ESTREIAS DA SEMANA : 28 DE FEVEREIRO – CARNAVAL NO CIINEMA

Sem Escalas ( Non Stop) EUA 2014. Dir: Jaume Collet Sauma. Com Liam Neeson, Julianne Moore, Amanda Quaid, Lupita Nyong’o. Ação

Busca Implacavel em um avião

Busca Implacavel em um avião

A bordo de um avião, vários assassinatos levam o agente das Forças Áereas Bill Marks a uma corrida contra o tempo antes do avião ,que deixou Nova York em direção a Londres, pousar para localizar o assassino  misterioso. Liam Neeson gostou do gênero ação. Depois do sucesso de “Busca Implacável” e “Busca Implacável 2”, o excelente ator retorno em filme que traz os clichês do “Whodunit” , aquele modelo de suspense a la Agatha Christie em que um crime é cometido e todos são vítimas e suspeitos. Entre os passageiros observem Lupita Nyong’o, candidata ao Oscar de atriz coadjuvante por “Capitão Philips”.

As Aventuras de Mr.Peabody & Sherman (Mr.Peabody & Sherman) EUA 2014. Dir: Rob Monkoff. Vozes de Ty Burrell, Max Charles, Ariel Winter. Animação.

Um garoto é o melhor amigo de um cão

Um garoto é o melhor amigo de um cão

Mr.Peabody é o cachorro mais inteligente do mundo e embarca em uma máquina do tempo para impedir que a história do mundo seja alterada levando consigo seu dono de estimação, o garoto Sherman. Os personagens forma criados pelo animador Jay Ward em 1959 e eram originalmente exibidos junto com o desenho de Alceu & Dentinho. (The Adventures of Rocky & Bullwinkle). Os personagens não são muito populares no Brasil, apesar de já terem sido exibidos em nossa telinha na Record e Cartoon. A animação em 3D pode funcionar de forma a apresentar o esperto cão e seu dono às plateias de hoje, mas o grande apelo acaba sendo para os que lembrarem da sessão desenho de sua infância e da ironia de ver um cão e um humano em papéis invertidos. Na dublagem brasileira, a voz de Alexandre Borges para Mr. Peabody.

Tudo por um Furo (The Anchorman 2 – The Legend Continues) EUA 2014. Dir: Adam McCay. Com Will Ferrell, Steve Carrell, David Koechner, Cristina Appelgate, Dylan Baker, Greg Kinnear, James Marsden, Harrison Ford. Comédia.

O Ancora 2

O Ancora 2

O âncora Ron Burgundy (Ferrell) reúne sua antiga equipe (do filme “O Âncora”) para viajar a Nova York onde aceitou trabalhar para um conglomerado do ramo das telecomunicações. No Brasul, Will Ferrell nunca teve um público muito expressivo, o que pode significar um desempenho apenas mediano nas bilheterias dessa sequência, que demorou 10 anos para ser feita. Ferrell, que co-escreveu o roteiro junto ao diretor Adam McCay, mira numa sátira ao quarto poder, representado pela imprensa, mas permite que outras coisas diluam seu alvo, principalmente por lidar com a realidade socio-politica norte-americana, o que significa que o público médio pode não entender a “graça” de algumas piadas. O filme ainda abre espaço para pontas de prestigio como Harisson Ford.

IN MEMORIAN : HAROLD RAMIS

Harold Ramis em foto de 2009

Harold Ramis em foto de 2009

 

Faleceu nesta segunda dia 24 de fevereiro o ator, diretor e roteirista Harold Ramis (1944-2014) mais conhecido por seu papel como o Dr.Egon Sprangler do filme “Os Caça-Fantasmas” (Ghostbusters) – 1984 e sua sequência “Os Caça Fantasmas 2” (Ghostbusters 2) – 1989. Ramis atuou pouco mas teve uma carreira de destaque  seja como roteirista (Clube dos Cafajestes, Feitiço do Tempo etc…) ou diretor (Feitiço do Tempo, Máfia no Divã etc…). Seu último trabalho foi na cadeira de diretor de “Ano Um” (2009) com Jack Black e Michael Cera. No início de sua carreira, trabalhou como editor da revista Playboy antes de fazer outros trabalhos. Ramis lutava, já há alguns anos, contra a vasculite inflamatória antiimune, que o afastou de novos trabalhos. Há alguns anos surgiram rumores de um “Caça-Fantasmas 3” reunindo o elenco original. Lamentamos , os fãs, que isso já não seja mais possível. Descanse em Paz.

por adilson69

MUDANÇAS NAS DATAS A PARTIR DE MARÇO

PLATEIAA

Há cerca de vinte anos que as estreias no circuito nacional têm sido sempre às sextas. Pois a partir de 13 de Março isso muda, então fiquem ligados. A FENEEEC (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas) anunciou o acordo entre exibidores e distribuidores para que quinta-feira torne-se a nova data para os lançamentos em nossas telas visando a demanda do público frequentador. As estreias de “Vampire Academy, o beijo das sombras”, “Need for speed” e “Refém da Paixão” já ocorreram na nova data, assim como os demais filmes a partir daí. A medida parece boa mas bem que se poderia baixar mais o valor das entradas. O cinema pode ser a maior diversão, mas certamente deixou de ser a mais barata.

