DIÁRIO DE BORDO DATA ESTELAR 1979: JORNADA NAS ESTRELAS O FILME

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CARTAZ ORIGINAL DO FILME

Nos anos 60 “Star Trek” foi a primeira série de TV a mostra um beijo inter-racial (Kirk e Uhura no episódio “ Plato’s stepchildren”), retratou os problemas de sua época (movimento hippie, Vietnã etc.. ) através de parábolas e ousou com uma tripulação multi-etnica em pleno período de guerra fria. Dez anos depois uma nova missão trouxe de volta os personagens criando um verdadeiro fenômeno na mídia.

Durante a década de 70 as constantes reprises de “Star Trek”, que época era chamada no Brasil por sua tradução literal “Jornada nas Estrelas” e uma versão em animação renovou o interesse do público pela série. Esta só teve uma terceira temporada devido à chuva de cartas dos fãs aos escritórios da NBC que foi um fato inesperado e histórico sem prescedentes. A Paramount chegou a planejar uma segunda série que seria entitulada “Star Trek Phase II” como carro-chefe do novo canal de TV que inaugurariam. Embora Leonard Nimoy tivesse se negado a voltar, o projeto teve cenários aprontados e roteiros escritos com a adição de novos personagens: o vulcano Xon (David Gautreaux), o comandante Decker (Stephen Collins) e a alienígena Ilia (Persis Kambatha). Com o sucesso de “Star Wars” em 1977, a Paramount cancelou todos os seus planos de decidiu adaptar “Star Trek” para o cinema com produção executiva do próprio Gene Roddenberry, direção de Robert Wise (O Dia que a Terra Parou) e efeitos especiais a cargo dos especialistas Douglas Trumbull e John Dysktra. O roteiro que recebera os nomes de “In Thy Image” e “The God Thing” levaria a Enterprise a uma busca por Deus, uma premissa ousada e que refletia o pensamento de seu criador. Gene Roddenberry usava a ficção científica como ferramenta para tratar de assuntos sérios e repudiava o clima de fantasia de “Star Wars”. Recentemente foi divulgado que originalmente o roteiro previa uma luta entre Kirk e um alienígena que assumiria a aparência de Jesus Cristo. A Paramount repudiou a ideia e contratou Robert Livingstone para reescrever o roteiro de Roddenberry de forma a criar mais ação e suavizar o conteúdo filosófico e metafísico da história.

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Unindo elementos dos episódios “The Changeling” e “The Doomsday Machine” chegaram ao filme que trouxe Kirk promovido a almirante e uma Enterprise reformada sob o comando do Capitão Decker (Collins), sugerido como filho do Comodoro Matthew Decker do episodio “The Doomsday Machine”. Nessa altura, Wise conseguiu garantir a volta de Leonard Nimoy com um acordo entre o ator e a Paramount. A atriz indiana Persis Kambatha precisou raspar a cabeça para o papel de Ilia, o que fez a atriz pedir um seguro ao estúdio caso seus cabelos não crescessem de novo. Sua personagem ficou sendo uma mulher do passado de Decker e assumindo ao posto de navegadora da nave. A ameaça enfrentada é a de V’ger, uma entidade vinda de um outro universo que aparece sob a forma de uma imensa nuvem que destrói sistemas estelares inteiro por onde passa. O tempo todo havia um clima de conflito nos bastidores do filme já que Roddenberry discutia o tempo todo com Livingstone precisando que Leonard Nimoy mediasse as rusgas.

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O orçamento de US$ 35 milhões foi o mais alto de sua época e, claro, a Paramount se preocupava com o retorno de seu investimento já que a história havia se tornado complexa demais, com pretensões comparáveis ao clássico “2001 Uma Odisseia no Espaço”.  Sua estreia em 1979 (no Brasil só estreou em Janeiro de 1980) abriu em cerca de 857 salas nos Estados Unidos. Fãs celebravam sua volta em grande estilo embalados pelo magnífico tema de Jerry Goldsmith que substituiu a clássica trilha de Alexander Courage. O sucesso do filme levou a mais cinco filmes que iremos aqui no blog a comentar de agora até a data de estreia de “Star Trek Sem Fronteiras”. Vejamos algumas curiosidades do primeiro filme :

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1) A atriz Persis Kambatha ficou temporariamente cega na cena que é abduzida por V’Ger já que o excesso de iluminação que criou a sonda de V’Ger incindiu diretamente sobre seus olhos.

2) Os uniformes modificados foram rejeitados pelo elenco que para a sequência exigiram que fossem novamente modificados.

3) A cena final em que Decker e Ilia se fundem a V’Ger gerou um dado não oficial para os cânones dos filmes, mas explorados nos livros. Essa fusão gerou os Borgs conforme sugerido em “A Volta do capitão Kirk”, livro escrito pelo próprio William Shatner.

4) O ator Mark Lenard que na série interpretou Sarek, o pai de Spock, é um dos Klingons atacados por V’Ger no começo do filme.

5) A língua falada pelos Klingons foi criada pelo ator James Doorhan (o Scott) e ganhou sintaxe e até um dicionário desenvolvido pelo linguista Marc Okrand.

6) Gene Roddenberry gostou tanto do tema musical de Jerry Goldsmith que o utilizou como tema da série “Jornada nas Estrelas A Nova Geração” anos depois.

7) Apesar de ter o personagem Xon retirado da história, seu ator David Gautreaux aparece no filme como o Comandante Branch.

8) Bjo Trimble que é a co autora da carta enviada a NBC nos anos 60, que garantiu a terceira temporada da serie, aparece como membro da tripulação da Enterprise, jutamente com outros trekkies convidados como extras na cena em que o Almirante Kirk anuncia a nova missão.

ESTREIAS DA SEMANA : 28 DE JULHO

JASON BOURNE. (Jason Bourne) EUA 2016. Dir: Paul Greengrass. Com Matt Damon, Tommy Lee Jones, Alicia Vikander, Vincent Cassell, Julia Stiles. Ação.

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Quarta aventura de Matt Damon como o espião Jason Bourne em um roteiro original co-assinado pelo diretor. Faz mais sentido para quem viu os filmes anteriores (A Identidade Bourne de 2002, A Supremacia Bourne de 2004 e O Ultimato Bourne de 2007), lembrando que ainda existe uma franquia derivada iniciada em 2014 com Jeremy Renner no papel do espião Aaron Cross (O Legado Bourne) e que em breve terá sequência independente dos filmes estrelados por Damon . Nesse quarto exemplar, Bourne se vê levado a sair do anonimato para desvendar verdades escondidas ligadas ao seu passado e relacionados a uma misteriosa operação governamental. Atentem para uma excelente sequência de perseguição de carros em Las Vegas que durou cinco semanas para ser filmada ao custo de 170 carros destruídos.

O BOM GIGANTE AMIGO (The Big Friends Giant) EUA 2016. Dir: Steven Speilberg. Com Ruby Darnhill, Mark Rylance, Bill Hader. Fantasia.

