PERDIDOS NO PLANETA VERMELHO

Marte - o Planeta Vermelho

Marte – o Planeta Vermelho

Curiosa coincidência que a NASA tenha anunciado nesta segunda feira passada a comprovação de que há água em Marte, pouco antes da estreia do novo filme de Ridley Scott que nos levará ao quarto planeta da via Láctea. Antes que a ciência real o fizesse, a literatura e o cinema já haviam nos levado ao planeta que foi batizado com o nome do Deus Romano da guerra devido a sua coloração avermelhada feito sangue, resultado da predominância do óxido de ferro em sua superfície árida. Apesar de ser o segundo menor planeta do sistema solar, sua aproximação maior da Terra sempre atraiu a atenção de observadores e escritores cuja fértil imaginação o elegeram vilão de diversas histórias de ficção científica.

Ray Bradbury - pioneiro em Marte

Ray Bradbury – pioneiro em Marte

Edgar Rice Burroughs, o criador de Tarzan, fez da superfície marciana um tipo diferente de selva para o herói John Carter em uma série de contos pulps a partir de 1912, milênios depois de egípcios e babilônios o observarem, e levando à publicação em 1917 de “A Princesa de Marte” (A Princess of Mars), primeiro de uma série. Foi o astrônomo grego Hiparco (190 a.c – 120 a.c) que fez observações mais racionais sobre o que chamou de errante, desprovido da religiosidade dos antigos. O planeta ainda despertaria uma vertente filosófica como o autor norte-americano Ray Bradbury (1920 – 2012) que publicou em 1950 o clássico “Crônicas Marcianas” (Martian Chronicles) , uma coletânea de contos sobre a colonização de Marte que, na década anterior,  já havia ganhado espaço em revistas de ficção científica. Quando Ray Bradbury os reuniu, conseguiu entrelaçar as histórias de formar a criar uma narrativa maior, concisa e de respeitável credibilidade, levando-se em conta que Bradbury o escreveu mais de dez anos antes que as primeiras sondas fossem enviadas â Marte. A primeira fotografia do planeta só ocorreu em 1965 quando os Americanos foram bem sucedidos ao enviar a Mariner 4. Aos poucos a ciência conseguia desmistificar vários ditos sobre nosso planeta vizinho, inclusive a existência de canais percebida por observações rudimentares feitas ainda no século XIX pelo italiano Giovanni Schiaparelli, e perpetuado pelo norte-americano Percival Lowell que buscou indícios de vida no planeta. Até mesmo o brilhante inventor russo Nikolas Tesla, em 1902, acreditava ter interceptado sinais de rádio que supostamente viriam de Marte para … os Estados Unidos.

Robinson Crusoe em Marte

Robinson Crusoe em Marte

Se na vida real, o que se sabia de fato engatinhava lentamente, na mentalidade comum a ideia de marcianos visitando a Terra crescia em tons paranoicos acentuados pela transmissão radiofônica de H.G.Wells que adaptou o livro “A Guerra dos Mundos” (The War of The Worlds) durante o Halloween de 1938. O cinema absorveu a paranoia através de incontáveis filmes B como “Invasores de Marte” (Invaders From Mars) de 1953 e “O Dia Que Marte Invadiu a Terra” (The Day Mars Invaded Earth) de 1963. Todos procuravam nos homenzinhos verdes um reflexo dos preconceitos Macartistas que se espalharam na America durante o período da guerra fria. Na literatura, contudo, as mentes dos autores buscavam mais do que simplesmente retratar visões maniqueístas e se aprofundaram em parábolas mais elaboradas da natureza humana como “Uma Sombra Passou Por Aqui” (The Illustrated Man) também de Ray Bradbury, “As Cavernas de Marte” The Caves of Mars) de Isaac Azimov que usou o pseudônimo de Paul French ou “ As Areias de Marte” (The Sands of Mars) de Arthur C. Clarke, todos publicados em 1951. O cinema absorveu o primeiro e o adaptou em 1969 com Rod Steiger e Claire Bloom.

