IN MEMORIAN : ELI WALLACH

EM "Três Homens & um Conflito"

    Se você se lembrar do filme “O Amor não Tira Férias” (The Holiday) de 2006, Eli Wallach é Arthur Abbot , aquele simpático velhinho que é auxiliado por Iris (Kate Winslet) a receber uma homenagem  como roteirista de filmes. Sua presença garante uma belíssima homenagem a um versátil ator que emprestou seu talento a filmes como “Sete Homens & um Destino” (1960), “Três Homens & um Conflito” (1966) , “O Poderoso Chefão 3” (1990) entre outros papéis, inclusive foi um dos interpretes do Senhor Frio naquele seriado clássico do Batman com Adam West & Burt Ward. Eli Herschel Wallach nasceu em 7 de Dezembro de 1915 e foi criado no Brooklin em Nova York., estudou na Universidade do Texas, lutou na Segunda Guerra onde chegou ao posto de Capitão, foi professor formado e com diploma de mestrado com intenção de lecionar como seus irmãos, mas a paixão por atuar o levou para o Actor’s studio do qual é um membro fundador. Com um currículo desses, seguido de tantos outros filmes marcantes Eli Wallach já fazia por merecer um Oscar, mas a Academia (como em tantos outros casos) só fez a justiça de um prêmio honorário em 2010. Wallach interpretou tipos variados, nunca se prendendo a um único papel: foi bandido, mafioso, Napoleão, padre, policial, homem comum, tendo atuado nos palcos (sua estreia na profissão foi em peça de Tenesse Williams, um dos grandes nomes do teatro norte -americano, mas fez também TV e cinema sempre com dedicação nunca uma estrela, mas sempre um grande intérprete. Teve a honra de trabalhar ao lado de grandes nomes como Marilyn Monroe, Steve McQueen, Clint Eastwood, Yul Brynner entre outros. Que descanse em paz !!!!!

Anúncios

BATMAN 75 ANOS – PARTE 1

          batman 75

Conheci Batman quando era bem criança nos gibis publicados na época pela saudosa editora Ebal e através do seriado estrelado por Adam West e Burt Ward. Me apaixonei pela Mulher Gato de Julie Newmar (como eu torcia para o Batman largar o Robin e ficar com aquele mulherão) , adorava a galeria de vilões e pulava no sofá de casa (para desespero de minha mãe) para simular os POWS e CRASHES das onomatopeias que apareciam nas cenas de luta. Eu tinha até uma capa e máscara que me recusar a tirar porque eu, em minha imaginação, me chamava Bruce Wayne. Coisa de criança sim mas até hoje é um dos personagens que mais gosto e completando 75 anos de sua criação por Bob Kane & Bill Finger nas páginas da revista “Detective Comics” # 27 abro o espaço do blog para falar de suas adaptações para o cinema e TV. Como é muita coisa para falar vou dividir o texto em duas postagens separadas.

batman-75-anos-detective-comics-27-dc-original-novo

A relação de Batman com o cinema remonta aos primórdios da sétima arte. A ideia de um herói baseado na figura assustadora de um quiróptero (morcego), Bob Kane tirou – reza a lenda –  do filme “The Bat Whispers”, um thriller de 1930 sobre um mestre do crime que aterroriza os ocupantes de uma mansão. Já o Coringa, arqui-inimigo do herói mascarado foi inspirado na figura de Conrad Veidt (o Major Strasser de “Casablanca”) no filme expressionista “The Man Who Laughs”, de 1928, que adapta de Victor Hugo a história de um homem cujo sorriso lhe desfigura o rosto.

bat serial

A primeira adaptação de Batman para as telas foi um seriado em 15 capítulos, produzido pela Columbia em 1943, batizado no Brasil de “O Morcego” (The Batman). Na história, Batman (Lewis Wilson) e Robin (Douglas Croft) enfrentam o maligno Dr.Daka, um espião japonês que transforma as pessoas em escravos de Hitler. Tudo bem ao sabor da época em que os heróis da ficção eram jogados contra o mal representado pelas forças do eixo. Apesar das críticas, o personagem ganhou um segundo seriado em 1949, também dividido em 15 capítulos, entitulado “A Volta do Homem-Morcego” (Batman and Robin) onde a dupla dinâmica aparece personificada respectivamente  por Robert Lowery  e Johnny Duncan. O inimigo desta vez  é o terrível vilão mago que rouba diamantes para produzir um poderoso combustível.

batadam

O herói, no entanto, ficaria marcado na memória afetiva de muita gente, inclusive deste escriba, graças a um seriado de TV produzido por William Dozier em 1966 para a ABC, detonando a primeira Batmania e chegando a aparecer na capa da revista “Life” em Janeiro do referido ano. O tom de aventura, no entanto, era diluído pelo mais puro deboche e nonsense com Bruce Wayne ganhando a forma do barrigudinho Adam West, acompanhado do seu pupilo Dick Grayson (Burt Ward) o impagável menino prodígio e suas santas exclamações. Muitos se equivocam ao julgar o seriado de TV. De fato, ele distorce a persona amargurada e as habilidades investigativas do herói. Mas, é o produto de uma época e assim deve ser analisado. O maior destaque ficava, no entanto, para a marcante galeria de vilões personificada por grandes artistas da época : Cesar Romero (galã de diversos filmes Hollywoodianos nos anos 40 e 50) como o Coringa, Burguess Meredith (ator de currículo prolífico nas telas) como o Pinguim, Otto Preminger (diretor de cinema) como Mr. Freeze, Liberace (o grande pianista) como Chandell, e entre tantos outros dignos de menção, Julie Newmar, a primeira Mulher-Gato, cuja sensualidade mexia com os alicerces do herói mascarado e com a garotada que assistia ao seriado. O sucesso na TV levou ao filme “As Aventuras de Batman e Robin” realizado entre a primeira e a segunda temporada da série, levando o elenco da TV para a tela grande, com a exceção de Julie Newmar estava ocupada filmando “O Ouro de MacKenna” com Gregory Peck, e não pode aparecer no filme do homem-morcego, sendo substituída por Lee Merriwether, ex- miss America. O seriado ainda resgatou a personagem da Tia Harriet (Madge Blake) e o fiel mordomo Alfred (Alan Napier) que na época não aparecia nas HQs. Na terceira temporada, a audiência já declinava quando Dozier introduziu Yvonne Craig (ex bailarina que atuou também ao lado de Elvis Presley) como Barbara Gordon, a Batgirl , que era filha do Comissário (o veterano Neil Hamilton) e auxiliava os heróis na luta contra o crime. O clima das HQs é reforçado pelas onomatopeias coloridas que invadem a tela nas cenas de briga e a contagiante música tema de Neal Hefti (que trabalhou como arranjador de Frank Sinatra). Depois de 120 episódios que reproduziam o clima dos antigos seriados com as dramáticas chamadas que serviam de gancho entre um episódio e outro : “Conseguirão nossos heróis escapar da terrível armadilha? Não percam a continuação, mesma bat-hora, mesmo bat-canal!”.

