ESTREIAS NO CINEMA – 14 DE SETEMBRO

FEITO NA AMERICA

(American Made) EUA 2017. DIR: Doug Liman. Com Tom Cruise, Jayma Mays, Downhall Gleeson, Connor Trinneer. Drama.

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Baseado em fatos reais, o filme de Doug Liman (que dirigiu Cruise em “No Limite do Amanhã” ) retrata a vida do piloto Barry Seal, que nos anos 80, se envolveu no tráfico de armas para o Irã. Sua atividade  o colocou diretamente ligado às ações da CIA e do cartel de Mendelin na Colombia. Cruise teve que engordar vários kilos para personificar Seals e visitou os locais reais visitados por este na Colombia.

O QUE SERÁ DE NOZES 2

(The Nut Job 2 – Nutty by Nature) EUA 2017. Dir: Carl Brunker. Vozes: Will Arnett, Maya Rudolph, Katherine Heigl, Gabriel Iglesias. Animação.

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O esquilo Surley e seus amigos arquiteam um plano para evitar que o prefeito vilanesco destrua o bosque en que vivem para construir um parque de diversões. O primeiro filme de 2014 custou US$ 42 milhões lucrando três vezes mais.

AMITYVILLE – O DESPERTAR

(Amityville – The Awakening.) EUA 2004. Dir: Frank Callfoun. Com Jennifer Jason Leigh, Bella Thorne, Thomas Mann, Jennifer Morrison, Cameron Monaghan, Kurtwood Smith. Terror

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Um dos casos mais famosos de casa mal-assombrada, baseado em fato ocorrido por volta de 1974, a historia de Amityville foi publicado em 1976, escrito por Jay Anson e adaptado para o cinema várias vezes: 1979, 1982, 1987 e refilmado em 2005 com Ryan Reynolds. Este novo filme é uma história original e estava na prateleira desde 2014. Enquanto este chega finalmente a nossas telas, anuncia-se uma nova versão da história dos crimes ocorridos na casa da Ocean Avenue 112 que será produzida em breve, demonstrando que o público não se cansou ainda da história. Em “O Despertar”, um espirito maligno toma o corpo de um rapaz que sofrera um acidente. Entre os rostos conhecidos temos duas Jennifers: Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados) e jennifer Morrison (a Emma de “Once Upon a Time”).

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ESTREIAS NO CINEMA (ESPECIAL) : IT – A COISA.

IT – A COISA

(It) EUA 2017. Dir: Andres Muschietti. Com Bill Skarsgard, Finn Wolfhard, Wyatt Oleff, Steven Williams, Jaeden Lieberher, Megan Charpentier. Terror.

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               Os antigos gregos tinham a figura de Fobos como o deus do medo. Em tempos mais recentes, ninguém foi tão hábil em instigar o medo quanto Stephen Edwin King, que em setembro desse ano completa 70 anos, tendo nas últimas quatro décadas se tornado autor de inúmeros best-sellers, sendo “It – A Coisa” um dos mais assustadores e a mais recente das adaptações a chegar às telas.

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STRANGER THINGS – INSPIRAÇÃO

              O momento não poderia ser mais oportuno com o sucesso da série da Netflix “Stranger Things”  assumindo várias referências ao trabalho do autor e, inclusive, o ator mirim Finn Wolfhard integra o elenco da série da Netflix e desta segunda versão do 12° romance escrito pelo prolífico autor. A primeira versão foi feita para a Tv em 1990 no formato de mini-série estrelada por Tim Curry no papel de Pennywise, o palhaço assassino que na verdade é uma criatura maligna que aparece a cada 27 anos na cidade de Derry, no Maine, estado natal de King e palco de suas histórias. Na época, dividido em duas partes, o filme ficou entre os programas mais assistidos da Tv americana, com a primeira parte em #5° lugar e a segunda parte em #2°lugar. No Brasil, o filme foi um dos mais alugados no auge das locadoras de vídeo.

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IT – 1990: TIM CURRY, O PENNYWISE ORIGINAL.

             Na história original, sete crianças são afetadas pelos assassinatos brutais cometidos por Pennywise, que pode mudar sua forma e se alimenta do medo que instiga antes de matar. Reunidos para caçar e eliminar a criatura, o Clube dos Perdedores, como as crianças se chamam, promete se reencontrar décadas depois, todos já adultos, para enfrentarem Pennywise, que voltou a matar crianças. A aventura se divide em dois tempos, no passado quando os membros do clube (Ben,Stanley, Beverly, Mike, Eddie, Ritchie e Bill) têm seu primeiro contato com a criatura em 1958, e na década de 80 quando estão adultos, na casa dos 40 anos, e a trágica morte de um deles anuncia a volta de Pennywise. Cada um dos membros do clube permite que o autor trabalhe características que são fáceis de se identificar como o menino hipocondríaco (Eddie), o garoto boca suja (Ritchie), o garoto inseguro (Stanley), o gordinho gentil (Bem), cada um espelho de nossa própria infância. A interação entre estes e a passagem para a vida adulta é tão importante para a narrativa quanto o embate com o maligno Pennywise. Assim, o livro de King, embora cheio de sequências ricas em sustos e pavor , também encontra espaço para mostrar a importância da amizade dos membros do clube dos perdedores, da mesma forma que King faria com as crianças de seu conto “O Corpo” (Incluído na coletânea “Different Seasons” de 1982) , e que seria adaptado no filme “Conta Comigo” (Stand By Me). A dinâmica da narrativa é o paralelo traçado entre a infância e a vida adulta, vida e morte.

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OS BASTIDORES DA VERSÃO DE 1990

            Na primeira adaptação, o elenco adulto de “It” (que recebeu o sub-título “Uma Obra Prima do Medo”) havia sido indicado a prêmios como o já falecido John Ritter (O Pestinha) vencedor de um Golden Globe, a atriz já indicada ao Oscar Annette O’Toole (Os Grandes Músicos), Richard Thomas (indicado duas vezes ao Oscar pelo clássico seriado “Os Waltons”), além do já citado Tim Curry (Rocky Horror Picture Show, A Caçada ao Outubro Vermelho), que segundo consta teria ficado com o papel inicialmente pensado para o rock star Alice Cooper, segundo o imdb.  O final do livro também foi modificado no filme, retirando a presença de um personagem que seria o inimigo natural de Pennywise, sendo esse uma força elemental do mal.

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QUER FLUTUAR COMIGO ? O NOVO PENNYWISE.