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Lançado pouco tempo atrás nos Estados Unidos, o filme de Spielberg teve uma péssima recepção de público e naufragou nas bilheterias. A história é adaptada do livro homônimo de Road Dahl (o mesmo autor de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” e “Matilda”) publicado em 1982. A história mostra Sophie, uma menina orfã (Ruby Barnhill) que faz amizade com um gigante de bom coração e embarcam em uma jornada onde enfrentarão gigantes maus devoradores de pessoas. A fábula de Dahl segue a linha do escritor em trazer uma mensagem positiva ao final, moralizante. O autor sabia como escrever histórias capazes de tocar o coração de crianças e adultos. A personagem Sophie foi inclusive batizada com o nome da neta de Dahl, que completaria 100 anos em setembro desse ano. O filme reune Spielberg com Melissa Mathison, roteirista de E.T. Em 1989, já havia acontecido uma adaptação em forma de animação.

BEST SELLERS : A ESPIONAGEM AO ESTILO BOURNE

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Que ninguém duvide que a figura de um espião ainda é extremamente atraente ao imaginário popular. Por isso a todo momento o cinema traz adaptações de grandes romances de espionagem, embora nem sempre sendo fiel às suas raízes literárias. A figura de um agente secreto em uma missão super confidencial e de grande importância não é uma invenção recente da cultura pop mas um arquétipo recorrente e romanceado de uma prática real e nada glamurosa. Suas origens remontam na verdade séculos de atividades e exercícios ligados a intrigas políticas e jogos sombrios nos bastidores do poder.

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O escritor norte americano James Finemore Cooper (1789 – 1851) – autor do clássico “O Último dos Moicanos – foi um dos primeiros a criar uma história de intriga política nos romances “O Espião” (1821) e “O Bravo” (1831), precursores de um gênero que só seria reconhecido no século XX. A lendária agência de detetives Pinkerton, além de ter tido participação na captura de notórios fora-da-lei, conseguiu evitar um atentado ao Presidente Abraham Linconl através de ações de vigilância que comprovam a máxima de Sun Tzu, autor de “A Arte da Guerra”, que fala sobre “ser extremamente sutil, tão sutil que ninguém possa achar qualquer rastro”. Se sutileza e mistério são essenciais na espionagem, a elas se juntou uma arma ainda mais eficaz: a sedução. Com ela a exótica Margaretha Gestruida Zelle (1876 – 1917) ganhou a eternidade como Mata Hari, que durante a Primeira Guerra (1914-1918) trabalhou para alemães e franceses, sendo por isso executada. Dançarina e cortesã, Mata Hari agia tal qual Milady de Winter na trama dos “Três Mosqueteiros” , fazendo do sexo uma arma tão ou mais mortífera que uma arma de fogo. “Mata Hari” foi vivida no cinema por Greta Garbo em 1931 , Jeanne Moreau em 1964 e Sylvia Kristel em 1985. Sua figura de curvas sinuosas e movimentos furtivos inflamou a imaginação e serviu de imagem fundamental para a caracterização de agentes eficientes na arte de coletar informações.

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O estouro de duas Guerras Mundiais e as intrigas advindas dos interesses políticos instigaram a necessidade de agir de forma vigilante e preventiva contra inimigos em potencial, comprovando que “a supremacia da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”, como no tratado de Sun Tzu. O cinema mostrou isso em filmes como “Agente Secreto” (1936), “O Homem que Sabia Demais” (1934 e refilmado depois em 1954) , “O Sabotador” (1940) e “Intriga Internacional” (1959), todos do mestre Alfred Hitchcock e que deixaram bem claro a importância no mercado negro das informações confidenciais para atentados, insurreições e conspirações que podem abalar o equilíbrio de forças no mundo. O mundo bipolarizado do pós-guerra fez da guerra fria um elemento fértil para elaboração de tramas intricadas e teias conspiratórias. Mais do que nunca se via a importância de se controlar o fluxo de informações e evitar que o lado inimigo ganhasse qualquer vantagem. Manter vigilância constante significava se proteger. Nas palavras de Sun Tzu o lado vencedor de um conflito precisava de vidência, não de espíritos ou deuses, mas de homens que conhecessem o inimigo. Assim as atividades de contra-espionagem ganharam importância absoluta. Se James Bond tornou-se o mais popular dos espiões, também tornou-se modelo de um agente secreto mais próximo do super heroísmo, infalível em suas missões e sedutor bem sucedido que sempre salva o mundo de vilões megalomaníacos. Seus imitadores Derek Flint e Matt Helm seguiram o mesmo passo glamourizando a figura do super espião como um bon vivant que também salva o mundo

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A Espionagem, contudo, não é um jogo glamuroso e o autor Robert Ludlum soube manter os pés no chão quando criou o espião Jason Bourne. Uma arma humana treinada pelo governo para matar e que acaba por se tornar um embaraço e uma ameaça para o sistema quando perde sua memória. Sua história foi mostrada em “A identidade Bourne” (1980), “A Supremacia Bourne” (1986) e “O Ultimato Bourne” (1990), adaptados para o cinema a partir de 2002 com Matt Damon no papel de Bourne. Os livros de Ludlum são embebidos de ação e intriga, tendo sido escritos entre 1980 e 1990. Neles o agente secreto é simplesmente um assassino controlado por organizações que regem os acontecimentos das sombras fazendo uso de manipulações, traições e lavagem cerebral sem nenhum freio moral. Bourne também se distancia dos super espiões auto confiantes estilo James Bond já que em sua missão em campo não há aliados e o protagonista privado de sua memória só pode contar com seus instintos. Nos livros Bourne foge de seus empregadores, da justiça e trava um xadrez mental com o vilão Carlos, o Chacal, o terrorista mais letal do mundo inspirado em uma pessoa real, o mercenário e assassino venezuelano Ilich Ramirez Sanchéz, vulgo Chacal, que cumpre prisão perpétua na França. Em 1988, uma mini série de Tv (exibida no Brasil pela Rede Globo com o nome “Missão:Matar”) fez uma adaptação bem próxima do primeiro livro trazendo Richard Chamberlain como Jason Bourne e a ex-pantera Jaclyn Smith como Marrie. Nos filmes estrelados por Matt Damon, com exceção de alguns elementos dos livros toda a história foi reescrita. A personagem Marie (Franka Potente) é morta no segundo filme, ao contrário do livro em que se baseia. Na história original a segunda aventura de Bourne gira em torno de uma trama para provocar uma guerra entre a China e o mundo ocidental. Ludlum encerrou sua narrativa em “O Ultimato Bourne” com um conflito definitivo com o Chacal, travando um jogo de gato e rato com tensão crescente. Depois da morte do autor, Bourne assume novas missões em tramas escritas por Eric Van Lustbader. Do livro seguinte “O Legado Bourne” (2004) o filme só aproveitou o título apresentando  outro desenrolar e outro protagonista, o agente Aaron Cross (Jeremy Renner). A esse livro se seguiram mais seis que certamente se adaptados provavelmente seguirão a mesma linha dos filmes. O novo entitulado apenas Jason Bourne é uma história original co-escrita pelo diretor Paul Greengrass. Podemos contar que o personagem criado por Robert Ludlum ainda terá outros retornos.