MIssão Marte

MIssão Marte

Muito antes do filme estrelado por Matt Damon, Adam West (o Batman da TV) já viveu um náufrago espacial em “Robinson Crusoé em Marte” (Robinson Crusoe on Mars) de 1964, dirigido por Byron Haskin que teria ganhado uma sequência se tivesse sido bem sucedido na bilheteria. A essa altura , a cultura pop já havia abraçado nossos vizinhos e lhes conferido o título de malvados favoritos da ficção científica. Os desenhos da Warner criaram a figura de Marvin Martian, um baixinho conquistador em trajes romanos que co-estrelava desenhos ao lado do coelho Pernalonga e do Patolino. A Tv buscou na peça de teatro “Visit to a Small Planet”, do dramaturgo e jornalista Gore Vidal para inspiração e criou-se a sitcom “Meu Marciano Favorito” (My Favorite Martian) de 1965, com Ray Walston vivendo um visitante de Marte que se faz passar pelo tio de um repórter vivido por Bill Bixby. Em 1998, a Disney preparou uma refilmagem com Christopher Lloyd e Jeff Daniels.

Marvin Martian

Marvin Martian

De tempos em tempos, os olhos se voltam para os mistérios de Marte como a face esculpida em solo marciano inicialmente descoberta pela sonda Viking em 1976 que ganhou as manchetes dos jornais e estimulou ainda mais as discussões de vida no planeta. Em 2000, dois filmes retomaram o interesse dos estúdios pelo nosso vizinho em “Missão Marte” (Mission to Mars) da Disney, estrelado por Tim Robbins, Gary Sinise e Don Cheadle e “Planeta Vermelho” (Red Planet) da Warner, estrelado por Val Kilmer e Carrie Ann Moss. Até mesmo Tim Burton brincou com o assunto na parodia de 1996 “Marte Ataca”com Jack Nicholson e Michael J. Fox baseado em uma série de figurinhas de ação. Ainda mais recentemente tivemos a adaptação de John Carter pelos estúdios Disney, um fracasso de bilheteria. Com Matt Damon nos levando a revisitar o planeta vermelho, voltamos a nos questionar se de fato existe vida inteligente em Marte, ou se é apenas a nossa vã filosofia procurando no firmamento algo acima de nossa existência vazia, mas que em nossa imaginação vai muito além do que nossos olhos conseguem enxergar.

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 24 DE SETEMBRO

HOTEL TRANSILVÂNIA 2

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(Hotel Transilvania 2) EUA 2015. Dir: Genndy Tartakovsky. Vozes: Adam Sandler, Kevin James, Selena Gomez, Andy Samberg, Steve Buscemi, Fran Drescher, Mel Brooks. Animação.

Depois do nascimento do filho de Mavis e Johnny, Dracula (que abriu as portas do Hotel para humanos também) se incube da iniciação de seu neto que para sua decepção parece não ter poderes vampíricos. Tudo piora com a chegada de Vlad (Mel Brooks), o pai de Dracula que vai azucrinar a todos porque não vê com bons olhos todas as mudanças, muito menos um bisneto mestiço. Boa animação para crianças e adultos continuando o sucesso do primeiro filme de 2013 reunindo o mesmo elenco com o acréscimo, mais do que bem vindo, do excelente Mel Brooks como Vlad.

EVEREST

Everest

(Everest) EUA 2015. Dir: Baltasar Komarkur. Com Jake Gyllenhal, Keira Knightly, Sam Worthington, Josh Brolin. Suspense/Drama.

Baseado em fatos reais, o filme dramatiza o acidente ocorrido em 1997 e narrado no livro ” Into Thin Air: A Personal Account of the Mount Everest Disaster”  escrito por um dos sobreviventes de um grupo de alpinistas isolados pela nevasca e por vários acidentes durante uma disputa para alcançar o topo da montanha mais alta do mundo.

