OZ : MUITO ALÉM DO ARCO ÍRIS

Há 74 anos descobrimos, além do arco-íris, um mundo habitado por bruxas e seres mágicos , saído da imaginação do escritor norte-americano L.Frank Baum e que agora retorna em uma superprodução da Disney, dirigida pelo talentoso Sam Raimi, o mesmo que esteve por trás das câmeras da trilogia do Homem Aranha encarnado por Tobey Maguire. A história original já havia sido adaptada em 1925, ainda na época do cinema mudo mas a versão mais conhecida até hoje á a de 1939 , produto do apuro técnico e criativo dos estúdios da Metro, regida na época pelo lendário Louis B. Mayer.

Um Quarteto Fantástico

Um Quarteto Fantástico

O FILHO CLÁSSICO :. A pequena Dorothy Gale (Judy Garland), inconformada com o destino de seu cão de estimação Totó, levado de seus braços pela malvada Sra Guilch (Margaret Hamilton), é apanhada por um furacão que os tira do mundo real e os leva para um reino encantado, realçado por todo o esplendor do Technicolor (processo de coloração que perdurou até os anos 60). Em sua chegada, Dorothy acidentalmente mata a bruxa malvada do leste, sendo recibida como heroína pelos Munchkins, povo anão que habita a região. Glinda (Billie Burke), a bruxa boa recebe Dorothy e a presenteia com os sapatinhos de rubi, que lhe conferem imunidade ao poder da invejosa bruxa má do oeste que deseja os sapatos mágicos para si. Apesar de todo o encantamento do local, Dorothy só deseja uma coisa: voltar para o Kansas. Seguindo a estrada de tijolos amarelos, Dorothy parte em busca do único capaz de enviá-la de volta, o poderoso mágico de Oz (Frank Morgan), que vive recluso na cidade das Esmeraldas. Ao longo do caminho, Dorothy e Totó fazem novos amigos : O espantalho (Ray Bolger) que deseja um cérebro, o homem de lata (Jack Haley) em busca de um coração e o leão covarde (Bert Larh) que quer ser corajoso.
A amizade os une através dos perigos e das dificuldades que surgem para impedir que cada um tenha seu sonho realizado. O tal mágico lendário e poderoso se revela um farsante vindo também do mundo real, e que através de truques de ilusionismo criou para si a fama de ser um grande feiticeiro. Após enfrentarem a bruxa má do oeste, o grupo recebe os presentes que buscam simplesmente percebendo que sempre tiveram tudo dentro de si, só não percebiam. No final, Dorothy e Totó voltam para casa, mas fica uma dúvida : tudo o que aconteceu foi de verdade ou tudo não passou de um sonho de Dorothy, que vestiu seus entes queridos e desafetos como os personagens daquela estranha terra ?
O filme da Metro não foi um sucesso tão grande na época de seu lançamento, tendo custado em torno de $2.777,00, altíssimo para a época. Contudo, a história lhe fez jus e “O Mágico de Oz” ganhou força ainda maior quando exibido na Tv, principalmente na época do Natal. Teve 6 indicações ao Oscar (melhor filme, direção de arte, fotografia, efeitos especiais, trilha sonora e canção) mas ganhou apenas os dois últimos citados. Também recebeu indicação para a Palma de Ouro em Cannes, mas não levou. Embora a direção tenha sido assinada por Victor Fleming (o mesmo de “E O vento Levou”), o filme foi como muitos , então, fruto do estúdio que o realizou com cenas filmadas também por George Cukor, King Vidor (o prólogo em preto e branco) e Richard Thorpe. Curiosamente, na história original, os sapatos mágicos de Dorothy são prata e não de rubi. Esta mudança foi feita pela MGM para assim aproveitar todos os recursos do Technicolor, realçando os elementos de cena durante a estadia de Dorothy em Oz. Todo o cenário assim parece ganhar vida acentuando o efeito desejado pelo estúdio de que o mundo de Oz é mágico, diferente do mundo real retratado em preto e branco, seco, árido.

A HISTÓRIA ORIGINAL: O livro original de L.Frank Baum (1856-1919) chamava-se “The Wonderful Wizard Of Oz” e foi publicado pela primeira vez em 17 de maio de 1900. Lyman era seu primeiro nome, que lhe foi dado como homenagem a seu tio, mas ele nunca gostou e, por isso, sempre assinou apenas a primeira letra apenas preferindo o nome do meio, Frank. O sucesso foi imediato e dois anos depois Baum o adaptou para a Broadway na forma de musical, correndo o país de costa a costa com o espetáculo. O autor colheu os frutos de seu trabalho e logo escreveu a sequência da história que se desdobrou em um total de 13 livros publicados até 1919, ano de sua morte, sendo que o último livro “Glinda of Oz” foi uma publicação póstuma.
A história de Dorothy é a busca pelo sonho que move a todos. Seus amigos (o espantalho, o homem de lata e o leão) são arquétipos dos valores que norteiam crianças e adultos. A inteligência, o coração e a coragem são as qualidades que definem o próprio heroísmo e sem o qual o mal, representado pelas bruxas, vencem. Na vida real também são essas as qualidades que nos guiam através dos obstáculos e que tornam Oz uma parábola das dificuldades e anseios do mundo adulto, talvez aí a razão do grande apelo da história.

