A NOVA FACE DO VILANIA

Come to the dark side !

Come to the dark side !

Será que fomos todos seduzidos pelo lado sombrio da força ? Explico a dúvida : A noção do que é o bem e o mal, na ficção, não é a mesma há muito tempo. Em 1999, Darth Vader, que foi o antagonista dos Jedis na 1ª trilogia de “Star Wars”, passou a protagonista da história quando George Lucas decidiu voltar no tempo e contar os primórdios da ascenção do Império. Apesar das precaridades do roteiro dessa 2ª trilogia (A Ameaça Fantasma, O Ataque dos Clones e A Vingança de Sith) , a popularidade do universo criado por Lucas foi expandida e fez de Vader um ícone pop com seu visual ameaçador e sedutor. Contraditório, talvez, mas a arte – assim como a vida – perdeu a inocência de outrora e nada mais é apenas preto e branco. Percebeu-se, consequentemente, que a vilania impulsiona uma narrativa justamente por apresentar maior complexidade em suas motivações. Senão, como explicar o atual sucesso de Angelina Jolie na pele de Malévola, que de impiedosa antagonista da princesa Aurora (Elle Fanning) ganha contornos humanizantes que fazem o público torcer por ela, ao contrário do clássico da animação da Disney “A Bela Adormecida”, do qual a história foi repaginada para a atualidade.

Quando o bem e o mal eram melhor divididos, nas HQs

Quando o bem e o mal eram melhor divididos, nas HQs

No campo dos filmes de Super Heróis, ninguém dúvida que sem um bom vilão, o filme não se sustenta, tal qual uma concepção de yin-yang: Não existe herói se não existir um vilão e os maiores personagens do gênero estão cercados de um elenco da mais fina maldade: Super Homem tem Luthor, Capitão América tem o Caveira Vermelha e o que não dizer do Homem Aranha e do Batman que, talvez, dividam a honraria de possuir uma extensa galeria de malfeitores. Até mesmo nas HQs que inspiram esses filmes não é recente o fascínio dos malvados. Na década de 70 o Coringa teve uma revista própria e nos últimos meses a DC Comics vendeu horrores com uma saga entitulada “Forever Evil” que coloca os heróis em segundo plano frente a uma inevitável vitória do mal. Outrora, o bem precisava triunfar sobre o mal para justificar as lições de moral exigidas pela sociedade. Hoje, a ficção cuida de justificar as atitudes e se livrar dos grilhões do maniqueísmo, trazendo diante da luz de nossos olhos que o bem e o mal podem ser circunstanciais, justificáveis ou ao menos guardar a possibilidade de redenção.

O vilão também pode ser bom.

O vilão também pode ser bom.

Assim, em animações de sucesso como “Meu Malvado Favorito” e “Megamente”, os papéis de herói e vilão se misturam e despertam mais interesse que moçinhos de moral superior e recheados de apenas virtudes. A Disney trouxe o excelente “Detona Ralph” que explora de forma admirável o que essencialmente de um individuo um herói ou um vilão e conquistou crianças, jovens e adultos.  Indubitávelmente, vivemos tempos em que valores são distorcidos, invertidos, trocados ou abalados de forma que visões simplistas do que é certo e errado não tem qualquer alcançe ou relevância. Só nos resta repensar o que nos move e avaliar se os fins justificam os meios ou questionar se ainda existe no mundo – real ou ficcional – algum lugar para algo mais puro que a maturidade nos tirou. Nada restando, ainda podemos fazer como no antigo desenho “Pinky & Cérebro” e dominar o mundo !!

O que vamos fazer essa noite ?

O que vamos fazer essa noite ?

 

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