bat 1989

Passaram praticamente 20 anos para que fosse anunciado um novo projeto de levar as Hqs de Batman para as telas. Na verdade, desde 1980 já existia um roteiro escrito por Tom Mankiewicz (co-autor de “Superman o Filme”), mas este foi descartado quando, em 1986, Tim Burton (vindo do sucesso de “Beetlejuice – Os Fantasmas de Divertem”) já havia sido contratado pela Warner (dona dos personagens da DC Comics) como diretor. Depois de cogitarem nomes como Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Mel Gibson, Tom Cruise, Emilio Estevez, Kurt Russell, Jeff Bridges, Harrison Ford entre outros , o escolhido foi Michael Keaton para o papel de protagonista, o que desagradou a muitos fãs, já que o ator não tinha o tipo físico adequado ao papel. Contudo, quando cartazes expondo o  bat-sinal se espalharam pela cidade antecipando a estreia no Brasil, que aconteceu em Outubro de 1989, o filme veio a se tornar um sucesso acumulando uma bilheteria mundial acima de $300 milhões. A cenografia de Anton Furst conferiu nas telas um visual impressionante embalado pela trilha sonora de Danny Elfman. O filme “Batman” peca, no entanto, por algumas liberdades tomadas com o roteiro que muda a origem do herói transformando o Coringa no assassino dos pais de Bruce Wayne, apenas para produzir um efeito de causa e consequência ligando herói e vilão, mas que nada tem a ver com a HQ original. Os papéis secundários estavam rasos ainda que interpretados por atores de renome como Jack Palance (o gangster Carl Grisson) e Kim Basinger (a repórter Vicky Vale – interesse romântico de Bruce Wayne criado por Bob Kane nos anos 40). A caracterização se sobressaiu tão acima do roteiro de Sam Hamm que o papel do herói fica à sombra da atuação de Jack Nicholson como Coringa (em papel antes pensado para Robin Williams) que monopoliza as atenções e rouba o filme para o palhaço. O contrato de Nicholson foi milionário ficando com um percentual da bilheteria mundial e royalties dos produtos licenciados. Sem dúvida, o palhaço riu por último!  Em 1992, Burton e Keaton voltam para “Batman- O Retorno”, com o visual ainda mais dark e um roteiro melhorado que coloca Batman contra o Pinguim (Danny DeVito) que concorre para prefeito de Gotham City, uma ideia que chegou a ser explorada no antigo seriado de TV. Burguess Meredith, que interpretou o Pinguim anteriormente chegou a ser considerado para uma aparição,  mas problemas de saúde o impediram. Uma presença muito forte no filme é Selina Kyle, a Mulher-Gato, papel cobiçado por muitas atrizes e que ficou com Michelle Pfeiffer. Novamente, os vilões eclipsam o herói que ainda enfrenta um terceiro antagonista, o empresário corrupto Max Schreck (homenagem ao ator que interpretou Nosferatu do clássico de F.W.Murnau) interpretado por Christopher Walken.

cenas-dos-filmes-batman-eternamente-1995-e-batman--robin-1997-1373674749251_80x80

Apesar do sucesso nas bilheterias, os executivos da Warner queriam um filme menos dark e desentendimentos com Tim Burton – que permaneceu ligado à franquia apenas como produtor – levaram à uma mudança de direção para a sequência “Batman Eternamente” lançada em 1995, com direção de Joel Schumacher, que trouxe Val Kilmer para o papel do herói quando Michael Keaton não demonstrou interesse em continuar. O novo filme apresentou um visual mais colorido, um novo interesse romântico na figura da psicóloga interpretada por Nicole Kidman, além de introduzir na franquia o personagem do Robin que teve o nome de Marlon Wayans cotado durante o período de Tim Burton à frente da franquia. O papel, no entanto, ficou com Chris O’Donnell depois de cogitado o nome de Leonardo DiCaprio, e curiosamente, um então jovem Christian Bale. Contudo, o roteiro continuou a explorar mal o potencial dos personagens. Tommy Lee Jones é mal aproveitado como Duas Caras, um personagem que nas HQs possui uma carga dramática maior, restando para Jim Carrey os melhores momentos numa atuação afetada como o Charada, o príncipe dos enigmas. O resultado foi bem nas bilheterias, o suficiente para um quarto filme lançado em 1997: “Batman & Robin”, também dirigido por Joel Schumacher, que transformou o filme num baile de carnaval, com cores em demasia para um personagem de natureza tão sombria quanto Batman. Tendo Val Kilmer trocado Bruce Wayne pelo Santo, Schumacher trouxe George Clooney, que na época estrelava o bem sucedido seriado “ER” e teve boa projeção no cinema em “Um Drink no Inferno”. Apesar do carisma em cena de Clooney, o filme é um lamentável engano com diálogos patéticos, um roteiro que parece só existir para justificar o grande número de personagens – sem nenhum aprofundamento – desfilando nas frente das câmeras. Desta vez nem os vilões funcionam já que tanto Arnold Schwarzenegger (o  Sr.Frio)  como Uma Thurman (Hera Venenosa) parecem adversários patéticos, sem qualquer traço dos personagens aos quais correspondem nas HQs .O elenco inflado ainda tem a Batgirl, de Alicia Silverstone, que não acrescenta nada à história, nem sequer o apelo juvenil. O resultado desastroso do filme tanto em termos artísticos como de bilheteria afundou a franquia por um longo tempo.

bats

Conseguirá o cruzado embuçado sobreviver a esse desafio ? Escapará nosso herói das garras de uma péssima adaptação ? Não percam a segunda parte dessa postagem. Mesma bat-hora, mesmo bat-blog. Que venha o tema de Neal Hefti !