           Na nova versão, a ação se passa em 1989, exatos 27 anos depois da primeira versão. O papel do palhaço Pennywise chegou a ser pensado para Richard Armitage (O Hobbit), Tilda Swinton (Dr. Estranho), Hugo Weaving (Capitão America o Primeiro Vingador), Tom Hiddleston (Thor) e Jim Carrey (O Máscara) , mas ficou com o ator Bill Skarsgard, que a pedido do diretor manteve-se afastado do elenco jovem como forma de imprimir desconforto genuíno no elenco. O ator (filho do ator Stellan Skarsgard) sentiu a pressão de substituir a elogiada performance de Tim Curry no papel do personagem-título. O projeto desta readaptação começou na Warner Bros por volta de 2009, pensado a princípio como um filme único condensando as quase 1000 páginas do livro de King. A demora levou à contratação de Cary Fukunaga para escrever o roteiro e, para assumir a direção com o ator Will Poulter (Maze Runner) no papel do palhaço assassino.  Algum tempo depois a Warner transferiu o filme para sua subsidiária, a New Line, mantendo Fukunaga como co-roteirista, mas contratando Andres Muschietti para a cadeira de diretor. Nesse momento foi anunciado  a divisão do extenso livro em uma duologia com o primeiro filme centrado nas crianças, como se fosse “Os Goonies” em uma temática sobrenatural,  e o segundo filme com os personagens já adultos cumprindo a promessa de se reunir quando a criatura despertasse novamente.

           O livro original veio a fazer parte de um “Kingverse”, um universo interligando as várias histórias do autor conforme mostrado na série literária “A Torre Negra” (The Dark Tower), cujo primeiro livro chegou recentemente às telas com Idris Elba e Matthew MacCoughney. De fato, personagens e situações de vários livros do autor são entrelaçados, mostrando uma coesão entre as histórias. O clube dos perdedores, por exemplo, é mencionado nas páginas de “O Apanhador de Sonhos” (publicado em 2011) e a mudança de forma de Pennywise em aranha e palhaço é falada em “Insônia” (publicado em 1994).

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STEPHEN KING – O AUTOR

          Stephen King chegou a usar o pseudônimo de Richard Bachman durante um curto período como forma de não super-expor seu nome em vários livros, além de poder experimentar histórias sem precisar associar seu nome, mas seu toque de Midas foi percebido e hoje, Stephen Edwin King, que em setembro desse ano completa 70 anos, tornou-se mais do que apenas autor de best-sellers. Chegou a dirigir o filme “Comboio do Terror” (Maximum Overdrive) em 1987, o que o próprio admite ter sido uma experiência desastrosa. King é um dos autores americanos mais adaptados para o cinema e para a TV. Seu nome, segundo o renomado site “imdb” tem 240 créditos como escritor, além de produtor, ator e até compositor de trilha sonora. Ainda que nem sempre as adaptações de seus livros resultem em bons filmes, as histórias criadas por King sempre tem encontrado espaço na mídia e receptividade de um público fiel.

                Cofirmando a declaração do filósofo francês Jean-Paul Sartre “todos os homens têm medo”, e King soube explorar tal máxima com seu talento imaginativo. Ícone da cultura pop, o rei na arte de destilar os temores mais sombrios que trazemos, mesmo que não estejamos conscientes, mesmo se você não acreditar na “coisa” que o faz ser estranho, criativo, aterrorizante, o deus do medo ao menos na literatura e no cinema.

ESTREIAS NOS CINEMAS – 7 DE SETEMBRO

POLICIA FEDERAL – A LEI É PARA TODOS

(Bra 2017) Dir: Marcelo Antunez. Com Marcelo Serrado, Antonio Calloni, Flavia Alessandra, Laura Proença., Ary Fountora. Ação.

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Orçado em R$12 Milhões, o filme é uma dramatização do escândalo decorrente da Operação Lava-a-Jato, envolvendo empresários e políticos do país. A própria polícia federal prestou assessoria para realização do filme que a príncipio teria o ator Rodrigo Lombardi como o juiz Sergio Moro. Quando Lombardi declinou do convite, o papel foi para Marcelo Serrado (Crô,o filme). O filme foi rodado em Brasilia, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo com base no roteiro escrito por Thomas Stravos, tendo este tomado depoimentos de diversas autoridades para reconstituir os passos da operação que levou a uma série de prisões e uma investigação sem precedentes no país.

LINO – UMA VIDA EM SETE VIDAS

(Bra 2017) Dir:Rafael Ribas. Vozes: Selton Mello, Dira Paes, Paolla Oliveira, Animação.

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Lino anima festas com uma fantasia de gato gigante que o deixa tão ridículo que sempre é zombado por todas as crianças. Tudo piora quando um feitiçeiro o transforma em um gato de verdade. A animação brasileira dá um toque próprio a uma narrativa, já usada no cinema (lembrem de “Virei um Gato” com Kevin Spacey?), retratando a realidade brasileira onde a falta de oportunidade castra talentos e promove a infelicidade. Claro que o clichê de que a força de vontade remove montanhas aparece no roteiro mas o que é digno de nota é o resultado obtido em uma area que caminha tímido em nosso cinema, o filme de animação.

 

 

IN MEMORIAN : JERRY LEWIS

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          Ontem, há poucas horas, foi divulgado a passagem de Jerry Lewis (1926 – 2017), falecido aos 91 anos por causas naturais. Acho que falo por todos quando digo que Jerry marcou toda uma geração com suas comédias, assistidas principalmente na época dourada da “Sessão da Tarde” setentista, quando Lewis era o rei da comédia. Subestimado nos Estados Unidos, Endeusado na França, idolatrado no Brasil, Lewis foi também um grande humanista, tendo ajudado na luta contra a distrofia muscular e apoiado causas humanistas que lhe deu reconhecimento e um Oscar especial, apesar de nunca ter recebido uma estatueta competitiva. Foram 74 créditos como ator, sendo 16 desses co-estrelado com Dean Martin, seu parceiro e grande amigo com quem iniciou carreira junto em diversas apresentações em night-clubs, antes de descobertos em Hollywood em 1949 em “O Amigo da Onça” (My Friend Irma). Lewis foi um showman, tendo trabalhado como ator, diretor, escritor, produtor e até mesmo compondo trilha sonoras, cantando e dançando. Inspirou muitos artistas como Sean Hayes (que o interpretou em um telefilme) , Jim Carrey, Leandro Hassum etc… Entre os títulos que protagonizou inclui “O Bagunçeiro Arrumadinho” (The Disorderly Orderly – 1964), “Artistas & Modelos” (Artists & Models – 1956), “O Professor Aloprado” (The Nutty Professor” – 1963), “O Rei do Laço” (Pardners – 1956), “A Familia Fuleira” (Family Jewells – 1963) etc… Trabalhou com Martin Scorcese, Frank Tashlin, teve participação especial ao lado de Leandro Hassum em “Ate Que a Sorte Nos Separe 2” (2013) e fez Tv também aparecendo em papel dramático em “O Homem da Mafia” (Wiseguy) de 1988. Seu trabalho mais polêmico, no entanto, foi o nunca lançado “O Dia que o Palhaço Chorou” que filmara em 1972, seu projeto mais pessoal e que por motivos nunca devidamente esclarecidos abortou mesmo depois de aprontá-lo. Parte de minhas melhores lembranças de infância foi assistindo Lewis, dublado em Português por Nelson Batista. Lewis foi um meninão, foi aloprado, foi genial, um talento único. Saudades que ficam da nossa inocência perdida.

