OSCAR 2016 – OS VENCEDORES

MELHOR FILME – SPOTLIGHT SEGREDOS REVELADOS

DIREÇÃO – ALEJANDRO INARRITU POR “ O REGRESSO”

ATOR – LEONARDO DI CAPRIO POR  O REGRESSO”

ATOR COADJUVANTE – MARK RYLANCE POR “PONTE DOS ESPIÕES”

ATRIZ – BRIE LARSON POR “ O QUARTO DE JACK”

ATRIZ COADJUVANTE – ALICIA VIKANDER POR “A GAROTA DINAMARQUESA”

ROTEIRO ORIGINAL – SPOTLIGHT SEGREDOS REVELADOS

ROTEIRO ADAPTADO – THE BIG SHORT

MELHOR DOCUMENTÁRIO – AMY

DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM – A GIRL IN THE RIVER

MONTAGEM – MAD MAX ESTRADA DA FURIA

MAQUIAGEM E CABELO – MAD MAX ESTRADA DA FURIA

TRILHA SONORA ORIGINAL – ENNIO MORRICONE POR “ OS 8 ODIADOS “

DESIGN DE PRODUÇÃO – MAD MAX ESTRADA DA FURIA

MELHOR CURTA-METRAGEM – STUTTERER

ANIMAÇÃO – DIVERTIDA MENTE

CURTA DE ANIMAÇÃO – BEAR STORY

FILME ESTRANGEIRO – O FILHO DE SAUL

FOTOGRAFIA – O REGRESSO

FIGURINO – MAD MAX ESTRADA DA FURIA

CANÇÃO ORIGINAL – SAM SMITH – WRITING’S ON THE WALL DE “ 007 CONTRA SPECTRE “

EDIÇÃO DE SOM – MAD MAX ESTRADA DA FURIA

MIXAGEM DE SOM – MAD MAX ESTRADA DA FURIA

EFEITOS VISUAIS – EX MACHINA

 

 

 

 

 

CLÁSSICO REVISITADO : OS 30 ANOS DE “CURTINDO A VIDA ADOIDADO”

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VIVER A ESSÊNCIA DA VIDA ANTES QUE ELA PASSE

Imagine poder viver em um único dia, tudo que talvez levasse a vida inteira para conseguir. Esse imediatismo utópico já passou pela cabeça de qualquer um que já tenha fantasiado fugir da mesmice, se despir do peso das responsabilidades e viver intensamente como se não houvesse amanhã. Pois, há 30 anos um adolescente fez isso por nós e até hoje está em nossa memória afetiva como a realização virtual dessa fuga do lugar comum, da mediocridade e do ordinário. SALVE FERRIS  BUELLER !!

bueller liberdade

LIVRES POIS O MUNDO ADULTO É CHATO

Ter sido adolescente nos anos 80, como eu próprio, foi uma benção:  Joguei Atari, ouvi meu walkman, assisti ao primeiro Rock ‘n Rio e tivemos John Hughes. Nenhum outro diretor / roteirista conseguiu se conectar tanto com a juventude quanto ele, revelando talentos novos para o cinema da referida década. Hughes criou o personagem de Ferris Bueller (Mathew Broderick), um adolescente que decide passar um dia inteiro ao lado do melhor amigo, o pessimista Cameron Frye (Alan Ruck) e da namorada Sloane Peterson (Mia Sara), longe da escola, ou como o próprio conta “a vida passa muito depressa e se não paramos para curtí-la, ela escapa por nossas mãos “. Curtir significou sair pela cidade de Ferrari, almoçar em um restaurante cinco estrelas se passando por um figurão, assistir ao jogo de baseball mais sensacional da temporada, ir ao museu, tomar banho de piscina e ainda cantar ao vivo no meio de um desfile. Tudo isso, enganando os pais, a irmã chata, os professores e em especial o diretor da escola que o persegue. Brilhante !

