MEMORIAS DE UM CINÉFILO :1985

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Que me perdoem meus leitores pelo surto nostálgico, mas o ano de 1985 foi especial para mim. Com apenas 15 anos eu já era apaixonado pela sétima arte tendo sido criado lendo os artigos de jornais e revistas (principalmente a saudosa Cinemin, da qual em breve falarei com detalhes aqui no blog) assinadas por nomes como Paulo Pergigão, Antônio Carlos Gomes de Mattos, Rubens Ewald Filho, Fernando Albagli, Dulce Damasceno de Britto, João Lepiani entre outros que mereciam uma estrela na calçada da fama. 1985 foi um ano no qual fui bem mais ao cinema que os anteriores. Na época eu morava em Duque de Caxias na Baixada Fluminense e quando por algum motivo meus colegas de escola não iam ao já inexistente Cine Paz (meu favorito em minha cidade naquela época) ou ao Cine Santa Rosa (que dispunha de duas salas de exibição) , então eu ia sozinho mesmo para não perder o filme em questão. E olha que vários atraiam minha atenção: Foi nesse ano que eu viajei no tempo com Marty McFly em um Delorean (De Volta Para o Futuro), fui a Europa com os Griswold (Loucas Aventuras de Uma Familia Americana na Europa), me despedi de Roger Moore como James Bond ao som do Duran Duran (007 Na Mira dos Assassinos) e ainda me deixei levar pela contagiante canção título de Footloose, de Kenny Loggins. Curioso que na época, acho que éramos mais inocentes que o usual, pois lembro perfeitamente que ao assisitr Rocky IV com meus colegas nos empolgamos de verdade na luta entre Rocky (Sylvester Stallone) e  Drago (Dolph Lundgren)  como se por um breve instante tudo aquilo fosse real, ao menos para nossas mentes. Gritávamos “ROCKY ! ROCKY! e não tinhamos mesmo nenhuma maturidade para enxergar o ufanismo de um boxeador americano ganhar de um russo, e em solo soviético ! Tudo bem em nome da diversão, é claro.

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1985 foi ano do primeiro Rock in Rio, do fim do governo militar e da eleição de Tancredo Neves, do  segundo mandato de Ronald Reagan na Casa Branca, do programa Guerra nas Estrelas. O mundo girava, mas eu era apenas um Goonie apaixonado por Michelle Pfeiffer que virava falcão em “Ladyhawke”. Eu e meus amigos não discutíamos política, mas quem era mais forte : Stallone ou Schwarzenegger que incorporavam o exercito de um homem só , respectivamente em Rambo II – A Missão e Comando Para Matar. Nerdismo puro que me colocava em sintonia com o personagem de Anthony  Michael Hall em “O Clube dos Cinco”. Ainda tinha a Tv com seriados aos quais acompanhava religiosamente como Magnum, A Super Máquina e Esquadrão Classe A, mas aí já é outra história. Eu nunca acreditei que meu vizinho fosse um vampiro como em “A Hora do Espanto”, mas sonhava com Katheleen Turner, uma jóia no Nilo ou em qualquer filme.

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Naquela época o cinema que sempre foi para mim a maior diversão era o cinema de rua, fora dos shoppings, com programas duplos e que me possibilitavam assistir duas sessões seguidas com um único ingresso ou ficar sentado no chão se estivesse lotado. Mas quem disse que eu ligava para isso, ainda mais com a trilha sonora que trazia Tina Turner cantando We don’t need another hero (Mad Max Além da Cúpula do Trovão), Lionel Ritchie cantando Say You Say Me (O Sol da Meia Noite) ou a voz rouca de Huey Lewis & The News cantando “The Power of love” (De Volta Para o Futuro). O video cassete ainda não tinha se espalhado, não tinhamos tv por assinatura e a janela entre cinema e Tv era bem maior que hoje em dia. Logo, uma maneira diferente de sentir o cinema, de vivê-lo e se divertir com ele. Eu não chegava a ser uma versão masculina e adolescente de Cecília (Mia Farrow) de “A Rosa Púrpura do Cairo”, mas sugava o que podia da fantasia alimentando minha paixão com as informações que chegavam até mim, não tão rápido quanto deslizar os dedos por um smartphone e acessar a internet. E quer saber, obrigado A.C.Gomes de Mattos, Rubens Edwald Filho e os demais que mencionei. Vocês me supriram de tudo que eu precisava então. Agora, 30 anos depois espero poder voltar com meu Delorean, mas enquanto não consigo quem sabe o músico Luiz Schiavon (do clássico RPM que eu ouvia sem parar) não me empresta o dele ? Ou quem sabe eu não consiga fazer a dança dos pezinhos de Footloose ? Sonho meu !!!

Luiz Schiavon McFly

Luiz Schiavon McFly

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