis menores em produções românticas. Dessa fase são dignas de nota a parceria de Elvis com as dançarinas Juliet Prowse (em “Saudades de um Praçinha”) e Ann-Margret (em “Amor a Toda Velocidade”), com quem encenou excelentes números de canto e dança. No mais, sua carreira estagnou e o Rei se distanciou de seu público, somente reencontrando-o, e redescobrindo uma nova faixa de público, quando retornou em grande estilo no especial de TV “Comeback Special”, de 1968.

elvis e ann

ELVIS & ANN MARGRET

             Voltando aos palcos a partir daí, o outrora “The Pelvis” embalou seu público como intérprete de canções românticas, em sintonia com um novo momento em sua vida quando se divorciou de sua esposa Priscilla, com quem teve sua única filha, Lisa Marie. Entre 1970 e 1977 foram vários shows e discos que firmaram um novo público para o cantor. Apesar de gradativamente se debilitar fisicamente devido aos excessos com comida e remédios (Elvis era hipocondríaco), sua voz nunca o abandonou. Sua morte por ataque cardíaco selou seu destino, mas não calou sua voz, perpetuada até hoje bem como sua imagem icônica que o torna o único artista cujo nome é reconhecido no mundo todo sem precisar do sobrenome para despertar um culto em torno de uma das mais belas vozes já ouvidas, que chorava quando cantava “My Way”, de Frank Sinatra, se requebrava, encantava e amava porque viver é intenso, Now or never. Viva sua memória. Elvis Forever !!!