ESTREIAS DA SEMANA : 29 DE SETEMBRO

O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES. (Miss Peregrine’s home for peculiar children) EUA 2016. Dir: Tim Burton. Com Eva Green, Asa Butterfield, Terence Stamp, Rupert Everett, Milo Parker, Samuel L.Jackson, Judi Dench. Fantasia.

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Adaptação do primeiro livro do autor Ransom Riggs (parte de uma trilogia) sobre um lugar mágico que abriga crianças com habilidades especias, rejeitadas pelo mundo e caçadas pelos terríveis etéreos. O jovem Jacob (Butterfield de “A Invenção de Hugo Cabret) chega ao local depois da morte de seu avô (Stamp) e descobre o passado dos peculiares protegidos pela misteriosa Srta Peregrine (Green) e ameaçados pelo diabolico Barron (Jackson). Vide artigo sobre o livro na postagem anterior.

O BEBÊ DE BRIGET JONES (Bridget Jones’s Baby) EUA 2016. Dir: Sharon Maguire. Com Renee Zellweger, Patrick Dempsey, Colin Firth, Jim Broadbent. Comédia Romãntica.

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Depois de um longo tempo em desenvolvimento (desde 2009), finalmente chega o terceiro filme , o primeiro não saído do livro de Helen Fielding, mas cujos eventos se situam após o terceiro livro (Bridget Jones:  Mad about the Boy). A própria autora co-escreveu o roteiro desse novo exemplar. Renné Zellweger retoma a personagem grávida aos 40 anos, sem saber qual dos dois homens acima na foto é o pai de seu rebento. Patrick Dempsey (da série “Grey’s Anatomy) é o novo rival do galã Colin Firth pelo coração de Bridget, depois que o personagem de Hugh Grant ficou de fora dessa sequência.

MEU AMIGO: O DRAGÃO (Pete’s Dragon) EUA 2016. Dir: David Lowry. Com Aaron Jackson, Robert Redford, Karl Urban, Bryce Dallas Howard. Fantasia.

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Não está bem de bilheteria essa adaptação de uma animação da Disney de 1977 sobre um amigável dragão que trava amizade com um menino. A amizade entre eles é ameaçada quando as pessoas começam a acreditar que a criatura é perigosa. O elenco ainda traz a presença de Robert Redford, Karl Urban (o Dr MacCoy de “Star Trek” e Bryce Dallas Howard (Jurassic World).

BEST SELLERS : O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES

livro-o-orfanato-da-srta-peregrine-para-criancas-peculiares-ransom-riggs-5550356                  Que tipo de sentimentos evoca imagens como uma criança flutuando, outra se contorcendo com a cabeça entre as pernas ou um homem erguendo uma enorme rocha com uma única mão ?  Imagine que elas sejam parte de uma história e você se sentirá convidado a entrar em uma realidade mágica criada pela mente do escritor norte americano Ramson Riggs, hoje com 37 anos. Este reuniu uma variedade de fotografias antigas com a intenção de fazer um livro de fotos, mas acatou a sugestão de seu editor da Quirk books para usar as fotos para compor uma narrativa. Riggs foi hábil pois as fotos não são meramente ilustrativas, mas integram a história e seu impacto conduz o leitor pela bizarrice de algumas delas. O livro, que se passa durante a Segunda Guerra, é narrado em primeira pessoa pelo personagem Jacob, que depois que seu avô é morto em circunstâncias terríveis, viaja para uma ilha na costa do país de Gales, onde seu avô vivera. Lá encontra as ruínas de um orfanato, que no entanto existe em uma espécie de limbo temporal, é dirigido pela  misteriosa Sra Peregrine. As crianças do lugar não são comuns, e assim como Jacob, possuem habilidades especiais como invisibilidade, super-força, vôo, pirotecnia etc.. Apesar desses poderes, suas vidas estão em constante perigo pois há seres que caçam as crianças como o cruel Barron.