GALERIA DAS ESTRELAS: MONTGOMERY CLIFF

 

Monty

Em julho desse ano completamos 50 anos da morte de um dos maiores atores da Hollywood clássica, então nada mais justo que lembrarmos da ilustre carreira de Edward Montgomery Cliff, ou simplesmente Monty como foi conhecido durante toda sua vida.

Nascido em 17 de Outubro de 1920 em Omaha, Nebraska, juntamente com sua irmã gêmea Roberta, filhos de Ethel “Sunny” Anderson e William Brooks Cliff. Seu pai havia ganhado muito dinheiro trabalhando em um banco, mas perdera tudo durante o período da grande depressão. Seu pai extremamente austero e de temperamento agressivo teria sido a raiz dos demônios que consumiram Monty durante toda sua vida. Aos 13 anos subiu pela primeira vez nos palcos da Broadway na peça “Fly Away Home”, descobrindo que a atuação lhe permitia se libertar dos grilhões emocionais que o mantinham preso em um inferno íntimo. No inicio dos anos 40 conheceu a atriz de teatro Libby Holman, que influenciaria Monty e o direcionaria tanto sua carreira quanto sua vida pessoal. Libby teria sido, de acordo com o site imdb, o primeira e único relacionamento heterossexual da vida de Montgomery Cliff. Sob sua influência, Monty teria recusado o papel principal de “Crepúsculo dos Deuses” (1950) – que foi para William Holden e o papel de xerife em “Matar ou Morrer” (1952) – que foi para Gary Cooper.

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MONTGOMERY CLIFF & ELIZABETH TAYLOR

Desde o início de sua carreira o ator foi extremamente seletivo com os papéis escolhidos, estreando no cinema aos 28 anos em “Rio Vermelho”  (1948), contracenando com o já renomado John Wayne. Monty tornou-se então um dos seis únicos atores a conseguir uma indicação ao Oscar já no seu primeiro filme, uma seleta lista que inclui entre outros James Dean e Orson Welles. Em 1953, trabalhou sob o olhar intimidador de Alfred Hithcock, o mestre do suspense. Seu papel foi o de um padre que guarda a identidade de um assassino como segredo de confissão e que, por conta disso, vem a questionar a validade de seu voto em “A Tortura do Silêncio” ( I Confess). Sua atuação mostrava a habilidade de encarnar tipos que carregam o peso de um dilema silencioso que refletia sua própria personalidade. Monty trazia esse misto de fragilidade e sedução que envolvia o público, se conectava com a tormenta existencial pela qual muitos passam mas sofrem calados. Montgomery Cliff era um ator intenso, diferente do habitual entre as estrelas do período e , por isso frustrava as tentativas do controlador Hitchcock que não conseguia fazer o ator seguisse suas instruções. Apesar de sempre estar associado a mulheres bonitas, Montgomery Cliff reprimia sua homossexualidade e lutava contra era usando o álcool como arma. Em 1952, foi escolhido pelo diretor Fred Zinnerman para o papel do soldado lutador Robert Prewitt do romance de James Jones “A Um Passo da Eternidade’ (From Here to Eternity) realizado pela Columbia. Harry Cohn, chefão do estúdio, fez de tudo para impedir a escalação de Cliff, que muito queria a oportunidade de fazer o papel de Prewitt. Zinnerman bateu de frente com Cohn e exigiu que sem Cliff não faria o filme.

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A UM PASSO DA ETERNIDADE

A intensidade de Cliff era tamanha que, por exemplo, mesmo sendo dublado nas cenas em que aparecia tocando bongo, o ator treinou e passava horas ensaiando, muitas das vezes despertando estranheza em todos pela sua dedicação. O fato é que o ator projetava nos papeis o perfeccionismo com o qual sentia-se à vontade para lidar com os próprios demônios. A amargura de Prewitt em rejeitar a luta era um paralelo com as negações a que o ator se auto-infringia. Segundo Robert Legruber na biografia do ator, o próprio Burt Lancaster com quem Monty contracenou em “A Um Passo da Eternidade” se sentia intimidado ao contracenar com ele. A dualidade em sua natureza serviu ao seu papel de jovem ambicioso que comete atos questionáveis, até mesmo assassinato, em “Um Lugar ao Sol” (A Place in The Sun) de 1952, dirigido por George Stevens. O papel lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar de melhor ator e durante as filmagens tornou-se amigo para a vida toda da estrela Elizabeth Taylor. Esta lhe salvou a vida em um trágico epísódio que determinaria o inicio do fim para Montgomery Cliff. Em 1956, enquanto filmava “A Árvore de Vida” (The Raintree Conuntry), os atores se uniram a uma festa na casa de Liz Taylor, na época casada com Michael Wilding. Depois de beber a noite toda, Cliff saiu dirigindo seu Chevrolet e bateu contra uma árvore. Socorrido dos escombros por Rock Hudson e Liz Taylor, Monty sufocava com os próprios dentes que estavam entalados em sua garganta. Foi Liz quem o salvou retirando os dentes quebrados e pedindo socorro. No hospital, o ator foi submetido a uma melindrosa cirurgia plástica para reconstruir seu rosto, desfigurado no desastre. Seu papel em “A Árvore da Vida” foi quase substituído por outro ator, mas a amiga Liz Taylor garantiu aos chefões do estúdio que Monty conseguiria retomá-lo. Revisto com a tecnologia digital de hoje é possível perceber as mudanças no belo rosto do ator. Mais severas ainda foram as mudanças em seu espírito. Monty afundou ainda mais no álcool e na dependência de drogas, embora continuasse a ser um intérprete de grande capacidade de mergulhar nos papéis que representava como o do judeu intimidado por anti-semitas em “Os Deuses Vencidos” (The Young Lions) de 1958 no qual trabalho ao lado de Marlon Brando ( de quem se tornara amigo pessoal) e Dean Martin (reza a lenda que Monty teria ajudado Dean Martin a interpretar papeis mais dramáticos que os que estava acostumado a fazer). Voltou a trabalhar com a amiga Liz Taylor em “De Repente No Último Verão (Suddenly Last Summer) em 1959. Nos bastidores deste, tornou-se conhecido a constante implicância do produtor Sam Spiegel com Montgomery Cliff que cursava o caminho da auto-destruição. A dimensão era tamanha que segundo consta a atriz Katherine Hepburn teria cuspido no rosto de Spiegel para defender Monty.

