ESTREIAS DA SEMANA : 30 DE MAIO – FAROESTE CABOCLO

Canções famosas já se tornaram filmes antes, mas na forma de títulos escolhidos para uma história criada independente da composição original : “My Girl”, por exemplo, clássico dos anos 60 do conjunto americano “ The Temptations” batizou “Meu Primeiro Amor” de 1991, que trazia o hoje esquecido McCauley Culkin. Em 1986, David Lynch empregou a clássica canção “Blue Velvet” dos anos 50 como metáfora das ações vis e cruéis dos habitantes de uma cidade que descortinava sua hipocrisia. No Brasil, podemos encontrar recentemente o filme “À beira do caminho” (2012) que usa a canção homônima de Roberto Carlos & Erasmo Carlos, lançada em 1969, como inspiração para embalar as viagens de um caminhoneiro pelas estradas do país. O caso de “Faroeste Caboclo” da Legião Urbana é atípico, pois a letra composta por Renato Russo (recentemente biografado em “Somos Tão Jovens”, ainda em cartaz) é desde sua composição inicial, feita em 1979, um roteiro cinematográfico completo: Uma narrativa com começo, meio e fim, história com reviravoltas contada com personagens e ambientação que encenam uma tragédia, que poderia muito bem caber numa peça Shakespeariana.

Tragedia Shakespeariana com gosto brasileiro

Tragedia Shakespeariana com gosto brasileiro

Estrofe por estrofe, a jornada de João de Santo Cristo, ao longo de seus 9 minutos de execução, foi um dos grandes sucessos da Legião Urbana em seu terceiro álbum, “Que País é esse”, lançado em 1987.Na época, quando executada nas rádios, toda vez que um palavrão era pronunciado, um ruído sonoro censurava a letra, o que só serviu para torná-la ainda mais popular. Como se fosse um trovador medieval, Renato Russo usou a canção para retratar as agruras da sociedade brasileira : O tráfico de drogas, o crime organizado, a corrupção política (o senhor de alta classe com dinheiro na mão), preconceito (descriminação por causa de sua classe e sua cor) e manipulação da mídia (a gente da tv filmava tudo ali / se a via crucis virou circo estou aqui). João de Santo Cristo torna-se representante de um povo empurrado por caminhos tortuosos, e onde o sistema destitui qualquer chance de redenção em um jogo de cartas marcadas, fazendo de todos vítimas dos próprios medos e preconceitos. Assim, imagem e palavras casam perfeitamente de forma a nos fazer cúmplices dessa sociedade de valores distorcidos à medida que nos identificamos com os personagens a cada acorde da bateria de Marcelo Bonfá, do baixo de Dado e do violão e voz de Renato Russo.

Que País é Esse. O Álbum de 1987

Que País é Esse. O Álbum de 1987

A ideia de filmar Faroeste caboclo já existia quando Renato vivia, mas só foi concretizado agora pela direção de Rene Sampaio e que traz Fabrício Boliveira como o anti-herói João de Santo Cristo, Ísis Valverde como Maria Lúcia e Felipe Abib como Jeremias – os personagens centrais dessa tragédia, que ainda tem o saudoso Marcos Paulo em seu último papel como um senador. A catarse é coletiva na construção e desconstrução da figura do herói que quer se redimir de seus pecados, mas que só consegue ser engolido pelos eventos que ele próprio atraiu para si. Só nos resta a certeza de que, nesse cenário imaginado lá no final dos anos 70, mas ainda incrivelmente atual, nossa gente só sofre e faz sofrer. Agora nos resta esperar por “Eduardo & Mônica” que caberia bem em uma comédia romântica e nos faz lembrar que a música brasileira já foi muito melhor que hoje.

