ESTREIAS DA SEMANA : 29 DE MAIO DE 2014

O LOBO ATRÁS DA PORTA.

Leandra Leal é a Fera da Penha

Leandra Leal é a Fera da Penha

Bra. 2013. Dir: Fernando Coimbra. Com Leandra Leal, Fabíula Nascimento, Juliano Cazarré, Thalita Carauta, Milhem Cortaz. Drama. Baseado em fatos reais, o filme retrata o crime cometido por Rosa (Leandra Leal), nos anos 70, que matou a filha do amante (Uma relação de atração fatal e psicótica) tendo sido por isso chamada de “A Fera da Penha”. Crime bárbaro que ganhou as manchetes dos jornais da época e abalou o público. Leandra Leal tem atuação convincente e assustadora e o elenco destila na tela sua apreensão, seu medo e tensão graças à direção criativa do estreante Fernando Coimbra que constrói, com o roteiro por ele mesmo escrito, uma narrativa dividida em diferentes pontos de vista, equilibrando momentos dramáticos com puro suspense. O resultado foi a premiação recebida nos festivais de Miami, San Sebastán e Rio. Desde o trabalho investigativo da polícia até as motivações do crime, tudo é costurado com ótimas atuações capazes de despertar sentimentos de raiva, revolta e indignação.

 

OS HOMENS SÃO DE MARTE … E É PRA LÁ QUE VOU.

Paulo Gustavo rouba a cena de Marte a Terra

Paulo Gustavo rouba a cena de Marte a Terra

Bra. 2013. Dir: Marcus Baldini. Com Monica Martelli, Paulo Gustavo, Daniele Valente, Marcos Palmeira, Humberto Martins. Comédia. Peça teatral de grande sucesso faz o caminho dos palcos para as telas como já aconteceu com “Minha Mãe é uma Peça”, “Irma Vap” e outras. Monica Martelli repete o papel da solteirona em busca de um homem para amar que viveu por mais de dez anos. Boa comediante, Martelli divide a cena com Paulo Gustavo (de “Minha Mãe é uma Peça”) que rouba a cena quando aparece. O diretor, de “Bruna Surfistinha”, enfrenta os desafios de transpor um produto com linguagem bem direta para uma fita cinematográfica simpática com bons momentos a medida que Martelli tem suas tentativas de viver um relacionamento maduro e sério. Quem viu a peça, certamente vai gostar do filme e quem não viu tem a oportunidade de rir com situações pelas quais mulheres e homens passam constantemente, só que sem o bom humor do texto.

 

NO LIMITE DO AMANHÃ.

Tom Cruise salva o mundo ... de novo

Tom Cruise salva o mundo … de novo

(All You Need Is Kill). EUA 2013. Dir: Doug Liman. Com Tom Cruise, Emily Blunt. Ficção Científica. Adaptação do romance de Hiroshi Sakurazaka e do mesmo diretor de “Sr. & Sra. Smith” e “A Identidade Bourne”, o filme traz mais uma vez Tom Cruise no papel de salvador do mundo, no qual insiste em se repetir. Cruise faz o tenente-coronel Cage, preso em uma armadilha temporal que o obriga a reviver indefinidamente o dia em que a raça humana foi dizimada por invasores alienígenas. A combatente Rita Vrataski (Blunt), que já teve experiência semelhante, decide ajudá-lo a romper com essa anomalia e com isso, treinando-o exaustivamente, talvez virar o rumo da batalha e vencer os inimigos.

MALÉFICA.

O Clássico desenho da Disney

O Clássico desenho da Disney

A bruxa do filme

A bruxa do filme

(Maleficent) EUA 2013. Dir: Robert Stromberg. Com Angelina Jolie, Elle Fanning, Brentton Thwaits. Fantasia. Seguindo a tendência recente de transformar os contos de fadas em super produções, Angelina Jolie aparece nas telas com pesada maquiagem para interpretar a bruxa que atormentou os sonhos da princesa Aurora do conto “A Bela Adormecida”, e mostrar um ponto de vista diferente de uma das grandes vilãs das histórias infantis. Aguardado há quase um ano, o filme tentará sorte melhor nesse filão que já gerou o bom “A Garota da Capa Vermelha” e bombas como “João & Maria – Caçador de Bruxas” e “Branca de Neve & O Caçador”, entre outros.Nessa produção da Disney, Jolie faz uma mulher vingativa , com suas próprias motivações, disposta a tudo para impedir que Aurora (Fanning) traga a paz para seu reino. Com orçamento de 200 milhões de dólares, o filme retoma os clássicos personagens da animação de 1959 com um diretor estreante e roteiro assinado por Linda Woolverton, de “Alice”.

UM MILHÃO DE MANEIRAS DE PEGAR NA PISTOLA.

MacFarlane no oeste

MacFarlane no oeste

(A Million Ways To Die in the West) EUA 2014. Dir: Seth MacFarlane. Com Seth MacFarlane, Charlize Theron, Amanda Seyfried, Neil Patrick Harris, Liam Nesson. Comédia de Faroeste . Em cidade do velho oeste, homem foge de tiroteio e deixa sua namorada. Ao encontrar mulher misteriosa (Theron) se envolve com ela a medida que vai recuperar a coragem perdida, que será posta a prova quando descobrir que o ex-marido dela é um terrível fora da lei. Seth MacFarlane de “Ted” escreve, dirige e atua nessa paródia de westerns valorizada por um ótimo elenco.