OSCAR 2014 NO DOMINGO

Oscar 2014

Oscar 2014

Amigos, não se esqueçam de conferir a entrega dos Academy Awards neste próximo domingo dia 2 às dez horas. A transmissão como sempre contará com os maravilhosos comentários de Rubens Ewald Filho, o maior crítico de cinema do país. O mestre de cerimônias será, pela segunda vez, Ellen Degeneres e entre os apresentadores teremos John Travolta, Bradley Cooper, Zac Efron, Amy Adams, Anne Hathaway, Benedict Cumberbatch ( O Sherlock da BBC e vilão de Star Trek Into Darkness), Robert DeNiro, Chris Hemsworth (o Thor), a veterana Kim Novak, Joseph Gordon Levitt, Jim Carrey, Kerry Washington, Christopher Waltz, o veterano Sidney Poitier, Ewan MacGregor, Emma Watson, Will Smith, Charlize Theron, Goldie Hawn, Jamie Foxx, Angelina Jolie, Brad Pitt entre outros.

Os atores indicados

Os atores indicados

Mesmo que as premiações do Golden Globe, do SAG Awards e do Critics Choice Awards sirvam de termômetro, a Academia costuma discordar. Se as previsões, no entanto, se confirmarem teremos Cate Blanchet, Jared Leto, Matthew McCougney e Jennifer Lawrence entre os prováveis vencedores. Da mesma forma Alfonso Cuarón permanece o favorito na categoria direção, o que celebraria um filme de gênero raramente reconhecido pela Academia, a Ficção Científica.

as atrizes indicadas

as atrizes indicadas

Os prêmios técnicos certamente irão para “Gravidade”, mas – mesmo assim – conforme dito – é sempre melhor esperar. Essa 86ª edição do prêmio, que se dará no Teatro Dolby em Los Angeles, California, homenageará os filmes de super heróis, os heróis dos desenhos animados e os heróis da vida real. Meryl Streap comparece com a 18ª indicação (um recorde) por “Album de Familia”. Enfim, é  assistir e torcer por seus favoritos que o blogcineonline publica a lista dos vencedores. And The Oscar Goes To ….

os diretores indicados

os diretores indicados

ESTREIAS DA SEMANA : 21 DE FEVEREIRO

Robocop. (Robocop) 2013. Dir: José Padilha. Com Joel Kinnaman, Gary Oldman, Samuel L.Jackson, Michael Keaton. Ficção científica.

A Volta do policial do futuro

A Volta do policial do futuro

As informações sobre a refilmagem de Robocop foram postadas ontem, então, é só dar uma conferida abaixo galera. Procuremos não comparar com o original, embora seja bem difícil, principalmente por se tratar de um filme tão conhecido. José Padilha é um diretor competente e o elenco reunido é muito bom, prometendo dar uma nova roupagem para o dilema do homem máquina que luta para manter sua individualidade e sua humanidade após ser transformado no novo símbolo de manutenção da lei numa realidade em que a corrupção e o sistema suplantaram o que é moral, e sobretudo o que é humano. Vale a pena assistir.

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave) EUA / RU 2013. Dir: Steve McQueen. Com Schiwetel Ejofor, Lupita Nyongo, Michael Fassbender, Sarah Poulson, Benjamim Cumberbatch. Drama

Eijofor e Fassbinder

Eijofor e Fassbinder

As 9 indicações ao Oscar impulsionam o lançamento dessa história real de um homem negro escravizado nos Estados Unidos em um período anterior à Guerra de Secessão e que vive o horror de se ver privado não só de sua liberdade, mas também de sua dignidade humana quando vai parar nas mãos do cruel fazendeiro Edwin Epps (Fassbender) que está cheio de má intenção com a escrava Patsey (Nyongo) que lhe desperta a libido. Um filme com esse funciona como uma mea culpa assumida por um país onde o presidente é negro e onde o preconceito racial e a intolerância já alcançou uma dimensão enorme ao ponto de se vê criar uma organização como a Ku Klux Khan. Produzido por Brad Pitt, que faz uma rápida aparição na tela, o filme encontra certamente paralelos em nossa própria sociedade já que também no Brasil a escravidão é uma página vergonhosa em nossa história e já rendeu obras clássicas como “Escrava Isaura” e “Sinhá Moça”.

Pompeia (Pompeii) EUA 2014. Dir: Paul W. S Anderson. Com Kit Harrington, Emily Browning, Carrie Anne Moss, Jared Harris, Kiefer Sutherland. Épico.

