IN MEMORIAN : GENE WILDER

GENE WILDER

Senti muito a passagem de Gene Wilder, noticiada ontem. Eu o adorava. Ele foi afinal o Wolly Wonka de minha geração. Tinha um olhar terno, mas capaz de fazer rir sempre. Fosse como membro da troupe de Mel Brooks, ao lado de Richard Pryor (em 4 ótimos filmes) ou como o homem perseguido injustamente como em “Expresso de Chicago” (1976), “Hanky Panky” (1982) entre outros. Foi ao som de Stevie Wonder cantando I just called to say I love you que conquistou Kelly Le Brock em “A Dama de Vermelho” (1984). Sua versatilidade lhe garantiu atuar, escrever (é dele por exempo o roteiro de “O Jovem Frankenstein”), produzir (“O Maior Amante do Mundo” de 1977, e dirigir, o que o fez quatro vezes. Já estava afastado das telas um tempo, mas experimentou a Tv, tendo até uma sitcom por tempo curto “Something Wilder” (1994-1995) e ganhou um Emmy pela participação em “Will & Grace” (2002). Em breve, aqui no blog vou abordar uma materia sobre um dos seus filmes favoritos para mim. Que descanse em paz, Gene.

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DIÁRIO DE BORDO DATA ESTELAR: 1986 JORNADA NAS ESTRELAS IV – A VOLTA PARA A TERRA

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Imaginem Eddie Murphy interpretando um cientista desacreditado que acredita em disco voador e vem a testemunhar a aparição de uma nave de rapina Klingon na São Francisco de 1986. A visão acidental leva o personagem de Murphy a auxiliar o Capitão Kirk e sua tripulação a resgatar baleias jubartes que podem ajudar a terra no futuro. Se ninguém assistiu a esse filme é porque simplesmente ele não foi feito. Apesar de tudo parecer arranjado, Eddie Murphy veio a desistir do projeto e preferiu fazer “O Rapto do Menino Dourado” (The Golden Child). Em seu lugar entrou a atriz Catherine Hicks como a biologa marinha Gilliam Taylor. Assim em 1986 a tripulação da Enterprise embarcou em uma viagem no tempo no quarto filme da franquia    “JORNADA NAS ESTRELAS IV – A VOLTA PARA A TERRA”.

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A história de uma viagem no tempo já era ideia de Gene Roddenberry desde a época de realização do segundo filme, mas Gene queria levar a Enterprise de volta aos anos 60 em juma tentativa de evitar a morte de John Kennedy. Sua ideia era rejeitada pela Paramount que trouxe de volta Harve Bennet e Leonard Nimoy para o roteiro. Depois das fortes emoções geradas pela morte e resgate de Spock, Nimoy queria uma filme mais leve e divertido. Tendo sido um defensor do meio ambiente, Nimoy utilizou a ideia de fazer da extinção das baleias o elemento catalisador da história. No futuro, uma sonda alienígena vaporiza os mares da terra em busca da presença das baleias há muito extintas. A única solução para salvação da terra é voltar ao passado e resgatar um casal de baleias para repopulacionar os mares do futuro.

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Nimoy voltou a sentar na cadeira de diretor, e a história se desenrola sem uma figura de  antagonista, mas perfeitamente conduzida aproveitando o choque cultural entre os homens do futuro e os habitantes do século XX: Spock põe para dormir um punk irritante, os tripulantes conversam com uma mulher à procura de energia nuclear (A resposta dela foi uma improvisação bem vinda na cena), Scotty cria alumínio transparente (o que viria a acontecer na vida real em 2009) e fala com um mouse de computador ,  e McCoy cura uma mulher com problemas renais. Uma parte da história previa mostrar Saavik grávida de Spock, como consequência do Pon Fah no filme anterior, mas esta não dá explicações maiores para sua permanência em Vulcano ainda no inicio do filme, que é dedicado às vítimas da explosão do ônibus espacial Challenger. Outra cena que foi prevista mas não filmada mostraria uma criança oriental passando pela tripulação  e que seria o tataravô de Sulu. Como a criança não parava de chorar, a cena acabou desconsiderada para não atrasar as filmagens. Em aparições rápidas temos Sarek (Mark Lenard), o pai do Spock, Amanda (a atriz Jane Wyatt em sua última aparição nas telas), a mãe de Spock, Janice Rand (Grace Lee Witney) que era a ordenança da série original como comandante e Vijay Armitrage que era campeão de tennis profissional e tentava uma carreira no cinema.

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Quando o filme finalizava suas filmagens, a Paramount aprovou uma nova série de Star Trek dando continuidade às viagens originais. Assim, tanto o quarto filme quanto a estreia de “Jornada Nas Estrelas : A Nova Geração” na Tv serviriam para celebrar os 20 anos da saga de Gene Roddenberry. O filme foi a maior bilheteria de um filme da franquia até então, e o melhor resultado comercial estrelado pela tripulação original. Ao final do filme, os atos de insurreição no terceiro filme são julgados resultando em anistia, no rebaixamento de Kirk de Almirante para Capitão e na designação de uma nova missão a bordo de uma reformada Enterprise. Todos estavam finalmente em casa.

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Em Breve : A Estreia de Star Trek Sem Fronteiras dia 1º de Setembro

Em Breve: Artigo sobre os filmes 5 e 6 de Jornada Nas Estrelas aqui no blog

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ESTREIAS DA SEMANA: 25 DE AGOSTO

PETS – A VIDA SECRETA DOS BICHOS

The Secret Life of Pets. EUA 2016. Dir: Chris Renaud & Yarrow Cheney. Vozes : Kevin Hart, Albert Brooks, Lake Bell. Vozes Nacionais: Danton Mello, Tiago Abravanel, Luiz Miranda, Tata Weneck. Animação.

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Lembram quando a Pixar imaginou o que seria a vida dos brinquedos de nossas crianças quando não estivéssemos olhando ? Pois é, a Illumination (o mesmo estudio de animação que nos deu “Meu Malvado Favorito”  e “Minions”) faz a mesma pergunta sobre os nossos adoráveis animais de estimação e o resultado é essa bem sucedida animação, custou em torno de US$ 75 milhões e estreou nos Estados Unidos  em Julho último faturando até agora US$ 348,275,380 segundo o site especializado box office mojo. A história mostra uma força tarefa de animais reunida para resgatar dois cães levados pela carrocinha depois de se desentenderem. É o programa ideal para pais e filhos nesse final de semana pós olimpiadas.

