BOND 11 : 007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE

No final dos anos 70, os produtores desistiram de filmar “007 Somente Para Seus Olhos”, conforme anunciado no final do filme anterior e decidiram que a 11ª aventura de Bond deveria se passar no espaço, isso devido ao novo boom de ficção científica provocado pelo fenômeno “Star Wars”. O único livro de Ian Fleming que se encaixava em uma adaptação dessas era “Moonraker”, escrito em 1955 como a 3º aventura literária de Bond. Contudo, livro e filme seriam completamente distintos um do outro.

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No livro, Bond investiga o desaparecimento de um foguete experimental (muito antes do auge da corrida espacial ou mesmo da missão Apollo 11) que é desenvolvido com o propósito de lançar uma ogiva nuclear para destruir Londres. Contudo, toda a história se passa na Terra e Bond, em momento algum, pisa em um foguete, ou vai ao espaço. No filme, o “Moonraker” é um ônibus espacial norte-americano emprestado aos britânicos que desaparece misteriosamente. A investigação leva Bond às Industrias Drax que pretende lançar um vírus mortal para dizimar a raça humana, salvando apenas aqueles que julgar merecedores para construir um novo mundo. O vilão Hugo Drax (Michael Lonsdale) foi criado por Ian Fleming tendo em mente o vilão Robur do livro de Jules Verne “Master of the World”. Na verdade, a trama é quase uma variação do mesmo tema do filme anterior (007 O Espião Que me Amava) só que trocando o mar pelo espaço na visão megalomaníaca do vilão. O filme ainda traz de volta o capanga Jaws (Dentes-de-aço) que se redime ao final. No livro, no entanto, não tem Jaws, nem a Dra.Holly Goodhead (a Bond girl do livro se chama Gala Brand) e nem tem a passagem de Bond  pelo Brasil.

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ROGER MOORE & LOIS CHILES

Esta foi filmada no Pão de Açúcar onde Bond (Moore) e a Dra.Goodhead (Lois Chiles, que estava grávida na época das filmagens) são encurralados dentro do bondinho, mas escapam da morte certa quando deslizam pelos cabos antes que o terrível Jaws os parta com os dentes. O roteiro de Christopher Wood ainda coloca Bond no meio das ruas cariocas em pleno Carnaval, em uma representação caricatural que em nada colabora para o bom desenvolvimento da trama. A direção ficou a cargo de Lewis Gilbert, que dirigira outros dois filmes da franquia (Com 007 Só se Vive Duas Vezes e 007 O Espião Que Me Amava) e na trilha sonora, Shirley Bassey retorna pela terceira vez para cantar a música-tema (É dela a voz na abertura de Goldfinger e Os Diamantes São Eternos) depois de Frank Sinatra e Johnny Mathis serem inicialmente escolhidos e depois desistirem. Outra quase escolha para gravar a canção tema foi a cantora britânica Kate Bush.

AÇÃO NO PÃO DE AÇUCAR

AÇÃO NO PÃO DE AÇUCAR

Foi o último filme de Bernard Lee como M, o chefe de Bond, que falecera pouco tempo depois antes de se iniciar a produção do filme seguinte. Quando as filmagens de “007 Contra o Foguete da Morte” começaram a NASA ainda não tinha terminado o design do Ônibus Espacial: O Columbia ainda não havia sido construído e o Enterprise ainda faria seu primeiro teste de vôo. O roteirista Tom Mankiewicz chegou a escrever um outro roteiro para o filme, sendo algumas de suas ideias seriam reaproveitadas para “007 Contra Octopussy” e “007 Na Mira dos Assassinos”. O que muitos não sabem é que a atriz brasileira Adele Fátima chegou a filmar como a personagem Manuela, mas teve suas cenas com Roger Moore cortadas e substituídas por Emily Bolton. Segundo algumas fontes, o motivo da troca seria ciúmes da esposa de Roger Moore. Curiosamente, no filme Roger Moore teria uma cena de amor com a atriz francesa Corinne Clery, que interpreta a assistente de Hugo Drax, e que protagonizou o clássico do masoquismo no cinema “A História de O”

HUGO DRAX

HUGO DRAX

Apesar de ser um filme fraco, o filme lucrou bastante, tendo custado em torno de $34 milhões,  mais do que a soma dos 6 filmes produzidos pela EON  e tendo tido um retorno fabuloso na bilheteria mundial de mais de $200 milhões de dólares, números que seriam superados apenas em 1995 com “007 Contra Goldeneye”. Bond retorna dois anos depois em “007 Somente Para Seus Olhos”.

