BOND 12 : 007 SOMENTE PARA SEUS OLHOS

Depois de 4 filmes consecutivos de Roger Moore como James Bond, o público começava a se cansar do clima de deboche que diluía demais as tramas dos filmes. Na verdade, o próprio Roger Moore nitidamente se levava nada a sério na figura de um super-espião, transformando-o em um bon-vivant que, casualmente salvava o mundo. O ator repudiava qualquer cena que mostrasse Bond matando a sangue frio. No início da década de 80, Broccoli – agora com o comando absoluto dos filmes – decidiu fazer uma aventura mais séria, com o pé no chão, se aproveitando  de um dos contos do 8º livro escrito por Ian Fleming, lançado originalmente em 1960.Este foi o primeiro de duas coletâneas de contos de 007, dos quais os roteiristas Richard Maibum e Michael G.Wilson se aproveitaram dos contos “For Your Eyes Only” (o assassinato dos Havelock e a busca de vingança de sua filha Judy), e “Rísico” (o vilão Kristatos e o contrabandista Colombo).

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No filme, o casal de arqueólogos gregos, os Havelock, auxiliam o governo britânico a localizar o ATAC, um moderno aparelho comunicador capaz de controlar mísseis nucelares. São assassinados e sua filha Melina (Judy no livro) se junta a Bond em sua busca de vingança contra o vilão Kristatos, um agente duplo que planeja vender o ATAC a quem pagar mais. Desde a década anterior, Broccoli tentava entrar em acordo com Kevin McClory que tinha os direitos autorais de Brofeld e da Spectre, elementos dos livros de Bond que criara em conjunto com Ian Fleming. O letígio entre Fleming e McClory deu a este último a palavra final sobre a utilização desses elementos e ainda o direito de refilmar “007 Contra a Chantagem Atômica”, o que viria a acontecer nos anos seguintes. Não chegando a um acordo, Brocolli apenas deixa insinuar que o vilão morto por Bond no início do filme é Brofeld, através da aparência física, mas sem jamais usar o nome. Bond também visita o túmulo de Tereza, sua esposa morta em “007 A Serviço de Sua Majestade”. O vínculo criado entre os filmes já aponta que o roteiro leva Bond por uma narrativa mais séria, ao som da canção tema cantada pela cantora Sheena Easton.

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MELINA NÃO ERA APENAS MAIS NOVA QUE BOND MAS ERA DURONA E VINGATIVA.

No elenco, Roger Moore já demonstrava estar cansado do papel, mas renegociou seu contrato por uma valor nunca revelado. A atriz francesa Carole Bouquet, então com 24 anos, fez uma Bondgirl mais ativa na ação, independente do heroico super-espião. Curiosente, no filme Bond dispensa os avanços sensuais de Bibi (a atriz e patinadora profissional  Lynn Holly Johnson)  que era, na verdade, apenas um ano mais nova que Bouquet, ambas mais novas que o já cinquentão Roger Moore.  A personagem da Contessa Lisl era interpretada por Cassandra Harris, na época casada com o futuro James Bond Pierce Brosnan. Cassandra morreu pouco depois de câncer, o mesmo mal que consumira o ator Bernard Lee, o M que por isso não aparece no filme, sendo este o único filme de Bond sem o personagem. Broccoli o homenageou alegando que M estava de ausente devido a uma licença.

ROGER MOORE PASSPOU MAUS BOCADOS POR SEU MEDO DE ALTURA AO FAZER ESSA CENA AINDA QUE TENHA TIDO DUBLÊ.

ROGER MOORE PASSOU MAUS BOCADOS POR SEU MEDO DE ALTURA AO FAZER ESSA CENA AINDA QUE TENHA TIDO DUBLÊ.

O filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria, rendendo mais que o dobro de seu orçamento estimado de $ 28 milhões, chegando a mais de $ 100 milhões internacionalmente, o que salvou o estúdio da United Artists que estava às portas da falência depois do fracasso de “O Portal do Paraíso” (Heaven’s Gate) de Michael Cimino). De qualquer forma, o filme funciona, tem um roteiro envolvente e ótima performance de Roger Moore, sendo superior ao filme anterior “007 Contra o Foguete da Morte” e ao filme seguinte “007 Contra Octopussy”. Quase que “007 Somente Para Seus Olhos” (For Your Eyes Only) foi dirigido por Steven Spielberg, que chegou a conversar com Broccoli. No entanto, este recusou as investidas de Spielberg alegando que queria manter um diretor britânico para a série. Foi com a recusa amarga que Spielberg juntou-se a George Lucas para criar Indiana Jones. Isso é claro é outra história.

BOND VOLTA AO BLOG EM SEGUIDA COM “007 CONTRA OCTOPUSSY”

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GALERIA DE ESTRELAS: UM ANO SEM ROBIN WILLIAMS

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Em 1993, quando Steven Spielberg filmava “A Lista de Schindler’ (Schindler’s List), muitas vezes o clima no set de filmagem era deprimente. Para animar elenco e equipe técnica, Spielberg pediu ao amigo Robin Williams que, por telefone, contasse piadas, colocados nos alto falantes do estúdio que instantaneamente ganhava uma nova luz. Assim era Robin McLaurin Wiliams capaz de humor contagiante, envolvente e imprevisível. Foi assim que, no início de sua carreira,  foi escolhido para o papel do alienígena Mork: Williams se apresentou para a entrevista e se sentou de cabeça para baixo. O produtor Gary Marshall, tempos depois, declararia “Williams foi escolhido porque foi o único alienígena que apareceu”.

