CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL

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BEST – SELLERS : VICTOR FRANKENSTEIN : O PROMETEU DE MARY SHELLY REVISITADO

Karloff moves.gif             Uma das obras mais revistas, constantemente adaptadas e readaptadas para diversas  mídias, foi escrita em circunstâncias inusitadas : No verão de 1816, Mary Shelley viajou para o campo com seu marido, o poeta Percy Shelley, e Lord Byron, amigo do casal. Isolados do mundo externo devido a chuva, o trio combinou que cada um escreveria um conto de terror. Assim nasceu a história de “Frankenstein”, que encorajado por Percy, foi de um conto a um romance que viria a ser publicado em 1818.

Frankenstein 1910

FRANKESTEIN DE 1910

A ficção de Shelley sobre um cientista que arrogantemente se coloca como Deus ao recriar a vida possui contornos filosóficos que extrapolam os limites físicos de suas páginas. No romance, Shelley não é detalhista com a criação do monstro, lembrando que a ciência rudimentar do século XIX não trazia elementos suficientes para embasar a reanimação de um corpo. O choque elétrico gerado por uma noite de tempestade foi liberdade poética tomada pela adaptação cinematográfica. Mesmo a descrição física da criatura é vaga no livro e coube ao maquiador Jack Perkins elaborar o visual que se fixou no imaginário popular: Corpo descomunal e desajeitado, cabeça achatada com cicatriz enorme na testa, eletrodos nas laterais do pescoço e botas pesadas retardando os movimentos. Outra diferença entre o livro e os filmes, em geral, é que a criatura literária é inteligente e articula bem as palavras, enquanto que o cinema costuma retratá-la como um ser privado de raciocínio, reagindo apenas instintivamente. De qualquer forma, a essência do personagem do monstro é fundamentada na ideia do bom selvagem conforme escrito pelo filósofo francês Jean Jacques Rosseau. A criatura não “nasce” má, mas a hostilidade da sociedade direciona suas reações em vingança e retaliação, principalmente depois de ser rejeitada pelo próprio criador. Tais questões sempre ficaram em segundo plano nas adaptações em favor da criação de uma dimensão de terror e morbidez. As sub-leituras, no entanto, resistem e perduram, razão pela qual a obra de Shelley já foi tantas vezes levada para outras mídias, principalmente depois de ter caído em domínio público. Mais ainda interessante é que a obra de Mary Shelley ganhou na posteridade um status metonímico já que, apesar de Frankenstein ser o sobrenome do cientista criador, ficou associado eternamente ao monstro, este nunca nomeado pela autora. No livro o cientista se chama Victor e não Henry Frankenstein como retartado no filme de James Whale.

karloff

BORIS KARLOFF

AS ADAPTAÇÕES.

A primeira adaptação de “Frankenstein” para o cinema ocorreu ainda no período do cinema mudo, em 1910, produzida pela produtora de Thomas Edison (o inventor da lâmpada), dirigida por J.Searle Dawley e com o ator Charles Ogle no papel do monstro. O filme de 16 minutos é uma raridade que ficou perdida por muito tempo até que uma cópia foi encontrada em Wiscosin em meados da década de 70. A criação do monstro é mostrada de forma atípica: Produtos químicos e poções são misturados para seu nascimento. O efeito foi conseguido queimando um boneco e rolando o filme de trás para a frente. Mais curioso ainda é o fim do monstro, que simplesmente desaparece no ar!! Cinco anos depois, a obra foi disfarçadamente adaptada em “Life without a soul” de Joseph W. Smiley como forma de burlar os direitos autorais, assim como F.W.Murnau fez com seu “Nosferatu”, adaptação de “Drácula”. A criatura foi uma elogiosa atuação do hoje desconhecido Percy Darrel Standing. Ainda houve no período uma versão em italiano em 1920 chamada “IL Monstro di Frankenstein”. A versão mais prestigiada da obra de Shelley foi realizada pela “Universal”, um estúdio menor na época que havia conseguido grande sucesso com o “Drácula” de Bela Lugosi. Um roteiro preliminar foi planejado para ser dirigido por Robert Florey (Os Assassinos da Rua Morgue) e repetindo Bela Lugosi no papel do monstro, e com roteiro supostamente fiel ao livro. O projeto foi cancelado em favor de uma versão embebida de atmosfera expressionista e conduzida tal qual um pesadelo com direção de James Whale e com Boris Karloff (então um ator de segundo escalão) como o monstro. Na época de sua realização a censura Hollywoodiana caiu pesado em cima do filme de Whale, que chegou aos cinemas com cortes. Sequências como a morte da menina Maria no lago e a morte do irmão de Victor Frankenstein foram retiradas da cópia comercializada e somente muito tempo depois restauradas ao filme de Whale. A reação do público ainda assim foi bastante forte à história de Mary Shelley. Como Whale não aproveitou muitos elementos do livro original, a história tomou um novo rumo quando Whale foi chamado pela Universal para dirigir “A Noiva de Frankenstein” (The Bride of Frankenstein) em 1935. O resultado foi bem melhor e Karloff está mais a vontade no papel. O sucesso ainda gerou um terceiro título “O Filho de Frankenstein” (The Son Of Frankenstein) dirigido por Rowland V.Lee com Basil Rathbone no papel do filho do cientista e Bela Lugosi como Ygor, o pastor que usa a criatura como seu instrumento de vingança. A propósito, nunca existiu nas páginas escritas por Mary Shelley a figura de Ygor, o assistente corcunda do Dr.Frankenstein, popularizado em várias adaptações do livro. A Universal ainda realizaria “O Fantasma de Frankenstein” (The Ghost of Frankenstein) de 1941 com Lon Chaney Jr como o monstro, “Frankenstein Encontra o Lobisomem” (Frankenstein Meets The Wolf Man) de 1943 com Bela Lugosi no lugar de Karloff, “A Casa de Frankenstein” (The House of Frankenstein) de 1944, com o monstro interpretado por Glenn Strange e Boris Karloff aparecendo no papel do cientista. Ainda haveria em 1946 a parodia “Abbot & Costello Encontra Frankenstein” (Abbot & Costello Meet Frankenstein) novamente com Glenn Strange no papel da criatura.