Titanic virou vulcão

Titanic virou vulcão

Típico de filme em que a história e os personagens ficam em segundo plano. O que todo mundo vai querer assistir é a explosão do Monte Vesúvio e a destruição da cidade italiana que batiza o filme. Tudo com o requinte da produção em 3D para valorizar o filme e disfarçar suas fragilidades. Ah, a história  mostra o escravo Milo (Harrinton) que se rebela contra sua condição para salvar a muher que ama (Browning) de um destino terrível ao ser prometida para um senador (Sutherland). Ainda tem o amigo gladiador que Milo tentará ajudar antes da erupção que entrou para a historia e que já foi outras vezes adaptada para o cinema e a Tv, o que inclui uma minisérie de 1984.  O filme traz um argumento similar a outras produções do gênero catástrofe, até mesmo Titanic mas o novato Harrinton não é Leonardo DiCaprio e a direção desta nova produção é de Paul W.S Anderson da cine série “Resident Evil”, que está longe de ter o mesmo talento que James Cameron, apesar dos exageros deste último. Contudo,

Clube de Compras Dallas (Dallas Buyer Club) EUA 2014. Dir: Jean Marc Vallee. Com Matthew MacCoughney, Jared Leto, Jennifer Garner, Dennis O’Hare. Drama.

atuações premiadas

atuações premiadas

MacCoughney & Leto ganharam respectivamente o Golden Globe de melhor ator e melhor ator coadjuvante, além de  serem os favoritos para os Oscars de mesma categoria. Logo, essa é a oportunidade de conferir suas atuações com a chegada do filme em nossas telas. Na história, o eletricista Ron Woodrofof (MacCoughney) , soropositivo, monta um esquema de fornecimento de drogas para prolongar os tratamentos dos portadores da doença como ele próprio e o travesti Rayon (Leto). O filme retrata o inicio da epidemia de AIDS nos anos 80 e se propõe a denunciar os abusos da indústria farmacêutica e ineficácia dos governos em agir de forma a salvar vidas. O tema é interessante e abre, de fato, espaço para discussões que não se prenderam apenas ao período retratado como também ao mundo atual já que o poder da referida indústria é ainda incontestável.

por adilson69

O NOVO ROBOCOP

Ele é a lei.

Ele é a lei.

O apelo original do personagem,  criado na segunda metade da década de 80, foi diluindo e ficando muito aquém daquele promissor início do filme de 1987 e que José Padilha agora tentará restabelecer junto às plateias de hoje, em uma realidade em que o crime e a corrupção ainda são as grandes mazelas da sociedade. Fui um daqueles que torceram o nariz para a refilmagem de Robocop, mas tenho que tirar o chapéu para o trabalho de José Padilha. O diretor brasileiro (Tropa de Elite 1 e 2) conseguiu dinamizar alguns aspectos da história original, como o relacionamento de Alex Murphy com sua esposa e filho e a questão da corrupção deturpando os conceitos de justiça e humanidade que estão se perdendo no mundo. Nada mais atual e com um elenco de nomes como Gary Oldman, Michael Keaton e Samuel L. Jackson. O desconhecido John Kinnerman parece ser – a princípio –  uma boa escolha para o papel do protagonista robótico com a missão de substituir Peter Weller, que na ocasião do lançamento do filme mereceu os elogios do conceituado crítico norte-americano Roger Ebert que admitiu que Weller tinha “ impressionante esforço de forma a despertar a simpatia por sua condição”  involuntária mas aceita com um conflito para não deixar sua parte mecânica superar o lado humano, quase como um homem de lata do conto “O Mágico de Oz” em busca de sua humanidade. O novo filme traz boas cenas de ação, mas não espere a violência tão acentuada quanto no filme original. Algumas cenas podem ser fortes, mas a preocupação com o politicamente correto estará lá, como sinal da mudança em tempos recentes. Contudo, Robocop tem outros atrativos que a mera explosão de um carro ou tiros disparados a revelia. Padilha, que levou sua equipe de “Tropa de Elite” para abraçar a missão de reintroduzir o personagem para a nova geração é um diretor competente e encontra certamente aqui paralelos com seus trabalhos anteriores. É ver para conferir, até porque as comparações com o filme de Verhoeven serão inevitáveis como ocorre com qualquer refilmagem. Se vai ser tão bom quanto o filme de 1987, é necessário conferir, mas não há duvida que é um trabalho respeitoso aos fãs do personagem e aos apreciadores de um bom filme de ação.

Dilema clássico da literatura de ficção cientifica : Máquina ou homem ?

Dilema clássico da literatura de ficção cientifica : Máquina ou homem ?