ESTREIAS DA SEMANA : 26 DE JUNHO

JERSEY BOYS

Na trilha de antigos sucessos

Na trilha de antigos sucessos

(JERSEY BOYS) EUA 2014. Dir: Clint Eastwood. Com Christopher Lloyd, John Lloyd Young, Vincent Piazza. Nunca foi segredo que o ator e diretor Clint Eastwood tem uma grande paixão pela música, em especial o jazz. Versátil em seus trabalhos atrás das câmeras, o ex- Dirty Harry confirma seu talento de bom contador de histórias adaptando esse musical da Broadway que conta a trajetória de uma das melhores bandas dos anos 60, The Four Seasons, que teve como integrante o cantor Frank Valli cuja voz eternizou a belíssima canção “Can’t Take my eyes off you” entre outras hoje clássicas. O filme traça a trajetória dos integrantes da banda desde os anos 50 até os anos 90 embalado por belíssima trilha sonora mas não escapa dos clichês do gênero. Há drama e momentos de desmistificação do mundo do showbizz, mas nada que o destaque de outros filmes do gênero. Uma boa história, no entanto, que não deve ser desprezada principalmente aos apreciadores de canções que atravessam gerações. Christopher Walken (um bom ator que fez filmes como “A hora da Zona Morta” e “Pegue-me se for capaz”, este no papel do pai de Leonardo DiCaprio) faz o mafioso que atravessa o caminho dos músicos, um papel menor mas que o faz dizer que está lá. Enfim, pode não ser o melhor trabalho de Eastwood mas nem por isso deixa de ser uma boa sugestão.

MUPPETS 2: PROCURADOS E AMADOS

Hora do show !!!

Hora do show !!!

(Muppets 2: Most Wanted) EUA 2014. Dir: James Bobin. Com Rick Gervais, Tina Fey, Ty Burrell. Comédia. Dez anos depois de comprados pela Disney e três anos depois do reboot, os adoráveis personagens criados por Jim Henson retornam em uma movimentada aventura em que são enrolados por um empresário picareta (Gervais) para encobrir os golpes de seu sócio Constantin que é sósia do sapo Kermit. Este acaba confundido com o bandidão e vai para a prisão enquanto seus amigos seguem suas apresentações sem saber que estas encobrem roubos mirabolantes pelos quais são culpados. Tudo é claro para ser resolvido com muita confusão por Gonzo, Miss Piggy e os demais bonecos, verdadeiras estrelas dos cinemas desde 1979, mas que já eram sucesso na Tv desde 1976. Inspirado no roteiro do segundo filme dos Muppets originais feito em 1981 “The Great Muppet Caper”, o filme traz participações especiais de Lady Gaga, Frank Languella, Salma Hayek, Celine Dion, Stanley Tucci e outros como sempre foi típico dos personagens: interagir com as celebridades como quem falam, cantam, brincam sobretudo. Vale a pena se deixar levar pelo espírito dessa história e virar criança novamente, mesmo que estes já tenham tido momentos mais criativos no passado.

 

ESTREIAS DA SEMANA : 19 DE JUNHO DE 2014

TRANSCEDENCE – A REVOLUÇÃO

Johnny Depp ele robô !!

Johnny Depp ele robô !!

(Transcedence) EUA 2014. Dir: Wally Pfister. Com Johnny Depp, Rebecca Hall, Morgan Freeman. Ficção Cientifica. Cientista brilhante (Depp) faz grandes avanços no campo da inteligência artificial conseguindo criar uma máquina perfeita capaz de desenvolver emoções e consciência. Sua revolucionária criação desperta a ira de grupos extremistas contra o uso abusivo e descontrolado da tecnologia. Envenenado em um ataque, o Dr. Caster (Depp) tem sua mente brilhante transferida para a máquina que criou mas o que parece ser a miraculosa cura se torna um pesadelo. O filme se propõe a algumas discussões filosóficas, mas tudo bem raso.sem um tratamento mais aprofundado. O filme tem belo visual e em alguns momentos desperta ideias interessantes a ser discutidas, mas disfarça as fragilidades de seu roteiro com um elenco de apoio muito bom e um Johnny Depp pouco inspirado.

O HOMEM DUPLICADO

Quem sou eu e quem é você ?

Quem sou eu e quem é você ?

(Enemy) EUA 2013. Dir:Dennis Villeneuve. Com Jake Gillenhall, Melaine Laurent, Sarah Gadan, Isabella Rosselini. Suspense. Do mesmo diretor de “Os Suspeitos” , o canadense Dennis Villeneuve traz essa adaptação do livro homônimo de José Saramago sobre um professor de História que fica obcecado ao descobrir a existência de um sósia e passa a perseguí-lo e a sacrificar tudo, sua carreira, sua familia, para tentar saber tudo sobre seu duplo, um ator. A atriz Isabella Rosselini é filha da maravilhosa Ingrid Bergman, a estrela de “Casablanca” e outro clássicos do cinema.

O 13º DISTRITO

Lembrando Paul Walker.

Lembrando Paul Walker.

(Brick Mansions) EUA 2013. Dir: Camille Delamare. Com Paul Walker, David Belle, Ação. Homem tenta viver honestamente apesar do meio em que vive cercado de violência e corrupção. Quando sua namorada é sequestrada por chefão do crime, ele se junta a policial disfarçado para salvá-la. Último filme de Paul Walker (de Velozes & Furiosos) – recentemente falecido – antes do derradeiro e inacabado episodio 7 da franquia milionária que co-estrelava com Vin Diesel.

VIZINHOS

Vizinhos Cara de Pau !!

Vizinhos Cara de Pau !!

(Neighbors) EUA 2014. Dir: Nicholas Stoller. Com Seth Rogen, Zach Efron, Rose Byrne. Comédia. Casal se muda com o filho recém nascido para casa nova e entra em conflito com fraternidade universitária que alopra a vizinhança com festas de arromba e outras mil loucuras. Humor no estilo de “Superbad” e “Ligeiramente Gravidos”, ambos também estrelados por Seth Rogen que aqui atua, produz e é também autor do roteiro.

COMO TREINAR SEU DRAGÃO 2

Olhem quem está de volta !!

Olhem quem está de volta !!

