FUTURO REESCRITO : O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 : O JULGAMENTO FINAL

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Sete anos depois do primeiro “Exterminador do Futuro” (Terminator), Arnold Scwarzenegger já havia consolidado sua carreira como astro dos filmes de ação, Linda Hamilton havia estrelado a bem-sucedida série de Tv “A Bela & A Fera” e James Cameron havia realizado “Aliens o Resgate” (Aliens) e “O Segredo do Abismo” (The Abyss). Os efeitos digitais haviam evoluído bastante e muitas das iniciais de Cameron que não puderam ser aproveitadas com o baixo orçamento do filme de 1984 encontrariam agora o momento certo para uma sequência. Era 30 de Agosto de 1991, quase dois meses depois da estreia no circuito norte-americano, o filme chegava às telas brasileiras mas mostrando uma Sarah Connor (Hamilton) encarcerada em um manicômio e torturada por médicos e enfermeiros. Seus alertas de que as máquinas adquirirão consciência e erradicarão o homem da face da Terra são tomadas como delírios de uma louca. Mesmo seu filho John Connor (Edward Furlong), agora com nove anos não lhe dá razão nem ouvidos. É quando o então presente recebe a chegada de ois andróides do futuro,: o modelo T 800 (Schwarzenegger) – o mesmo que no passado tentou matar Sarah, mas agora reprogramado para protegê-la e a John e o modelo mais avançado T1000 feito de metal líquido, capaz de mimetizar qualquer forma e virtualmente indestrutível. A ideia inicial de Cameron era colocar o T 800 e Kyle Reese (Michael Biehn) – do primeiro filme – em papéis invertidos, mas logo foi abandonada por receio de que confundiria o público. Em seguida, pensou-se no cantor Billy Idol para o papel do T 1000, mas este sofreu um acidente de moto que o impediu de assumir o papel que foi para as mãos de Robert Patrick, descoberto depois de uma pequena parte como um dos terroristas em “Duro de Matar 2” (Die Hard 2).

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As filmagens foram longas, levando oito meses para ficarem prontas. O ator Edward Furlong, então com 13 anos apresentou uma diferença no tom de sua voz ao longo desse tempo e precisou ser dublado com exceção da cena em que John e T 800 conversam por que as pessoas choram pois Cameron achou que o efeito dramático seria maior se fosse a voz original de Furlong em contraponto a de Schwarzenegger. No filme, em meio à ação desenfreada em cenas de lutas e perseguição, a narrativa permite o questionamento filosófico sobre o que é o futuro : Existe destino inexorável a ser cumprido ou podemos fazer de fato alguma diferença com nossas escolhas ? O que difere o homem de uma máquina ? Qual o valor da vida humana ? Divagações herdadas de autores como Isaac Azimov e Nietchze, o roteiro de James Cameron e William Wisher Jr consegue eficientemente equilibrar ação e emoção com qualidade técnico assombrosa para a época, a cargo da Industrial Light & Magic.

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A dinâmica entre T 800 e John Connor se transforma ao longo do filme passando de protetor e protegido a um inevitável paternalismo que parece contradizer a guerra homem-máquina. Sarah se reaproxima de John e precisa encarar seu destino bem como decidir quem vive e quem morre quando decide matar Miles Dyson (Joe Morton), o responsável pelo projeto que levará à criação da Skynet, o cérebro eletrônico que dará às máquinas a supremacia global. Mata-lo pode significar o fim do perigo ou simplesmente o adiamento do fim profetizado para 29 de Agosto de 1997 ? Quando assisti ao filme nos cinemas, fiquei intrigado com o fato de que todos os esforços para mudar o que estava para acontecer, mexia com as possibilidades de realidades alternativas, presente e futuro, ecos das fantasias vitorianas de H.G.Wells sobre viajar no tempo para moldar a realidade.  O filme superou o anterior, rendendo o dobro do que custou, recuperando seu custo inicial estimado em    . Foi a primeira vez que uma sequência foi premiada pela Academia, sem que o filme original tenha sido indicado. Ganhou o BAFTA (Oscar Inglês) de melhor som e efeitos visuais, além de 4 Oscars (melhor som, efeitos sonoros, efeitos visuais e maquiagem).

Schwarza e os membros do Guns' n' Roses interpretes da agitada You could be mine na trilha sonora.

Schwarza e os membros do Guns’ n’ Roses interpretes da agitada You could be mine na trilha sonora.

Em um filme de superlativos inflacionado pelo salário de seu astro : Schwarzenegger recebeu $15 milhões de dólares ($21,429 por palavra). Só a icônica “Hasta la vista, baby” garantiu ao austríaco $85,716. Uma curiosidade: Na cena em que Sarah encontra o T 1000 tomando sua forma, o efeito das “duas Sarahs” foi obtido com a ajuda de Leslie Hamilton, a irmã gêmea de Linda. Esta sofreu um revés durante as filmagens : Tendo se esquecido de por fones de proteção nos ouvidos para uma sequência de explosão, a atriz acabou perdendo definitivamente parte de sua audição. Ao final das filmagens, Linda e James Cameron iniciaram um relacionamento que levou ao nascimento de uma filha. Após alguns anos o casal se separou e Linda obteve, como parte de seu acordo de divorco, os direitos sobre a franquia “Exterminador do Futuro” que logo vendeu, e por isso, Cameron nada teve a ver com as sequências posteriores realizadas em 2003 e 2008, bem como no novo filme que se aproxima e que usará o sugestivo subtítulo “Genesys”. Nada mais precisa ser dito além de : ELE VAI VOLTAR !!!!