ÁGUAS RASAS

(The Shallows) EUA 2016. Dir:Jaume Collet – Serra. Com Blake Lively, Oscar Jaeneda. Drama / Suspense.

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O diretor catalão Jaume Collet Serra já havia chamado minha atenção quando dirigiu Liam Neeson em dois filmes de suspense bem eficientes (Desconhecido, Sem Escalas), sendo  que também é dele o curioso “A Orfã”. Á primeira vista parece que esse “Águas Rasas” vem com a proposta de ser o “Tubarão” da nova geração, mas não se deixa enganar. O filme não tem essa pretensão, mas consegue fazer uso de uma premissa parecida mas equilibrada em um roteiro ágil e dinâmico. Há momentos que vai lembrar também “Mar Aberto”, até porque seus 86 minutos se concentram em uma única personagem, a ex estudante de medicina que se vê cercada por um imenso Tubarão Branco Fêmea (essas são maiores e mais vorazes que os machos) sem ninguém para socorrê-la por estar em uma daquelas praias secretas, no filme no México apesar das filmagens terem sido feitas na Australia. O roteiro de “Águas Rasas” demorou bastante para ser filmado, tendo figurado em 2014 em uma lista de melhores roteiros não filmados até então. Louis Leterrier, diretor de “Truque de Mestre” chegou a se interessar pelo projeto mas caiu por divergências tanto criativas como orçamentárias. O filme de Serra, no entanto, se tornou um sucesso de bilheteria quando lançado nos Estados Unidos em Junho. Seus US$ 17 milhões de custo já se pagaram no mercado interno, um alívio para a Sony em um ano em que projetos audaciosos naufragaram (Caça Fantasmas, Ben Hur etc…). A razão para tanto sucesso é que o embate entre Nancy (Blake Lively, esposa de Ryan Reynolds com quem filmou “Lanterna Verde”) e o Tubarão é mais que físico. A personagem de Lively quer superar o luto pela morte de sua mãe e , sua luta pela sobrevivência ganha contornos psicologicos. Reparem como a gaivota ferida pelo Tubarão e que se refugia da fera em um recife, junto de Nancy, funciona metaforicamente como uma extensão da figura materna ausente e promove um dialogo inusitado que guia a narrativa. Enfim, vale a pena assistir e roer as unhas com o ritmo ágil e eficiente do filme.

CAFÉ SOCIETY

(Café Society) EUS 2016. Dir: Woody Allen. Com Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Steve Carrell, Blake Lively. Comédia Romântica.

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Woody Allen está para completar 80 anos e prova que, assim como o vinho, o tempo lhe faz cada vez melhor. Pode parecer contraditório então afirmar que “Café Society” não é seu melhor trabalho. , mas isso pouquíssimos trabalhos autorais mantem a integridade artistica de Allen. A história é claro traz todas as caracteristicas  do diretor novaiorquino: Seu alter ego agora vivido por Jesse Eisenberg (Lex Luthor de “Batman x Superman”) é um jovem do interior que chega a Hollywood dos anos 30 com sonhos e, se apaixona pela secretaria (Kristen Stewart de “Crepusculo”) de seu tio, produtor (Steve Carrell) de estudio com quem vem a formar um tumultuado triângulo amoroso tendo como pano de fundo a industria cinematografica da época. O filme abriu o Festival de Cannes desse ano mostrando um roteiro inteligente, que ainda conta com a belíssima fotografia de Vittorio Storaro (um mestre) .

NERVE – UM JOGO SEM REGRAS

(Nerve) EUA 2016. Dir: Ariel Schulman & Henry Joost. Com Dave Franco, Emma Roberts, Juliet Lewis. Suspense.

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Dois jovens se envolvem em umm perigoso jogo on-line, levando-a a descobrir que tudo que faz está sendo manipulado e vigiado. Emma Roberts é filha de eric Roberts e sobrinha de Julia Roberts. Já Dave Franco, o irmão mais novo de James Franco.Ambos  emprestam aos seus personagens o frescor de sua juventude e frivolidade em um thriller de ação que embarca no alerta dos jogos on line em um momento que as pessoas parecem hipnotizadas pela caça ao Pokemon. O filme não se aprofunda em discussões, mas desperta um curioso debate para depois de seu fim. Não há profundidade no desenvolvimento dos personagens e não precisa se esforçar muito para descobrir furos que poderiam ser evitados.

NAS BANCAS : CONHECIMENTO PRÁTICO LITERATURA 67

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A TODOS OS AMIGOS SEMPRE AGRADEÇO A ATENÇÃO E O CARINHO AO ACOMPANHAR OS ARTIGOS PUBLICADOS SEJA AQUI NO BLOG OU NA REVISTA “CONHECIMENTO PRÁTICO LITERATURA” DA QUAL SOU COLABORADOR. CHEGOU ÀS BANCAS A EDIÇÃO 67 COM UMA MATÉRIA DE CAPA MARAVILHOSA SOBRE OS 400 ANOS DA MORTE DE SHAKESPEARE, O AUTOR MAIS ADAPTADO PARA O CINEMA. A REVISTA TRAZ AINDA UM ARTIGO ENSAÍSTICO, ESCRITO POR MIM, SOBRE TARZAN DESDE SUAS ORIGENS LITERÁRIAS , ALÉM DE SUA ADAPTAÇÃO CONSTANTE PARA O CINEMA E AS HQS, INCLUINDO OUTRAS MÍDIAS. A REVISTA AINDA TEM UMA MATÉRIA ÓTIMA SOBRE O NOSSO MÁRIO DE ANDRADE, IMPORTANTISSIMO AUTOR BRASILEIO. COMPREM A REVISTA, POIS ALÉM DESSAS HÁ OUTRAS MATERIAS QUE SÃO UM DELEITE PARA OS AMANTES DAS LETRAS. AGRADECIMENTO ESPECIAL AO EDITOR DARIO CHAVES CUJA BOA VONTADE E DEDICAÇÃO AO SEU OFICIO FAZEM ESSA REVISTA UM PRIMOR NO MEIO JORNALISTICO. A LISTA DE GRATIDÃO NÃO PARA AQUI, POIS ANA PAULA PIRES É ESSENCIAL COMO MAIOR INCENTIVADORA DESSE TRABALHO E O PROFESSOR ANTONIO CARLOS GOMES DE MATTOS, UM EXEMPLO QUE SIGO . A VOCÊS E TODOS OS AMIGOS QUE AQUI FREQUENTAM O BLOG E PRESTIGIAM O TRABALHO REALIZADO NESSE ESPAÇO: MUITO OBRIGADO. DEUS ACIMA DE TUDO E MINHA FAMILIA, MINHA ESPOSA E FILHA POR QUEM VIVO. THANK YOU ALL !!!