(How to train your Dragon 2) EUA 2014. Dir: Dean Deblois. Com vozes de Jay Baruchel, Gerard Butler, Cate Blanchett, Djmon Houssseu. Animação. Um dos lançamentos mais aguardados do ano dado o enorme sucesso dessa adaptação dos livros de Cressida Cowell que a Dreamworks transformou em um excelente primeiro filme, de 2010 e que retorna agora com a promessa de ser ainda melhor. Os personagens estão mais envelhecidos, mais maduros, e o heroi Soluço enfrenta o malévolo Draco (voz de Rodrigo Lombardi na versão dublada) e descobre coisas sobre seu passado, inclusive reencontra sua mãe, que acreditava estar morta. O filme retoma a história dos Vikings de Berk cinco anos depois dos eventos do filme original e prometem uma grande aventura, que é claro deixará o caminho aberto para um terceiro filme.

 

 

40 ANOS DE “O GRANDE GATSBY”

Redford & Farrow : Amantes que se reencontram.

Redford & Farrow : Amantes que se reencontram.

Já passaram 88 anos desde a primeira publicação de “O Grande Gatsby” e 40 anos desde sua  adaptação cinematográfica mais famosa. O livro escrito por F.Scott Fitzgerald ostenta hoje o posto de uma das maiores obras da literatura americana, contrariando a expectativa de muitos em sua própria época, quando sua tiragem inicial foi menor que 25000 cópias. Na verdade, foi somente após o fim da Segunda Guerra que o público norte-americano redescobriu o valor dessa obra – que ano passado foi mais uma vez adaptado para o cinema numa produção grandiosa, dirigida por Baz Luhrmann e com Leonardo DiCaprio no papel do sedutor e amargurado personagem que pode ser visto como um romântico incorrigível, mas cuja fortuna feita do nada lhe rende suspeitas de atos ilegais, o que não o impede de ser o anfitrião das festas mais badaladas de Long Island, atraindo todo tipo de parasitas e mulheres fascinadas com seu carisma e riqueza. Na qualidade de homem que enriquece do nada, Gatsby é a personificação  do “American Way of Life”, mas não apenas do glamour como também das contradições de uma América que caminharia ao longo dos anos 20 para uma crise que entraria para a história como resultado de um materialismo exacerbado e descontrolado que criou fortunas na mesma medida que destruiria vidas naqueles chamados “Roaring Twenties”, ou “Anos Loucos” como ficaram conhecidos os anos 20, uma década que vinha com as cicatrizes mal-curadas da primeira guerra e que antecipava o pesadelo que seria a Depressão.

Em 1971, Robert Evans comprou os direitos para uma nova adaptação e o roteiro foi entregue a Truman Capote (autor de “Bonequinha de Luxo”), mas este desagradou ao estúdio, a Paramount, ao transformar Nick em homossexual e a personagem Jordan em Lésbica. Capote foi destituído do cargo e o roteiro foi entregue a Francis Ford Coppola que terminou de escrevê-lo em três semanas. Evans, na época era casado com a atriz Alli McGraw (de “Love Story”) e pensava nela para o papel de Daisy com Warren Beatty como Gatsby. Este, no entanto, só se interessou pela direção e o papel central foi oferecido a Jack Nicholson, depois Steve MacQueen, que não o aceitou  e até mesmo Marlon Brando cujo alto salário pedido o desqualificou. Em meio à demora para o início das filmagens, McGraw foi trabalhar ao lado de Steve MacQueen em “Os Implacáveis” (The Getaway) 1972 e ambos se apaixonaram. MacGraw deixou Evans, que selecionou Mia Farrow (de “O Bebê de Rosemery”) para interpretar Daisy depois de considerar os nomes de Faye Dunaway, Natalie Wood, Candice Bergen e Cybill Shephard que se recusou a fazer teste para o papel. O papel de Nick Carraway, alter ego de seu autor foi para Sam Waterson e Gatsby veio a ser interpretado por Robert Redford, recém saído do mega sucesso “Golpe de Mestre” que filmara junto a Paul Newman repetindo a dupla de “Butch Cassidy”. Segundo Mia Farrow, em depoimento dado tempos depois, não havia muita química entre ela e Redford fosse em cena ou nos bastidores, já que o politizado ator acompanhava com afinco as investigações acerca do escândalo de Watergate, que culminaria com a queda do presidente Richard Nixon,  e que o próprio Redford filmaria anos depois em “Todos os Homens do Presidente” (1977). Curiosamente, o ator Howard da Silva, que interpretou Wilson (vizinho de Gatsby) na versão de 1949, aparece em papel menor no filme de 1974, dirigido por Jack Clayton. Essa versão é até hoje a mais famosa da obra desse grande autor e foi premiada com dois Oscars: melhor musical score e melhor figurino. Ainda viria uma versão feita para a Tv americana em 2000 com Toby Stephens e Mira Sorvino.

ESTREIAS DA SEMANA : 12 DE JUNHO

AMOR SEM FIM

sem fim e requentado.

sem fim e requentado.

(Endless Love) EUA 2014. Dir: Shana Feste. Com Alex Pettyfer, Gabriella Wilde, Bruce Greenwood, Robert Patrick. Drama.  Em pleno dia dos namorados, apesar do clima de copa do mundo, chega às nossas salas de exibição a refilmagem do filme homônimo dirigido por Franco Zefirelli em 1981 e que trazia a famosa e melosa canção de Lionel Ritchie, em dueto com Diana Ross. A história nada mais é que uma releitura moderna de Romeu & Julieta, ou seja, casal de jovens se apaixona, tem sua primeira experiência sexual, mas enfrenta a oposição dos pais da moça e o desequilíbrio emocional do rapaz que servirá de estopim para uma tragédia.  A história já era, na época do filme original, sentimental ao extremo mas trazia a presença da beldade Brooke Shields que no início da década vinha de papeis marcantes como a prostituta de “Pretty Baby” e a ninfeta de “A Lagoa Azul”. O novo filme não se beneficia de uma figura de beleza tão marcante quanto Brooke Shields e sua premissa soa muito forçada vista à luz do mundo em que vivemos onde os jovens já não são tão obedientes ou subservientes a regras dos pais. Se a pieguice em 1981 era obvia, ainda continua, mas sem qualquer mérito de mostrar uma história que enfoque mais nos jovens de 15 a 20 anos, seus pensamentos e virtudes, seus medos e anseios. Nesse quesito há filmes melhores e não apelativos como “A Culpa é das Estrelas” que dosa melhor o sentimentalismo inerente a uma história de paixão e perdas.

A FACE DO MAL

sustos bobos.

sustos bobos.

