ESTREIAS DA SEMANA : 4 DE AGOSTO

ESQUADRÃO SUICIDA

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(Suicide Squad) EUA 2016. Dir:David Ayer. Com Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Carla Delavigne, Joel Kinnaman, Scott Eastwood, Adam Beech, Jared Leto. Ação.

A oficial do governo Amanda Waller (Davis) ordena a reunião dos piores criminosos do país para combater uma entidade maligna que pode destriuir o mundo. A premissa não é novidade em termos de cinema se lembrarmos de clássicos como “Os Doze Condenados”(1967), mas nas hqs ela foi usada antes (veja matéria publicada anteriormente). A ideia de compor a equipe com supervilões veio em 1986,  e funcionou gerando grande popularidade. A Dc Comics tem tido dificuldade para firmar seu universo cinemático, em parte porque a crítica especializada tem sido dura demais, e em parte devido a atitudes desastrosas da Warner. No caso, as críticas devastadoras a “Batman vs Superman” levou a Warner a remontar o filme e refilmar várias cenas de forma a acrescentar mais humor. A supervalorização dos bastidores do filme com noticias dos desatinos de Leto que teria incorporado o Coringa mesmo fora das filmagens. De qualquer forma, em filmes que trazem dinâmicas de grupo, raros são aqueles que conseguem desenvolver um equilibrio na trama capaz de valorizar todos os personagens e não é diferente dessa vez. A Arlequina rouba a cena, Viola Davis é ótima e não me surpreende que Jared Leto não tenha atingido a melhor das performances como Coringa depois de atuações marcantes como as de Heath Ledger e Jack Nicholson. Curiosamente o filme chega às telas no 50º aniversário da primeira encarnação do Coringa  vivido por um ator, no caso o célebre Cesar Romero na série de Tv do “Batman”. Como cinéfilo sempre suspeito dos extremos, seja os filmes aclamados ou os execrados. Talvez estejamos errando justamente por comparar, a Marvel e a Dc pois ambas tem erros e acertos. O orçamento de US$ 175 milhões é mais sóbrio que o de “Batman VS Superman” e justamente por não serem personagens com pretensões de serem baluartes de moral e altruísmo acrescenta algo novo ao gênero dos super herois, não inovador, apenas algo diferente do usual, mas que pode divertir sem gerar grandes pretensões. O público é claro que dirá. Atentem para a cena pós creditos envolvendo Ben Affleck e Viola Davis. No mais boa diversão.

A INTROMETIDA

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(The Meddle) EUA 2016. Dir: Lorena Scafaria. Com Susan Sarandon, Rose Byrne, J.K.Simmons, Casey Wilson, Laura San Giacomo. Comédia.

Mulher víuva decide se mudar para perto da filha em Los Angeles mas começa a interferir na vida dela até conhecer o vizinho da filha. O filme integrou o Festival de Toronto em 2015 e traz Susan Sarandon em elogiosa atuação. O filme mescla doses de drama e comédia e pode agradar ao público adulto.

UM NEGÓCIO DAS ARÁBIAS

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(A Hologram for the King) EUA 2016. Dir: Tom Twyker. Com Tom Hanks, Ben Whishaw, Tom Skerrit.

Adaptação do livro “Um Holograma Para o Rei”, de David Eggars, roteirizado e dirigido por Tom Twyker que foi autor do roteiro de “A Viagem” (Cloud Atlas) estrelado também por Hanks. A história gira em torno de homem de negócios que perdeu sua fortuna que pretende enriquecer de novo vendendo um holograma para um rei da Arabia Saudita.

GALERIA DE ESTRELAS : O CENTENÁRIO DE OLIVIA DE HAVILLAND

Fazer o bem não importando a quem ou sem esperar nada em troca. Se já houve um personagem no cinema que simbolizou sacrifício e dedicação é Melaine Wilkes em “E O Vento Levou”. Sua intérprete, no entanto, foi muito além em sua carreira se tornando uma lenda viva que em 1º de Julho passado completou 100 anos. Parabéns mais do que merecido para Olivia de Havilland.