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A NOIVA DE FRANKESTEIN (ELSA LANCHASTER & BORIS KARLOFF)

No final da década de 50, a produtora inglesa Hammer Films iniciou um ciclo de filmes ressucitando os monstros do gênero e começou com Peter Cushing no papel de Victor Frankenstein e Christopher Lee como o monstro em “A Maldição de Frankenstein” (The Curse of Frankenstein) em 1957. A adaptação continua a tomar liberdades com o livro de Shelley, mas a caracterização da criatura possui outro visual já que a maquiagem original usada por Karloff nos filmes da Universal era patenteada. Apesar das críticas de que o filme fosse muito violenta, a Hammer obteve grande sucesso de bilheteria, incentivando adaptações de Dracula, Lobisomem, Mumia e outros monstros. A obra de Shelley serviria ainda de fonte inspiradora para várias sequências : “A Vingança de Frankenstein” (The Revenge of Frankenstein) de 1958, “O Monstro de Frankenstein” (The Evil of Frankenstein) de 1958, “E Frankenstein Criou a Mulher” (And Frankenstein Created the Woman) de 1966, “Frankenstein Tem de Ser Destruído” (Frankenstein Must Be Destroyed) de 1969 e “Frankenstein & O Monstro do Inferno” (Frankenstein & The Monster From Hell) de 1974. No mesmo ano em que a Hammer Films encerrou o ciclo, o comediante Mel Brooks dirigiu a melhor paródia do gênero com Gene Wilder fazendo um descendente de Victor Frankenstein que recria a criatura (Peter Boyle). O resultado foi “O Jovem Frankenstein” (Young Frankenstein), uma bela homenagem à versão de James Whale, incluindo utilizando o mesmo maquinário do filme de 1931 que Brooks conseguiu adquirir. Entre o final da década de 60 e a década seguinte, a obra de Shelley foi revivida constantemente na Tv seja pelo desenho da Hanna-Barbera “Frankenstein Jr” , um super herói ou como um simpático pai de família atrapalhado, rebatizado de Herman na sitcom “Os Monstros” (The Munsters), interpretado por Fred Gwynne.

Frankenstein 1995

O MONSTRO DE ROBERT DE NIRO

MARY SHELLEY  NOS ANOS 80 & MAIS

O Brasil teve seu própria versão do monstro na forma de um divertido curta-metragem realizado em 1986 por Eliana Fonseca e Cao Hamburger: “Frankenstein Punk” recria em animação a experiência do cientista e o nascimento da criatura que termina saindo pelas ruas e … imitando Gene Kelly ao som de “Singin in the rain”. O curta foi exibido com sucesso em Gramado e no Festival do Rio em que venceu como melhor curta. A década de 80 ainda teve “A Prometida” (The Bride) de 1985 que trazia o cantor Sting como Victor Frankenstein que refilmava “A Noiva de Frankenstein”, trazendo Jennifer Beals (de “Flashdance”) como a noiva. A melhor versão da obra de Shelley, contudo, embora muito subestimada, é “Frankenstein de Mary Shelley” (Mary Shelley’s Frankenstein) de 1995 com Robert De Niro como o monstro e Kenneth Branagah como Victor Frankenstein. O filme foi a primeira adaptação a respeitar a obra original, incluindo, deixando que a narrativa siga desde o começo em flashback com Victor contando sua profana experiência e suas consequências para o capitão de um barco no ártico, para onde Victor perseguira a criatura para destruí-la. O filme foi produzido por Francis Ford Coppola, que a principio também o dirigiria assim como fizera poucos anos antes com “Dracula de Bram Stoker”. Brannagah assumiu a direção e foi duramente criticado como pretensioso, uma avaliação no mínimo equivocada já que manipular o mecanismo da vida e da morte torna seu personagem pretensioso e arrogante ao extremo e Brannagah conseguiu transmitir adequadamente todas as implicações sugeridas no romance original. Ainda tivemos “Frankenstein O  Monstro das Trevas” (Frankensteion Unbound) de Roger Corman, que mistura viagem no tempo à clássica história.