Robin Williams jovem

São muitas as histórias a serem contadas que dão um lampejo de um dos atores mais amados, da recente história de Hollywood, e para mim um ídolo cuja energia em cena sempre foi maior que nossas debilidades mundanas, ou que os demônios pessoais que Williams carregava dentro de si. Nascido em Chicago, Illinois em 21 de Julho de 1951, filho de uma modelo e um executivo da Ford. Robin Williams deixou a faculdade de ciências políticas para estudar teatro na Julliard School onde ficou amigo de Christopher Reeve (o Superman) , guiado por seu espírito inquieto e uma habilidade de encontrar o humor no cotidiano. Logo após concluir o curso, começou a se apresentar em stand-up comedies em clubes noturnos. Foi nessa fase de sua vida que foi escalado para o papel de Mork, a principio como convidado na série de Tv “Happy Days”, em dois episódios, e em seguida estrelando sua própria série “Mork & Mindy” (1978-1982) ao lado de Pam Dawber. Já mostrava então ser uma força irrefreável de humor pois improvisava em cima do texto o tempo todo, admitindo tempos depois que seguia os passos de seu ídolo, o comediante Jonathan Winters.

MORK & MINDY

MORK & MINDY

Williams era uma energia indomável e imprevisível em cena:  Bebía com o dedo mergulhado no copo, flutuava  e cumprimentava usando os dedos da mãos na horizontal abertos em V (Williams era fã de Star Trek e copiou a saudação orkana da saudação vulcana) e dizendo “Nano Nano”. O sucesso da série e a atuação incontrolável de Williams levaram os produtores a reservar partes dos scripts dos episódios sem nada escrito para que Williams improvisasse. Muitas das vezes era tão inesperado que a atriz Pam Dawber quase não conseguia controlar a risada.

BOM DIA VIETNA

BOM DIA VIETNA

Nos cinemas, Williams estreou sob a batuta de Robert Altman na adaptação de “Popeye” em 1980, massacrada pela crítica e mal recebido pelo público. Transitando entre um filme e outro, Robin ganhou projeção internacional e sua primeira indicação ao Oscar quando interpretou o DJ Adrian Cronauer em “Bom Dia Vietnã” (Good Morning Vietnã) em 1985. Apesar de baseado em fatos reais, o verdadeiro Adrian Cronauer declarou posteriormente que ele tivesse feito metade das coisas que aparecem no filme, ele certamente teria ido a Corte Marcial. O fato é que a personalidade irreverente de Williams se sobrepôs ao papel, o que não é nenhum demérito ao filme dirigido por Barry Levinson que deixou marcada a cena em que o ator toca “What a Wonderful World” de Louis Armstrong. Alguns anos depois, veio a segunda indicação ao Oscar e um dos papeis mais emblemáticos de sua carreira, dirigido por Peter Weir, como o professor John Keating que muda a vida de seus pupilos em “Sociedade dos Poetas Mortos” (Dead Poets Society), um filme que quase chegou a ser dirigido e protagonizado por …. Dustin Hoffman. Mais contido em sua atuação, muito em função do doloroso divórcio que o ator atravessava na época, Williams firmou em nosso imaginário uma figura cativante e romântica, incorporação de seu próprio lema “Carpe Diem”.

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

No inicio da década de 90, ele veio a contracenar com Dustin Hoffman em “Hook – A Volta do Capitão Gancho” (Hook) de Steven Spielberg. Foi o próprio Spielberg quem declarou, na época, que Robin Williams foi o escolhido para o papel de Peter Pan porque possuía um ar de criança. O mesmo fez Coppola que colocou Williams no papel de “Jack”, a história de um menino acometido de uma estranha doença que o fazia envelhecer fisicamente mais rápido. Ainda em 1995, Robin veio em “Jumanji” o papel de Alan Parrish, um menino de 10 anos preso em um jogo de tabuleiro por décadas. Em todos esses papéis Robin parecia encarnar a essência de uma criança que não cresceu, manteve  essa característica sabendo ser convincente e contagiante. O sucesso do ator não foi livre de problemas em sua vida pessoal, já que o uso de álcool e cocaína o levaram a uma crise superada após um período em clínica de desintoxicação. Apesar disso, na frente das câmeras, Robin era a antítese de suas mazelas pessoais, sempre pronto a testar novos desafios: Em 1993, se transvestiu para “Uma Babá Quase Perfeita” (Mrs. Doubtfire) – um de seus maiores sucessos comerciais  agraciado com o Oscar de melhor maquiagem, em 1991 deu vida e sua personalidade histriônica ao gênio da lâmpada na animação da Disney “Alladim”, se conteve mais uma vez em um papel dramático inspirado no Dr.Oliver Sachs  em “Tempo de Despertar” (Awakenings) e ainda encontrou espaço na agenda para fazer papéis menores em filmes dirigidos por Woody Allen (Desconstrunido Harry) e Kenneth Baragah (Hamlet).

UMA BABA QUASE PERFEITA

UMA BABA QUASE PERFEITA

Tanta versatilidade não o livrou de detratores que o acusavam de se repetir muitas vezes como um efeito Mrs.Doubtfire. O ator seguiu em frente:  Não conseguiu viver um vilão dos filmes de Batman, como queria, sendo quase escalado para o papel do Charada; mas conseguiu o papel de robô que quer ser humano na adaptação do conto “O Homem Bicentenário” (Bicentennial Man) de Isaac Azimov, de quem era grande fã. Também teve sucesso na refilmagem de Mike Nichols para “A Gaiola das Loucas” (The Birdcage) fazendo o papel que havia sido de Ugo Tognazzi no filme original. Em 1998, ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante em “Gênio Indomável” (Good Will Hunting), uma atuação mais intimista mas igualmente envolvente. Em 2001, deu uma divertidíssima entrevista para James Lipton no “Inside the Actor’s Studio” onde demonstrou sua tour-de-force como habilidoso one man show disparando piadas na mesma medida que falava de sua vida e carreira, contou inclusive que começou a fazer humor quando criança contando piadas para sua mãe como forma de chamar sua atenção. Seu estilo demolidor e elétrico transformou o programa em um standup comedy.