 

 

 

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Nota

X MEN – DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO & MAIS



X Men -- Encontro de Gerações

X Men — Encontro de Gerações

“Mutação é a chave para a evolução. É o que nos permitiu evoluir de um organismo unicelular para a espécie dominante neste planeta. O processo é lento, e normalmente leva milhares de anos. Mas a cada milênio, a evolução dá um salto à frente.” Com essa narração o ator Patrick Stewart começou o filme “X-Men”, dirigido por Bryan Singer em 2000, e que deu o pontapé inicial para a recente onda de filmes de super-heróis. Se evolução é a palavra chave, Stan Lee & Jack Kirby acertaram quando imaginaram que, em vez de adquirir poderes, pessoas poderiam nascer com habilidades EXTRA. Lançado em Setembro de 1963, a revista “The Uncanny X-Men” #1 chegava às bancas no mesmo ano que Martin Luther King faria seu histórico discurso pela igualdade racial, mesma década que Kennedy fora assassinado, e a sociedade americana se transformava ao sabor de conflitos pelos direitos civis, encontrando paralelo na luta dos mutantes contra a intolerância e o abuso de poder de seus iguais, representados pelo vilão Magneto e sua Irmandade de Mutantes. O próprio discurso de aceitação do Professor Xavier e revolta de Magneto eram ecos de uma era de extremos que moldou o mundo nos anos que se seguiram. Nos quadrinhos, a formação original da equipe contava com Ciclope, Fera, Anjo, Homem de Gelo e Jean Grey, bem diferente do filme da “Primeira Classe” de Mathew Vaughn em 2011.

Capa de X Men #1

Capa de X Men #1

Contudo, demorou para que a HQ dos heróis alcançasse a popularidade de hoje. Durante um tempo, a revista dos X Men circulou apenas com reimpressões e chegou até a ficar alguns anos sem ser publicada até que a Marvel Comics lançasse, em Maio de 1975, “Giant Size X Men” com roteiros de Chris Claremont & Len Wein e desenhos de Dave Cockrum. Na história, uma nova equipe é formada quando os X Men originais são presos em uma ilha monstro. A nova equipe traz membros de diversas nacionalidades e etnias: a Africana Ororo Monroe, o alemão Kurt Wagner, o russo Piotr Rasputin e até mesmo o índio Apache John Proudstar, que ganharam as respectivas alcunhas de Tempestade, Noturno, Colossus e Pássaro Trovejante, sendo que este último morre logo na história seguinte indicando que, assim como na vida real, a tragédia faria parte das histórias, um realismo amargo que se repetiria muito nas HQs antes que isto se tornasse um mero clichê para se aumentar as vendas das revistas. O personagem que mais veio a se destacar, no entanto, foi o canadense Logan, vulgo Wolverine, criado por Len Wein em 1974 nas páginas de “O incrível Hulk # 180 como antagonista do herói verde da Marvel. Nos anos que se seguiram Wolverine se tornou o maior atrativo das histórias dos X Men com seu comportamento rebelde, agressivo e passado misterioso que rendeu diversas histórias interessantes e garantiu até o lançamento de seu próprio título.

 

A história original de Chris Claremont e John Byrne

A história original de Chris Claremont e John Byrne

As histórias dos X Men viriam a partir daí a se destacar das demais histórias do universo Marvel por fazer da luta dos heróis mutantes a parábola perfeita da intolerância, seja ela de qualquer espécie, sofrida por um grupo oprimido mas relevante. As habilidades especiais dos personagens são metáforas para o que grupos étnicos ou socialmente ou indesejáveis poderiam contribuir para a construção de um mundo melhor e para o futuro da espécie humana. A formação da dupla criativa Chris Claremont (roteiros) e John Byrne (desenhos) na segunda metade dos anos 70 gerou roteiros mirabolantes que marcaram os heróis mutantes pelos anos que se seguiram, como, por exemplo, o roteiro do filme atual extraído de X Men # 141 e #142 de 1981,e que foi publicado pela primeira vez no Brasil cinco anos depois na hoje clássica revista “Superaventuras Marvel” #45 da Editora Abril, uma época em que os X Men ainda não eram publicados em título próprio no Brasil. Na história original, é Kitty Pride (a personagem de Ellen Paige) quem é enviada de um futuro onde os mutantes estão sendo exterminados para o presente da década de 80 para evitar o assassinato de um senador americano (personagem de Bruce Davidson nos dois primeiros filmes dos X-Men) pela Irmandade de Mutantes, deflagando a criação de robôs Sentinelas que caçarão e exterminarão os mutantes do planeta. Curiosamente, na época a Editora Abril usou na capa a chamada “Exterminadores do Futuro”, alusão óbvia ao bem sucedido filme de James Cameron com Arnold Schwarzenegger que também tratava da viagem no tempo para mudar um evento do passado. O filme atual se vale da mesma premissa mas quem é enviado ao passado (anos 70) é Wolverine que tem sua consciência transferida em processo que vai lembrar as viagens no tempo do seriado “Contra Tempos” ((Quantum Leap) que também explorava a mesma ideia. O filme coloca Wolverine – muito mais popular que Kitty Pryde – como o personagem chave que vai promover o encontro de duas gerações distintas de X Men nas telas.