por adilson69

A VOLTA DE ROBOCOP

O filme de 1987 e capa da revista SET nº4

O filme de 1987 e capa da revista SET nº4

Era Outubro de 1987 e a capa da extinta revista “SET cinema & vídeo”  trazia na capa de sua edição nº4 a imagem de um novo herói, meio homem, meio máquina, um tira total, conforme anunciado pelo cartaz promocional do filme. O filme foi na época um grande sucesso de bilheteria impulsionando em Hollywood a carreira de seu diretor, o holandês Paul Verhoven. Curiosamente, este quando leu pela primeira vez o roteiro do filme, jogou-o no lixo, mas sua esposa o convenceu a pegar de volta e aceitar o trabalho. O filme, que teve orçamento de US$ 13 milhões, flertava com a linguagem das histórias em quadrinhos e não escondia a influência do trabalho do artista Frank Miller em Batman, fosse pelo visual do policial robótico ou pelo uso da mídia televisa como um elemento narrativo constante e onipresente no roteiro do filme. Na história de Edward Neumeir & Michael Miner, o honesto policial Alex Murphy (Peter Weller) é morto em combate de forma desumana e cruel pelo terrível bandido Clarence Boddicker (Kurtwood Smith) e o que resta de seu corpo e cérebro é mesclado a um organismo cibernético criado pela OCP (Omni Produtos de Consumo), uma multinacional responsável pela polícia de uma Detroit futurista e violenta, na qual a segurança do cidadão é entregue a uma organização privatizada e desalmada, crítica ferrenha de um capitalismo selvagem. No filme, a consciência abalada de Murphy vai aos poucos, e com a ajuda de sua parceira a oficial Lewis (Nancy Allen) , sobrepujando a programação recebida e recuperando as memórias de sua vida anterior, o que o levará a se rebelar contra a OCP quando descobrir a ligação entre Dick Jones (Ronny Cox) – alto oficial da empresa – e os crimes de Clarence, contra quem busca vingança. A roupa de Robocop preta e prateada, que custou entre $500.000 e $1 milhão, demorava horas para ser vestida por Peter Weller e era muito pesada, o que por um lado dificultava para o ator mas por outro salientava ainda mais seus movimentos robóticos. Na cena em que o personagem sai de dentro do carro, o ator foi filmado de forma a parecer que este saía de  dentro do veículo quando na verdade o ator não conseguia se sentar nele com a roupa completa. Outra curiosidade é que a atriz que faz a secretária de Dick Jones é a esposa, na vida real, de Kurtwood Smith, o Clarence Boddicker.

Ronny Cox, o vilão do primeiro filme, e sua criação monstruosa.

Ronny Cox, o vilão do primeiro filme, e sua criação monstruosa.

O filme aproveita ideias já exploradas antes na literatura de ficção científica como “Cyborg” , de Martin Caidin (que foi adaptado para a Tv no seriado clássico “O Homem de Seis Milhões de Dolares”) e nos contos de Isaac Azimov em que este desenvolveu as leis da robótica, claramente servindo de base para as 3 diretrizes de Robocop que são “Servir o público, proteger o inocente e garantir a manutenção da lei”.Contudo, muito longe de se entregar a uma discussão filosófica a respeito do que define o homem e a máquina, Robocop era um filme de ação sem a preocupação de ser politicamente correto, usando e abusando da violência explícita com um total de 30 mortos nos seus 102 minutos originais de projeção, o que o levou a ser reclassificado pelo MPAA (órgão que regula as faixas etárias estabelecidas para os filmes) 12 vezes antes de ser finalmente liberado. O filme chegou a ser indicado ao Oscar nas categorias de melhor som e melhor montagem. Perdeu mas ganhou o Saturn Awards, premiação voltada para os filmes do gênero fantástico.  Após o sucesso de Robocop, Verhoeven e Neumeier voltaram a trabalhar juntos em “Tropas Estelares” (Starship Troopers – 1998)

O segundo filme

O segundo filme

“Robocop” foi marcante por empregar a tecnologia à disposição na época aliada à linguagem das Hqs, que naquele final da década de 80 alcançava um forte apelo artístico e comercial em obras como a de Frank Miller, principalmente por mostrar a mídia televisiva como elemento manipulador da opinião pública. Tal afinidade e dinâmica eram tão acentuadas que o artista  foi convidado a escrever o roteiro da sequência que seria lançada em 1990 sem a direção de Paul Verhoeven que achava cedo demais para uma continuação. Tim Hunter chegou a assumir o posto de diretor, mas abandonou o projeto devido a diferenças criativas. Coube então a Irvin Keshner (diretor de “O Império Contra Ataca”) preparar o filme que veio a ser classificado como impossível de ser filmado de acordo com o roteiro original de Miller. O resultado foi uma mudança tão grande no roteiro que o filme se tornou uma pálida imitação do primeiro trocando Clarence por um perigoso traficante que tem sua mente implantado em um robô. O próprio Keshner, em carta publicada no Los Angeles Times, reconhecia as falhas do filme, dependente demais da ação e da violência que se esperava em detrimento de outras possibilidades para se explorar nas telas. A bilheteria foi abaixo do esperado e embora o filme não tenha sido um grande fracasso, ficou pouco acima de seu orçamento que foi mais que o dobro do primeiro filme. Anos mais tarde o roteiro original de Miller veio a ser usado em uma HQ entitulada “Frank Miller’s Robocop”.

O filme que não foi

O filme que não foi

O 3º filme começou a ser produzido em meio à dificuldades financeiras da produtora Orion Pictures e só obteve metade do orçamento do segundo filme. Peter Weller se recusou a voltar e foi substituído por Robert Burke, enquanto Nancy Allen aceitou seu retorno com a condição de que sua personagem morresse no início do filme. A história que tratava da venda da OCP para um conglomerado Japonês teve a assinatura de Frank Miller, mas este não conseguiu elaborar uma história empolgante colocando Robocop enfrentando samurais e incluindo uma constrangedora sequência de vôo do herói que em nada acrescentou. O filme foi feito em 1991, mas teve que esperar mais dois anos para chegar às telas devido aos problemas financeiros da Orion Pictures.