BOND 13 1/2 : NUNCA MAIS OUTRA VEZ

nunca mais poster

Para entender melhor como um filme de 007 pôde ser feito sem nenhum vinculo com a série oficial é necessário volta ao final dos anos 50, quando o interesse pelos livros de Ian Fleming despertou o interesse de Hollywood.  O produtor irlandês Kevin McClory procurou Fleming com a proposta de desenvolverem juntos uma história então inédita, sem conexão com os livros já editados. O roteiro original seria a primeira produção de cinema com o personagem de James Bond. McClory e Fleming se juntaram com o roteirista Jack Whittigham e criaram o conceito da SPECTRE (Special Executive for Counter-Intelligence Terrorism Revenge & Extortion) – uma organização criminosa internacional oposta ao que representa o MI6 liderada pelo maléfico Ernest Stravos Brofeld. Na história, Largo é o segundo em comando e tem a seu serviço duas belas mulheres: A fatal Fatima Blush, assassina fria e Domino, sua protegida. A ideia de McClory era desconectar os vilões do perfil caricatural representado pela SMERSH nos primeiros livros, que prendia as tramas ao convencionalismo da guerra fria onde a União Soviética era o Império do mal.

Sean Connery & Barbara Carrera

Sean Connery & Barbara Carrera

Contudo, Fleming fechou acordo com Albert Broccoli & Harry Saltzman para adaptar seus livros e abortou o compromisso verbal com McClory. Isso não o impediu de utilizar as ideias desenvolvidas em conjunto com McClory e Whittigham (sem creditá-los) em um novo romance entitulado “Thunderball” publicado em 1961 e adaptado por Broccoli em 1965. McClory entrou com um  processo judicial que levou três anos para se resolver, concluindo com um pagamento de indenização aos co-criadores excluídos por Fleming, os direitos dos personagens por estes idealizados, o credito de produtor associado em “007 Contra a Chantagem Atômica” e a garantia de refilmá-lo depois de 12 anos do lançamento deste. Ao longo das duas décadas seguintes, a relação entre McClory e Broccoli se deteriorou, com diversas negociações frustradas que impediam Broccoli de usar nos filmes de Bond os elementos criados por McClory. Este por sua vez esbarrava em diversos obstáculos para seguir com sua refilmagem, o que só começou a se concretizar quando o produtor Jack Schwartzman, da Warner Brothers, entrou no projeto que deveria se chamar – a princípio – “James Bond of The Secret Service”, mas a EON Pictures impugnou o título por ser muito semelhante a “On Her Majesty’s Secret Service”, filmado em 1969. A EON Pictures conseguiu impor também as seguintes restrições : McClory não poderia usar o nome do personagem no título do filme, nem mesmo o código 007, não poderia também usar a clássica sequência de tiro na direção da câmera empregada no início de todos os filmes de 007. De forma a se distanciar ainda mais, o roteirista contratado por McClory, Lorenzo Semple Jr (o mesmo da série clássica de “Batman”) se baseou no roteiro original de McClory,  e não no roteiro filmado em 1965 para “007 Contra a Chantagem Atômica”.

Bond encontra o futuro Johnny English

Bond encontra o futuro Johnny English

Apesar de pensarem primeiro em George Lazenby para voltar ao papel de James Bond, os produtores conseguiram o impossível: Convenceram Sean Connery a voltar ao papel, que dissera doze anos antes, que jamais interpretaria novamente. Connery aceitou com a condição de que seu Bond deveria ter a mesma idade que ele (na época 52 anos) e por isso, o filme começa com seu personagem aposentado do serviço secreto, mas tendo que voltar à ativa depois de um atentado contra sua vida. Connery contribuiu com várias ideias para o roteiro e fez diversas sugestões na escalação do elenco como o premiado ator austríaco Klaus Maria Bandauer para o papel de Largo e Max Von Sydow (ator de diversos filmes de Ingmar Begrman) como Brofeld. As filmagens ocorreram em Monte Carlo, no sul da França, em Nassau e na Inglaterra com direção de Irving Keshner (do excelente “O Império Contra Ataca”) depois da recusa de Richard Dooner (Máquina Mortífera, Superman o Filme ) . Na sequência submarina filmada nas Bahamas a equipe passou por perigos reais como o surgimento de tubarões e uma imensa caverna submersa que poderia ameaçar a segurança de elenco e membros da equipe de filmagem. O compositor francês Michel Legrand (duas vezes Oscarizado) ficou responsável pela trilha sonora do filme que veio a ser batizado por sugestão da esposa de Sean Connery como “Never Say Never Again” , em vista da recusa de Connery em voltar ao papel que lhe dera fama e para o qual estava afinal de volta. O elenco ainda traria Rowan Atikinson (o Mr.Bean) em seu primeiro papel no cinema e a ex modelo Kim Basinger (Batman, Los Angeles Cidade Proibida) em um de seus primeiros papéis na telona. Um dos papéis de grande destaque no filme ficou com Barbara Carrera, a atriz nicaraguense que foi uma das modelos mãos bem pagas do mundo recusou o papel de Octopussy para trabalhar com Sean Connery, ficando com o papel da assassina Fatima Blush. Conta-se que a atriz teria dispensado a necessidade de dublê de corpo para filmar as cenas de amor com Connery.

