ESTREIAS DA SEMANA: EM CARTAZ A PARTIR DE 30 DE ABRIL

UMA LONGA JORNADA

uma longa jornada

(The Longest Ride) EUA 2015. Dir: George Tillman Jr. Com Scott Eastwood, Britt Robertson, Jack Houston, Alan Alda, Peter Jurasik, Lolita Davidovitch, Oona Chaplin, Barry Ratcliff, Tiago Raini Drama.

Sinopse: A vida de Sophia Danko (Robertson) muda radicalmente quando conhece o cowboy Luke (Eastwood) com quem se envolve romanticamente. Em meio aos altos e baixos do romance, Sophia e Luke conhece Ira Levinson (Alda) que sofre um acidente após o qual passa a ver sua falecida esposa Ruth (Chaplin). A história dos dois casais se entrelaça a medida que o tempo passa.

Curiosidades : Decima adaptação de um romance de Nicholas Sparks, que curiosamente começou a ser filmado antes mesma publicação do romance, o 19º escrito pelo autor norte-americano.  O protagonista é vivido por Scott Eastwood, de 29 anos, filho do ator Clint Eastwood. Também são herdeiros de grandes astros do cinema Jack Houston (neto de John Houston) e Oona Chaplin, que faz Ruth jovem, é neta de Charles Chaplin. O ator Tiago Raini, que faz o melhor amigo de Luke, é brasileiro.

ENTRE ABELHAS

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(Bra 2015) Dir: Ian SBF. Com Fabio Porchat, Giovanna Lancelotti, Irene Ravache, Marcos Veras, Marcelo Vale.  Drama.

Sinopse: Um editor de imagens recém-divorciado começa a tropeçar no que não existe e descobre que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis.  Sem entender o que está acontecendo, pede ajuda a sua mãe (Ravache) e seu melhor amigo (Veras) para descobrir como viver em sua nova condição.

Curiosidades : O roteiro foi escrito por Porchat e o diretor que já se conheciam quando Porchat fazia parte do grupo teatral Porta dos Fundos, onde também conhecia o ator Marcos Veras.

NOITE SEM FIM

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(Run All Night) EUA 2015. Dir: Jaume Collet Serra. Com Liam Neeson, Ed Harris, Joel Kinnaman. Ação

Sinopse : Jimmy, matador da máfia (Neeson) abandona suas atividades para se aproximar do filho Danny (Kinnaman) que inadvertidamente testemunhou um assassinato e matou Michael, o filho do empregador de Jimmy, que agora quer vingança.

Curiosidades: Terceiro filme  estrelado por Liam Neeson e dirigido por Serra (os outros foram “Desconhecido” e “Sem Escalas”) . Apesar de uma breve aparição, o ator Nick Nolte teve a maior parte de suas cenas cortadas, não sendo então creditado no elenco. Michael e Danny são nomes dos filhos de Liam Neeson na vida real. O ator Joel Kinnaman protagonizou a refilmagem de “Robocop” ano passado e em breve será visto no filme do “Esquadrão Suicida”, equipe de vilões dos quadrinhos da DC Comics. “Noite Sem Fim” também foi título em Português de um romance policial de Agatha Christie (Endless Night, no original).

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ESTREIA DE “VINGADORES : A ERA DE ULTRON” – AVANTE VINGADORES: HQS &FILME

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Um dos maiores sucessos dos estúdios Marvel há dois anos foi o filme “Os Vingadores” (The Avengers), ápice do plano desenvolvido pacientemente através dos filmes solo de seus integrantes – O Homem de Ferro, o Capitão América,Thor & Hulk, tendo esse último trocado Edward Norton por Mark Ruffalo. O plano era audacioso e as apostas altas despertando a curiosidade do público a cada cena pós-crédito. Em termos do gênero “filme de super-herói”, nada do porte já havia sido feito antes no cinema. Nos quadrinhos, pelo contrário, a Sociedade da Justiça nos anos 40 e a Liga da Justiça nos anos 60, da divina concorrente da Marvel, foi quem inaugurou a ideia de juntar em uma equipe os principais heróis de uma editora. Afinal, se eram personagens que vendiam bem em títulos separados, imagine todos juntos.

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A PRIMEIRA EQUIPE. Dois anos depois da estreia da Liga da Justiça publicada no título “The Brave & The Bold” #28 (Fevereiro-Março de 1960), e um ano depois do nascimento do universo Marvel com o lançamento do “Quarteto Fantástico” (Fantastic Four #1), Stan Lee chamou o colega Jack Kirby para reunir os heróis peso pesados da Marvel na equipe batizada de “Vingadores”, lançada em título próprio (o que era incomun na época) em Setembro de 1963. Não havia ainda a Viúva Negra e nem o Gavião Arqueiro e mesmo o Capitão América só entraria para o time na edição #4 do título. A primeira formação era Homem de Ferro, Thor, Homem Formiga, Vespa & Hulk, sendo que este já deixaria a equipe na edição seguinte, devido a sua instabilidade emocional. O QG da equipe, a Mansão dos Vingadores representaria uma Camelot moderna com os heróis formando uma távola redonda tendo o Capitão América, que logo centralizaria as atenções do grupo, assumindo uma figura tal qual um Rei Arthur, nobre e líder nato. Foi o patriótico Steve Rogers que reestruturou a equipe a partir da edição #16, quando os membros fundadores debandaram para cuidar de assuntos próprios e aí são recrutados os irmãos mutantes Feitiçeira Escarlate e Mercúrio, além do temperamental Gavião Arqueiro, todos ex-vilões em busca de redenção. As fileiras dos assim chamados “maiores super-heróis da Terra” sempre foram se modificando ao sabor do gosto dos roteiristas e dos leitores. Uma dinâmica acentuada pelos conflitos de temperamento e personalidade de seus integrantes. O Homem Aranha, mesmo sendo o herói mais popular da Marvel, só entrou para a equipe oficialmente em tempos mais recentes apesar de aparições esporádicas desde a edição #11.

