MEMORIAS DE UM CINÉFILO :1985

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Que me perdoem meus leitores pelo surto nostálgico, mas o ano de 1985 foi especial para mim. Com apenas 15 anos eu já era apaixonado pela sétima arte tendo sido criado lendo os artigos de jornais e revistas (principalmente a saudosa Cinemin, da qual em breve falarei com detalhes aqui no blog) assinadas por nomes como Paulo Pergigão, Antônio Carlos Gomes de Mattos, Rubens Ewald Filho, Fernando Albagli, Dulce Damasceno de Britto, João Lepiani entre outros que mereciam uma estrela na calçada da fama. 1985 foi um ano no qual fui bem mais ao cinema que os anteriores. Na época eu morava em Duque de Caxias na Baixada Fluminense e quando por algum motivo meus colegas de escola não iam ao já inexistente Cine Paz (meu favorito em minha cidade naquela época) ou ao Cine Santa Rosa (que dispunha de duas salas de exibição) , então eu ia sozinho mesmo para não perder o filme em questão. E olha que vários atraiam minha atenção: Foi nesse ano que eu viajei no tempo com Marty McFly em um Delorean (De Volta Para o Futuro), fui a Europa com os Griswold (Loucas Aventuras de Uma Familia Americana na Europa), me despedi de Roger Moore como James Bond ao som do Duran Duran (007 Na Mira dos Assassinos) e ainda me deixei levar pela contagiante canção título de Footloose, de Kenny Loggins. Curioso que na época, acho que éramos mais inocentes que o usual, pois lembro perfeitamente que ao assisitr Rocky IV com meus colegas nos empolgamos de verdade na luta entre Rocky (Sylvester Stallone) e  Drago (Dolph Lundgren)  como se por um breve instante tudo aquilo fosse real, ao menos para nossas mentes. Gritávamos “ROCKY ! ROCKY! e não tinhamos mesmo nenhuma maturidade para enxergar o ufanismo de um boxeador americano ganhar de um russo, e em solo soviético ! Tudo bem em nome da diversão, é claro.

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1985 foi ano do primeiro Rock in Rio, do fim do governo militar e da eleição de Tancredo Neves, do  segundo mandato de Ronald Reagan na Casa Branca, do programa Guerra nas Estrelas. O mundo girava, mas eu era apenas um Goonie apaixonado por Michelle Pfeiffer que virava falcão em “Ladyhawke”. Eu e meus amigos não discutíamos política, mas quem era mais forte : Stallone ou Schwarzenegger que incorporavam o exercito de um homem só , respectivamente em Rambo II – A Missão e Comando Para Matar. Nerdismo puro que me colocava em sintonia com o personagem de Anthony  Michael Hall em “O Clube dos Cinco”. Ainda tinha a Tv com seriados aos quais acompanhava religiosamente como Magnum, A Super Máquina e Esquadrão Classe A, mas aí já é outra história. Eu nunca acreditei que meu vizinho fosse um vampiro como em “A Hora do Espanto”, mas sonhava com Katheleen Turner, uma jóia no Nilo ou em qualquer filme.

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Naquela época o cinema que sempre foi para mim a maior diversão era o cinema de rua, fora dos shoppings, com programas duplos e que me possibilitavam assistir duas sessões seguidas com um único ingresso ou ficar sentado no chão se estivesse lotado. Mas quem disse que eu ligava para isso, ainda mais com a trilha sonora que trazia Tina Turner cantando We don’t need another hero (Mad Max Além da Cúpula do Trovão), Lionel Ritchie cantando Say You Say Me (O Sol da Meia Noite) ou a voz rouca de Huey Lewis & The News cantando “The Power of love” (De Volta Para o Futuro). O video cassete ainda não tinha se espalhado, não tinhamos tv por assinatura e a janela entre cinema e Tv era bem maior que hoje em dia. Logo, uma maneira diferente de sentir o cinema, de vivê-lo e se divertir com ele. Eu não chegava a ser uma versão masculina e adolescente de Cecília (Mia Farrow) de “A Rosa Púrpura do Cairo”, mas sugava o que podia da fantasia alimentando minha paixão com as informações que chegavam até mim, não tão rápido quanto deslizar os dedos por um smartphone e acessar a internet. E quer saber, obrigado A.C.Gomes de Mattos, Rubens Edwald Filho e os demais que mencionei. Vocês me supriram de tudo que eu precisava então. Agora, 30 anos depois espero poder voltar com meu Delorean, mas enquanto não consigo quem sabe o músico Luiz Schiavon (do clássico RPM que eu ouvia sem parar) não me empresta o dele ? Ou quem sabe eu não consiga fazer a dança dos pezinhos de Footloose ? Sonho meu !!!