TRAILLER: JACK REACHER SEM RETORNO

Previsto para 20 de outubro a sequência de “Jack Reacher – O Último Tiro” que se chamará “Jack Reacher – Sem Retorno” trará mais uma vez Tom Cruise, o Ethan Hunt de “Missão Impossivel” como e ex militar que se tornou investigador. Ao seu lado Cobie Smulders, a Maria Hill de “Os Vinagdores”. O filme é a adaptação do 18º livro do personagem criado pelo autor britânico Lee Child, pseudônio de Jim Grant. Na direção Edward Zwick, que já trabalhou com Tom Cruise em “O Último Samurai”.

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ESTREIAS DA SEMANA : 18 DE AGOSTO

BEN HUR

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(Ben Hur) EUA 2016. Dir: Timur Bekmamtov. Com Jack Houston, Toby Kebell, Rodrigo Santoro, Morgan Freeman, Ayelet Zurer, Épico.

Há algum tempo atrás eu julgava virtualmente impossível que alguém ousaria refilmar a história do livro de Lew Wallace, publicado em 1880, e que já gerou outras versões, sendo esta a quarta e, a mais famosa a de 1959 dirigida por William Wyler, com Charlton Heston e Stephen Boyd nos papéis agora defendidos, respectivamente por Jack Houston (neto do diretor John Houston dando prosseguimento a uma dinastia nas telas) e o insosso Toby Kebell como Messala. A presença de Morgan Freeman como o Sheik Ildrim parece funcionar de forma a dar credibilidade maior a uma empreitada como essa: Refilmar um clássico da antiga Hollywood, para plateias mais voltadas para os filmes de super herois em um mundo em que a tecnologia parece ter se tornada a nova religião, longe dos valores de irmandade, perdão e cristiandade que formam a narrativa do filme. O diretor desenvolveu sua carreira em filmes como “O Procurado” (2008) e “Abbraham Lincoln – Caçador de Vampiros” (2013) onde a ação era o fio condutor das tramas. Em “Ben Hur”, há ação mas diluída por trás de uma mensagem de que a vingança nada traz a não ser a dor. A história para quem não conhece remonta o periodo entre o nascimento e a crucificação de Jesus Cristo (nosso talentoso Rodrigo Santoro) quando o príncipe Judá Ben Hur (Houston) é traído por seu irmão adotivo (no livro são apenas amigos) e condenado a ser escravo em Roma, destituido de sua fortuna e afastado de sua família. Judá sobrevive a todos as aflições e humilhações com o obetivo de voltar para se vingar. O filme de 1959 foi um campeão de Oscars (11) e trazia uma sequência final eletrizante com a corrida de quadrigas, que o público que jpa viu inevitavelmente comparará com o atual.

QUANDO AS LUZES SE APAGAM

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(Lights Out) EUA 2016. Dir: David F. Sandberg. Com Teresa Palmer, Alicia Vela-Bailey, Emily Alyn- Lind, Lotta Losten.  Terror.

Dirigido e roteirizado por David F.Sandberg adaptando um curta que o próprio realizou em 2013. O filme gira em torno de uma mulher e seu irmão que tem um medo enorme do escuro e passam a enxergar o fantasma de uma garotinha. Lotta Losten que foi a protagonista do curta aparece aqui em uma ponta.

MAKE & REMAKE : BEN HUR

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CAPA DA PRIMEIRA EDIÇÃO

Assisti “Ben Hur” pela primeira vez na Rede Globo por volta de 1984, dividido em duas partes. Claro me refiro à versão de 1959, estrelada por Charlton Heston. Sim, o filme é a terceira versão da história que agora chega a uma nova geração refilmada com todo o requinte da tecnologia digital e trazendo o desafio de agradar um público mais em sintonia com filmes de super heróis.

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GENERAL LEW WALLACE – O AUTOR

“Ben Hur : A Tale of the Christ” foi escrito por Lew Wallace (1827 – 1905), que foi militar tendo lutado na Guerra de Anexação do Texas e na Guerra de Secessão, além de ter sido governador do Novo México (1878 – 1881) , ministro e diplomata no Oriente Médio. O mais curioso é que Lewis Wallace (seu verdadeiro nome) era ateu e decidiu escrever o livro para provar que Jesus Cristo nunca existiu. Depois de minuciosa pesquisa, o autor se aprofundou tanto que não apenas mudou de ideia, como também se tornou um homem de fé, uma vez que no livro Jesus é retratado com teor religioso, e não apenas como um personagem histórico como nas próprias palavras do autor. A história do príncipe Judah Ben Hur corre em paralelo com a passagem de Cristo pela Terra, e por isso no livro, a figura de Jesus é muito mais frequente que no filme, retratando o messias desde seu nascimento com a chegada dos três Reis Magos até sua crucificação.O livro publicado pela primeira vez em 1880 foi um sucesso de vendas com sua narrativa detalhada ao mostrar a cultura dos povos judeu e árabe nos tempos da dominação romana no Oriente Médio. Outra diferença é que no livro Ben Hur torna-se tão poderoso e rico que chega a reunir um exercito para inovador Roma, mas desiste da ideia ao ser tocado pelas palavras de Cristo. No final da história, passa a proteger os seguidores de Cristo depois de ver sua mãe (cujo nome não é mencionado pelo autor) e irmã curadas milagrosamente da lepra.