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A VERSÃO DA HAMMER COM CHRISTOPHER LEE

Recentemente teve o péssimo “Frankenstein Entre Anjos E Demônios” (I Frankenstein) com Aaron Eckhart no papel do monstro em um filme que abusa da liberdade poética colocando a criatura de Mary Shelley em um cenário pós apocalíptico no meio de uma guerra entre duas facções de imortais. Finalmente chegamos a nova versão “Victor Frankenstein” que traz James McAvoy e Daniel Radcliff em uma releitura modernizada do livro. A própria Universal já anunciou para breve que refilmará também a história como parte de um universo compartilhado entre vários monstros do gênero. Não fica dúvida que o delírio do cientista no filme de James Whale ainda é relevante; “IT’S ALIVE !”. A obra de Mary Shelley ainda vive.

BOND 17 : 007 CONTRA GOLDENEYE

UM ESCLARECIMENTO AOS AMIGOS LEITORES DO BLOG: QUANDO INICIEI ESSA SÉRIE DE ARTIGOS SOBRE OS FILMES DE 007 MINHA PRETENSÃO ERA COBRIR TODOS OS TÍTULOS, UM POR UM, ATÉ A DATA DA ESTRÉIA DE “007 CONTRA SPECTRE”. INFELIZMENTE NÃO FOI POSSÍVEL FAZÊ-LOS A TEMPO. AINDA ASSIM LHES DIGO QUE CONTINUAREI COM A MISSÃO TERMINANDO TODOS OS FILMES DA ERA BROSNAN E TAMBÉM TODOS OS FILMES DA ERA CRAIG, QUE PARECE TER CHEGADO FIM COM A CHEGADA DE “007 CONTRA SPECTRE”. AOS FÃS DO AGENTE SECRETO E AOS LEITORES DO BLOG AFIRMO QUE TEM AINDA MUITA COISA INTERESSANTE SOBRE OS BASTIDORES DESSA FRANQUIA MILIONÁRIO QUE NASCEU NA LITERATURA DE ESPIONAGEM E GANHOU PERSONALIDADE PRÓPRIA DENTRO DA HISTÓRIA DA SÉTIMA ARTE.  MUITOS PODEM ATÉ NÃO GOSTAR TANTO DE BOND, MAS NÃO HÁ COMO IGNORAR SUA IMPORTÂNCIA. ENTÃO RECOMEÇEMOS COM O 17º FILME DA SÉRIE E PRIMEIRO ESTRELADO POR PIERCE BROSNAN, DE PREFERÊNCIA SABOREANDO UMA TAÇA DE MARTINI, BATIDO E NÃO MEXIDO COMO O PERSONAGEM PEDE.

 

Goldeneye Bond e bondgirls

Pierce Brosnan, Izabella Scorupco & Famke Janssen

Há exatos 20 anos James Bond voltou às telas repaginado para uma nova geração em “007 Contra  GoldenEye”. O mundo, no entanto, era muito diferente do que havia sido contextualizado para o personagem: Não havia mais a guerra fria, a cortina de ferro foi derrubada  e os interesses globais não mais se desdobravam em  ideologias bipolarizadas. O equilíbrio de forças no mundo ainda sofria seus revezes e aí é que entra Brosnan, Pierce Brosnan.  Pela primeira vez, um roteiro de 007 havia sido feito sem nenhuma ligação com os livros de Ian Fleming, desta vez nem mesmo o título. Foi também o primeiro vez sem a mão do roteirista Richard Maibaum que havia falecido durante o longo hiato entre o filme anterior “007 Permissão Para Matar” e o novo filme que fora planejado ainda com Timothy Dalton em mente. Este anunciara em 1994 que estava oficialmente fora, sem nenhum interesse de voltar ao papel.  Foram pensados para o papel nomes como Liam Neeson,  Mel Gibson, Sam Neill ,Hugh Grant e Ralph Fiennes (que mais tarde faria o papel de M a partir de “Skyfall”), até que Albert Broccoli escolhesse finalmente Pierce Brosnan que já havia sido cogitado para 007 na época de “007 Marcado Para a Morte” (The Living Daylights) de 1987, mas que acabou não sendo efetivado devido ao contrato que o ator tinha com a série de TV “Remington Steele”. Foi a última vez que Broccoli faria pessoalmente a escolha do ator para Bond, já que Broccoli viria a falecer pouco depois. Curiosamente, Brosnan havia sido casado com a atriz Cassandra Harris, que foi uma das Bond girls de Roger Moore em “007 somente para seus olhos” (For your eyes only).

Goldeneye Bond viloes

Os Vilões continuam ameaçadores, mesmo que um deles seja um nerd do mal (Alan Cummings) ao lado de Sean Bean, o traidor 006.