Luiz Schiavon McFly

Luiz Schiavon McFly

BOND 2 – MOSCOU CONTRA 007

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Um ano depois do lançamento de “007 Contra o Satânico Dr.No”, o autor Ian Fleming se rendeu à escolha do escocês Sean Connery como a representação cinematográfica de sua cria. O mundo parecia concordar já que as bilheterias mundiais garantiram a continuidade, de forma que o primeiro filme ainda estava sendo exibido, enquanto os produtores Albert Broccoli & Harry Saltzman já haviam escolhido o segundo livro a ser adaptado, justamente o livro que o então presidente John Kennedy havia afirmado como sendo um de seus favoritos, “From Russia With Love”. As filmagens começaram a medida que a bilheteria internacional do filme crescia convencendo Broccoli & Saltzman a planejar um filme por ano. O livro em questão, no entanto, precedia “Dr.No”, então os roteiristas fizeram algumas mudanças: Primeiro, a pedido de Broccoli suavizaram o clima de guerra fria e retiraram a figura dos russos como vilões, depois fizeram de antagonista os agentes da Spectre que buscavam vingança contra Bond pela morte do Dr.No no filme anterior. Enquanto que no primeiro filme a ação é diluída pelo ritmo das investigações de Bond, nesse a ação se desdobra de forma mais intensa com direito a várias sequências de perseguição, tiroteios e lutas.

Sean Connery & Pedro Armendariz

Sean Connery & Pedro Armendariz

A SEGUNDA MISSÃO : Bond é enviado à Turquia para escoltar a bela secretária russa Tatiana Romanov  que está em posse de um artefato decodificador chamado Lektor, precioso para qualquer atividade de contra-espionagem. Na Turquia, Bond recebe a ajuda do agente Kerim Bey (Pedro Armendariz) e descobre que tudo não passa de uma armadilha da Spectre para entregar Bond aos agentes Red Grant (Robert Shaw) e Rosa Klebb (Letta Lonya), encarregados de matar Bond. Para fugir de volta ao Ocidente, Bond passa por Istambul e atravessa a Europa no clássico Orient Express, tentando enganar seus algozes. Para quem ler o livro original, no final da história a vilã Rosa Klebb consegue atingir Bond com seu sapato envenenado na ponta, deixando-o a beira da morte. Claro que 007 se salva e no livro seguinte que é “Dr.No”, Bond começa a história se recuperando do envenenamento e aceitando a missão na Jamaica como forma de entrar de novo em forma.

Foto Promocional

Foto Promocional

DO MUNDO COM AMOR : O orçamento de “Moscou contra 007” foi o dobro do filme anterior e as apostas eram tão altas que as filmagens aconteceram em locação, aumentando portanto seu custo. A mesma equipe (diretor, roteirista, etc…) foi chamada de volta com maior liberdade para transformar o texto de Fleming em uma movimentada aventura de espionagem, muito superior a “Dr.No”. A modelo italiana Daniella Bianchi, de 21 anos, foi contratada para substituir Ursula Andress como Bond girl, tendo uma rápida aparição de Eunice Gayson como a agente Sylvia Trench, que também tinha aparecido no começo de “Dr.No”. O vilão Red Grant foi o ótimo Robert Shaw que também viria a antagonizar Sean Connery dez anos depois em outro filme : “Robin & Marian”. O segundo filme de Bond também marcou a primeira aparição de Desmond Lewelyn como Q, o gênio por traz das sofisticadas armas usadas por 007, que no filme anterior é interpretado por Peter Burton. Nos bastidores, no entanto, nem tudo era empolgação e alegria.