Robocop 3 : Vôo Frustrado

Robocop 3 : Vôo Frustrado

O personagem ainda continuou fora do cinema em duas sérias animadas, histórias em quadrinhos (incluindo um encontro entre Robocop & O Extreminador do Futuro) e um seriado de Tv de 1994, novamente sem Peter Weller, com o personagem vivido por Richard Eden. O seriado não foi além da primeira temporada, mas o personagem voltou a Tv na mini-série “Robocop: Prime Directive” com Page Fletcher no papel principal.

por adilson69

IN MEMORIAN : SHIRLEY TEMPLE

Shirley, a pequena estrela

Shirley, a pequena estrela

                              Eu nunca assisti, admito, aos filmes de Shirley Temple. Sua imagem, no entanto, foi perpetuada por décadas, sempre evocando inocência e graciosidade com seus cachinhos dourados (em torno de 56 cachos) e olhar encantador. Assim também foi o caso de muitas pessoas que a conheceram sem ter tido a oportunidade de assistir a seus filmes. Shirley Jane Temple, nascida em 23 de Abril de 1928,  chegou ao estrelato Hollywoodiano quando tinha menos de 6 anos e alcançou um grau de popularidade tão grande que chegou a ganhar um Oscar honorário quando tinha apenas sete anos. Filmes como “A Princesinha” (The Little Princess, 1939) , “A Pequena Orfã” (Curly Top- 1935) ou “Pobre Menina Rica” (Poor Little Rich Girl – 1936) deixaram sua marca na cidade dos sonhos. A queridinha da América com seu talento precoce se destacou numa terra em que egos inflados e estrelismos se propagavam na mídia da época, não apenas atuando mas também cantando e dançando. O papel de Dorothy no clássico “O Mágico de Oz” (The Wizard of Oz – 1939) foi oferecido primeiro a ela, antes de Judy Garland, mas seu contrato com a Fox a impediu de fazer o filme da Metro. A bilheteria de seus filmes era enorme e grande trunfo da Fox, que chegou a lhe pagar $50,000 por filme na época. Trabalhou também ao lado de astros do porte de Fred Astaire, Gary Cooper e John Wayne, entre outros.

Shirley Temple adulta

Shirley Temple adulta

             Seu status de celebridade a levou até a cerimônia do Oscar de 1937 para entregar um Oscar e mais sete estatuetas menores nas mãos de Walt Disney por “Branca de Neve & Os Sete Anões”. Abandonou a carreira de atriz prematuramente, aos 22 anos e no final dos anos 60 tornou-se diplomata para o governo norte-americano em Gana e na Tchecoslováquia. Nos anos 70 foi eleita para cargo nas Nações Unidas e também fez parte da mesa de diretoria dos Estúdios Disney. Ex-estrela mirim, ex-embaixatriz, esposa, mãe, avó e bisavó, Shirley Temple teve vários papéis em sua vida e os edificou com dignidade, nunca se envolveu – por exemplo – em escândalos fosse como figura pública ou em sua vida particular. Faleceu ontem, dia 10 de Fevereiro, aos 85 anos deixando como legado maior um exemplo de que a doçura e a integridade são as melhores ferramentas para fazer do mundo um lugar melhor. Descanse em paz, Shirley Temple.

A mesma doçura de sempre.

A mesma doçura de sempre.

ESTREIAS DA SEMANA : 7 DE FEVEREIRO

A TRAPAÇA

Grande elenco e um golpe de mestre

Grande elenco e um golpe de mestre

(American Hustle) EUA 2013. Dir: David O.Russell. Com Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner. Comédia dramática.

Há um ano atrás, David O. Russell chamou a atenção do mundo com “O Lado Bom da Vida”, uma história de amor atípica que soube como mezclar humor e drama em medidas certas e extrais ótimas atuações de seu elenco, com destaque para a talentosa Jennifer Lawrence. Tanto ela quanto Bradley Cooper, igualmente excelente, estão de volta neste “A Trapaça” junto a um super-elenco que inclui um irreconhecível Christian Bale (Batman) como Irving Rosenfeld, um golpista profissional que, junto com sua bela amante (Addams) são escalados por um agente do governo (Cooper) para colaborar com uma engendrada operação para prender políticos corruptos e elementos mafiosos. O jogo se complica com o envolvimento do prefeito inescrupuloso e da esposa de Rosenfeld. O esquema armado pelo FBI junto aos trapaçeiros é parte real já que tal operação (que se chamou Abscam – algo como golpe árabe) realmente aconteceu nos anos 70, época para o qual os penteados, o figurino e a cenografia nos levam de volta. Muito dos diálogos e situações do filme foram improvisadas pelos atores, como a cena da briga no apartamento entre os personagens de Bale (com uma atuação física, visceral, o ator é um camaleão) e Lawrence.