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por adilson69

ESTREIAS DA SEMANA : 24 DE MAIO – SEM PROTEÇÃO

(The Company that you keep) EUA 2013. Dir: Robert Redford. Com Robert Redford, Shia Lebouf, Susan Sarandon, Terrence Howard, Julie Christie, Stanley Tucci, Nick Nolte,

Redford e grande elenco

Redford e grande elenco

Em tempos em que o terrorismo chegou ao posto de grande inimigo, falar do assunto torna-se uma questão delicada, principalmente quando o ato é praticado pelos próprios americanos em época em que o próprio governo executava o papel de terrorista. Deixa-me explicar, nos anos 70, o governo americano fomentava a guerra do Vietnã e a intervenção americana em conflitos diversos era prática que alimentava a indústria bélica, a mais lucrativa delas. Os Weathermen eram um grupo extremista de jovens que, por não concordar com o terror do Estado que manipulava as massas fazendo do patriotismo a justificativa para enviar jovens para a morte, atacavam prédios públicos e se perdiam em ações moralmente condenáveis para combater fogo com fogo. Um desses extremistas , no filme, torna-se um advogado respeitável e tem seu passado tornado público por jornalista inescrupuloso (Labeouf que continua detestável como ator) . O filme não se entrega aos clichês do thriller político e envereda pela discussão dos ideais, se os fins justificam os meios ou não e se o patriota é um terrorista sancionado pelo governo ou não. O elenco é estelar e reune grandes nomes, alguns deles não tão conhecidos para o público não cinéfilo como Sam Elliot e Julie Christie. Aguardem matéria em breve nesse blog sobre a carreira de Robert Redford, um grande ator e diretor que ainda tem a coragem de levantar questões interessantes sobre uma América pouco conhecida.

por adilson69

ESTREIAS DA SEMANA : 24 DE MAIO – BONITINHA MAS ORDINÁRIA

Bra 2013. Dir: Moarcyr Goes. com João Miguel, Letícia Colin, Leandra Leal, Gracindo Junior.

Texto de Nelson Rodrigues

Texto de Nelson Rodrigues

Homem com dificuldades financeiras é contratado para se casar com jovem que foi estuprada, mas para isso precisa esquecer seu amor por Ritinha, uma professora. As tentações começam a cercar a mente de Edgar (Miguel) a medida que mergulha na degradação moral. O filme é adaptação de texto de Nelson Rodrigues, filmado com Lucelia Santos, Jose Wilker e Vera Fischer em  1981. Diferente daquela época, a discussão sobre a virgindade perde a força do texto original, mas ainda assim vale a pena para analisar a moral da sociedade, dos interesses financeiros e do sexo na vida das pessoas. O papel polêmico de Maria Cecília, a menina do título fica com a novata Leticia Colin.

 

ESTREIAS DA SEMANA: 24 DE MAIO – VELOZES & FURIOSOS 6

Fast & Furious 6. EUA 2013. Dir: Justin Lee. Com Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Luke Evans, Tyrese Gibson, Jordana Brewster.

Ação em alta velocidade

Ação em alta velocidade

Quando James Dean apostou corrida em “Juventude Transviada” (1955), os produtores descobriram que cinema e cenas de corrida eram uma boa fórmula para atrair o público. Mais tarde, Paul Newman, que era do esporte, filmou “500 Milhas” (Winning) sobre a clássica corrida de Indianapolis e, Tom Cruise, também explorou o filão em “Dias de Trovão” (Days of Thunder”) em 1991. Perseguições sob rodas geraram também excelentes sequências de ação em filmes como “Bullit” (1967) de Peter Yates e “Operação França” (1974) de William Friedken. Logo, explica-se o sucesso da franquia “Velozes & Furiosos” que, iniciada em 2001, chega ao seu sexto filme e já prometendo um breve sétimo filme. A fórmula de sucesso é a mesma dos filmes anteriores, ou seja, perseguições cheias de adrenalina, trilha sonora com batidão e elenco que esbanja testosterona.
Retornam Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez e Dwayne Johnson, dirigidos por Justin Lin, que também foi o diretor dos 3 últimos exemplares da franquia. Depois dos eventos do filme anterior cuja ação se desenrolou no Brasil, Luke Hobbs pede que Dom que reúna o grupo para capturar mercenários de uma organização internacional que pratica crimes sob rodas. O trato feito é que, cumprida a missão, a equipe de Dom obtenha perdão por suas ações passadas, mas tudo se complica quando se descobre que a ex-namorada de Dom, Letty, que foi dada como morta, aparece viva e envolvida com Shaw, o líder da organização criminosa. O filme já deixa o gancho aberto para um outra sequência, que certamente acontecerá já que a franquia “Velozes & Furiosos” tem um público numeroso e fiel. Reveja abaixo um resumo dos filmes anteriores :

– Velozes & Furiosos. (The Fast & The Furious) 2001. Dir; Rob Cohen. Com Vin Diesel, Paul Walker, Jordana Brewster, Michelle Rodriguez.. Policial se infiltra em gangue de corrida de rua para desvendar o roubo de aparelhos eletrônicos.