ELVIS 40 – SAUDADES DO REI

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O PRISIONEIRO DO ROCK N’ROLL

      Lembro muito bem aquele dia 16 de agosto de 40 anos atrás, eu tinha 8 anos e já era um mini-fã que assistia filmes como “Feitiço Havaiano” e “Saudades de um Praçinha” na Sessão da Tarde. O jornal noticiava então a morte de um homem, o nascimento de um ícone que atravessaria décadas angariando uma legião de admiradores e imitadores. Aos 42 anos, Elvis havia tido uma carreira cinematográfica que contava 31 títulos, tinha feito a primeira transmissão de um show via satélite, em cores, para mais de 40 países, e viria a se tornar postumamente o artista mais vendido do mundo, superando os números alcançados em vida, que já eram astronômicos.

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ELVIS ALOHA FROM HAWAII

             Em seu tempo, Elvis chegou a ser chamado de “o branco com voz de negro”, com sua voz poderosa entoando canções que mesclavam gospel e o rhythm and blues.  Na primeira fase de sua trajetória, de 1954 a 1958 Elvis foi o rei da rebeldia juvenil ao som de “That’s all right Mama”, “Blue Suede Shoes” e “Jailhouse Rock”, ponto alto dessa fase que teve filme homônimo, entitulado no Brasil “O Prisioneiro do Rock n’Roll”, hino dessa geração que quebrava convenções e ditava um ruptura comportamental com o sistema. A segunda fase se inicia com Elvis no exército, domado por uma manobra empresarial que visava mostrar o cantor, que antes não podia ser filmado na TV da cintura para baixo, sob uma ótica de bom moço, patriótico. Elvis serviu na Alemanha, sem regalias e chegou a sargento dois anos depois, quando deu baixa, mas abandonou os palcos em prol de uma carreira em Hollywood. Durante os próximos oito anos, o rei lançou vários discos acompanhando uma média de dois a três filmes por ano. Nenhum deles, no entanto, provou-se à altura de um desafio para Elvis. Devido a constantes interferências do seu empresário, o Coronel Tom Parker, Elvis perdeu o papel de “West Side Story” e ficou restrito a papéis menores em produções românticas. Dessa fase são dignas de nota a parceria de Elvis com as dançarinas Juliet Prowse (em “Saudades de um Praçinha”) e Ann-Margret (em “Amor a Toda Velocidade”), com quem encenou excelentes números de canto e dança. No mais, sua carreira estagnou e o Rei se distanciou de seu público, somente reencontrando-o, e redescobrindo uma nova faixa de público, quando retornou em grande estilo no especial de TV “Comeback Special”, de 1968.

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ELVIS & ANN MARGRET

             Voltando aos palcos a partir daí, o outrora “The Pelvis” embalou seu público como intérprete de canções românticas, em sintonia com um novo momento em sua vida quando se divorciou de sua esposa Priscilla, com quem teve sua única filha, Lisa Marie. Entre 1970 e 1977 foram vários shows e discos que firmaram um novo público para o cantor. Apesar de gradativamente se debilitar fisicamente devido aos excessos com comida e remédios (Elvis era hipocondríaco), sua voz nunca o abandonou. Sua morte por ataque cardíaco selou seu destino, mas não calou sua voz, perpetuada até hoje bem como sua imagem icônica que o torna o único artista cujo nome é reconhecido no mundo todo sem precisar do sobrenome para despertar um culto em torno de uma das mais belas vozes já ouvidas, que chorava quando cantava “My Way”, de Frank Sinatra, se requebrava, encantava e amava porque viver é intenso, Now or never. Viva sua memória. Elvis Forever !!!

FOCO: VALERIAN – HERÓI DESCONHECIDO

       Os quadrinhos não são apenas povoados por super heróis. O universo imaginário da arte sequencial vai muito além do nicho DC X Marvel. Os europeus nos legaram Asterix, Lucke Luky, Tenente Blueberry, Tin Tin e outros personagens de grande apelo, estando entre eles Valerian um herói desconhecido do grande público aqui no Brasil, mas de muitos atrativos e valor para o meio.

VALERIAN

            O personagem título é um agente espaço-temporal saído da mente do escritor Pierre Christin e do desenhista Jean-Claude Mézières, dois franceses amigos que por volta dos 29 anos  uniram seus respectivos talentos  e interesses para criar uma epopéia futuristica, em uma ´peoca que a França não se interessava tanto pelo gênero, embebida de influências da literatura de Jules Verne, Issac Azimov e Philip K.Dick, autores admirados por Christin e Méziéres. A primeira aparição do herói se deu em novembro de 1967, na revista Pilote #420, um exemplar da banda desenhada (bande dessinée” – como também são conhecidas as hqs no velho continente) que trazia uma coletânea de personagens como Asterix, o Pequeno Nicolau entre outros. Valerian teve seu primeiro arco entitulado “Les Mauvais Réves” (Bad Dreams) publicado em forma de série entre novembro de 1967 e fevereiro de 1968, se destacando e ganhando a partir de 1970 seu próprio album (de acordo com a tradição européia de tratar os quadrinhos como uma forma de literatura desenhada, conforme descrito por Hugo Pratt). No Brasil, o personagem só chegaria uma década depois, quando este passou a ser publicado no “Globinho”, o suplemento dominical do jormal “O Globo”, durante os primeiros anos da década de 80. Ao todo foram 22 albuns, além de sete histórias curtas que saíam quinzenalmente entre 1969 e 1970 na revista “Super Pocket Pilote”, reunidas em volume único em 1997 no volume“Les Chemins De Espace” (Across the Pathways of Space).

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              A principio os autores  tinham intençao mde criar um personagem do velho oeste americano, que admiravam muito tendo ambos mrado um tempo nos Estados Unidos, frequentando lugares como Texas, Utah e Nova York. Quando perceberam que já haviam muitos personagens to dipo, deciidiram levar os espaços abertos das pradarisa americanas para o espaço, trocando a figura do cowboy por um agente enviado para garantir a integriudade do espaço e tempo. Valerian é portanto o herdeiro da tradição dos aventureiros espaciais clássicos do inicio do ´seculo XX como “Buck Rogers” (de Philip Nowlan & Dick Calkins), “Brick Bradford” (de William Ritt & Clarence Grey) e – claro – “Flash Gordon” (talvez o mais conhecido destes, criador por Alex Raymond). Embora George Lucas nunca tenha admitido, vários elementos de Star Wars são obvias  influencias das belíssimas páginas criadas por Christin & Meziézes, como o design das naves e cidades, a figura do vilão vestido de preto para ocultar seu rosto desfigurado, até mesmo o famoso biquini usado pela Princesa Léia em “O Retorno de Jedi”. A nave XB982 que aparece Em “L’Empire des milles planètes” (O Império dos Mil Planetas), segundo album de Christien & Meziezes de 1969,   Valerian é congelado em uma espécie de plástico líquido tal qual Han Solo em “O Império Contra Ataca” (1980).