(The Haunt) EUA 2014. Dir: Mac Carter. Com Liana Liberato, Harrington Gilbertson, Jackie Weaver. Terror. Depois de um dia dois namorados, uma curiosa sexta feira 13 recebe essa história de casa mal-assombrada convencional, recheada dos clichês do gênero. Jovem tímido se muda com a família para casa soturna que esconde eventos sobrenaturais. Com a ajuda de sua vizinha investigam os segredos do lugar mas  atraem para si um grande mal. Liana Liberato já mostrou que tem talento em “Confiar” (2012) mas desperdiça seu tempo em papel insosso em filme que nada traz além de sustos fáceis e previsíveis que ao final não serão tão divertidos assim.

 

FELIZ DIA DOS NAMORADOS … NAS TELAS

Apaixonados separados pela tragédia, pelo acaso ou pela mera incompatibilidade. Melodramas têm seu público fiel, embora considerado essencialmente feminino dado seu caráter sentimental acentuado em enredos chamados pejorativamente de “água com açúcar”. Com a estreia de “A Culpa é das Estrelas” (The Fault in Our Stars) e – em breve – a refilmagem de “Amor sem Fim” (Endless Love) próximo ao dia dos namorados, as telas podem transbordar de lágrimas, bem apropriado para a data e para que lembremos que há muito mais no cinema que apenas blockbusters. Filmes menos pretensiosos, voltados para as relações humanas sempre tiveram espaço, maior ou menor, nas telas. Relembremos alguns deles:

Canção inesquecível, filme idem.

Canção inesquecível, filme idem.

Se uma canção marcante é essencial para o alcance de um romance, então “Nosso Amor de Ontem” (The Way We Were) de 1973 merece figurar primeiro em nossa lista. A música de Marvin Hamlich, que dá título ao filme,  foi escolhida como 8ª entre as 100 melhores canções do cinema pelo AFI (American Film Institute), e Oscar de melhor canção na voz de Barbra Streisand , intérprete de Katie Morosky, ativista no período do pós guerra que encontra Hubbel Gardner (Redford), um antigo amor dos tempos de universidade e aspirante a escritor que tenta achar seu lugar ao sol como roteirista em Hollywood. Um dos primeiros filmes a retratar a caçada McCarthista, o filme fala da dificuldade de conciliar ideologias opostas que fazem amantes trocarem os sorrisos pelas lágrimas, tornando-os nada além de lembranças do que uma vez foram. Excelente filme graças à presença do casal Redford-Streisand dirigidos pelo hábil Sidney Pollack.

Temas como desse filme serão sempre ouvidos.

Temas como desse filme serão sempre ouvidos.

Sabe aquela trilha sonora que uma vez ouvida não sai mais da cabeça. Assim é a composição de Francis Lai para “Love Story- História de amor” de 1970, dirigido por Arthur Hiller com roteiro de Erich Segal. Este escreveu a história como roteiro de cinema, mas antes do lançamento do filme, publicou sua versão adaptada que se tornou um Best-seller. A história trazia Ryan O’Neal (então com 29 anos) e Ali MacCraw (então com 31 anos) como um jovem casal que enfrenta a diferença de classes sociais opostas. Apesar da pressão do pai de Oliver (O’Neal) vivido pelo veterano Ray Milland, o calvário vivido pelo casal é quando Jenny (MacGraw) descobre estar com leucemia. A popularidade do filme fez história e lhe deu o status de “filme de mulher” com sentimentalismo exacerbado e final lacrimoso que para muitos o torna por demais “piegas”. O sucesso de bilheteria gerou a sequência “A Historia de Oliver” (Oliver’s Story) em 1978, que claro traz a citada trilha que, apesar de ter seus admiradores e detratores, embalou muitos namoros na década de 70.

Brooke Shields foi a imagem da ninfeta desejada na década de 80.

Brooke Shields foi a imagem da ninfeta desejada na década de 80.

Quase dez anos depois de “Love Story”, os adolescentes do início dos anos 80 tiveram “Amor Sem Fim” (Endless Love) de 1981, uma releitura de Romeo & Julieta estrelada pela então ninfeta Brooke Shields (então com 16 anos) e o inexpressivo Martin Hewitt. Na história, dois jovens se apaixonam e têm sua primeira noite de amor para o desagrado do pai dela que proíbe o namoro. O rapaz toma atitudes extremistas para ver a amada e acaba inadvertidamente provocando um acidente que o levará para uma clínica psiquiátrica, afastando-o dela e traçando um caminho trágico para o casal. Na época, a trilha sonora do filme imortalizou a canção, de mesmo nome, (Endless Love) cantada por Lionel Ritchie em dueto com Diana Ross, muito difundida nas rádios e campeã de pedidos nos programas estilo “Good Times”. O filme tomou proveito da figura de Brooke Shields então recém saída de filmes como “A Lagoa Azul” e “Pretty Baby”. “Amor Sem fim” foi refilmado para relançamento em pelo dia dos namorados, mas dificilmente terá hoje o mesmo alcance de seu original. A propósito, o filme original foi a estreia nas telas de Tom Cruise , em papel menor e na época com 19 anos.

Amor maduro e salvador

Amor maduro e salvador

Inspirado na vida da jornalista Jessica Savitch que se tornou a primeira âncora de telejornal mulher nos anos 70, e que morreu em trágico acidente automobilístico. O amor maduro entre a repórter iniciante Sally Atwater (Michelle Pfeiffer) e o veterano jornalista Warren Justice (Robert Redford) ao som da bela voz de Celine Dion cantando “Because you Loved Me”.“Intimo & Pessoal” (Upclose & Personal), de Jon Avnet, foi um dos melhores do gênero nos anos 90. A principio insegura e inexperiente, a personagem de Pfeiffer cresce como profissional e como mulher a medida que a carreira de Warren decresce. Este se torna seu mentor e seu amante e a ideia de que a carreira de um vem inversamente proporcional ao do outro, mas ambos dividindo um mesmo sentimento dá o tom da canção tema de Celine Dion: Quando eu fui fraca, você me fez forte, você foi meus olhos quando eu não podia ver …”. A maturidade do casal, pra lá de 20, e a química entre Redford e Pfeiffer destaca o filme do lugar comum do gênero e o torna interessante.

Amor Caliente !

Amor Caliente !

