CLASSICO REVISITADO: OS 30 ANOS DE “ALIENS O RESGATE”

Se você já achou algum dia que o espaço é um lugar hospitaleiro, lembre-se não podermos respirar no vácuo, não há atmosfera habitável conhecida e o som não se propaga, ou seja, ninguém ouvirá se gritarmos. Depois que Ridley Scott, em 1979, nos mostrou uma criatura xenomórfica que cospe ácido, a discussão se estamos sozinhos ou não no universo foi mudada para sobreviveremos ou não ao que existe lá fora. Sete anos depois, James Cameron retomou a mesma história e fez um dos raros casos em que a sequência consegue ser tão boa quanto o filme original, e para muitos até melhor. Há 30 anos … de “Aliens o Resgate”.(Aliens).

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Quando o filme de Ridley Scott terminou ficou no ar o destino final da Tenente Ripley (Sigourney Weaver) depois de se confrontar com a criatura que matou todos a bordo da nave Nostromo. A Fox estava passando por uma reestruturação interna que viria a retardar os planos de uma sequência, o que quase não aconteceu. Era o início da década de 80 e o nome de James Cameron ainda não era reconhecido, quando ele tomou a iniciativa de rascunhar uma continuação para a história de Ridley Scott. A ideia de Cameron (desenvolvida em conjunto com David Giler e Walter Hill) nas palavras do próprio era ampliar as possibilidades do contato com aquela forma alienígena hostil e aparentemente indestrutível. “Queríamos usar o primeiro filme como uma plataforma da qual poderíamos saltar… como de um primeiro ato para uma história épica”, disse Cameron em entrevista tempos depois. O fato é que a Fox só se convenceu a considerar o roteiro de Cameron quando este fez de “O Exterminador do Futuro” um sucesso nas telas. A Fox ainda tentou descartar a personagem de Sigourney Weaver devido às negociações salariais que aumentariam o custo da produção, mas Cameron foi reticente da importância de sua personagem para o prosseguimento da história.

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57 anos depois dos eventos do primeiro filme, a Tenente Ripley é resgatada no espaço e despertada de seu sono criogênico. De volta à Terra depois de tanto tempo, descobre que sua filha cresceu e já morreu. Abalada com o que perdeu e com os eventos do primeiro filme, ela é procurada por Carter Burke (Paul Reiser) administrador da empresa Wayland-Yutani que colonizou o planeta LV-426 (visitado pela Nostromo no filme anterior) mas que perdera contato com os colonos. Ripley aceita relutantemente a missão de acompanhar um grupo de fuzileiros ao planeta com a condição de exterminar as criaturas. O que se segue é uma acirrada batalha dos fuzileiros com os aliens que infestam o planeta e mataram todos os colonos, com exceção da menina Newt (Carrie Henn). A luta dos fuzileiros com as criaturas xenomórficas guarda paralelo com a intervenção norte-americana no Vietnã. Proposital ou não da parte de Cameron, o filme foi realizado no auge de filmes como “Platoon” (1986) e “Full Metal Jacket” (1987) que mostravam como a superioridade militar dos solados americanos nada significavam perante as táticas empregadas pelos vietcongues. Da mesma forma, apesar do pesado armamento e da tecnologia, os humanos caem presas fáceis dos monstros que os usam como hospedeiros para suas crias depois que estes deixam os ovos. O tom militarista e de ação ininterrupta foi muito criticado na época de seu lançamento, mas não impediu que a bilheteria milionária compensasse tais desconfortos. O renomado crítico Roger Ebbert publicou na época que o filme de Cameron era como “um passeio de ação crescente por uma parque de diversões”.

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Cameron declarou que interpretar a história como um mero filme de ação era um equívoco já que o principal fio narrativo do filme se sustentava em Ripley, em seu sentimento maternal mal resolvido que a faz se conectar com a orfã Newt, e como Ripley lida com a pressão de se ver no fogo cruzado de duas forças que se antagonizam com sua missão: sobreviver às criaturas alienígenas e aos interesses da empresa Wayland-Yutani cujo único interesse é nas criaturas ainda que satisfatoriamente sacrificando a missão de Ripley. Por outro lado, o embate entre Ripley e a rainha Alien ao final ganha contornos pessoais para os dois lados. A primeira quer se vingar de tudo que perdeu e salvar Newt, que adota como um simulacro da filha que morreu e a rainha Alien quer se vingar de Ripley que matou seus “filhos” durante o resgate. O clímax da história é estarrecedor e ganha ainda mais força na versão do diretor já que o corte do filme que foi aos cinemas na época, removeu a passagem da filha de Ripley e outros momentos que estavam previstos no roteiro como Ripley encontrando Burke em um casulo prestes a ter o peito estourado por um alien e ganhando de Ripley uma granada. Sigourney Weaver ficou bastante descontente com os cortes e ficou sem falar com Cameron a principio. O clima nas filmagens era bastante tenso devido ao detalhismo técnico exigido por Cameron, incluindo interferindo com a composição da trilha sonora a cargo de James Horner, que teve pouco tempo para terminar seu trabalho.