O vilão Red Grant

O vilão Red Grant

O ator mexicano Pedro Armendariz de 51 anos estava muito doente, o que descobrira ser câncer em estado avançado. As filmagens foram redirecionadas de forma que o ator pudesse ser poupado de grandes esforços a medida que terminava sua participação, assim sua família poderia receber seu salário. Ao final de suas filmagens, o ator tinha piorado seu estado de saúde e se matou com um tiro. O filme também traz a primeira aparição sutil do vilão Ernest Stravos Brofeld, que não é visto por inteiro em momento algum, recurso esse que voltaria a ser empregado depois com exceção de “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” de 1967 em que participou ativamente da trama, vivido por Donald Pleasance e no filme seguinte “OO7 A Serviço de Sua Majestade” vivido por Telly Savalas. Em “Moscou Contra 007”, a voz de Brofeld foi feita por Anthony Dawson, que interpretara o Professor Dent em “Dr.No”. Duas histórias curiosas são tomadas como lendas dos bastidores de “Moscou Contra 007”: A primeira é que, segundo o livro “Death of a President” de William Manchester, este foi o último filme que o Presidente Kennedy assistiu pouco antes de seu assassinato em Dallas em Novembro daquele ano. Na sequência do Orient Express muitos acreditam que é possível encontrar o próprio Ian Fleming em uma rápida aparição do lado de fora do trem, mas isso jamais foi confirmado pelos produtores. Aliás, esse foi a última vez que Fleming assistiria a uma adaptação de um livro seu já que o autor falecera em agosto do ano seguinte, antes da estreia do filme seguinte “007 Contra Goldfinger”.

Sean Connery & Daniela Bianchi

Sean Connery & Daniela Bianchi

JAMES BOND RETORNA EM UMA SEMANA AO BLOG EM “007 CONTRA GOLDFINGER”

PRIMEIRA IMAGEM: LEX LUTHOR

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DIVULGADA PELA “ENTERTAINMENT WEEKLY” A AGUARDADA PRIMEIRA IMAGEM DE JESSE EISENBERG CARECA PARA O PAPEL DE LEX LUTHOR NO VINDOURO “BATMAN & SUPERMAN : A ORIGEM DA JUSTIÇA”.

30 ANOS DE “DE VOLTA PARA O FUTURO”

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Histórias sobre viagens no tempo sempre foram populares no cinema e na literatura desde que H.G.Wells escreveu o primeiro romance de ficção científica sobre o tema, o clássico “A Máquina do Tempo”, publicado em 1895. Há 30 anos o diretor Robert Zemeckis e o produtor Steven Spielberg fizeram do assunto uma divertida brincadeira quer marcou gerações. “DE VOLTA PARA O FUTURO” (Back to the Future).

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Lembro que passava pelo cinema mais próximo de minha casa, quando eu tinha 15 anos, quando me chamou a atenção o poster promocional do filme. Eu me sentia o próprio Marty McFly (Michael J.Fox): sempre atrasado para as aulas ou para o jantar em casa. Imagina o barato que foi me imaginar entrando em um Delorean turbinado com plutônio para viajar pelo tempo. A premissa do filme ainda envolvia voltar ao passado para mudar o que estava errado no futuro, já que seu pai George McFly (Crispin Glover) é um homem retraído e capacho do valentão Biff Tannen ( Thomas F.Wilson). O melhor amigo de Marty e inventor do capacitor de fluxo, o artefato que permite a viagem no tempo é um dos personagens mais divertidos do filme, o Dr. Emmet Brown (Christopher Lloyd). No ano de 1955, o bom doutor e seu jovem amigo precisam ajeitar a linha temporal bagunçada porque a futura mãe de Marty, Lorraine (Lea Thompson) se apaixonou por Marty. Para enviar Marty de volta ao ano de 1985, é necessário canalizar a energia da queda de um raio para alimentar o Delorean. A sequência em que Marty enfrenta o vilão Biff em uma movimentada perseguição de carro e skate entrou para a história do cinema como uma das melhores dos anos 80.

ERiC SOLTZ CONTRACENANDO COM CHRISTOPHER LLOYD

ERiC SOLTZ CONTRACENANDO COM CHRISTOPHER LLOYD

Na época de produção do filme, os atores C.Thomas Howell (Admiradora Secreta) e Eric Soltz (Marcas do Destino) foram pensados para o papel de Marty McFLy, mas Zemeckis queriam mesmo era o próprio Michael J.Fox que na ocasião fazia a sitcom “Caras & Caretas” (Family Ties). As filmagens iniciaram então no final de 1984 com Soltz como protagonista, contudo o resultado não agradou a Zemeckis e Bob Gale (autores do roteiro), que procuraram a produção de “Caras & Caretas” (que só seria exibida aqui pela Rede Globo em 1987) com quem entraram em um acordo: Fox gravaria a sitcom pela manhã e à noite gravaria “De Volta Para o Futuro”. Lea Thompson foi escolhida pelo papel de Lorraine porque já havia contracenado com Eric Soltz antes, mas ficou no elenco mesmo após a saída deste. O papel de Dr.Brown chegou a ser pensado para John Lightgow e James Woods. Christopher Lloyd a principio recusou o papel mas acabou aceitando – o e formando com Fox uma dupla e tanto. Muitos anos mais tarde, quando Fox estrelava a sitcom “SPIN CITY” ambos se reencontram novamente e travaram um divertido diálogo com referência a seus personagens em “De Volta Para o Futuro”.