bueller amizade eterna

A AMIZADE VERDADEIRA É ETERNA

Análises já foram feitas apontando a simplicidade do roteiro apontando seus personagens como estereótipos de uma América consumista e superficial. O fato é que Hughes soube como dar voz aos anseios adolescentes: Ferris diz não à vida entediante  e são suas ações irresponsáveis e ousadas que tiram Cameron do marasmo que habita, vindo a dar-lhe o sendo de amor próprio que lhe falta. Na vida real, Broderick tinha 23 anos na época e Alan Ruck, o Cameron tinha 29 e já era um homem casado. Ambos tiveram uma química especial em cena (ambos já haviam trabalhado juntos no teatro na peça de Neil Simon “Biloxi Blues” , que viria a ser filmado dois anos depois com o próprio Mathew Broderick), sendo que seus papeis haviam sido inicialmente para Anthony Michael Hall e Emilio Estevez respectivamente. Mesmo o papel de Sloane Peterson passou perto de ir para Molly Ringwald, antes da belíssima Mia Sara, que tinha então 18 anos. Sara admitiu posteriormente que nos bastidores estava de fato apaixonada por Broderick, mas este namorava Jennifer Grey, a atriz que fazia o papel de sua irmã. Foi, inclusive Jennifer Grey quem conseguiu o papel do jovem drogado na delegacia para Charlie Sheen, com quem jpá havia trabalhado antes em “Amanhecer Violento” (Red Dawn). Sheen revelou que ficou 48 horas sem dormir para ficar com o visual necessário para o papel, curiosamente um papel que viveu intensamente na vida real. Nos bastidores, outro casal se formou entre Lyman Ward e Cindy Pickett, que interpretavam os pais de Ferris. Ao final do filme, ambos se casaram, tiveram dois filhos e ficando juntos por seis anos.

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SE MEXA E GRITE

Várias sequências se fixaram na memória afetiva de quem assistiu o filme, lançado no Brasil em dezembro de 1986 e, exibido na Tv pela primeita vez dois anos depois na Tela Quente da Rede Globo. A mais icônica: Ferris Bueller cantando “Twist and shout” dos Beatles, filmada em um desfile de verdade, um evento anual em Chicago que emprestou várias locações à produção. O tema de John Williams para “Star Wars” caiu como uma luva na sequência em os dois garagistas saem pela cidade com a Ferrari, na verdade um veículo adaptado e não uma Ferrai genuína pois seu valor era muito acima do orçamento do filme. A trilha sonora ainda incluía o tema de “Jeannie é um Gênio” , a banda Sigue Sigue Sputink com Love Missile e, a emblemática Oh Yeah, da banda Yello no final do filme quando o diretor Ed Rooney deixa desolado a vizinhança de Ferris derrotado em seus esforços de provar que o jovem é um trapaceiro. Confesso que, em minha vida de professor, já me deparei com meus momentos de Ed Rooney, mas nunca com um jovem tão carismático quanto o Bueller de Mathew Broderick.

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ABAIXO O SISTEMA

O personagem chegou a virar uma série de Tv, de curta duração em 1990 e inspirou outra série, a hoje clássica “Parker Lewis”, que inclusive também usava o recurso de por o protagonista conversando diretamente com a câmera, estabelecendo conexão e cumplicidade com o telespectador, que assim como eu não resiste às reprises da Tv, mesmo tendo o filme em DVD para assistir a hora que quiser. Sem duvida que eu continuo curtindo adoidado a visão de uma época em que ser jovem era mais real e divertido que se perder em redes sociais, isolados em máquinas. SAVE FERRIS !

ESTREIAS DA SEMANA – EM CARTAZ A PARTIR DE 18 DE FEVEREIRO

O BONECO DO MAL (The Boy) EUA 2016. Dir: William Brent Bell. Com Lauren Cohan, Diana Hardcastle, Rupert Evans. Terror.

the boy

Jovem (a atriz Lauren Cohan de “The Walking Dead”) aceita emprego de babá em uma distante vila inglesa. Ao chegar, descobre que o garoto de quem deveria tomar conta é um boneco usado pelos pais como substituição do filho deles que morrera há tempos. Coisas estranhas começam a acontecer quando a babá erra em seguir as regras estabelecidas pelos patrões, que se ausentam da casa alegando sair de férias. O filme se desenvolve em torno dos clichês básicos de uma personagem sozinha em uma casa tomada por eventos sobrenaturais, mas se beneficia por tentar – ao menos – dar um direcionamento diferente do habitual (Chucky, Annabelle)  com direito à reviravolta súbita em determinado momento. Se consegue o efeito desejado já é outra coisa e depende de sua pré-disposição a dizer “me engana que eu gosto”. Os sustos virão a medida que as verdades vão surgindo. Pode se dizer que é criativo.