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A história de Riggs se desdobra em três livros, sendo “Hollow City” (Cidade dos Etéreos) o segundo, seguido de “Library of Souls” (Biblioteca das Almas). Sua essência se conecta com o discurso da aceitação das diferenças, mesclando fantasia e realidade mas não no sentido de criar uma fábula moralizante. As crianças peculiares estão mais próximas dos heróis mutantes do Professor Xavier, não casualmente já que Jane Goldman, a roteirista, foi a responsável pelos filmes “X Men Primeira Classe” e “X Men Dias de um Futuro Esquecido”, além de “Stardust”e “Kick Ass”. Talvez por isso pode-se encontrar paralelos do orfanato da Sra Peregrine com a Escola para jovens superdotados do Professor Xavier. Contudo, a medida que a história se desenvolve o leitor se vê mais próximo do universo mágico de Harry Potter. De qualquer forma, o livro de Ransom Riggs se conecta com o público jovem, mas tem essa habilidade de rejuvenescer o adulto, desde seu lançamento em 2012.

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O filme que estreia agora em nossas salas tem a assinatura de Tim Burton, que encontrou no material de Riggs um eco de sua atração pelo incomum. O próprio teria dito “Vocês têm certeza de que não fui eu quem escreveu esse livro?”. A Srta Peregrine do livro é uma mulher de mais idade e bem feia se comparada com Eva Green e seu olhar intimidador, atrevido. Os poderes de Emma (fogo) e Olive (flutuar no ar) estão invertidos no filme conforme pode ser visto na capa da edição da Leya. Também a idade de Olive (a mais jovem) e Bronwyn (a mais velha) estão invertidas. A personagem do Dr.Golan é um homem no livro, mas no filme é uma mulher. O final do livro é também diferente do filme e não criem muitas expectativas de ver Tim Burton na sequência, caso ela venha a ser feita. Burton não gosta de dirigir sequências de seus filmes e só abriu exceção em Batman (1989) e Batman O Retorno (1991). O diretor, de fato, dá sua assinatura visual a uma obra que parece ter sido escrita sob medida para ele, que empregou o mínimo de efeito digitais, preferindo efeitos mais físicos forjando assim a autenticidade necessária para nos fazer crer no sobrenatural, no mágico, que – acreditem se quiser – está onde menos se espera.

MAKE & REMAKE : SETE HOMENS & UM DESTINO

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Os roteiristas de “Sete Homens & Um Destino” (The Magnificent Seven) reinventaram a ação em um vilarejo mexicano açoitado por uma gang de criminosos liderados pelo cruel Calvera (Eli Wallachi). Indefesos, os habitantes reúnem os poucos recursos que tem para contratar sete pistoleiros para sua defesa: Chris Addams (Brynner), Vin (McQueen), Brit (James Coburn), Lee (Robert Vaughn), O’Reilly (Charles Bronson), Harry Luck (Brad Dexter) e Chico (Horltz Buckholz). O elenco, um dream team explodindo a tela com dose extrema de testosterona, que refletia  em parte os bastidores da produção: McQueen e Brynner se estranhavam o tempo todo, pois aquele fazia de tudo para atrair mais atenção em cena que Brynner, e este se irritava com gestos (mexer no chapéu) e olhares com os quais McQueen desafiava o protagonismo de Brynner. Anos mais tarde, quando McQueen morria de câncer, ele procurou Brynner para pedir-lhe perdão, e agradecer-lhe a oportunidade.O filme foi um campeão de reprises na Tv durante muito tempo nas décadas de 70 e 80. Sua trilha sonora, composta por Elmer Bernstein, foi muito bem difundida nos intervalos comerciais dos cigarros Malboro.