O filme também teve uma excelente trilha sonora com destaque para a canção “The Power of Love” cantada pela banda Huey Lewis & The News” e que estourou nas rádios internacionais. O próprio Huey Lewis faz uma aparição no filme como o juiz do concurso de bandas que desqualifica Marty. O filme chegou a agradar ao então Presidente Reagan que o citou em um de seus discursos. O filme impulsionou a carreira de Michael J.Fox e ainda gerou mais duas sequências exibidas em 1989 e 1990. Curiosamente, no segundo filme, o futuro retratado foi o ano de … 2015, que já na vida real teve anunciado há pouco tempo a criação do tênis que se amarra sozinho e do skate flutuante. Previsões a parte, o filme também recebeu altos elogios do renomado crítico de cinema Roger Ebert que comparou sua história aos clássicos de Frank Capra, em especial “A Felicidade não se compra”. Hoje, depois de todo esse tempo é impossível ignorar o valor do filme na cultura pop e na memória afetiva de muitos que assim como eu, adorariam poder viajar no tempo, consertar o que foi errado e ainda cantar a clássica Johnny B.Goode de Chuck Berry (que na verdade não foi cantada por Fox, que foi dublado), mesmo que depois de toda aventura só restasse um caminho a seguir, o caminho do futuro.

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 19 DE MARÇO

MAPA PARA AS ESTRELAS

mapa para as estrelas

(Map to the stars) EUA 2014. Dir:David Cronemberg, Com Julianne Moore, Mia Waskowska, Evan Bird, Robert Pattinson, John Cusack, Olivia Williams. Drama. Ainda se associa muito o nome de David Cronemberg a seus trabalhos ligados ao cinema fantástico como “A Mosca” ou “Scanners – Sua Mente Pode Destruir”, mas o diretor é um competente condutor de histórias capazes de mexer com nossos sentimentos e imaginação. Esse seu novo trabalho lida com os bastidores de Hollywood e se divide entre vários personagens para compor uma análise da obsessão pela fama, no glamour ilusório que as celebridades exercem na sociedade. Dois papéis fortes e centrais na trama são os de Julianne Moore (em excelente momento de sua carreira), que faz uma atriz decadente com fixação pela figura da mãe e Mia Wasikowska, esta uma jovem misteriosa que retorna a Los Angeles para acertar as contas com esse obscuro passado. Em volta delas circulam personagens como o ator mirim que saiu de uma clínica de reabilitação (como vários no mundo real), o motorista da ex-estrela de cinema, o guru das celebridades. A premissa da história lembra “Crepúsculo dos Deuses”  (1950) de William Wyler, mas Cronemberg é mais ácido até mesmo dada a diferença entre as épocas e como a sociedade se articulou em tempos modernos em torno do estrelato, da fama e do culto às celebridades. Carrie Fisher (a princesa Leia de “Star Wars”) que teve na vida real problemas graves com bebida e os superou aparece como ela mesma no filme, acentuando o im -pacto da história. O roteirista Bruce Wagner se baseou em sua própria vida já que trabalhou no passado como motorista de limusine e conviveu com a fina nata das estrelas de um ponto de vista observacional. O filme ainda ganhou o prêmio de melhor atriz para Julianne Moore no Festival de Cannes, além de ter concorrido à Palma de Ouro.

INSURGENTE

INSURGENTE

(Insurgent) EUA 2015. Dir:Robert Scwentke. Com Shailene Woodley, Theo James, Ansel Egort, Kate Winslet, Naomi Watts, Octavia Spencer. O segundo volume da série escrita por Veronica Roth recomeça a história nas telas poucas horas depois dos eventos retratados no filme “Divergente”. Já é de se esperar que Tris (Woodley) exerce o mesmo papel que a Katniss de “Jogos Vorazes”, ou seja, a salvadora deste futuro distópico. Junto ao seu amado Quatro (James), Tris busca a verdade sobre o passado de seu mundo a medida que ambos fogem da perseguição de Jeanine (Winslet), a líder da Erudição. Aliados e inimigos surgem enquanto Tris encara o desafio de salvar o que resta desse mundo, descobrir o que seus pais escondiam e sobreviver a caçada de seus algozes que revelam possuir uma máquina capaz de identificar e revelar os divergentes da ordem vigente. Tudo interessante para quem é fã da trilogia, mas que não consegue estabelecer um diferencial de outras distopias teen que Hollywood transformou em um filão rentável.