Connery & Kim Basinger

Connery & Kim Basinger

O filme estreou no circuito quatro meses depois de “007 Contra Octopussy”, anunciado como a volta do verdadeiro James Bond, uma batalha de marketing que nunca foi vista, nem mesmo quando a primeira versão de “Cassino Royale” chegou aos cinemas em 1967, na mesma época que “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes”, já que o primeiro era praticamente uma paródia. A mídia, em 1983, anunciava como “Bond vs Bond”, um duelo de produções rivais na qual o filme de BRoccoli se saiu melhor, rendendo internacionalmente em torno de $187 milhões contra $163 milhões do filme de McClory. Este chegou aos cinemas brasileiros em 30 de dezembro de 1983, sendo a última vez que os nomes James Bond e Spectre foram usados em uma mesma produção, até agora com o novo filme anunciado com Daniel Craig que retoma esses elementos, finalmente adquiridos pela EON Pictures depois da morte de Kevin McClory em 2006.

BOND 13 : 007 CONTRA OCTOPUSSY

Em 1982, já tendo passado o lançamento de “007 Somente Para Seus Olhos”, Roger Moore havia encerrado para viver James Bond. A EON Pictures chegou a escalar James Brolin para substituir Moore quando o produtor irlandês Kevin McClory anunciou a refilmagem de “007 Contra a Chantagem Atômica” – cujos direitos lhe pertenciam – e com Sean Connery de volta ao papel (Entenda melhor isso na próxima postagem de Bond aqui no blog). Temerosos de competir com a inesperada volta de Connery, Moore foi trazido de volta com um novo contrato para mais dois filmes.

octopussy

O roteiro de George McDonald Fraser, Richard Maibaum e Michael G. Wilson foi uma salada de ideias retiradas de histórias distintas dos livros de Fleming. O título veio do 14º e último livro de Fleming, uma publicação póstuma de 1966, entitulada “Octopussy & The Living Daylights” , este na verdade reunia quatro contos de Bond : “Octopussy”, “The Living Daylights”, “The Property of A Lady” e “007 in New York”. Do primeiro conto veio a personagem feminina central da trama que dá título ao filme (apontada como filha do Major Smythe, vilão do livro) . Já o roubo de ouro nazista , no filme,  foi transformado nos tesouros perdidos do último czar da Rússia. Enquanto no livro, um major renegado é o vilão, no filme este foi transformado no príncipe Afegão Khamal Khan, vivido nas telas pelo ator Louis Jourdan. Do conto “The Property of a Lady” os roteiristas extraíram o roubo e falsificação de um Ovo Farbegé, rara joia que funciona como o elemento de investigação inicial que levará Bond à casa de leilões Sotherby’s em Londres. O restante os roteiristas inventaram de forma a criar uma aventura movimentada, o que de fato funciona em termos de ação, levando Bond à India , e ao final do filme à Berlim onde um militar russo renegado (aliado de Khan) que planeja explodir um artefato nuclear na Alemanha ocidental. Assim se desenrola a trama de “007 Contra Octopussy”.