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Chegada de Mercurio & Feitiçeira Escarlate na equipe.

HERÓIS NO BRASIL. A equipe dos Vingadores sempre foi marcada pela entrada e saída de diversos personagens com mais de 90 integrantes reunidos ao todo ao longo de seus mais de 50 anos de publicação. No Brasil é curioso que a editora Ebal, que introduziu os heróis Marvel em terras tupiniquins, não tenha publicado suas aventuras. O primeiro título dos vingadores em nosso país veio a ser publicado pela primeira vez entre novembro de 1975 e agosto de 1976 pela editora Bloch, que embora não tivesse qualidade gráfica em sua impressão, trazia ao menos as primeiras histórias do grupo desenhadas por Jack Kirby, e depois por Don Heck. Depois de um longo tempo pela editora Abril onde tinham suas histórias publicadas nos títulos “Heróis da TV”, “Capitão América” e “Grandes Heróis Marvel”, os Vingadores só voltaram a ter título próprio no país quando passaram para a Panini Comics, que inicialmente os publicou em outros títulos mix até fevereiro de 2004, quase dez anos antes da estreia do filme de Joss Whedon.

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HERÓIS & VILÕES. A Viuva Negra (Scarlet Johansson) é de popularidade inegável e já se especulou a possibilidade da heroína protagonizar um filme solo, mas o que poucos talvez saibam é que a personagem em suas primeiras aparições, desde “Tales Of Suspense” #52 (1964) em uma história do Homem de Ferro, era uma vilã e só entrou para a equipe dos heróis em “Avengers” #101 em 1973. O sintozóide Visão que será vivido no filme por Paul Bettany passou a fazer parte da equipe em “Avengers” # 57 de 1968 e chegou, tempos depois, a se tornar líder da equipe, casou com a Feitiçeira Escarlate (que será vivida pela atriz Elizabeth Olsen) e quase dominou os computadores do mundo. Sua criação foi, nos quadrinhos, fruto das ações do vilão que enfrenta a equipe no segundo filme, o robô Ultron (voz de James Spader).

Uma diferença fundamental é que nos quadrinhos Ultron foi criado pelo Dr.Hank Pym (O Homem Formiga que ganhou um filme solo que estreia em breve) e não pelo milionário inventor Tony Stark como mostrado no filme. Nas Hqs originais, escritas por Roy Thomas e desenhadas por John Buscema, Ultron é uma inteligência artificial de corpo indestrutível misto de mito frankensteniano com complexo de Édipo já que não apenas quer sempre matar seu criador como também chega a criar uma companheira cibernética com os padrões de Janet Van Dyne, a heroína Vespa, esposa do Dr.Pym. A estreia do vilão se deu em “Avengers” #55 de 1968, apesar de ter sutilmente manipulado os eventos ocorridos na edição anterior. A gênese do vilão subverte as leis robóticas Azimovianas, e faz das formas de vida orgânicas um diretriz de eliminação primordial, como no filme em que ganha a voz poderosa de James Spader que promete abalar os heróis desde o primeiro trailler divulgado ano passado em ameaça “No strings on me !” (Não há cordas em mim) como uma versão maligna de Pinóquio cuja fala ele recita para em seguida partir para sua missão destrutiva cujas ações repercutirão nas tramas de “Capitão América: Guerra Civil”, “Avengers – Guerra Infinita” e provavelmente nos demais filmes do universo cinematográfico da Marvel.

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Algum mistério recentemente se criou na possibilidade de haver aparições surpresas de outros personagens conhecidos da editora com os nomes de Julie Delpy e Linda Cardelini aparecendo no elenco divulgado, mas sem que seus papéis sejam mencionados. Em tempos de constantes vazamentos de informações pela internet, spoilers e copias piratas, é compreensível que a tal insinuação movimente o bate boca que sempre pode vir a significar um aumento na bilheteria, que já se prevê como sendo alta, tendo tido um orçamento estimado em mais de 250 milhões de dólares. As filmagens se estenderam durante vários meses no ano passado ajustando o cronograma à gravidez da atriz Scarlett Johasson. O ator Andy Serkis, que faz um dois vilões que prometem voltar futuramente (tudo indica que no aguardado filme do Pantera Negra) também auxiliou com a tecnologia de captura de movimento que tornou-se seu referencial com o sucesso de seus personagens virtuais em filmes como “O Hobbitt” e “Planeta dos Macacos” entre outros. Nerds de plantão aguardem a sempre esperada aparição de Stan Lee, pai do universo de heróis Marvel, mas esqueçam cena pós-crédito, já que foi anunciada que dessa vez a Marvel não a utilizará como de costume. Será ? O jeito é aguardar a estreia do filme em 23 de Abril e bradar aos quatro ventos “AVANTE VINGADORES” !!

CLÁSSICO REVISITADO : 60 ANOS DE “JUVENTUDE TRANSVIADA”

Uma canção composta pelo saudoso Renato Russo dizia “Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou”. Os jovens sempre se confrontaram com a brevidade da vida, sempre se sentiram tomados por um sentimento de urgência como se não existisse o dia da amanhã. A juventude dos anos 50 viveu essa intensidade de forma ímpar: um caldeirão de rebeldia e inconformismo que apontava uma mudança de comportamento em relação a geração que anos antes lutava no front de guerra e vivia as incertezas advindas do confronto de forças políticas que disputavam o poder global. Os jovens dos anos 50 estavam distantes disso: Era a época de Marlon Brando, em seu casaco de couro, vivendo no compasso das horas ao som de Bill Haley, Chuck Berry, Little Richard e Elvis Presley.