Os interpretes do Professor Xavier em São Paulo

Os interpretes do Professor Xavier em São Paulo

O aguardado encontro das duas versões do Professor Xavier, a aparição de duas versões de Magneto e a passagem de diversos personagens incluindo mutantes conhecidos (Halle Berry como Tempestade), menos conhecidos (Omar Sy de “Intocáveis como o mutante Bishop) e outros que movimentarão a ação do filme confirmando o talento de seu diretor em lidar com a diversidade de personagens e egos de seus intérpretes. A viagem no tempo, embora clichê já batido na ficção científica, acaba servindo como justificativa ideal para unir essas gerações em um roteiro digno da criatividade de Stan Lee, Chris Claremont e outros que nas HQs conduziram leitores amantes da aventura. Também foi de Claremont, por exemplo, as histórias que serviram de base para os filmes “X Men 2” (2003) e “X Men 3 – O Conflito Final” (2006) O segundo filme foi baseado na HQ “God Loves Man Kills” de 1982 e que foi publicada no Brasil poucos anos depois com o nome “O Conflito de uma Raça”. Nela, o tema do preconceito foi explorado e expandido para as questões religiosas através do vilão, o pastor William Striker, cujo fanatismo evoca à Ku Klux Khan, e que no filme foi transformado em militar corrupto, interpretado por Brian Cox. Já o terceiro filme juntou os pedaços da extensa saga da Fênix Negra, diluída ao extremo, com elementos da fase escrita por Joss Whedon (o diretor do filme dos Vingadores). Discussões filosóficas a respeito de  mudar o passado emergirão, mas muito mais poderá vir à tona a medida que outras sequências, além dos filmes solo com Wolverine, são produzidas e nos faça repensar o que a evolução nos reserva.

 

X MEN – DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO

ESTREIAS DA SEMANA : 15 DE MAIO

GODZILLA.

A Volta do Rei dos Monstros

A Volta do Rei dos Monstros

EUA 2014. Dir: Gareth Edwards. Com Bryan Cranston, Aaron Taylor Johnson, Elizabeth Olson, Juliet Binoche, Ken Watanabe. Ficção. Refilmagem que traz à luz da atualidade um personagem icônico do gênero “filme de monstro” . Godzilla é retratado como uma força da natureza irrefreável, despertada no mundo de hoje, o que envolve um misterioso acidente em uma usina nuclear onde morre a esposa do protagonista Joe Brody (Cranston, do seriado “Breaking Bad”). Seu filho, Ford (Johnson) é o tenente da marinha encarregado de destruir o monstro cuja passagem arrasadora guarda segredos a serem desvendados.

 

GATA VELHA AINDA MIA

Duelo de divas

Duelo de divas

(Bra 2014) Dir: Rafael Primot. Com Regina Duarte, Barbara Paz. Drama / Suspense Escritora de meia idade, amargurada e esquecida, decide conceder entrevista para repórter que mora no mesmo prédio que ela. O encontro desperta ira e indignação conflituosa entre as duas mulheres que desenterrarão segredos que exorcisarão seu passado e pode redirecionar seu futuro. Filme de aura teatral que envereda pelo suspense e traz a talentosa Regina Duarte em uma de suas raras incursões pelo cinema.

 

SOB A PELE

Contatos mais que imediatos

Contatos mais que imediatos

(Under The Skin) EUA 2014. Dir: Jonathan Glazer. Com Scarlett Johansson, Jeremy McWilliams. Ficção. Um ser alienígena assume a forma de uma bela mulher para aprender o que é o mundo humano e perambula pela cidade (na Escócia) encontrando pessoas de toda a espécie e consumindo os homens em seu ritual de sedução até perceber que há algo no ser humano que vai além da carne. Adaptação do livro do holandês Michael Faber que se pretende ser uma curiosa fábula sobre a natureza humana, e se aproveita da publicidade de mostrar uma das mais belas atrizes do cinema em cenas de nudez.   As filmagens, algumas delas feitas de forma clandestina como forma de tentar despertar naturalidade na busca da alienígena, tenta vender um filme audacioso e filsófico.

 

A PRAIA DO FUTURO

Não é o Capitão Nascimento

Não é o Capitão Nascimento

(Bra – ALEM 2014) Dir:Karim Ainouz. Com Wagner Moura, Jesuita Barbosa, Clemens Schick, Christopher Zrenner, Emily Cox. Drama. No Ceará, salva vidas (Moura) fica transtornado ao fracassar em resgatar um homem e conhece um amigo da vítima com quem acaba se envolvendo. Airton (Barbosa) – irmão de Donato (o salva vidas da praia que dá título ao filme) – passa a procurar pelo irmão que fugiu para Berlim e abandonou a família. O filme concorre ao Urso de Ouro em Berlim

 

A RECOMPENSA

Ótima atuação de Jude Law

Ótima atuação de Jude Law

(Dom Hemingway) RU 2014. Dir: Richard Shephard. Com Jude Law, Richard E. Grant, Emilia Clark. Ex presidiário (Law) , depois de encarcerado por 12 anos, conquista sua liberdade e – em busca do tempo perdido – tenta se reconciliar com a filha que não viu crescer enquanto procura entrar em contato com seus comparsas livres para por a mão em bolada de seu último golpe, pelo qual foi preso, mas sem ter dedurado seus cúmplices.