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RAMON NOVARRO NA VERSÃO DE 1925

A primeira vez que a história foi adaptada foi em 1907 com Herman Rottger e William S.Hart (que foi cowboy em diversos filmes) nos respectivos papeis de Ben Hur e Messala. O filme de 15 minutos é um item raro para os cinefilos, tendo sido processado pela família de Wallace porque os realizadores simplesmente não se preocuparam em pagar pelos direitos de adaptação. Em 1925 a Goldwyn Pictures conseguiu os direitos e realizou, ainda no período do cinema mudo uma excelente versão da história e se tornando o filme mais caro do período ao custo de US$3,9 milhões, uma fortuna para a época. O filme dirigido por Fred Niblo (1874 – 1948) foi um triunfo técnico com 48 câmeras usadas para a sequência de batalha marinha filmada na Itália. O número de extras usados nas cenas de multidão também eram superlativo e incluía nomes que ficaram famosos nas telas como Clark Gable, Carole Lambord (Ambos se casariam posteriormente), Harold Lloyd, Joan Crawford, Gary Cooper, Mary Pickford, Myrna Loy, Lilian Gish, Douglas Fairbanks, Fay Wray (aquela mesma de King Kong), Lionel Barrymoore, Janet Gaynor entre outros. O papel de protagonista quase foi para as mãos de Rodolfo Valentino, mas ficou com o ator mexicano Ramon Novarro (1899 – 1968), que era gay na vida real e escondia o fato. Ben Hur foi o ápice de sua carreira, pois com a chegada do cinema falado, ele assim como outros tinham vozes horríveis que não combinavam com a figura física que projetavam. O papel de Messala ficou com Francis X. Bushman (1883 – 1966), que pode ser visto em dois episódios da clássica série de Tv “Batman” (aquela mesma com Adam West). Sua habilidade com a corrida de bigas (na verdade quadrigas, pois eram quatro cavalos) era real e superava Novarro. Conta –se que o ditador italiano Benito Mussolini odiava o filme por mostrar um judeu superando um romano. Em 1931, o filme de Niblo foi relançado nas telas com musica de fundo e efeitos sonoros.

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A CENA INIGUALÁVEL

Quando a Metro se fundiu a Goldwyn Picures criando a MGM (Metro Goldwyn Mayer), esta ganhou o direito de refilmar o livro de Lew Wallace. Como no final da década de 50, a industria cinematográfica se via ameaçada pelo surgimento da televisão, os estúdios investiam em grandes épicos e espetáculos que seduzissem o público. O produtor Sam Zimablist e o diretor William Wyler se uniram para uma nova adaptação, a primeira do cinema falado e chamaram Burt Lancaster para o papel principal. Este se recusou pois se dizia ateu, então Marlon Brando recusou e Rock Hudson se interessou mas não ficou com o papel que acabou indo para Charlton Heston. Seu antagonista ficou com o ator de origem irlandesa Stephen Boyd. O filme foi um marco da história do cinema ganhando o número recorde de 11 Oscars, só igualado mais de 40 anos depois por “Titanic” (1998) e “O Senhor do Aneis O Retorno do Rei” (2003). A corrida de quadrigas é um primor de técnica superior em todos os aspectos (duração de quase 20 minutos, movimentação e ângulos de câmera, edição) , filmada nos estúdios de Cinecittá em Roma durante cinco semanas e contando com 15 mil extras. Orçado em US$12,500 milhões, seu resultado de público e crítica salvou a MGM que atravessava período difícil então. Charlton Heston ficou marcado com personagens históricos tendo já interpretado Moises em “Os Dez Mandamentos” (1956) além de depois dar vida a personagens como El Cid, Michelângelo, Cardeal Richelieu entre outros.

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ENCONTRO COM JESUS

No Brasil, o filme foi lançado em Janeiro de 1960 e se tornou muito tempo depois muito popular com as reprises de Tv. Outro marco em sua história é de ser o único filme Hollywoodiano a falar de Jesus a ter sido aprovado pelo Vaticano. Segundo o site imdb, o escritor Gore Vidal introduziu na história a cena do brinde entre Ben Hur e Messala com intenção de sugerir um relacionamento homossexual. Cerca de oito anos depois, o ator Ramon Novarro, o antecessor de Heston no papel foi espancado até sua morte em sua casa por garotos de programa.

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O BRINDE

A história do General Lew Wallace ainda ganharia uma versão em desenho dublada pelo próprio Heston em 2003, e uma mini série de TV em 2010. O filme pode tocar cada um de muitas maneiras, mas não como negar que a saga desse herói é uma trajetória de fé e uma lição de perdão e perseverança para que cada um encontre seu Cristo interno, e uma aventura fascinante que o cinema reapresenta, revisita e repagina para uma nova geração.

 

IN MEMORIAN: ELKE MARAVILHA

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Confesso que não acompanhei a carreira cinematográfica de Elke Grunnupp, eternamente conhecida como Elke Maravilha. Foram mais de 30 filmes mas a lembrança mais viva que tenho dela é como jurada do programa do Chacrinha, a que sempre assistia quando jovem. Elke chamava a atenção por aquela alegria tão natural, despojada, excêntrica. No cinema ddeixou sua marca em filmes como “Pixote” (1981), Xica da Silva (1976) e, recentemente fez a mãe do personagem de Paulo Miklos em “Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina” (2016). Contudo, sua personalidade marcante também marcou passagem em uma carreira de modelo, viveu o difícil periodo da ditadura militar, tendo se tornado grande amiga da estilista Zuzu Angel, cujo filme de 2006 a trouxe como personagem vivida pela atriz Luana Piovani. Nascida na Russia em 1945, mas tendo sido criada no Brasil, Elke passou pela Tv, pelo cinema e pela vida como uma força reluzente trazendo alegria e esse é seu legado como uma das grandes artistas de nosso país.