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Na metade dos anos 50, enquanto Ike guiava os rumos do país com moralização e austeridade, os jovens queriam viver o momento impulsionados pelo som do rock n’roll, que foi muito mais que um estilo de música novo então, mas uma mudança de comportamento e postura diametralmente oposta ao da geração que a precedeu. O diretor Nicholas Ray estava atento a essa realidade e ao abismo de entendimento entre pais e filhos que justificava, então, o crescimento da delinquência juvenil. O jovem queria ser visto e ouvido e não aceitaria mais que lhe fossem impostas regras de comportamento; que seu futuro fosse pré-determinado; ou que seu presente fosse engessado de acordo com os interesses dos mais velhos. Esse questionamento era uma novidade na sociedade americana dez anos depois do fim da Segunda Guerra. Ray chegou a ter consultoria de um ex-líder de gang, ouviu os anseios daquela juventude e os traduziu, em imagem e som, no filme que se tornou um marco, em uma época em que os adolescentes não eram sequer vistos como um público-alvo expressivo para Hollywood e não eram levados a sério como interpretes dramáticos. Marlon Brando tinha 29 anos, quando fez “O Selvagem” (The Wild One); Sidney Poitier tinha 28 anos ao fazer um estudante escolar em “Sementes da Violência” (The Blackboard Jungle); e, James Dean estava com 24 anos, quando estrelou “Juventude Transviada”.

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Seu Jim Stark vive se metendo em encrencas e, por conta disso, seus pais estão sempre se mudando. O comportamento rebelde de Jim vem de seu inconformismo com um mundo que não compreende. Seus pais estão sempre brigando e seu pai, constantemente, assume uma postura passiva demais diante dos problemas. Jim explode, logo no começo do filme, quando grita “YOU ARE TEARING ME APART !” (Vocês estão me destruindo), eleita #97 entre as 100 melhores falas do cinema de acordo com a revista Premiere, em 2007. Seu grito é visceral, angustiante e reflexo de uma geração mais passional, e cujos dilemas se distanciam de hoje em dia, quando a ditadura do consumismo priva o pensamento contestador dos jovens. No começo do filme, que partiu de uma história esboçada pelo próprio Nicholas Ray, roteirizada por Stewart Stern e Irving Schulman, Jim é o único trajando um casaco vermelho e sendo levado para a delegacia de polícia, onde um agente da lei (Edward Platt, o “Chefe” da clássica série “Agente 86”) tentará por juízo EM SUA na cabeça de Jim e domar seu espírito BRAVIO indomável , com o qual seus pais não conseguem se relacionar.

Plato, Jim & Judy

Plato, Jim & Judy

Não conseguindo interagir nem aceitar os termos do mundo, Jim se aproxima de dois outros personagens com os quais formará uma segunda família, UNIDOS aproximados pela identificação de uns com os outros. A jovem Judy (Natalie Wood), que sofre ao perceber que, por estar se tornando mulher, perdeu o direito ao amor ou a atenção de seu pai. Namorada de Buzz (Corey Allen) no início, Judy não sabe qual será seu lugar no mundo ou como sua beleza a faz humana. O conflito de almas se intensifica com o outro membro do trio, Plato (Sal Mineo) jovem sem pais que, apesar de morar em uma casa grande, possui um vazio no peito maior ainda. Plato encontra, em Jim, a figura do irmão mais velho, do líder a seguir. Tal dinâmica entre os três destoa da juventude de hoje em várias formas: Para aquela geração tudo é físico, real, e a presença da morte acompanha de perto as consequências de seus atos como a morte de Buzz, APÓS depois de um racha entre ele e Jim, um teste de coragem, audácia diante da vida arriscada de forma estúpida, um como o próprio personagem diz, uma prova de covardes já que a corrida termina em um precipício à beira do qual Jim consegue saltar do carro, mas Buzz, com o casaco preso à porta, não consegue e mergulha no abismo extinguindo sua chama e provocando todos os acontecimentos que se seguem. Apesar de trágica, mais sentida é a morte de Plato, ao final, quando perseguido pela polícia, trajando o mesmo casaco vermelho de Jim e fechando um ciclo que, ironicamente parece aproximá-lo de seus pais. O efeito simbólico e cromático na morte de Plato poderia não ter sido alcançado já que a Warner Bros queria que o filme de Ray fosse feito em preto e branco, mas foi convencida do contrário, pelo diretor.

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Fica difícil para a juventude de hoje entender e sentir todo o dilema e a cumplicidade do trio Jim-Judy-Plato quando suas mentes são sugadas para o virtual, para a dimensão segura de uma rede social onde parece não haver consequência para o que se é dito e feito, mesmo que em suas almas haja o medo ou a incompreensão do mundo ao redor.  Irônico é que o clima de tragédia parece ter continuado além dos 111 minutos de projeção do filme: Edward Platt se matou em 1974; Sal Mineo foi esfaqueado em 1976; Natalie Wood morreu afogada em 1981; e, o mais prematuro fim, o de James Dean, que sofreu um desastre fatal de carro, em setembro de 1955, quase um mês antes do lançamento de “Juventude Transviada”, tendo estrelado três filmes apenas, sendo que o primeiro foi “Vidas Amargas” (East of Eden) e o último, postumamente lançado, foi em “Assim Caminha a Humanidade” (Giant). Curiosamente, Dean iria estrelar este antes de “Juventude Transviada”, mas a gravidez de Elizabeth Taylor, sua coestrela, no filme de George Stevens, adiou o inicio das filmagens, possibilitando que Dean vivesse Jim Stark, no filme de Nicholas Ray.