 

por adilson69

O NOVO BATMAN

 

Ben "Bruce Wayne" Affleck

Ben “Bruce Wayne” Affleck

A Foto acima está provocando burburinhos entre os fãs de quadrinhos. Divulgada ontem, a foto mostra Ben Affleck vestido como Batman e ao seu lado o novo Batmóvel. Nada inovador e nem precisa pois o homem morcego é uma imagem icônica e dispensa mudanças bruscas. Ainda é pouco para comentar se Affleck, que é bom ator, vai se encaixar bem no papel. Nada a comentar pois é prematuro, mas como uma imagem diz mais que mil palavras, diga você o que achou dessa prévia.

A VOLTA DE GODZILLA – PARTE 2

Antes de Godzilla

Antes de Godzilla

Alegorias da mente humana, defensores ou destruidores, essas criaturas ganharam imensa popularidade a medida que expurgavam os fantasmas da radiação atômica que atormentavam os japoneses. No ocidente a aparição dessas criaturas, bem como de alienígenas, espelhavam seus outros medos, mais adequados ao temor da guerra fria. Assim, os Estados Unidos tiveram o homem-peixe de “O Monstro da Lagoa Negra” (The Creature Of The Black Lagoon) de 1954, o gigantesco polvo de “O Monstro do Mar Revolto” (It Came From Beneath the Sea) de 1958, criado com a técnica de stop-motion do mestre Ray Harryhausen, a geleia disforme e devoradora de “A Bolha Assassina” (The Blob) de 1959 – tendo este revelado o talentoso Steve McQueen entre outros. A Inglaterra também embarcou no gênero e criou seu próprio lagarto gigante em “Gorgo” (1961) de Eugene Lourie, praticamente uma cópia britânica de “Godzilla” com Londres no lugar de Tokio. O mesmo diretor já havia filmado em 1953 “O Monstro do Mar” (The Beast from 20000 Fathoms) , baseado em uma história curta de Ray Bradbury, e que trazia a mesma premissa de Godzilla: a do monstro pré-histórico despertado por testes atômicos no Atlântico Norte e que vem a atacar a cidade de Nova York. Por ter sido feito um ano antes de Godzilla, muitos o consideram a inspiração para o filme de Ishiro Honda.

Furia dos Monstros

Furia dos Monstros

O sucesso e a popularidade de Godzilla sempre foi superior a dos demais tendo retornado em diversas continuações e refilmagens em um total de 30 filmes, sendo que 7 deles tiveram a direção de Ishiro Honda incluindo os curiosos “King Kong vs. Godzilla” (1962) , “Mothra vs. Godzilla” (1964), “Ghidrah, o Monstro Tricefálo” (1964) que também trazia Rodan, “A Guerra dos Monstros” (1965) e “Terror Contra Mechagodzilla” (1975). Com exceção do primeiro Godzilla de 1954, o lagartão com barbatanas dorsais e pele cinzenta e áspera que deu vida aos pesadelos dos japoneses deixou de ser seu algoz para ser defensor da humanidade nas sequências feitas, entrando em combate com outros monstros, e até com alienígenas, para salvar a Terra. Dessa forma, Godzilla tornou-se um fenômeno popular tanto no oriente quanto no ocidente onde foi americanizado com uma nova versão dois anos depois de seu lançamento original. O filme de Ishiro Honda foi remontado para lançamento internacional e com acréscimo de um novo personagem, o repórter Steve Martin (Raymond Burr) que é enviado ao Japão para cobrir o ataque de Godzilla. O processo que incluía dublagem das vozes originais se repetiu constantemente com Mothra e os demais filmes do gênero que ganhariam lançamento internacional.

As filmagens

As filmagens

Mesmo que na década de 70 e 80, o gênero já estivesse desgastado na América; no Japão o rei dos monstros é recriado para uma nova geração em “The Return of Godzilla” (1984) , muito antes que o reboots se tornassem comum. Dirigido por Koji Hahimoto, esse filme recupera a figura da fera como vilão. O ator Akhiko Hirata, que no filme original interpretou o Dr. Serizawa, que cria a fórmula usada para matar Godzilla, foi quase incluído nesse novo filme, mas infelizmente um câncer de garganta o matou antes. O filme, contudo, não teve um impacto tão grande assim apesar de outros exemplares continuarem a ser feitos no Japão. Uma nova tentativa de  ocidentalizar o monstro foi feita em 1998 e entregue ao diretor Rolland Emmerich, que na época havia realizado o blockbuster “Independence Day”. Emmerich aceitou recriar “Godzilla” depois de garantir a liberdade de promover as mudanças que desejasse, incluindo no visual da criatura já que admitira na época nunca ter sido fã do personagem. Apesar do bom elenco que incluía Matthew Broderick e Jean Reno, o resultado foi insatisfatório com um roteiro que mais parecia um amálgama de toda a série “Jurassic Park”. A perseguição dos filhotes de Godzilla no estádio, por exemplo,  lembrava a perseguição dos velociraptores.  Embora em termos financeiros o filme não tenha sido desastroso, ao contrário do que se pensou, o filme não agradou ao público. As sequências de ação não empolgavam e abusavam demais do bom senso como Godzilla desfilando por entre os edifícios de Nova York , a perseguição na ponte suspensa ou a criatura cavando tuneis, todas extremamente exageradas para um animal de tais dimensões. A decepção com o resultado desestimulou os planos do estúdio para continuações. Em 2000, o Japão retomou o personagem ignorando o filme de Emmerich em “Godzilla 2000”, que teve lançamento internacional, mas não o impacto esperado. A fórmula do grande monstro, no entanto,  nunca se esgotou no cinema sendo ocasionalmente revisitada como J.J.Abbrahms em “Cloverfield” (2008) ou Guilhermo del Toro em “Círculo de Fogo” (2012).