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O ROSTO APÓS O ACIDENTE

Em 1961, Monty se juntou a Clark Gable e Marilyn Monroe para as filmagens de “OS Desajustados” (The Misfits) de John Huston. Um médico foi colocado de plantão durante as filmagens devidos aos problemas enfrentados por Marilyn Monroe e Montgomery Cliff, ambos apontados por muitos na época como uma “bomba prestes a estourar”, e que causava atrasos nas tomadas, muitas vezes por não conseguirem lembrar as falas. Segundo a biografia de Marilyn Monroe, esta teria dito a Cliff “Nunca conheci alguém em pior forma do que eu.” No mesmo ano, o ator conquistou nova indicação ao Oscar como coadjuvante em “Julgamento em Nuremberg” (Judgement at Nuremberg) e voltou a trabalhar com John Huston, já no ano seguinte em “Freud – Além da Alma” (Freud), cinebiografia do pai da psicanálise. O roteiro foi escrito pelo filósofo e crítico francês Jean-Paul Satre. Os problemas de saúde de Monty já estavam tão acentuados que os advogados do estúdio decidiram processar o ator, acusando-o de prejudicar o filme com os atrasos decorrentes de seu estado. O processo teve uma retrocesso súbito na noite do julgamento quando o filme tornou-se sucesso de bilheteria justamente por conta da presença de Montgomery Cliff no elenco, conforme provou seu advogado. Seu último filme foi “ Talvez Seja Melhor Assim”  (The Defector) de 1966. Em 23 de Julho dess ano, Monty foi encontrado morto em seu quarto como consequência de um grave ataque cardíaco, causado por sua dependência em drogas e álcool. Muitos disseram então que foi o suicídio mais longo de Hollywood. O fato que transparece é que seu espírito morreu no dia daquele acidente.  Apesar da imagem que lhe é imputada de alma atormentada, ele sempre fiel aos amigos que fez no mundo do cinema, que incluía Roddy McDowell, Marlon Brando e Liz Taylor, a quem chamava sempre de Bessie Mae.

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FREUD ALÉM DA ALMA

Fica para a arte cinematográfica aquele olhar frágil mas belo capaz de resgatar sentimentos conflitantes através de uma atuação pungente que tocava a todos. Um grande ator como poucos conseguiram ser. Talvez a melhor definição seja parafrasear o ícone Marlon Brando que teria dito a Monty “Poderiamos nos degladiar para descobrir quem é melhor ator, mas sabemos que esse é você”.

SAN DIEGO COMIC CON 2016 – COBERTURA

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CHEGOU AO FIM ONTEM (23 DE JULHO) A SAN DIEGO COMIC CON, UM DOS MAIORES EVENTOS DA CULTURA POP E DA INDUSTRIA DE BLOCKBUSTERS HOLLYWOODIANA. DURANTE QUATRO DIAS EM MEIO A COSPLAYERS E PERSONALIDADES DO CINEMA, HQS E GAMES MILHARES DE PESSOAS SE AMONTARAM EM FILAS INTERMINÁVEIS PARA AVERIGUAR AS NOVIDADES CUJO LANÇAMENTO TEM ALCANÇE INTERNACIONAL.

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MIKE COULTER – O LUKE CAGE

 

JEPH LOEB QUE HOJE É PRESIDENTE DA MARVEL TELEVISION APRESENTOU O ATOR MIKE COULTER ANUNCIADO COMO O PROTAGONISTA DA VINDOURA SÉRIE DO “LUKE CAGE” QUE EM BREVE SE JUNTARÁ À LISTA DA NETFLIX QUE JÁ INCLUI JESSICA JONES E DEMOLIDOR. ESTA TEVE ANUNCIADA OFICIALMENTE A TERCEIRA TEMPORADA ALEM DA SÉRIE DOS DEFENSORES. ENTRE OS TRAILLERS QUE CAUSARAM FUROR ENTRE OS FÂS ESTAVAM OS DOS FILMES DA “MULHER MARAVILHA” , “LIGA DA JUSTIÇA”, “ESQUADRÃO SUICIDA” , “DOUTOR ESTRANHO”, “GUARDIÕES DA GALÁXIA 2” E “HOMEM ARANHA : VOLTA AO LAR”.

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CHRIS PRATT & ZOE SALDANA DOS GUARDIÕES DA GALAXIA 2

OUTRA SENSAÇÃO FOI A APARIÇÃO DE BRIE LARSON (O QUARTO DE JACK) OFICIALIZADA COMO A HEROÍNA CAPITÃ MARVEL NO VINDOURO FILME HOMONIMO DO MARVEL STUDIOS. FALANDO EM MARVEL O EVENTO TAMBÉM CONTOU COM A PRESENÇA DE BENJAMIM CUMBERBATCH (O DR. ESTRANHO) E A CONFIRMAÇÃO DA QUARTA TEMPORADA DE SHERLOCK HOLMES COM O ATOR. KEVIN FEIGE, O CHEFÃO DO MARVEL STUDIOS. TAMBÉM TROUXE AS NOVIDADES PARA “THOR RAGNAROK” E EXIBIRAM UM DOCUMENTARIO FAKE MOSTRANDO CHRIS HEMSWORTH ZOANDO COM TUDO E TODOS NOS BASTIDORES E MOSTRANDO O PORQUÊ DE SUA AUSÊNCIA EM GUERRA CIVIL.

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BENJAMIM CUMBERBATCH & CHWITEL ELIJOFOR

HOUVE SURPRESA QUANDO FOI EXIBIDO O TRAILLER DE “A BRUXA DE BLAIR 3” QUASE VINTE ANOS DO FILME ORIGINAL TER VIRALIZADO. GRANDE EXPECTATIVA TAMBÉM HAVIA COM A AVANT PREMIERE DE “STAR TREK SEM FRONTEIRAS” QUE CELEBRA OS 50 ANOS DA MAIOR ODISSEIA DA FICÇÃO CIENTIFICA. OUTRO TRAILLER BEM RECEBIDO FOI O DE “KONG – A ILHA DA CAVEIRA ” .

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SIMON PEGG E SOFIA BOUTELLA EM STAR TREK BEYOND

ESSAS ENTRE OUTRAS ATRAÇÕES ESTIVERAM EM EVIDÊNCIA E NOS DÃO A CERTEZA DE QUE NÓS NERDS HERDAREMOS O MUNDO. SE ATÉ HENRY CAVILL (SUPERMAN) TIETOU WILL SMITH NO PAINEL DO ESQUADRÃO SUICIDA, ENTÃO POR QUE NÃO IMAGINARMOS QUE NO PRÓXIMO ANO ESTAREMOS LÁ TAMBÉM PARA TIETAR, PEDIR AUTOGRÁFOS E VIVER A MAGIA DA COMIC CON.

 

 

MAKE & REMAKE : A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE

A partir de agora estarei ocasionalmente postando artigos sobre as refilmagens de grandes filmes. Para começar escolhi uma das obras literárias que mais me encantou quando criança e que vim a assistir na fase áurea da “Sessão da Tarde” : A história de um chocolateiro recluso em sua fábrica que mais parece um parque de diversões. Cinco crianças são escolhidas ao acaso para entrar nesse mundo mágico onde ao final receberão um prêmio inestimável, cada uma delas um reflexo da educação distorcida recebida, menos uma cuja vida será modificada para sempre. Falar em linhas gerais assim não permite alcançar a magia ou a mensagem de seu autor, o galês Road Dahl, que completa seu centenário em setembro desse ano, data aguardada por seus herdeiros e fãs com um grande evento, o “Road Dahl Day” conforme anunciado no site oficial “roaddahl.com”.