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Se há um ponto, no entanto, em que tanto 1955 quanto 2015 coincidem, apesar da distância cronológica, tecnológica e social entre ambas as gerações, rebeldes com causa ou sem causa, é a afirmação de Renato Russo que iniciou esse texto, quando diz na canção “Somos tão Jovens!”.

BOND 4 : 007 CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA

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A QUARTA MISSÃO : Movimentada aventura de James Bond que viaja às Bahamas para recuperar duas ogivas nucleares roubadas a mando de Emilio Largo, o segundo homem forte da organização Spectre, em um plano de extorsão global. Lembro bem que este foi o primeiro filme de 007 que assisti quando criança, e não foi no cinema, mas exibido pela TV Globo lá nos idos de 1970 e lá vai fumaça. O quarto filme de James Bond foi o 9º livro publicado por Ian Fleming, em Março de 1961 e em circunstâncias desastrosas. Em 1959, o produtor Kevin McClory havia proposto uma história original para um filme de James Bond e que se chamaria “James Bond, Secret Agent” com Richard Burton no papel de 007. Um roteiro foi escrito por McClory, Jack Whittingham em conjunto com Fleming, mas este mudou de ideia o produtor Kevin McClory havia proposto uma história original que se chamaria “James Bond, Secret Agent” e que teria Richard Burton no papel de 007. Um roteiro foi escrito por McClory, Jack Whittingham em conjunto com Fleming, mas este mudou de ideia, assinando com Harry Saltzman e Albert Broccoli para a realização de “007 Contra o Satânico Dr.No”. Fleming, contudo, utilizou as ideias de McClory (a organização SPECTRE substituindo os vilões comunistas, o vilão Brofeld etc…) para a história que passou a se chamar “Thunderball” e que publicou sem dar crédito a McClory e Whittingham. O resultado foi  uma ação judicial que foi resolvida, depois de três anos,  dando a Fleming os direitos de autoria sobre o romance mas atribuindo a McClory os direitos de adaptação cinematográfica, além de 50 mil libras de indenização.

Claudine Auger a estonteante Domino

Claudine Auger a estonteante Domino

Para Fleming, o desgaste emocional da peleja legal contribuiu para o ataque cardíaco que sofrera então. Consequentemente, esse é o único filme da franquia em que Broccoli & Satzman não recebem crédito de produtores, que foi para Kevin McClory, aparecendo apenas como produtores executivos. Quando Guy Hamilton, alegando estar desgastado depois de  “Goldfinger”, declinou do convite para a direção de “Thunderball”, que recebeu no Brasil o nome de “ 007 Contra a Chantagem Atômica”, foi chamado Terence Young, que dirigiu os dois primeiros filmes de Bond e faria aqui seu canto do cisne na direção da série.Também retornou para a série Maurice Binder, que havia desenvolvido a abertura de Dr.No, mas ficou de fora de “Moscou Contra 007” e “Goldfinger”. Binder estabeleceu o que se tornaria padrão nas sequências de abertura dos filmes e permaneceu no posto em todos os demais filmes de Bond até “007 Permissão Para Matar” (Licence to Kill) de 1989. Para a abertura de “Thunderball”, Binder filmou em preto e branco nadadores nus, adicionando depois cores com um efeito ótico. Também foi o primeiro filme da série a trazer arte estilizada com as cenas de ação nos posters, o que também continuaria até 1989. A partir de “Goldeneye”, os posters passaram a trazer montagens fotográficas das cenas dos filmes. Fleming, que foi oficial da marinha britânica, retirou o nome “Thunderball” de um termo militar que se refere à nuvem em forma de cogumelo criada nos testes atômicos, que seria o resultado das ações da SPECTRE, se esta fosse bem sucedida em detonar as ogivas roubadas. Em um exemplo de vida imitando a arte, “Thunderball” foi o nome código usado em 1976 por uma operação israelense de resgate realizada em Uganda.