HOMEM BICENTENARIO

HOMEM BICENTENARIO

No início dos anos 2000 foi a um extremo oposto  vivendo o assassino de “Insomnia” ao lado de Al Pacino com direção de Christopher Nolan e um psicopata em “Retratos de uma Obsessão” (One Hour Photo). Quando seu amigo de juventude Christopher Reeve sofreu o acidente que o deixou tetraplégico (O filho mais velho de Williams chegou a dizer que ambos pareciam irmãos), Robin incorporou o papel que vivera em “Patch Addams – O Amor é contagioso” (1998) entrando no quarto de Chris disfarçado de médico e despejando toda sua comicidade, fazendo Chris rir pela primeira vez. Esse aspecto de sua personalidade era inspirador, pois apesar de enfrentar seus próprios demônios, incluindo se separar de sua segunda esposa em 1999, Robin era uma irrefreável força da natureza disposto sempre a tornar o mundo melhor através de seu senso de humor. Não a toa, Ben Stllier o convidou para o papel de Ted Roosevelt em “Uma Noite no Museu” (A Night At The  Museum) onde roubava a cena constantemente. Apesar de tantos prêmios como Oscar, Golden Globe, Screen Actors Guild, Emmy e até mesmo o Grammy, o ator sofreu quando sua volta a TV na serie “The Crazy Ones”, onde contracenava com Sarah Michelle Gellar, foi cancelada após uma temporada entre 2013 e 2014. Seu estado depressivo  se intensificara muito. Estava casado pela terceira vez com Susan Schneider e tinha ao todo três filhos quando se suicidou em sua casa na California em Agosto de 2014, pouco depois de ter completado 63 anos. Irônico fim se lembramos que o ator protagonizou  o emotivo  “Amor Além da Vida” (What Dreams May Come) que trata do suicídio e da vida após a morte de forma poética, seguindo os preceitos espíiritas. A melhor forma de celebramos seu nome é através de seus filmes, um legado impresionante cujo epitáfio aqui no blog são as palavras abaixo de poema de Henry Thoreau recitado em “Sociedade dos Poertas Mortos”:

AMOR ALEM DA VIDA

AMOR ALEM DA VIDA

“Fui a floresta porque queria viver deliberadamente e sugar toda a essência da vida, … para que quando minha morte chegasse, eu não descobrisse que não vivi”

Com Você Robin, todos fomos à floresta. Descanse em paz, o meu Capitão”

ESTREIAS DA SEMANA: EM CARTAZ A PARTIR DE 20 DE AGOSTO DE 2015

LINDA DE MORRER

linda de morrer

Bra. 2015. Dir: Cris D’Amato. Com Gloria Pires, Angelo Paes Leme, Antonia de Moraes, Suzana Vieira. Comédia. Cirurgiã obsecada em descobrir a cura para a celulite injeta em si própria uma formula experimental e morre em consequência disso. Seu espírito descobre os riscos do produto que está para ser comercializado e tenta impedir isso com a ajuda de um médium. Gloria e Antonia, que vivem mãe e filha no filme, são mãe e filha na vida real. O filme é da mesma diretora de “SOS Mulheres ao mar”.

O PEQUENO PRÍNCIPE

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The Little Prince. EUA 2015. Dir: Mark Osbourne. Vozes: Mackenzie Foy, James Franco, Albert Brooks, Rachel McAddams, Marion Cotillard. Animação. Obra prima da literatura escrita pelo francês Antoine de Saint-Exupery, a história do menino de outro planeta que ajuda um piloto que caiu no deserto do Saara é rica em metáforas sobre a infância, a imaginação, o amor e outros conceitos que despertam as mais variadas interpretações. Essa riqueza torna o livro de Saint-Exupery um dos mais lidos e traduzidos do mundo. Uma obra superlativa já levada às telas outras vezes, sendo a mais famosa a versão de 1974 com Gene Wilder e Bob Fosse. O diretor, o mesmo de “Kung Fu Panda”, traz os atores Marcos Caruso e Larissa Manoela na dublagem brasileira. A animação é uma boa pedida para quem não conhece a obra ainda que a adaptação não seja tão fiel ao material original e com a introdução de um personagem que não tem no livro e que ganha o espaço de protagonista ao descobrir a história do pequeno príncipe que nos mostrou, para quem leu o livro, que o essencial é invisível aos olhos.

EXORCISTAS DO VATICANO

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The Vatican Tapes. EUA Mark Neveldine. Com Olivia Taylor Dudley, Djimon Hounsou, Michael Peña, Dougray Scott. Bruno Gunn. Terror. Na tentativa de exorcisar mulher possuida, dois padres do Vaticano acabam por despertar um mal secular que ameaça o mundo. Filme na linha de “O Exorcista” que em 2009 chegou a ser considerado um dos melhores roteiros não filmados em Hollywood. O diretor, o mesmo de “Adrenalina”, e o roteirista (o mesmo de “Velozes e furiosos 7” tentam inovar na abordagem do tema batido mas não foge dos clichês deste. Curioso para quem gosta muito do gênero.

IN MEMORIAN : YVONNE CRAIG

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Faleceu nesta última segunda-feira (dia 16 de Agosto) a atriz norte-americana YVONNE CRAIG. Recebi a noticia com a tristeza de quem perdeu alguém uma amiga de infância. YVonne foi a Batgirl do seriado dos anos 60 e entrou para a série de Tv “Batman” por um breve período, apenas a 3ª temporada. Também trabalhou ao lado de Elvis Presley no filme “Com Caipira Não se Brinca” (Kissin Cousins) de 1964 além de ter participado de diversos seriados de TV como “Jornada nas Estrelas”, “Missão Impossivel” etc… Yvonne Joyce Craig nasceu em 16 de Maio de 1937 e tinha 27 anos na época em que viveu Barbara Gordon, a filha do Comissário de Polícia de Gotham City que se torna ajudante da dupla dinâmica. Yvonne tinha graça nas cenas de luta, auxiliada pelo passado como bailarina.

Estava afastada da carreira artística desde o inicio da década de 80 e sempre foi reservada em sua vida. Nunca teve filhos, já tendo namorado o ator Bill Bixby (de O Incrivel HULK). Yvonne sofria com o câncer de mama que se espalhou pelo fígado vitimando a bela atriz cujas curvas generosas naquele uniforme de Batgirl marcaram a infância de marmanjos como eu. Saudades eternas e que descanse em paz.

