MEMÓRIAS DE UM CINÉFILO : AS REFILMAGENS

O novo Poltergieist (sem Carol Anne)

O novo Poltergieist (sem Carol Anne)

A recente estreia de Poltergeist nos cinemas é apenas mais uma entre tantas refilmagens que têm chegado aos nossos cinemas. Geralmente, quando este é o assunto, criamos o bloqueio imediato de nos apegar ao filme original, uma automática busca pelo que já ocupa nossa memória afetiva. Lembro que a primeira refilmagem a que assisti nos cinemas foi “A Mosca” (The Fly) de 1986. Eu conhecia o filme original, entitulado “A Mosca da cabeça branca” , das incontáveis reprises de Tv que eu acompanhava (uma época sem TV por assinatura, mas que era melhor em muita coisa). A premissa básica era a mesma uma máquina de teleporte (antigo sonho da ciência), criada por um cientista acidentalmente funde seu corpo à cabeça de uma  mosca que inadvertidamente entra na máquina. Contudo, sua aparência horrenda só surge no final do filme quando sua esposa o confronta. Na nova versão, Jeff Goldblum é o cientista gradativamente metamorfoseado em uma mosca humana diante dos olhos do público. A impressionante maquiagem (a cargo de Chris Wallas) e os efeitos especiais surgiram em um momento de maior apuro técnico, consagração do cinema-nojo, mas com um roteiro bem escrito capaz de valorizar as atuações do trio central (Jeff Goldblum – Geena Davis – John Getz).

A transformação de Jeff Goldblum  na mosca de 1986.

A transformação de Jeff Goldblum na mosca de 1986.

Essa capacidade de melhorar uma história já contada é a justificativa para as refilmagens (ou como chamadas em inglês um remake) empregando todos os avanços técnicos e narrativos para reinventar a história ou aproximá-la mais do material original que adapta. Foi assim com Tim Burton quando ele refilmou “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (Willy Wonka & The Chocolate Factory) em 2006. O filme original, estrelado por Gene Wilder, de 1971 marcou minha geração mas nunca agradou Rhoad Dhal, seu autor. O resultado da refilmagem foi respeitoso, mas não tira da memória afetiva a imagem de Gene Wilder, afetuoso e misterioso sem os exageros de Johnny Depp. Contudo, resultado oposto foi alcançado pelo mesmo Tim Burton quando, em 2001, refilmou o clássico de Pierre Boulle “O Planeta dos Macacos” (The Planet of The Apes). Apesar de uma elogiosa maquiagem e de um bom elenco com destaque para Tim Roth, o filme de Tim Burton é insosso, não empolga e está muito longe do impacto original sem despertar as mesmas discussões filosóficas que instigaram gerações que viram o filme estrelado por Charlton Heston, esmurrando o chão da praia em frente da estátua da liberdade.

Dracula nenasceu mais fiel às suas origens literárias nas mãos de Coppola.

Dracula nenasceu mais fiel às suas origens literárias nas mãos de Coppola.

Desnecessário foi a refilmagem de “Psicose” (Psycho) feita por Gus Van Sant em 2000. Apesar de certa reverência ao original já que o diretor seguiu passo a passo, cena a cena, as mesmas tomadas, os mesmos ângulos de câmera. Mas faltou o principal em um filme de Alfred Hithcock … o próprio Hitchcock. A prova disso é que o mestre do suspense conseguiu o feito extraordinário de refilmar a si mesmo : Em 1934 filmou “O Homem que Sabia Demais” (The Man Who Knew Too Much) sobre uma conspiração de assassinato que inadvertidamente chega ao conhecimento de um médico em férias. 22 anos depois, o mítico diretor trouxe James Stewart e Doris Day para a refilmagem homônima e com resultado impressionante. O próprio Hitchcock declarou “ O primeiro filme foi feito por um amador e o segundo por um profissional.”