HORAS DECISIVAS ( The Finest Hours ) EUA  2016. Dir:Craig Gillespie. Com Chris Pine, Ben Foster, Casey Affleck, Eric Bana. Aventura.

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Baseado em fatos reais, narrado no livro “The Finest Hours”, escrito por Craig Sherman e Michael J. Touglas. Em 1952, dois navios petroleiros são atingidos violentamente por uma tempestade em pleno oceano Atlântico e ficam a mercê da força da natureza, precisando unir esforços para sobreviverem. Na vida real, 84 deles foram resgatados, mas não sobreviveram depois de salvos do mar. A produção conseguiu reuniu um bom elenco e desenvolve o roteiro de forma convencional.

O QUARTO DE JACK (Room) EUA 2015. Dir:Lenny Abrahamson. Com Brie Larson, Jack Fulton, William H.Macy, Megan Park, Joan Allen.  Drama.

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O pequeno Jack, de cinco anos, vive recluso no quarto em que vive com sua mãe. Ele a questiona sobre sua realidade já que não conhece o mundo exterior. A verdade … não vou entregar aqui para quem não gosta de spoilers, esconde a coragem de uma mãe e seu sofrimento silencioso. Indicado a três Oscars : melhor diretor, roteiro adaptado (Emma Donaghue, a partir de seu próprio livro) e atriz (Brie Larson, que já ganhou no Golden Globe). O filme certamente vai  fazer chorar na mesma medida que provocar discussões.

EM CARTAZ: ESTREIA EM 11DE FEVEREIRO

DEADPOOL (Deadpool) EUA 2015. Dir: Tim Miller. Com Ryan Reynolds, Morena Baccarin, Gina Carano. Ação.

 

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Adaptação das hqs com o personagem Deadpool (Veja o artigo anterior com matéria sobre esse anti-herói. Como pertence ao universo dos X Men, é a Twentieth Century Fox que produz o filme, depois de cinco anos de tentativa do astro Ryan Reynolds que já interpretou o personagem em 2009 em “XMen Origens : Wolverine”.  Contudo, não é um filme convencional pois o personagem é um anti-herói, sem bom moçismo. A narrativa é entrecortada com flashbacks que revelam mais sobre o mercenário Wade Wilson que segue o homem que quis destruí-lo no passado. Ironia em várias passagens citando até mesmo “Curtindo a Vida Adoidado” em sequência pós crédito e até mesmo cena de nudez (com a atriz brasileira Morena Baccarin), ou seja não é um filme de super herói comum.

A GAROTA DINAMARQUESA (The Danish Girl) EUA 2015. Dir: Tom Hopper. Com Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Amber Heard, Ben Whishaw. Drama.

Baseado em fatos reais, conta a história do pintor dinamarquês Einar Mogens Wegener, que foi o primeiro a fazer uma cirurgia de mudança de sexo, passando a se chamar Lili Elbe. O filme está indicado a quatro Oscars, incluindo melhor ator (Redmayne) e melhor atriz coadjuvante (Vikander). O roteiro de David Ebershoff e Lucinda Coxon adaptou o livro “The Danish Girl” do próprio Ebershoff. O diretor Tom Hopper já dirigiu Eddie Redmayne antes em “Os Miseráveis” (2012).

UM SUBURBANO SORTUDO

Bra 2015. Dir:Roberto Santucci. Com Rodrigo Sant’Anna, Carol Castro, Stepan Nercessian. Comédia.

Camelô ganha herança noite para o dia, mas tem que se virar com os parentes interesseiros e precisa aprender a ser um empresário para salvar a empresa endividada. O diretor é o mesmo de “Ate Que a Sorte Nos Separe” e “De Pernas Pro Ar”. Rodrigo Sant’Anna é bo comediante e, tal qual Eddie Murphy em “O Professor Aloprado”, aparece em cinco personagens diferentes, mostrando a versatilidade com a qual já trabalhou em programas de Tv.

HAPPPY BIRTHDAY : CHLOE GRACE MORETZ

Talento ela tem, basta saber explorar melhor na escolha de papéis, mas o fato é Chloe Moretz tem tudo para brilhar no cinema.