TRAILLER : VICTOR FRANKENSTEIN

Chega às nossas telas em breve a reinterpretação do obra prima de Mary Shelley estrelada por James MacAvoy (X Men Dias de Futuro Esquecido) e Daniel Radcliffe (Harry Potter) respectivamente como Victor Frankenstein e Igor. A produção da 20th Century Fox não é a primeira nem a última a abordar a história do  cientista que desafia a ordem natural da vida para vencer a própria morte. Em breve, a Universal promete fazer a sua nova versão da obra como parte de um universo compartilhado de monstros clássicos, Enquanto isso, eis o trailler do filme dirigido por Paul McGuigan e que estreia por aqui em 26 de Novembro desse ano.

MEMORIAS DE UM CINÉFILO : A REVISTA SET CINEMA & VIDEO

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PRIMEIRA EDIÇÃO DE JULHO DE 1987. A REVISTA DEIXOU SAUDADES.

Em Julho de 1987, eu estava completando 18 anos quando passei por uma banca de jornal e conheci a revista SET CINEMA & VIDEO. Na capa, o ator Mickey Rourke, apontado como símbolo daquela geração, com um ar contestador que invocava Marlon Brando emulado fosse no papel de rebelde em “O Selvagem da Motocicleta” (Rumble Fish) de Francis Ford Coppola ou como sedutor em “9 Semanas e Meia de Amor” (9 1/2 Weeks). Contudo, Rourke aparecia na revista não apenas por seu promissor currículo mas principalmente por estrelar “Coração Satânico” (Angel Heart) de Alan Parker, ao lado do monstro sagrado Robert DeNiro. Aquela primeira edição era, assim como Rourke, uma grande promessa para aquele final da década de 60. Em uma época em que a Internet não existia, SET trazia informações apuradas de Hollywood: Notícias do que rolava de projetos e filmes vindouros (a seção Takes), os lançamentos nas telas, um elogioso ensaio fotográfico da belíssima Natassja Kinski entre outras surpresas, com texto bem escrito e admirável resolução gráfica. Outro atrativo de SET foi o início de uma coleção de fichas técnicas que traziam de um lado a reprodução de posters de filmes com informações técnicas e curiosidades no verso.

O embrião da revista SET surgiu na verdade como uma seção interna de outra revista que vendia bastante naquela segunda metade da década de 80: BIZZ, voltada para os astros POP da música. Alex Antunes (Hoje blogueiro do Yahoo Brasil) e Marcel Plasse (hoje editor do site “Pipoca Moderna”) foram os editores originais da SET pela Editora Azul (subsidiária da Editora Abril) pela qual circulou mensalmente por 11 anos. Outro mérito da revista foi explorar o BOOM do home video. A primeira edição, por exemplo, trazia uma seleção de 100 videos imperdíveis que foram seguidos, nas edições subsequentes, por seleções de outros gêneros que chegavam às locadoras que se multiplicavam pelo país naquela época em que éramos governados pelo primeiro presidente civil em muitos anos. SET abraçava as novidades na mesma forma que reverenciava o passado com a seção MITOS, mostrando uma breve trajetória dos grandes nomes da Hollywood clássica com uma filmografia nas páginas finais, encerrando as edições com belas fotos de página inteira como Rita Hayworth (que falecera no ano de nascimento da revista) além de Marilyn Monroe, Marlon Brando entre outros.

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Em 1998, a revista passou para a Editora Abril entre 1998 e 1999, passando para a Editora Peixes em seguida, onde foi publicada pelos 10 anos seguintes. Nessa altura, a revista já havia passado para o editor Roberto Sadovsky. A Revista já havia passado por uma reformulação visual por volta de 1991, época do lançamento de “A Familia Addams”, “True Lies” e “O Fugitivo”, mas preservou em sua páginas a seção “Hollywood Boulevard” escrita pela maravilhosa e saudosa jornalista Dulce Damasceno de Britto, que viveu a era de ouro de Hollywood, tendo entrevistado vários mitos do cinema.

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SET foi testemunha de várias mudanças na forma de se assistir filmes: O advento do VHS, a chegada do DVD, da Tv por assinatura, o Blu-Ray, o fim das locadoras com a popularização dos downloads. Quem lia a SET acompanhou todas essas  mudanças em paralelo ao avanço técnico dos filmes com a tecnologia digital. Contudo, o mercado editorial mudou muito ao longo dos anos e SET foi perdendo espaço frente à informação instantânea trazida pelos sites da internet. Os clássico foram reduzindo seu espaço em favor de uma linguagem mais “pop”, mais “teen” na escolha das matérias e entrevistas publicadas. Ainda assim, continuei a ler a revista, mesmo depois que em seu período terminal, a revista passou a ser publicada pela CBM (do Jornal do Brasil) editada por Mario Marques, e finalmente de volta para Roberto Sadovsky pela Editora AVEC. em uma fase de periodicidade irregular que teve seu canto do cisne em Novembro de 2010, quando a revista deixou de circular definitivamente. Lamentável fim para uma publicação de grande importância para o meio.

POSTER : STAR WARS EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA

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Divulgado na D23 EXPO o cartaz criado pelo artista Drew Struzan para o novo filme da saga que dá continuidade aos eventos após “O Retorno de Jedi” que encerrara a trilogia clássica. Struzan é um renomado ilustrador já tendo elaborado cartazes para os outros filmes da saga além de outros filmes como “Blade Runner”, “Indiana Jones” e “Harry Potter”.

MISSÃO: IMPOSSÍVEL – ADEUS MR.PHELPS, OLÁ MR.HUNT

Assisti ao seriado “Missão: Impossível’ na Rede Bandeirantes no final dos anos 70. Foi hipnotizado pelo som do tema do musico argentino Lalo Schifrin que provoca tensão crescente a medida que um pavio de pólvora vai chegando a um explosivo fim. Se você acha que conhece a história, está enganado. A série de TV original, que estreou em setembro de 1066, girava em torno de uma equipe de contra-espionagem convocada para missões de alta periculosidade que o governo mantem como desconhecida. A partir daí, série e filmes não poderiam ser mais diferentes.