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O filme de Antoine Fuqua, recentemente estreado nas telas, faz uma atualização da trama, transportando-a para um vilarejo nos Estados Unidos, e seus personagens são diferentes do filme de Sturges, emulando as personalidades do filme de Kurosawa. Denzel Washington, em seu primeiro filme do gênero, está  à frente do elenco que ainda inclui Chris Pratt (seguindo o estilo piadista de seus personagens em “Guardiões das Galáxias” e “Jurassic World”), Ethan Hawke, Buyng Hun-Lee (o Stormshadow de “G.I,Joe) entre outros. O curioso é que nosso querido Wagner Moura quase ficou com um papel no filme, mas não pôde devido ao seu compromisso com a série da Netflix “Narcos”). O elenco assim reflete as preocupações em representar as diferentes etnias, e até mesmo as mulheres ganham um avatar para a igualdade através da personagem da bela Halley Bennet (Lembro dela como a cantora Cora de “Letra & Musica”). Ela é quem cria a coragem de buscar ajuda, desafia os que temem sua atitude, e participa mais ativamente na trama, se tornando tão essencial quanto qualquer um, quase como um oitavo elemento de defesa. A trilha sonora de James Horner (Titanic, Avatar) foi a última do prolífico maestro que faleceu pouco tempo depois. O filme não conta com Robert Vaughn, hoje octagenário, e único sobrevivente do elenco do filme de 1960. O produtor Walter Mirisch também vive e também produz esse nova versão que já fez mais de 30 milhões de dólares, se tornando a maior receita de um western nos últimos anos, superior a sucessos como “Django Livre” ou “O Regresso”, e mostrando que o gênero ainda pode despertar interesse para as plateias alimentadas por filmes de super heróis. Certamente que isso é caso raro já que se trata de refilmagem da refilmagem. Vitoria para o diretor, que já trabalhou com Washington e Hawke em “Dia de Treinamento” e que mostrou que se seguir um caminho certo, uma ideia antiga pode render um novo enfoque e assim a aventura se renova nos filmes.

ESTREIAS DA SEMANA : 22 DE SETEMBRO

SETE HOMENS & UM DESTINO (The Magnificent Seven) Dir:2016. Dir:Antoine Fuqua. Com Denzel Washington, Etha Hawke, Chris Pratt, Halley Bennet, Peter Sargaard, Buyng Hun Lee. Western.


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Refilmagem do clássico western de John Sturges sobre sete pistoleiros contratados para defender pequeno povoado de um terrível bandido que aterroriza os moradores. A direção de Antoine Fuqua é segura o suficiente para conduzir a ação encenada por um elenco de peso tendo Denzel Washington (em seu primeiro filme do gênero) à frente. É a segunda vez que Washington e Ethan Hawke contracenam sob a batuta de Fuqua (Dia de Treinamento), e além de ambos, o filme ainda traz Chris Pratt (Guardiões da Galáxia, Jurassic World) , ator bem popular com o público jovem. A bela Haley Bennet (Quem assistiu “Letra & Música”, lembra dela como a cantora pop Cora Corman) se integra à ação para diluir a dose cavalar de testosterona que ainda inclui o ator coreano Byung Hun Lee (o Stormshadow de “G.I.Joe”) e Vincent D’Onofrio (alguém lembra do vilão de “Homens de Preto” ?). O elenco multi-etnico está em sintonia com os novos tempos, mas apesar dos méritos do elenco e do diretor, o original continua se sobressaindo. O que talvez muitos não saibam é que o “original”, de 1960, na verdade já é uma refilmagem, de “Os Sete Samurais” (1954) de Akira Kurosawa.

TÔ RYCA. Bra 2016. Dir:Pedro Antonio. Com Samantha Schmutz, Marcelo Adnet, Katiuscia Canoro, Fabiana Karla, Marília Pera. Comédia.

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A premissa de ter que gastar uma quantia fabulosa em tempo recorde para ganhar uma fortuna ainda maior não é uma novidade em termos de cinema, me lembrando o papel do saudoso Richard Pryor em “Chuva de Milhões” (1984). O diferencial aqui é a talentosa Samantha Schmutz em seu primeiro papel de protagonista. Embora repita o estilo popular, meio perua, como em “Vá Que Cola”, a Selminha é uma personagem engraçada, fácil de se identificar em sua tentativa de deixar para trás a vida de frentista e se tornar uma milionária com uma inesperada herança. O elenco de apoio enriquece a comédia, que se não é das mais originais ao menos é bem divertida.