A história do novo filme mostra Bond enviado em missão para recuperar o Goldeneye, um sistema de satélites capaz de provocar pane em qualquer  circuito eletrônico do mundo, desde o mecanismo de um relógio ao mais sofisticado computador. O aparelho acaba caindo nas mãos da organização Janus, a máfia russa surgida dos escombros da antiga União Soviética e dos dissidentes da KGB. Bond enfrenta o General Ourumov (Gottfried John), sua assassina sádica Xenia Onatopp (Famke Jansen) e o agente traidor Alec Trevelyan (Sean Bean) que era amigo de Bond e que o conhece muito  bem. Bond conta apenas com a ajuda do agente da Cia Jack Wade (Joe Don Baker) e a operadora de sistema Natalya Simonova (Izabella Scorupco). No elenco de Bondgirls, Xenia ficou com a atriz holandesa Famke Jansen, que depois interpretou a mutante Jean Grey nos filmes da franquia “XMen”. Já Izabella Scorupco é atriz e cantora de origem polonesa. O maior adversário de Bond ficou o ator Sean Bean, que chegou a fazer teste para o papel de James Bond já na época de “007 Marcado Para a Morte” em 1987. O elenco de apoio foi renovado começando por M, o chefe de Bond, que ficou com a atriz Judy Dench. O único que manteve o papel foi Desmond Lewlley, o Q, gênio inventor por trás das traquinas bondianas. Presença digna de nota também é o nerd do mal vivido por Alan Cummings (o Noturno de X Men 2) que trai seus amigos e está a todo momento tentando se reafirmar dizendo “I am invincible” (Sou Invincível), incluindo do desfecho.

Goldeneye Judy Dench

M (Judy Dench) dá uma dura em 007 : “Você é um dinossauro sexista e misógino”

O filme foi dirigido por Martin Campbell que imprimiu um ritmo ágil que segura o interesse na trama, mantendo o tom mais sério iniciado na era Dalton. O resultado foi uma bilheteria mundial de mais de $ 350 milhões para um orçamento de $58 milhões. O roteiro acerta em cheio de forma a apresentar Bond para a geração 90 como na cena em que M (Dench) chama Bond de “dinossauro sexista misógino”, destacando o anacronismo da figura do super espião em um mundo onde o maniqueísmo deixou de ter sentido e as intrigas políticas abandonaram ideologias em favor de interesses econômicos.  A trilha sonora traz a voz de Tina Turner na canção de abertura, que quase foi gravada pelo grupo Rolling Stones. A banda sueca “Ace of Base” também foi cogitada, e depois descartada. Foi o primeiro filme de 007 a usar tecnologia digital, apesar de algumas sequências tradicionais como o mergulho de bungee-jumping na abertura do filme, a perseguição de tanques que levou seis meses para ser concluída e cenas de luta que dispensavam muitas vezes os dublês. Brosnan chegou a machucar sua mão em uma dessas cenas, e seu filho Christopher Brosnan usou a própria para emular a do agente. A sequência final na gigantesca antena foi filmada na mesma locação usada para o filme “Contato”, com Jodie Foster. O nome do filme ainda guarda uma referência ao criado do personagem já que “GoldenEye” foi o nome de uma operação de espionagem real na qual Ian Fleming se envolveu quando este trabalhava para a Inteligência Naval Britânica durante a segunda guerra. A operação tratava da possível invasão da Espanha por tropas nazistas. Quando Fleming se tornou um escritor bem sucedido, este usou o nome “GoldenEye” para batizar sua casa na Jamaica onde se desenvolvia seus livros.

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Bond & Simonova 

O sucesso nas bilheteria do filme de Martin Campbell restaurou o prestígio de franquia, se tornando a mais rentável desde “007 Contra o Foguete da Morte” (Moonraker) na era Moore, superando inclusive as duas incursões de Timothy Dalton no papel. Brosnan ficou com um contrato para mais três filmes.e sua licença para matar ou divertir foi renovada definitivamente.

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 O AMANHÃ NUNCA MORRE”.

TRAILLER: DEUSES DO EGITO

GODS OF EGYPT. DIR: ALEX PROYAS. COM GERARD BUTLER, NIKOLAJ COSTER-WALDAU,BRENTON THWAITES, GEOFFREY RUSH, RUFUS SEWELL, COURTNEY EATON. FANTASIA MITOLÓGICA.
ESTREIA ANUNCIADA PARA : 13 DE ABRIL DE 2106.
SINOSPE : APENAS LEVEMENTE INSPIRADO NA MITOLOGIA EGÍPCIA, O LADRÃO BEK (THWAITES)ROUBA UM DOS OLHOS DE HORUS (WALDAU) DEVOLVENDO-O AO SEU LEGÍTIMO DONO E SENDO PERSEGUIDO PELO MALÉFICO SET (BUTLER) – QUE NO PASSADO DERROTARA HORUS PRIVANDO-O DA VISÃO. O QUE SEGUE É UMA GUERRA ENVOLVENDO AS DIVINDADES EGÍPCIAS PONDO EM JOGO A PRÓPRIA EXISTÊNCIA.

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PRIMEIRA IMAGEM – MULHER MARAVILHA

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DIVULGADA A PRIMEIRA IMAGEM DAS FILMAGENS DO FILME DA MULHER MARAVILHA COM A ATRIZ GAL GADOT. A PREVIS’AO [E QUE O FILME SEJA LAN;ADO EM 2017, COM DIREÇAO DE PATTY  JENKINS. AGUARDAMOS PARA BREVE A CONFIRMAÇÃO DA ATRIZ PARA A RAINHA HIPÓLITA, QUE TALVEZ SEJA A ATRIZ NICOLE KIDMAN.