OP Octopussy

A direção de John Glenn (pela segunda vez) consegue conduzir a trama sem os exageros de humor dos primeiros filmes de Roger Moore, que apesar de sua persona descolada e ar debochado, atua mais contido, admirável se levarmos em conta que Moore não se sentia à vontade no papel estando , na época , com 56 anos.  A sequência em que Bond está no circo, disfarçado de palhaço e tenta desesperadamente alertar sobre a bomba foi muito criticada na época, mas revista hoje ela não prejudica tanto. É nítido que Albert Broccoli desejava um filme com um tom menos sério do que em “007 Somente Para Seus Olhos”. Talvez, pelo fato de estar enfrentando nas bilheterias o filme de McClory, Broccoli estivesse tentando fazer um filme mais leve, ao gosto de Roger Moore quer parecia gostar de atuar de forma mais despretensiosa. O fato é que o filme divide bastante as opiniões dos fans, com críticas severas às piadinhas infames como Bond dentro de um traje de crocodilo ou na selva dando um grito como Tarzan.

octopussy girls

No elenco, a atriz Maud Addams tornou-se Bond girl pela segunda vez uma vez que ela trabalhou em “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”, ainda que a personagem fosse outra. O papel de Octopussy lhe foi entregue depois das recusas de Faye Dunaway e Barbara Carrera (esta recusou o convite da EON Pictures pois preferiu contracenar com Sean Connery no filme de Kevin McClory entitulado “Nunca Mais Outra Vez”. O tenista profissional indiano Vijay Armitrage ficou com um papel menor tentando iniciar uma carreira paralela de ator. Para isso, Albert Broccoli havia pedido a seu amigo Leonardo Goldberg que conseguisse uma participação de Vijay na série de Tv “A Ilha da Fantasia”, pois assim o tenista poderia obter um registro de ator. Este chegou a fazer aparições em “Casal 20” (seriado de TV) e até mesmo em “Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para a Casa” (1987). Desmond Lewelly, intérprete de Q, tem participação mais ativa na trama pela primeira vez na série. O ator Kabir Bedi é até hoje o único ator de Bollywood (a Hollywood Indiana) a atuar em um filme de 007 e seu personagem certamente é tão cruel e mortífero quando Oddjob (Goldfinger) ou Dentes de Aço (O Espião que me Amava). Foi a primeira vez que o ator Robert Brown interpreta M, o chefe de Bond, depois do falecimento de Bernard Lee.

octopussy action

Algumas das sequências em “007 Contra Octopussy” eram ideias já planejadas anteriormente, mas não utilizadas. A caçada de elefantes, por exemplo, era ideia de Harry Saltzman (co-produtor nos primeiros nove filmes de 007) que era prevista para “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”; o jogo de Gamão foi inicialmente previsto para “007 O Espião Que Me Amava”, o mini jato no começo do filme e os gêmeos atiradores de faca seriam a princípio usados em “007 Contra o Foguete da Morte”. John Barry, que ficara de fora da trilha sonora do filme anterior retorna e traz consigo a belíssima canção tema “All Time High” na voz da cantora norte-americana Rita Coolidge, e que se tornou sucesso nas execuções de rádio chegando até a fazer parte da novela da Globo “Eu Prometo” no ano de 1983.

O mortífero Gobinda (Kabir Bedi)

O mortífero Gobinda (Kabir Bedi)

Também foi o primeiro filme de 007 depois da venda da United Artists a MGM.  Lançado meses antes do filme rival, “Octopussy” foi melhor nas bilheterias, arrecadando em torno de $187 milhões contra $163 milhões de “Nunca Mais Outra Vez”. Foi a última vez que um filme de 007 anuncia o título do filme seguinte, que se chamaria “From a View to a Kill”, modificado depois para “A View to a Kill”. Particularmente não é o melhor de Bond, nem sequer o melhor filme da era Moore (este sem dúvida é “007 Somente Para Seus Olhos”) , mas cumpre o papel de entretenimento mediano, mesmo não sendo