BOND 1 : 007 CONTRA O SATÂNICO DR.NO

Começando aqui minha série de artigos sobre os filmes de 007 em contagem regressiva para a chegada de “007 contra Spectre” em outubro desse ano:

Quando os produtores associados Albert Broccoli & Harry Saltzman assinaram contrato para adaptar os livros de Ian Fleming, deixaram de fora o primeiro deles, Cassino Royale, que já havia sido levado para a Tv americana em 1958 com o desconhecido Barry Nelson como Bond. Não é certo o motivo, mas é forte que a história que se passa mais no ambiente do cassino é contida em termos de ação e não se encaixava no que os produtores queriam para o filme. Pensou-se em um roteiro original se aproveitando de uma história que Fleming desenvolvia em conjunto com Kevin McClory, mas o desenrolar deste foi problemático, pois Fleming o publicou sem a autorização de McClory, tornando-se o livro “Thunderdome”, que mais tarde viria a ser filmado como “007 Contra a Chantagem Atômica”. Sendo assim, Broccoli & Saltzman optaram por adaptar o sexto livro da série, “Dr. No”. Naquele início da década de 60, as vendas dos livros de Fleming eram muito expressivas e sua popularidade era tamanha que o então presidente John Kennedy o apontou como seu livro de cabeceira.

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A HISTÓRIA & O ELENCO.  A estreia de Bond se da nas telas com a missão de localizar e eliminar o Dr.Julius No, um Fu Manchu (*) da era da guerra fria, responsável pelo desaparecimento de um cientista e por um mirabolante plano para sabotar o programa espacial americano. Bond é enviado pelo MI6 (Serviço de Inteligência Britânico) até a Jamaica (onde o próprio Ian Fleming fixaria residência) tendo como contato o agente de CIA Felix Leiter (Jack Lord), amigo pessoal de Bond e o barqueiro Quarrell (John KItzmuller), encarregado de levá-lo até a misteriosa ilha Crab, tida pelos nativos como amaldiçoada e protegida por um dragão. Em sua investigação Bond conhece a bela Honey Rider (Ursula Andress), colhedora de conchas cujo pai, biólogo, morreu misteriosamente. Entre os atores pensados para o papel de Bond estavam os nomes de David Niven, Cary Grant, James Mason e Roger Moore (que futuramente seria o 3º intérprete do personagem). Nenhum deles, no entanto, se encaixava na descrição física de Bond conforme descrito por Ian Fleming : Um homem alto, moreno, entre 30 e 40 anos, viril mas frio e que faz das mulheres uma arma, um meio para completar sua missão. A esposa de Brocolli viu no escocês Sean Connery, então com 32 anos, o Bond ideal. Fleming não gostou nada, já que Connery destoava de sua imagem para o personagem, criado a partir das feições do cantor americano Hoagy Charmichael. O nome, Fleming tirou de um ornitólogo que escrevera o livro favorito de sua esposa. Outra crítica de Fleming era que seu personagem era um  homem refinado, enquanto Connery era um bruto. Já Jack Lord, o intérprete de Felix Leiter, faria anos mais tarde o clássico seriado de TV “Hawai 5-0”.

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A Bondgirl Honey Rider seria a sueca Anita Ekberg (La Dolce Vita), mas o papel ficou com a suiça Ursula Andress, de 26 anos, cujo sotaque era tão forte que teve sua voz dublada nos diálogos. Andress, contudo, aparece no filme a partir da segunda metade. Antes dela, a agente Sylvia Trench (Eunice Gayson) já troca olhares de sedução com o espião. O personagem estava previsto para ser usado em outros filmes, mas Sylvia só aparece muito brevemente no filme seguinte “Moscou contra 007”. O vilão foi interpretado pelo canadense Joseph Wiseman, mas Fleming desejava ver seu primo Christopher Lee (Dracula) no papel. A vontade de Fleming acabaria acontecendo anos mais tarde quando Lee fez o vilão de outro filme da franquia “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”.