A SÉRIE ORIGINAL

A SÉRIE ORIGINAL

Criada por Bruce Gellar e gravada nos estúdios da Desilu (de Lucille Ball & Desi Arnaz) para a CBS, “Missão Impossível” era centrada em um trabalho de equipe. Apesar de liderada por Dan Briggs (Steven Hill na 1ª Temporada) e Jim Phelps (Peter Graves a partir da 2ª temporada), cada agente tinha sua especialidade e seu grau de importância dentro da história. A figura do líder foi trocada depois de constante insistência da CBS que não concordava com a escolha de Steven Hill para o papel. Além disso, Hill se recusava a trabalhar nos finais de semana pois, como Judeu ortodoxo, isso contrariava sua religião. A figura de Peter Graves ficaria eternamente associada à Missão Impossível ao longo de suas 7 temporadas, e mesmo 15 anos depois de seu cancelamento Graves voltou ao papel quando a série ganhou uma nova roupagem, ainda que breve.

A PRIMEIRA EQUIPE NA TV

A PRIMEIRA EQUIPE NA TV

Entre os agentes da IMF havia um mestre dos disfarces (Martin Landau, depois substituído por Leonard Nimoy), uum perito em eletrônica (Greg Morris), uma mulher sedutora (Barbara Bain, que era casada com Martin Landau, depois substituída por Leslie Ann Warren), um eficiente galã faz tudo (Peter Lupus) entre outros escolhidos de acordo com a missão e que acompanhavam as mudanças de temporada como Sam Elliot, Linda Day George, Lee Merriwether  e Barbara Anderson. Não havia, portanto, a figura de um super agente central nas tramas. Estes não possuíam passado, envolvimentos passional nem moralidade nas ações executadas. Todos os meios eram justificáveis para se concluir a missão, fossem meios legais ou ilegais. Não havia muita ação física, pois o foco era maior na tensão psicológica envolvendo os agentes e seus alvos, estes encurralados de tal forma que muitas vezes as intenções não eram muito claras. A série foi um marco na dramaturgia televisiva do gênero e foi tão impactante justamente porque nada igual existia no ar naquela época. Durante algum tempo vários projetos para adaptá-la na forma de longa-metragem naufragaram, ao menos até ter seus direitos comprados por Tom Cruise.

CENA MEMORÁVEL DO PRIMEIRO FILME DE 1996

CENA MEMORÁVEL DO PRIMEIRO FILME DE 1996

Entre o fim dos anos 80 e inicio dos anos 90, “Os Intocáveis” e “O Fugitivo”, duas séries de Tv extremamente populares haviam se tornado bem sucedidas adaptações para o cinema. Tom Cruise chamou Brian de Palma (diretor do primeiro) para comandar o filme “Missão Impossível” (1996), que veio a ser roteirizado por David Koepp e Robert Towne. Este, no entanto, transformou o que era um contra-golpe em um “One Man Show”, uma variação do super agente secreto tendo Ethan Hunt (Cruise) como uma variação de James Bond, único sobrevivente de sua equipe, eliminada durante missão na Embaixada de Praga. O que mais desagradou aos fãs da série original, no entanto, foi transformar Jim Phelps (Jon Voight) no vilão da trama. Peter Graves e Greg Morris, convidados a fazer uma aparição no filme, recusaram e repudiaram as mudanças no status quo de personagens icônicos.

O SEGUNDO FILME NA VISÃO POP DE JOHN WOO

O SEGUNDO FILME NA VISÃO POP DE JOHN WOO

Apesar disso, o filme tornou-se um sucesso de bilheteria, custando $80 milhões e faturando $180 milhões no ano de seu lançamento. A sequência de Tom Cruise  invadindo as instalações da CIA pendurado por cabos foi visualmente memorável e realizada com o próprio ator que usou moedas nas botas para equilibrar o peso e evitar de constantemente bater a cabeça. A trama confusa demais foi bastante criticada, e por isso, quando Cruise e sua sócia Paula  Wagner encomendaram uma sequência, quatro anos depois, decidiram por uma narrativa mais simplificada, calcada na mesma premissa de “Interlúdio’ (Notorious) do mestre Alfred Hithcock. Em “Missão Impossível 2” (2000) Ethan Hunt é enviado atrás de um agente renegado da IMF com ajuda de uma ladra charmosa (Thandie Newton) para evitar a dissiminação de uma arma biológica mortífera. Devido ao cronograma das filmagens, dirigida por John Woo, o ator Dougray Scott que fazia o vilão não pode aceitar o papel de Wolverine em “X Men-O Filme”, que acabou dando oportunidade para Hugh Jackman. A bilheteria ainda maior (em torno de $215 mihões)  não disfarçou o fato de que apesar de toda a ação frenética, o filme nada tem a ver com o espírito da série, sendo ainda mais evidente se tratar de um veículo para o estrelato de Tom Cruise.

