TRAILLER : INDEPENDENCE DAY: O RESSURGIMENTO

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X MEN: APOCALIPSE

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Quando Stan Lee e Jack Kirby criaram os X Men o mundo vivia um momento de grandes diferenças sociais. Os Estados Unidos sofriam a turbulência decorrente da luta pelos direitos civis e das questões raciais que dividiam as pessoas. Que melhor metáfora para essa realidade que imaginar seres humanos segregados por nascerem com habilidades tão impressionantes que os colocam à parte da sociedade. São mutantes, são aberrações, são homens X, uma incógnita para representar os perseguidos, os desfavorecidos.

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O VILÃO APOCALIPSE NA CULTUADA ANIMAÇÃO DOS ANOS 90

Se Xavier (James MacAvoy) defende uma convivência pacífica entre o homo sapiens e o homo superior (como são chamados nas HQs os mutantes), Magneto (Michael Fassbender) é o desiludido com a paz e defende a luta armada e a supremacia de seus iguais. Ambos polos tão opostos quanto Martin Luther King e Malcolm X. Eis que surge Apocalipse (Oscar Issac) que assume um papel ainda mais radical defendendo violentamente que somente o mais forte deve sobreviver, ecos Darwinianos que impregnaram a gênese do vilão criado no final dos anos 80 por Louise Simonson no título “X Factor #6” (1986), uma equipe formada pelos primeiros mutantes recrutados por Xavier. O vilão nascido no Egito há milênios é o primeiro mutante nascido no mundo com habilidades transmorfas e imortal. Apocalipse, ou En Sabah Nur,  recruta mutantes para moldar suas mentes e habilidades para se tornarem suas armas ou como são chamados “os quatro cavaleiros do apocalipse” (Peste, guerra, fome e morte) referência aos guerreiros profetizados pelo apóstolo João no livro das Revelações. Tal simbologia é a justificativa para suas ações embasadas em noções distorcidas de pureza e erradicação que se entrelaçam ao caldo criativo das histórias dos X Men. Diferente da HQ original, os quatro cavaleiros do filme de Bryan Singer são Magneto (Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Tempestade (Alexandre Shipp) e Arcanjo (Ben Hardy).

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Assim como nos quadrinhos, Apocalipse já despertou outros vezes e desapontado com o mundo se coloca como juiz, júri e executor da raça humana que oprime os mutantes. Na década de 90, a Marvel Comics publicou o arco de histórias “A Era de Apocalipse” em que o vilão consegue dominar o mundo quando Xavier é morto criando uma linha temporal alternativa. Claro que o novo filme não chegará a abordar esse arco, longo demais. Em vez disso, os eventos seguirão os fatos apresentados após a viagem no tempo de Wolverine (agora com uma participação menor ) em “X Men : Dias de um Futuro Esquecido” (Days of Future Past), o filme anterior. Mais uma vez Mística (Jennifer Lawrence) precisa escolher um lado e sua presença na história ganha uma dimensão ainda maior graças ao prestígio de sua intérprete.

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Entre lutas e discussões superficiais sobre eugenia, “X Men Apocalipse” aproveita a inserção de novos mutantes (Psylocke, Jubileu), versões mais jovens de personagens como Jean Grey (Sophie Turner), Cyclope (Tye Sheridan), Tempestade (Alexandra Shipp) e trazendo a esperada calvice de Charles Xavier (James MacAvoy). O elenco ainda traz personagens que apareceram em “X Men Primeira Classe” (X Men First Class)  como a Dra Moira McTaggart (Rose Byrne) e Destrutor (Lucas Till, anunciado como o novo interprete de MacGyver).

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Claro que o número enorme de personagens pode prejudicar a compreensão dos não iniciados no universo das HQs, mas fazem a alegria dos nerds, como eu, que acompanharam décadas de histórias assinadas por artistas como Chris Claremont, Scott Lobdell, entre outros que desenvolveram conceitos e ideias nascidas da mente de Stan Lee  e Jack Kirby, esses sendo os verdadeiros mutantes com o poder ainda maior, o de criar um universo que saiu das páginas das HQs e ganha vida própria nas telas.

CLÁSSICO REVISITADO : 0S 60 ANOS DE “VAMPIROS DE ALMAS”

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Alguma vez teve a sensação de que seus vizinhos, amigos e familiares não são os mesmos que você pensava , ou que todos ao seu redor parecem desprovidos de sentimentos, mesmo os mais simples ? Pois há sessenta anos o cinema tornou essa sensação tão palpável encontrando a resposta: Estamos todos sendo substituidos por copias vazias de emoção como parte de um sutil plano de invasão alienígena. O filme em questão foi “VAMPIROS DE ALMAS” (Invasion of the body Snatchers) de 1956.

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Don Siegel que se notabilizaria no gênero policial (Dirty Harry Perseguidor Implacável, por exemplo) foi o diretor dessa que é uma das melhores obras da ficção centifica cinematografica, adaptada do livro de Jack Finney “The Body Snatchers”. No filme, com impecável fotografia em preto e branco, o DR. Miles (Kevon MacCathy) vem a descobrir que seres vindo do espaço em vagens (isso mesmo, você não leu errado) tomam conta de nossos corpos quando dormimos, uma silenciosa invasão, imperceptível e inacreditavel. O roteiro do filme é tão envolvente que, mesmo que desprovido de qualquer efeito especial, sua trama consegue nos tornar cúmplices de seu protagonista que foge e luta para manter sua humanidade em uma realidade aflitiva e cruel em que tudo que parece que nos define como seres humanos parece estar desaparecendo, nosso senso de individualidade e o amor. Tudo perfeito sub leitura para o período da guerra fria. Os alienigenas são na verdade metáfora para a paranoia Macarthista que se espalhou na sociedade americana : Qualquer um (vizinho, colega de trabalho, amigo) poderia ser um comunista infiltrado no país, uma ameaça ao status quo de um país que se ptetendia ser a terra da liberdade.

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A vida de muitas pessoas foi sofrida devido à paranoia vigente na época. O livro de Finney foi revisitado outras três vezes: Em 1978 Philip Kauffman dirigiu “Invasores de Corpos”, com Donald Sutherland, Brooke Addams e Leonard Nimoy (o Spock de “Jornada Nas Estrelas”) que consegue a proeza de funcionar tanto como refilmagem como sequência dada a quantidade de referências ao filme de Don Siegel. Mais tarde em 1993, Abel Ferrara levou a história para uma base militar e em tempos mais recentes, em 2007, “A Invasão” de Oliver Hirshbiegel com Nicole KIdman e Daniel Craig no elenco. Uma prova de que uma excelente história sobrevive gerações instigando e manipulando nossos medos e paranoias como prova de que os piores monstros são aqueles criados pela imaginação humana, ou melhor dizendo pela nossa desumanização.