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            A arte de Meziezes cria painés lindissimos de grande apelo visual, colorizados por Evelyn Tranlé, irmã de Mezezies. , enriquecidos pelo texto onipresnte de Chistien. Ambos fazem do mundo do século 28 uma utopia sedutora e rica eme elementos filosoficos e questinadores, muito à frende de seu tempo como questões de relevância ambientalista discutidas quando Valeiran visita outros mundos e o próprio empodeiramento feminino discutido à luz da atualidade já que Laureline, a parceira de Valerian é de extrema importância para o desenvolvimento das histórias. Enquanto Valerian veste o arquétipo do heroi leal e corajoso, Lareline é uma personagem auto confiante e independente, cuja beleza e sensualidade são apenas adereços à sua personalidade atuante, não apenas um objeto de desejo, mas a outra metade de uma parceira de iguais. A principio a personagem, que fora resgatada do século 11, seria usada apenas no primeiro arco de histórias, mas sua popularidasde grantiu sua continuidade na serie, a   tal ponto que a partir de 2007 a Daugard ( a editora que por mais de 40 anos publica o material) junto dos autores rebatizou a série “Valerin et Laudeline”, reimprimindo oa albuns anteriores com o novo título.

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             Nesta mesma época, celebrando 40 anos de sua criação, Valerian ganhou uma série animada, uma produção franco-japonesa no melhor estilo dos animes, exibida com relativo sucesso no canal +Family e que contou com 46 episodios de 26 minutos cada. O cineasta frances Luc Besson sempre foi admirador da hq e contratou Mezerzes como designer do filme “ O Quinto Elemento” (1998). Há muito ele alimentava o plano de adaptar o material recorrendo a dois albuns como fonte para seu roteiro, “L’Empire des mille planètes” (O Imperio do Mil Planetas) e L’Ambassadeur des Ombres “( O Embaixador das Sombras) de 1975. Com o lançamento do filme, a série finalmente ganha espaço para ser vtrazida ao publico brasileiro  pela Sesi-SP Editora que anuncia a publicação de um total de seis volumes.

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              Hoje , respectivamente com 79 e 78 anos, Chriustian e Meziezes pararam de eproduzir a série mas permindo que outros autores criassem novas historias, desde que não fossem continuações, mas releituras dos arcos pasados. , jpa tendo dois volumes assim proiduzidos, um em 2011 e outro em 2017. Vivendo um momento em que vários filmes buscam fonte de material nas hqs, vale a pena ter um espaço reservado para conhecer o trabalho desses fenomenais autores cuja influência não está sendo devidamente notada, mas que justiça seja feita pois sua contribuição para os quadrinhos é de grande valia justificando que esta seja considarada a nona arte, não pelo apelo comerical da industria, mas pela força artristica de quem soube expandir o conceito de espaço e tempo.

PLANETA DOS MACACOS – A SAGA

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     “Os maníacos ! Vocês finalmente explodiram tudo ! Malditos sejam !” Com essas palavras, em pungente ira, Charlton Heston protagonizou um dos desfechos de maior impacto no cinema, imaginado por Rod Serling e Michael Wilson na adaptação do livro de Pierre Boulle “O Planeta dos Macacos” (Le Planète dês Singes), publicado em 1963. O autor francês inverteu as leis darwinistas criando uma parábola crítica sobre as ações do homem como raça dominante. O produtor norte-americano Arthur P.Jacobs (1922/1973) vinha do insucesso comercial de “Dr.Doolittle” (1967) quando Serling deu o tratamento inicial para o roteiro e se interessou pelo projeto, que chegou a atrair a atenção de Blake Edwards (A Pantera cor de rosa). Como este roteiro, seguindo o original de Boulle, mostrava uma sociedade símia avançada com edifícios e automóveis, o que aumentava o orçamento. Foi aí que Michael Wilson, roteirista que havia trabalhado na adaptação de “A Ponte do Rio Kwai” (outro livro do mesmo autor), decidiu retratar o mundo dos macacos de forma mais primitiva, sem tecnologia moderna, reduzindo assim os custos substancialmente. Ainda assim vários estúdios recusaram o filme até que Jacobs conseguisse um acordo com Richard Zanuck, da Twentieth Century Fox. Isso foi possível depois que o nome de Charlton Heston (Ben Hur) fosse atrelado ao projeto, que ainda previa Edward G.Robinson como Dr.Zaius, mas o estado de saúde deste era delicado, e o papel foi para Maurice Evans. As extensas 4 horas de maquiagem foram um processo revolucionário criado por John Chambers, tendo sido premiada com o primeiro Oscar do gênero, antes que a Academia tivesse criado a categoria do gênero. O triunfo desta a levou ao livro Guiness de Recordes, e tornou-se um marco empregando a técnica de Chambers que aplicava um material emborrachado camada por camada para simular testa, cabelo, nariz e queixo progressivamente no rosto e, depois braços e mãos dos atores. O sucesso do filme fez renascer a ideia de sequências gerando mais 4 filmes, além de seriado de TV live action, animação, quadrinhos, invadindo todas as mídias. Depois de uma refilmagem desastrosa em 2001 por Tim Burton, a história foi reimaginada para o público. A saga símia originalmente iniciada em 1968 era mergulhada na guerra fria e na paranoia de uma hecatombe nuclear, enquanto que a segunda iniciada em 2011 usa a engenharia genética como o gatilho que levaria os símios à supremacia no planeta.

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Linha narrativa original:

1) O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes), 1968Dir: Franklin J.Schaffner. Com Charlton Heston, Roddy McDowell, Kim Hunter, Maurice Evans, Linda Harrison. Rodado em pleno verão norte americano, o filme já começa com tom crítico quando o astronauta George Taylor, monólogo de Charlton Heston, observa a fragilidade da natureza humana diante do infinito, questionando o porquê do homem ainda promover a guerra entre seus próprios irmãos. Sua queda a bordo da nave Ícaro simboliza a queda do homem tal qual o personagem da mitologia grega. O diretor Franklin J. Schaffner  entrou no projeto indicado por Charlton Heston, e conduz o filme brilhantemente ludibriando o público acerca do ponto em que homens e macacos divergiram na escala evolucionária. Roddy McDowell e Kim Hunter visitaram o zoológico para estudar o comportamento dos chimpazés, sendo que o papel da Dra Zira foi inicialmente pensado para Ingrid Bergman, que recusou o papel e mais tarde teria se arrependido.

2)De Volta ao Planeta dos Macacos(Beneath the Planet of the Apes) 1970 Dir: Ted Post. Com James Franciscus, Linda Harrison, Kim Hunter, Maurice Evans, David Watson, Natalie Trundy, James Gregory. Pierre Boulld não considerava “Planeta dos Macacos” seu melhor trabalho, mas escreveu um roteiro para uma possível sequência entitulada “Planet of the Men” continuando a história 14 anos depois com Taylor liderando a raça humana a recuperar seu domínio. O roteiro de Paul Dehn a principio previa que Taylor (Heston), Brent (Franciscus) e  Nova (Harrison) conseguiriam estabelecer uma co-existência pacífica entre homens e macacos. O astro Charlton Heston estava relutante em voltar ao papel de Taylor, e sugeriu o desfecho utilizado (sem spoilers para os que nunca viram o filme). Roddy McDowell não trabalhou nesse segundo filme, pois estava rodando “The Ballad of Tam Lin” na Escócia, e foi substituído por David Watson no papel de Cornelius. O filme repete a perseguição aos humanos fugitivos acrescentando humanos mutantes que adoram a uma bomba de nêutrons.