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“Thunderball” teve um investimento bem alto em sua produção, tendo custado mais que a soma dos três filmes anteriores e foi o primeiro filme da série gravado no sistema Panavision.O grande interesse de Kevin McClory em mergulho levou às várias sequências realizadas debaixo d´agua, realizadas nas Bahamas nos estúdios de Ivan Tors, sendo este um prolífico produtor de TV nos 50 e 60 tendo realizado séries como “Aventura Submarina” , “Os Aquanautas”, e “Flipper”. Em uma dessas sequências em que Bond se vê de frente para ameaçadores tubarões, havia uma tela de proteção para proteger os atores porém esta não cobria toda a altura e os tubarões podiam pular por sobre a tela. Connery – de acordo com o diretor Terence Young em entrevista –  se assustou realmente quando um tubarão se aproximou demais de uma área desprotegida na cena em que 007 mergulha na piscina na mansão de Largo. Na cena em que Bond sai do tanque e um dos tubarões se atira em direção a 007, este estava morto e guiado por cabos de aço. Foi o primeiro filme da série a ganhar o Oscar de melhor efeitos especiais, no caso para John Stears em 1966. “Moonraker” (007 Contra o Foguete da Morte”) foi indicado em 1979 nesta categoria mas perdeu, e em 1982 Albert R. Broccoli ganhou o prêmio Irving Thalberg pelo conjunto da obra. O filme anterior, “Goldfinger” ganhou o Oscar de efeitos sonoros. Já a trilha sonora foi composta por John Barry que só a concluiu quase 30 anos depois com o lançamento da trilha-sonora expandida. Na época, a segunda metade do filme saiu sem música,  já que quando a gravação foi requerida, Barry ainda a estava compondo. Já a canção tema usada na abertura foi cantada por Tom Jones em substituição a Dionne Warwick que chegou a gravar a canção “Mr.Kiss Kiss Bang Bang”, mas que foi refeitada pelos produtores que receavam utilizar como tema uma canção que não trouxesse o título do filme no nome. Ainda foi gravada uma outra versão dessa canção gravada por Shirley Bassey, e uma versão diferente de “Thunderball” na voz de Johnny Cash também foi rejeitada pelos produtores. A Premiere Mundial de “007 Contra a Chantagem Atômica” foi em 9 de Dezembro de 1965 em Tokyo, Japão. No Estados Unidos, o filme estreou 12 dias depois em Nova York. A United Artists contratou um piloto com a mochila-a-jato, usada por Bond no filme, para fazer um vôo promocional por sobre o Paramount Theater em Manhattan. Contudo, tanto o piloto quanto publicitários da United Artists acabaram sendo presos pois não haviam solicitado permissão com as autoridades locais.

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Sean Connery e as Bondgirls de “Thunderball

As Bondgirls de “Thunderball”   Luciana Paluzzi foi rejeitada para o papel de Domino, mas ficou com o papel de Fiona Volpe, que no roteiro original seria irlandesa e se chamaria Fiona Kelly. Assim, o sobrenome foi modificado para se adequar à atriz italiana. O personagem, no entanto, não aparece no livro. A principal Bondgirl foi interpretada por Claudine Auger , ex- miss França em 1958, quando tinha 15 anos. Seu forte sotaque desagradou os produtores logo no início das filmagens. Assim, esta teve suas falas dubladas por Nick Van der Zyl – que também dublou Ursula Andress em Dr.No. Auger , depois de “Thunderball” trabalhou em vários filmes na Europa mas nenhum deles com a projeção de um 007. O papel de Domino teve os nomes de Raquel WelchJulie Christie e Faye Dunaway atrelados ao projeto. Welch deixou a disputa pelo papel para fazer “Viagem Fantástica” e Dunaway voltou a se interessar por outro papel de Bond-girl em “Octopussy” que veio a perder para Maud Addams. Já Paluzzi foi uma bela atriz italiana que começou a carreira no rastro do sucesso internacional de suas compatriotas Sophia Loren e Gina Lollobrigida. Curiosamente, na mesma época de “Thunderball”, Paluzzi apareceu como espiã inimiga também na série de TV “O Agente da Uncle” cuja produção teve colaboração de Ian Fleming. Martine Beswick, que interpretou uma das ciganas em “Moscou Contra 007”, atua em “Thunderball” como Paula Caplan. Embora não tenha sido creditada, é de Beswick a silhueta de dançarina na abertura de “Dr.No”.

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O Vilão : O grande inimigo de Bond em “Thunderball” é Emilio Largo, segundo em comando da SPECTRE, interpretado pelo ator italiano Adolfo Celi, que também teve suas falas dubladas, no caso por Robert Rietty, para disfarçar seu forte sotaque siciliano. O motivo pelo qual atores italianos ocupam papéis chave dentro da trama é que no roteiro original Bond enfrentaria a máfia italiana. Celi, que foi casado com a atriz brasileira Tônia Carrero faleceu em Fevereiro de 1986 vítima de ataque cardíaco e dirigiu três filmes gravados na América do Sul : America Caicara (1950), Tico-Tico no Fuba (1952) and Alibi, L’ (1969). Houve durante muito tempo rumores de que a voz do vilão Ernest Stavro Brofeld, ouvida no filme, pertencia a Joseph Wiseman (o Dr.No), outras fontes creditaram a voz a Eric Pohlmann. Em “Moscou Contra 007”, o ator Anthony Dawson apareceu como o vilão arqui-inimigo de Bond, mas eram apenas suas mãos acariciando um gato persa branco .

Os Veículos : Entre os veículos usados no filme, destaca-se o Astor Martin, também usado por Bond em “Goldfinger”, um Thunderbird 1965 usado por Largo em Paris era adorado por Fleming; a mochila-jato da empresa Bell Aerosystems , originalmente fabricada para fins militares, na sequência de ação pré-créditos sobre a qual Bond diz que “todo homem elegante devia ter um” mas que não é pilotada por Connery no vôo, mas sim pelo engenheiro Bill Suiter; e o iate de Largo, chamado “Disco Volante” (em espanhol Disco Voador) que foi adaptado a partir de uma embarcação chamada “The Flying Fish”, que custou $500.000 para ser adquirida em Porto Rico, sendo depois transferida para Miami para receber as modificações que incluía a dupla seção que podia realmente ser dividida conforme visto no final do filme.

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MAIS SOBRE BOND : Embora tenha ficado famoso que Bond faça questão de beber uma Vodka Martini batida, nunca mexida, isto não ocorre neste filme em que ele pede uma champanhe Dom Perrignon 55 à beira da piscina enquanto está com Domino.

“Thunderball” teve removido o nome do filme seguinte no final dos créditos de encerramento, pois este seria seguido por “On Her Majesty’s Secret Service”, mas problemas com as filmagens na neve durante aquele inverno impediram e o filme seguinte ficou sendo “You Only Live Twice”. A sugestão foi dada pelo editor Peter Hunt que viria a dirigir George Lazenby como 007 anos depois quando “On Her Majetsy’s Secret Service” veio finalmente a ser produzido.

