O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – OS FILMES

Em 1974, os monstros clássicos do terror estavam desgastados. Apesar do bom resultado que seria obtido por John Badham em sua versão de Drácula em 1976, o público se encontrava achatado pela realidade pós-Vietnã e pela crescente onda de criminalidade nas ruas. O medo tomava novas formas e a fantasia perdia espaço. Foi quando surgiu “O Massacre da Serra Elétrica” (The Texas Chain Saw Massacre), um filme independente de 1974, de baixo orçamento cujo realismo e violência explícita chocaram a todos ao mostrar seres humanos agindo como monstros cruéis e sádicos, supostamente baseados em fatos reais.

O Filme Original

O Filme Original

De acordo com a narração inicial do filme, em agosto de 1973, a polícia atendeu a um chamado que a levou a casa da família Sawyer onde funcionava o matadouro local do distrito de Travis, no estado do Texas, encontrando os restos mortais de 33 pessoas mortas com requintes de crueldade extrema. O assassino usava uma máscara feita a partir da pele do rosto de suas vítimas e usava uma motoserra. O fato, na verdade, foi adaptado a partir do assassino da vida real Ed Gains, que também serviu de inspiração para o filme “Psicose” de Hithcock. Como o filme de Tobe Hopper foi filmado entre Julho e Agosto de 1973, é praticamente impossível – apesar do que se fez acreditar – que os eventos do filme tenham acontecido na data antes mencionada.

O Assassino da vida real

O Assassino da vida real

Contudo, o fato é que o sucesso do filme foi assombroso, tendo tido um orçamento de menos de 150 mil dólares que arrecadou mais de 30 milhões só nos Estados Unidos. O filme dividiu opiniões dos críticos como Dave Kehr , do “Chicago Reader” e Roger Ebert (recentemente falecido) do “Chicago Sun-Times” que elogiaram a inventividade do filme em assustar apesar da repulsa que gera; enquanto outros o apontaram como lixo brutal e de mal gosto. Ainda assim, o filme obteve o prêmio do Festival de Filme Fantástico de Avoriaz e ganhou, com o passar do tempo, o status de cult atribuído por toda uma geração que o redescobriu posteriormente e o idolatrou apesar dos defeitos e das limitações de orçamento. Estas eram tão toscas que o ator Gunnar Hansen, que interpretou o assassino Leatherface, precisava usar a mesma camisa durante toda a filmagem – sem lavar pois havia sido tingida – apesar do desagradável odor de suor acentuado pelo calor do Texas. O ator bateu sua cabeça várias vezes porque a máscara limitava sua visão periférica e o salto alto o fazia tropeçar em vários objetos de cena.

Leatherface

Leatherface

Por mais tosco que seja, Leatherface inspirou a criação de Jason de “Sexta Feira 13” e o Michael Myers de “Halloween” que fizeram sucesso na década de 80 retalhando jovens e chacinando multidões nas telas. A própria premissa parece copiada por Wes Craven anos depois em “Quadrilha de Sádicos”, refilmado recentemente como “Viagem Maldita”. O elenco, todo de desconhecidos, não fez carreira, mas o diretor foi – tempos depois – escolhido por Steven Spielberg para dirigir “Poltergeist”. Escolhido pela revista “Entertainment Weekly” como o segundo filme mais assustador de todos os tempos, perdendo a primeira colocação para “O Exorcista”, Leatherface voltou às telas em sequências e refilmagens que reviveram o terror do Texas. O próprio Tobe Hopper dirigiu a continuação “The Texas Chain Saw Massacre 2” em 1986 com Dennis Hopper e Caroline Williams e trazendo Bill Johnson como Leatherface. Em 1990, um terceiro filme foi feito em 3D, “ Leatherface : The Texas Chain Saw Massacre 3”, sem referência aos eventos do filme original e sem nenhum envolvimento de Tobe Hopper. Um quarto filme, entitulado “The Return of the Texas Chain Saw Massacre” , foi lançado em 1994 com Mattheu McCoughney e Renee Zellweger.

A Primeira Refilmagem

A Primeira Refilmagem

Um remake foi feito em 2003, dirigido por Marcus Nispel e trazendo Jessica Biel no elenco. Três anos depois vem uma prequela entitulada “The Texas Chain Saw Massacre – The Beginning” , dirigida por Jonathan Liebsman e com Jordana Brewster mostra o interesse dos fãs do gênero pela franquia que agora volta com esse novo filme que parte direto do primeiro filme, ignorando as demais sequências. Parece inacreditável que um filme despretensioso tenha ido tão longe no imaginário popular. Na comédia de 1983, “Curso de Verão” (Summer School) dois adolescentes idolatram o filme de 1974 e vivem encenando como se fossem Leatherface. Hilária metalinguagem que mostra que o apelo do cine trash é incontestável, seja na vida real ou na ficção.

por Adilson Cinema

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