OPERAÇÃO SOMBRA : JACK RYAN

O Novo Jack Ryan

O Novo Jack Ryan

(JACK RYAN : SHADOW RECRUIT) EUA 2013. Dir:Kenneth Branagah. Com Chris Pine, Kevin Costner, Keira Knightly, Kenneth Branagh, Ação.

É curioso que Kevin Costner tivesse sido um dos primeiros nomes cogitados para viver o agente secreto Jack Ryan em 1990 quando “A Caçada ao Outubro Vermelho” (primeira aventura do personagem de Tom Clancy) foi filmada e, aqui, este aparece como o mentor de Ryan – agora vivido por Chris Pine (o Capitão Kirk de “Star Trek”). O filme é um reinício para a série e desta vez não é baseada em nenhum livro de Clancy. É uma história original, dirigida por Kenneth Branagah (diretor de “Thor”) e que também atua como o vilão da história, o líder de uma operação que visa desestabilizar a economia norte-americana. Ryan – a princípio – não é um homem de ação, embora tenha servido ao exército, já que após um acidente torna-se analista até ser recrutado para trabalhar na CIA, no começo sem o conhecimento de sua esposa (Knightly de “Piratas do Caribe” e “Anna Karenina”) para desvendar a tal operação que parece saída de um filme de espionagem do período da guerra fria. Contudo, a ação é bem conduzida de forma a envolver o público, mesmo que recorrendo aos clichês do gênero. Não é para realizar um filme definitivo ou inesquecível sobre o tema, mas em tecer uma trama capaz de divertir e lançar bases para uma nova série de Ryan, mais solta das amarras dos romances de Clancy ainda que respeitosa ao seu criador, falecido em Outubro do ano passado.

HERCULES

Jovem Hercules

Jovem Hercules

(The Legend of Hercules) EUA 2013. Dir: Renny Harlin; Com Kellan Lutz, Gaia Weiss,Scoot Adkins. Épico.

O semi – deus Grego filho da humana Alcmena e de Zeus, o senhor do Olimpo (lar dos deuses da mitologia grega) já foi diversas vezes adaptado para as telas e vivido por vários atores (Steve Reeves, Reg Park, Gordon Scott, e até Arnold Schwarzenegger). Esse ano ainda teremos um outro filme do mitológico herói vivido por Dwayne Johnson, vulgo The Rock, mostrando que o interesse de Hollywood pelo personagem é intenso e recorrente. Aqui nessa produção dirigida por Renny Harlin (de “Duro de Matar 2”) e com o personagem vivido por Kellan Lutz (cujo papel mais conhecido nas telas foi de Emmet Cullen na saga Crepúsculo, além de dublado recentemente Tarzan na animação “Tarzan – a evolução da lenda”) que como já fica bem claro logo de começo interpreta uma versão bem mais jovem do semi-deus mostrado bem antes de suas lendárias aventuras. Quando a mulher que ama é prometida ao seu irmão, Hercules deve enfrentar vários desafios ao ser exilado e escravizado por seu padrasto, mas sua força e determinação sobre-humana o levará de volta ao seu reino para reclamar o que lhe é de direito. É uma premissa voltada para a ação e sem nenhuma conexão com a mitologia grega, mais parecendo uma refilmagem de “Gladiador”. Pode divertir, mas seria ótimo se a mitologia grega, que é riquíssima, pudesse ser melhor respeitada pois lá já se encontram todos os elementos para se criar um espetáculo cinematográfico empolgante e envolvente.

por adilson69

O RETORNO DE JACK RYAN – PARTE ii

Agente da moral e correção

Agente da moral e correção

Três anos depois de “Jogos Patrióticos” Harrison Ford aceitou voltar ao papel do agente Jack Ryan em “Perigo Real & Imediato” (Clear and Present Danger), também dirigido por Philip Noyce e adaptando o livro homônimo que Clancy publicou em 1989. Na história, Jack Ryan se envolve no combate ao tráfico de drogas e vem a descobrir que o  governo norte-americano autorizou uma intervenção ilegal contra o cartel colombiano de drogas, o que o leva até os  mais altos cargos da casa branca, incluindo o próprio presidente que assume uma postura igual a de Richard Nixon no caso Watergate, ou seja, negando conhecimento mas envolvido até o pescoço.O roteiro de Donald Stewart, Steven Zaillian e John Millius promove novamente algumas mudanças em relação ao livro de Clancy como por exemplo o final em que Ryan svai depor perante o  Congresso, para denunciar todo o esquema sujo, enquanto que no livro Ryan decide não fazê-lo. John Millius, um dos roteiristas, alegou não ter gostado do resultado final porque fazia parecer que havia nobreza e correção no Congresso em vez deste ser um covil de Cobras. No elenco ainda há a presença do ótimo ator William Dafoe (o Duende Verde de “Homem-Aranha”).  A bilheteria milionária de mais de $ 200 milhões garantiu a continuidade da série, principalmente com os novos livros que seriam escritos por Clancy cuja prolífica carreira como escritor não se limitou às aventuras de Jack Ryan.

Morgan Freeman e Ben Affleck.

Morgan Freeman e Ben Affleck.