– Mais Velozes & Furiosos . ( 2 Fast 2 Furious) EUA 2003. Dir: John Singleton. Com Paul Walker, Tyrese Gibson, Eva Mendes, Cole Hauser. Sem Vin Diesel que não aceitou voltar, o personagem de Paul Walker ganha mais espaço como ex agente com nova missão: Desbaratar quadrilha de lavagem de dinheiro.

– Velozes & Furiosos: Desafio em Tokyo. (The Fast & The Furious: Tokyo Drift) EUA 2006. Dir: Justin Lin. Com Luke Black, Lil’ Bow Wow, Brian Tee. Adolescente se muda para Tokyo para se livrar de encrenca, e acaba envolvido com gangue de corredores de drift, misto de velocidade e derrapagem. Praticamente sem ninguem do elenco original, já que Diesel só aparece em ponta não creditada. Primeiro filme dirigido por Justin Lin.

– Velozes & Furiosos 4. (Fast & Furious) EUA 2009. Dir: Justin Lin. Com Vin Diesel, Paul Walker, Jordana Brewster, Michelle Rodriguez. Fugitivo da lei, Dom (Diesel) é mostrado com a namorada na Republica Dominicana até que um assassinato o coloca envolvido novamente com o agente O’Conner (Walker), unidos para pegar um traficante.

– Velozes & Furiosos 5 : Operação Rio. (Fast Five) EUA 2011. Dir:Justin Lin. Com Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Jordana Brewster, Tyrese Gibson. Gravado no Rio em locações como a praia de Ipanema, Lapa e Corcovado, é nesse filme que entra o personagem do agente federal Hobbs (Johnson) que se envolve com o grupo de Dom durante operação que visa capturar bandidão brasileiro.

por adilson69

ESTREIAS DA SEMANA – 17 DE MAIO

O Massacre da Serra Elétrica – A Lenda Continua

O Novo Massacre

O Novo Massacre

The Texas Chainsaw Massacre 3D. EUA 2013. Dir:John Luessenhop. Com Alexandra Daddario, Scott Eastwood, Bill Moseley, Tanya Raymond, Gunnar Hunsen. Terror

Jovem viaja ao Texas para receber herança quando tem um fatídico encontro com o assassino da serra elétrica. Atentem para a presença de Scott Eastwood (filho de Clint Eastwood) e Gunnar Hunsen (o Leatherface orignial de 1974) em participação especial. O filme é feito para quem gosta do estilo “Jogos Mortais” e tem estômago forte. Esqueça qualquer fiapo de história e se divirta.

O REINO ESCONDIDO

Animação Divertida

Animação Divertida

Epic

EUA 2013. Dir; Chris Wedge. Vozes de Amanda Seyfried, Josh Hutcherson, Colin Farrell, Beyoncé Knowles, Animação.

Uma adolescente é transportada a um universo encantado onde uma força maligna ameaça os dois mundos. Conforme anunciado no cartaz, é dos mesmos realizadores de “A Era do Gelo” e “Rio”. Agradável para se ver com os filhos mesmo que não tenha o frescor de outras animações. Na dublagem brasileira, Murilo Benício

GIOVANI IMPROTTA

Da telinha para a telona

Da telinha para a telona

BR. 2013. Dir: José Wilker. Com José Wilker, Andrea Beltrão, Thelmo Fernandes, Othon Bastos, Hugo Carvana, Jo Soares. Comédia.

É o próprio Wilker quem dirige esta adaptação para o cinema do personagem que o próprio interpretou anos atrás na novela “Senhora do Destino”. O personagem é um simpático contraventor que sonha com a ascenção social. Aqui, ele precisa provar sua inocência quando acusado de um crime. Atentem para as várias participações especiais de grandes nomes do cinema e da tv.

TERAPIA DE RISCO

(Side Effects) EUA 2013. Dir:Steven Spdenberg. Com Rooney Mara, Channing Tatum, Jude Law, Catherine Zeta JOnes. Suspense.