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Quando nasceu em Tokyo, Japão em 1916, o mundo ainda vivia as agruras da Primeira Guerra Mundial. e o cinema ainda era mudo, permanecendo assim por mais onze anos até que Al Jolson anunciasse que ainda não havíamos ouvido tudo. Com onze anos, Olivia Mary de Havilland vivia com sua mãe e irmã mais nova Joan na California depois que seus pais se divorciaram. Depois de terminar o ensino médio, Olivia se apaixonou pela atuação e estreou no cinema em 1935 com um contrato com o estúdio da Warner Brothers onde filmou o clássico “Capitão Blood” (Captain Blood) ao lado de Errol Flynn, hoje um clássico filme de piratas que na época foi o primeiro filme falado adaptando o então popular autor italiano Rafael Sabatini.

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E O VENTO LEVOU AO LADO DE HATTIE MACDANIEL E VIVIAN LEIGH

Ao lado de Flynn, Livvie, como era conhecida também fez mais oito filmes incluindo filmes como “A Carga da Brigada Ligeira” (The Charge of the Light Brigade) em 1936 e “As Aventuras de Robin Hood” (The Adventures of Robin Hood) de 1938, neste último interpretando Maid Marian, a heroína romântica, papel que marcaria toda essa primeira fase de sua carreira, chegando ao ápice em 1939 como foi emprestada a MGM para o papel de Melaine Wilkes, contracenando com Clark Gable e Vivian Leigh em “O Vento Levou” (Gone With the Wind). Conseguiu então sua primeira indicação ao Oscar como atriz coadjuvante, prêmio que perdeu para Hattie MacDaniel, sua colega de elenco em “E O Vento Levou”. Seu um metro e sessenta e três e traços suaves do rosto a tornava o tipo ideal para o papel de moçinha vulnerável, namoradinha da América. Em 1941, foi indicada pela segunda vez pelo papel de Emmy Brown em “A Porta de Ouro” (Hold Back the Dawn) , mas perdeu novamente, e desta vez, para sua irmã mais nova, a atriz Joan Fontaine de “Suspeita” (Suspicion). O resultado foi demais para Olivia que nunca teve um relacionamento amigável com Joan, e a estatueta dourada se tornou a gota final entre as duas.

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O OSCAR AFINAL

A atriz, contudo, queria muito mais,e começou a pressionar a Warner para obter papéis mais desafiadores. Como retaliação, o estúdio a suspendeu afastando-a de qualquer filme que quisesse fazer. Era a época do “star system”, no qual os estúdios se auto entitulavam donos dos atores e Olivia sofreu todos os revezes possíveis, ao ponto de mesmo com o contrato chegando ao final ver a Warner exigindo que ela indenizasse o estúdio que alegava ter sido prejudicado pela suspensão da atriz. Olivia foi até a justiça e ganhou o processo abrindo, em 1944, o precedente conhecido como “A Decisão de Havilland”, que reduziu o poder dos estúdios sobre os astros.

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AO LADO DE ERROL FLYNN EM AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD

O Oscar tão desejado eventualmente veio em 1947, aos 30 anos,  pelo papel de uma mãe solteira levada a desistir de seu filho no melodrama “Só Resta Uma Lágrima” (To Each His Own), uma atuação densa e sofrida que mostrava que ela podia ir muito além da imagem de delicada que transmitia. Repetiu o feito em 1950 no papel de herdeira enganada em “Tarde Demais” (The Heiress) contracenando com Montgomery Cliff. Livvie mudou-se para Paris na metade dos anos 50, mas seguiu sua carreira, trabalhando na Tv ou filmes como “Aeroporto 77” (Airport 77) e “O Enxame” (The Swarm) em 1978 já uma senhora de idade em papeis menores longe dos grandes desafios que no passado marcaram sua carreira. Aposentou-se em 1988, mas antes disso já havia ganhado o Globo de Ouro pelo filme de TV “Anastasia: The Mystery of Ana”, ganhou sua estrela na Calçada da Fama em 1960, e tornou-se a primeira mulher a ser presidente do Festival de Cannes. Já se recusara a dar depoimento sobre ser a única sobrevivente do elenco do clássico “E O Vento Levou” (Gone with the Wind) mas já aceitou ser homenageada pelo conjunto de sua obra, uma carreira admirável que chega a mais uma marca impressionante de talento e determinação. Parabéns, lenda viva !!!