ESTREIAS DA SEMANA: EM CARTAZ A PARTIR DE 18 DE NOVEMBRO

JOGOS VORAZES – A ESPERANÇA: O FINAL

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(The Hunger Games – Mockinjay) EUA 2015. Dir:Francis Lawrence. Com Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Julianne Moore, Woody Harrelson, Natalie Dormer, Liam Hemsworth. Ação.  Quarto e ultimo filme adaptado da popular série escrita pela norte-americana Suzanne Collins recomeça a história do ponto em que o anterior parou, lembrando que o terceiro e último livro foi desmembrado em dois filmes, assim como ocorrera com o último Harry Potter e o último Crepúsculo.  A personagem central da trama, vivida pela talentosa Jennifer Lawrence, conquistou o carinho dos fans e assegurou seu lugar como uma das heroínas mais representativas do cinema contemporâneo. A obra de Collins consegue o mérito de criar explorar uma distopia teen que consegue se conectar com o público mis adulto. A luta de Katniss contra o sistema é a luta do individuo contra qualquer forma de opressão, não somente a políitca, e nessa sub leitura o livro ganha uma dimensão maior que o filme que se foca mais na ação que na filosofia.

Algumas das falas que seriam do ator Philip Seymour Hoffman foram reaproveitadas para o personagem de Woody Harrelsson já que Hoffman falecera sem completar as filmagens.

 

CHATÔ – O REI DO BRASIL

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(Bra 1995) Dir:Guilherme Fontes. Com Marco Ricca, Paulo Bette, Leandra Leal, Walmor Chagas, José Lewgoy. Drama / Biopic

Eu nem acreditei quando soube que finalmente foi lançado esse projeto iniciado há 20 anos e que conta a trajetória de vida de uma figura emblemática de nosso passado, o jornalista e empresário Assis Chateubriand (1892 – 1968). Entre diversas atividades, foi ele quem trouxa a televisão ao Brasil, participou de seu nasci mento como veiculo de comunicação e inaugurou a primeira emissora, a saudosa Tv Tupi. O longo imbróglio judicial que atrasou em décadas o lançamento do filme de estreia do ator Guilherme Fontes na direção. O filme teve seu roteiro adaptado do livro de Fernando Morais, editado pela Companhia das Letras,  que trata dessa figura tão importante, que claro é tratado mais com liberdade poética de que com a pretensão de ser uma obra documental. O filme é uma dramatização, como de costume em filmes biográficos, mas se permite enveredar muitas vezes pelo humor e pela abordagem caricatural dessa figura, muito bem representada pela atuação de Marcos ricca. Curiosa participação de Leandra Leal (então com 15 anos) e dos veteranos Jose Lewgoy e Walmor Chagas, já falecidos. O filme, que quase chegou a ter a direção de Francis Ford Coppola,  merece atenção que lamentavelmente talvez não alcance dada a falta de memória que acomete nosso povo, pouco interessado em seu próprio passado.

BOND 16 : 007 PERMISSÃO PARA MATAR

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1989 foi um ano de muita concorrência no cinema: O Batman de Tim Burton, Máquina Mortífera 2, Indiana Jones & A Última Cruzada entre outros dividiam a atenção do público e as gordas bilheterias das salas de exibição. Em meio a tudo Timothy Dalton retorna como James Bond em “007 Permissão Para Matar” (License to Kill) em um filme que desagradou muito aos fãs. Na época, o roteirista   Richard Maibaum (em seu último trabalho na série) usou alguns elementos de “Live & Let Die” e “ The Hildebrand Rarity”, este último um conto inicialmente publicado na revista Playboy em 1960 e depois incluída na coletânea “For Your Eyes Only” .

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No filme, o agente da CIA Felix Leiter (David Hedison), amigo   pessoal de Bond, se casa mas é capturado e torturado pelo traficante de drogas Franz Sanchez (Robert Davi). A esposa de Leiter morre e o ex-agente fica entre a vida e a morte. Bond, praticamente, se rebela diante da inatividade do serviço secreto britânico, abandona seu trabalho e parte em missão pessoal para encontrar e matar Sanchez. Bond,   recebe a ajuda de Q (Desmond Llewellyn), se infiltra no grupo do vilão e conquista sua confiança com o objetivo de desbaratar sua organização e matá-lo. A história se desdobra como um filme de ação convencional e a figura de Bond ganha contornos mais humanos uma vez que este se entrega a um irrefreável instinto de retaliação. As bond-girls Pam Bouvier (Carey Lowell) e Lupe Lamora (Talisa Soto) dividem a atenção de 007  e se integram à ação em que terão que escolher um lado,  em uma história de vingança pessoal, destituída de qualquer contextualização política. David Hedison reprisa o papel de Felix Leiter que fizera em “Com 007 Viva & Deixa Morrer” em 1974, sendo o primeiro ator a reprisar o personagem que tivera outros intérpretes em outros filmes. O vilão da vez ficou com Robert Davi, mais lembrado como um dos irmãos Fratelli em “Os Goonies”.