Dr NO Bastidores

Intervalo nas filmagens de “007 Contra o satânico Dr.No”

LIVRO & FILME. Praticamente quase todos os filmes de 007 são bem diferentes dos livros originais de Ian Fleming. “Dr. No” teve poucas mudanças : O livro é uma sequência direta de “Moscou contra 007” com Bond sendo enviado a Jamaica depois de tentar se livrar do veneno da vilã Rosa Klebbs, de “Moscou contra 007”, que por sua vez foi o segundo filme da série no cinema. A morte do vilão, ao final, também é diferente. No livro ele é soterrado vivo por Bond enquanto que no filme ele é jogado no reator nuclear. A personagem de Honey é mais independente no livro, restando para a bela Ursula Andress nada além do papel de objeto de desejo de Bond. A cena em que Andress sai das águas trajando um bikini branco com uma faca na cintura tornou-se antológica e mexeu com a libido de toda uma geração. No livro, nessa sequência Honey está completamente nua, mas ainda carregando uma faca. Apesar da mudança, o filme foi severamente criticado pelo Vaticano na época, rotulado como “imoral”. A polêmica não impediu que o filme, que custou em torno de um milhão de dólares na época, tivesse um retorno e tanto nas bilheterias, faturando mais de 16 milhões só nos Estados Unidos. No Brasil, o filme estreou quase um ano depois de seu lançamento original no Reino Unido em Outubro de 1962.

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Ursula Andress em imagem icônica

UM FILME NÃO É O BASTANTE. O que muitos não sabem é que a sequência inicial, que se tornou marca registrada da série, com Bond caminhando acompanhado pela objetiva de uma câmera e atirando contra ela não foi feita com Sean Connery, pois o ator escocês não estava disponível para filmar no dia. Seu dublê, Bob Simmons, fez a sequência que foi utilizada até o 3ª filme, e só depois em “007 Contra a Chantagem Atômica” é que a imagem de Connery finalmente é usada. Também é Bob Simmons quem fez a cena de Bond atacado por uma tarântula pois Connery tem pavor de aranhas, e mesmo a trucagem de espelho não foi o suficiente para o ator completá-la. Bond é além de todos os elogiosos adjetivos que se possa usar um símbolo de virilidade e sedução com o qual a Inglaterra mostrou ao mundo que o homem inglês de nada tinha de frio e distante. Bond também mostrou, ainda que na ficção, que o império inglês ainda possui virilidade política, já que suas missões mantêm o equilíbrio de forças no globo, restando para a CIA americana um papel de coadjuvante no jogo do poder mundial.

Dr No livro

O livro original

Qualquer análise, no entanto, não muda o fato de que o apelo do personagem resiste há décadas como um ideal masculino que as mulheres desejam conhecer e os homens almejam ser. Nada mal para uma obra nascida despretensiosamente da imaginação de seu autor, que na vida real trabalhou para o serviço de inteligência da Marinha Britânica, ainda que em seus bastidores, sem nunca ter participado de uma missão de campo, sem nunca ter pedido Vodka-martini , batido e não mexido, e sem nunca ter imaginado que entraria para a história com uma das falas mais famosas do cinema, um espião que se identifica com sobrenome e nome (Bond, James Bond) e ar da cafajeste indisfarçável. Já dá para ouvir até o tema musical de Monty Norman e John Barry.

BOND RETORNA AO BLOG SEMANA QUE VEM COM “MOSCOU CONTRA 007”

por adilson69

TRAILLER : TERREMOTO – A FALHA DE SAN ANDREAS

“Quando tudo desmoronar, onde você estará ?” pergunta o trailler e o cartaz de divulgação do mais novo filme catástrofe a chegar ao cinema. A estreia está prevista para 11 de Junho de 2015. Com é comum no gênero o grande personagem acaba sendo os efeitos especiais, mas a presença do carismático Dwayne Johnson, também conhecido como The Rock, certamente atrairá o público, o que inclui este que aqui escreve.

NAS BANCAS : CONHECIMENTOS PRÁTICOS – LITERATURA 59

CP Literatura 59

Caros amigos, chegou às bancas essa semana a mais recente edição da revista “Conhecimentos Práticos: Literatura” (edição #59) conforme a imagem acima. Além de várias matérias interessantes como a matéria de capa sobre a poesia de Cora Coralina e uma curiosa matéria sobre traduções de obras literárias, está incluida um artigo escrito por mim sobre as transposições de “Drácula” para o cinema. Há várias curiosidades nesse mais de um século em que a obra de Bram Stoker foi escrita, além de análise das diferenças entre o livro e suas várias encarnações nas telas, incluindo uma novela brasileira que foi escrita pelo meu querido amigo, o crítico Rubens Ewald Filho, e que foi inicialmente exibida na extinta Tv Tupi, e depois TV Bandeirantes. Isso mesmo !!! Tudo isso e muito mais nas páginas da revista. Quem quiser conferir, obrigado pela atenção.