Reviravoltas constantes

Reviravoltas constantes

O filme denuncia os abusos da industria farmacêutica através de mulher que tem seu comportamento alterado drásticamente e até organicamente depois de tomar remédios para tratar ataques de ansiedade que a acometeram depois que o marido foi preso. Um crime a arrasta ainda mais fundo em uma psiquê tão confusa quanto as reviravoltas deste trailler psicológico inteligente, mas que requer uma atenção cuidadosa para acompanhar.

 

 

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – OS FILMES

Em 1974, os monstros clássicos do terror estavam desgastados. Apesar do bom resultado que seria obtido por John Badham em sua versão de Drácula em 1976, o público se encontrava achatado pela realidade pós-Vietnã e pela crescente onda de criminalidade nas ruas. O medo tomava novas formas e a fantasia perdia espaço. Foi quando surgiu “O Massacre da Serra Elétrica” (The Texas Chain Saw Massacre), um filme independente de 1974, de baixo orçamento cujo realismo e violência explícita chocaram a todos ao mostrar seres humanos agindo como monstros cruéis e sádicos, supostamente baseados em fatos reais.

O Filme Original

O Filme Original

De acordo com a narração inicial do filme, em agosto de 1973, a polícia atendeu a um chamado que a levou a casa da família Sawyer onde funcionava o matadouro local do distrito de Travis, no estado do Texas, encontrando os restos mortais de 33 pessoas mortas com requintes de crueldade extrema. O assassino usava uma máscara feita a partir da pele do rosto de suas vítimas e usava uma motoserra. O fato, na verdade, foi adaptado a partir do assassino da vida real Ed Gains, que também serviu de inspiração para o filme “Psicose” de Hithcock. Como o filme de Tobe Hopper foi filmado entre Julho e Agosto de 1973, é praticamente impossível – apesar do que se fez acreditar – que os eventos do filme tenham acontecido na data antes mencionada.

O Assassino da vida real

O Assassino da vida real

Contudo, o fato é que o sucesso do filme foi assombroso, tendo tido um orçamento de menos de 150 mil dólares que arrecadou mais de 30 milhões só nos Estados Unidos. O filme dividiu opiniões dos críticos como Dave Kehr , do “Chicago Reader” e Roger Ebert (recentemente falecido) do “Chicago Sun-Times” que elogiaram a inventividade do filme em assustar apesar da repulsa que gera; enquanto outros o apontaram como lixo brutal e de mal gosto. Ainda assim, o filme obteve o prêmio do Festival de Filme Fantástico de Avoriaz e ganhou, com o passar do tempo, o status de cult atribuído por toda uma geração que o redescobriu posteriormente e o idolatrou apesar dos defeitos e das limitações de orçamento. Estas eram tão toscas que o ator Gunnar Hansen, que interpretou o assassino Leatherface, precisava usar a mesma camisa durante toda a filmagem – sem lavar pois havia sido tingida – apesar do desagradável odor de suor acentuado pelo calor do Texas. O ator bateu sua cabeça várias vezes porque a máscara limitava sua visão periférica e o salto alto o fazia tropeçar em vários objetos de cena.

Leatherface

Leatherface

Por mais tosco que seja, Leatherface inspirou a criação de Jason de “Sexta Feira 13” e o Michael Myers de “Halloween” que fizeram sucesso na década de 80 retalhando jovens e chacinando multidões nas telas. A própria premissa parece copiada por Wes Craven anos depois em “Quadrilha de Sádicos”, refilmado recentemente como “Viagem Maldita”. O elenco, todo de desconhecidos, não fez carreira, mas o diretor foi – tempos depois – escolhido por Steven Spielberg para dirigir “Poltergeist”. Escolhido pela revista “Entertainment Weekly” como o segundo filme mais assustador de todos os tempos, perdendo a primeira colocação para “O Exorcista”, Leatherface voltou às telas em sequências e refilmagens que reviveram o terror do Texas. O próprio Tobe Hopper dirigiu a continuação “The Texas Chain Saw Massacre 2” em 1986 com Dennis Hopper e Caroline Williams e trazendo Bill Johnson como Leatherface. Em 1990, um terceiro filme foi feito em 3D, “ Leatherface : The Texas Chain Saw Massacre 3”, sem referência aos eventos do filme original e sem nenhum envolvimento de Tobe Hopper. Um quarto filme, entitulado “The Return of the Texas Chain Saw Massacre” , foi lançado em 1994 com Mattheu McCoughney e Renee Zellweger.