DIARIO DE BORDO – DATA ESTELAR 1984 : JORNADA NAS ESTRELAS À PROCURA DE SPOCK

StarTrek3poster       Poucos meses depois do sucesso de bilheteria de “A Ira de Khan”, a Paramount começou a planejar a sequência, que deveria de começar do exato ponto que o anterior terminou, ou seja, com o esquife de Spock aterrizando no recém criado planeta Genesis. Nicholas Meyer declinou do convite para voltar à cadeira da direção depois de vários problemas com Gene Roddenberry que repidava tudo que era feito com sua criação. Leonard Nimoy parecia estar fora quando alguma coisa mudou. Podemos dizer que certamente as necessidades de muitos, mais uma vez, se sobreporam às necessidades de um.

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Ainda no final de 1982, de acordo com o livro “Memórias de Jornada nas Estrelas- Os Filmes” de William Shatner, executivos da Paramount contataram os membros do elenco para um terceiro filme, incluindo Leonard Nimoy. Este, movido pelo excelente resultado de “A Ira de Khan”, se entusiasmou com a ideia de continuar a história desde que pudesse ser o diretor do filme. Michael Eisner, chefão do estúdio, era contra pois equivocadamente acreditava que Nimoy nutrisse ódio pela série ou pelo papel, chegando a acreditar que a morte de Spock tivesse sido exigência contratual do ator.Após exaustivas negociações com a Paramount, Leonard Nimoy assumiu a direção tendo Harve Bennet novamente como produtor executivo e, incluindo, novos problemas com Roddenberry. Este desaprovou todo o direcionamento da história, insistindo que esta deveria usar o guardião da eternidade (do episodio “Cidade á Beira da Eternidade”) para levar Kirk e Spock aos anos 60 em uma missão que envolvia evitar ou não o assassinato de Kennedy. Essa trama girava na cabeça de Roddenberry desde os tempos que se falava de um segundo filme, mas a Paramount não estava disposta a deixar Roddenberry ter qualquer controle criativo sobre a franquia depois dos desastres envolvendo o primeiro filme. O criador de Star Trek se revoltou ainda mais quando soube que o roteiro incluía a destruição da Enterprise e a possível substituição desta pela USS Excelsior nos futuros filmes, conforme desejado por Bennet inicialmente.  Kirstie Alley foi substituída por Robin Curtis pois teria feito exigência de um salário alto demais para ser comportado pelo orçamento de US$ 17 milhões, que incluía é claro o elenco original da série.

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Christopher Lloyd era conhecido do público norte-americano pelo seriado “Taxi” e ainda não tinha filmado “De Volta Para o Futuro” quando assumiu o papel do vilão, o Capitão Klingon Kruge que desafia Kirk para assegurar o segredo de Genesis. Lloyd decorou suas falas, incluindo as passagens faladas em Klingon desenvolvidas pelo linguista Mar Okrand. Dame Judith Anderson tinha 87 anos quando aceitou o papel da sacerdotisa Vulcana, e somente o fez porque seu sobrinho, trekkie apaixonado, insistiu para que a veterana atriz o fizesse. Esta se tornou sua última aparição em um filme.

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O filme estreou no Brasil em 5 de Outubro de 1984. A ressurreição de Spock provocada pelo efeito Genesis, o sacrifício de David, o filho de Kirk morto pelos Klingons e a tripulação da Enterprise se amotinando para resgatar seu camarada vulcano, dado como morto estão entre os elementos surpreendentes do roteiro. Um dos momentos mais lembrados é quando Sulu é confrontado por um guarda que o chama de baixinho, ou quando o heroico Kirk fica impotente diante da morte de seu filho,  ou ainda o emocionante encontro final com Spock reunido com seu espírito que estava alocado na mente de McCoy. Embora não seja no mesmo nível que “A Ira de Khan”, o terceiro filme (primeiro filme dirigido por Nimoy) tem seu lugar digno dentro da sequência que renovou o interesse do público dos anos 80 pela saga estelar que deixou marca indelével no carinho dos fâs de ficção cientifica.

EM UMA SEMANA, O BLOG VOLTA A FALAR DE “STAR TREK” TRATANDO DO QUARTO FILME, A VOLTA PARA A TERRA.

ESTREIAS DA SEMANA : 11 DE AGOSTO

UM ESPIÃO & MEIO

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(Central Intelligence) EUA 2016. Dir: Rawson Marshall Thurber. Com Dwayne Johnson, Kevin Hart. Comédia de Ação.

Jovem que no passado foi vítima de bullying porque era gordinho cresce e se torna um agente secreto fortão e musculoso. O único que o defendia era um jogador que se tornou contador frustado com sua vidinha. Agora, este é o único que pode ajudar o espião a evitar que segredos militares sejam vendidos. O filme segue a linha da parceria de personagens diferentes em uma aventura movimentada com constantes pitadas de humor advindas do contraste entre os dois protagonistas. Dwayne Johnson é o grande nome do gênero ação, mas demonstra naturalidade para tirar sarro dessa imagem de durão. Ao seu lado está Kevin Hart, comediante de grande sucesso nos Estados Unidos que parece preencher o espaço deixado por Eddie Murphy, que há tempos não emplaca um sucesso. A parceria parece que vai gerar frutos porque Johnson e Hart voltarão a contracenar na vidoura refilmagem de “Jumanji”, prevista para o ano que vem. Várias situações são relamente divertidas como a inicial nos tempos do colegial. Atentem para o desfecho também que traz uma ponta não creditada de Melissa MacCarthy. Vale a pena assistir.

PERFEITA É A MÃE

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(Bad Moms) EUA 2016. Dir: Jon Lucas & Scott Moore. Com Mila Kunis, Kristen Bell, Jada Pinkett Smith. Comédia.

Os roteiristas da trilogia “Se Beber Não Case” (The Hangover) são os diretores dessa comédia que não está disposta a fazer concessões para tratar de um assunto que aflige muitas mulheres: Como ser mãe em meio às atribulações da vida moderna. Entre esses percalços está o convivio com outras mães esnobes que estão mais preocupadas em pisar umas às outras para se sobressairem. Por isso, a dedicada Amy (Kunis) decide se juntar a outras que como ela não aceitam como são tratadas e resolvem se vingar.