O MELHOR FILME

O MELHOR FILME

Disposto que cada filme da franquia venha a ter um diretor diferente, Cruise chamou J.J.Abbrams para comandar “Missão impossível 3” em 2006. Abbrams atenuou a centralização na figura de Ethan Hunt e recompôs a dinâmica de grupo com os personagens de Jonathan Rhys Meyers, Kerri Russell (em papel primeiro oferecido a Scarlett Johansson) e Ving Rhames (o único membro da IMF a aparecer em todos os filmes da franquia. O roteiro de Robrto Orci & Alex Kurtzman recuperou em parte elementos da série na primeira metade, mas entrega no final toda a ação à figura de Hunt que precisa resgatar a amada das mãos do vilão Owen Davian (um excelente Phiilip Seymour Hoffman). O filme é superior aos dois primeiros justamente por recuperar o espirito da série, tendo J.J.Abbrahms convidado Martin Landau para uma participação especial no filme, mas este recusou. Apesar de bem sucedido para um filme de ação, foi a menor bilheteria da franquia com cerca de $134 milhões. Em 2011, Cruise veio com o melhor deles, justamente o quarto filme entitulado “Missão impossível: Protocolo Fantasma” , dirigido por Brad Bird (da animação da Pixar “Os Incríveis”). O roteiro colocava Tom Cruise como o chefe de uma equipe renegada da IMF, dissolvida depois de uma missão desasrosa no Kremilin. Definitivamente, havia algo mais similar a serie de Tv com a equipe de Hunt (Jeremy Renner, Paula Patton e Simon Pegg reprisando o papel que já havia aparecido no filme três) agindo na clandestinidade para evitar uma guerra nuclear. Mais $200 milhões de bilheteria garantiram a volta de Ethan Hunt para o quinto filme e um já anunciado sexto filme que prova que nada é impossível. Para quem, como eu, assistiu à série original não adianta comparar, os filmes de Tom Cruise até funcionam como entretenimento, mas estão longe da essência da série, que era muito melhor e cujos roteiros estavam acima do lugar comum do gênero, inteligentes, criativos, algo quase que impossível de se encontrar atualmente. Abaixo, veja a abertura original da série e conheça o que foi “Missão Impossível”, antes que esse blog se destrua automaticamente.

BOND 11 : 007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE

No final dos anos 70, os produtores desistiram de filmar “007 Somente Para Seus Olhos”, conforme anunciado no final do filme anterior e decidiram que a 11ª aventura de Bond deveria se passar no espaço, isso devido ao novo boom de ficção científica provocado pelo fenômeno “Star Wars”. O único livro de Ian Fleming que se encaixava em uma adaptação dessas era “Moonraker”, escrito em 1955 como a 3º aventura literária de Bond. Contudo, livro e filme seriam completamente distintos um do outro.

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No livro, Bond investiga o desaparecimento de um foguete experimental (muito antes do auge da corrida espacial ou mesmo da missão Apollo 11) que é desenvolvido com o propósito de lançar uma ogiva nuclear para destruir Londres. Contudo, toda a história se passa na Terra e Bond, em momento algum, pisa em um foguete, ou vai ao espaço. No filme, o “Moonraker” é um ônibus espacial norte-americano emprestado aos britânicos que desaparece misteriosamente. A investigação leva Bond às Industrias Drax que pretende lançar um vírus mortal para dizimar a raça humana, salvando apenas aqueles que julgar merecedores para construir um novo mundo. O vilão Hugo Drax (Michael Lonsdale) foi criado por Ian Fleming tendo em mente o vilão Robur do livro de Jules Verne “Master of the World”. Na verdade, a trama é quase uma variação do mesmo tema do filme anterior (007 O Espião Que me Amava) só que trocando o mar pelo espaço na visão megalomaníaca do vilão. O filme ainda traz de volta o capanga Jaws (Dentes-de-aço) que se redime ao final. No livro, no entanto, não tem Jaws, nem a Dra.Holly Goodhead (a Bond girl do livro se chama Gala Brand) e nem tem a passagem de Bond  pelo Brasil.

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ROGER MOORE & LOIS CHILES

Esta foi filmada no Pão de Açúcar onde Bond (Moore) e a Dra.Goodhead (Lois Chiles, que estava grávida na época das filmagens) são encurralados dentro do bondinho, mas escapam da morte certa quando deslizam pelos cabos antes que o terrível Jaws os parta com os dentes. O roteiro de Christopher Wood ainda coloca Bond no meio das ruas cariocas em pleno Carnaval, em uma representação caricatural que em nada colabora para o bom desenvolvimento da trama. A direção ficou a cargo de Lewis Gilbert, que dirigira outros dois filmes da franquia (Com 007 Só se Vive Duas Vezes e 007 O Espião Que Me Amava) e na trilha sonora, Shirley Bassey retorna pela terceira vez para cantar a música-tema (É dela a voz na abertura de Goldfinger e Os Diamantes São Eternos) depois de Frank Sinatra e Johnny Mathis serem inicialmente escolhidos e depois desistirem. Outra quase escolha para gravar a canção tema foi a cantora britânica Kate Bush.

AÇÃO NO PÃO DE AÇUCAR

AÇÃO NO PÃO DE AÇUCAR

Foi o último filme de Bernard Lee como M, o chefe de Bond, que falecera pouco tempo depois antes de se iniciar a produção do filme seguinte. Quando as filmagens de “007 Contra o Foguete da Morte” começaram a NASA ainda não tinha terminado o design do Ônibus Espacial: O Columbia ainda não havia sido construído e o Enterprise ainda faria seu primeiro teste de vôo. O roteirista Tom Mankiewicz chegou a escrever um outro roteiro para o filme, sendo algumas de suas ideias seriam reaproveitadas para “007 Contra Octopussy” e “007 Na Mira dos Assassinos”. O que muitos não sabem é que a atriz brasileira Adele Fátima chegou a filmar como a personagem Manuela, mas teve suas cenas com Roger Moore cortadas e substituídas por Emily Bolton. Segundo algumas fontes, o motivo da troca seria ciúmes da esposa de Roger Moore. Curiosamente, no filme Roger Moore teria uma cena de amor com a atriz francesa Corinne Clery, que interpreta a assistente de Hugo Drax, e que protagonizou o clássico do masoquismo no cinema “A História de O”

HUGO DRAX

HUGO DRAX

Apesar de ser um filme fraco, o filme lucrou bastante, tendo custado em torno de $34 milhões,  mais do que a soma dos 6 filmes produzidos pela EON  e tendo tido um retorno fabuloso na bilheteria mundial de mais de $200 milhões de dólares, números que seriam superados apenas em 1995 com “007 Contra Goldeneye”. Bond retorna dois anos depois em “007 Somente Para Seus Olhos”.