CONTAGEM REGRESSIVA PARA BOND 24

Bond Painel

Caros amigos, faltam 39 semanas para a estreia de “007 Contra Spectre”, o 24º filme do agente secreto mais adorado da ficção. A partir dessa semana estarei periodicamente publicando aqui no blog todas as curiosidades dos filmes anteriores, os bastidores, a história, as canções e as diferenças literárias que marcaram gerações, cada qual com seu intérprete: Sean Connery, Roger Moore, George Lazenby, Pierce Brosnan, Timothy Dalton e Daniel Craig. Aguardem, começa essa semana.

ESTREIAS DA SEMANA: EM CARTAZ A PARTIR DE 12 DE MARÇO

GOLPE DUPLO

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( Focus ) Dir: Glenn Ficarra & John Requa. Com Will Smith, Margot Robbie, Rodrigo Santoro. Comédia de ação. “Nunca confie em um Ladrão” diz a frase do cartaz que resume de forma correta o que o público verá: Dois trapaceiros: Um profissional (Will Smith) e uma novata (Margot Robbie) se envolvem romanticamente, se separam e tempos depois voltam a se encontrar para aplicar um golpe em um milionário, proprietário de uma equipe de corrida (Santoro). Os diretores e roteiristas desse filme já fizeram “O Golpista do Ano” com Rodrigo Santoro (Aquele que trazia  Santoro e Jim Carrey). Impossível não se mencionar a beleza e as belas formas de Margot Robbie, a atriz australiana de 24 anos que atuou ao lado de Leonardo diCaprio em “O Lobo de Wall Street” ano passado e que em breve retorna às telas como Jane na refilmagem de “Tarzan” e Arlequina no filme do “Esquadrão Suicida”, anti-herois da DC comics. Fica a dúvida se o filme vai ser bem sucedido e espantar a maré de azar do sempre carismático Will Smith. Nosso querido maluco no pedaço não tem sabido escolher bem seus projetos como o fracassado “Depois da Terra” de 2013.

O AMOR É ESTRANHO

Film Set - 'Love Is Strange'

(Love is strange) Dir: Ira Sachs. Com John Lightgow, Alfred Molina, Marisa Tomei. Drama. Ben (Lightgow) e George (Molina) decidem se casar, mas apesar da união ser bem recebida por seus familiares e amigos, George é demitido de seu emprego, adiando a união feliz e com isso sua relação mergulha em uma crise que os separa. O filme foi exibido em diversos festivais, incluindo o do Rio ano passado. Molina e Lightgow são excelentes atores e sustentam os altos e baixos do filme que trata de tema que para muitos ainda é de difícil digestão.

PARA SEMPRE ALICE

Alice

(Still Alice) Dir: Richard Glatzer  &  Wash Westmoreland. Com Julianne Moore, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Alec Baldwin. Drama. Alice Howland (Moore) é uma mulher casada, com três filhos, bem na profissão, enfim uma vida tranquila apesar da dificuldade de relacionamento com a filha mais nova (Stewart). Ao descobrir que sofre de Alzheimer procura superar essa dificuldade e reafirmar seus laços com seus familiares. Adaptação do livro homônimo de Lisa Genova com a excelente Julianne Moore em papel que lhe deu o Oscar e o Globo de Ouro de melhor atriz.

O SÉTIMO FILHO 

setimo filho

(The Seventh Son) Dir:Sergey Bodrov. Com Ben Foster, Jeff Bridges, Kit Harrigton, Julianne Moore, Djimon Hounsu, Olivia Williams.  Fantasia. Novamente Julianne Moore emprestando seu talento porém em um papel de vilã. Ela é a bruxa Mãe Malkin que ameaça o mundo medieval. Em seu caminho, o inexperiente Thomas Ward (Foster) sétimo filho de um fazendeiro que se torna aprendiz do caça feitiço John Gregory (Bridges), um poderoso mago. O filme se propõe a ser o primeiro de uma nova franquia, que venha a preencher o espaço deixado depois da conclusão de “O Hobbit”. O escritor britânico Joseph Delaney é o criador dessa série literário que já chegou a 13 volumes, sendo este o adaptado do primeiro entitulado “As Aventuras do Caça Feitiço – O Aprendiz”. O filme marca o reencontro em cena de Bridges e Moore que atuaram juntos em “O Grande Lebowski” em 1998.