 

PERFIL : DWAYNE JOHNSON

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                Dwayne Douglas Johnson nasceu em 2 de Maio de 1972 em Hayward, California, filho do campeão de luta livre Rocky Johnson. Seu avô materno também era um profissional de luta livre. Em sua juventude, contudo, foi o futebol americano que o encantou e Dwayne ganhou uma bolsa de estudo para a Universidade de Miami jogando com grande sucesso. Em 1995, ano em que se formou em criminologia,  sofreu uma lesão nas costas que o impediu de continuar jogando profissionalmente. Foi nesse momento que começou a carreira de lutador profissional, empregando o nome artístico de “The Rock” e sendo treinado por seu pai, vindo a conquistar nove títulos. Seu carisma e presença de cena chamou a atenção na época de realização de “O Retorno da Múmia” (The Mummy Returns) em 2001. Procurava-se um homem de físico impecável para interpretar o Escorpião Rei. O sucesso sorriu para The Rock com uma vida nova renascendo como ator.

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Mas The Rock tinha talento para ir além da figura de fortão brutamontes. Depois de protagonizar o filme solo “O Escorpião Rei” (The Scorpion King) em 2002 e a adaptação do jogo “Doom – A Porta do Inferno” (Doom) em 2005, o ator não teve pudores em assumir um papel secundário na sátira “Be Cool – O Outro nome do Jogo” (2005). Demonstrou-se comfortável em comédias, com carisma para lidar com crianças como em  “Treinando o Papai” (The Game Plan) – último filme usando seu apelido dos ringues, “A Montanha Enfeitiçada” (Race to Witch Mountain) – de 2009, primeiro dos três filmes com a atriz Carla Cugino – e “O Fada dos Dentes” (Tooth Fairy) em 2010. Em “Agente 86” (Get Smart) de 2010, Dwayne exerciou seu lado vilanesco, mas ainda assim cômico em essência.

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Dwayne mostrou que poderia transitar tranquilamente entre os papeis de ação e de humor com naturalidade. Não à toa o agente Luke Hobbs de “Velozes & Furiosos”, a partir do quinto filme, roubou a cena e lhe deu a fama de salvador de franquias, função que repetiu como o Roadblock de “G.I.Joe Retaliação” (2013), segundo filme da franquia da Hasbro e, um ano antes, substituindo Brendan Fraser como o herói de “Viagem 2” (The Journey 2” (2012). Também em 2013, o ator mostrou-se convincente em um papel mais dramático em “O Acordo” (Snitch) como um pai desesperado para livrar o filho do tráfico de drogas. Além da própria série de TV (Ballers) e de filmes de sucesso como “Terremoto – A Falha de San Andreas” (San Andreas) em 2015, o ator empresta sua voz à animação “Moana” da Disney, ainda a ser lançado.

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DWAYNE JOHNSON E SUA FILHA

Tendo casado em 1995 com Danny Garcia, ex- fisioculturista, o ator se divorciou em 2008 e teve uma filha, Simone Alexandra, nascida em 2001. Em 2006 criou uma Fundação com seu nome para ajudar crianças terminais e constantemente faz uso das redes sociais para divulgar seus trabalhos. Além da refilmagem de Jumanji, o ator ainda filma a adaptação de “Baywatch” (seriado conhecido no Brasil como “S.O.S Malibu” ) para 2017 e está confirmado como Adão Negro, o vilão do vindouro filme “SHAZAM” para a Warner / DC Comics. Agora a comédia de ação “Um Espião & Meio” (Central Intelligence) chega como mais um lembrete da versatilidade e do carisma desse ex-lutador de 1,93 m capaz de tirar um sarro da própria imagem de homem de ação, e ainda fazer crianças e adultos tentarem imitar a dança do peitoral. Alguém quer tentar ?

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A DANÇA DO PEITORAL

REBECCA – A MULHER INESQUECÍVEL : A VOLTA DE UM CLÁSSICO.

rebecca             Alfred Hitchcock é sem dúvida uma das personalidades mais influentes do cinemão Hollywoodiano. Alcunhado “O Mestre do Suspense”, o diretor britânico é imitado, parodiado, revisitado, refilmado, mas jamais substituído. Entre várias de suas obras já relançadas ora nas telas ora em formatos digitais, agora chega a vez de uma pérola em sua prolífica filmografia, “Rebecca A Mulher Inesquecível” (Rebecca) que será relançado nessa próxima quinta (11 de Agosto) em cópias restauradas pela distribuidora cearense Celeste.

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O ESPERADO MOMENTO EM QUE HITCH SURGE EM CENA: AQUI ESPERANDO POR GEORGE SANDERS NA FILA DO TELEFONE PÚBLICO

O filme “Rebecca” foi a estreia de Hitch em Hollywood depois de uma carreira admirável na Inglaterra. Foi David O’Selzinick, produtor de “E O Vento Levou”, quem trouxe Hitchcock para a America e lhe entregou uma adaptação do romance da escritora britânica Daphne Du Maurier (1907-1989). Não era inteiramente novidade pois Hitch já havia trabalhado com adaptações da autora antes em “A Estalagem Maldita” (Jamaica Inn) em 1939 e , voltaria muitos anos depois em “Os Passaros” (The Birds) em 1960.

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A história mostra Joan Fontaine como uma jovem humilde e inocente (seu nome nunca é mencionado) que se casa com o milionário Maxim De Winter, interpretado por Laurence Olivier, indo morar em Manderlay, a enorme mansão deste situada em Cornwall, no interior da Inglaterra. Em vez do esperado felizes para sempre, seu tempo na mansão é angustiante pois Maxim se comporta de forma estranha, muitas das vezes distante e misterioso e a governanta da casa, a sisusa Dra Danvers (Judith Anderson) faz de tudo para tornar sua estada em Manderlay um inferno, como se ainda zelasse por Rebecca, a falecida primeira esposa de Maxim cuja presença na mansão parece onipresente e fantasmagórica. A medida que a segunda Sra De Winter se aprofunda nos mistérios de Manderlay e no passado de Maxim, revelam-se verdades que mudarão suas vidas para sempre.

