ESTREIAS DA SEMANA: 29 DE OUTUBRO DE 2015

GRACE DE MÔNACO

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(Grace of Monaco) EUA 2014. Dir: Olivier Dahan. Com Grace Kelly, Tim Roth, Frank Languella, Paz Veja, Robert Lindsay. Biopic. Olivier Dahan já havia produzido uma excelente biopic (o filme biográfico) com a vida da cantora Edith Piaf (Piaf – Um Hino ao Amor) em 2007. Sua tarefa aqui foi filmar o roteiro de Arash Amel, um dos que figuravam em 2011 em uma lista negra de melhores roteiros não filmados em Hollywood. Não se trata de um filme biográfico  tradicional, mas um recorte concentrado no período inicial de sua vida no Principado de Mônaco quando este passava por uma séria crise diplomática já que o presidente francês Charles deGaulle exigia um substancial aumento de impostos que Rainier se recusava a pagar. Foi Grace quem usou de seu prestígio e diplomacia para evitar o pior. O filme mistura os clichês melodramáticos com uma trama política que certamente faz concessões e toma liberdades, contudo nada ofensivo para justificar a polêmica que envolveu o filme de Dahan quando foi exibido no Festival de Cannes de 2014. Na ocasião, a família real de Mônaco (os filhos de Kelly, Albert II, Caroline e Stephanie) anunciaram o boicote ao filme. O elenco está ótimo, em especial o casal formado por Nicole Kidman e Tim Roth. Nicole está confortável no papel, compondo uma Grace de personalidade, e que apesar de duvidas e questionamentos, toma o rumo da própria vida, ao passo que Tim Roth faz um Rainier distante, até hesitante diante do contexto. O ator Frank Languella rouba a cena no papel de um padre que funciona muitas das vezes como a consciência do casal Grace-Rainier. De qualquer forma, nada tão ofensivo que justifique a polêmica ou o desagrado dos herdeiros da família Grimaldi, afinal de contas apesar de entrado para a história como a encarnação de uma fábula, a vida real está sempre muito longe de ter um “felizes para sempre”, principalmente em meio a protocolos de conduta e nos bastidores do poder. Apesar de ser um relato fantasioso construído em cima de um momento na vida da princesa, não é nenhuma bomba comparada a outros similares, desde que você tenha em mente que a ficção se sobrepõe a qualquer traço de verdade que foi diluído em favor de um filme convencional, mas cujas atuações tornam interessante.

OS 33

33

(The 33) EUA 2015. Dir:Patricia Higgis. Com Rodrigo Santoro, Antonio Banderas, James Brolin, Lou Diamond Philips, Juliet Binoche. Drama Em 2010, no Chile, um grupo de mineiros ficou preso nos subterrâneos de uma mina durante 69 dias, lutando pela vida enquanto aguardavam a possibilidade de resgate. Economizam os recursos de comida e água, os mineiros despertaram comoção internacional e tiveram o fato adaptado para o livro “Deep Down Dark” do jornalista Héctor Tobar. Um dos roteiristas do filme é o mesmo responsável pelo roteiro de “Diários de Motocicleta”. Quem assistir, procure lembrar de Lou Diamond Philips, o Ritchie Valens de “La Bamba”, sucesso no final da década de 80. Destaco aqui também a presença do talentoso Rodrigo Santoro cuja carreira internacional vai cada vez melhor.

O ÚLTIMO CAÇADOR DE BRUXAS

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(The Last Witchhunter) EUA 2015. Dir: Breck Eisner. Com Vin Diesel, Rose Leslie, Michael Caine, Julie Engebretch, Elijah Wood. Ação. Bem apropriado para o Halloween essa história que mistura ação com elementos de sobrenatural. Vin Diesel é um caçador de bruxas que precisa se aliar a uma de suas inimigas (Leslie de “Game of Thrones”) para frustrar os planos da Rainha das bruxas (Engebretch) que pretende usar um artefato místico que pode destruir a raça humana. O filme, orçado em torno de US$ 90 mihões, é co-produzido pelo próprio Vin Diesel e ficou durante muito tempo aguardando o interesse de algum estúdio, figurando entre os melhores roteiros não filmados de 2010. Se a bilheteria justificar poderemos ter uma nova franquia para o astro de “Velozes & Furiosos”, mesmo que ele seja como diz o título “O Último”.