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3)Fuga do Planeta dos Macacos. (Escape from the Planet of the Apes)1971. Dir: Don Taylor. Com Roddy McDowell, Kim Hunter, Bradford Dillman, Natalie Trundy, Sal Mineo, Ricardo Montalban. O terceiro filme é bem superior que o segundo invertendo a premissa original: Cornelius e Zira voltam à São Francisco do passado e com isso acabam dando início aos eventos que levariam no futuro ao declínio da raça humana. Foi o último filme de cinema do ator Sal Mineo. A atriz Natalie Trundy aparece interpretando a veterinária que ajuda Cornelius e Zira. A atriz veio a se casar com o produtor Arthur P.Jacobs.

4)A Conquista do Planeta dos Macacos.(Conquest of the Planet of the Apes)1972   Dir: J.Lee Thompson. Com Roddy McDowell, Natalie Trundy, Ricardo Montalban. Curiosa reentrada na saga símia focado na figura de Cesar, o filho de Cornelius & Zira, interpretado pelo mesmo Roddy McDowell. Foi esse filme que serviu de ponto de partida para o reboot de 2011. Extremamente violento e pessimista, chegando por isso a ter a sequência inicial do script não filmada por mostrar um macaco sendo violentamente morto. A atriz Natalie Trundy assume o papel da chimpazé Lisa, seu terceiro papel na saga. Curioso é o fato de que o filme tornou-se um sucesso em pleno ciclo da blackexploitation quando a comunidade afro descendente se identificou com a luta de Cesar para libertar sua raça.

5) A Batalha do Planeta dos Macacos (Battle for the Planet of the Apes) 1973  Dir: J.Lee Thompson. Com Roddy McDowell, Natalie Trundy, Claude Akins, John Houston. McDowell e Trundy retornam aos papeis de Cesar e Lisa uma década após os eventos do filme anterior quando uma guerra nuclear destruiu a civilização humana. O tom mais leve do filme é sentido a medida que Cesar busca a verdade de sua origem. O produtor Arthur P.Jacobs morreu dias depois do lançamento desse filme, que ainda traz o diretor John Houston na figura do Legislador. Com a morte de Jacobs, a atriz Natalie Trundy, herdeira deste, vendeu os direitos da saga para a Twentieth Century Fox. Esta viria a produzir um seriado de TV em 1974 com Roddy McDowell novamente por trás da maquiagem de macaco, mas como um personagem diferente. O seriado foi muito popular no Brasil mas teve vida curta, com apenas 14 episodios. Ainda haveria na década de 70 um seriado em animação produzido pelo estúdio De-Patie Frelang (o mesmo do desenho da Pantera Cor de Rosa) e com o traço de Doug Wildey, o criador do clássico Jonny Quest. A excelente dublagem dessa animação teve as belas vozes de Andre Filho e Juraciara Diacovo, que fizeram juntos o seriado do “Casal 20”.

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O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes) 2001.  A refilmagem de Tim Burton foi um equívoco na tentativa de recriar o filme de 1968, mesmo tentando se aproximar mais do final do livro de Pierre Boulle. Apesar do bom elenco reunido e da maquiagem, o filme falha em imprimir o impacto da narrativa e seu subtexto metafórico.

Planeta dos Macacos : A Origem (Rise of the Planet of the Apes) 2011 Dir: Rupert Wright. Com Andy Serkis, James Franco, John Lightgow. Promissor reinicio da franquia com referências ao lançamento da nave Icaro ao espaço. Um primor técnico da era digital, o macaco Cesar torna-se o centro da narrativa e o talento de Andy Serkis, o ator que dera vida ao Smegal de “O Senhor dos Aneis”.

Planeta dos Macacos : O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes) 2014 . Dir: Matt Reeves. Com Andy Serkis, Gary Oldman. O filme se aprofunda na história de Cesar e sua luta para libertar seus semelhantes, mas acreditando em uma co-existência pacífica com os humanos sobreviventes do extermínio causado por um vírus na atmosfera. É melhor que o filme anterior graças ao equilibrio alcançado por Matt Reeves na condução de ação e drama.

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      No Brasil, a saga dos macacos sempre foi bastante popular incluindo a publicação de quadrinhos publicado pela editora Bloch na década de 70. A TV teve a popularização da figura de Socrates, o macaco crítico criado pelo humorista Orival Pessini e até mesmo uma paródia “O Trapalhão no Planalto dos Macacos” de 1976 que reunia pela primeira vez Mussum ao grupo de Renato Aragão e Dede Santana. O novo filme “Planeta dos Macacos –  A Guerra” encerra uma trilogia, mas certamente não é o capítulo final da saga. Esta se deixou uma mensagem após todo esse tempo é a de nos fazer refletir nossa postura, nossas ações no mundo com nossos semelhantes e com as demais espécies. O planeta é de todos.

CHRISTOPHER NOLAN – CINEMA BLOCKBUSTER COM ARTE

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               Recentemente o novo CEO da Warner anunciou que manteria controle rigoroso sobres os filmes da casa;  preservando, no entanto, a liberdade criativa de dois diretores: Clint Eastwood e Christopher Nolan. Este inglês, prestes a completar 47 anos (em 30 de julho), tornou-se hábil em aliar o cinema de entretenimento a um respeitável trabalho autoral. Por isso seu nome recebe um destaque que poucos conseguem na indústria, tendo 14 créditos como diretor segundo o imdb, várias indicações, como diretor e roteirista, aos principais prêmios do meio como o Golden Globe, o BAFTA e o Oscar, além de ter recebido honrarias do AFI Awards, American Cinema Editors e American Society Cinematographers entre outros.

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AMNÉSIA

                Depois de alguns curtas, Nolan teve seu debut como diretor de longas em 1999 com “Following”, de baixo orçamento, filmado em preto e branco, em câmeras de 16mm.  A história é de um escritor desempregado que segue pessoas desconhecidas em busca de inspiração para suas histórias. Esta já apresenta a estrutura não-linear que caracterizaria seus filmes seguintes. Nolan se mostra um hábil e versátil contador de histórias transitando entre os gêneros. Se “Following” flerta com a estética dos filmes noir, seus filmes seguintes passariam pelo suspense hithcockiano, o filme de super herói, a ficção cientifica e , em seu mais recente trabalho, “Dunkirk”, o filme de guerra.

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                Nolan explora personagens que passam por sérios abalos emocionais como o detetive Dormer (Al Pacino) em “Insônia” (2003) ou o milionário Bruce Wayne de sua trilogia Batman iniciada em 2005 com “Batman Begins”, em uma época em que a franquia do homem morcego vinha desacreditada desde o desastroso filme de Joel Schumacher. Na época, o diretor nutria um projeto de levar às telas a vida de  Howard Hugues que seria protagonizado por Jim Carrey. Como na época Martin Scorcese filmou “O Aviador”, Nolan desistiu do projeto, depois recusou dirigir “Tróia” e roteirizou a adaptação do romance “The Keys to the Street” de Ruth Rendell, mas o projeto não chegou a ver a luz do dia, pois Nolan receava ser este semelhante demais aos filmes anteriores.