Ainda assim, Harrison Ford e o diretor Philip Noyce não aceitaram voltar para o filme seguinte  “A Soma de Todos os Medos” (The Sum of all Fears) adaptado por Paul Attanasio e Daniel Pyne sobre um atentado terrorista em solo americano que ameaça o equilíbrio de forças entre os Estados Unidos e a Russia. Com direção de Phil Alden Robinson, a Paramont decidiu fazer um reboot disfarçado da série colando Ben Afffleck, trinta anos mais novo que Ford, no papel do agente secreto. O filme seria, a princípio, lançado em 2001,  mas a Paramount teve que mudar a data devido aos ataques de 11 de Setembro que abalaram o opinião público e o sentimento patriótico, sempre muito forte, para os norte-americanos. Com isso, o lançamento de um filme que mostra um ataque em solo americano perpetrado por neo-nazistas (no livro os terroristas são islâmicos) que pretendem explodir um estádio de futebol em Baltimore teve que ser adiado em quase um ano., para 2002 .Mesmo assim os resultados de bilheteria ficaram abaixo do pretendido, embora seja um bom filme e com boa arrecadação. O novo filme, que estreia nesta sexta-feira, com direção de Kenneth Branagah (que também interpreta o vilão)  não é baseado em nenhum livro de Clancy e reinicia a trajetória de Ryan para a nova geração de cinéfilos. Aguardemos sua estreia e vamos conferir. Uma nova tentativa de reiniciar uma série respeitável que pode ainda vir a gerar novos filmes.

por adilson69

O RETORNO DO AGENTE JACK RYAN – PARTE 1

Todos os intérpretes

Todos os intérpretes

O Agente Secreto Jack Ryan já teve os rostos de Alec Baldwin, Harrison Ford, Ben Affleck e, agora, retorna às telas na pele de Chris Pine ( o Capitão Kirk de “Star Trek”). Ultimamente, a indústria Hollywoodiana sobrevive à base de franquias que,  quando lucrativas, são repaginadas para o grande público. Assim é o caso de Ryan, saído das páginas escritas pelo norte-americano Thomas Leo Clancy Jr (1947 – 2013), recentemente falecido. Esse ex-professor de inglês e ex-corretor de seguros foi um talentoso autor de tramas políticas explorando o uso de tecnologia e segredos militares.

Sean Connery (de peruca) e Alec Baldwin, o primeiro Ryan

Sean Connery (de peruca) e Alec Baldwin, o primeiro Ryan

Assim como ocorreu com James Bond, que teve as vendas alavancadas quando o então Presidente  John F. Kennedy anunciou que Bond era seu livro de cabeçeira, os livros de Clancy também tiveram aumento em sua tiragem depois que o então presidente Ronald Reagan elogiou o livro de estreia de Clancy “A Caçada ao Outubro Vermelho” (The Hunt For The Red October), publicado em 1984, sobre a deserção do capitão de um submarino russo, e adaptado por Larry Fergusen seis anos depois. O Filme, dirigido por John McTiernan (do primeiro “Duro de Matar”), trazia Alec Baldwin, no papel do analista da CIA Jack Ryan, papel inicialmente oferecido a Kevin Costner, e depois a Harrison Ford. Contudo, os holofotes se voltavam para Sean Connery no papel do Capitão Marko Ramius, papel que foi antes oferecido a Klaus Maria Brandauer que não ficou porque havia quebrado a perna às vésperas do início das filmagens. O filme explorou bem tanto o clima claustrofóbico de dentro dos submarinos como das intrigas nos bastidores do governo que não acreditam que Ramius busca asilo político e pensam se tratar de um ataque premeditado aos Estados Unidos. O diretor equilibra bem a ação e o suspense extraídos do clima de guerra fria, mas apesar do esforço de Alec, Connery é quem rouba a cena.

Nem Indiana Jones nem Han Solo, mas o mesmo heroísmo.

Nem Indiana Jones nem Han Solo, mas o mesmo heroísmo.

O segundo filme veio a ser lançado em 1992, mas na ocasião Baldwin pulou fora por estar envolvido com a montagem da peça “A Streetcar named Desire” na Broadway e a Paramount fechou com Harrison Ford para “Jogos Patrioticos” (Patriot Games), originalmente publicado em 1988, e cuja adaptação desagradou a Clancy, que se afastou da adaptação a cargo dos roteiristas W. Peter Iliff e Donald Stewart. O filme que mostra Ryan salvando a família real inglesa de um atentado mudou vários elementos da história original: No livro, a família real é vítima de uma tentativa de sequestro, o ataque ao acampamento dos terroristas é realizado pelas Forças Especiais Francesas e a luta final entre Jack Ryan e Sean Miller termina com o vilão preso e não morto. O papel da esposa de Ryan, que no primeiro filme foi feito por Gates McFadden (de “Star Trek The Next Generation”) mas que foi limado na edição final, ficou com Anne Archer. O filme foi dirigido por Philip Noyce e o resultado foi um grande sucesso de bilheteria

TRIVIA :
1- No primeiro filme, a atriz e coreógrafa Gates McFadden ficou com o papel da esposa de Jack Ryan, mas seu papel foi reduzido na edição final. Gates é a Dra Beverly Crusher de “Star Trek – A Nova Geração”.