QUARTETO FANTÁSTICO : AS ORIGENS DO UNIVERSO MARVEL

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Em 1961, a HQ de super herói mais vendida era a “Liga da Justiça” da DC Comics. Martin Goodman, então editor chefe da rival Marvel Comics, encomendou a Stan Lee (que considerava seriamente se desligar do ramo) a criação de algo nos mesmos moldes. Lee copiou o formato mas recriou a essência, junto ao desenhista Jack Kirby (o co-criador do Capitão America): Fizeram do grupo de heróis uma família, lhes conferiu poderes baseados nos 4 elementos (terra, ar, fogo e água no caso da fluidez do Senhor Fantástico), desprezou a necessidade de identidades secretas ou máscaras, e – fugindo do maniqueísmo vigente – temperou seus personagens com qualidades e defeitos. Reed Richards (o Senhor Fantástico) é um gênio científico mas sisudo e pouco social, Sue Richards (a Garota Invisível) é uma jovem insegura, seu irmão Johnny Storm (O Tocha Humana, este o segundo personagem a ostentar a alcunha) é um jovem inconsequente e brincalhão e , finalmente o piloto Ben Grimm (o Coisa) que se tornou o personagem mais popular da equipe é um Golem moderno de bom coração mas amargurado por ter a aparência grotesca, um poder que não pode ser desligado ou voluntário.

Primeira edilçao de "Fantastic Four"

Primeira edilçao de “Fantastic Four”

A dinâmica do grupo, contudo, estava longe de ser harmoniosa. Como toda família, os integrantes discutiam, se desentendiam em meio à suas aventuras que iam além de apenas enfrentar o vilão malvado. Lee & Kirby fizeram de seus heróis exploradores de terras inóspitas, planetas alienigenas e dimensões paralelas. Cenários grandiosos saiam de suas mentes na mesma medida que uma profundidade psicológica os tornava fáceis do leitor se identificar. Mesmo seu maior inimigo, o Dr. Destino exibia sua natureza déspota e ambições shakesperianas de poder na mesma medida que um distorcido sendo de honra. Foram lançadas 100 edições de Stan Lee & Jack Kirby à frente do Quarteto Fantástico, em paralelo à criação de todo um universo interligado por outros personagens como Hulk, Homem Aranha etc.. que deram à década de 60 um frescor rejuvenescido para o mercado das histórias em quadrinhos. O que acontecia em uma história deixava raízes a serem desenvolvidas em outras, unificando aquela realidade como algo contínuo, fluído e cujas consequências se faziam ecoar à frente de outros títulos. Essa interação coletiva foi um legado que Lee & Kirby deixaram para as HQs que até hoje ainda é explorada e que o cinema procura emular quando se falar em “universo cinemático”.

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Depois da saída de Lee & Kirby, o título do Quarteto Fantástico mergulhou em marasmo até o início da década de 80 com a chegada do escritor e desenhista John Byrne. Este levou os personagens a um novo patamar, transformando a agora Mulher Invisivel na personagem mais poderosa da equipe, resgatando o espírito de ficção cientifica das primeiras aventuras da equipe, trocando o Coisa pela Mulher Hulk temporariamente, jogando um novo enfoque na abordagem da vilania de personagens como Dr.Destino e Galactus. Após a saíde de Byrne, diversos artistas tiveram a oportunidade de trabalhar com os heróis : Walt Simonson, Tom DeFalco, Carlos Pacheco, Jim Lee, Mark Miller, Mark Waid, Mike Wieringo e J.Michael Stranczinki. Em tempos mais recentes, o quarteto foi recriado em um universo alternativo chamado “Ultimate” com um Reed Richards retratado mais como um nerd do que um gênio da ciência. Elementos das duas versões: a clássica e o ultimate foram reaproveitados neste novo filme que, na verdade, é a terceira adaptação da equipe fantástica em forma de live-action. Conheças as anteriores :

Primeiro filme de 1994, nunca lançado nas telas.

Primeiro filme de 1994, nunca lançado nas telas.

Em 1994, Roger Corman produziu a primeira adaptação da HQ de Lee & Kirby, dirigido pelo desconhecido Oley Sassone com Alex Hyde White (Reed Richards), Rebecca Stabb (Susan Richards), Jay Underwood (Johnny Storm) e Michael Bailey Smith (Ben Grimm). O filme, de orçamento baixíssimo, nem chegou a ser lançado nas telas e segundo o próprio Stan Lee, em entrevista cedida tempos depois, o filme só foi feito por razões contratuais sem qualquer interesse de ser lançado no circuito comercial. O vilão era o Dr.Destino (Joseph Culp, filho do ator Robert Culp dos seriados de Tv “I Spy” e “Super Heroi Americano”), mas este estava por demais caricatural. Nada no filme funciona e nem mesmo o diálogo como, por exemplo, o Tocha Humana, em determinado momento, exclama “Santo Freud Batman !”. Alem disso, o filme era uma coleção de equívocos fosse no roteiro, na caracterização ou até mesmo nas leis da lógica, mostrando o Tocha Humana interceptando um raio laser, ou seja, mais rápido que a velocidade da luz.