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Nascida em 10 de Janeiro de 1997 em Atlanta, Georgia, filha de um cirurgião plástico e uma enfermeira. Aos 4 anos apareceu pela primeira vez como atriz em dois episódios da série de tv “The Guardian” (2001) , e aos oito anos estreou nos cinema em um papel menor no filme “Heart of The Beholder” (2011). Foi no papel da filha do casal Lutz na refilmagem de “Horror em Amityville” (2005) que Chloe Grace Moretz se fez notar, já sendo indicada ao prêmio “Young Artist Award” . No ano seguinte já contracenou com Martin Lawrence em “Vovó Zona 2” (2006) e participou de outras prduções de tv  (Desperate Housewives) e cinema (500 Dias Com Ela).

chloe hugo  chloe wimpy kid

2010 trouxe a pequena talentosa os papeis de Amgie Steadman na adaptação de “Diário de um Banana” e Hitgirl na adaptação da hq de Mark Millar “Kiss Ass – Quebrando Tudo”. Aos 13 anos, Chloe foi um sucesso como a anti-heroína mirim, papel que reprisou na sequência de 2013. Papéis góticos não convecionais parecem lhe cair bem pois viveu uma vampira de 12 anos em “Deixe me Entrar” (2010) – refilmagem de terror suiço – , fez uma rebelde no gótico “Sombras da Noite” (2012) de Tim Burton e o papel da atormentada Carrie White, na refilmagem do asssustador livro de Stephen King “Carrie” (2013) papel vivido por Sissy Spacek no filme original da década de 70.

chloe hitgirl chloe quinta onda

Ganhou o Young Artist Award pelo seu desempenho em “A Invenção de Hugo Cabret” (2013), de Martin Scorcese. Já fez comédia, terror e drama, se saindo bem como em “Se Eu Ficar” (2014) em que viveu uma jovem romântica e há um mês estreou no papel de salvadora da humanidade em “A Quinta Onda”, já usando o nome artístico sem o sobrenome do meio. Em breve voltará às telas na comédia “Vizinhos 2” ao lado de Zac Efron e Seth Rogen. Parabéns Chloe Moretz.

HQS NO CINEMA 2016 : DEADPOOL

deadpool filme

Confesso nunca fui fã de Deadpool, o mercenário tagarela (Merc with a Mouth), mas seu estilo anti-convencional e desbocado tem grande popularidade, o que justifica o investimento nessa produção, a primeira adaptação de HQs do ano, chegando ao fim da folia carnavalesca, o que parece até bem apropriado já que o mercenário “DEADPOOL” não segue regras, mas as rompe. Suas histórias ignoram o bom moçismo, o maniqueísmo esperado , rompem com qualquer limite e empregam o recurso da metalinguagem, sem economizar na linguagem chula.  Na verdade, suas qualidades residem justamente em seus deméritos morais. Força, agilidade em paralelo à desconstrução do que significa heroísmo juntando a insanidade de um coringa com o apelo físico de Wolverine.

Deadpool debut

Estreia do personagem nas hqs

Desde sua primeira aparição nas HQs em 1991, no título “The New Mutants #98” (no Brasil, publicado em X Men #72 pela Editora Abril em 1994), o personagem foge das convenções: Um mercenário mascarado tagarela e comportamento imoral. Na citada revista, o personagem é um vilão, enviado para caçar Cable, o líder dos mutantes jovens. Criado por Rob Liefield e Fabian Nicieza, Deadpool foi submetido ao mesmo experimento que Wolverine, o Projeto Arma X.  Exímio lutador, hábil com espada e dono de um fator cura tão eficiente quanto a língua mordaz que profere comentários jocosos sobre tudo. O fator cura o salvou da morte, já que o personagem sofria de câncer antes, mas o resultado também lhe desfigurou o rosto e lhe causou instabilidade mental. O visual é um plágio do vilão Exterminador, da concorrente Dc Comics, mas isso não atrapalhou em nada ao crescimento de popularidade do personagem que veio a ganhar título próprio em Janeiro de 1997. O descaramento é marca registrada do personagem que se chama Wade Wilson, clara homenagem / paródia do Extermianador que se chama Slade Wilson.

A característica mais marcante do personagem, seja na Hq original ou no filme, é nunca se levar a sério, sem limites para o que será parodiado, citado ou mostrado comicamente, sem preocupação com o politicamente correto. Na capa de “Deadpool #11” (Dezembro de 1997) o mercenário contador de vantagens aparece pendurado por sobre os edifícios carregando alguém, exatamente como a primeira aparição do Homem Aranha em “ Amazing Fantasy #15” (Agosto de 1962). Filmes de cinema também entram na mira de Deadpool como as capas de “Deadpool #40” e #49, respectivamente parodiando os filmes “Alien” e “James Bond”. A Marvel não poupa esforços em tornar o personagem o maioral, explorando a popularidade deste com o público leitor de HQs como na HQ “Deadpool kills the Marvel Universe” , de 2012, que como já diz o título traz o mercenário como executor do universo fictício ao qual pertence.