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O filme não é um suspense convencional, mas um romance gótico com abordagem psicológica. Sua fotografia em preto e branco realça o clima soturno e a dualidade dos personagens. Várias atrizes foram pensadas para o principal papel feminino, incluindo Selznick queria Olivia deHavilland que estava indisponível. Curiosamente o papel foi para sua irmã mais nova, Joan Fontaine de 23 anos. Olivier queria Vivian Leigh (a Scarlett O’Hara de “E O Vento Levou”) e , por conta disso, tratava mal Fontaine. Hábil manipulador tanto em cena como fora , Hitchcock teria dito a Fontaine que ninguém no estúdio gostava dela, pedindo a outros que a ignorassem de forma a que o mal estar causado fizesse Fontaine soar mais autêntica como uma pessoa insegura e acuada pelo ambiente hostil. A tortura teve seus resultados já que o filme foi um grande sucesso, rendendo ainda nove indicações ao Oscar, dos quais ganhou melhor filme (único prêmio competitivo rendido ao mestre do suspense em sua gloriosa carreira) e melhor fotografia. Lamentável que o roteiro de Robert E. Sherwood e Joan Harrisson não tenha sido igualmente vitorioso pelo primor com que a obra de Daphne Du Maurier ganha tridimensionalidade.Ou que Hitchock não tenha sido reconhecido por sua habilidade em transformar uma história em algo mais. Sua câmera é envolvente e hipnotizante em cada tomada transformando Manderlay em um personagem vivo, reflexo dos  mistérios da alma humana de seus ocupantes, e sobretudo de Rebecca que como o título justifica estará sempre na memória.

CLÁSSICO REVISITADO : CONTA COMIGO – 30 ANOS

Stephen  King é um escritor prolífico, tendo seu nome associado instantaneamente a histórias de terror, mas sua criatividade vai além dos sustos que já promoveu. Esse iluminado autor já demonstrou sensibilidade para escrever muitas outras coisas. Há trinta anos essa face menos conhecida e badalada de sua carreira chegou aos cinema em um bela história de amizade.

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Conta Comigo” (Stand by me) adapta o conto “The Body” que compõe o livro “As Quatro estações” (Different Seasons) publicado em 1982. Desse livro também foi adaptado a história que se tornou “Um Sonho de Liberdade” (The Shawshank Redemption). O tom mais dramático remonta a própria juventude de King no Maine. No filme, o roteiro de Raynold Gideon e Bruce a. Evans desloca a história para o Oregon, onde na fictícia história de Castlerock quatro amigos combinam de procurar o corpo de Ray Brower, um menino desaparecido durante o verão de 1959. A história é narrada por Gordie Lachance (Will Wheaton) , que adulto tornou-se escritor e relembra o que ocorreu no citado verão. Acompanhando – o em sua busca estão seus melhores amigos: o medroso Vern (Jerry O’Connel), o atrevido Teddy (Corey Feldman) e o corajoso Chris Chambers (River Phoenix). A jornada dos quatro amigos é embalada por grandes sucessos do período como Buddy Holly, The Chordettes, Jerry Lee Lewis e Ben E.King, autor da canção tema que batiza o filme. O diretor do filme usou a gravação original da icônica canção, desistindo da ideia inicial que seria regrava-la na voz de Michael Jackson.

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ESSE QUARTETO É FANTÁSTICO

Ao longo da estrada os garotos enfrentam perigos, os deliquentes liderados por Ace Merrill (Kiefer Sutherland),  e os próprios medos advindos de sua realidade: Teddy idolatra o pai que o agride, os pais de Chris são criminosos,Vern é tímido e inseguro e Gordie se culpa pela morte de seu irmão mais velho.  A viagem funciona como um rito de passagem da inocência à maturidade, da nostalgia do passado para a incerteza do futuro. O diretor Rob Reiner conseguiu conduzir a história com admirável equilíbrio entre as cenas de humor e drama, compondo uma história que toca o espírito de todos e despertando um sentimento de nostalgia que toca individualmente as memórias que cada um tem de sua meninice.

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O ELENCO CRESCIDO

Há muitas coincidências entre o conto e seu autor: Assim como Gordie, Stephen King também teve um irmão mais velho que morrera, a sequência com os sangue-sugas realmente aconteceu com King quando ele era criança,  e tanto Gordie quanto King se tornam escritores de sucesso, o que no filme é mostrado pela figura de Gordie mais velho como narrador da história, papel que foi desempenhado por Richard Dreyfuss, não creditado. Há algumas diferenças entre o livro e o filme além da mudança para o Oregon: No filme, Vern procura por seu tesouro secreto (um jarro de moedas) durante 9 meses, mas no livro a procura dura 4 anos. O filme não mostra o marginal Ace surrando os 4 garotos, mas no livro sim. O destino de Chris Chambers mostrado no filme é o único fúnebre já que este foi esfaqueado ao separar uma briga em um restaurante, mas no livro tanto Vern quanto Teddy morreram quando Gordie se torna um escritor famoso no final.

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O filme foi lançado em dezembro de 1986 no Brasil, tendo custado US$ 8 milhões. Além da bilheteria mundial milionário, o filme conseguiu indicações a prêmios como Oscar (melhor roteiro adaptado), Globo de Ouro (Melhor filme/Drama e diretor) e Independent Spirt Awards (Melhor filme, diretor e roteiro. Lamentavelmente o promissor e talentoso River Phoenix  morreu de overdose de droga em 1993, aos 23 anos. Corey Feldman teve problemas com álcool e drogas que abreviaram sua carreira apesar de se tornado ator símbolo da década de 80 (Goonies, Os Garotos Perdidos), Jerry o’Connel teve vários papeis em filmes de cinema e series de Tv (Joe e as Baratas, Pânico 2, Crossing Jordan), Kiefer Sutherland é ator ativo até hoje. Filho do consagrado Donald Sutherland, Kiefer marcou a historia da Tv como o agente secreto Jack Bauer da série “24 Horas”. Finalmente, Will Wheaton embarcou na Enterprise em “Jornada nas estrelas A Nova Geração” como o Alferes Crusher, e mais recentemente foi o rival de Sheldon Cooper em “The Big Bang Theory”.