Versão de 2005

Versão de 2005

Em 2015, a Fox, que havia adquirido os direitos de adaptação do “Quarteto Fantástico” foi bem sucedida com um orçamento em torno de US$100.000.000 e dirigido pelo pouco adequado Tim Story. O orçamento, no entanto, dava conta dos efeitos especiais para fazer de Ioan Gruffud o Senhor Fantástico, Jessica Alba a Mulher Invisivel, Chris Evans (antes de se tornar o Capitão America obvio) como o Tocha Humana e Michael Chiklis como o Coisa usando uma desconfortável roupa de borracha para simular o corpo rochoso de Ben Grimm. Julian McMahon (do seriado “Nip/Tuck”) ficou com o papel de Dr.Destino, novamente uma escolha não acertada para um vilão de grande importância nos quadrinhos Marvel.  Suas origens ciganas na região da Latveria (país fictício do leste Europeu) nem sequer são devidamente exploradas e suas motivações são simplificadas apenas como sendo inveja e sede de poder. Ainda assim, dois anos depois a Fox realizou a sequência “Quarteto Fantástico & O Surfista Prateado” com o mesmo diretor e elenco. O filme adapta a sequência de histórias publicada originalmente em “Fantastic Four” #48, #49 e #50 (1965-1966) mas descaracterizando Galactus, o ser que devora mundos. Ainda assim, o filme reserva um bom momento quando, no casamento de Reed e Sue, Stan Lee é barrado apesar de insistentemente dizer que ele é mesmo Stan Lee. Nas HQs o matrimonio aconteceu na edição “Fantastic Four Annual” #3 de 1965 e, tempos depois, o casal teve um filho.

Claro que há muita história a ser contada e pouco espaço que faça juz à importância desses heróis que lançaram as bases para o universo Marvel. Lamentavelmente, recentemente, a Marvel anunciou o cancelamento do título, uma obvia jogada de marketing ou uma medida para não estimular o filme da Fox, rival da Disney que hoje é a dona da editora. De qualquer forma, seja na forma de animações (várias foram feitas incluindo nos anos 60 pelos estúdios Hanna Barbera com arte de Alex Toth), filmes ou em qualquer mídia, o Quarteto tem potencial para novas explorações, novas aventuras, desafios que justifiquem o grito de guerra de  Ben Grimm “TÁ NA HORA DO PAU !”

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 6 DE AGOSTO

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QUARTETO FANTÁSTICO

(FANTASTIC FOUR) EUA 205. Dir: JOSH TRANK. COM MILES TELLER, KATE MARA, MICHAEL B.JORDAN, JAMIE BELL, TOBY KEBELL. AVENTURA.

Esta é a terceira encarnação do quarteto fantástico no cinema (veja o artigo acima). Esse reboot vem dez anos depois da versão anterior dirigida por Tim Story cuja bilheteria decepcionou a Fox. Chris Evans que fazia o Tocha Humana foi para o Marvel Studios e se tornou o Capitão America. Como o contrato da Fox prevê uma nova produção dos personagens periodicamente, senão os direitos revertem para o Marvel Studios, a Fox decidiu por reiniciar a franquia com novo elenco e usando elementos da versão Ultimate (reinterpretação do universo Marvel) para contar a história da equipe de herois que se une para enfrentar o vilão Dr.Destino (Kebell). Não esperem muita ação pois o roteiro procura explorar os personagens individualmente antes de entregar o esperado combate entre herois e vilão.

Niels Schneider and Gemma Arterton star in Anne Fontaine's film Gemma Bovery. Credit: J¾©r¾¥me Pr¾©bois.

GEMMA BOVERY

GEMMA BOVARY – A VIDA IMITA A ARTE

(GEMMA BOVERY) FR. 2015. DIR: ANNE FONTAINE. COM GEMMA ARTHETON, JASON FLEMYING. COMÉDIA.

Adaptação do livro homônimo de Posy Simmonds, que por sua vez é baseado no clássico Madame Bovary de Gustav Flaubert.. Casal se muda para a França para o mesmo lugar que serve de cenário para o livro de Flaubert, onde a bela Gemma desperta a curiosidade e o fascinio dos homens. Daí o subtítulo se justifica já que a coincidência aumenta quando Gemma percebe as muitas coincidências entre sua vida e a personagem de Flaubert.