A Primeira Refilmagem

A Primeira Refilmagem

Um remake foi feito em 2003, dirigido por Marcus Nispel e trazendo Jessica Biel no elenco. Três anos depois vem uma prequela entitulada “The Texas Chain Saw Massacre – The Beginning” , dirigida por Jonathan Liebsman e com Jordana Brewster mostra o interesse dos fãs do gênero pela franquia que agora volta com esse novo filme que parte direto do primeiro filme, ignorando as demais sequências. Parece inacreditável que um filme despretensioso tenha ido tão longe no imaginário popular. Na comédia de 1983, “Curso de Verão” (Summer School) dois adolescentes idolatram o filme de 1974 e vivem encenando como se fossem Leatherface. Hilária metalinguagem que mostra que o apelo do cine trash é incontestável, seja na vida real ou na ficção.

por adilson69

IN MEMORIAN : RAY HARRYHAUSEN

Ray e uma de suas criações, a Medusa do "Fúria de Titãs" original.

Ray e uma de suas criações, a Medusa do “Fúria de Titãs” original.

Fica um pouco difícil para a geração atual, acostumada com a sofisticação dos efeitos digitais, entender a importância do trabalho de Ray Harryhausen, falecido em 7 de Maio de 2013, de acordo com comunicado feito pela família do mestre. Muito antes do CGI (Computer Generated Images) ou da apurada técnica da Industrial Light & Magic de George Lucas, foi Raymond Frederick Harryhausen ( nascido em 29 de Junho de 1920) quem nos fez acreditar em monstros e seres mitológicos contracenando com atores de carne e osso. Sua técnica, chamada de stop-motion, consistia em filmar os bonecos e miniaturas quadro a quadro para criar a ilusão de movimento. Não foi o primeiro a fazê-lo, já que Willis O’Brian havia alcançado resultado admirado até hoje em “King Kong” de 1933, isso sem falar nas trucagens e modelos de proporções pequenas usadas por pioneiros como George Meliés, mas foi Ray sem dúvida que melhor soube explorar as potencialidades da técnica, sendo responsável pela realização de vários clássicos do cinema fantástico.

o polvo gigante de "O Monstro do Mar Revolto"

o polvo gigante de “O Monstro do Mar Revolto”

Por suas hábeis mãos, um polvo gigante ataca São Francisco em “O Monstro do Mar Revolto” (IT Came From Beneath The Sea) de 1954. Tendo assumido sua admiração por Willis O’Brain se envolveu em projeto similar na versão original de “Poderoso Joe” entitulada “O Monstro do Mundo Perdido” (Mighty Joe Young), de 1949, que muitos anos depois seria refeito. Além de desenvolver os efeitos especiais, tornou-se produtor associado de filmes como “A Nova Viagem de Simbad” (The Seventh Voyage of Simbad) de 1958, “Os Primeiros Homens na Lua” (The First Men on the Moon” ) de 1964 e “Jasão & O Velo de Ouro” (Jason & The Argonauts) de 1963, recontando a mitologia grega e um de seus melhores trabalhos. Nele impressiona a sequência em que o herói enfrenta esqueletos armados com espadas. Foi para a minha infância e a de muita gente um empolgante momento de ação comparável com os de jovens que se encantaram com as batalhas de filmes como “O Senhor dos Anéis”.

Jasão & O Velo de Ouro

Jasão & O Velo de Ouro

Voltou à mitologia antiga com “Fúria de Titãs” (Clash of Titans) de 1981, o filme original, em que nos mostra o herói enfrentando uma ameaçadora Medusa e no final o terrível Kraken que se levanta do mar para ameaçar a princesa Andrômeda. Ray Harryhausen chegou a ganhar um prêmio especial da Academia em 1992, pelo conjunto de sua obra, embora nunca tenha ganhado um prêmio competitivo. Fica registrado na película e na memória de todos nós o admirável trabalho desse técnico que ousou tornar crível a fantasia usando como matéria-prima a imaginação humana.

