ESTREIAS DA SEMANA : A CULPA É DAS ESTRELAS

Eles não se abatem com a morte, mas vivem a plenitude da vida.

Eles não se abatem com a morte, mas vivem a plenitude da vida.

Confesso a grata surpresa de ter lido o livro de John Green. Não apostava que fosse gostar tanto da história e maior surpresa ainda saber que a adaptação do livro pela 20th Century Fox, dirigida por Josh Boone, consegue hábilmente transpor para as imagens as palavras de Green que foram perfeitas para mostrar que existe muito mais a oferecer ao público jovem que histórias insossas de amor entre vampiros e humanos. “A Culpa é das Estrelas” foi escrito com admirável sensibilidade, e imbuído desse mesmo espírito Josh Boone traz a talentosa Shailene Woodley para o papel de Hazel Grace Lancaster, a jovem de 16 anos que sofre de câncer nos pulmões e que durante uma terapia de grupo conhece Augustus Waters (Ansel Elgort) que sofre do mesmo mal que lhe privou de uma das pernas, lhe tirou uma carreira no basquete e lhe abrevia a vida. Ambos os atores estão ótimos nos papéis, bem como os coadjuvantes Laura Dern ( a mãe de Hazel), William Dafoe (o escritor favorito de Hazel que vive recluso) e o jovem Nat Wolff (Isaac, o amigo de Augustus que perdeu a visão). Apesar de voltado para o público jovem, o filme cujo título é uma adaptação das palavras de Julius César (da peça de Shakespeare) agrada a qualquer um que se deixe conquistar por uma história sem grande pretensões com personagens cativantes. Não é difícil ter a sensação de que Hazel e Augustus são reais, verossímeis, como se fossem pessoas que conhecemos e que, por casualidade de um cruel destino, descobrem a dor, a inevitabilidade do fim mas aprendem também o prazer e a vida de um ponto de vista mais intenso e sincero. Todas essa emotividade não é apresentada de forma gratuita ou superficial. A história de Green sabe como dosar emoção e humor sem se entregar às obviedades dos clichês.

A atriz Shailene Woodley e o autor John Green

A atriz Shailene Woodley e o autor John Green

A atriz Shailene Woodley já havia mostrado seu talento como a filha de George Clooney em “Os Descendentes” e recentemente encarnou a heroína de “Divergente” onde curiosamente aparece ao lado de Ansel Elgort que faz nesse o papel de seu irmão. Shailene, inclusive entrou em contato com o autor John Green se mostrando interessada no papel de Hazel, para o qual emagreceu e cortou as longas madeixas para ser convincente, e ela é. A química com Ansel é evidente e cativa sem exageros. Enfim, o filme é recomendado, agradável e mostra como é bem saber que ainda se sabe contar uma boa história. Esperamos que outros livros de Green como “O Teorema Katherine” e o recente “Cidades de Papel” ganhem uma adaptação. Por hora, podemos nos permitir refletir e sentir com o romance de Hazel e Augustus e ainda que a finitude da vida seja inescapável, que deixemos nossas vidas breves brilhar por frívolos instantes e que o julgamento fique para as estrelas.

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