BANG BANG DE MENTIRA

Escracho no velho oeste

Escracho no velho oeste

O Western já foi um dos gêneros mais prolíficos e nobres do cinema: As cavalgadas ao por-do-sol, os duelos, as brigas de saloom, uma realidade simplista dividida entre moçinhos e bandidos, romanceada, fictícia, que colocava o índio como um mero selvagem e o homem branco como o civilizado, detentor de todas as justificativas para ocupar o velho oeste em sua marcha tida como destino manifesto. Durante décadas, desde os primórdios do cinema, essa foi a visão do gênero oferecida por Hollywood. Já foi reinventada para se adequar aos padrões italianos (western-spaghetti), mas também foi prato cheio para paródias em títulos que não se inibiam em subverter todas as regras temáticas e estéticas com o único propósito de fazer rir. Eis abaixo 5 pérolas que antes de Seth McFarlane, em “Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola”, já brincaram com os clichês do bang bang nas telas :

1- O REI DO LAÇO  (Pardners) EUA 1956. Dir:Norman Taorog. Com Jerry Lewis, Dean Martin,Lori Nelson, Agnes Moorehead,Jeff Morrow, Lon Chaney Jr, Jackie Loughrey, John Baragray.

O Rei da Comédia e da era dourada da sessão da tarde.

O Rei da Comédia e da era dourada da sessão da tarde.

Penúltimo filme da dupla Martin-Lewis e extremamente divertido. Martin é Slim Mosley, capataz de uma fazenda que sofre constantemente com o ataque de bandidos mascarados a mando de banqueiro que planeja se apossar das terras. Para ajudar Slim, chega ao oeste Wade Kingsley Jr (Lewis) , filho do antigo dono do Rancho que sonha em se tornar um cowboy se não fosse pelo fato que é muito atrapalhado e sem qualquer aptidão para enlaçar ou atirar. Para que ninguém desconfie de sua real identidade ganha a inadequada alcunha de Jonas, o matador. Hilário !

2-  DÍVIDA DE SANGUE (Cat Ballou) EUA 1965. Dir: Elliot Silverstein. Com Jane Fonda, Le Marvin, Stubby Kaye, Nat King Cole.

Nada é sério, mas Jane Fonda é maravilhosa !

Nada é sério, mas Jane Fonda é maravilhosa !

Em meio aos conflitos pelos direitos civis e às grandes mudanças dos anos 60, a Columbia trouxe essa desconstrução da figura do pistoleiro. Jane Fonda tinha 28 anos quando interpretou a personagem título, uma professora empenhada em vingar o assassinato do pai pelo cruel pistoleiro Tim Strawn (Lee Marvin). Para isso contrata outro pistoleiro, o patético Kid Shelleen (Também Lee Marvin) que vive mais embriagado do que sóbrio, e mal se mantem em sua montaria. O tom de paródia ainda é acentuado pelas constantes incursões do menestrel interpretado por Nat King Cole, que morreria poucos meses após o lançamento do filme. Lee Marvin ganhou o Oscar por sua dupla atuação, e ao receber o prêmio dedicou sua metade ao cavalo.

3- DOIS CONTRA O OESTE  (Texas Across the River). EUA 1966. Dir: Michael Gordon. Com Dean Martin, Alain Delon, Rosemary Forsythe, Joey Bishop.

Um sem jeito o outro sem  razão.

Um sem jeito o outro sem razão.

Fugindo antes de se casar, o nobre espanhol interpretado por Alain Delon vai parar no Texas onde se junta a Sam Hollis (Dean Martin), cowboy mulherengo e conquistador que lidera um comboio de armas. Um ajuda o outro em sua missão que pode levar a uma terrível guerra entre brancos e índios. Entre os momentos hilários estão as tentativas de Martin para ensinar Delon a conquistar uma mulher e as tiradas irônicas de Kronk, o amigo índio de Martin. Curiosamente, tanto Dean Martin quanto Joey Bishop foram integrantes do “Rat Pack” de Frank Sinatra, o grupo de boêmios que badalava por Las Vegas em shows memoráveis durante a década. Embora um filme menor entre os escolhidos, “Dois Contra o Oeste” é uma pequena pérola por não se levar a sério em momento nenhum, e sustentado por seu bom elenco dirigido por Michael Gordon, avô do ator Joseph Gordon-Levitt, o policial John Blake de “Batman – The Dark Knight Returns” e do recente “ Como Não Perder Essa Mulher”.

4- BANZÉ NO OESTE  (Blazing Saddles). EUA 1974. Dir: Mel Brooks. Com Cleavon Little, Gene Wilder, Madeline Khan, Mel Brooks, Cloris Leachman.

Comédia perfeita

Comédia perfeita

Até hoje a melhor paródia de Westerns, co-escrito pelo comediante Richard Pryor, que deveria estrelar o filme no papel de um improvável xerife negro de uma cidade pequena, sem lei e … sem nenhuma ordem. Contudo, os problemas pessoais de Pryor com drogas e bebidas o afastaram do elenco e o papel ficou com Cleavon Little. Ao seu lado, um pistoleiro beberrão que se gaba de “ter matado mais homens do que John Wayne” (no original em inglês Gene Wilder diz que matou mais homens que Cecil B.DeMille, diretor de grandes épicos) , interpretado por Gene Wilder. Tudo bem louco e movimentado com uma avalanche de gags e ótimas atuações da trupe de Mel Brooks. O filme ironiza questões relativas ao preconceito racial e a justiça com as próprias mãos. Sem apelações, o filme marcou época e chegou a conquistar indicações ao Oscar, inclusive para a talentosa Madeline Khan. Uma aula de criatividade para as paródias sem graça que tem chegado às telas ultimamente.

5- CACTUS JACK – O VILÃO (Cactus Jack – The Villain). EUA 1979. Dir:Hal Needham.Com Kirk Douglas, Ann Margret, Arnold Schwarzenegger, Paul Lynde.

Ela está cheia de amor para dar mas ele ...

Ela está cheia de amor para dar mas ele …

O título do filme, dirigido pelo recentemente falecido Hal Needham, se refere ao personagem de Kirk Douglas: Uma versão em carne e osso do coiote do desenho dos Papa-Léguas. Cactus Jack é azarado, atrapalhado ao extremo e completamente canastrão, sempre às voltas com seu inseparável cavalo Whiskey com quem forma uma dupla no estilo Dick Vigarista & Mutley.O pobre vilão persegue a bela e voluptuosa moçinha interpretada por Ann Margret (que quase teve o papel de Cat Ballou antes de Jane Fonda) , uma jovem indefesa herdeira de uma imensa fortuna. Esta é escoltada pelo simpático estranho sem nome interpretado por Arnold Schwarzenegger em início de carreira. Este, apesar de forte e corajoso, é ingênuo e não percebe as investidas e insinuações da bela dama. O humor é de desenho animado e foi o primeiro e único western de Schwarzenegger, bem como o último de Kirk Douglas. Também foi o último filme do comediante Paul Lynde, popular na Tv dos anos 60 e 70 como o Tio Arthur do seriado “A Feitiçeira”.

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