Se corrigido pela inflação, “Thunderball” é o Bond de melhor arrecadação com um total de $585.684.000 – de acordo com o site Box Office Mojo – e ficando como a 27º maior bilheteria de todos os tempos.

Membros do elenco e da equipe de filmagem deram várias entrevistas para promover o filme, exceto Sean Connery que só consentiu em dar uma única entrevista, no caso para a revista Playboy. Connery considerava este seu filme favorito da série, o que deve ter sido real já que mais de dez anos depois de ter deixado o papel e de ter dito que jamais voltaria a ser Bond de novo, Connery aceitou o papel de volta para a refilmagem de “Thunderball” entitulada “Nunca mais outra vez” (título sugerido pela esposa de Connery), realizada em 1984 por Kevin McClory que decidiu fazer um filme mais fiel à história original que ajudara Fleming a escrever, e sem qualquer envolvimento ou interferência de Albert Broccoli.

Bob Simmons, o dublê regular na série aparece rapidamente no começo do filme como o assassino vestido de mulher que luta com Bond antes de sua fuga com a mochila a jato. Antes de levar o soco, contudo, o assassino é interpretado por Rose Alba. É Simmons quem apareceu , nos três primeiros filmes, na abertura dos filmes que se tornou marca registrada da série mostrando Bond caminhando e depois atirando na tele objetiva da câmera. A partir daqui, Connery o substitui. Entre as aparições especiais estão Henry Ford II, neto de Henry Ford cuja empresa forneceu vários veículos usados no filme e o próprio Kevin McClory ambos aparecendo rapidamente como figurante.

BOND RETORNA EM “COM 007 SÓ SE VIVE DUAS VEZES” NA SEMANA QUE VEM AQUI NO BLOG.

BOND 3 : 007 CONTRA GOLDFINGER

JAMES BOND : VOCÊ ESPERA QUE EU FALE ?

GOLDFINGER : NÃO, SR. BOND, EU ESPERO QUE VOCÊ MORRA !

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O MELHOR DOS FILMES : O agente 007 James Bond enfrenta o vilão Auric Goldfinger, que planeja explodir uma bomba nuclear nas reservas americanas de Fort Knox, de forma que o lugar seja contaminado e o preço do ouro suba, lhe dando  um enorme lucro. Sétimo livro da série escrita por Ian Fleming que tornou-se o terceiro e, para muitos incluindo este que escreve, o melhor filme da série. É a partir desse filme que nasce o fórmula Bond, que seria seguida nos filmes seguintes: Vilão megalomaníaco e capanga ameaçador, canção-tema na abertura cantada por um grande nome (no caso Shirley Bassey), engenhocas criadas pelo talentoso Q (Desmond Lewellyn) e sequências marcantes como a bela Jill Masterson (Shirley Eaton) coberta de ouro ou a luta de Bond com Oddjob e seu chapéus mortífero, sequências emblemáticas que os produtores passaram a tentar superar. A imensa galeria de bond girls ganhou o acréscimo da sedutora e misteriosa Pussy Galore (Honor Blackman), cujo nome é bastante sugestivo já que pussy é o nome em inglês do órgão sexual feminino.

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                  A atriz Honor Blackman, então com 37 anos (a bondgirl mais velha da série) não conseguiu fazer uma carreira em Hollywood apesar do sucesso de “Goldfinger”. A atriz inglesa trabalhou na Tv como principal papel feminino na série britânica “Os Vingadores” (nenhuma relação com os heróis da Marvel).   A sequência inicial do filme com Bond saindo do mar, retirando sua roupa de mergulhador para revelar um  elegante smoking chegou a ser imitada por James Cameron e Arnold Schwarzenegger em “True Lies”. Outro adereço marcante foi o carro Astor Martin que Bond usou em cenas de fuga e perseguição. O filme foi o primeiro de 007 a ganhar um Oscar da Academia, no caso de efeitos especiais. O ator Orson Wells chegou a ser cogitado para o papel do vilão, o milionário Auric Goldfinger (Auric é ouro em latim), mas o papel acabou ficando com o ator alemão Gert Frobe, que não falava nenhuma palavra em inglês e precisou ser dublado, recurso que os produtores se valiam frequentemente. Harold Sakata, o capanga Oddjob, era ex-lutador de luta livre e chegou a fazer carreira no cinema depois de Goldfinger. Jack Lord, que foi o agente da Cia Felix Leiter em “Dr.No”, foi contatado a reprisar o papel, mas recusou e Cec Linder entrou em seu lugar. Fleming visitou o set de filmagem em  abril de 64. Mas tristemente morreu menos de um mês antes do filme estrear em 12 de agosto de 1964.

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Entre as diferenças entre livro e filme não há o plano de contaminar o ouro do Fort Knox já que Goldfinger planeja roubá-lo. O vilão morre, no livro, estrangulado por Bond e Oddjob é atirado para fora do avião do vilão quando a cabine deste despressuriza depois de uma luta com Bond. Pussy Galore e suas meninas são acrobatas no livro e assumidamente lésbicas, o que no filme é apenas ligeiramente sugerido. A sequência do laser que ameaça cortar Bond pelo meio de suas partes íntimas. No livro é feita com uma serra elétrica. Poucas foram as diferenças se levarmos em consideração o que foi feito com os demais livros de Fleming. Eu assisti o filme pela primeira vez aos 19 anos, em uma reprise de TV e foi o penúltimo filme da era Connery que eu assisti, já que vi todos fora da ordem de produção a medida que a TV os exibia antigamente. Connery está ainda melhor que nos dois primeiros filmes, mais a vontade no papel e o ator chegou a se machucar nas costas durante as filmagens, o que o fez renegociar os termos de seu contrato para os filmes seguintes.