QUARTETO FANTÁSTICO : AS ORIGENS DO UNIVERSO MARVEL

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Em 1961, a HQ de super herói mais vendida era a “Liga da Justiça” da DC Comics. Martin Goodman, então editor chefe da rival Marvel Comics, encomendou a Stan Lee (que considerava seriamente se desligar do ramo) a criação de algo nos mesmos moldes. Lee copiou o formato mas recriou a essência, junto ao desenhista Jack Kirby (o co-criador do Capitão America): Fizeram do grupo de heróis uma família, lhes conferiu poderes baseados nos 4 elementos (terra, ar, fogo e água no caso da fluidez do Senhor Fantástico), desprezou a necessidade de identidades secretas ou máscaras, e – fugindo do maniqueísmo vigente – temperou seus personagens com qualidades e defeitos. Reed Richards (o Senhor Fantástico) é um gênio científico mas sisudo e pouco social, Sue Richards (a Garota Invisível) é uma jovem insegura, seu irmão Johnny Storm (O Tocha Humana, este o segundo personagem a ostentar a alcunha) é um jovem inconsequente e brincalhão e , finalmente o piloto Ben Grimm (o Coisa) que se tornou o personagem mais popular da equipe é um Golem moderno de bom coração mas amargurado por ter a aparência grotesca, um poder que não pode ser desligado ou voluntário.

Primeira edilçao de "Fantastic Four"

Primeira edilçao de “Fantastic Four”

A dinâmica do grupo, contudo, estava longe de ser harmoniosa. Como toda família, os integrantes discutiam, se desentendiam em meio à suas aventuras que iam além de apenas enfrentar o vilão malvado. Lee & Kirby fizeram de seus heróis exploradores de terras inóspitas, planetas alienigenas e dimensões paralelas. Cenários grandiosos saiam de suas mentes na mesma medida que uma profundidade psicológica os tornava fáceis do leitor se identificar. Mesmo seu maior inimigo, o Dr. Destino exibia sua natureza déspota e ambições shakesperianas de poder na mesma medida que um distorcido sendo de honra. Foram lançadas 100 edições de Stan Lee & Jack Kirby à frente do Quarteto Fantástico, em paralelo à criação de todo um universo interligado por outros personagens como Hulk, Homem Aranha etc.. que deram à década de 60 um frescor rejuvenescido para o mercado das histórias em quadrinhos. O que acontecia em uma história deixava raízes a serem desenvolvidas em outras, unificando aquela realidade como algo contínuo, fluído e cujas consequências se faziam ecoar à frente de outros títulos. Essa interação coletiva foi um legado que Lee & Kirby deixaram para as HQs que até hoje ainda é explorada e que o cinema procura emular quando se falar em “universo cinemático”.

Quatro-Fantasticos-1

Depois da saída de Lee & Kirby, o título do Quarteto Fantástico mergulhou em marasmo até o início da década de 80 com a chegada do escritor e desenhista John Byrne. Este levou os personagens a um novo patamar, transformando a agora Mulher Invisivel na personagem mais poderosa da equipe, resgatando o espírito de ficção cientifica das primeiras aventuras da equipe, trocando o Coisa pela Mulher Hulk temporariamente, jogando um novo enfoque na abordagem da vilania de personagens como Dr.Destino e Galactus. Após a saíde de Byrne, diversos artistas tiveram a oportunidade de trabalhar com os heróis : Walt Simonson, Tom DeFalco, Carlos Pacheco, Jim Lee, Mark Miller, Mark Waid, Mike Wieringo e J.Michael Stranczinki. Em tempos mais recentes, o quarteto foi recriado em um universo alternativo chamado “Ultimate” com um Reed Richards retratado mais como um nerd do que um gênio da ciência. Elementos das duas versões: a clássica e o ultimate foram reaproveitados neste novo filme que, na verdade, é a terceira adaptação da equipe fantástica em forma de live-action. Conheças as anteriores :

Primeiro filme de 1994, nunca lançado nas telas.

Primeiro filme de 1994, nunca lançado nas telas.

Em 1994, Roger Corman produziu a primeira adaptação da HQ de Lee & Kirby, dirigido pelo desconhecido Oley Sassone com Alex Hyde White (Reed Richards), Rebecca Stabb (Susan Richards), Jay Underwood (Johnny Storm) e Michael Bailey Smith (Ben Grimm). O filme, de orçamento baixíssimo, nem chegou a ser lançado nas telas e segundo o próprio Stan Lee, em entrevista cedida tempos depois, o filme só foi feito por razões contratuais sem qualquer interesse de ser lançado no circuito comercial. O vilão era o Dr.Destino (Joseph Culp, filho do ator Robert Culp dos seriados de Tv “I Spy” e “Super Heroi Americano”), mas este estava por demais caricatural. Nada no filme funciona e nem mesmo o diálogo como, por exemplo, o Tocha Humana, em determinado momento, exclama “Santo Freud Batman !”. Alem disso, o filme era uma coleção de equívocos fosse no roteiro, na caracterização ou até mesmo nas leis da lógica, mostrando o Tocha Humana interceptando um raio laser, ou seja, mais rápido que a velocidade da luz.

Versão de 2005

Versão de 2005

Em 2015, a Fox, que havia adquirido os direitos de adaptação do “Quarteto Fantástico” foi bem sucedida com um orçamento em torno de US$100.000.000 e dirigido pelo pouco adequado Tim Story. O orçamento, no entanto, dava conta dos efeitos especiais para fazer de Ioan Gruffud o Senhor Fantástico, Jessica Alba a Mulher Invisivel, Chris Evans (antes de se tornar o Capitão America obvio) como o Tocha Humana e Michael Chiklis como o Coisa usando uma desconfortável roupa de borracha para simular o corpo rochoso de Ben Grimm. Julian McMahon (do seriado “Nip/Tuck”) ficou com o papel de Dr.Destino, novamente uma escolha não acertada para um vilão de grande importância nos quadrinhos Marvel.  Suas origens ciganas na região da Latveria (país fictício do leste Europeu) nem sequer são devidamente exploradas e suas motivações são simplificadas apenas como sendo inveja e sede de poder. Ainda assim, dois anos depois a Fox realizou a sequência “Quarteto Fantástico & O Surfista Prateado” com o mesmo diretor e elenco. O filme adapta a sequência de histórias publicada originalmente em “Fantastic Four” #48, #49 e #50 (1965-1966) mas descaracterizando Galactus, o ser que devora mundos. Ainda assim, o filme reserva um bom momento quando, no casamento de Reed e Sue, Stan Lee é barrado apesar de insistentemente dizer que ele é mesmo Stan Lee. Nas HQs o matrimonio aconteceu na edição “Fantastic Four Annual” #3 de 1965 e, tempos depois, o casal teve um filho.