por adilson69

GALERIA DAS ESTRELAS : STEWART GRANGER – 100 ANOS

Stewart Granger

Stewart Granger

Ele abandonou uma promissora carreira de médico para abraçar a mesma carreira de seu avô ( o ator Luigi Lablanche), provou seu talento nas telas e nos palcos de sua terra natal, a Inglaterra, antes de migrar para Hollywood, onde por ser homônimo de um outro ator – muito famoso – teve que mudar seu nome verdadeiro, James Lablanche Stewart para Stewart Granger, que hoje celebraria 100 anos de uma vida dedicada à arte de interpretar.
Nascido em Londres, em 6 de Maio de 1913, Stewart frequentou a Faculdade Epsom onde se prepararia para a carreira de médico, mas a interrompeu se matriculando na Escola de Arte Dramática Webber-Douglas. Aos 22 anos, já subiu aos palcos Londrinos na peça “The Cardinal at Hull” e permaneceu nos dois anos seguintes na Compania de teatro Birmingham Repertory em vários outros trabalhos que foram lhe moldando o talento e lhe abrindo portas para papéis cada vez melhores e chegando, inclusive, a fazer parte de seleto grupo de atores ingleses a trabalhar para os Estúdios Gainsborough, do qual também fazia parte James Mason, e colecionava sucessos naqueles anos primordiais do cinema inglês. Sua atuação na peça “The Apple Cart” ganhou tantos elogios que impressionou até mesmo seu autor, o escritor inglês George Bernard Shaw. Stewart casou-se em 1938 com Elspeth March que lhe deu dois filhos, Jamie e Lindsey, e com quem permaneceria pelos próximos dez anos. Ganhou notoriedade em 1938 quando fez a peça “The Sun Never Sets” no West End Londrino, mas quando começou a Segunda Guerra Mundial, Stewart abandonou a carreira e se alistou no exército de sua majestade, servindo por dois anos até que um ferimento de combate pôs fim à sua carreira militar. Em 1940 já fazia pontas em filmes britânicos, se destacando em papéis menores até ter sua primeira chance de ser o papel central em 1943 no filme “The Man in Grey”. Stewart passaria toda a década de 40 participando de várias produções que fizeram seu rosto conhecido. Logo não demoraria para chamar a atenção de Hollywood, sempre disposta a importar talentos. A Inglaterra seria assim o berço de vários atores e diretores de renome como Alfred Hitchcock, Charles Chaplin, Laurence Olivier, Vivian Leigh e Jean Simmons, que conhecera Stewart durante as filmagens de “Cesar & Cleopatra” em 1945, e com quem se envolveria sentimentalmente. Simmons que também brilhou no cinema americano em filmes como “Spartacus” e “Entre Deus e o Pecado”, tornou-se sua segunda esposa (com uma diferença de 16 anos entre eles) e ao final dos anos 40, ambos migraram para os Estados Unidos, se naturalizando norte-americanos pouco tempo depois. Enquanto Simmons havia brilhado nas telas como a Ophelia de “Hamlet” pelas mãos de Laurence Olivier, Stewart Granger recebeu sua grande chance assinando com a MGM, para interpretar em 1950 o caçador Allan Quatermain, imaginado pelo escritor H. Rider Haggard em “As Minas do Rei Salomão” (1950). Quatermain, precursor de aventureiros como Indiana Jones, encontrou no porte atlético de Stewart a forma ideal para invadir o imaginário popular. O sucesso foi absoluto com Stewart no papel central ao lado de Deborah Kerr, com quem manteria um curto porém significativo caso de amor.

Granger & Mel Ferrer, inimigos em "Scaramouche"

Granger & Mel Ferrer, inimigos em “Scaramouche”

Depois do sucesso de “As Minas do rei Salomão”, sua hesitação lhe custou o papel principal em “Quo Vadis”, que acabou indo para Robert Taylor. No entanto, o ano de 1952 presenteou o ator britânico com dois importantíssimos papéis que iriam lhe projetar ainda mais a carreira: “O Prisioneiro de Zenda” – novamente contracenando com Deborah Kerr além do compatriota James Mason, por quem Stewart declarou anos depois ter um grande respeito e admiração. No mesmo ano, Stewart Granger assinou com a refilmagem de “Scaramouche”, que havia sido feito com Ramon Navarro ainda no período do cinema mudo. Adaptado do romance do autor italiano Rafael Sabatini (o mesmo que criou “Capitão Blood” e “O Gavião do Mar”), o filme – dirigido por George Sidney – traz a história de Andres Marreau (Granger), um plebeu que desafia o poder dos nobres representado pelo frio e calculista Marquês de Maynes (Mel Ferrer). Cercado pelas belíssimas Eleanor Parker e Janet Leigh, Marreau aprende a dominar a arte da esgrima para estar à altura de seu inimigo, com quem vem a travar a mais longa e mais empolgante cena de duelo de espadas da história do Cinema. Na época, o sucesso foi imediato e a MGM conseguia com isso forjar a imagem do herói sedutor e audacioso que o faria ser visto por muitos como o sucessor de Errol Flynn e que o levaria à capa da revista Life.