ESQUADRÃO SUICIDA : NOSSOS VILÕES FAVORITOS

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Em tempos em que os heróis não são mais retratados como modelos de perfeição e que muitos valores são distorcidos nada mais natural que vilões assumam papel de destaque na preferência de fãs. No cinema, a ideia não é nova se lembramos “Os Doze Condenados” (1967) de Robert Aldrich em que um grupo de criminosos são reunidos para uma missão suicida nos idos da Segunda Guerra. Poucos sabem, inclusive, que o filme foi transformado em série de TV em 1988. Nas Hqs, a mesma premissa já havia sido empregada na revista “The Brave & The Bold #25” (1959). Essa edição, que na época custou meros 10 centavos, hoje vale mais de US$ 1,000. A história de Robert Kanigher e Ross Andru não trazia nenhum supervilão, mas condenados de alta periculosidade que, em troca de sua liberdade. Liderada pelo Capitão Richard Flag Sr, o pelotão assumia missões que destacavam o teor patriótico típico dos quadrinhos de guerra publicados na época.

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Quando os quadrinhos desse gênero começaram a perder espaço e popularidade, as aventuras da equipe seriam eventualmente descontinuadas. A ideia, no entanto, foi reformulada em 1986 quando a DC comics reformulou seu universo (pela primeira vez) na mega saga “Crise nas Infinitas Terras” (1985). A editora, movida por um espírito de reestruturação, publicou a mini-série “Lendas” (Legends) em que os heróis são desmoralizados publicamente e proibidos de atuarem por conta de um plano do vilão Darkseid. Os roteiristas Len Wein e John Ostrander escreveram o roteiro com desenhos de John Byrne e introduziram uma nova versão da equipe, liderada por Rick Flagg Jr e formada pelos supervilões Capitão Bumerangue, Arrasa Quarteirão, Magia, Tigre de Bronze e Pistoleiro. Sancionados em segredo por Amanda Waller, funcionária de alto escalão do governo, a equipe é reunida para lutar contra ameaças à segurança nacional durante o evento. Com o fim de “Lendas”, a equipe ganhou uma série própria publicada a partir de 1987. “Suicide Squad” (1987) começou com roteiros de John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel e durou  cinco anos com tramas que mesclavam espionagem com ação fantasiosa em sequências interligadas aos demais títulos da Dc Comics. Praticamente, todos os eventos da editora tinham interligação com o título do Esquadrão como “Milênio” (1988) centrada no Lanterna Verde ou “Invasão” (1989) em que uma armada alienígena decide dominar a Terra. Os integrantes da equipe também mudariam constantemente e vários vilões seriam recrutados de acordo com a natureza das missões. O Pistoleiro (Deadshot) se tornaria um dos mais populares assumindo posição de destaque e ganhando até uma mini-série própria em 1989.  A Arlequina só se juntaria ao grupo a partir do relançamento do título após o evento dos Novos 52 ,em 2013, que mais uma vez reformulou os heróis da editora.

MARGOT ROBBIE ARLEQUINA

A personagem, que ganhou enorme popularidade nos anos 90, foi criada para o desenho de TV “Batman The Animated Series” de Paul Dini e Bruce Timm. Tendo trabalhado no Arkham Asylum como psiquiatra, a Dra Harley Quinzel tratou do Coringa, mas em vez de curar a insanidade do vilão, se apaixonou por ele e enlouqueceu. Incorporada à continuidade das HQs na edição “Batman: Mad Love” em 1994, a Arlequina tornou-se nas HQs um personagem mais independente do Coringa e parte ativa de várias aventuras do grupo em tempos recentes.

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O Esquadrão Suicida teve sua popularidade reacesa aparecendo no seriado “Arrow” e no jogo “Batman: Assault on Arkham”. Sua adaptação para o cinema certamente traz a equipe para o centro das atenções criando a oportunidade de criar novos fãs com uma cronologia menos complexa que no material original, mas ainda divertida ao mostrar que entre bravos e ousados, velozes e furiosos, a vilania e o heroísmo acabam sendo duas faces da mesma moeda. Nossos malvados favoritos das hqs  ainda têm muito fôlego para mostrar.