ESTREIAS DA SEMANA : SOMOS TÃO JOVENS

Br 2013. Dir: Antonio Carlos da Fontoura. Com Thiago Mendonça, Sandra Corvelini, Marcos Breda, Bianca Comparato, Bruno Torres, Conrado Godoy, Nicolau Vila-Lobos.

Thiago vive Russo

Thiago vive Russo

Para quem, como eu, viveu os anos 80 sabe a importância da Legião Urbana. O filme que estreia nesta sexta dia 3 de Maio, escrito por Marcos Bernstein (diretor de “Meu Pé de Laranja Lima” e roteirista de “Central do Brasil”) revive a trajetória de Renato Manfredini Junior (1960 – 1996), sua infância e adolescência em uma Brasília ainda sob o jugo do governo militar, passando pela formação do Aborto Elétrico, embrião do que se tornaria depois a maior banda do Rock nacional.
Vivi aquela época. Tinha 15 anos na época de lançamento do primeiro disco da Legião Urbana. Me descobri como membro daquela geração Coca Cola, cantada por Renato que em suas letras abordava suas inquietações pessoais e sua visão da natureza humana, nossas contradições em versos que se encaixavam na psiquê de uma geração recém saída do Rock In Rio e que experimentava a liberdade que antes inexistia. A cada disco lançado, Renato nos fazia questionar que país é esse que vende nossas almas em um leilão. A melodia e o conteúdo era um casamento perfeito que embalava nossas próprias inquietações. Como prova a máxima que diz que em terra de cego, quem tem olho é rei, Renato nos abria os olhos para toda uma realidade e, quase sem querer nos alertava que enquanto andávamos distraídos e indecisos, desperdiçávamos um tempo que não tinhamos mais.

Ele queria abrir nossos olhos em letras maravilhosas.

Ele queria abrir nossos olhos em letras maravilhosas.

Suas letras, ainda atuais, ecoavam em nossas cabeças e desafiava os críticos que o detratavam. Em certa ocasião, em uma entrevista, Renato teria dito que o crítico de um jornal paulista teria chamado o LP “Que País é este” (1988) de um disco esquálido e primitivo. Assim era o trabalho da banda, desafiava os surdos e teimosos que se recusavam a reconhecer os acordes e letras de canções como Angra dos Reis e Faroeste Caboclo que invadiam as rádios e ganhavam vidas cantaroladas por todos nós que aguardávamos religiosamente o próximo trabalho de Renato, Bonfá e Dado.
Eu estava presente no show da Legião Urbana em 1993 (ou teria sido em 1994) e pulei e cantei com grande prazer que na verdade não existe amanhã e que não estamos livres como achávamos, os assassinos sim. Quem viveu sabe e quem descobriu depois também a falta que faz nesse país aquele trovador solitário que nos convidava a cantar a perfeição que nunca existiu nesse país de contrastes e injustiças. Sua opção sexual nunca importou, suas falhas humanas também não, porque se pararmos para pensar, vamos descobrir que o mundo anda cada vez mais complicado, mas só por hoje vamos tentar acreditar que há de chegar um dia que tudo há de ser melhor.

por Adilson Cinema

Um comentário em “ESTREIAS DA SEMANA : SOMOS TÃO JOVENS

  1. Adilson,
    me emocionei ao ler o seu texto sobre o Renato e legião. Sou muito fã!!!! Ainda não assisti Somos Tão Jovens, porém estou ansiosa. Sinto falta daquela geração… ao menos questionávamos sobre questões tão relevantes como consciência política!

    Parabéns pelo blog!!! D++++++
    Adorei!

    Camila.

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