 

CEGONHAS – A HISTÓRIA QUE NÃO TE CONTARAM. (Storks) EUA 2016. Dir: Doug Sweetland & Nicholas Stoller. Vozes: Jennifer Aniston , Kelsey Grammer, Danny Trejo, Ty Burrell. Nossas Vozes: Klebber Toledo, Marco Luque.Animação

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Hoje as crianças são bem mais informadas, mas para minha geração cabiam às cegonhas a explicação para a embaraçosa pergunta “De onde vem os bebês ?”. Finalmente alguém pensou em transformar as tais aves em uma divertida animação.

por adilson69

CLÁSSICO REVISITADO: 40 ANOS DE “O EXPRESSO DE CHICAGO”

A recente passagem de Gene Wilder ocorreu em um momento em que eu já planejava escrever um artigo sobre essa comédia  de ação a que assisti pela primeira vez pela saudosa Rede Manchete. O filme é uma divertida e movimentada paródia ao estilo hithcockiano, dirigido por Arthur Hiller (falecido poucas semanas antes de Gene Wilder) e roteirizado por Collin Higgins (1941-1988) que faria outro filme nessa mesma linha em “ Golpe Sujo” (Foul Play).

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O FILME EM DVD

Em “Expresso de Chicago” (Silver Streak) Gene Wilder vive George Caldwell, um editor de livros que viaja de trem de Los Angeles para Chicago. Durante a viagem conhece o vendedor de vitaminas Bob Sweet (Ned Beatty) e Hilly Burns (Jill Clayburgh), secretária de um renomado historiador, o Professor Schreiner que está prestes a lançar um livro sobre o pintor holandês Rembrandt. Enquanto se envolve com Hilly, George investiga por conta própria o assassinato do professor cujo corpo foi jogado para fora do trem, embora ninguém acredita em George, nem mesmo Hilly. A bela jovem, na verdade, é refém de Roger Devereaux (Patrick McGoohan), rico negociador de artes que mandou matar o professor pois este tinha posse de provas de que as pinturas de Rembrandt negociadas por Deveaurex eram falsificações.

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GENE WILDER & JILL CLAYBURGH

A principio, George é auxiliado por Bob, que é um agente do FBI disfarçado, mas quando este também é morto pelos capangas de Devearaux (Stefan Gierach, Ray Walston e Richard Kiel) e a culpa recai em George, que é forçado a pular para fora do trem fugindos dos assassinos que querem acabar com ele. Quando o xerife local (Clifton James) se recusa a acreditar em sua inocência, George recebe a ajuda de Grover Muldoon (Richard Pryor), ladrão e trambiqueiro que leva George de volta ao trem de onde é novamente jogado para fora até conseguir voltar com Grover para salvar Hilly.

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WILDER & PRYOR EM UMA DAS CENAS MAIS ENGRAÇADAS DO FILME

O filme explora a ideia do homem comum envolvido inadvertidamente em trama criminosa, papel decalcado de Cary Grant em “Intriga Internacional”. Segundo o próprio Wilder, em entrevista, ele teria sido interpelado pelo próprio Cary Grant, que depois de ter assistido o filme reconhecera várias passagens inspiradas em seu filme dirigido por Hithcock, Com orçamento de US$ 6,5 milhões, o filme foi um grande sucesso de bilheteria com indicações a prêmios como o Golden Globe (para Wilder). Os exteriores do trem foram gravados no Canadá porque a rede ferroviária de Chicago não aprovou. A trilha sonora assinada por Henry Mancini (criador do tema de “A Pantera Cor de Rosa) acentua todas as reviravoltas da história seja acentuando a ação ou o humor criado por várias situações como George passando graxa no rosto para se disfarçar de negro para fugir da perseguição da polícia. Para filmar essa cena, Richard Pryor se irritou porque o fato de George, um branco convencer como negro seria uma caricatura de mal gosto e sem efeito cômico real. Por insistência sua, George caminha com um rádio enorme no ombro, pintado de preto, e sendo olhado sem convencer negros que passam pela estação.