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INSÔNIA

             Buscando diversificar seus trabalhos, Nolan trouxe uma abordagem realista ao herói criado por Bob Kane. “Batman Begins” conseguiu agradar a crítica e o público trazendo Christian Bale no papel do herói mascarado que vigia uma cidade corrupta tomada pelo caos e pela criminalidade. Nolan é até hoje um dos dois únicos a dirigir uma trilogia com o mesmo super herói (Sam Raimi é o outro com o Homem Aranha). Em “Batman o Cavaleiro das Trevas” (Batman The Dark Knight) de 2008, o diretor equilibrou harmoniosamente os vários personagens da trama desenvolvendo seus dilemas e histórias pessoais, entregando uma impressionante caracterização de Heath Ledger como o Coringa, uma atuação lembrada não só pela trágica morte do ator como pelo Oscar póstumo concedido no ano seguinte. Nolan fez do roteiro, co-escrito com seu irmão Jonathan, um filme de narrativa envolvente mergulhado na estética dos filmes policiais e que veio a ser o primeiro filme do gênero a alcançar a marca de um bilhão de dólares de bilheteria. A ambiguidade dos personagens centrais da trama mostra a habilidade  do diretor em legitimar as ações destes através da abordagem psicológica.

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BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS

                   O mesmo pode ser dito do homem em busca do assassino de sua esposa (Guy Pearce) em “Amnesia” de 2000, que guia o espectador por indas e vindas no tempo construindo um envolvente quebra-cabeças. Christopher sabe como trabalhar  motivações em seus personagens, traça um perfil da obsessão capaz de inflamar vinganças como a dos mágicos Angier (Hugh Jackman) e Dorman (Christian Bale) em “O Grande Truque” (The Prestige) de 2006, ludibriando o público tal qual Hithcock  faria. Na presente década, ele encerrou sua história com Batman em “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012), enveredou pelo mundo dos sonhos no aclamado “A Origem” (Inception), e ousou  em uma ficção cientifica baseada na teoria do físico norte-americano Kip Thorne em “Interestellar” (2014). Este surpreendeu por conseguir lucro em uma audaciosa proposta dependente da inteligência do grande público em absorver uma história que questiona o futuro da raça humana, trata de viagens espaço-temporais e buracos de minhoca. Definitivamente, o diretor conquistou o respeito da comunidade artística e do grande público por fazer um cinema que consegue ser comercial, mas inteligente, ao alcance de todos, frequentemente se cercando de atores como Michael Caine, Anne Hathaway, Christian Bale e Cillian Murphy.

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O GRANDE TRUQUE

              Depois de levar sua técnica e narrativa singular para revistar uma das batalhas da segunda guerra em “Dunkirk”, espera-se qual será seu próximo projeto. Há poucos dias Nolan anunciou a vontade de fazer um filme de 007, inflamando a mídia com especulações de como seria um James Bond mergulhado na estética de um diretor que sabe entender a natureza humana e explorar as contradições que movem e justificam ações, mas sobretudo um profissional que assegurou seu lugar na história recente do cinema hollywoodiano.

TRAILLER: BLADE RUNNER 2049

A previsão de estreia é 5 de outubro desse ano. Dennis Villeneuve (A Chegada) dirige e Ridley Scott produz a aguardada sequência do cult “Blade Runner” trazendo Harrison Ford novamente no papel de Rick Deckard. Os eventos se desenrolam 30 anos depois do filme original. A sinopse oficial diz : “30 anos após os eventos do primeiro filme, um novo blade runner, policial de Los Angeles K (Ryan Gosling) desenterra um segredo há muito enterrado que tem o potencial de levar o que resta da sociedade para o caos. A descoberta de K o leva a uma busca por Rick Deckard (Harrison Ford), um ex-policial que está desaparecido há 30 anos”.

IN MEMORIAN: MARTIN LANDAU

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             Quando eu era criança, conheci o ator Martin Landau no papel do Comandante Koenig no seriado “Espaço 1999” (Space 1999) que ele protagonizou entre 1975 e 1977. Foi depois que eu vim a assistir a fase inicial de “Missão Impossivel” (1966/1969) em que interpretou Rollis Hand, o mestre nos disfarçes. Landau já vinha de uma prolífica carreira na TV e no cinema que incluia clássicos como “INtriga Internacional” (1959) e “Cleopatra” (1963). O reconhecimento de seu talento pela Academia só veio em 1994, aos 66 anos quando personificou Bela Lugosi em “Ed Wood“. Embora tivesse reduzido sua atividade nos últimos anos, seu talento atravessou gerações como em “Arquivo X – O Filme” (1999), “CRimes & Pecados” (1989) de Woody Allen entre outros. Que sua passagem seja de luz !

IN MEMORIAN: GEORGE ROMERO

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     “Walking Dead”, “Resident Evil” e outros do gênero popularizaram em tempos recentes a imagem do zumbi, mas muito antes dos efeitos digitais, uma geração inteira tremeu diante dos mortos vivos graças ao trabalho de George Romero, um mestre no gênero que faleceu nesse domingo conforme notícia divulgada pelo “Los Angeles Times”. Romero inventou o gênero no assustador “A Noite dos Mortos Vivos” (Night of the Living Dead) de 1968, insuperável !! Refilmado em 1991, não tem o mesmo efeito que a fotografia preto e branco do original que ganhou sequências do próprio Romero nas décadas seguintes: “O Despertar dos Mortos” (1978), “O Dia dos Mortos” (1983), “Terra dos Mortos” (2005), “Diário dos Mortos” (2007) e “Ilha dos Mortos” (2009), todos escritos e dirigidos por ele. Nascido em fevereiro de 1940, George Andrew Romero nunca esteve no primeiro time de Hollywood, nunca ganhou um Oscar, mas deixou sua marca no gênero e nos deixou agora aos 77 anos depois de uma batalha contra o câncer de pulmão. Que descanse em paz !!!

AÍ VEM O AMIGO DA VIZINHANÇA: O HOMEM ARANHA DE VOLTA AO LAR

            A lembrança mais antiga que tenho de minha infância é meu pai me levando a um posto de vacinação, enquanto eu chorava muito de medo. A coragem surgiu, e o choro parou, quando meu pai me comprou  “Homem Aranha #20” da editora Bloch. Na capa o herói estava algemado a J.Jonah Jameson em uma sala inundada.  Se o herói podia romper as algemas e sobreviver, eu poderia enfrentar qualquer coisa. Naquele momento me tornei Peter Parker.

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AQUI DESCOBRI QUEM EU ERA

           O personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko, em agosto de 1962, na revista “Amazing Fantasy #15” toca cada um de uma forma. Mas a sua volta ao lar anunciada no novo filme apresenta algumas diferenças em relação às primeiras histórias do cabeça de teia. O Homem Aranha não foi pupilo de Tony Stark, e o primeiro encontro de ambos só se deu no título “Marvel Team Up #9” (1973), publicado pela primeira vez no Brasil em março de 1980 na revista “Super Herois Marvel #9”. A história “Tomorrow War” foi escrita por Gerry Conway e desenhada por Ross Andru, apresentando os heróis em uma parceria acidental, movida pelas circunstâncias, e não a de mestre–aprendiz. Poucas vezes ambos se encontrariam ao longo das décadas seguintes. Esta relação somente foi mudada a partir de uma reformulação que a editora americana começou a fazer a partir de 2004, quando o Homem Aranha passou a fazer oficialmente parte dos Vingadores, tudo orquestrado por Brian Michael Bendis e David Finch. Preparando o terreno para a vindoura guerra civil, Peter se muda para a Torre Stark passando a ser seu protegido.