Granger & Filho

Granger & Filho

Apesar disso, Granger ambicionava papéís mais desafiadores que o de herói romântico, mas sua carreira – assim como de outros grandes nomes de Hollywood – acabaria lhe marcando a imagem com um estereótipo que o perseguiria por toda a carreira. No ano seguinte, voltou a contracenar com a amada, Jean Simmons, em “A Rainha Virgem”, novamente dirigido por George Sidney, mas o seu papel ficara em segundo plano e as melhores oportunidades apareceriam daí em diante para Simmons, o que prejudicou e desgastou o relacionamento de ambos. Seu papel seguinte foi melhor – dividindo a cena com o galã Robert Taylor – numa história de vingança e ressentimento entre dois irmãos rivais em “Todos os Irmãos eram Valentes”. Ainda assim, Jimmy (como era conhecido nos bastidores) não se satisfazia com os papéis recebidos que somente exploravam sua imagem de amante e aventureiro, como foi seu trabalho seguinte para a MGM, “Tentação Verde”, que resgatava a imagem criada por Allan Quatermain colocando-o ao lado de Grace Kelly. A fórmula da MGM era simples: colocar Stewart Granger em papéis estereotipados de acordo com a imagem fabricada pelo estúdio e sempre ao lado de balas mulheres. Foi assim que trabalhou com Ava Gardner, uma das atrizes mais sedutoras de sua época, em “A Encruzilhada dos Destinos” (1954) e “Dois Amores & uma cabana” (1955), este último uma comédia romântica sobre dois homens (Stewart & David Niven) e uma mulher (Gardner) náufragos em uma ilha do Caribe. Nada mudou para sua imagem nem mesmo quando pulou para Westerns como “A Caçada Final” (1956) – repetindo a dupla com Robert Taylor e “A Arma de um Bravo” (1957) contracenando com Rhonda Fleming. Uma grande oportunidade foi perdida quando Granger conseguiu o papel principal na refilmagem de “Nasce uma Estrela” que veio a ser dirigida por George Cukor em 1954. O papel havia sido planejado para Cary Grant, mas com sua recusa entrou Granger que., no entanto, não suportou os exaustivos ensaios supervisionados por Cukor com requintes de perfeccionismo. Granger não gostou e desistiu do papel que foi para James Mason, e que foi premiado naquele ano com o Oscar de melhor ator. Já passava dos 40 anos e a década de 50 terminava com o fim do casamento de Jimmy e Jean Simmons, que durou 10 anos e deixou uma filha, Tracy cujo nome foi uma homenagem a Spencer Tracy, ator que Stewart Granger muito admirava.

Todos os Irmãos eram valentes

Todos os Irmãos eram valentes

Desencantado com Hollywood e decepcionado com os rumos da própria carreira, Stewart deixou os Estados Unidos e procurou trabalho na Alemanha e na Itália, onde atuou em alguns filmes com pouca ou nenhuma projeção internacional e onde um dos mais conhecidos dessa fase foi “O Espadachim de Siena” de 1962, mas que insistia no mesmo tipo de papel que o desagradava tanto. Voltou a se casar novamente em 1964 com Caroline LeCerf, em uma relação que só durou 5 anos e deixou também uma filha, Samanha. Certa vez chegou a declarar que não sabia o que era mais desastroso em sua vida: seus casamentos ou sua carreira. O fato conhecido é que Stewart Granger, apesar da figura afável dos bastidores, amargava o desgosto de não ter conseguido direcionar melhor seus papéis. Dizia detestar todos, inclusive os que o tornaram popular e se tornaram clássicos de Hollywood como “Scaramouche”. Ainda assim se empenhava sempre, como na época de “Scaramouche” em que aprendeu esgrima com afinco, se tornando um dos maiores astros capaz de fazer as cenas com habilidade extrema, perdendo apenas para Basil Rathbone.