Escrotizilla de 1998

Escrotizilla de 1998

O filão sempre foi lucrativo na mesma medida que mexe com nosso medo primitivo de uma criatura capaz de destruição em larga escala. A popularidade de Godzilla sempre foi diretamente proporcional, um ícone da cultura pop, que ganhou espaço em animações e Hqs. No imaginário popular, todos aprendemos a temer e a adorar o monstrengo, e por isso mesmo justifica-se sua alcunha de “Rei dos Monstros”.

A VOLTA DE GODZILLA – PARTE 1

Godzilla ataca

Godzilla ataca

A crença em monstros faz parte do folclore de várias civilizações , e isso desde tempos imemoriais. A figura do Kraken (uma espécie de lula gigante) remonta antigas mitologias, por exemplo. Na época das grandes navegações, eram incontáveis os relatos de serpentes marinhas. Até hoje, turistas viajam a escócia à procura de algum sinal do lendário monstro de Loch Ness. De uma forma ou de outra, a ideia de um animal de proporções colossais que destrói tudo por onde passa sempre foi explorada no cinema.

A estreia da nova versão de “Godzilla” chega no ano em que este completa exatos 60 anos. No filme original, um gigantesco lagarto pré-histórico cujo hálito pode cuspir fogo foi despertado pela ação de testes com armas nucleares que provocaram uma mutação em sua natureza jurássica. O rastro de destruição que acompanha seus passos acaba com Tokio até que o sacrifício de um cientista põe um fim na marcha mortífera da criatura. Dirigido por Ishiro Honda, “Godzilla” representou para a terra do sol nascente um demônio a ser exorcisado: A radiação nuclear e a queda da bomba atômica em Hiroshima & Nagasaki eram como um flagelo incutido na memória coletiva do povo japonês e personificado na figura de Godzilla, ou no original “Gojira”, aglutinação de duas palavras nipônicas : Gorira (Gorila) e Kujira (baleia). O filme da Toho company chegou a ser indicado para melhor filme pela ‘Japanese Academy Awards’, mas perdeu o prêmio para “Os Sete Samurais” de Akira Kurosawa. Curiosamente, os efeitos especiais não receberam a mesma honraria, apesar da competência do técnico Eiji Tsuburaya, o mesmo que anos depois criaria o herói “Ultraman” para a TV. Tsuburaya se recusou a empregar a técnica de stop-motion (usada no clássico “King Kong”, por exemplo) e fez uso do que foi depois chamado de “suitmotion”, ou seja, um ator usa uma fantasia especial se movimentando com auxílio de aparatos mecânicos por um cenário de miniaturas e maquetes mescladas a cenas de multidão. A roupa de Godzilla pesava em torno de 90 kilos e o ator que a vestia, Haruo Nakajima, se movimentava com grande dificuldade pelos cenários, não conseguindo andar mais que 9 metros com a vestimenta.

Cartaz do filme original

Cartaz do filme original

Em 1956, o próprio Ishiro Honda dirigiu “Rodan, o Monstro do Espaço” (Sora no daikaju Radon) em que um pterosauro mutante aterroriza Tokio. Primeiro filme japonês de monstro a cores, o pterosauro teve o nome modificado no ocidente, do original Radon (redução no Japão para puteranodon) para Rodan porque havia nos Estados Unidos um sabonete com o mesmo nome. Outra mudança na versão americana foi a voz do Professor Kashiwagi que foi redublado (embora sem ter sido creditado por isso) por George Takei, o Sr.Sulu de “Jornada nas estrelas”. Mudanças como tornaram-se comuns para a ocidentalização dos monstros japoneses. Sendo assim, a mariposa gigante “Mosura” do filme de 1961 chegou aos Estados Unidos como “Mothra, a Deusa Selvagem”, novamente dirigida por Ishiro Honda, nesta altura já reconhecido em sua terra como um especialista em “Kaiju Eiga” ou “Daikaiju Eiga” como são chamados no Japão os filmes de monstros. Mothra foi o primeiro filme japonês de monstro em que a criatura surge não como um avatar do mal, mas com uma divindade idolatrada pelos habitantes da ilha Beiru, onde cientistas exploram a região e sequestram duas mulheres nativas, despertando assim a ira de Mothra que parte em seu resgate. Sua popularidade não demorou para que os produtores a colocassem em um mesmo filme que “Godzilla”. Não demoraria também para que além da Toho, outro estúdio se interessasse pelo gênero. Em 1965, os estúdios Daiei lançam “Gamera” , uma tartaruga gigantesca vinda do ártico para destruir Tokio, último filme do gênero no Japão a ser filmado em preto e branco. O sucesso desta também seria seguido por uma série de outros filmes.