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SURGE O ABUTRE – POR STAN LEE & STEVE DITKO

            Ned, o amigo de Peter no filme, é uma adaptação da figura de Ned Leeds, repórter do Clarim Diário nas hqs originais, surgido em “Amazing Spider Man #18 (Novembro de 1964). Já o vilão Abutre, alcunha de Adrian Toomes, foi criado pela dupla Lee & Ditko como um brilhante engenheiro eletrônico que cria um artefato anti-gravidade que valeria milhões se comercializado. Ao descobrir que vinha sendo roubado por seu sócio nos negócios, Toomes resolve usar sua criação para roubar e, claro, se vingar de seu ex-sócio. A primeira aparição do vilão foi em “Amazing Spider Man #2” (Maio de 1963) junto com outro vilão, o Consertador (Michael Chernus), que também aparece no novo filme. Nos quadrinhos o Abutre sempre foi um dos vilões mais recorrentes do herói, aparecendo poucos meses depois, já em “Amazing Spider #7” (Dezembro de 1963). A galeria de vilões do Aranha sempre foi bastante rica e criativa, tanto quanto a do Batman da concorrente DC Comics. Assim, o novo filme ainda introduz a figura de Mac Gargan, o Escorpião (Michael Mondo) de “Amazing Spiderman #20”, outro inimigo clássico do herói e o Shocker (Logan Marshall-Green), saído das páginas de “Amazing Spiderman #46”, quando o herói já era desenhado por John Romita.

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HOMEM ARANHA – O ELENCO DA SÉRIE DOS ANOS 70

           Tom Holland é o quarto ator a viver Peter Parker. O primeiro foi o ator Nicholas Hammond (O Friedrich, uma das crianças de “A Noviça Rebelde”) no seriado de TV “Homem Aranha” (Spider Man) produzido originalmente para a grade de programação da CBS onde estreou em setembro de 1977. No Brasil, o filme passou nas salas de cinema, assim como dois outros filmes “Homem Aranha Volta a Atacar” (Spiderman: Deadly Dust) e “Homem Aranha & O Desafio do Dragão” (Spiderman: The Chinese Web), estes sendo a junção de episódios da série da CBS que teve 14 episodios, exibidos irregularmente entre 1978 e 1979, e que no Brasil foi exibido inicialmente pela Rede Globo. Os efeitos eram toscos, com a teia sendo uma “cordinha” saída dos lançadores de pulso do herói que quase nada falava quando usva a roupa, não trazia nenhum vilão das HQs e explorava muito pouco dos costumeiros coadjuvantes das histórias, Tia May (Irene Tedrow) só apareceu por umas duas ocasiões, nada de Mary Jane ou Gwen Stacy, mas ao menos a figura do mal-humorado chefe J. Jonah Jameson (David White no piloto e Robert F.Simon na série). Como na época a CBS exibia outras séries de super heróis (Hulk, Mulher Maravilha, Shazam etc) , a emissora decidiu cancelar todas as séries mesmo que os índices de audiência fossem regulares. Foram mais duas décadas até que rumores apontavam para o interesse de James Cameron em dirigir um novo filme do herói que se diz “O amigo da vizinhança”, tal qual na clássica animação de 1967 cuja popular canção (Spider man, spider man, does whatever a spider can …) chegou a ser regravada pelos Ramones.

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QUEM É SEU PREFERIDO? O MEU AINDA É O MAGUIRE.

             A bem sucedida trilogia dirigida por Sam Raimi entre 2002 e 2007 trouxe Tobey Maguire e Kirsten Dunst nos papeis centrais, conseguindo transpor para as telas a riqueza dos trabalhos de Lee, Ditko e Romita, fazendo das HQs originais um storyboard extenso e bem elaborado agradando aos fãs, apesar do fraco terceiro filme. Andrew Garfield trocou a imagem nerd e retraída de Maguire por um estilo mais leve e descolado nos dois filmes dirigidos por Marc Webb em 2012 e 2014. Estes no entanto falharam em imprimir nas telas o charme das HQs do popular personagem, repetiram a já batida origem do personagem, se perdendo na tentativa de dar um novo enfoque às aventuras já adaptadas. A talentosa Emma Stone foi o que melhor se sobressaiu desses filmes.

                O filme novo vem a integrar o universo cinemático da Marvel e a coroar a volta de um dos heróis mais queridos dos quadrinhos. Como muitos, eu me apaixonei por Gwen Stacy e Mary Jane, me pendurei pelos móveis de casa brincando que eu tinha aqueles poderes. Fui um garoto tímido e descobri minha coragem quando percebi que eu também era Peter Parker.

MEMORIAS DE UM CINÉFILO: 100 ANOS DO GRUPO LUIZ SEVERIANO RIBEIRO / KINOPLEX

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CINE MAJESTIC EM FORTALEZA      

               A primeira vez que eu entrei em um cinema na minha vida foi no saudoso Cine – Paz, em minha cidade natal, Duque de Caxias. A sala de exibição, que ficava na Praça do Pacificador, onde hoje existe uma mega loja C&A, trazia em cartaz o filme “O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão”. Era o ano de 1977 e minha mãe não tinha a mínima noção do amor que acenderia quando as luzes se apagaram e o filme começou, amor pela sétima arte, coroado por uma sala pertencente ao grupo Luis Severiano Ribeiro, que chega agora a seu centenário, momento histórico em um país de memória tida como curta.

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LUIZ SEVERIANO RIBEIRO

                 Nascido em Julho de 1917, durante o governo do Presidente Venceslau Brás, ainda durante a Primeira Guerra Mundial. A primeira sala foi aberta em Fortaleza e se chamava “Cine-Theatro Majestic Palace”. O cinema mudo ainda era o padrão e assim continuaria por mais dez anos. Embora um incêndio nos anos 60 tenha destruído o prédio, este fez parte indiscutível da história da cultura deste país. A iniciativa deste cearense nascido em 3 de junho de 1886 foi comprar outras salas e espalhar-se por outras cidades, chegando ao Rio de Janeiro em 1926, época em que se associou à Metro Goldwyn Mayer, abrindo em seguida o Cine Odeon, único sobrevivente dos cinemas de rua no centro do Rio. Próximo, o grupo fez do Cine Palácio a primeira sala a exibir um filme sonoro.

