CLÁSSICO REVISITADO: OS 30 ANOS DE “HIGHLANDER”

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QUEM OUSA AMAR PARA SEMPRE ?

QUEM QUER VIVER PARA SEMPRE ?

(Who wants to live forever – Queen)

A imortalidade pode ser um devaneio humano ou um fardo terrível a se carregar através da passagem das eras. O autor Gregory Widen visitou um museu escocês e imaginou como seria se um guerreiro do passado estivesse vivo até hoje. Widen tinha 27 anos e ainda não tinha se graduado na Universidade da California quando escreveu a história que tornou-se sua tese, batizada de “Dark Knight”. Este foi vendido por US$500,000 para a Davis-Panzer Productions, que o adaptou para o cinema vindo a se tornar o filme hoje conhecido como “Highlander – O Guerreiro Imortal”, que esse ano completou 30 anos de seu lançamento original.

Em março de 1986 chegou aos cinemas americanos a história de Connor MacLeod, nascido no século XVI e ainda vivo na Nova York moderna. Membro de um antigo clã escocês, MacLeod é o principal suspeito de várias decapitações ocorridas na cidade. Tais mortes fazem parte dos embates entre a raça dos imortais, destinados a se degladiarem através da eternidade até cumprir a profecia que diz que só deve existir um. O filme foi marcante para a época com sua narrativa de videoclip, cortesia de seu diretor Russel Mulcahy que dirigira vários clips da banda Duran Duran. Mulcahy usou de cortes rápidos e trilha sonora pop marcada pelas canções da banda inglesa Queen. A principio esta faria apenas uma canção para o filme, mas depois de assistir uma cópia inacabada os membros da banda sentiram-se inspirados a compor mais. Assim o guitarrista Brian May fez “”Who wants to live forever ?”, o bateirista Roger Taylor compôs “A Kind of Magic” e Freddy Mercury escreveu “Princes of the Universe”.

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O papel de Connor MacLeod quase ficou com Kurt Russell (mas este preferiu fazer “Os Aventureiros do Bairro Proibido”), Mel Gibson, Richard Gere, Patrick Swayze, Michael Douglas e Marc Singer, entre outros, antes da contratação do ator Christopher Lambert, que apesar de ter nascido em Long island, Nova York, foi educado na Europa para onde se mudou aos dois anos já que seu pai era um diplomata da ONU. Lambert havia feito o papel de Tarzan em “Greystoke” (1984) quando mal falava inglês. Em “Highlander”, o ator já dominava melhor o idioma mas ainda precisou de um fonoaudiólogo para poder disfarçar melhor seu sotaque. No filme, MacLeod é auxiliado por um imortal mais experiente, Edgar Villar Boas Ramirez, interpretado pelo ex 007 Sean Connery. Este filmou suas cenas em uma única semana pois sua agenda estava lotada na ocasião. A atriz Roxanne Hart ficou com o papel de Brenda, o interesse romântico do imortal e o vilão Kurge foi entregue a Clancy Brown, que um ano antes fizera Viktor Frankenstein em “A Prometida” (The Bride). Conta-se que durante as filmagens, Brown não desligava seu personagem e deixava todos no estúdio com medo. Na cena em que duela com o personagem de Sean Connery, Brown teria ferido Connery com a espada inadvertidamente.

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UM SONHO, UMA ALMA, UM PRÊMIO, UM OBJETIVO
UM OLHAR PRECIOSO DO QUE PODERIA SER
ISSO É UM TIPO DE MÁGICA.

(A kind of Magic – Queen)

Há várias diferenças entre o filme e o roteiro originalmente escrito por Widen: No original, MacLeod usa vários tipos de espada e no filme, o herói usa a Katana que pertencia a Ramirez. No texto escrito por Widen os imortais podem ter filhos e MacLeod teve 37 ao todo, mas no filme decidiu-se fazer dos imortais estéreis. A luz emitida pelo corpos dos mortos depois da decapitação também foi criada diretamente para o filme.

