PERDIDOS NO PLANETA VERMELHO

Marte - o Planeta Vermelho

Marte – o Planeta Vermelho

Curiosa coincidência que a NASA tenha anunciado nesta segunda feira passada a comprovação de que há água em Marte, pouco antes da estreia do novo filme de Ridley Scott que nos levará ao quarto planeta da via Láctea. Antes que a ciência real o fizesse, a literatura e o cinema já haviam nos levado ao planeta que foi batizado com o nome do Deus Romano da guerra devido a sua coloração avermelhada feito sangue, resultado da predominância do óxido de ferro em sua superfície árida. Apesar de ser o segundo menor planeta do sistema solar, sua aproximação maior da Terra sempre atraiu a atenção de observadores e escritores cuja fértil imaginação o elegeram vilão de diversas histórias de ficção científica.

Ray Bradbury - pioneiro em Marte

Ray Bradbury – pioneiro em Marte

Edgar Rice Burroughs, o criador de Tarzan, fez da superfície marciana um tipo diferente de selva para o herói John Carter em uma série de contos pulps a partir de 1912, milênios depois de egípcios e babilônios o observarem, e levando à publicação em 1917 de “A Princesa de Marte” (A Princess of Mars), primeiro de uma série. Foi o astrônomo grego Hiparco (190 a.c – 120 a.c) que fez observações mais racionais sobre o que chamou de errante, desprovido da religiosidade dos antigos. O planeta ainda despertaria uma vertente filosófica como o autor norte-americano Ray Bradbury (1920 – 2012) que publicou em 1950 o clássico “Crônicas Marcianas” (Martian Chronicles) , uma coletânea de contos sobre a colonização de Marte que, na década anterior,  já havia ganhado espaço em revistas de ficção científica. Quando Ray Bradbury os reuniu, conseguiu entrelaçar as histórias de formar a criar uma narrativa maior, concisa e de respeitável credibilidade, levando-se em conta que Bradbury o escreveu mais de dez anos antes que as primeiras sondas fossem enviadas â Marte. A primeira fotografia do planeta só ocorreu em 1965 quando os Americanos foram bem sucedidos ao enviar a Mariner 4. Aos poucos a ciência conseguia desmistificar vários ditos sobre nosso planeta vizinho, inclusive a existência de canais percebida por observações rudimentares feitas ainda no século XIX pelo italiano Giovanni Schiaparelli, e perpetuado pelo norte-americano Percival Lowell que buscou indícios de vida no planeta. Até mesmo o brilhante inventor russo Nikolas Tesla, em 1902, acreditava ter interceptado sinais de rádio que supostamente viriam de Marte para … os Estados Unidos.

Robinson Crusoe em Marte

Robinson Crusoe em Marte

Se na vida real, o que se sabia de fato engatinhava lentamente, na mentalidade comum a ideia de marcianos visitando a Terra crescia em tons paranoicos acentuados pela transmissão radiofônica de H.G.Wells que adaptou o livro “A Guerra dos Mundos” (The War of The Worlds) durante o Halloween de 1938. O cinema absorveu a paranoia através de incontáveis filmes B como “Invasores de Marte” (Invaders From Mars) de 1953 e “O Dia Que Marte Invadiu a Terra” (The Day Mars Invaded Earth) de 1963. Todos procuravam nos homenzinhos verdes um reflexo dos preconceitos Macartistas que se espalharam na America durante o período da guerra fria. Na literatura, contudo, as mentes dos autores buscavam mais do que simplesmente retratar visões maniqueístas e se aprofundaram em parábolas mais elaboradas da natureza humana como “Uma Sombra Passou Por Aqui” (The Illustrated Man) também de Ray Bradbury, “As Cavernas de Marte” The Caves of Mars) de Isaac Azimov que usou o pseudônimo de Paul French ou “ As Areias de Marte” (The Sands of Mars) de Arthur C. Clarke, todos publicados em 1951. O cinema absorveu o primeiro e o adaptou em 1969 com Rod Steiger e Claire Bloom.

MIssão Marte

MIssão Marte

Muito antes do filme estrelado por Matt Damon, Adam West (o Batman da TV) já viveu um náufrago espacial em “Robinson Crusoé em Marte” (Robinson Crusoe on Mars) de 1964, dirigido por Byron Haskin que teria ganhado uma sequência se tivesse sido bem sucedido na bilheteria. A essa altura , a cultura pop já havia abraçado nossos vizinhos e lhes conferido o título de malvados favoritos da ficção científica. Os desenhos da Warner criaram a figura de Marvin Martian, um baixinho conquistador em trajes romanos que co-estrelava desenhos ao lado do coelho Pernalonga e do Patolino. A Tv buscou na peça de teatro “Visit to a Small Planet”, do dramaturgo e jornalista Gore Vidal para inspiração e criou-se a sitcom “Meu Marciano Favorito” (My Favorite Martian) de 1965, com Ray Walston vivendo um visitante de Marte que se faz passar pelo tio de um repórter vivido por Bill Bixby. Em 1998, a Disney preparou uma refilmagem com Christopher Lloyd e Jeff Daniels.

Marvin Martian

Marvin Martian

De tempos em tempos, os olhos se voltam para os mistérios de Marte como a face esculpida em solo marciano inicialmente descoberta pela sonda Viking em 1976 que ganhou as manchetes dos jornais e estimulou ainda mais as discussões de vida no planeta. Em 2000, dois filmes retomaram o interesse dos estúdios pelo nosso vizinho em “Missão Marte” (Mission to Mars) da Disney, estrelado por Tim Robbins, Gary Sinise e Don Cheadle e “Planeta Vermelho” (Red Planet) da Warner, estrelado por Val Kilmer e Carrie Ann Moss. Até mesmo Tim Burton brincou com o assunto na parodia de 1996 “Marte Ataca”com Jack Nicholson e Michael J. Fox baseado em uma série de figurinhas de ação. Ainda mais recentemente tivemos a adaptação de John Carter pelos estúdios Disney, um fracasso de bilheteria. Com Matt Damon nos levando a revisitar o planeta vermelho, voltamos a nos questionar se de fato existe vida inteligente em Marte, ou se é apenas a nossa vã filosofia procurando no firmamento algo acima de nossa existência vazia, mas que em nossa imaginação vai muito além do que nossos olhos conseguem enxergar.

Um comentário em “PERDIDOS NO PLANETA VERMELHO

  1. É óbvio que muitos títulos ficariam de fora devido à enorme quantidade que se dedicaram a povoar Marte. Até Arnold Shwarzenegher já esteve por lá em “O vingador do futuro”!

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