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JAMES CAMERON BARBADO AO CENTRO

O filme ainda conseguiu ser premiado com os Oscars de melhor efeito especial e melhor efeitos visuais, além de ter dado a Sigourney Weaver uma indicação ao prêmio de melhor atriz,a primeira de uma atriz por um filme de ação.  Tendo custado em torno de $18,500,000, “Aliens o Resgate” faturou nas bilheterias americanas $85,000,000, garantindo que a FOX considerasse a continuidade da história em um terceiro filme que seria feito cinco anos depois, mas não por James Cameron. Este provou que um filme de ação pode ter conteúdo sabendo explorar o ritmo alucinante em paralelo ao suspense, já que durante boa parte do tempo as criaturas são pouco vislumbradas se misturando ao ambiente da estação ao se camuflar. Cameron entregou um filme memorável, ainda que não original. Mesmo que seguindo os passos de Ridley Scott como o uso dos sensor de presença, a escotilha para jogar a criatura no espaço e até mesmo a presença de um androide, o ótimo Lance Herinksen no papel de Bishop. Cameron mostrou que pode respeitosamente repetir alguns clichês, mas acrescentando ideais próprias que – conforme o próprio diretor disse – enriquecem a história, redireciona o caminho a seguir aprofundando a personagem de Ripley e das criaturas criadas pelo artista plástico H.R.Giger que já fazem parte indissociável dos pesadelos que o cinema ousou mostrar

TRIVIA :

  1. A ATRIZ CARRIE HENN, A MENINA NEWT, NUNCA FEZ OUTRO FILME, ABANDONANDO A CARREIRA E SE TORNANDO PROFESSORA.
  2. O FILME NÃO SE CHAMOU “ALIEN 2” POR JÁ EXISTIR UM FILME ITALIANO B COM ESSE NOME.
  3. DEPOIS DESSE FILME, JAMES CAMERON SE CASOU COM A PRODUTORA GALE ANNE HURD.
  4. A CENA DO TRUQUE DA FACA NÃO CONSTAVA NO ROTEIRO E FOI ACRESCENTADA COM O CONHECIMENTO DE TODOS MENOS DE BILL PAXTON CUJA MÃO É USADA POR HERINKSEN.
  5. O FILME APRESENTA O PRIMEIRO NOME DE RIPLEY, ELLEN, NÃO MENCIONADO NO PRIMEIRO FILME.
  6. OS GRITOS DOS ALIENS FORAM FEITOS COM GRITOS DE BALBUINOS MIXADOS.
  7. A RAINHA ALIEN ERA UM ANIMATRÔNICO OPERADO POR VARIOS FUNCIONARIOS DO ESTUDIO.
  8. EM UMA DAS CENAS EDITADAS  MOSTRAVA -SE UMA FOTO  DA FILHA DE RIPLEY. A FOTO ERA DA MÃE DA ATRIZ SIGOURNEY WEAVER.
  9. A RAINHA ALIEN TEM DENTES TRANSPARENTES, UMA DAS IDEIAS NOS ESBOÇOS DO ALIEN NO PRIMEIRO FILME ERA DE UMA CRIATURA DE CORPO TRANSPARENTE. TODOS OS ALIENS, NO ENTANTO, TEM DENTES METÁLICOS.
  10. O PERSONAGEM BURKE (PAUL REISER DO SERIADO DOS ANOS 90 “MAD ABOUT YOU” NÃO ESTAVA ORIGINALMENTE NO ROTEIRO. SUAS FALAS SERIAM DITAS POR UM CIENTISTA DA CORPORAÇÃO WAYLAND-YUTANI QUE NÃO EMBARCARIA NA NAVE DE RESGATE.