VIGARISTAS, TRAPACEIROS & OUTROS 171 NAS TELAS DO CINEMA

Passar alguém para trás é moralmente censurável e, no popular 171 conforme reza nosso código criminal para indicar estelionato. O cinema constantemente justifica e glamouriza embusteiros e velhacos, especialistas na arte de “se dar bem” de alguma forma. Esta semana temos a estreia de dois filmes que exploram esse mote: “Golpe Duplo” (com Will Smith, Rodrigo Santoro e Margot Robbie) e “Mortdecai – A Arte da Trapaça” (com Johnny Depp). Relembremos abaixo um pouco de alguns títulos que já mostraram que as aparências enganam e para muitos isso é ofício.

A Trapaça

1- A TRAPAÇA (AMERICAN HUSTLE), 2014.Dir:David O. Russell. Baseado em fatos reais: Nos anos 70, um casal de trambiqueiros profissionais (Amy Adams &  Chistian Bale) usam charme e muita lábia para aplicar golpes milionários. Excelentes em seu ofício, eles são recrutados por um agente federal (Bradley Cooper) para expor crimes do colarinho branco que comprometem inclusive o prefeito de Camden, em Nova Jersey. A vigarice é aqui um meio de sobrevivência em um sistema de lobos e chacais se devorando. Política, economia, marginalidade são todos elementos conflitantes em que a moral do que é certo e errado muda de tom constantemente. Embora indicado para vários Oscars, não levou nenhuma estatueta. Mas, levou o Globo de Ouro, o SAG Awards e o BAFTA (Oscar Inglês)

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2- PEGUE-ME SE FOR CAPAZ (CATCH ME IF I CAN), 2002. Dir: Steven Spielberg. Outro curioso caso saído da vida real foi a história de Frank Abagnale, que na década de 60, antes de completar 19 anos, se fazia passar por diversas profissões, de médico a piloto, ganhando rios de dinheiro com seus golpes. O filme consegue divertir de tal forma que nos torna cúmplices do personagem vivido por Leonardo diCaprio e faz do embuste uma descompromissada filosofia de vida.

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3- O FINO DA VIGARICE (AFTER THE FOX), 1966. Dir: Vittorio DeSica. Peter Sellers (A Pantera Cor De Rosa, Dr.Fantástico) é um notório mestre da trapaça, alcunhado “O Raposa” que se passa por um renomado diretor de cinema, reunindo equipe e elenco, para roubar, discretamente, um grande carregamento de ouro que passa por uma pacata cidade italiana. Sellers brilha ao lado de sua então esposa Britt Ekland e dos canastrões Victor Mature e Lando Buzzanca. O humor irônico e a impagável presença de Sellers faz desse praticamente desconhecido filme uma pérola da comédia.

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4- OS SAFADOS (DIRTY, ROTTEN, SCOUNDRELS), 1988. Dir:Frank Oz. Outra comédia maravilhosa com Michael Caine e Steve Martin, profissionais do embuste que se especializam em tirar dinheiro de mulheres ricas, em uma cidade praiana francesa. O problema é que o estilo de cada um é o oposto do outro. Lawrence Jamieson (Caine) é sofisticado e Freddy Benson (Martin) um malandro sem modos. Ambos apostam que o primeiro a conseguir um milhão de Janet Colgate (Gleanne Hedley) , a rainha do sabonete, fica e o outro sai da paradisíaca cidade. Várias passagens são de morrer de tanto rir como Martin se passando por Ruprest, um jovem retardado. O filme, na verdade, é refilmagem de “Dois Farristas Irresistíveis” com Marlon Brando & David Niven. Melhor que o original, seu final consegue ser surpreendente, ficando difícil escolher qual dos dois velhacos é o mais carismático. Uma parceria de iguais entre Caine & Martin.

Golpe de mestre

5- GOLPE DE MESTRE (THE STING), 1973. Dir:George Roy Hill. Um dos melhores nessa temática é o Segundo filme estrelado por Paul Newman & Robert Redford. A onipresente trilha sonora usando os temas de piano de Scott Joplin conduz a narrativa sobre dois escroques que se unem para aplicar um golpe das arábias em um perigoso gangster (Robert Shaw), ludibriando bandidos e agentes da lei com um esquema perfeito de pura malícia e sagacidade, que também tem raiz em fatos reais. Foi merecidamente vitorioso no Oscar de 1974.

CERTAMENTE VOCÊS DEVEM SE LEMBRAR DE OUTROS FILMES DESSA TEMÁTICA. SE FOR O CASO DEIXEM NO ESPAÇO DO COMENTÁRIO A SUA SUGESTÃO QUE PROVE QUE SE O MUNDO É DOS MAIS ESPERTOS, O CINEMA SOUBE MUITO BEM EXPLORAR O FILÃO.