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DUPLA GENIAL: O LADRÃO & O MATADOR

Essa foi a primeira de quatro parcerias entre Gene Wilder e Richard Pryor. Estes deveriam ter filmado juntos “Banze no Oeste” (Blazzing Saddlers) de Mel Brooks dois anos antes, que o próprio Richard Pryor co-roteirizou, mas acabou não acontecendo. Richard Kiel, um dos capangas de Deveareax viveu o assassino Jaws em dois filmes de 007 feitos nos anos seguintes “007 O Espião que me Amava” (The Spy who loved me) e “007 Contra o Foguete da Morte” (Moonraker). Outro dos capangas foi feito por Ray Walston, ator que ficou famoso na década anterior na Tv como o Tio Martin da série  “Meu Marciano Favorito”. A cena final mostrando a locomotiva invadindo a estação foi realizada em um hangar de avião arrumado para parecer uma estação de trem e custou sozinha em torno de US$500,000 sendo o clímax do filme com duração de apenas 14 segundos na tela.

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O CLÍMAX APOTEOTICO

É lamentável que apesar de ter sido incluído pelo AFI (American Film Institute) como uma das 100 melhores comédias do cinema (posição nº95), o filme não seja tão conhecido do grande público, até por não ter sido tão reprisado na Tv quanto outros filmes. Fica aqui a sugestão para os que não o conhecem, assistir essa criativa homenagem ao mestre do suspense valorizado pela ,maravilhosa dupla Wilder-Pryor, que poderiam ser cegos, surdos ou loucos de dar nó, artistas que deixaram saudade e um vazio na arte cinematográfica Hollywoodiana.

REDESCOBRINDO MORTADELO & SALAMINHO

Nem só de Marvel & DC vivem as histórias em quadrinhos. As décadas de 70 e 80 foram riquíssimas na variedade de títulos e personagens disponíveis nas bancas de jornal, que minha geração devorava. Entre eles lembro como morria de rir com dois agentes secretos atrapalhados que divertiam a criançada, e que hoje são nada conhecidos do grande público. Mortadelo & Salaminho estão em uma animação 3D que chega aos nossos cinemas com o prestígio de ter sido premiado com o Goya 2105 (o Oscar da Espanha) como melhor animação e melhor roteiro. Mas será que no Brasil poderá reacender o interesse por esses personagens que já divertiram toda uma geração ?

CAPA CLÁSSICA PELA RGE

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Criados em 1958 por Francisco Ibañez, ainda vivo hoje e com 80 anos, Mortadelo é o magrelo narigudo que é mestre dos disfarces aparecendo  como qualquer pessoa, objeto ou animal. Salaminho, baixinho e careca, é o chefe mas sempre sofre os revezes das ações de Mortadelo. Os personagens foram criados como uma paródia de Sherlock Holmes e Watson, mas também das agências de espionagem, e dos destemidos agentes secretos. Suas aventuras, curtas até 1969, são carregadas de ironia nas histórias como o nome da agência para a qual os heróis trabalham que se chama T.I.A (Técnicas de Investigações Avançadas), sátira óbvia da C.I.A, bem como da U.N.C.L.E  da popular série americana “O Agente da Uncle”. As histórias resvalam no surreal como os disfarces mirabolantes de Mortadelo como uma flor,uma bicicleta, bombeiro, violão, enfim sem limites físicos. Antes de publicá-los pela primeira vez na revista espanhola “Pulgarcito” , edição número 1394, Ibañes pensou em batizá-los de Mr.Cloro e Mr. Yesca, Ocarino e Pernales, Lentejo e Fideíno, até chegar aos nomes Mortadelo e Salaminho batizados pela editora Bruguera. A primeira história também tinha sub-título “Mortadelo & Filemón – Agencia de Información”, também acrescentado depois de cogitado possibilidades como “Agentes Especiales” e “Agentes Detestivescos”. É a partir de 1969 que as histórias agora desenvolvidas em uma narrativa mais longa abandona as referências a Holmes e Watson e abraça ao espírito de sátira à espionagem mais próxima da série de Tv “Agente 86” (Get Smart), extremamente popular na Espanha e no Brasil. Outros personagens vieram a se juntar à dupla como o Professor Saturnino Bactério que colocava os heróis nas situações mais absurdas causadas pela ineficácia dos aparelhos inventados pelo cientista abilolado, paródia do Q dos filmes de 007. Ainda aparecia Ofélia, uma secretária que era apaixonada por Mortadelo, da mesma forma que Moneypenny para Bond.

