GALERIA DAS ESTRELAS : STEWART GRANGER – 100 ANOS

Stewart Granger

Stewart Granger

Ele abandonou uma promissora carreira de médico para abraçar a mesma carreira de seu avô ( o ator Luigi Lablanche), provou seu talento nas telas e nos palcos de sua terra natal, a Inglaterra, antes de migrar para Hollywood, onde por ser homônimo de um outro ator – muito famoso – teve que mudar seu nome verdadeiro, James Lablanche Stewart para Stewart Granger, que hoje celebraria 100 anos de uma vida dedicada à arte de interpretar.
Nascido em Londres, em 6 de Maio de 1913, Stewart frequentou a Faculdade Epsom onde se prepararia para a carreira de médico, mas a interrompeu se matriculando na Escola de Arte Dramática Webber-Douglas. Aos 22 anos, já subiu aos palcos Londrinos na peça “The Cardinal at Hull” e permaneceu nos dois anos seguintes na Compania de teatro Birmingham Repertory em vários outros trabalhos que foram lhe moldando o talento e lhe abrindo portas para papéis cada vez melhores e chegando, inclusive, a fazer parte de seleto grupo de atores ingleses a trabalhar para os Estúdios Gainsborough, do qual também fazia parte James Mason, e colecionava sucessos naqueles anos primordiais do cinema inglês. Sua atuação na peça “The Apple Cart” ganhou tantos elogios que impressionou até mesmo seu autor, o escritor inglês George Bernard Shaw. Stewart casou-se em 1938 com Elspeth March que lhe deu dois filhos, Jamie e Lindsey, e com quem permaneceria pelos próximos dez anos. Ganhou notoriedade em 1938 quando fez a peça “The Sun Never Sets” no West End Londrino, mas quando começou a Segunda Guerra Mundial, Stewart abandonou a carreira e se alistou no exército de sua majestade, servindo por dois anos até que um ferimento de combate pôs fim à sua carreira militar. Em 1940 já fazia pontas em filmes britânicos, se destacando em papéis menores até ter sua primeira chance de ser o papel central em 1943 no filme “The Man in Grey”. Stewart passaria toda a década de 40 participando de várias produções que fizeram seu rosto conhecido. Logo não demoraria para chamar a atenção de Hollywood, sempre disposta a importar talentos. A Inglaterra seria assim o berço de vários atores e diretores de renome como Alfred Hitchcock, Charles Chaplin, Laurence Olivier, Vivian Leigh e Jean Simmons, que conhecera Stewart durante as filmagens de “Cesar & Cleopatra” em 1945, e com quem se envolveria sentimentalmente. Simmons que também brilhou no cinema americano em filmes como “Spartacus” e “Entre Deus e o Pecado”, tornou-se sua segunda esposa (com uma diferença de 16 anos entre eles) e ao final dos anos 40, ambos migraram para os Estados Unidos, se naturalizando norte-americanos pouco tempo depois. Enquanto Simmons havia brilhado nas telas como a Ophelia de “Hamlet” pelas mãos de Laurence Olivier, Stewart Granger recebeu sua grande chance assinando com a MGM, para interpretar em 1950 o caçador Allan Quatermain, imaginado pelo escritor H. Rider Haggard em “As Minas do Rei Salomão” (1950). Quatermain, precursor de aventureiros como Indiana Jones, encontrou no porte atlético de Stewart a forma ideal para invadir o imaginário popular. O sucesso foi absoluto com Stewart no papel central ao lado de Deborah Kerr, com quem manteria um curto porém significativo caso de amor.

Granger & Mel Ferrer, inimigos em "Scaramouche"

Granger & Mel Ferrer, inimigos em “Scaramouche”

Depois do sucesso de “As Minas do rei Salomão”, sua hesitação lhe custou o papel principal em “Quo Vadis”, que acabou indo para Robert Taylor. No entanto, o ano de 1952 presenteou o ator britânico com dois importantíssimos papéis que iriam lhe projetar ainda mais a carreira: “O Prisioneiro de Zenda” – novamente contracenando com Deborah Kerr além do compatriota James Mason, por quem Stewart declarou anos depois ter um grande respeito e admiração. No mesmo ano, Stewart Granger assinou com a refilmagem de “Scaramouche”, que havia sido feito com Ramon Navarro ainda no período do cinema mudo. Adaptado do romance do autor italiano Rafael Sabatini (o mesmo que criou “Capitão Blood” e “O Gavião do Mar”), o filme – dirigido por George Sidney – traz a história de Andres Marreau (Granger), um plebeu que desafia o poder dos nobres representado pelo frio e calculista Marquês de Maynes (Mel Ferrer). Cercado pelas belíssimas Eleanor Parker e Janet Leigh, Marreau aprende a dominar a arte da esgrima para estar à altura de seu inimigo, com quem vem a travar a mais longa e mais empolgante cena de duelo de espadas da história do Cinema. Na época, o sucesso foi imediato e a MGM conseguia com isso forjar a imagem do herói sedutor e audacioso que o faria ser visto por muitos como o sucessor de Errol Flynn e que o levaria à capa da revista Life.