O astro envelhecido

O astro envelhecido

Voltando aos Estados Unidos no final dos anos 60, o cinema já não lhe abria mais as portas e os papéis de galã romântico não se encaixavam mais em sua figura grisalha de quem estava próximo dos 60 anos. Encontrou algum trabalho na TV em séries como “O Homem de Virgínia” e “Hotel” além do posto de ator convidado em séries populares como “Duro na Queda”, “Assassinato por Escrito” ou “Barco do Amor”. No início da década de 80 lançou sua autobiografia “Sparks Fly Upwards” em que declarou seu amor e sua decepção no mundo mágico da telona. Ainda voltou ao teatro em 1990 na peça “The Circle”, quando declarou que o público ficaria surpreso em ver a figura de um homem velho de cabelos brancos. Ficando cada vez mais raros as ofertas de trabalho, Stewart Granger foi diminuindo suas aparições até seu adeus final em 16 de Agosto de 1993, de câncer na próstata. Lamentável que seu talento não tivera maior reconhecimento ou que o ator não reconhecesse que apesar da falta de oportunidades melhores, seu nome brilha como um dos grandes de seu tempo em filmes que deixaram sua marca e seus fãs.

por adilson69

ESTREIAS DA SEMANA : SOMOS TÃO JOVENS

Br 2013. Dir: Antonio Carlos da Fontoura. Com Thiago Mendonça, Sandra Corvelini, Marcos Breda, Bianca Comparato, Bruno Torres, Conrado Godoy, Nicolau Vila-Lobos.

Thiago vive Russo

Thiago vive Russo

Para quem, como eu, viveu os anos 80 sabe a importância da Legião Urbana. O filme que estreia nesta sexta dia 3 de Maio, escrito por Marcos Bernstein (diretor de “Meu Pé de Laranja Lima” e roteirista de “Central do Brasil”) revive a trajetória de Renato Manfredini Junior (1960 – 1996), sua infância e adolescência em uma Brasília ainda sob o jugo do governo militar, passando pela formação do Aborto Elétrico, embrião do que se tornaria depois a maior banda do Rock nacional.
Vivi aquela época. Tinha 15 anos na época de lançamento do primeiro disco da Legião Urbana. Me descobri como membro daquela geração Coca Cola, cantada por Renato que em suas letras abordava suas inquietações pessoais e sua visão da natureza humana, nossas contradições em versos que se encaixavam na psiquê de uma geração recém saída do Rock In Rio e que experimentava a liberdade que antes inexistia. A cada disco lançado, Renato nos fazia questionar que país é esse que vende nossas almas em um leilão. A melodia e o conteúdo era um casamento perfeito que embalava nossas próprias inquietações. Como prova a máxima que diz que em terra de cego, quem tem olho é rei, Renato nos abria os olhos para toda uma realidade e, quase sem querer nos alertava que enquanto andávamos distraídos e indecisos, desperdiçávamos um tempo que não tinhamos mais.

Ele queria abrir nossos olhos em letras maravilhosas.

Ele queria abrir nossos olhos em letras maravilhosas.

Suas letras, ainda atuais, ecoavam em nossas cabeças e desafiava os críticos que o detratavam. Em certa ocasião, em uma entrevista, Renato teria dito que o crítico de um jornal paulista teria chamado o LP “Que País é este” (1988) de um disco esquálido e primitivo. Assim era o trabalho da banda, desafiava os surdos e teimosos que se recusavam a reconhecer os acordes e letras de canções como Angra dos Reis e Faroeste Caboclo que invadiam as rádios e ganhavam vidas cantaroladas por todos nós que aguardávamos religiosamente o próximo trabalho de Renato, Bonfá e Dado.
Eu estava presente no show da Legião Urbana em 1993 (ou teria sido em 1994) e pulei e cantei com grande prazer que na verdade não existe amanhã e que não estamos livres como achávamos, os assassinos sim. Quem viveu sabe e quem descobriu depois também a falta que faz nesse país aquele trovador solitário que nos convidava a cantar a perfeição que nunca existiu nesse país de contrastes e injustiças. Sua opção sexual nunca importou, suas falhas humanas também não, porque se pararmos para pensar, vamos descobrir que o mundo anda cada vez mais complicado, mas só por hoje vamos tentar acreditar que há de chegar um dia que tudo há de ser melhor.

por adilson69