ONTEM & HOJE : HENRY CAVILL

Na expectativa para a chegada ano que vem de “SUPERMAN & BATMAN : A ORIGEM DA JUSTIÇA“, vamos conhecer um pouco da carreira de uma das metades dessa super dupla heroística dos quadrinhos, o Superman, interpretado por Henry Cavill, ou seja, Henry William Daglishi Cavill, nascido em 5 de Maio de 1983. Sua estreia nos cinemas foi em 2001 (aos 18 anos) em um papel pequeno no drama “LAGUNA”, estrelado por Joe Mantegna. Cavill, no entanto só chamou a atenção no ano seguinte quando interpretou Albert Mondego (foto abaixo) , filho do vingativo Conde de Monte Cristo ao lado de Jim Caviezel e Guy Pearce.

cena de

cena de “O conde de Monte Cristo”

Após alguns filmes de Tv e pequenas participações, Cavill – que quando criança sonhava em ser ator – ganhou um papel maior em ‘STARDUST – O MISTÉRIO DA ESTRELA”  em 2007, mas ainda passou desapercebido. Oportunidade maior foi entre 2007 e 2010 quando integrou o elenco da série de TV “THE TUDORS“. No ano seguinte protagonizou o fraco “IMORTAIS” no papel do herói Teseu. A grande chance para o ator veio em 2013 quando a Warner o contratou para encarnar o personagem das HQs Superman. Cavill carregou dupla responsabilidade : Susbstituir o icônico Christopher Reeve depois do fracasso de Brandon Routh e iniciar o universo cinemático  da DC comics. Missão cumprida. Cavill está em cartaz como o espião Napoleão Solo em ‘ O AGENTE DA UNCLE ” e terá pela frente ainda a sequência de “O HOMEM DE AÇO ” e o filme da ‘LIGA DA JUSTIÇA “. Uma super carreira promissora sem dúvida.

PARA O ALTO E AVANTE

PARA O ALTO E AVANTE

CLÁSSICO REVISITADO : 0S 30 ANOS DE “A HORA DO ESPANTO”

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Sempre fui um grande fã de filmes de vampiros, um entre milhões que tiveram o prazer de assistir na TV os clássicos da Hammer estrelados pelo saudoso Christopher Lee. Contudo, em 1985, já com 16 anos, a figura do vampiro já estava muito desgastada. O público abraçara os serial-killers indestrutíveis tipo Michael Myers e Jason promovendo um pastiche de sangue com adolescentes incautos. Provando o clichê de que vampiros voltam à vida, estes ganharam uma nova chance nas telas quando o diretor e roteirista Tom Holland lançou em Agosto de 1985 (nos Estados Unidos) o filme “A Hora do Espanto” (Fright Night) que prometia em seu poster que teríamos bons motivos para se ter medo doe escuro. A promessa foi mantida.

O filme contava a história de Charley Brewster, um adolescente como outro qualquer, doido para arrastar sua namorada para a cama, a bela Amy Peterson (Amanda Bearse). A vida de Charley vira literalmente um inferno quando começa a vigiar os hábitos estranhos de seu novo vizinho, tal qual uma versão juvenil de James Stewart do clássico “A Janela Indiscreta”, sendo que o que Charley descobre inadvertidamente é que seu vizinho, Jerry Dandridge (Chris Saradon) é um vampiro com centenas de anos de idade. Ninguém acredita nela, nem a polícia, sua mãe, Amy ou o amigo freak “Evil Ed” (Stephen Geoffreys) que, a princípio, aceita ajudar Charley mesmo assim em troca de algum dinheiro. As sucessivas e mal-sucedidas tentativas de expor Jerry colocam Charley em risco de vida e, por isso, sua única esperança acaba sendo pedir ajuda a um especialista no assunto, o notório caçador de vampiros Peter Vincent (Roddy McDowall) que não passa de um ator solitário já de certa idade que perdeu o emprego na Tv porque o público prefere alienígenas e monstros do espaço do que vampiros. O filme ganha assim uma irônica metalinguagem mostrando Peter como nada além de um descrente ator que fez de seu personagem um meio de vida que agora foi posto de lado pela modernidade. Lógico que o que se segue é um embate entre o bem e o mal, com Peter Vincent ganhando uma segunda chance, agora letalmente real, de provar seu valor.