2- Tanto Sean Connery como Scott Glenn tiveram treinamento militar em sua juventude e não tiveram dificuldade em interpretar seus papéis em “A Caçada ao Outubro Vermelho”, chegando a participar de uma missão real antes do início das filmagens como forma de trabalhar melhor seus personagens.

3- O vilão de “Jogos Patrióticos” , Sean Miller (Sean Bean) é preso no final do segundo livro e executado no livro seguinte de Clancy “A Soma de todos os medos”.

4- No livro “Jogos Patrióticos”, o Príncipe Charles e sua família são vítimas de tentativa de sequestro e no filme este torna-se um atentado inspirado em um fato real ocorrido em 1974 com a Princesa Anne.

por adilson69

LUTO NO CINEMA

Perdemos dois grandes nomes da sétima arte: O ator Philip Seymour Hoffman (Missão Impossivel 3, Jogos Vorazes – Em Chamas) etc..) foi encontrado morto em seu apartamento neste domingo (dia 2) com fortes indícios de uma overdosis já que o ator, que era dependente químico, tinha em seu braço uma agulha. O ator de 46 anos recebeu o Oscar de melhor ator por seu papel em “Capote” em 2005 e lutava há anos contra o vício em heroína, já tendo sido internado em uma clínica de reabilitação.

philip_seymour_hoffman

Já o cinema brasileiro perdeu Eduardo Coutinho, diretor de documentários que já foi parte da equipe do programa Globo Reporter e que co- roteirizou o já clássico “Dona Flor & Seus Dois Maridos” (1976) e estreou como diretor em 1984 em “Cabra Marcado Para Morrer”, extremamente alardeado pela mídia da época e premiado em Festivais Internacionais como Berlin e Havana.  Eduardo foi assassinado a facadas aos 81 anos e as investigações apontam para o filho de Eduardo.

Ed C

por adilson69

ESTREIAS DA SEMANA – 31 DE JANEIRO

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS

Emoção saída das páginas de um best-seller.

Emoção saída das páginas de um best-seller.

(The Book Thief) EUA / ALEM 2013. Dir: Brian Percival. Com Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson. Drama. Se você gosta de filmes lacrimosos, então este é uma ótima pedida. A história é bonita e evoca na lembrança filmes como “O Pianista” ou “A Vida é Bela”, ou seja, mostra um novo olhar sobre o terror do nazismo. Adaptado do Best-seller de Markus Zusak, o filme de Brian Percival (da série de TV Downton Abbey) mostra a história da menina Liesel (a estreante Sophie Nélisse) , adotada por casal de alemães (Rush & Watson, excelentes) e apaixonada pela leitura em uma realidade em que livros são queimados quando contrariam a ordem vigente, fato real que seguia a vontade do Fuhrer. Em meio ao medo presente ao redor, a menina faz amizade com um menino judeu que é acolhido por seus pais adotivos, um crime contra a auto-proclamada superioridade nazista. Apesar de usar todos os clichês do gênero para emocionar o tele-espectador, o filme é uma bela história acerca da solidariedade humana emergindo em meio aos terrores da Segunda Guerra e com uma personagem título que é um prodígio. Vale a pena !!!

47 Ronins.

Sétima Refilmagem de uma Lenda

Sétima Refilmagem de uma Lenda

(47 Ronin.) EUA 2013. Dir: Carl Rinch. Com Keannu Reeves, Hiroyuki Sanada, Tabanobu. Ação. Para quem não souber, um Ronin é um samurai (guerreiro do Japão Feudal) que não seguia a um senhor. A história, aqui retratada, que reúne 47 desses guerreiros peregrinos que vagam pelo Japão medieval em busca de vingança pela morte de seu mestre é uma lenda nipônica, supostamente ocorrida entre 1701 e 1703, que já despertou o interesse de diversos historiadores e passou a fazer parte do imaginário popular dos japoneses. Keanu Reeves faz o papel de um meio-sangue (um mestiço) que junta ao grupo para concretizar a vingança. Reeves nunca conseguiu se desvencilhar de sua persona Neo de Matrix, e seu papel em 47 Ronin acaba provocando inevitável comparação com o de Tom Cruise de “O Ultimo Samurai”. O filme, no entanto, funciona como fantasia e ação mas sem enveredar demais pela filosofia oriental ou por um aprofundamento na lenda. O figurino belíssimo e que foi personalizado para cada um dos atores e as tomadas de ação constroem um respeitoso espetáculo sobre a cultura japonesa, mas apenas porque se apropria desta ao nível da superfície para costurar um filme para empolgar o público,  sem muitas pretensões, o que pode ou não ser defeito, depende de como você se interessa pelo assunto que já foi filmado outras seis vezes anteriormente desde 1941, e uma delas (a de 1962) com o consagrado ator Toshirô Mifune. De qualquer forma fica um bom trabalho do diretor estreante Carl Rinch.

por adilson69