Deadpool alien

Deadpool parodiando o cartaz de “Alien”

O personagem já apareceu nas telas no filme “X-Men Origens : Wolverine” (2009) também vivido por Ryan Reynolds, mas sem máscara, uniforme ou detalhamento. Apenas um mercenário falador e bom com espadas. O ator Ryan Reynolds lutou durante muito tempo para levar Deadpool para um filme solo, preservando as características que o diferem do heroísmo tradicional. Assim, o filme é recheado de farpas para tudo e todos, desde o filme Lanterna Verde (que Ryan Reynolds fez em 2011), passando pelos filmes dos mutantes. A principal papel feminino é feito pela brasileira Morena Baccarin (Os Visitantes, A Espiã que sabia de Menos). O filme, dirigido pelo novato Tim Miller, incorpora esse espírito transgressor e não é aconselhável para os que gostam do filme de super herói tradicional. Deadpool é um anti-herói e representa uma desconstrução do arquétipo do personagem que usa super poder para uma causa. O filme abusa de palavrões e cenas de sexo, justamente por isso, e apesar disso, que o personagem consegue ser diferente do usual, mas está longe de ser agradável ao público em geral, e nem se pretende a isso. É diversão sem se preocupar em fazer concessões

EM CARTAZ : ESTREIAS EM 4 DE FEVEREIRO

O REGRESSO (The Revenant) EUA 2015. Dir: Alejandro Gonzales Iñarritu. Com Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Downhall Gleeson, Lukas Haas.  Aventura / Drama.

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Que ninguém duvide que esse é o ano de Leonardo DiCaprio. O ator já ganhou o Golden Globe e o SAG Awards e está rumo ao Oscar (dia 29 de Fevereiro) COM 12 indicações incluindo o merecido pelo papel do explorador Hugo Glass (DiCaprio) , que depois de ferozmente atacado por um urso, é abandonado pelos companheiros e deixado para morrer, mas sobrevive e parte para a vingança. A história é baseada em fatos reais narrados no livro “The Revenant – A Novel Of Revenge ” de Michael Punk e remonta as paisagens selvagens das montanhas no século XIX. O filme é projeto antigo do produtor Akiva Goldsman, que comprou os direitos do livro em 2001 e, a principio seria estrelado por Samuel L.Jackson, e depois Christian Bale, até que Inarritú assumisse a direção em 2011, mas demorou a iniciar a realização do filme por conta de outros projetos como o aclamado “Birdman”, premiado ano passado. O filme faz um instigante retrato não apenas da luta pela sobrevivência, mas de como esta pode ser alimentada pelo desejo de vingança. Vale a pena pela história e pela atuação visceral de DiCaprio e do elenco que ainda inclui Tom Hardy (Mad Max – Estrada da Fúria) e Lukas Haas (A Origem), este os cinéfilos lembrarão foi o menino Amish protegido por Harrisson Ford em “A Testemunha” (Witness) no hoje distante ano de 1984.

A ESCOLHA (The Choice) EUA 2015. Dir:Ross Katz. Com Benjamim Walker, Teresa Palmer, Alexandra Daddario, Maggie Grace, Tom Welling, Tom Wilkinson Drama.

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O escritor Nicholas Sparks tem seu público fiel apesar de muitos críticos ferrenhos que gostam de classificá-lo de piegas. O fato é que em mundo onde tudo é falso, artificial, virtual, falar de relações humanas acaba caindo em uma aura de “novela de TV”. Confesso que gostei muito de “Diário de uma Paixão” (2004) e “Querido John” (2010), e achei “A Longa Jornada” (2015) agradavel. As histórias do autor giram em torno de romances improvaveis, pessoas que lutam contra adversidades para ficarem juntas passando por toda a espécie de provação. Sua mais nova adaptação (a 11ª)  não difere da formula e trás a bela Teresa Palmer como uma jovem dedicada e independente que se apaixona por seu vizinho Travis Parker, um solteirão convicto. Filmado durante 40 dias nas belas paisagens da Carolina do Norte (cenário invariável das histórias de Sparks, que também vive lá) e é o primeiro filme cuja adaptação foi produzida independentemente pelo próprio Sparks. Atentem à presença de Tom Welling (o Clark Kent da série de Tv ” Smallville “) em papel menor.