WILLY WONKA

VERSÃO DE 1971 : WILLY WONKA – GENE WILDER

A história da fábrica de chocolate foi publicada em 1964, traduzido para mais de 30 idiomas e adaptado duas vezes para o cinema, tendo se tornado uma das fábulas mais amadas de duas gerações : As que tiveram Gene Wilder como Willy Wonka em 1971 e, mais de 30 anos depois, aqueles que a conheceram com a performance de Johnny Depp. Sua criação, no entanto, foi em parte influenciada por fatos reais vividos por seu autor.

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WILLY WONKA – VERSÃO JOHNNY DEPP

Por volta dos treze anos, Dahl estudava na Repton School, em Derbyshire, que costumava receber caixas de chocolate da tradicional fábrica Cadbury, a marca preferida dos ingleses e, mundialmente, uma das maiores concorrentes de nomes como a Nestlé, Hershey ou a Ferrero Rocher. As crianças escolhidas provavam os produtos antes de sua comercialização, e em retribuição, a Cadbury dava a Dahl e aos demais os deliciosos produtos da empresa. Dhal, inclusive,  sonhava  em inventar uma nova barra de chocolate que chamasse a atenção da empresa fundada por John Cadbury no final do século XIX. O episódio  foi a inspiração anos mais tarde para que Dahl escrevesse a história de Charlie Bucket, o menino, que junto a  outras quatro crianças, é sorteado com o bilhete dourado que os levará a um passeio pela fábrica do recluso chocolateiro Willy Wonka.

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NÃO É FILME. É REAL. DOCETERIASABORPERFEITO

Road Dahl repudiou a adaptação cinematográfica de 1971. A princípio, o próprio autor ficara a cargo da adaptação do texto, mas a demora em cumprir os prazos fez com que ele fosse substituído por David Seltzer. As mudanças que se seguiram na história desagradaram muito ao autor. Primeiro, ele repudiou a escolha do ator americano Gene Wilder para o papel de Willy Wonka, que para o autor não era o principal personagem e foco da narrativa, e sim o menino Charlie. Como a Quaker Oats era a patrocinadora do filme para o qual investira 3 milhões de dólares, chegando a produzir barras de chocolate Wonka como parte da campanha promocional, o título do filme veio a ser rebatizado “Willy Wonka and The Chocolate Factory”. Lamentavelmente, as barras de chocolate derretiam muito rápido e tiveram que ser recolhidas das lojas antes que estragassem. Das canções escritas pelo próprio Dahl, somente uma delas foi usada, sendo as demais canções compostas exclusivamente para o filme. Na sequência em que a menina Veruca é eliminada da competição, o texto original traz esquilos que separam as nozes boas das ruins. A menina Veruca invade a sala dos esquilos porque quer ter um dos animais e, por isso, é jogada fora da sala pelos próprios animais. No filme de 1971, os esquilos são trocados por gansos e as nozes por ovos. Na versão de Tim Burton de 2005, os esquilos e as nozes são mantidos. As filmagens foram feitas na Alemanha e foi difícil para o departamento de elenco encontrar pessoas de baixa estatura para interpretar os divertidos Oompa Loompas, pois durante a era nazista anões e outras pessoas consideradas imperfeitas eram simplesmente mortas. Os pequeninos, incluindo entre eles uma mulher, não falavam inglês e tiveram grande dificuldade para cantarolar os números musicais. Além disso, os cenários extremamente coloridos despertaram comentários maldosos de que o filme parecia uma viagem psicodélica de drogas. Mais de 150 mil litros de água misturada com creme e chocolate foram usadas para criar o rio de chocolate, o que resultou em uma mistura que com pouco tempo passava a exalar um cheiro desagradável incomodando a atores e equipe, atrasando as filmagens.

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Caixinha de Chocolate

Quando Tim Burton refilmou, conseguindo permissão dos herdeiros de Road Dahl , prometeu corrigir tudo o que o filme de Mel Stuart modificou. Além de ter mantido o título original (Charlie & The Chocolate Factory), Burton foi mais fiel ao texto. A escolha de Johnny Depp, que era alérgico a Chocolate quando criança,  para o papel de Wonka, no entanto, deu ao personagem um visual por demais caricatural e preso aos maneirismos do ator. Ainda assim, a fidelidade do filme à obra é mais visível e ganha uma exata dimensão na tela a cada criança eliminada. As canções originais de Dahl foram utilizadas (quatro delas) e a sequência dos esquilos, trocados por gansos no filme anterior, mantida tal qual no livro. Para os Oompas Loompas Burton usou o ator Deep Roy multiplicado digitalmente para parecer que são centenas de individuos, sendo dublado  nas sequências musicais  por Danny Elfman, cantor, compositor e eventual colaborador de Burton. O papel de Wilbur Wonka (Christopher Lee), pai de Willy, foi escrito especificamente para o filme, não existindo portanto no livro.

A carreira de Dahl, no entanto, foi ainda maior que a de um escritor de histórias infantis, tendo escrito contos de terror e até roteiros de filmes como “Com 007 só se vive duas vezes” com Sean Connery. Recentemente, o livro “O Bom Gigante Amigo” (The Big Friendly Giant) que Dahl escrevera em 1982, e para o qual batizou a protagonista com o nome de sua neta Sophie, recebeu adaptação feita por Steven Spielberg. Nele, o autor fala da inusitada amizade entre uma menina humana e um gigante de bom coração, voltando a falar dos rejeitados, dos obstáculos impostos em uma realidade misturada à fantasia, conseguindo agradar crianças e adultos.

Surpreendam-se mas temos nossa própria versão de Willy Wonka no site “doceteriasaborperfeito.com”. Ana Paula Pires cria deliciosos bolos e tortas de chocolate, além de outras surpresas. Ela disfarça que seu sobrenome real é Wonka e emprega genuínos Oompa Loompas para criar sua própria fábrica fantástica de bolos e doces. Experimentem acessar o site. Até Johnny Depp já o fez !

TRAILLER : REI ARTHUR & A LENDA DA ESPADA

A LENDA DO REI ARTHUR JÁ GEROU VÁRIAS VERSÕES NO CINEMA, SENDO “EXCALIBUR” DE 1980 A MELHOR DELAS. AGORA ESPERAMOS QUE GUY RITHCIE ENTREGUE UM GRANDE FILME SOBRE O REGENTE DE CAMELOT, AQUI INTERPRETADO POR CHARLES HUNNAM E QUE AINDA TEM JUDE LAW COMO O VILÃO VORTIGEN. DEPOIS DO FRACASSO DE “O AGENTE DA UNCLE” HÁ RUMORES DE QUE O ESTUDIO DA WARNER TENHA SEUS MEDOS, ATÉ PORQUE A IDEIA INICIAL É DE SE FAZER SEIS FILMES A RESPEITO.

MULHER MARAVILHA : O PRIMEIRO TRAILLER

IGUALMENTE AGUARDADO É O FILME DA “MULHER MARAVILHA” (WONDER WOMAN) DIRIGIDO POR PATTY JENKINS TRAZENDO GAL GADOT COMO A HEROÍNA AMAZONA E CHRIS PINE COMO STEVE TREVOR. O TRAILLER EQUILIBRA AÇÃO E HUMOR E PROMETE SER TUDO O QUE OS FÂS DAS HQS QUEREM. O ESTUDIO PRETENDE UMA TRILOGIA QUE VENHA A EXPLORAR A RICA MITOLOGIA DA PERSONAGEM.