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Foi a primeira vez que um filme de 007 teve um título (que a princípio seria “License Revoked” ) sem nenhuma conexão com os livros de Ian Fleming. Analisando como um filme da série é razoável, menor quando comparado ao filme anterior, mas ainda superior a outros, principalmente à era Moore. Analisando como um filme de ação é bom e funciona por dinamizar mais as motivações de seu protagonista, um direcionamento que seria retomado muitos anos depois em “Quantum Of Solace”, já na era Craig.  A bilheteria baixa do filme foi decepcionante para o apelo que sempre se esperou de um filme de 007, sendo considerada a pior arrecadação da série, o que não significa dizer que tenha sido um prejuízo uma vez que seu custo de $32 milhões deu um retorno internacional de mais de $250 milhões na época.

O contrato de Dalton, na época, previa um terceiro filme que acabou não acontecendo porque a MGM e a United Artists foram vendidas a um grupo australiano que planejava fazer uso dos filmes da franquia sem acordo comum com a EON Pictures de Albert Broccoli. A disputa judicial paralisou sucessivamente todas as tentativas de se iniciar um novo filme. Nos seis anos que se seguiram até que os aspectos legais fossem resolvidos, o contrato de Dalton expirou sem que o ator galês se interessasse em renovar, uma vez que sua carreira teatral  se consolidava com sucesso. Bond só retornaria em 1995 já com um novo intérprete, mas isso é história para o próximo artigo.

 

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 CONTRA GOLDENEYE

 

 

IAN FLEMING – O ESPIÃO QUE TODOS AMAM

Ian Fleming

Ian Fleming

Fleming, Ian Lancaster Fleming nasceu em Londres, em 28 de Maio de 1908, o segundo filho , dos quatro, do Major Valentine Fleming,  seguiu uma educação conservadora, tendo estudado no Eton College, tradicional escola britânica, onde também estudaram os príncipes William e Harry, atuais herdeiros da coroa britânica. Depois de Eton, Ian entrou para a Real Academia Militar de Sandhurst, mas, contrariando a vontade da mãe, não seguiu a carreira militar e deixou Sandhurst para estudar idiomas na Suíça, aprendendo a falar, fluentemente, o Francês, o Alemão e o Russo, o que foi fundamental mais tarde para os passos que daria até chegar ao seu sucesso editorial. Fleming viveu – ele próprio – as intrigas do período da guerra fria, já que trabalhou para o Serviço de Informações da Marinha Britânica, durante a Segunda Guerra, onde empregou sua incrível habilidade com idiomas. Fleming chegou a alcançar a patente de Capitão-de-Fragata (Commander). Fleming também foi jornalista, tendo trabalhado na agência Reuters, por três anos, e, depois da guerra, chegou à editoria internacional da Kemsley Newspapers, dos mesmos donos do Sunday Times.

Albert Broccoli, Ian Fleming, Sean Connery e Harry Staltzman (Da direita para a esquerda)

Albert Broccoli, Ian Fleming, Sean Connery e Harry Staltzman (Da direita para a esquerda)

Casou-se, em 1952, com Anne Rothermere e, nesse mesmo ano, tiveram seu único filho, Caspar. Nessa ocasião, já com residência fixada na Jamaica, escreveu a primeira aventura de James Bond, em um período de dois meses. Reza a lenda que Fleming teria batizado seu super agente com o nome de um ornitólogo, cujo livro (Birds of the West Indies), favorito de sua  esposa, era mantido na cabeceira da mesma. Contudo, “Dr. No” não foi o primeiro romance do super espião. Bond nasceu nas páginas de “Cassino Royale”, que veio a ser publicado em 1953 e foi o único livro da série não adquirido pelos produtores Harry Saltzman e Albert Broccoli. Este livro,  que teve uma tiragem inicial de 4 mil exemplares, surpreendeu o editor Jonathan Cape quando, em um ano, alcançou a marca de 10 mil exemplares vendidos, levando –é claro- Fleming a escrever outros romances. Fleming, também, escreveu o livro infantil “Chitty Chitty Bang Bang”, dedicado ao seu filho, e que foi adaptado para o cinema em 1968 (O Calhambeque Mágico), com Dick Van Dyke, Sally Ann Howes e Gert Frobe (o intérprete do vilão Auric Goldfinger, da 7ª história de Bond). Lamentavelmente, o filho de Ian Fleming morreria, em 1974, de uma overdose de drogas.

Sean Connery, Luciana Paluzzi e Adolfo Celi.

Sean Connery, Luciana Paluzzi e Adolfo Celi.