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No Brasil a série foi publicada pela Cedibra na coleção Ases do Humor entre 1969 e 1978 com 29 edições publicadas, e entre Janeiro de 1974 e Janeiro de 1983 pela RGE (atual Editora Globo) chegando a um total de 91 edições mais três almanaques. Em 2003 houve a produção live-action “Mortadelo & Salaminho : Agentes Quase Secretos” (La Gran Aventura de Mortadelo & Filemón” , de Javier Fesser com Benito Pocino e Pepe Viyuela nos papeis centrais e Janfri Topera como Professor Bacterio. A produção com orçamento de 7,500 euros foi bem recebida nas bilheterias da Espanha, mas no Brasil passou desapercebido. Lamentável que a dupla criada por Ibañez tenha se juntado a outros personagens que caíram no ostracismo no Brasil embora tenham sido extremamente populares no passado. Quem sabe não tenha chegado a hora da nova geração descobrir o prazer e a diversão desses personagens ? Nem só de heróis de ação vive o mundo imaginário dos quadrinhos.

 

ESTREIA : STAR TREK SEM FRONTEIRAS

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Há sete anos  J.J. Abbrams recriou a franquia “Star Trek” para uma nova geração sabendo se conectar com décadas de cronologia que intimidava novos fans.  Mostrar os dias de Kirk, Spock e toda a tripulação original da Enterprise já havia sido considerado antes e Abbrams, vindo de bem sucedida carreira na Tv (Lost, Fringe), rejuveneceu não apenas os icônicos papeis da clássica série de Tv criada há 50 anos por Gene Roddenberry, mas uma das mais lucrativas sagas de ficção cientifica.

STAR TREK BEYOND

Star Trek Beyond†(2016) Left to right: Sofia Boutella (plays Jaylah) and Simon Pegg (plays Scotty)

Depois de dois filmes mergulhados na ação mas com um tom bastante sombrio, o terceiro filme dessa nova realidade resgata ainda mais o espírito aventureiro que marcou essa jornada pelas estrelas com o roteiro escrito por Doug Jung e Simon Pegg (o Scotty) que coloca a Enterprise atacada por uma espécie desconhecida liderada pelo implacável Krall (Idris Elba), um antagonista que não deixa nada a dever ao Khan de Benjamim Cumberbatch no filme anterior. O elenco ainda recebe reforço de Jay Lah (Sofia Boutella) – seu nome foi criado como referência a Jennifer Lawrence – uma guerreira albina que se alia a Kirk e Spock. O tom de ação é bem temperado com humor e até mesmo emoção sendo esse a despedida de Anton Yelchin, o Chekov,               que morreu recentemente em um trágico acidente de carro e Leonard Nimoy, Spock Prime, cuja ausência é profundamente sentida.

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Justin Lin, que dirigiu filmes da franquia “Velozes & Furiosos” faz um ótimo trabalho, seu primeiro no gênero, com um orçamento de US$ 185 milhões aprovado pela crítica. O filme não perde o fôlego ao equilibrar referências à série original como a nave USS Franklin sendo segurada por uma mão verde gigante, o que aconteceu no episódio “O Lamento por Adonis”  e a estação espacial Yorktown é o mesmo nome dado por Gene Roddenberry à nave que seria rebatizada depois de “Enterprise”. Até mesmo a nave USS Stargazer, a primeira nave do Capitão Jean Luc Picard de “A Nova Geração”, é mencionada. É sentida a ausência da Dra Carol Marcus (Alice Eve) que havia se unido à tripulação da Enterprise ao final do filme anterior. Nada e explicado ficando a impressão de que simplesmente preferiram se concentrar nos demais personagens e na recém chegada Jay Lah.

Mesmo não sendo um trekkie, “Star Trek :Sem Fronteiras” consegue ser uma divertida aventura no espaço que mantém a mensagem original da série: A de buscar o melhor da humanidade, uma utopia inspiradora que nos leva onde ninguém jamais esteve.