Muito bem sucedido junto ao público feminino  na época de seu lançamento, principalmente devido ao sex-appeal de Brad Pitt, “Lendas da Paixão” (Legends of the Fall) de 1994 mostra o amor do rebelde Tristan (Pitt) e a bela Susannah (Julia Ormand), pivô das desavenças de três irmãos interpretados por Pitt – o irmão do meio, Aidan Quinn – o mais velho e Henry Thomas – o mais novo e que vem a ser o noivo de Susannah. O filme, baseado no romance de Jim Harrisson, trata das relações familiares, outro tema comum aos melodramas. Estas são abaladas pelas adversidades advindas dos interesses românticos, da guerra e de outros conflitos familiares que impulsionam a narrativa. Cabe ao patriarca da família vivido por Anthony Hopkins conciliar as diferenças. O filme recebeu indicações ao Oscar, ganhando o de melhor fotografia.  Nada como um belo cenário para emoldurar tantos conflitos e o filme traz as Montanhas Rochosas do início do século XX. O projeto, que veio a ser dirigido por Edward Zwick, demorou 17 anos para ser filmado e quase teve Johnny Depp como Tristan. Também quase envolvidos estiveram Sean Connery e Tom Cruise.

Um amor para lembrar.

Um amor para lembrar.

Um acidente, por exemplo, separa um casal apaixonado como Cary Grant & Deborah Kerr em “Tarde Demais para Esquecer” (An Affair to Remember) de 1957 ou em tempos mais recentes Rachel McAddams & Channing Tatum em “Para Sempre” (The Vow) de 2011. A história deste foi baseada superficialmente na história do casal Krickect & Kim Carpenter que escreveram o livro sobre o casal que é separado pela perda de memória dela o que faz seu esquecido marido lutar para tentar reconquistá-la. O filme agradou o casal da vida real sendo que estes alegaram que faltou o elemento religioso, já que foi a fé que os manteve unidos. Outro que figura entre os favoritos da literatura romântica jovem é o autor Nicholas Sparks, que escreveu “Querido John” (Dear John) sobre um soldado de licença (Channing Tatum) que s.e envolve com a jovem universitária (Amanda Seyfried)

O rei e a rainha do mundo

O rei e a rainha do mundo

Fato histórico como pano de fundo para um romance é a receita do mega sucesso “Titanic” de James Cameron. Lançado em 1998, este foi um projeto desacreditado por muitos na época dada a proporção da produção que fez calar seus detratores ganhando 11 Oscars (dividindo então o recorde com “Ben Hur”) , tornando-se um sucesso fabuloso de bilheteria ao arrastar milhares de pessoas para testemunhar o triunfo técnico de recriar o naufrágio do RMS Titanic em abril de 1912, em plena viagem inaugural. O romance entre o plebeu Jack Dwason (Leonardo diCaprio) e a aristocrática Rose (Kate Winslet) embalados pela hipnotizante trilha sonora coroada com a voz de Celine Dion cantando “My Heart Will Go On” ainda faz parte do imaginário popular dos românticos. No filme nem a diferença de classes nem a fatalidade do destino separa para a eternidade os amantes, mesmo que um tenha que se sacrificar para a sobrevivência do outro. “Se você pular, eu pulo” diz Dawson para a desiludida Rose quando ambos se conhecem no início da viagem que levará todos a constatar que a culpa, de fato, é das estrelas.

A NOVA FACE DO VILANIA

Come to the dark side !

Come to the dark side !

Será que fomos todos seduzidos pelo lado sombrio da força ? Explico a dúvida : A noção do que é o bem e o mal, na ficção, não é a mesma há muito tempo. Em 1999, Darth Vader, que foi o antagonista dos Jedis na 1ª trilogia de “Star Wars”, passou a protagonista da história quando George Lucas decidiu voltar no tempo e contar os primórdios da ascenção do Império. Apesar das precaridades do roteiro dessa 2ª trilogia (A Ameaça Fantasma, O Ataque dos Clones e A Vingança de Sith) , a popularidade do universo criado por Lucas foi expandida e fez de Vader um ícone pop com seu visual ameaçador e sedutor. Contraditório, talvez, mas a arte – assim como a vida – perdeu a inocência de outrora e nada mais é apenas preto e branco. Percebeu-se, consequentemente, que a vilania impulsiona uma narrativa justamente por apresentar maior complexidade em suas motivações. Senão, como explicar o atual sucesso de Angelina Jolie na pele de Malévola, que de impiedosa antagonista da princesa Aurora (Elle Fanning) ganha contornos humanizantes que fazem o público torcer por ela, ao contrário do clássico da animação da Disney “A Bela Adormecida”, do qual a história foi repaginada para a atualidade.

Quando o bem e o mal eram melhor divididos, nas HQs

Quando o bem e o mal eram melhor divididos, nas HQs

No campo dos filmes de Super Heróis, ninguém dúvida que sem um bom vilão, o filme não se sustenta, tal qual uma concepção de yin-yang: Não existe herói se não existir um vilão e os maiores personagens do gênero estão cercados de um elenco da mais fina maldade: Super Homem tem Luthor, Capitão América tem o Caveira Vermelha e o que não dizer do Homem Aranha e do Batman que, talvez, dividam a honraria de possuir uma extensa galeria de malfeitores. Até mesmo nas HQs que inspiram esses filmes não é recente o fascínio dos malvados. Na década de 70 o Coringa teve uma revista própria e nos últimos meses a DC Comics vendeu horrores com uma saga entitulada “Forever Evil” que coloca os heróis em segundo plano frente a uma inevitável vitória do mal. Outrora, o bem precisava triunfar sobre o mal para justificar as lições de moral exigidas pela sociedade. Hoje, a ficção cuida de justificar as atitudes e se livrar dos grilhões do maniqueísmo, trazendo diante da luz de nossos olhos que o bem e o mal podem ser circunstanciais, justificáveis ou ao menos guardar a possibilidade de redenção.

O vilão também pode ser bom.

O vilão também pode ser bom.

Assim, em animações de sucesso como “Meu Malvado Favorito” e “Megamente”, os papéis de herói e vilão se misturam e despertam mais interesse que moçinhos de moral superior e recheados de apenas virtudes. A Disney trouxe o excelente “Detona Ralph” que explora de forma admirável o que essencialmente de um individuo um herói ou um vilão e conquistou crianças, jovens e adultos.  Indubitávelmente, vivemos tempos em que valores são distorcidos, invertidos, trocados ou abalados de forma que visões simplistas do que é certo e errado não tem qualquer alcançe ou relevância. Só nos resta repensar o que nos move e avaliar se os fins justificam os meios ou questionar se ainda existe no mundo – real ou ficcional – algum lugar para algo mais puro que a maturidade nos tirou. Nada restando, ainda podemos fazer como no antigo desenho “Pinky & Cérebro” e dominar o mundo !!