Os fãs mais novos de 007 talvez não saibam mas o novo filme do agente secreto (o 24º da série) coroa a volta de elementos literários que eram proibidos aos filmes. Tudo começou em 1959 quando o produtor Kevin McClory propôs uma história original para um filme de James Bond e que se chamaria “James Bond, Secret Agent” com Richard Burton no papel de 007. Um roteiro foi escrito por McClory, Jack Whittingham em conjunto com Fleming, e uma das ideias era que Bond deveria deixar de lado a SMERSH, a agência de contra-espionagem soviética (que aliás era baseada em uma agência real homônima), de forma a desvincular 007 da guerra-fria. McClory e Whittigham pensaram em uma organização apolítica, sem ligação direta com a antiga União Soviética, o que ampliaria o campo de ação das tramas. Assim nasceu a SPECTRE, como um adversário mais genérico em sua natureza, podendo se ajustar em qualquer contexto político global, mas com potencial destrutivo imenso. Seu líder seria o megalomaníaco Ernest Stravos Brofeld, criado para ser o nêmesis de Bond tal qual o professor Moriarty para Sherlock Holmes. Fleming aceitou a colaboração de McClory e Whittingham e interagiu com ambos durante um bom tempo, mas acabou mudando de ideia, assinando com Harry Saltzman e Albert Broccoli para a adaptação de todos os livros escritos por Fleming, deixando de fora do contrato apenas “Cassino Royale”, justamente o primeiro livro escrito por Fleming, e que havia sido adaptado para a Tv britânica em 1954 com Barry Nelson como 007 e Peter Lorre como o vilão Le Chiffre, um operativo da SMERSH.

Telly Savalas, uma das faces de Brofeld

Telly Savalas, uma das faces de Brofeld

Broccoli julgava a história meio parada, sem ação e por isso a ignorou, buscando no 5º livro escrito por Fleming, “Dr.No”, a história para a estreia cinematográfica de 007, ignorando também que o livro fazia menção a eventos ocorridos nos livros anteriores. A estreia de 007 nos cinemas aconteceu em Outubro de 1962 no Reino Unido e, somente sete meses depois nos Estados Unidos. No ano anterior, Fleming, contudo, utilizou as ideias de McClory (a organização SPECTRE substituindo os vilões comunistas e o vilão Brofeld, que foi batizado por Fleming com o sobrenome do pai de um amigo dos tempos de colégio etc…) para a história que passou a se chamar “Thunderball” e que publicou sem dar crédito a McClory e Whittingham.

Sean Connery em "Nunca Mais Outra Vez"

Sean Connery em “Nunca Mais Outra Vez”

A SPECTRE demonstrou-se tão funcional dentro das aventuras de 007 que os filmes de Broccoli passaram a mencioná-la em substituição a SMERSH, mas Brofeld nunca aparece completamente nos filmes, ficando como um manipulador de todos os eventos. Para os fans ele era apenas um vulto com um gato persa no colo (satirizado décadas mais tarde por Mike Myers e seu Dr.Evil) que era feito nos primeiros filmes por Anthony Dawson até que Donald Pleasance, Telly Savalas e Charles Grey vivessem o personagem respectivamente no 5º, 6º e 7º filme da série.

O sucesso de vendas do livro “Thunderball”, com uma tiragem de mais de 50 mil exemplares,  levou Broccoli a adaptá-lo como o quarto filme da série. No Brasil, o livro foi inicialmente batizado de “Operação Relâmpago” e editado pela Civilização Brasileira ainda em 1961, sendo rebatizado a partir de 1965 de “Chantagem Atômica” assim como o filme dirigido por Guy Hamilton. O filme deixaria de fora o passado de Brofeld, explicado no livro e troca o nome de uma das principais assassinas sob suas ordens, Fatima Blush, que no filme tornou-se Fiona, interpretado pela atriz Luciana Paluzzi. Dois anos antes da estreia do filme, um acordo feito fora dos tribunais deu a Fleming os direitos sobre o livro e a McClory o crédito de produtor ( no lugar de Broccoli & Saltzman) e escritor do texto original, além do direito de refilmar a história depois de um período de 10 anos.

Fleming voltou a citar a SPECTRE nos livros escritos na sequência : “O Espião que me Amava” (1962), “A Serviço de Sua Majestade” (1963), e “A Morte no Japão” (You Only Live Twice), mas a saúde do autor havia debilitado muito e o processo judicial movido por McClory lhe garantiu uma indenização de 50 mil libras de indenização. Para Fleming, o desgaste emocional da peleja legal contribuiu para o ataque cardíaco fatal que sofrera em 12 de Agosto de 1964.

James Bond livros

As adaptações de seus livros se seguiram, mas a relação entre McClory e a EON Productions de Albert Broccoli se deteriorou ainda mais com o primeiro vetando qualquer menção a SPECTRE e Brofeld nos filmes que se seguiram após “007 Os Diamantes São Eternos” (Diamonds are Forever)   de 1970, onde Brofeld foi interpretado por Charles Grey. Broccoli, por sua vez, usou de todos os recursos a sua disposição para impugnar os direitos de refilmagem de “Thunderball” concedidos a McClory. Em 1981, como uma resposta a McClory de que 007 era maior que sua contribuição, Broccoli produz “007 Somente Para seus Olhos” (For Your Eyes Only”) onde Bond (Roger Moore) mata Brofeld, sem que seu nome seja mencionado e sem que seu rosto seja visto.