Hithcock perfeito

Hithcock perfeito

O mesmo se deu com o diretor Leo McCarey que filmou uma linda história de amor entre um solteirão charmoso e uma mulher comprometida em “Duas Vidas” em 1939. O mesmo diretor trouxe Cary Grant e Deborah Kerr para a mesma história rebatizada como “Tarde demais para esquecer”. Cecil B.De Mille também é outro diretor da Hollywood clássica que refilmou seu próprio trabalho em duas ocasiões bem tecnicamente bem distintas: Em 1923, em plena era do cinema mudo fez “Os Dez Mandamentos” (The Tem Comandments), que refilmou em 1957 já com o recurso do som. Ano passado a história de Moisés foi reinterpretando o mito por traz da fuga dos judeus e das pragas egipcias. Outra reinterpretação que funcionou foi o caso de “A Mumia” (The Mummy) , clássico do terror em 1932 estrelado por Boris Karrloff transformado em uma genérico de Indiana Jones na versão de 2001 estrelada por Brendan Fraser. Já Simon Wells, neto do lendário escritor H.G.Wells dirigiu a refilmagem de “A Máquina do Tempo” em 2003 e conseguiu um elogioso resultado que, se por um  lado jamais tira do imaginário popular o filme original (no caso de 1960), por outro criou um espetáculo atraente para as novas gerações. Diferente totalmente da refilmagem de “O Dia em que a terra Parou” (The Day The Easrth Stood Still), completamente despersonalizada na nova versão estrelada por Keanu Reeves em 2001 e, por isso, muito aquém do filme que o inspirou, um clássico da ficção cientifica da década de 50.

A Maqjuina do tempo recriada pelo neto de H.G.Wells. Na foto o ator Guy Pearce.

A Maqjuina do tempo recriada pelo neto de H.G.Wells. Na foto o ator Guy Pearce.

Concluimos que a refilmagem não é nenhum fenômeno recente, nem estratégia desprezível, mas se não for justificável não chega aos pés do filme que a originou. Tivemos agora a refilmagem de “Poltergeist” que não está despertando o mesmo interesse de antes, e já se anuncia para breve as refilmagens de “Caçadores de Emoção” (Point Break) e “Ben Hur”.  Como veem, muito mais está para vir. Abaixo minha lista pessoal de melhores e piores refilmagens. O que acha ? Concorda ou discorda ? Algum outro título a acrescentar ? Até mesma isto pode ser remade !!

MELHORES REFILMAGENS :

1- A MOSCA (THE FLY) – ORIGINAL DE 1958 REFEITO EM 1986.;

2- O HOMEM QUE SABIA DEMAIS (THE MAN WHO KNEW TOO MUCH) – FILME ORIGINAL DE 1934 REFEITO EM 1956

3- TARDE DEMAIS PARA ESQUECER (AN AFFAIR TO REMEMBER) – FILME ORIGINAL DE 1939 REFEITO EM 1957

4- ONZE HOMENS & UM SEGREDO (OCEAN’S ELEVEN) – FILME ORIGINAL DE 1960 REFEITO EM 2001.

5- DRACULA DE BRAM STOKER (BRAM STOKER’S DRACULA) – FILME ORIGINAL DE 1930 REFEITO EM 1994.

6- O PAI DA NOIVA (THE FATHER OF THE BRIDE) – FILME ORIGINAL DE 1950 REFEITO EM 1991.

7- A GAIOLA DAS LOUCAS (THE BIRDCAGE) – FILME ORIGINAL DE 1978 REFEITO EM 1995.

8- A MÚMIA (THE MUMMY) – FILME ORIGINAL DE 1933 REFEITO EM 1999.

9- O CABO DO MEDO (CAPE FEAR) – FILME ORIGINAL DE 1962 REFILMADO EM 1991.

10- OS INFILTRADOS (THE DEPARTED) – FILME ORIGINAL DE 2002 REFEITO EM 2007.

CENA DE O CABO DO MEDO

CENA DE O CABO DO MEDO

PIORES REFILMAGENS

1- O PLANETA DOS MACACOS (THE PLANET OF THE APES) – FILME DE 196B REFEITO EM 2001.

2- GODZILLA (GODZILLA) – FILME DE 1956 REFEITO EM 1998.

3- O DIA EM QUE A TERRA PAROU (THE DAY THE EARTH STOOD STILL) – FILME DE 1951 REFEITO EM 2001.

4- PSICOSE (PSYCHO) – FILME DE 1960 REFEITO EM 2000

5- O MASSACRE DA SERRA ELETRICA (THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE) – FILME DE 1974 REFEITO EM 2003

6- FOOTLOOSE – FILME DE 1984 REFEITO EM 2011.

7- A HORA DO PESADELO (A NIGHTMARE ON ELM STREET) – FILME DE 1984 REFEITO EM 2001.

8- FAMA (FAME) – FILME DE 1981 REFEITO EM 2012.

9- A HORA DO ESPANTO (FRIGHTNIGHT) – FILME DE 1985 REFEITO EM 2011.

por Adilson Cinema

Um comentário em “MEMÓRIAS DE UM CINÉFILO : AS REFILMAGENS

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