LIGA DA JUSTIÇA : 1º TRAILLER

TAMBÉM DIVULGADO NA SAN DIEGO COMIC CON O PRIMEIRO TRAILLER DO AGUARDADO FILME DA “LIGA DA JUSTIÇA” (jUSTICE LEAGUE) COM DIREÇÃO DE ZACH SNYDER. ESPERAMOS QUE NÃO SEJAM COMETIDOS OS MESMOS ERROS QUE NO RECENTE “BATMAN VS SUPERMAN : A ORIGEM DA JUSTIÇA”. ESTÃO NO TRAILLER BEN AFFLECK COMO BATMAN, EZRA MILLER COMO FLASH, GAL DADOT COMO MULHER MARAVILHA, JASON MOMOA COMO AQUAMAN ENTRE OUTROS. CONFIRAM.

TRAILLER : KONG – SKULL ISLAND

Primeiro trailler de “Kong – Skull Island” foi divulgado na San Diego Comic Con. O filme dirigido por Jordan Vogt-Roberts será uma prequela dos eventos de “King Kong” e trará no elenco Tom Hiddlestone (Loki de “Os Vingadores”), Brie Larson (O Quarto de Jack), Samuel L.Jackson (Nick Fury de “Os Vingadores”) e John C.Reilly (Guardiões da Galaxia). A estreia prevista é para Março de 2017.

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DIÁRIO DE BORDO DATA ESTELAR 1966 : STAR TREK A SÉRIE ORIGINAL

De agora até a estreia de “Star Trek Sem Fronteiras” vamos a cada semana rever o que foi “Jornada nas estrelas” desde sua estreia na Tv até hoje passando pelos seis filmes de cinema com a tripulação que nos fez sonhar que a humanidade pode ser um dia melhor do que já foi.

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Descobri “Star Trek” aos 12 anos, na época exibida pela Tv Bandeirantes (Hoje Band). Foi meu primo quem me convenceu a embarcar na nave estelar Enterprise embalado pelo tema de  Alexander Courage ouvido quando o narrador anunciava “O Espaço a fronteira final…”. Minha tela de TV movida a válvulas me teleportava aos confins do espaço acompanhando audaciosamente as viagens capitaniadas por Kirk, Spock e McCoy, à frente de uma tripulação multi-etnica cujo compromisso é o conhecimento adquirido onde nenhum homem jamais esteve. Me identificava com o heroísmo de Kirk, a humanidade de McCoy e o conflito interno de um personagem mestiço, metade humano e metade alienígena, Sr.Spock. Além da eficiente caracterização dos personagens, a série impressionava pela inventividade dos roteiros que driblavam a rígida censura de uma época marcada pela guerra fria, pela luta pelos direitos civis, por conflitos nas ruas, mas sobretudo pela corrida espacial. O homem voltava seus olhos para cima imaginando o que existiria além de nosso mundo. Em 8 de Setembro de 1966, quando a série estreou, ela passou a nos mostrar que a raça humana poderia deixar de lados suas diferenças mesquinhas e concentrar seus esforços em mútua colaboração. Essa pretensão de significar algo mais do que apresentar o monstro da semana era o diferencial entre a criação de Gene Roddenberry e os demais produtos da TV que eram exibidos a cada semana.

star trek original chess

EPISODIO PILOTO : ONDE NENHUM HOMEM JAMAIS ESTEVE

Foram três temporadas com colaboradores ilustres como Gene Coon, D.C Fontana e Harlan Ellison que souberam como criar parábolas dessa dura realidade e compensar com criatividade o orçamento apertado da NBC. Assim o episódio “A Private Little War” discutia a validade ideológica de um conflito armado, “A Taste of Armageddon” alertava a respeito de uma humanidade que permitia que máquinas determinassem seu destino, “The Doomsday Machine” assustava com a possibilidade de se criar uma arma de destruição de massa definitiva, “Let there be your last battlefield” discutia as diferenças étnicas e o racismo levado a últimas consequências. O papel de “Star Trek” era tão envolvente que o próprio Martin Luther King a assistia e convenceu a atriz Nichelle Nichols, a Uhura, a fazer parte do elenco. Muitas das vezes a ação permitia discussões filosóficas como a natureza do bem e do mal (The Enemie Within), o papel corruptor do poder (Patterns of force) ou a moralidade de mudar a história  (o icônico episódio “City on the edge of forever).

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EPISODIO : CIDADE À BEIRA DA ETERNIDADE – WILLIAM SHATNER COM JOAN COLLINS

Em um mundo bipolarizado, as viagens da tripulação da Enterprise eram esperança e alerta do que poderíamos realizar discutindo a condição humana. William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, James Doohan, George Takie, Nichelle Nichols, Walter Koening e Majel Barret certamente não desconfiavam que seu trabalho de ator os levaria audaciosamente a se tornarem símbolos dessa audácia. As falas de seus personagens tinham o efeito de torpedos fotônicos e phasers no imaginário popular e mesmo depois de 78 episódios, a série teve sequência em quadrinhos da GoldKey (No Brasil, a Ebal e a Abril publicaram HQs da série), além da animação da Filmation hoje considerada rara e que prosseguia com a missão original da série. Esta mexeu com todas as áreas: sociológica, religiosa, filosófica, até a igreja católica se sentiu incomodada com o alienígena de orelhas pontudas que, ainda que não demonstrando emoções, foi o que maior apelo teve com o público.

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EPISODIO : SEMENTE DO ESPAÇO COM RICARDO MONTALBAN, O VILÃO KHAN

A série entrou para o Livro Guiness de Records, criou uma legião de fans que entre anônimos no mundo inclui celebridades como o físico Stephen Hawkings, fora a inegável influência para desenvolvimento de uma ciência mais avançada: Embora não possamos nos teleportar ainda, o celular que usamos é o comunicador portátil e até o tricorder já se mostrou viável. A cultura pop incorporou esse universo utópico e hoje cinquenta anos depois nos mostra que o futuro poderá certamente ser melhor se ousarmos como Gene Roddenberry fez, a ir onde nenhum homem jamais esteve.

 

 

ESTREIAS DA SEMANA : 21 DE JULHO

A LENDA DE TARZAN (The Legend of Tarzan) EUA 2015. Dir:David Yates. Com Alexander Skarsgard, Margot Robbie, Samuel L.Jackson, Christopher Waltz. Aventura.