O novo filme: A volta da Spectre

O novo filme: A volta da Spectre

McClory eventualmente conseguiu fazer sua refilmagem em 1984, se associando ao produtor Jack Schwartzman e rebatizando o filme de “Nunca Mais Outra Vez” (Never Say Never Again) trazendo Sean Connery de volta ao personagem e justificando o título escolhido (Connery havia prometido antes nunca mais interpretar Bond) depois que Broccoli conseguiu proibir judicialmente que McClory usasse o nome “James Bond” ou o código famoso 007 no nome de sua versão. Também não poderia usar a célebre sequência em que Bond atira na direção da câmera, nem usar o clássico tema musical de Monty Norman e John Barry. Curiosamente, a EON pictures lançou pouco antes de MacClory seu filme tido como oficial “007 Contra Octopussy” (Octopussy) com Roger Moore que se saiu melhor na bilheteria que a refilmagem de MacClory. Depois de anos sem ouvir falar da SPECTRE ou Brofeld novamente em qualquer filme, todos os fans foram pegos de surpresa quando foi anunciado o nome do novo filme com Daniel Craig, uma vez que MacClory já havia falecido, permitindo a EON Pictures negociar com os herdeiros dele a utilização desses elementos que comprovam a ideia inicial de que Bond deveria estar acima da guerra fria, livre das amarras da contextualização em que foi inicialmente criado, mas ainda a serviço do equilíbrio de forças em um mundo em que, mais de 50 anos depois de sua criação, ainda precisa de 007 para lutar contra as forças do mal.

BOND 15: 007 MARCADO PARA A MORTE

Quando Roger Moore deixou o papel de James Bond em 1985, o cinema estava dominado pelos filmes de ação dos futuros mercenários Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, a guerra fria já não era mais a mesma e o tom nada sério que perdurou na era Moore havia desgastado a imagem de 007 diante do público. Broccoli precisava se adaptar à década de 80 e também Bond, cujo apetite sexual não era condizente com as assustadoras noticias sobre a AIDS que chegavam às pessoas. Além disso, praticamente quase todos os livros de Fleming já haviam sido adaptados (Os títulos ao menos, já que sabemos que as histórias eram sempre modificadas).

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“The Living Daylights” era originalmente um dos contos publicados na mesma coletânea que “Octopussy” e tratava da deserção de um oficial russo que atraía Bond para trás da cortina de ferro (como era chamado os países socialistas do leste europeu). O oficial é recapturado e Bond mergulha na investigação dos eventos que envolvem um plano para deflagar um novo conflito mundial. O roteiro novamente de Michael G.Wilson e Richard Maibaum muda vários elementos do conto original, deslocando a deserção das  fronteiras das Alemanhas (Ocidental e Oriental como era então dividida) para a Thechosolaquia. A direção foi entre entregue para John Glenn pela quarta vez e nota-se sua tentativa de recriar a franquia Bond com um ritmo mais acelerado de ação, sem humor intencional ou involuntário, se aproveitando da nova imagem do personagem personificado por um novo intérprete. Foram cogitados na época os nomes de Christopher Lambert, Mel Gibson e Sam Neill que chegou a fazer testes de cena. O escolhido acabou sendo … o irlandês Pierce Brosnan, mas este estava preso sob contrato à série de TV “Remington Steele”, situação semelhante a que passou Tom Selleck que por causa de seu contrato com Magnum na Tv não pôde fazer Indiana Jones.  O destino pregou curiosa peça já que Timothy Dalton já tinha sido, no passado, considerado para o papel de 007 quando Sean Connery deixou o papel livre após “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” em 1967. Na época Dalton era muito jovem, mas agradou o suficiente para que o convite fosse refeito e o ator galês fosse anunciado como o novo 007 ainda em 1986. O filme “007 Marcado para a Morte”, título nacional para “The Living Daylights” acertou no tom e na escolha: Timothy Dalton, agora com 41 anos, fazia um Bond mais jovial que Moore e mais sério, mais próximo inclusive dos livros de Fleming e mais comportado sexualmente. Sua única Bond girl no filme é a atriz Maryam D’Abo que havia sido testada para um papel secundário em “007 Na Mira dos Assassinos” (A View to a Kill) e embora tenha sido reprovada, chamou a atenção de Barbara Broccoli, que se lembrou da atriz, então com 27 anos, para o papel da violoncelista Kara Milovy.

007 marcado para a morte

O novo filme de Bond também foi o último a  ter a trilha sonora composta por  John Barry e o primeiro em que a personagem Srta Moneypenny não é interpretada por Lois Maxwell, tendo sido substituída por Caroline Bliss. Outra mudança é o personagem do russo Pushkin (John Rhyes Davis, o anão Gimli de “O Senhor dos Anéis”) que entra na trama em papel chave que seria a principio desempenhado pelo General Gogol (Walter Gotell), personagem recorrente nos filmes anteriores da série. O problema era que o ator Walter Gotell estava com a saúde debilitada e não poderia assumir uma papel mais ativo na trama, ficando este com uma pequena aparição, sua última nos filmes de 007.

Timothy Dalton e Carey Lowell

A canção-tema ficou com a banda norueguesa A-HA, dando ao filme um clima mais pop, sendo que os produtores chegaram a convidar Morten Harken (o vocalista da banda) para um pequeno papel, mas o cantor recusou. O filme custou em torno de $40 milhões e rendeu bem mais do que o dobro, tendo estreado em 30 de Julho de 1987 e coroando Dalton no papel que voltaria a desempenhar apenas mais uma vez, dois anos depois.

JAMES BOND RETORNARÁ AO BLOG EM “007 PERMISSÃO PARA MATAR”