A dança dos Vampiros

A dança dos Vampiros

A produção da Columbia custou em torno de 6 milhões de dólares, rendendo muito mais e superando a expectativa de todos já que o estúdio também produzia na época “A Hora do Pesadelo 2 – a Vingança de Freddy”, que recebia bem mais atenção mas que não chegou à metade do que “A Hora do espanto” lucrou. O filme brinca com os clichês do gênero sempre com a intenção de prestar uma homenagem, de recuperar o prestígio deste criando uma aventura movimentada, focada no público jovem. O trio Charley-Amy-Evil Ed assume o papel da geração dos anos 80 mais descrente, cínica, descobrindo que para tudo funcionar, é preciso acreditar, que a fé seja verdadeira como alerta Jerry ao confrontar seus adversários. Peter Vincent é um show do veterano ator Roddy McDowall (1928 – 1998), uma homenagem aos ícones Peter Cushing (curiosamente ex interprete de Van Helsing) e Vincent Price. Apesar de reciclar os elementos das histórias de vampiros (o medo da cruz, a entrada na casa só quando convidado, a vulnerabilidade à luz do sol), o filme adiciona novos elementos à luz da década em que foi produzido: Jerry Dandridge deixa escapar sau bissexualidade e ironiza os humanos ao descer a escadaria de sua mansão assobiando o clássico de Frank Sinatra “Strangers in the Night”, a trilha sonora é recheada de músicas pop defendidas por bandas da época, que se mesclam à ação e o clima soturno de um subúrbio norte-americano como outro qualquer em que o inusitado deixa as sombras para materializar os arquétipos de morte e sexo, como na sequência em que Jerry dança com Amy na discoteca ao som de “Give it up” de Everlyn “Champagne” KIng. A maquiagem foi primorosa e inovadora realizada por Richard Edlund, o mesmo responsável por “Os Caça Fantsmas”

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Lançado no Brasil somente em Maio de 1986, ” Hora do espanto” guarda um fato curioso causado pelo seu enorme sucesso. A distribuidora batizou diversos filmes de terror como “A Hora de …” (A Hora dos Mortos Vivos, A Hora do Pesadelo, A Hora da Zona Morta”, filmes sem nenhuma conexão entre si mas batizados por aqui como exemplares da “ESPANTOMANIA”. O filme gerou uma sequência (A Hora do espanto 2 -de 1989) além de uma recente refilmagem, esta dispensável. Curiosamente, no mesmo ano que “A Hora do espanto”, a ariz Amanda Bearse trabalhou ao lado de Stephen Geofrreys em “Férias da Pesada” (Fraternity Vacation) e logo depois, entrou para o elenco da longeva sitcom “Married With Children”, que ficou no ar por mais de 10 anos. Nada mal para um filme despretensioso mas que figura tranquilamenbte em qualquer lista de melhores do gênero. Ao menos em minha lista. “So cool, Brewster!!”.

IN MEMORIAN: WES CRAVEN

craven

LAMENTEI MUITO SABER DA MORTE DE WES CRAVEN HOJE. WESLEY EARL CRAVEN FOI MUITO CRIATIVO EM SEU OFÍCIO. FOI DIRETOR, ESCRITOR, EDITOR E ATÉ ATOR (PROCURE POR KRAVEN EM “VÔO NOTURNO”, ELE É UM DOS PASSAGEIROS). FOI O CRIADOR DA FRANQUIA “PÂNICO”, MAS TAMBÉ, FOI O PAI DE UM DOS GRANDES MONSTROS DOS FILMES DE TERROR: FREDDY KRUGGER, QUE SURGIU EM 1984 NO FILME “A HORA DO PESADELO”. ESTE GEROU INÚMERAS SEQUÊNCIAS, SÉRIE DE TV E ATÉ UMA REFILMAGEM FRAQUÍSSIMA. CURIOSAMENTE, ANUNCIOU-SE RECENTEMENTE QUE FREDDY KRUGGER RETORNARÁ EM BREVE EM UM NOVO REBOOT. QUE DESCANSE EM PAZ !!!