Granger & Filho

Granger & Filho

Apesar disso, Granger ambicionava papéís mais desafiadores que o de herói romântico, mas sua carreira – assim como de outros grandes nomes de Hollywood – acabaria lhe marcando a imagem com um estereótipo que o perseguiria por toda a carreira. No ano seguinte, voltou a contracenar com a amada, Jean Simmons, em “A Rainha Virgem”, novamente dirigido por George Sidney, mas o seu papel ficara em segundo plano e as melhores oportunidades apareceriam daí em diante para Simmons, o que prejudicou e desgastou o relacionamento de ambos. Seu papel seguinte foi melhor – dividindo a cena com o galã Robert Taylor – numa história de vingança e ressentimento entre dois irmãos rivais em “Todos os Irmãos eram Valentes”. Ainda assim, Jimmy (como era conhecido nos bastidores) não se satisfazia com os papéis recebidos que somente exploravam sua imagem de amante e aventureiro, como foi seu trabalho seguinte para a MGM, “Tentação Verde”, que resgatava a imagem criada por Allan Quatermain colocando-o ao lado de Grace Kelly. A fórmula da MGM era simples: colocar Stewart Granger em papéis estereotipados de acordo com a imagem fabricada pelo estúdio e sempre ao lado de balas mulheres. Foi assim que trabalhou com Ava Gardner, uma das atrizes mais sedutoras de sua época, em “A Encruzilhada dos Destinos” (1954) e “Dois Amores & uma cabana” (1955), este último uma comédia romântica sobre dois homens (Stewart & David Niven) e uma mulher (Gardner) náufragos em uma ilha do Caribe. Nada mudou para sua imagem nem mesmo quando pulou para Westerns como “A Caçada Final” (1956) – repetindo a dupla com Robert Taylor e “A Arma de um Bravo” (1957) contracenando com Rhonda Fleming. Uma grande oportunidade foi perdida quando Granger conseguiu o papel principal na refilmagem de “Nasce uma Estrela” que veio a ser dirigida por George Cukor em 1954. O papel havia sido planejado para Cary Grant, mas com sua recusa entrou Granger que., no entanto, não suportou os exaustivos ensaios supervisionados por Cukor com requintes de perfeccionismo. Granger não gostou e desistiu do papel que foi para James Mason, e que foi premiado naquele ano com o Oscar de melhor ator. Já passava dos 40 anos e a década de 50 terminava com o fim do casamento de Jimmy e Jean Simmons, que durou 10 anos e deixou uma filha, Tracy cujo nome foi uma homenagem a Spencer Tracy, ator que Stewart Granger muito admirava.

Todos os Irmãos eram valentes

Todos os Irmãos eram valentes

Desencantado com Hollywood e decepcionado com os rumos da própria carreira, Stewart deixou os Estados Unidos e procurou trabalho na Alemanha e na Itália, onde atuou em alguns filmes com pouca ou nenhuma projeção internacional e onde um dos mais conhecidos dessa fase foi “O Espadachim de Siena” de 1962, mas que insistia no mesmo tipo de papel que o desagradava tanto. Voltou a se casar novamente em 1964 com Caroline LeCerf, em uma relação que só durou 5 anos e deixou também uma filha, Samanha. Certa vez chegou a declarar que não sabia o que era mais desastroso em sua vida: seus casamentos ou sua carreira. O fato conhecido é que Stewart Granger, apesar da figura afável dos bastidores, amargava o desgosto de não ter conseguido direcionar melhor seus papéis. Dizia detestar todos, inclusive os que o tornaram popular e se tornaram clássicos de Hollywood como “Scaramouche”. Ainda assim se empenhava sempre, como na época de “Scaramouche” em que aprendeu esgrima com afinco, se tornando um dos maiores astros capaz de fazer as cenas com habilidade extrema, perdendo apenas para Basil Rathbone.

O astro envelhecido

O astro envelhecido

Voltando aos Estados Unidos no final dos anos 60, o cinema já não lhe abria mais as portas e os papéis de galã romântico não se encaixavam mais em sua figura grisalha de quem estava próximo dos 60 anos. Encontrou algum trabalho na TV em séries como “O Homem de Virgínia” e “Hotel” além do posto de ator convidado em séries populares como “Duro na Queda”, “Assassinato por Escrito” ou “Barco do Amor”. No início da década de 80 lançou sua autobiografia “Sparks Fly Upwards” em que declarou seu amor e sua decepção no mundo mágico da telona. Ainda voltou ao teatro em 1990 na peça “The Circle”, quando declarou que o público ficaria surpreso em ver a figura de um homem velho de cabelos brancos. Ficando cada vez mais raros as ofertas de trabalho, Stewart Granger foi diminuindo suas aparições até seu adeus final em 16 de Agosto de 1993, de câncer na próstata. Lamentável que seu talento não tivera maior reconhecimento ou que o ator não reconhecesse que apesar da falta de oportunidades melhores, seu nome brilha como um dos grandes de seu tempo em filmes que deixaram sua marca e seus fãs.

por Adilson Cinema

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