Claro que há muita história a ser contada e pouco espaço que faça juz à importância desses heróis que lançaram as bases para o universo Marvel. Lamentavelmente, recentemente, a Marvel anunciou o cancelamento do título, uma obvia jogada de marketing ou uma medida para não estimular o filme da Fox, rival da Disney que hoje é a dona da editora. De qualquer forma, seja na forma de animações (várias foram feitas incluindo nos anos 60 pelos estúdios Hanna Barbera com arte de Alex Toth), filmes ou em qualquer mídia, o Quarteto tem potencial para novas explorações, novas aventuras, desafios que justifiquem o grito de guerra de  Ben Grimm “TÁ NA HORA DO PAU !”

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 6 DE AGOSTO

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QUARTETO FANTÁSTICO

(FANTASTIC FOUR) EUA 205. Dir: JOSH TRANK. COM MILES TELLER, KATE MARA, MICHAEL B.JORDAN, JAMIE BELL, TOBY KEBELL. AVENTURA.

Esta é a terceira encarnação do quarteto fantástico no cinema (veja o artigo acima). Esse reboot vem dez anos depois da versão anterior dirigida por Tim Story cuja bilheteria decepcionou a Fox. Chris Evans que fazia o Tocha Humana foi para o Marvel Studios e se tornou o Capitão America. Como o contrato da Fox prevê uma nova produção dos personagens periodicamente, senão os direitos revertem para o Marvel Studios, a Fox decidiu por reiniciar a franquia com novo elenco e usando elementos da versão Ultimate (reinterpretação do universo Marvel) para contar a história da equipe de herois que se une para enfrentar o vilão Dr.Destino (Kebell). Não esperem muita ação pois o roteiro procura explorar os personagens individualmente antes de entregar o esperado combate entre herois e vilão.

Niels Schneider and Gemma Arterton star in Anne Fontaine's film Gemma Bovery. Credit: J¾©r¾¥me Pr¾©bois.

GEMMA BOVERY

GEMMA BOVARY – A VIDA IMITA A ARTE

(GEMMA BOVERY) FR. 2015. DIR: ANNE FONTAINE. COM GEMMA ARTHETON, JASON FLEMYING. COMÉDIA.

Adaptação do livro homônimo de Posy Simmonds, que por sua vez é baseado no clássico Madame Bovary de Gustav Flaubert.. Casal se muda para a França para o mesmo lugar que serve de cenário para o livro de Flaubert, onde a bela Gemma desperta a curiosidade e o fascinio dos homens. Daí o subtítulo se justifica já que a coincidência aumenta quando Gemma percebe as muitas coincidências entre sua vida e a personagem de Flaubert.

ENPE 5 NO AR : THUUNDERBIRDS AO RESGATE

VOCÊS SE LEMBRAM (PRA QUEM ESTA NA CASA DOS 4O ANOS) DAS SÉRIES DE MARIONETE QUE PASSAVAM NA TV ? UMA DAS MAIS QUERIDAS ERA “THUNDERBIRDS” SOBRE UMA EQUIPE DE SALVAMENTO E RESGATE INTERNACIONAL. MEUS QUERIDOS ROOSEVELT GARCIA & LEONARDO BUSSADORI TRAZEM NO SEU NOVO PROGRAMA TUDO SOBRE A SÉRIE QUE JÁ TEVE ATÉ UMA VERSÃO LIVE ACTION PARA O CINEMA, ASSISTEM E CONFIREM. O PROGRAMA DELES, PARA VARIAR, ESTÁ EXCELENTE.

ONTEM & HOJE : MICHAEL DOUGLAS

Michael Douglas em "São Francisco Urgente" 1972

Michael Douglas em “São Francisco Urgente” 1972

PARA QUEM ASSISTIU RECENTEMENTE “HOMEM FORMIGA” (ANT MAN), AINDA EM CARTAZ, CERTAMENTE RECONHECEU O ATOR MICHAEL DOUGLAS NO PAPEL DO DR. HANK PYM, O HOMEM FORMIGA ORIGINAL E QUE SE TORNA O MENTOR DE SCOTT LANG. MICHAEL PERTENCE A UMA LINHAGEM NOBRE DE ATORES, SENDO FILHO DE KIRK DOUGLAS (SPARTACUS). NASCIDO EM 25 DE SETEMBRO DE 1944, MICHAEL TEM CARREIRA PROLÍFICA TENDO ESTRELADO INUMEROS SUCESSOS COMO “ATRAÇÃO FATAL” (1987), “INSTINTO SELVAGEM” (1994) E “WALL STREET – PODER & COBIÇA” (1988) QUE LHE DEU O OSCAR DE MELHOR ATOR. NO ENTANTO, MICHAEL DOUGLAS, EM SEU INICIO DE CARREIRA TRABALHOU NA TV CO-ESTRELANDO A SÉRIE DE TV “SÃO FRANCISCO URGENTE” (THE STREETS OF SAN FRANCISCO) , AO LADO DO VETERANO KARL MALDEN. MICHAEL INTERPRETAVA O DETETIVE STEVE KELLER QUE COMBATIA O CRIME AO LADO DE UM EXPERIENTE INSPETOR. A SERIE FOI EXIBIDA NO BRASIL PELA REDE BANDEIRANTES (ATUAL BAND) NA DÉCADA DE 70. A PARTIR DE AGORA OCASIONALEMENTE O BLOGCINEONLINE VAI MOSTRAR O INICIO DE CARREIRA DE DIVERSOS ATORES HOJE RENOMADOS. FIQUEM LIGADOS

Hank Pym em "Homem Formiga"

Hank Pym em “Homem Formiga”