O que vamos fazer essa noite ?

O que vamos fazer essa noite ?

 

ESTREIAS DA SEMANA : A CULPA É DAS ESTRELAS

Eles não se abatem com a morte, mas vivem a plenitude da vida.

Eles não se abatem com a morte, mas vivem a plenitude da vida.

Confesso a grata surpresa de ter lido o livro de John Green. Não apostava que fosse gostar tanto da história e maior surpresa ainda saber que a adaptação do livro pela 20th Century Fox, dirigida por Josh Boone, consegue hábilmente transpor para as imagens as palavras de Green que foram perfeitas para mostrar que existe muito mais a oferecer ao público jovem que histórias insossas de amor entre vampiros e humanos. “A Culpa é das Estrelas” foi escrito com admirável sensibilidade, e imbuído desse mesmo espírito Josh Boone traz a talentosa Shailene Woodley para o papel de Hazel Grace Lancaster, a jovem de 16 anos que sofre de câncer nos pulmões e que durante uma terapia de grupo conhece Augustus Waters (Ansel Elgort) que sofre do mesmo mal que lhe privou de uma das pernas, lhe tirou uma carreira no basquete e lhe abrevia a vida. Ambos os atores estão ótimos nos papéis, bem como os coadjuvantes Laura Dern ( a mãe de Hazel), William Dafoe (o escritor favorito de Hazel que vive recluso) e o jovem Nat Wolff (Isaac, o amigo de Augustus que perdeu a visão). Apesar de voltado para o público jovem, o filme cujo título é uma adaptação das palavras de Julius César (da peça de Shakespeare) agrada a qualquer um que se deixe conquistar por uma história sem grande pretensões com personagens cativantes. Não é difícil ter a sensação de que Hazel e Augustus são reais, verossímeis, como se fossem pessoas que conhecemos e que, por casualidade de um cruel destino, descobrem a dor, a inevitabilidade do fim mas aprendem também o prazer e a vida de um ponto de vista mais intenso e sincero. Todas essa emotividade não é apresentada de forma gratuita ou superficial. A história de Green sabe como dosar emoção e humor sem se entregar às obviedades dos clichês.

A atriz Shailene Woodley e o autor John Green

A atriz Shailene Woodley e o autor John Green

A atriz Shailene Woodley já havia mostrado seu talento como a filha de George Clooney em “Os Descendentes” e recentemente encarnou a heroína de “Divergente” onde curiosamente aparece ao lado de Ansel Elgort que faz nesse o papel de seu irmão. Shailene, inclusive entrou em contato com o autor John Green se mostrando interessada no papel de Hazel, para o qual emagreceu e cortou as longas madeixas para ser convincente, e ela é. A química com Ansel é evidente e cativa sem exageros. Enfim, o filme é recomendado, agradável e mostra como é bem saber que ainda se sabe contar uma boa história. Esperamos que outros livros de Green como “O Teorema Katherine” e o recente “Cidades de Papel” ganhem uma adaptação. Por hora, podemos nos permitir refletir e sentir com o romance de Hazel e Augustus e ainda que a finitude da vida seja inescapável, que deixemos nossas vidas breves brilhar por frívolos instantes e que o julgamento fique para as estrelas.

ESTREIAS DA SEMANA : UM MILHÃO DE MANEIRAS DE PEGAR NA PISTOLA

Os personagens

Os personagens

(A Million Ways To Die in the West) EUA 2014. Dir: Seth MacFarlane. Com Seth MacFarlane, Charlize Theron, Amanda Seyfried, Neil Patrick Harris, Liam Nesson. Comédia de Faroeste . Em cidade do velho oeste, criador de ovelhas foge de tiroteio e deixa sua namorada. Ao encontrar mulher misteriosa (Theron) se envolve com ela a medida que vai recuperar a coragem perdida, que será posta a prova quando descobrir que o ex-marido dela é um terrível fora da lei. Seth MacFarlane de “Ted” escreve, dirige e atua nessa paródia de westerns valorizada por um ótimo elenco. Amanda Seyfried  (de “Mamma Mia’ e ” Lovelace” )  faz a namorada interesseira de MacFarlane, Neil Patrick Harris (do seriado “How I met your mother”) faz o conquistador barato, Liam Neeson é o fora da lei que se torna o antagonista de  McFarlane. Todos uma colagem de estereótipos bem comuns ao gênero parodiado e defendidos por grandes nomes, incluindo dois vencedores do Oscar (Neeson & Theron). A bela atriz Charlize Theron teve que usar uma peruca no filme pois tinha raspado as belas madeixas para seu próximo filme (Mad Max: Road Fury). A ideia do filme surgiu para McFarlane (criador de”” Family Guy” e diretor de “Ted”) durante uma conversa com amigos sobre como teria sido de fato viver no velho oeste, tendo inclusive escrito uma novelização de seu próprio roteiro que publicou como livro, o primeiro de sua carreira. O filme dá aquela ideia de ser abertamente uma grande brincadeira entre amigos, com participações especiais (cameos) de outros astros como Jamie Foxx, Christopher Lloyd (o Dr. Emmet Brown do clássico “De Volta Para o Futuro”) e Patrick Stewart (O Professor Xavier dos X Men) que faz a voz da ovelha voadora !! Enfim, nada além de uma boa comédia, sem sutilezas que nunca foram a marca registrada de McFarlane.

por adilson69

BANG BANG DE MENTIRA

Escracho no velho oeste

Escracho no velho oeste

O Western já foi um dos gêneros mais prolíficos e nobres do cinema: As cavalgadas ao por-do-sol, os duelos, as brigas de saloom, uma realidade simplista dividida entre moçinhos e bandidos, romanceada, fictícia, que colocava o índio como um mero selvagem e o homem branco como o civilizado, detentor de todas as justificativas para ocupar o velho oeste em sua marcha tida como destino manifesto. Durante décadas, desde os primórdios do cinema, essa foi a visão do gênero oferecida por Hollywood. Já foi reinventada para se adequar aos padrões italianos (western-spaghetti), mas também foi prato cheio para paródias em títulos que não se inibiam em subverter todas as regras temáticas e estéticas com o único propósito de fazer rir. Eis abaixo 5 pérolas que antes de Seth McFarlane, em “Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola”, já brincaram com os clichês do bang bang nas telas :

1- O REI DO LAÇO  (Pardners) EUA 1956. Dir:Norman Taorog. Com Jerry Lewis, Dean Martin,Lori Nelson, Agnes Moorehead,Jeff Morrow, Lon Chaney Jr, Jackie Loughrey, John Baragray.