BETINHO – A ESPERANÇA EQUILIBRISTA.

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(Bra 2015). Dir:Victor Lopes. Documentário. A trajetório do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho desde sua infância em Minas Gerais até  sua morte por AIDS, contraída em uma das transfusões de sangue necessárias já que era hemofílico. Betinho teve participação ativa na luta contra a ditadura e mobilizando milhões de pessoas com campanhas contra a fome e a AIDS. A canção “O Bêbado & O Equilibrista” de Elis Regina foi composta em cima de sua persona idealista, lutadora. O documentário foi exibido no Festival do Rio desse ano e agora chega ao grande circuito como uma boa oportunidade de servir de exemplo para a sociedade caótica em que vivemos e sem seres humanos dispostos a tudo pelo amor ao próximo.

GALERIA DE ESTRELAS : GRACE KELLY

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Com uma breve carreira construída ao longo de 5 anos e 11 filmes, Grace Patrick Kelly marcou sua passagem no mundo com sua sofisticação, beleza e carisma com a qual seduziu o público. Nascida  em 20 de Novembro de 1928, filha de um campeão olímpico de remo e uma instrutora de educação física , Grace tinha o porte esbelto, rosto de traços suaves e uma elegância que parecia prever seu futuro junto a aristocracia.

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Grace foi modelo, mas sua paixão era por atuar, tendo trabalhado nos palcos, na TV e finalmente nos cinemas onde estreou em 1950 em “Horas Intermináveis” (Fourteen Hours). O papel era pequeno e inexpressivo, mas chamou a atenção de Gary Cooper que a indicou para o diretor Fred Zinnerman que lhe deu o papel de inconformada noiva do xerife Will Kane (Cooper) no clássico “Matar ou Morrer” (High Noon). Aos 23 anos, sua beleza chamou a atenção, levando ao convite para trabalhar com John Ford em “Mogambo” contracenando com Clark Gable e Ava Gardner. O papel de Linda Nortley foi inicialmente oferecido a Gene Tierney, antes de Grace que conseguiu aí sua primeira indicação ao Oscar de melhor atriz. Embora não tenha ganhado, Grace mostrou que era bem mais que uma bela mulher e que sabia se entregar a um papel e explorá-lo dramaticamente. Indagada na ocasião do porquê de ter aceito o papel, a atriz declarou que era a oportunidade ideal de conhecer a África, local das filmagens, e ainda trabalhar ao lado de Clark Gable. Na época, diversas histórias de envolvimento amoroso ligaram o nome de Grace a seus co-astros Gary Cooper e Clark Gable.

Ladrão de Casaca

Ladrão de Casaca

Em 1954 sua carreira ganhou um impulso e tanto ao ser contratada para “Disque M Para Matar” (Dial M For Murder) de Alfred Hithcock. O mestre do suspense encontrou em Grace uma musa capaz de seduzir o público e Grace teve em Hitch um amigo e mentor com o qual voltaria a trabalhar mais duas vezes. Novamente, outros rumores de bastidores apontavam um romance entre Grace e Ray Milland, alimentando as revistas de fofoca. De acordo com o Paul Westran, autor do livro “When Stars Collide”, Grace Kelly teve vários relacionamentos amorosos incluindo com Bing Crosby e William Holden, seu par romântico em “As Pontes de Toko RI” (The Bridges of Toko Ri) de 1954.