O que poucas pessoas sabem é que o filme não foi nenhum sucesso de bilheteria, tendo custado US$ 16 milhões mas só lucrando US$5,900,000 em território americano. Dois fatores ajudaram a popularizar o filme: Primeiro a bilheteria internacional, e depois o sucesso nas videolocadoras que tornavam-se uma fonte relevante para o sucesso de um filme diante do público. Apesar disso a sequência “Highlander II – The Quickening” (1992) foi desastrosa mudando o foco da narrativa e transformando os imortais em alienígenas exilados na terra, o que foi ignorado no terceiro filme “Highlander III – The Sorcerer” (1994). Ao longo da década de 90, o filme foi adaptado para os games, HQs e gerou duas séries de Tv, em uma das quais Christopher Lambert fez participação especial introduzindo outro imortal, seu primo Duncan MacLeod (Adrian Paul). Ambos ainda estrelariam juntos no cinema “Highlander – Endgame” (2000) que serve como epilogo para a série.

Recentemente tem sido divulgado um possível remake, que já teve o nome de Ryan Reynolds (Deadpool) atrelado ao projeto, mas este desistiu e nada de concreto foi anunciado além da certeza de que como um bom imortal, ele há de voltar.

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TRIVIA:

1) Durante as filmagens, Lambert e Connery se deram muito bem e na continuação de 1992 o personagem de Connery teve que ser ressucitado. Os dois atores costumavam se chamar pelo nome de seus personagens ,mesmo quando não estavam filmando.

2) Antes da banda Queen gravar a trilha sonora, Sting, David Bowie e a banda Marillion haviam sido cogitados.

3) Para as sequências de duelo, inspiradas no clássico “Os Duelistas” (1973) de Ridley Scott, as faíscas que saem das espadas foram produzidas ligando fios de baterias nas lâminas, que ao se chocarem tinham o positivo e o negativo se batendo.

4) Christopher Lambert teve aulas de esgrima com o campeão canadense Bobby Anderson.

5) Nick Nolte e Rutger Hauer foram pensados para o papel do vilão Kurgan.

6) A narração do filme foi gravada por Sean Connery no banheiro e enviada à produção já que foi acrescentada depois do fim de suas cenas.

 

 

 

 

 

ESTREIAS DA SEMANA: 15 DE DEZEMBRO DE 2016

ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA STAR WARS

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ROGUE ONE. EUA 2016. DIR: GARETH EDWARDS. COM FELICITY JONES, MADS MIKKELSEN, ALAN TUDYK, FORREST WHITAKER. FICÇÃO CIENTÍFICA.

QUANDO A DISNEY ADQUIRIU A FRANQUIA “STAR WARS” MOSTROU-SE NÃO SÓ CAPAZ DE DAR CONTINUIDADE À HISTÓRIA DE ONDE ELA PAROU EM “O RETORNO DE JEDI” COMO TAMBÉM DISPOSIÇÃO PARA APOSTAR EM DERIVADOS COMO ESSE “ROGUE ONE” E, EM BREVE, UM FILME MOSTRANDO A JUVENTUDE DE HAN SOLO. ESSE “ROGUE ONE” NA VERDADE É UMA AVENTURA EM UM HIATO EXISTENTE ENTRE O EPISÓDIO III – A VINGANÇA DOS SITH E O EPISÓDIO IV – UMA NOVA ESPERANÇA. O PLOT MOSTRA COMO A ALIANÇA REBELDE VEM A ROUBAR OS PLANOS DA ESTRELA DA MORTE QUE LEVARÁ OS REBELDES AO TRIUNFO MOSTRADO AO FINAL DO QUARTO EPISODIO. CLARO QUE LORD VADER TEM APARIÇÃO, PORÉM RÁPIDA DEMAIS PARA SATISFAZER SEUS FANS, MAS O FILME TRAZ PERSONAGENS NOVOS PARA MOVIMENTAR A AÇÃO. FELICITY JONES (A TEORIA DE TUDO) E A FILHA DO CIENTISTA CRIADOR DA ESTRELA DA MORTE (MIKKELSEN) E UM REBELDE RADICAL (WHITAKER) ENTRE OS NOVOS PERSONAGENS. ESTES CONDUZEM A TRAMA COM O PROPÓSITO DE LHE CONFERIR IDENTIDADE PRÓPRIA, LOGO NO FILME NÃO HÁ JEDIS NEM A CLÁSSICA TRILHA DE JOHN WILLIAMS NA ABERTURA. O FILME SE SUSTENTA COMO UM PRODUTO DE AÇÃO, SEM SE LIVRAR DO ESTILO VIDEO GAME NAS CENAS DE BATALHA E, PORTANTO, BEM AO GOSTO DA GERAÇÃO X BOX, MAS DIVERTE TAMBÉM AOS FANS DA TRILOGIA QUE INJETOU NOVO GÁS NO GÊNERO FICÇÃO CIENTÍFICA, E ALIMENTA NERDS COMO EU QUE ACREDITAM QUE A FORÇA ESTÁ CONOSCO. CLARO, ESTÁ COM A DISNEY, QUE GANHA MAIS UM PRODUTO MILIONÁRIO PARA LUCRAR, MAS ISSO É OUTRA HISTÓRIA.