O Rei da Comédia e da era dourada da sessão da tarde.

O Rei da Comédia e da era dourada da sessão da tarde.

Penúltimo filme da dupla Martin-Lewis e extremamente divertido. Martin é Slim Mosley, capataz de uma fazenda que sofre constantemente com o ataque de bandidos mascarados a mando de banqueiro que planeja se apossar das terras. Para ajudar Slim, chega ao oeste Wade Kingsley Jr (Lewis) , filho do antigo dono do Rancho que sonha em se tornar um cowboy se não fosse pelo fato que é muito atrapalhado e sem qualquer aptidão para enlaçar ou atirar. Para que ninguém desconfie de sua real identidade ganha a inadequada alcunha de Jonas, o matador. Hilário !

2-  DÍVIDA DE SANGUE (Cat Ballou) EUA 1965. Dir: Elliot Silverstein. Com Jane Fonda, Le Marvin, Stubby Kaye, Nat King Cole.

Nada é sério, mas Jane Fonda é maravilhosa !

Nada é sério, mas Jane Fonda é maravilhosa !

Em meio aos conflitos pelos direitos civis e às grandes mudanças dos anos 60, a Columbia trouxe essa desconstrução da figura do pistoleiro. Jane Fonda tinha 28 anos quando interpretou a personagem título, uma professora empenhada em vingar o assassinato do pai pelo cruel pistoleiro Tim Strawn (Lee Marvin). Para isso contrata outro pistoleiro, o patético Kid Shelleen (Também Lee Marvin) que vive mais embriagado do que sóbrio, e mal se mantem em sua montaria. O tom de paródia ainda é acentuado pelas constantes incursões do menestrel interpretado por Nat King Cole, que morreria poucos meses após o lançamento do filme. Lee Marvin ganhou o Oscar por sua dupla atuação, e ao receber o prêmio dedicou sua metade ao cavalo.

3- DOIS CONTRA O OESTE  (Texas Across the River). EUA 1966. Dir: Michael Gordon. Com Dean Martin, Alain Delon, Rosemary Forsythe, Joey Bishop.

Um sem jeito o outro sem  razão.

Um sem jeito o outro sem razão.

Fugindo antes de se casar, o nobre espanhol interpretado por Alain Delon vai parar no Texas onde se junta a Sam Hollis (Dean Martin), cowboy mulherengo e conquistador que lidera um comboio de armas. Um ajuda o outro em sua missão que pode levar a uma terrível guerra entre brancos e índios. Entre os momentos hilários estão as tentativas de Martin para ensinar Delon a conquistar uma mulher e as tiradas irônicas de Kronk, o amigo índio de Martin. Curiosamente, tanto Dean Martin quanto Joey Bishop foram integrantes do “Rat Pack” de Frank Sinatra, o grupo de boêmios que badalava por Las Vegas em shows memoráveis durante a década. Embora um filme menor entre os escolhidos, “Dois Contra o Oeste” é uma pequena pérola por não se levar a sério em momento nenhum, e sustentado por seu bom elenco dirigido por Michael Gordon, avô do ator Joseph Gordon-Levitt, o policial John Blake de “Batman – The Dark Knight Returns” e do recente “ Como Não Perder Essa Mulher”.

4- BANZÉ NO OESTE  (Blazing Saddles). EUA 1974. Dir: Mel Brooks. Com Cleavon Little, Gene Wilder, Madeline Khan, Mel Brooks, Cloris Leachman.

Comédia perfeita

Comédia perfeita

Até hoje a melhor paródia de Westerns, co-escrito pelo comediante Richard Pryor, que deveria estrelar o filme no papel de um improvável xerife negro de uma cidade pequena, sem lei e … sem nenhuma ordem. Contudo, os problemas pessoais de Pryor com drogas e bebidas o afastaram do elenco e o papel ficou com Cleavon Little. Ao seu lado, um pistoleiro beberrão que se gaba de “ter matado mais homens do que John Wayne” (no original em inglês Gene Wilder diz que matou mais homens que Cecil B.DeMille, diretor de grandes épicos) , interpretado por Gene Wilder. Tudo bem louco e movimentado com uma avalanche de gags e ótimas atuações da trupe de Mel Brooks. O filme ironiza questões relativas ao preconceito racial e a justiça com as próprias mãos. Sem apelações, o filme marcou época e chegou a conquistar indicações ao Oscar, inclusive para a talentosa Madeline Khan. Uma aula de criatividade para as paródias sem graça que tem chegado às telas ultimamente.

5- CACTUS JACK – O VILÃO (Cactus Jack – The Villain). EUA 1979. Dir:Hal Needham.Com Kirk Douglas, Ann Margret, Arnold Schwarzenegger, Paul Lynde.

Ela está cheia de amor para dar mas ele ...

Ela está cheia de amor para dar mas ele …

O título do filme, dirigido pelo recentemente falecido Hal Needham, se refere ao personagem de Kirk Douglas: Uma versão em carne e osso do coiote do desenho dos Papa-Léguas. Cactus Jack é azarado, atrapalhado ao extremo e completamente canastrão, sempre às voltas com seu inseparável cavalo Whiskey com quem forma uma dupla no estilo Dick Vigarista & Mutley.O pobre vilão persegue a bela e voluptuosa moçinha interpretada por Ann Margret (que quase teve o papel de Cat Ballou antes de Jane Fonda) , uma jovem indefesa herdeira de uma imensa fortuna. Esta é escoltada pelo simpático estranho sem nome interpretado por Arnold Schwarzenegger em início de carreira. Este, apesar de forte e corajoso, é ingênuo e não percebe as investidas e insinuações da bela dama. O humor é de desenho animado e foi o primeiro e único western de Schwarzenegger, bem como o último de Kirk Douglas. Também foi o último filme do comediante Paul Lynde, popular na Tv dos anos 60 e 70 como o Tio Arthur do seriado “A Feitiçeira”.