A Mágica dos bastidores

A Mágica dos bastidores

IN MEMORIAN: H. R. GIGER

Ele fez dos pesadelos uma forma de arte.

Ele fez dos pesadelos uma forma de arte.

O cinema perdeu nesta segunda-feira o artista plástico suiço Hans Rudolf Giger, eternalizado como H.R.Giger (1940 – 2014), que criou o visual assustador da criatura de “Alien – o 8º Passageiro” (1979) – bem como de sua sequência – além da criatura de “A Experiência” (1992). Seu trabalho buscou inspiração nas obras de H.P. Lovercraft e criou imagens de grande apelo visual, que o levaram, inclusive,a criar as capas de discos de artistas como Debbie Harry e bandas como “Emerson Lake & Palmer”. Giger também se aventurou pela direção de documentários e inspirou elementos em produções como “Poltergeist 2” (1986) e do recente “Prometeus” (2011). Quando Ridley Scott tomou conhecimento de seu trabalho, teve que visitá-lo na Suíça porque Giger tinha medo irracional de voar. O artista faleceu vítima de complicações advindas de uma queda sofrida. Descanse em Paz !

 

 

ESTREIAS DA SEMANA : 8 DE MAIO

MULHERES AO ATAQUE

Belo elenco

Belo elenco

(The Other Woman) EUA 2014. Dir: Nick Cassavetes. Com Cameron Diaz, Nicolai Coster-Waldau, Leslie Mann, Kate Upton. Comédia Mulher bem sucedida (Diaz) descobre que seu namorado (Waldau) é um homem casado e que também tem uma outra amante. A personagem de Diaz se junta às duas outras mulheres (Leslie Mann e Kate Upton) para se vingar do safado. Comédia convencional que pode cair bem graças ao talento do diretor em conduzir o belo elenco feminino que inclui a modelo Kate Upton.

A GRANDE VITORIA

Judo Man

Judo Man

Bra 2014. Dir: Stefano Capuzzi. Com Caio Castro, Sabrina Sato, Domingos Montagner, Moarcyr Franco. Drama. Jovem que teve a infância problemática (Castro) se envolve em várias encrencas até aprender a disciplinar seu gênio através da prática do Judô da qual acaba se tornando técnico. Adaptação do livro “Aprendiz de Samurai” de Max TrombIni, que também aparece em uma ponta. O ator Caio Castro, em sua estreia no cinema, treinou judô durante certo tempo para se preparar para o papel e divide a cena com Sabrina Sato, com quem terá um relacionamento.

EU, MAMÃE & OS MENINOS

Minha mãe é uma peça francês

Minha mãe é uma peça francês

(Les gargons et guillaume a table) FRA 2014. Dir:Guillaume Galliene. Com Guillaume Galliene, Françoise Fabian, Andre Marcon. Comédia Escrito, dirigido e também protagonizado pelo comediante Guillaume Galliene que adapta peça teatral de sucessso e ganhou 5 prêmios César, o Oscar do cinema Francês. No filme, rapaz vive relação atribulada com a familia e com problemas com homossexualidade. O filme trabalho o preconceito e a tolerância de forma admiravel.Guillaume é versátil e também faz o papel de sua mâe.

 

 

por adilson69

GALERIA DAS ESTRELAS : CENTENÁRIO DE TYRONE POWER

Carisma em cena.

Carisma em cena.

Quando Tyrone Edwards Power nasceu em Cincinatti, Ohio a 5 de Maio de 1914 o cinema ainda não tinha som, o mundo estava prestes a mergulhar no primeiro conflito de proporções globais e o rádio era a maior mídia da época. Nascido com a veia artística vinda de seu pai, Tyrone Power Sr, também pertencente a uma linhagem de atores teatrais iniciada com o bisavô de Tyrone. Logo após nascer, problemas de saúde levaram a família a se mudar para San Diego, na Califórnia para cuidar do pequeno Tyrone. Este se interessou desde cedo pela atuação e o futuro grande astro chegou até mesmo a atuar nos palcos junto com seu pai. Quando o pai de Tyrone foi contratado para o filme “The Miracle Men” de 1932, logo levou seu filho para as filmagens, já pensando em conseguir colocá-lo no meio, mas passou mal e morreu nos braços do filho, aos 44 anos, de infarto. A perda foi dura para o jovem Tyrone de 18 anos, mas este nunca desistiu de seguir os passos de seu pai. O jovem, então usando o nome artístico de Tyrone Power Jr fez pontas em diversos filmes no início da década de 30, mas depois de vários insucessos mudou-se para Nova York em busca de trabalho nos palcos e também seguiu o conselho do amigo, o ator Don Ameche,  fazendo rádio em Chicago por um curto tempo. Em 1936, foi para Hollywood onde conseguiu um contrato com a 20th Century Fox fazendo papéis pequenos e inexpressivos até que o corajoso ator entrou no escritório do diretor Henry King para pedir uma chance melhor. Contrariando a vontade de Darryl F. Zanuck, o todo poderoso da Fox, King – que se tornou grande amigo de Tyrone e com quem veio a trabalhar outras vezes – quem deu ao novato o papel que seria de Don Ameche em “Lloyd’s of London”. Ainda que em preto em branco, seu belo rosto, sua presença em cena e sua impostação de voz o fizeram ser notado e abriram as portas para novas oportunidades em filmes como “Na Velha Chicago” (1937) e “Maria Antonietta” (1938), onde fez par romântico com a já consagrada estrela Norma Shearer. Em 1939, sua condição já era de grande astro ascendente quando se casou com a atriz francesa Annabelle, uma relação que duraria por cinco anos. No mesmo ano teve uma excelente atuação como protagonista de “Jesse James”, versão romanceada do notório pistoleiro do velho oeste, trabalhando ao lado de Henry Fonda. A escalação de Tyrone, que já havia retirado o “Jr” de seu nome artístico, foi perfeita para transformar a figura de um violento fora-da-lei em um carismático rebelde com o qual o público poderia se identificar. O filme, dirigido pelo mesmo Henry King que lhe havia aberto as portas do sucesso, foi duramente criticado pela violência e pela distorção dos fatos relativos a um personagem moralmente questionável. As bilheterias aprovaram e o público se rendeu de vez ao charme de Tyrone, o que levou o estúdio a fazer a sequência “A Volta de Frank James”, sem Tyrone, no ano seguinte.