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Bond voltará ao blog semana que vem com “007 Contra a Chatagem Atômica”

MEMÓRIAS DE UM CINÉFILO : A REVISTA CINEMIN

Cinemin Capas I

Entre novembro de 1982 e outubro de 1993 circulou no Rio de Janeiro a melhor revista sobre cinema desse país. Em suas páginas aprendi tanto que esse período, durante o qual fui fiel leitor dela, foi como se eu tivesse um curso superior completo de artes cinematográficas. Foi meu primo quem me apresentou a revista Cinemin, edição nº9 de Abril de 1984. No centro da capa o anuncio de “No Limite da Realidade”, filme em que Steven Spielberg, John Landis, Joe Dante e George Miller retomavam a clássica série de Tv “Além da Imaginação” (The Twilight Zone), criada por Rod Serling e que eu adorava assistir. Como o título em Português era diferente, não tinha percebido que era uma adaptação. Foi a Cinemin que me informou não apenas disso como também apontando quais episódios estariam refilmados. Na época, com 13 anos e tendo a TV como babá, eu descobria também quem tinha sido a atriz Frances Farmer, como tinha sido a vida do astro Gary Cooper e do maior dos intérpretes de Tarzan (herói de minha infância), o ator Johnny Weissmuller, que havia falecido no México em Janeiro daquele ano. As páginas da Cinemin eram bastante diversificadas equilibrando o amor pelo passado clássico da sétima arte com as atualidades da época. Lembrando que na época não existia internet, redes sociais ou programas de TV por assinatura que hoje colocam a informação ao alcance da palma de nossas mãos. Assim sendo, a Cinemin também informava sobre os lançamentos de “O Dia Seguinte”, polêmico na época ao falar de uma catástrofe nuclear e o divertido “Jogos de Guerra” que apresentava ao público o talentoso Matthew Broderick.

cinemin 9

A CINEMIN NASCE & RENASCE. Na verdade a Cinemin, que conheci então, era a 5ª série publicada pela editora Ebal, do saudoso Adolfo Aizen. A revista começou a ser editada em Novembro de 1951 trazendo a quadrinização de grandes filmes, tendo sido a primeira o musical “Quando fala o coração” com Jane Powell e Ricardo Montalban. Essa série teve 100 edições mensais em formato americano, publicada em uma média de 36 páginas em preto e branco. Em fevereiro de 1960 a revista zerou sua numeração e seguiu por mais 35 edições, sendo que até o número 24 era mensal e a partir daí até o fim permaneceu bimestral. Em Janeiro de 1964, a terceira série da Cinemin recomeçou com regularidade mensal, mas com um formato estranho, comprido, difícil de manusear sem rasgar as páginas, o que desagradou ao público leitor. Logo, a partir do numero 7 datado de Julho de 1964, a Ebal retornou ao formato americano. Outra mudança nessa fase foi que ocasionalmente, em vez de trazer a quadrinização de clássicos do cinema, trouxe em suas páginas a versão em HQ de episódios da popular série “Além da Imaginação”. 24 edições depois a revista foi descontinuada, e só foi brevemente retomada em Março de 1975 por 5 edições mensais coloridas que publicou as HQ humorísticas de Francis, a mula falante, licenciadas da editora americana Dell Comics. Curiosamente, a capa estampava que esta era a 3ª série demonstrando que os editores da Ebal se confundiram com a numeração.

cinemin 1ª serie

A REVISTA DA SÉTIMA ARTE. A revista Cinemin que eu conheci, trocou as versões em quadrinhos por um trabalho jornalístico sério voltado para a divulgação do cinema contemporâneo e capitaneado pelo jornalista e crítico de cinema Fernando Albagli, que trabalhara durante um bom tempo no Jornal do Brasil. A primeira edição dessa nova encarnação da revista Cinemin chegou às bancas em Novembro de 1982, anunciada como “a revista da sétima arte”. Foi o ano em que o Brasil perdeu a copa da Espanha, a Inglaterra venceu a Argentina na guerra das Malvinas e o nosso país açoitado por dívidas com o FMI vivia a primeira eleição direta para governador marcando o início de uma redemocratização. Para mim, em plena adolescência alimentada por filmes na TV e nos cinemas,  o mais importante era ter contato com todo um universo que me encantava.

Fernando Albagli, a alma da Cinemin

Fernando Albagli, a alma da Cinemin

A principio, a revista oscilava entre uma periodicidade ora bimestral ora trimestral até maio de 1985 (edição número 14 trazendo Fred Astaire & Ginger Rogers na capa) quando passou a mensal, ainda que eventualmente motivos de força maior a fazia pular um mês, mas voltando sempre a regularidade de mês a mês. Cinemin foi pioneira em seu trabalho, teve concorrentes na sua área de atuação, mas nenhuma que fizesse um trabalho tão bem feito informando, divulgando, fazendo história já que a Cinemin testemunhou o nascimento do mercado de home-video com a chegada do vídeo-cassete, que levou a magia do cinema para uma nova geração. Fernando Albagli editava a revista com a paixão impressa em cada página e acompanhada de um time de ouro que dividia com ele o mesmo amor : Antonio Carlos Gomes de Mattos (que eu já conhecia da revista “Amigão”, encarte da Amiga Tv Tudo que tratava de cinema e TV) , João Lepiane,  Luiz Saulo Adami, Gil Araujo, Salvyano Cavalcanti entre outros.