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             Ostentando a propaganda que dizia “Cinema é a maior diversão”, a fase dourada da rede Luis Severiano Ribeiro sobreviveu a diversas intempéries : a televisão, o home-video e a internet, vindo de uma época em que a entrada das salas era um preço extremamente popular, os filmes eram exibidos em projetores de 35mm, a pipoca era barata e pagávamos muitas vezes para assistir a uma sessão dupla, entrávamos ao final de uma sessão e ficávamos dentro da sala esperando a sessão seguinte. Assim assisti filmes como “A Hora do Espanto”, “Uma Cilada Para Roger Rabbit”, “O Exterminador do Futuro”, “Robocop”, “Aliens o Resgate”. Foi nos cinemas da rede Luiz Severiano Ribeiro que ri com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, aprendi o que significava a Força Jedi e descobri que um homem podia de fato voar.

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            Com a chegada da exibição digital, o grupo reduziu o número de salas e trocou o nome para Kinoplex em 2002, ainda permanecendo com um vasto espaço em um circuito de exibição disputado com marcas como Cinemark e Cinesystem, desprovido dos antigos cinemas de rua substituídos pelas atuais salas de shopping onde muitas vezes o preço da pipoca é tão caro ou mais caro que o valor da entrada. Atualmente a rede conta com cerca de 260 salas em 19 cidades e ainda uma parceria com a rede UCI, oferecendo uma infra-estrutura que inclui a tecnologia 3D. Depois de um tempo em que o Odeon foi administrado pelo grupo Estação Bortafogo, este sobrevivente dos velhos tempos voltou para as mãos do grupo, que é o maior exibidor nacional, rebatizando-o de “Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro”. Só no Rio de Janeiro o grupo conta com pontos estratégicos como o cinema do shopping Rio Sul, Madureira, Nova Iguaçu e Norte Shopping.

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            Em 2007, o fundador da rede ganhou uma biografia entitulada “O Rei do Cinema, a extraordinária história de Luiz Severiano Ribeiro”, publicada pela Editora Record. Em entrevista recente concedida ao jornal O Globo, Luiz Severiano Ribeiro Neto alegou não se preocupar com o sucesso de serviços de streaming como a Netflix. Revelou  “o maior concorrente do streaming é a TV aberta. É ela quem tem que se cuidar. Eu só preciso ficar atento.” Sem dúvida esse centenário marca um episodio de extrema relevância para a cultura desse país e inclui a “Iniciativa Projetor de Sonhos” que, desde março, realizou 100 sessões beneficentes para ONGs, Associações e Fundações, que trabalham com crianças e adolescentes em situação de risco social.  As inscrições deverão ser feitas até o dia 11 de agosto no site www.kinoplex.com.br/centenario.  As instituições que se inscreverem poderão ganhar uma sessão em um cinema da Rede Kinoplex a sua escolha, a ser realizada até o dia 31 de dezembro de 2017.

CAÇADORES DOS CLÁSSICOS PERDIDOS: O FINO DA VIGARICE

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             Há filmes que merecem o status de clássico mas que são menos badalados seja pelos críticos ou pelo grande público que desconhece sua existência, principalmente aqui no Brasil, que reprisam exaustivamente alguns filmes em detrimento de outros que não alcançam o mesmo espaço na Tv ou nos lançamentos de home vídeo (dvd, blu ray), desprezados até mesmo pelas plataformas de streaming como Netflix. Em resumo, há verdadeiras pérolas ignoradas por todos mas que ainda possuem seus fãs, aqueles com boa memória, cinéfilos de carteirinha assinada que chamo pelo título da coluna que agora inicio no blog. Periodicamente estarei revendo alguns desses tesouros e trazendo para cá sua lembrança e para começar um exemplar de humor raro nas produções atuais, “O Fino da Vigarice”.

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        Foi o primeiro roteiro escrito pelo dramaturgo Neil Simon (O Estranho Casal, Descalços no Parque) que serviu de veículo para a versatilidade insana de Peter Sellers (1925/1980), na época já célebre por suas atuações em filmes como “A Pantera Cor de Rosa” (Pink Panther) de 1963 e “Dr.Fantástico” (Dr.Strangelove) de 1964. O diretor italiano Vittorio De Sica (1901/1974) se interessou pelo projeto que enxergou como um veículo para fazer uma crítica social, lembrando que foi ele um dos que deram o pontapé inicial para o Neo-realismo em 1949 com “Ladrões de Bicicleta” ( Ladri di Biciclette) e pelo qual ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro.

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        A história é sobre Aldo Vanucci, vulgo “A Raposa”, um notório ladrão internacional e mestre nos disfarçes, desafiado a roubar uma grande remessa de ouro que atravessa uma pequena cidade italiana. Para alcançar seu objetivo, Aldo se faz passar por um renomado diretor de cinema (parodiando Fellini) que chega a Sevalio, uma cidade pequena na costa, para rodar um filme, conseguindo atrair Tony Powell (Victor Mature), um famoso galã e até mesmo o apatetado chefe de polícia (Lando Buzzanca). A premissa do filme dentro do filme antecipa a missão diplomática disfarçada no Irã, que aconteceu nos anos 70 e gerou o filme “Argo” (2012).

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BRITT EKLAND & PETER SELLERS

        O papel de Aldo “Raposa” Vanucci caiu como uma luva no camaleônico Peter Sellers que também assumiu a função de co-produtor junto a John Bryan. O astro, no entanto, era uma pessoa muito difícil e coleciona-se histórias de bastidores em que Sellers simplesmente infernizava a vida dos diretores, e com De Sica não foi diferente. Curioso que foi o próprio Sellers quem trouxe o diretor italiano para o projeto, mas durante as filmagens fez de tudo para demiti-lo alegando “Ele pensa em italiano, e eu em inglês”. Também foi Sellers quem convenceu Victor Mature (1913/1999), que estava afastado das telas, a ficar com o papel de Tony Powell. O elenco ainda incluiu Britt Ekland, na época casada com Peter Sellers, como Gina, a irmã de Aldo, Lydia Brazzi, esposa do ator Rozanno Brazzi, como Mama Vanucci, Akim Tamiroff (1899 / 1972), ator de origem russa, como Okra – o chefão do crime, Martin Balsam como Harry – empresário de Tony e a voluptuosa Maria Grazia Bucella, ex miss Italia, como uma das meninas de Okra. O diretor, que enxergava na história uma crítica de como a ambição corrompe a arte,  faz uma aparição no filme rodando uma produção bíblica de onde Aldo rouba os equipamentos de filmagem.

                        O clima de pilantragem do filme seria um mote bem explorado em outras produções de sucesso como “Golpe de Mestre” (The Sting) de 1973 e “Os Safados” (Dirty, Rotten, Scondrels) de 1988. “O Fino da Vigarice”, no entanto, é divertido mas irregular em sua narrativa, resultado dos cortes que desagradaram o roteirista. O montador de confiança do diretor não entendeu o humor do texto de Simon e isso é visível a medida que se aproxima o desfecho e o golpe é descoberto. De acordo com o site imdb, mesmo quando o filme foi remontado a pedido de Simon, por Russell Lloyd – montador de John Houston, várias sequências haviam se perdido como Sellers personificando os Beatles.

           Uma das últimas vezes que lembro do filme ter sido exibido na Tv brasileira foi no Corujão da Rede Globo no inicio dos anos 90, quando o impagável Sellers, embalado pela trilha sonora de Hal David e Burt Bacharach, divertiu mais uma vez os cinéfilos que tentaram pegar aquela raposa.