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O icônico personagem criado por Edgar Rice Burroughs (Veja artigo na postagem anterior) já pertence ao domínio público. Logo, aguarde por futuras reinvenções e reinterpretações do rei das selvas, como essa bancada pela Warner que investiu alto em sua produção (cerca de $180.000.000), mas teve que amargar uma bilheteria muito abaixo da esperada quando estreou nos Estados Unidos há duas semanas. O apelo de Tarzan com a nova geração não é tão grande quanto com o público do passado que se acostumou a ver o herói como o homem branco que domina a selvageria de um ambiente insóspito no qual foi criado. Em meio a super herois com armadura de ferro e mutantes cheios de poderes, um herói que só conta com um físico trabalhado e inteligência parace estar em desvantagem. Contudo, Tarzan tem seu fascínio e quem sabe não tenhamos ao menos um filme divertido para o público. Na história ( baseada em uma hq da Dark Horse Comics), que parte do ponto em que Lord Greystoke já está casado com Jane Potter (a belíssima Margot Robbie, que em breve estará como Arlequina no “Esquadrão Suicida”) e reencontrou a civilização. Atraído ao Congo para uma missão diplomática, ele precisa reencontrar o lado selvagem do homem criado na selva para sobreviver à trama da qual é vitimado. O elenco de apoio ainda conta com Samuel L.Jackson como aliado e Christopher Waltz como o vilão. Aliás, este protagonizou uma cena de beijo com Tarzan que foi cortado da edição final para evitar polêmicas. O diretor é o mesmo dos últmos filmes de Harry Potter e quase teve Emma Stone no papel de Jane Potter.

DOIS CARAS LEGAIS (The Nice Guys) EUA 2016. Dir: Shane Black. Com Russell Crowe, Ryan Gosling, Kim Basinger, Jack Kilmer, Matt Boomer. Comedia + Suspense.

dois caras legais

Dois detetives particulares de temperamentos opostos (um ex alcoolatra e o outro ainda alcoolatra) unem esforços para investigar a morte de uma famosa atriz de filmes pornô e desconfiam que ela pode estar viva. O filme encenado nos anos 70 faz alusão ao popular seriado de Tv “Arquivo Confidencial” (The Rockford Files) estrelado por James Garner. Jack Kilmer é filho do ator Val Kilmer (O Santo, Batman Eternamente). O filme reune Crowe e Basinger que estiveram juntos antes em “L.A Confidential” (1998).

 

TARZAN NO CINEMA

Existem alguns personagens cujo alcance supera todas as barreiras: as fronteiras entre países, a passagem do tempo e o próprio limite das páginas para as quais foi criado. Mais de 100 anos depois de sua criação, certamente em qualquer lugar do planeta,  alguém já ouvir falar de Tarzan, a maior obra de Edgar Rice Burroughs (1875 -1950).

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ELMO LINCON – O 1º TARZAN NO CINEMA – ENCONTRA EDGAR RICE BURROUGHS

Burroughs tinha 37 anos quando publicou “Tarzan of the Apes” em outubro de 1912 na revista pulp “All Story Weekly”. A popularidade foi imediata, mas incomodou o escritor Rudyard Kipling que viu em Tarzan um plágio de seu Mogli, embora Edgar negasse. Historiadores e sociólogos também criticaram o autor acusando – o de racismo e imperialismo. Tarzan era, afinal, o homem branco que domina os selvagens africanos. Sua superioridade não é só física, pois com seu intelecto Tarzan supera seus adversários e vence as feras, triunfo de sua condição humana baseado nas teorias darwinianas em que somente o mais forte sobrevive.

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JOHNNY WEISSMULLER, MAUREEN O’SULLIVAN, JOHNNY SHEFFIELD 7 A MACACA CHITA : FAMILIA REAL DAS SELVAS AFRICANAS NOS ANOS 30

Burroughs, contudo, não fez nenhuma pesquisa sobre a geografia ou a história do continente africano, chegando certa vez a incluir um tigre na África. Também não se preocupou em especificar em que parte da África a história se desenrola ou que espécie símia adota Tarzan. Embora os filmes falem em gorilas, Edgar preferiu criar uma espécie imaginária, os mangani, descrito como um elo intermediário entre os chimpanzés e os gorilas. O próprio termo “Ape” no inglês é um termo genérico para os macacos.

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LEX BARKER & BRENDA JOYCE NOS ANOS 50

Foi nAS HQS (de Hal Foster, Burne Hogathe, Russ Munning entre outros) e depois no cinema e na Tv que o personagem veio a perpetuar seu apelo por gerações muito embora, na maioria das vezes, estes não se mantivessem fiéis ao espírito da obra e até desagradassem seu criador. Em 1918, quando Edgar já preparava o sétimo livro (Tarzan The Untamed), Elmo Lincoln se tornou o primeiro intérprete do homem macaco em “Tarzan of the Apes”, fazendo um milhão de dólares na bilheteria, um marco pela primeira vez em plena era do cinema mudo. Elmo, de 1,90m de altura e 90 kilos marcou sua imagem com o pé sobre o corpo de um leão. A cena foi, no entanto, bem real pois o felino avançou sobre a atriz Enid Markey (a intérprete de Jane), o que fez Elmo – segundo reza a lenda – segurar o rabo do animal e matá-lo com a faca que trazia na cintura. Elmo ainda fez no mesmo ano a sequência “The Romance of Tarzan” e o seriado “The Adventures of Tarzan”, mas desistiu do papel que passou a Gene Pollan, seguido de Dempsey Tabler, Frank Merill e James Pierce, que durante as filmagens conheceu Joan, a filha de Edgar com quem se casou. Com o advento do cinema falado, Burroughs cedeu os direitos de adaptação à MGM e ao produtor Sol Lesser do Studio da RKO. A Metro fez de Johnny Weissmuller, campeão olímpico de natação, o primeiro Tarzan falado do cinema, mas desagradou ao pai do personagem por explorar a figura máscula, viril e heroica do personagem porém retratando-o como um primitivo ignorante, distante do homem culto que Tarzan vem a se tornar quando se descobre sua origem, que aliás também não é mostrada no filme que se concentra em seu romance com Jane, vivida pela atriz Maureen O’Sullivan. Em paralelo, Buster Crabbe, outro atleta olímpico, fez o filme de Lesser, depois substituído por Herman Brix e Glenn Morris, mas foi Weissmuller quem caiu no gosto popular enchendo os cofres da MGM, mas também sofrendo com o peso da censura que reclamava dos trajes sumários usados pelos atores. Devido à força dos censores de plantão, a história do quarto filme da série “Tarzan Finds a Son” (O Filho de Tarzan) de 1937 teve de ser modificada pois o código Hays (que regulamentava a censura dos filmes) apontava que seria imoral Tarzan e Jane, que não eram casados oficialmente, terem um filho pelos meios naturais, e por isso o casal adota o menino Boy (Johnny Sheffield), sobrevivente de um acidente aéreo na selva. Weissmuller foi Tarzan 12 vezes, primeiro na MGM, e depois na RKO. O famoso grito usado nos filmes empregou a voz de Weissmuller mixado com outros sons, um resultado nunca igualado por outro intérprete do personagem. Curiosamente a frase “Me Tarzan You Jane” popularizada nunca foi falada nos filmes.