O Verdadeiro Mágico era o autor

O Verdadeiro Mágico era o autor

AS SEQUÊNCIAS. Em 1974, o estúdio de animação Filmation realizou uma sequência animada entitulada “Journey Back to Oz”, exibida frequentemente nos tempos áureos da Sessão da Tarde da Rede Globo. A história se baseou no segundo livro de Baum “The Marvelous Land of Oz” que introduzia novos personagens como o Cabeça de Abóbora e trazia Liza Minelli (filha de Judy Garland) na voz de Dorothy. O elenco ainda reunia outros nomes conhecidos da Tv americana da época como Milton Berle, Paul Lynde, Ethel Merman, Mickey Rooney, Mel Blanc (voz em inglês de Pernalonga e Patolino) e , inclusive, Margaret Hamilton, atriz do filme de 1939 que fazia a bruxa má do oeste. Faz muito tempo que esse desenho não é exibido na Tv, tendo os direitos sido adquiridos recentemente pela Dreamworks Animation.
Elementos desse segundo livro foram misturados ao terceiro “Ozma of Oz” e formaram o filme live-action “Return to Oz”, da Disney realizado em 1985, dirigido por Walter Murch e trazendo a desconhecida Fairuza Balk como Dorothy. Foi na ocasião eleita a sequência cinematográfica que mais tempo demorou a ser realizada, exatos 46 anos depois do filme de Judy Garland. Para o filme, a Disney teve que pedir permissão para utilizar os sapatinhos de rubi cujos direitos pertencem à Metro.
A mesma Disney agora traz de volta o mundo de Oz mas o filme de Raimi, embora traga é claro elementos da história original, que já é de domínio público, serve na verdade como prelúdio, uma prequela como é comum na indústria Hollywood atualmente e quem sabe consiga reviver aquela magia da infância de nos fazer crer que além do arco íris, na terra em que habitam as canções de ninar, possamos viver novamente um doce sonho que somente a fantasia de quem é puro de coração possa ter a coragem de viver.

Retorno animado a Oz

Retorno animado a Oz

TRÍVIA

1) Em 1973, o cantor e compositor inglês Elton John lançou “Goodbye Yellow Brick Road” , uma clara alusão à história do Mágico de Oz transposta para um contexto em que a vida no campo contrasta com a vida e as desilusões da cidade grande, parábola para OZ. O grupo de rock “Pink Floyd” em seu clássico “The Dark side of the Moon” , do mesmo ano que a canção de Elton John, tem várias de suas canções com conteúdo alusivo à obra de L.Frank Baum. O grande mistério aqui é que nunca se soube se, nesse caso, foi intencional ou não, chegando ao ponto que algumas das canções parecem se encaixar perfeitamente a passagens da história do filme.

2) Jack Haley ( O Homem de lata) e Judy Garland (Dorothy) tiveram suas vidas entrelaçadas também fora das telas quando Jack Haley Jr e Liza Minelli (filha de Judy) se casaram.

3) O filme da Metro eternizou sua estrela, Judy Garland, aos 17 anos na época, como uma das maiores de Hollywood. Sua voz cantando “Over the Rainbow” fez desta a maior canção do cinema em eleição feita pelo AFI (American Film Institute) em 2004.

4) Foi anunciado recentemente a conversão para 3D do clássico de 1939 para lançamento no formato BluRay ainda neste ano.

Os Trapalhões em Oz

Os Trapalhões em Oz

5) Oz foi frequentemente revisitado em outras produções: Em 1978, durante o movimento cultural conhecido como “blackexploitation” Sidney Lummet realizou “O Mágico Inesquecível” trazendo Michael jackson como o espantalho, Richard Pryor como o mágico e Diana Ross como Dorothy. Em 1984, tivemos uma paródia brasileira da história de L.Frank Baum realizada por Renato Aragão e os Trapalhões entitulada “Os Trapalhões & O Mágico de Oroz” trazendo Zacarias como o espantalho, Mussum como o Homem de lata, Dedé Santana como o leão e Renato Aragão fazendo seu Didi Mocó em substituição a Dorothy. O Kansas da história original virou o sertão nordestino e o filme foi mais um dos sucessos daquele delicioso quarteto que deixou saudades no cenário artístico nacional. Até mesmo os Muppets fizeram sua versão no filme feito para a Tv de 2005 “The Muppets Wizard of Oz”.

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por adilson69

Um comentário em “OZ : MUITO ALÉM DO ARCO ÍRIS

  1. Muito bom, Adilson! Gosto muito de The Wonderful Wizard Of Oz e é bacana saber do começo desse clássico. Sem contar, é claro, com as músicas do Elton John e Pink Floyd que parecem ter feito alusão à obra de L.Frank Baum e isso é super legal!! 😀 Agora, uma versão em 3D e eu não quero perder! rs
    Um beijo!
    Luiza.

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