SULLY – O HERÓI DO RIO HUDSON

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(SULLY) EUA 2016. DIR: CLINT EASTWOOD. COM TOM HANKS, AARON ECKHART, LAURA LINNEY. BIOPIC.

BASEADO NO LIVRO DE MEMORIAS “HIGHEST DUTY: MY SEARCH FOR WHAT REALLY MATTERS” (2011) DE CHESLEY SULLENBERG (OU SIMPLESMENTE SULLY), ESCRITO JUNTO A JEFFREY ZUSLOW E NARRANDO O EPISODIO REAL EM QUE O PRIMEIRO, PILOTO AEREO CONSEGUIU POUSAR SUA NAVE NO RIO HUDSON, EM NOVA YORK, DEPOIS DE UMA PANE NO MOTOR E , DEPOIS DE UMA OUSADA MANOBRA, SALVOU TODOS À BORDO. O FILME IA ESTREAR HÁ DUAS SEMANAS, MAS FOI ADIADO EM RESPEITO ÀS VÍTIMAS E FAMILIARES DESTAS APÓS O DESASTRE QUE VITIMOU O TIME DE FUTEBOL CHAPECOENSE. GOSTO DE CLINT EASTWOOD E SUA VERSATILIDADE JÁ GEROU FILMES QUE CONSGUEM SER ORA OBRAS PRIMAS COMO “OS IMPERDOAVEIS” ORA DIVERSÕES GARANTIDAS COMO “COWBOYS DO ESPAÇO”. NÃO É A PRIMEIRA VEZ QUE O EX DIRTY HARRY ENVEREDA PELO TERRENO DAS CINEBIOGRAFIAS, MAS CERTAMENTE ESTE ESTÁ ENTRE SEUS FILMES BEM SUCEDIDOS JUNTO AO PÚBLICO E CRÍTICA, AO MENOS NOS ESTADOS UNIDOS. RECENTEMENTE, O ASTRO TOM HANKS DECLAROU QUE EASTWOOD TRATA OS ATORES NO ESTUDIO COMO SE FOSSEM CAVALOS, O QUE CAUSOU CERTO MAL-ESTAR MAS NADA DE DIMENSÃO CAPAZ DE APAGAR O TALENTO DE HANKS, MAIS ENVELHECIDO PARA O PAPEL, OU O TALENTO DE SEU DIRETOR.

NERUDA

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ARG / CHI / ESP / FR 2016. DIR: PABLO LARRAIN. COM LUIS GNECCO, GAEL GARCIA BERNAL, ALEJANDRO GOIC, ALFREDO COSTA, BIOPIC.

EXIBIDO NO FESTIVAL DE CANNES DESSE ANO, ESSA CINEBIOGRAFIA FAZ UM RECORTE NO TEMPO DE VOLTA AOS ANOS 40 QUANDO O POETA CHILENO PABLO NERUDA SE JUNTA AO PARTIDO COMUNISTA E POR CONTA DISSO PASSA A SER PERSEGUIDO PELO INSPETOR PELENCHONNEAU (BERNAL) COMO SE FOSSE UM RELES CRIMINOSO. O FILME INTERESSARÁ A UM PÚBLICO MENOR, MAS FAZ VÁRIAS REFERÊNCIAS HISTORICAS AO MOMENTO POLÍTICO SOCIAL NÃO SÓ DO CHILE MAS DA AMERICA LATINA NO PERIODO RETRATADO.