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O LIVRO ORIGINAL

“Conta Comigo” está entre as pérolas dos anos 80, um filme tocante e divertido que mostra a versatilidade de Stephen king como escritor, falando por todos nós quando afirma que não há amizade igual à que fazemos quando estamos com 12 anos.

DIÁRIO DE BORDO DATA ESTELAR 1982 : JORNADA NAS ESTRELAS II A IRA DE KHAN

Três anos depois que a tripulação original da Enterprise se reuniu para enfrentar a ameaça de V’Ger, a Paramount decidiu dar sequência ainda que as dúvidas fossem muitas. O primeiro filme teve um orçamento alto demais e os lucros estavam longe do esperado levando-se em conta os gastos feitos anteriormente com o cancelado projeto “Star Trek Phase II”. Além disso os bastidores haviam sido atribulados com constantes desentendimentos com Gene Roddenberry e a as duras críticas feitas ao filme por seu tom solene demais e premissa não só pretensiosa  como filosofica demais. Mudanças precisavam ser feitas e foram :

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O orçamento ficou restrito a apenas US$ 11 milhões e Gene Roddenberry foi removido de sua posição de produtor executivo, ficando como consultor criativo, o que na prática significou que todas as decisões seriam tomadas ignorando Roddenberry. A posição de produtor ficou com Harve Bennet, vindo da Tv onde realizou “O Homem de Seis Milhões de Dólares” e “A Mulhet Biônica”. Bennet, que nunca havia visto a série original assistiu a todos os 79 episódios a procura de um ponto de partida para um roteiro que trouxesse de volta todo o esplendor de Jornada nas Estrelas. O episodio escolhido era “Semente do Espaço” (Space Seed) que trazia o antagonista perfeito para os heróis, o super humano engendrado geneticamente Khan Noonian Sing, interpretado por Ricardo Montalban. Khan havia sido exilado em um planeta inóspito ao final de Semente do Espaço e teria todos os motivos para odiar Kirk e buscar sua vinagança. O roteiro era apenas uma colcha de retalhos que incluia a morte de Spock, condição que trouxe Leonard Nimoy de volta depois de declarar que não queria voltar ao personagem. Foi quando chegou Nicholas Meyer, diretor e roteirista que se encarregou de enxugar as diversas ideias e driblar as interferências de Gene Roddenberry, que não concordava com nada.

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NOS BASTIDORES RICARDO MOLTANBAN É CONFRONTADO COM O ROBÔ TATOO, PIADINHA COM O SERIADO “A ILHA DA FANTASIA” ESTRELADO PELO ATOR NA ÉPOCA.

Segundo o livro “Memorias de Star Trek – Os Filmes” de William Shatner , Roddenberry repudiava a abordagem militarista da Frota Estelar, ainda que Nicholas Meyer concordasse em retratar esta como uma Marinha futurista evocando o personagem Horatio Hornblower da literatura de C.S.Forrester. Ainda segundo o livro teria sido Roddeberry a deixar vazar a noticia da morte de Spock irritando os fãs que se mobilizavam contra o filme. Inicialmente a cena da morte ocorreria no inicio do filme assim como em “Psicose” (1960). Meyer conseguiu ludibriar a todos mostrando a morte de Spock na sequência de abertura como parte do simulador Kobayashi Maru. Ao final do filme o sacrifício de Spock ganharia dramaticidade inesperada e tocante com William Shatner e Leonard Nimoy separados por uma parede de vidro e encarando a mortalidade indesejada, totalmente em sintonia com o roteiro desenvolvido para que lendas encarassem o envelhecimento e o fim de tudo que é mais caro.

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A NECESSIDADE DE MUITOS SE SOBREPOE À NECESSIDADE DE POUCOS OU DE UM.

Foi esse o tom assumido pelo roteiro, incorporar o envelhecimento dos personagens e confrontá-los com a brevidade da vida. Kirk seria nesse sentido o foco de tudo, além de travar com Khan um acirrado jogo de gato e rato que remete inclusive ao episodio “Equilibrio de Poder” (Balance of Power) da série clássica. Embora Khan e Kirk não tenham um embate físico (a principio haveria, mas as limitações de orçamento a removeu do roteiro), sua luta é envolvente e enervante causando danos extremos à Enterprise e sua tripulação. As falas de Khan remetem à Moby Dick seja através do paralelo Ahab / Khan ou das falas do vilão ao final que parafraseam a obra de Herman Melville. A persoangem da tenente Saavik ficou com a estreante Kirstie Alley cuja personagem foi imaginada como uma substituta para Spock, e a princípio previa-se que ela se envolveria com David (Merrit Butrick), o filho de Kirk cuja presença reinforça o sentimento do personagem diante da passagem de tempo.

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CUSPO EM TI MEU ÚLTIMO SOPRO DE VIDA

O filme seria sub entitulado “A Terra Desconhecida”, mas a Paramount decidiu rebatizar o filme como “A Vingança de Khan”, contrariando a vontade de Nicholas Meyer. Na época, inclusive, George Lucas preparava o episodio VI de Star Wars anunciado como “A Vingança de Jedi”. No final das contas, Lucas rebatizou seu filme de “O retorno de Jedi” e a Paramount trocou o sub título de Star Trek para “A Ira de Khan”.  O epilogo do filme com Kirk observando o recem formado planeta Genesis onde pousa o caixão de Spock foi acrescentado depois da exibição teste do filme assim como o momento em que Spock transfere seu katra para a mente do Dr.McCoy como um gatilho a ser explorado em um terceiro filme.

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O resultado foi extremamente satisfatorio, superando o primeiro filme e conquistando tanto crítica quanto público, sendo o filme mais rentavel da franquia até seu reboot por J.J.Abbrahms em 2008. Este reimaginou “A Ira de Khan” quando fez “Star Trek Alem da Escuridão” (Star Trek Into Darkness) em  2010 com Benedict Cumberbatch repetindo o papel feito magistralmente por Ricardo Montalban. Certamente que tanto sucesso asseguraria a continuidade da franquia e a certeza de que o espaço continuaria sendo a fronteira final.

DAQUI A ALGUNS DIAS CONFIRAM AQUI NO BLOG ARTIGO SOBRE “JORNADA NAS ESTRELAS 3 À PROCURA DE SPOCK”.