cinemin fantastic

POR DENTRO DA REVISTA.  Eu devorava a “Galeria das Estrelas” que mês a mês trazia a vida dos artistas que pertenciam ao meu panteão de admiração e adoração : James Stewart, Spencer Tracy, Cary Grant, Barbara Stanwyck, Greta Garbo, Tyrone Power, Ingrid Bergman e muitos outros. Para mim, era como se eu estivesse temporariamente transportado para Hollywood, visitando a calçada da fama. Outra seção que eu adorava era “Isto não é fita… é fato” que trazia diversas curiosidades sobre os bastidores dos filmes e sobre as personalidades (atores, diretores e produtores) fora dos holofotes. A revista jamais ficava restrita a um único assunto, sendo assim além de Hollywood, a Cinemin falou de Neo Realismo, Novelle Vague, festivais nacionais (Riocine, mostra São Paulo, festival de Brasilia), expressionismo alemão, coadjuvantes notáveis, os seriados do cinema, enfim a lista é grande. Várias entrevistas foram publicadas e o Gil Araújo fazia uma ponte entre o leitor e a revista respondendo tudo o que perguntassem. Lembro de alguns artigos que considero os melhores (e olha que a escolha é difícil) : Os maiores espadachins das telas, os grandes seriados da TV, Hitchcock & Stewart : A essência do suspense, os maiores cowboys das telas, galeria do horror etc.. Ocasionalmente, a Ebal também publicou a edição especial “Cinemin Fantastic” centrada no universo dos filmes de terror e ficção científica (outro pioneirismo imitado depois por outras editoras). A primeira edição trazia uma painel da ficção cientifica no cinema e a melhor reportagem sobre os filmes de 007 até o último então que marcava a despedida de Roger Moore.

cinemin hithc

O FIM. Uma vez que a Cinemin reverenciava o passado sem nunca virar as costas para o presente ou o futuro, por volta do número 63 ou 64, quando a revista voltou a circular bimestralmente,  começou uma série de artigos entitulada “Stars 90” falando da carreira de Julia Roberts, Demi Moore entre outros talentos que despontavam nas telas. Lamentavelmente, a revista deixou de circular depois da edição 86, datada de outubro de 1993, depois de cerca de 70 mil exemplares vendidos sem ter o luxo de anunciantes que patrocinassem a revista, um feito e tanto no mercado editorial brasileiro. Tenho várias, mas sucessivas mudanças de endereço e empréstimo a algumas pessoas diminuíram meu acervo. Frequentemente releio minhas Cinemins e o que encontro nela, site nenhum ou livro nenhum consegue se igualar. Saudades ficaram e a esperança de que um dia uma publicação (real ou virtual) consiga fazer pela nova geração de cinéfilos o que a Cinemin soube fazer pela minha, pois o show deve continuar. Obrigado, Fernando Albagli e equipe ! Obrigado Adolfo Aizen !

ESTREIA DA SEMANA: EM CARTAZ – VELOZES & FURIOSOS 7

Velozes e Furiosos 7

Chegou a hora da despedida dos fãs e esse é exatamente o tom do sétimo filme dessa popular franquia que já anunciou que vai continuar mesmo com a morte de Paul Walker no final de 2013. É claro a aventura é movimentada e divertida e se beneficia do carisma do elenco: Vin Diesel, Jordana Brewster, Michelle Rodriguez, Dwayne Johnson, Tyrese Gibson e os recém chegados Jason Statham e Ronda Rousey, essa em participação menor. Não vou contar nenhum spoiler embora muito já tenha sido divulgado sobre a história e seu desenrolar, o que inclui o que todos querem saber: Como será o canto do cisne de Paul Walker. Sabe-se que ele deixou a maior parte de suas cenas prontas, mas para concluir sua participação de forma honrosa foram chamados seus irmãos Cody e Caleb Walker que emprestaram seus corpos enquanto o computador fez o resto, ou seja, um recorte digital do rosto de Paul mesclado a várias cenas que preenchem o que faltou filmar. A ideia que fica clara é o tom respeitoso ao falecido astro e o sentimento de seus colegas de cena que carregam em várias sequências o tom amargo da saudade. Algumas das falas deixam o espectador com um bolor preso à garganta quando, por exemplo, Bryann O’Connor diz a Mia (Brewster) que é preciso seguir em frente, como se o ator se despedisse de seu público.

paul-walker

Os fãs não terão, no entanto, do que reclamar da ação. Tem carro colidindo com helicóptero, carro saltando de um prédio para outro e até mesmo caindo de paraquedas, tudo muito longe de qualquer verossimilhança, mas divertido de se ver. Uma das sequências que vão chamar a atenção está a luta entre Letty (Rodriguez) e a segurança interpretada por Ronda Rousey, aquela mesma que já foi campeã de MMA e trabalhou em “Os Mercenários 3”, e isso usando vestido de gala e sapato alto.  Chama a atenção também a presença de um veterano, Kurt Russell (o Cobra Plisken de “Fuga de Nova York”) como um homem misterioso que se propõe a ajudar Dominic Toretto (Diesel) e sua equipe contra a vingança de Ian Shawn (Statham), o vilão da vez que é irmão do personagem de Luke Evans no filme anterior.

Mi Ro

Enfim, diversão não falta e os fãs da franquia certamente estão curiosos para saber os caminhos que os produtores vão seguir em um oitavo filme para se manter ainda mais veloezes e …. bem, entenderam.