EPA, CADÊ O NOEL ? (Oops, Noah is Gone) EUA 2016. Dir: Sean McCormack & Toby Genkel. Vozes : Patrick FitzSymons, Allan Stanford, Animação.

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Em meio ao diluvio, dois animais – pai e filho – são barrados na arca de Noé e fazem de tudo para entrar de penetra para sobreviver.

FILHO DE SAUL. ( Saul Fia) HUNG 2016. Dir: Lázslo Némes. Com Géza Rohrig, Levente Mohnar. Drama.

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Esse é o favorito do ano para ganhar o Oscar de melhor Filme Estrangeiro, já tendo sido consagrado em Cannes e recebido o Golden Globe desse ano. A história mostra um homem encarregado da cremação de corpos no Campo de Concetração de Auchvitz que procura dar um enterro digno para seu filho, morto pelos nazistas durante a Segunda Guerra.

 

 

 

 

CLÁSSICO REVISITADO: OS 30 ANOS DE “LABIRINTO – A MAGIA DO TEMPO”

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DAVID BOWIE ENTRE GEORGE LUCAS & JIM HENSON

Recentemente foi divulgada a notícia da passagem do ator e cantor David Bowie, um grande artista. Por conta da notícia, reascendeu o interesse por uma refilmagem de ” LABIRINTO – A MAGIA DO TEMPO ” (Labyrinth) que completa esse ano 30 anos de seu lançamento original nas telas. O filme foi resultado do trabalho de um “dream team”: Produzido por George Lucas (dispensa comentários), roteirizado por Terry Jones (do grupo Monty Python), dirigido por Jim Hanson (criador dos Muppets), também co-autor da história que trazia no papel central o próprio Ziggy Stardust, o ator e cantor David Bowie, que também assina as letras e a música das maravilhosas canções do filme. Este conta a aventura de Sarah, a bela jovem de 16 anos (idade real da atriz Jennifer Connelly) que é deixada contra a gosto para tomar conta de seu irmão Toby. À noite, em um acesso de ciúme e impaciência com o choro do pequeno Toby, Sarah deseja que os duendes o levassem para longe provando a máxima que diz “cuidado com o que você deseja!”. Eis que Jareth, o rei dos duendes (Bowie) surge na janela de seu quarto, leva o garoto e a desafia a resgatá-lo dentro de 13 horas ou seu irmão será definitivamente transformado em um duende. Para chegar ao castelo de Jareth, Sarah terá que atravessar um misterioso labirinto, cheio de perigos. Para isso conta com a ajuda de Hoggle, o anão mal humorado para desvendar os enigmas que surgem em sua travessia.

POSTER LAB

Sarah redescobre o amor pelo seu irmão e, ainda mais inesperado um misto de fascínio e atração por Jareth, como na minha sequência favorita,  a balada “As The World Falls Down” que toca na sequência do baile no castelo de Jareth. Este tenta enganá-la o tempo todo, mas deixa escapar um sentimento de solidão, escondido por trás de sua aura ameaçadora. Apesar de um excelente filme, indicado a vários prêmios (BAFTA, Hugo, Saturn Awards), o filme não foi bem sucedido nas bilheterias, tendo custado cerca de 25 milhões de dólares, mas arrecando apenas 12,5 milhões. Com o passar do tempo, jpa na era do home video, o filme foi redescoberto tornando-se um grande cult. A príncipio não seria David Bowie a interpretar Jareth. Michael Jackson, e depois Sting teriam sido considerados seriamente antes que os filhos de Jim Henson convencessem o diretor que David Bowie seria perfeito para o papel.

Os efeitos especiais utilizaram miniaturas, bonecos, animatronics, fantasias, cenários rebuscados e uma das primeiras sequências em CGI, a coruja que voa no início do filme. Para a sequência em que Jareth movimenta três esferas, o técnico Michael Moschen esticou seus braços por trás de Bowie para executar o truque. Lamentável a perda de David Bowie, mais lamentável ainda é que muitos não conheçam a beleza dessa fantasia, último filme de Henson, que amargou profunda depressão depois  e morreu quatro anos depois do filme. A magia deste, no entanto, ainda resiste… ao tempo.