O primeiro Zorro do cinema falado.

O primeiro Zorro do cinema falado.

1940 foi definitivo para a carreira de Tyrone Power quando a Fox lhe entregou o papel do herói mascarado Zorro, criado por Johnston McCaulley, que havia sido vivido por Douglas Fairbanks no período do cinema mudo. Apesar de sua descedência irlandesa, Tyrone parecia convincente como o herói de origem espanhola que defendia seu povo dos abusos da tirania. Em cena ao seu lado, Basil Rathbone fazia seu antagonista, o Capitão Esteban e juntos protagonizam uma das melhores cenas de esgrima do período, tendo recebido a orientação de Fred Cavens, o melhor instrutor do gênero que trabalhou as lutas de outros filmes. Durante as filmagens, a habilidade de esgrimista de Rathbone era superior a de Power, mas ainda assim este o elogiou muito por sua desenvoltura em cena. Power soube como trabalhar a dualidade de seu personagem, afetado e sensível como Dom Diego mas audaz e determinado como Zorro. Satisfeitíssima com o carisma de Tyrone Power, a Fox o escalou para outro papel de natureza latina, o toureiro arrogante Juan Gallardo de “Sangue & Areia” (1941) – refilmagem do clássico que marcou a carreira de Rodolfo Valentino no cinema mudo, baseado no clássico da literatura espanhola de Vicente Basco Ibanez. O filme foi um grande sucesso e imortalizou a química entre Tyrone e a então novata Rita Hayworth como a sedutora Dona Sol.

Tyrone & Rita : Caliente !

Tyrone & Rita : Caliente !

Apesar se experimentar a comédia em “Esposas Ciumentas” (Day-Time Wife) de 1939, ano que foi coroado o “Rei das Bilheterias”,  e o drama em “Um Yankee na R.A.F” (A Yankee in R.A.F – 1940), a Fox continuava a explorar a imagem de sedutor e herói das matinês em colocou Tyrone no papel de pirata em “O Cisne Negro” (The Black Swam) em 1942, superficialmente adaptado do romance de Rafael Sabatini. Ao lado da belíssima Maureen O’Hara e antagonizado pelo excelente Anthony Quinn, Tyrone foi fantástico. Lamentavelmente, interrompeu sua carreira nesse período para ingressar nas forças armadas e lutar na Segunda Guerra Mundial, recusando qualquer tratamento especial. Dando baixa como Tenente, Tyrone retomou a carreira com um novo contrato com a Fox no drama “O Fio da Navalha” (Razor’s Edge) de 1946, adaptado do Best-seller de W.Somerset  Maughan. O papel era interessante para Tyrone para se distanciar dos papéis de herói romântico. Nessa fase de sua vida, se separou de Annabelle e pouco depois casou-se novamente com a também atriz Linda Christian com quem teve duas filhas: Romina em 1951 e Taryn em 1953.

Tyrone & Maureen O'Hara: Belos & talentosos.

Tyrone & Maureen O’Hara: Belos & talentosos.

Aceitou voltar ao gênero aventura em “O Capitão de Castela” (Captain from Castille) em 1947, outro papel a lhe impor o rótulo de herói latino, trabalhando  ao lado do amigo Cesar Romero. Apesar de bom ator, Tyrone Power foi subestimado em Hollywood, rotulado demais por mais que demonstrasse talento inegável nos palcos, sendo um dos atores favoritos de Charles Laughton que o escalava para suas peças, sempre elogiando sua dicção. Tyrone, contudo, buscou papéis diferenciados nas telas, trabalhando até para outros estúdios, porém nunca conquistando um Oscar. Separado de Linda Christian em 1955, Tyrone teve excelente desempenho ao lado de Errol Flynn e Ava Gardner em “E Agora Brilha o Sol” (The Sun Also Rises) de 1957, adaptação da obra de Ernest Hemingway e dirigido pelo velho amigo Henry King. Chegou a recusar o papel de Leonard Vole em “Testemunha de Acusação” (Witness For The Prosecution), do mesmo ano,  mas foi convencido pelo diretor Billy Wilder.