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GORDON SCOTT – O TARZAN FORTÃO

A partir de 1949, Lex Barker assumiu o papel ficando por 5 filmes, seguido por Gordon Scott (um dos melhores não apenas pelo físico como também por mostrar um herói civilizado tal qual nos livros), que curiosamente não agradou ao autor. Depois, Dennis Miller, Jock Mohoney e Mike Henry que fez três filmes, dois dos quais filmados no Brasil. A passagem do ator pelo Rio de Janeiro foi desastrosa para sua imagem ao ser flagrado fugindo de uma vaca em plena Quinta da Boa Vista, além de ter sido mordido no queixo pela macaca Cheetah. Nessa época, os direitos do personagem pertenciam a Sy Weintraub que planejava uma série de Tv com Mike Henry, mas este entrou em conflito com os produtores devido aos seus incidentes e deixou o papel para o ator texano Ron Ely. A série de TV de Tarzan durou 57 episódios e foi tão popular que teve dois de seus episódios reeditados para exibição no cinema (Tarzan: Silêncio Mortal) em 1970. Ely foi o ator que mais se acidentou durante as filmagens por dispensar dublês para as cenas de perigo. Contudo, um dos casos mais curiosos ocorreu com o ator Gordon Scott que foi quase estrangulado por uma Pyton necessitando de seis homens da produção para se soltar do abraço mortal da cobra.

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MIKE NENRY MORDIDO PELA CHITA : O TARZAN QUE PAGOU MICO

A década de 80 ainda trouxe dois filmes curiosos: “Tarzan The Ape Man” (1981) provocou burburinhos na mídia da época devido ao seu conteúdo erótico. Dirigido por John Derek com sua esposa, a atriz Bo Derek (também produtora) como Jane. Nessa releitura, Jane é o foco da história e Tarzan (o ator Miles O’Keefe) funciona como um objeto do desejo de Jane, que é mostrada no pôster promocional do filme. O filme foi duramente criticado na época, com Tarzan só aparecendo em cena depois da primeira metade da história. Ao contrário deste, o diretor britânico Hugh Hudson realizou em 1984 a versão mais próxima do livro original entitulado “Greystoke – A Lenda de Tarzan, o Rei das Selvas” estrelado por Christopher Lambert e Angie MCDowell como Tarzan e Jane. Na década de 90 Casper Van Dien no cinema e os atores Worf Larson e Joe Lara na Tv deram continuidade ao legado de Burroughs.

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CHRISTOPHER LAMBERT – O TARZAN FIEL À OBRA

Tarzan ainda teve uma animação na Tv realizada pelos estúdios da Filmation, extremamente respeitosa aos livros e a mais celebrada adaptação que foi realizada para o cinema em 1999 pelos estúdios Disney (um antigo sonho de seu criador) que moderniza a história com Tarzan com visual surfista deslizando pelas árvores com agilidade admirável. Ainda houve uma animação alemã de 2013 entitulada “Tarzan – A Evolução da Lenda” que também tenta uma atualização da história colocando até o meteoro que extinguiu os dinossauros como elemento narrativo.

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O TARZAN DA DISNEY

2016 traz o ator sueco Alexander Skardgard como o 19º ator a viver o personagem no filme “A Lenda de Tarzan” (The Legendo of Tarzan), que ainda tem Margot Robbie como Jane Porter, e novamente readaptando a história e mostrando que o apelo do personagem é ilimitado.

BATMAN A PIADA MORTAL

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O CORINGA ATIRA NA BATGIRL

Lançada em Março de 1988, a Graphic Novel “Batman The Killing Joke” foi escrita pelo britânico Alan Moore e desenhada por Brian Bolland. Moore ganhou destaque na segunda metade da década de 80 nas HQs do Monstro do Pântano (Swamp Thing) além de duas histórias icônicas do Superman que serviram de canto do cisne para o personagem pré-crise. Com o Batman, Moore dividiu a história em duas linhas temporais: O embate entre o homem morcego e o Coringa e , em paralelo, o passado do vilão insano adaptando livremente a clássica história “The Man Behind The Red Hood”  (Fevereiro de 1951) que tratava da origem do Coringa. Moore mergulha fundo na psique dos dois antagonistas, mostrados como reflexos distorcidos um do outro.

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LOUCURA TOTAL

O Coringa vai até a casa do comissário Gordon, atira em sua filha Bárbara (a Batgirl) e a sequestra depois de tirar várias fotos. O Palhaço leva pai e filha ao um parque de diversão abandonado, onde acorrenta o Comissário obrigando-o a ver as fotos de Barbara ferida e nua. O propósito do vilão é provar que qualquer um pode enlouquecer se tiver um mau dia. Batman persegue o vilão determinado a acabar com ele e o que se segue é um embate não só físico, mas também psicológico entre os personagens.

A história é tratada por Moore com teor adulto, sem fazer concessões e reforçada pela magnífica arte de Brian Bolland, em cores berrantes que transmitem a loucura do herói e do vilão, cada um movido pelos respectivos papéis de agente da ordem e caos, forjados pelas tragédias que lhes ocorreram no passado. O impacto da graphic novel foi incorporado pela continuidade mostrando depois que Barbara Gordon ficara paraplégica, e impossibilitada de voltar a ser a Batgirl, criando para si a identidade da hacker Oráculo, mas isso já é outra historia. “Batman A Piada Mortal” foi publicada quando Batman comemorava 50 anos de sua criação por Bob Kane e Bill Finger, tendo o Coringa sido criado por estes com o artista Jerry Robinson. Pouco antes, Frank Miller havia recontado a origem de Batman em “Ano Um” junto do artista David Mazzuchelli e projetado seu futuro na icônica “Batman O Cavaleiro das Trevas” Juntamente com a história de Moore, estas exerceriam grande influência no tratamento que o cinema e  TV dariam em diversas adaptações como filmes ( Tanto Tim Burton quanto Christopher Nolan admitiram ter se inspirado na versão do Coringa de Moore) , a clássica animação “Batman Animated Series” e , mais tarde, em jogos.

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No Brasil a graphic novel chegou pela primeira vez em 1989 publicada pela Editora Abril, tornando-se um sucesso de vendas, e sendo republicada tempos depois. Curiosamente, seu autor sempre renegou a obra uma vez que seu relacionamento com a editora se deteriorou ao longo do tempo. Moore hoje com 62 anos declarou que detesta a história, tendo escrito apenas uma história centrada em dois personagens sem nenhuma conexão com a vida real. Apesar de seu desdém, Moore foi maestro em fazê-lo, deixando o final em aberto, mexendo com a imaginação dos leitores. O autor também escreveu outras obras adaptadas para o cinema como “V de Vingança”, “A Liga Extraordinária” , “Watchmen” e “Do Inferno”, e sempre alegou não ter gostado de nenhuma. Houve quem criticasse a graphic novel acusando Moore de sádico e violento, o que este simplesmente ignorou.

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ALAN MOORE O MAGO DAS HQS

A animação feita agora traz de volta os dubladores Kevin Conroy (Batman) e Mark Hamil (Coringa) – sim o mesmo ator que interpreta Luke Skywalker – para as vozes  dos personagens. Para muitos essa é a história definitiva sobre o Coringa, para outros uma das melhores mas o que fica é a certeza que sanidade e loucura é separada por uma fina linha divisória, uma que não importa se você se veste de morcego ou se pinta de palhaço, você caminha por ela e quando percebe o abismo já o engoliu