Mogambo

Mogambo

No mesmo ano, deu vida a Lisa Fremont, a noiva de James Stewart em “Janela Indiscreta” (Rear Window), que hoje se tornou um dos maiores clássicos do cinema em uma história de voyerismo e rejeição. L.B. Jeffries (Stewart) tinha Lisa (Kelly) mas preferia observar a vida alheia pela objetiva de sua câmera. O próprio James Stewart, tempos depois, dissera que Grace era uma dama, gentil com todos no set de filmagem e incrivelmente linda, atraindo a atenção de todos por onde passava. Grace elogiou o colega também em uma entrevista em que afirmava que achava James Stewart era o homem mais viril que conhecera. Depois de ter sido indicada várias vezes ao BAFTA (o Oscar Inglês), ganhado o Golden Globe de melhor atriz coadjuvante por “Mogambo” e o New York Film Critics Circle Awards, a estatueta do Oscar finalmente foi para as mãos de Grace em uma situação surpreendente: Em 1955, Judy Garland era a favorita para o prêmio de melhor atriz por “Nasce Uma Estrela” (A Star Is Born) enquanto Grace concorria  por “Amar é Sofrer” (The Country Girl), adaptação da peça de Clifford Odets. Nele, Grace interpreta a sofrida esposa de um ator alcoólatra interpretado por Bing Crosby. A vitoria de Garland era tão esperada que uma equipe da NBC foi enviada ao quarto de hospital em que Garland  estava internada para uma entrevista ao vivo. No momento em que a vitória de Grace Kelly foi anunciada, o constrangimento de Judy Garland ganhou transmissão nacional.

Alta Sociedade

Alta Sociedade

O trabalho seguinte da atriz foi se reunir com Alfred Hithcock em “Ladrão de Casaca” (To Catch a Thief) fazendo uma jovem milionária alvo da atenção do renomado ladrão de joias Johf Robbie, vulgo “O Gato”, interpretado por Cary Grant. As filmagens na Riviera Francesa a levaram a um vislumbre do que viveria na vida real. No mesmo ano, ela foi convidada pelo governo francês  para o Festival de Cannes onde conheceu o Príncipe Rainier de Mônaco. Tempos depois, Rainier a pediria em casamento o que a levou a abdicar de uma promissora carreira. Grace Kelly atuou pela última vez ao lado de Frank Sinatra e Bing Crosby em “Alta Sociedade” (High Society) em 1956, uma refilmagem musical da peça de Philip Barry “Nupcias de Escândalo” (The Philadelphia Story) onde Grace canta a belíssima “True Love” de Cole Porter. Rainier e Grace se casaram em 18 de Abril de 1956, um evento que parecia tornar real os contos de fadas. O casal teve três filhos: Carolina, Albert e Stephanie. A vida no palácio, contudo, estava longe de ser um conto de fadas, principalmente no período retratado no filme “Grace de Mônaco” que retrata uma crise política no principado de Mônaco quando o Presidente francês Charles DeGaulle ameaçou invadir Mônaco se este não pagasse um aumento substancial de impostos. A atuação diplomática de Grace foi fundamental para a solução da crise. Apesar de convidada por Hithcock (apaixonado pela musa perdida) para o papel de protagonista de “Marnie, confissões de uma ladra” (Marnie), Grace jamais voltou a atuar novamente. Seus filmes eram proibidos em Mônaco, mas a princesa também teve um admirável trabalho humanitário usando de seu prestígio e do poder da aristocracia para obras beneficientes.

gable e kelly

O fim prematuro veio em um acidente automobilístico em Monte Carlo, Mônaco em 14 de Setembro de 1982 quando seu carro caiu de um despenhadeiro. A colisão lhe causou um derrame cerebral que lhe tirou a vida aos 52 anos. Rumores apontavam que o carro estava sendo guiado por sua filha Stephanie, mas jamais houve confirmação do fato. Ainda lembrada por sua beleza, talento e humanidade, Grace Kelly foi a personificação de uma estrela em todos os sentidos, inclusive no brilho intenso que se apagou cedo demais. Em 1983, a atriz Cheryl Ladd a interpretou em um filme feito para a TV e agora Nicole Kidman tenta nos trazer um vislumbre de uma princesa que nem mesmo a morte apagará de nossos corações.