O Ultimo Filme

O Ultimo Filme

Power brilhou nessa adaptação da peça de Agatha Christie, atuando ao lado de Charles Laughton e Marlene Dietrich. Nesse mesmo ano conheceu e se casou pela terceira vez , com Deborah Ann Montgomery que logo veio a engravidar. Em 1958, Power gravava em Madrid “Solomon & Sheba”, dirigido por King Vidor, quando sofre um infarto fulminante enquanto filmava uma cena de luta com George Sanders e  – assim como seu pai – morreu. Seu filho, Tyrone Power IV nasceu no ano seguinte. O filme foi terminado com Yul Brinner entrando no lugar de Tyrone. Prematuro fim para um grande ator que deixou sua marca na história do cinema. Descrito pelos que o conhecera como um homem gentil e de grande empatia, Tyrone Power completaria 100 anos nesta data e, certamente, preenche hoje o firmamento como uma das maiores estrelas de sua geração.

Tyrone e sua ultima esposa nos bastidores do inacabado "Solomon & Sheba"

Tyrone e sua ultima esposa nos bastidores do inacabado “Solomon & Sheba”

 

 

IN MEMORIAN : BOB HOSKINS

Adeus Eddie Valiant

Adeus Eddie Valiant

 

Com muito pesar recebi a notícia da morte de Bob Hoskins (1942-2014) , nesta última terça feira, aos 71 anos de idade. Hoskins, nascido no Reino Unido,  será eternamente lembrado como o sisudo detetive Eddie Valiant de “Uma Cilada Para Roger Rabbit” (1988) ou como Smee, o divertido assistente do Capitão Gancho em “Hook” (1991). Ambos filmes marcantes na virada da década de 80 para 90 e reprisados diversas vezes na TV. Hoskins, que sofria do mal de Parkinson, faleceu de pneumonia enquanto estava  internado. Também teve atuações marcantes em filmes como “Mona Lisa” (1986) – que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, “Minha Mãe é uma Sereia” (1990), no qual contracenou com Cher e Winona Ryder, “Nixon” (1995)  em que interpretou o diretor do FBI, J.Edgar Roover, mas os fãs de video game talvez se lembrem melhor dele como um dos irmãos Mario no filme “Super Mario Bros” (1993) entre os vários trabalhos realizados no cinema e na TV. Seu último papel nas telas foi em “Branca de Neve & O Caçador” (2012). Que Descanse em Paz, Robert William Hoskins !

por adilson69

ESTRÉIAS DA SEMANA : 1º DE MAIO DE 2014 – GETÚLIO

GETÚLIO

Atuação Notável do elenco

Atuação Notável do elenco

(Getulio) BR. 2013. Dir: João Jardim. Com Tony Ramos, Alexandre Borges, Drica Moraes, Leonardo Medeiros, Thiago Justino, Jackson Antunes.

Não se trata de um filme biográfico mas de um recorte concentrado nos últimos 19 dias do então presidente Getúlio Vargas (Ramos) diante dos acontecimentos que culminariam com seu suicídio em 24 de Agosto de 1954. O filme, do ex-documentarista João Jardim, reconstitui eventos como o atentado ao jornalista Carlos Lacerda (Borges) na Rua Tonelero que vitimou o Major Rubens Vaz, servindo de estopim de uma crise que já se anunciara muito antes e que envolvia o descontentamento dos militares com as inclinações socialistas de Getulio. O filme retrata bem o clima conspiratório nos bastidores do poder no Palácio do Catete, que abriu suas portas para a equipe de João Jardim, com exceção do quarto no qual o presidente tirou sua vida. O roteiro de George Moura mostra Vargas como um líder acuado por seus opositores e isolado por não poder nem confiar em seus homens, uma vez que o atentado contra Lacerda fora obra de Gregório Fortunato (Justino) , seu chefe da guarda pessoal. Mesmo que tenha recebido apoio moral de sua filha Alzira (Moraes), Vargas é mostrado bem distante da imagem do ex ditador que governou o Estado Novo, que mudou a constituição do país, que elaborou as leis trabalhistas. Sem julgamentos precipitados, o filme relembra fatos que completam 60 anos, mas ainda relevantes tamanho seu impacto no futuro que se projetou após isso tudo. A maquiagem que transforma Tony Ramos é elogiosa, mas ainda mais digno de nota é a atuação de Tony e o elenco reunido em sua volta, o que somado ao apuro da produção faz um respeitoso trabalho, que muito bem poderia abrir os olhos de nossa população das intrigas de poder que ainda ocorrem e norteiam o futuro de nosso país. Os últimos dias de Getúlio e as consequências de seu suicídio já foram mostradas antes no livro “Agosto”, escrito por Rubens Fonseca e que se tornou mini-série da Rede Globo na mesma década. Em tempos turbulentos como vivemos é valoroso ter o olhar histórico para repensar tudo o que foi como um espelho dessas turbulências. Vale a pena sem dúvida, mesmo que haja ousadias narrativas no filme.