UNIVERSO DE MONSTROS 2: AS MUMIAS -DE KARLOFF A BOUTELLA

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BORIS KARLOFF – 1932

         A cultura egípcia sempre alimentou a curiosidade  de historiadores e arqueólogos na mesma medida que estimulou a imaginação humana acerca de maldições milenares que caem sobre os profanadores de túmulos, o que o cinema logo tratou de se apropriar. Quando Boris Karloff  (1887 – 1969) interpretou o sumo-sacerdote Imhotep no clássico “A Mumia” (1932), haviam passado dez anos desde que os arqueólogos Howard Carter e Lord Carnarvon haviam descoberto a tumba do rei Tutancâmon.

            O roteirista John L.Balderston, a partir da história de Nina Putnam e Richard Schayer, criou um sub-gênero que seria explorado com sucesso pela Universal, o estúdio de Carl Laemmle Jr que alcançara anos antes sucesso com as adaptações literárias de “Dracula” e “Frankenstein” (1931). A política de Laemmle era custo baixo, muita sugestão para despertar sustos. Em “A Mumia” (The Mummy), o diretor Karl Freund, que fora fotografo em clássicos como “Metropolis” (1922) e “Dracula” (1931), usa e abusa das técnicas expressionistas das quais era um mestre. A maquiagem de Jack Pierce (também vindo de “Frankenstein”) demorava cerca de oito horas para transformar Karloff em uma múmia desperta pelas palavras mágicas do livro dos mortos. Contudo, em seu despertar, pouco é mostrado e em um salto no tempo Karloff surge como Ardath Bay, manipulando a descoberta do túmulo de sua amada Aucksonamon. Karloff pouco fala, mas seu olhar ameaçador assusta ainda mais. O nome de Imhotep foi tirado do arquiteto que criou as pirâmides, e muito longe de ser um sacerdote amaldiçoado, gozava de prestígio abaixo apenas dos faraós.

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CHRISTOPHER LEE EM “A MUMIA DE ANANKA”

             Oito anos depois a Universal decidiu fazer outro filme, mas Karloff não retorna como Imhotep. Assim, o estúdio faz a primeira de várias reinvenções da história, trocando Imhotep por Kharis, a múmia guardiã da princesa Ananka em “A Mão da Múmia” (The Mummy’s Hand). Jack Pierce volta como maquiador transformando Tom Tyler (ator de antigos westerns e serials) na nova criatura egipicia. Nesta nova série, a múmia ganha como algoz a figura do arqueólogo John Banning que antagonizará o mal representado por Kharis. A este se seguiram mais três filmes “A Tumba da Mumia” (The Mummy’s Tomb) de 1942,”A Sombra da Mumia” (The Mummy’s Ghost) de 1944 e , no mesmo ano que este, “The Mummy’s Curse”, todos com a múmia sendo interpretado por Lon Chaney Jr, que tornou-se o único ator a ter já interpretado todos os monstros clássicos da Universal : O Lobisomem (1941), o monstro de Frankentein (The Ghost of Frankenstein) e Dracula (The Son of Dracula) de 1943. A máscara usada pelo ator é exibida até hoje na exposição de terror do Museu em Seattle.

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VALERIE LEON EM “SANGUE NO SACORFAGO DA MUMIA”

            Apesar da comédia “Abbot & Costello meets the Mummy” de 1955, o público foi perdendo  interesse  no monstro, a medida que os estúdios entraram os anos 50 explorando discos voadores e monstros do espaço. Coube à produtora inglesa Hammer Films trazer de volta o personagem em “A Mumia de Ananka” (The Mummy) de 1959 com Christopher Lee no papel de Kharis. As cores e a presença magnética de Christopher Lee garantiram o êxito dessa retomada inglesa realizada em acordo com a Universal International. Na década de 60 ainda teríamos “A Maldição da Mumia” (The Curse of the Mummy’s Tomb) de 1964, “A Mortalha da Mumia” (The Mummy’s Shroud) de 1967 e “Sangue no Sacorfago da Mumia” (Blood from the Mummy’s Tomb) de 1970, este último adaptado de “The Jewel of the Seven Stars”, de Bram Stoker, com a beldade Valerie Leon no papel de uma rainha egícpica do mal possuindo o corpo (e que corpo) da filha do arqueólogo. Todos esses filmes foram constantemente exibidos na TV brasileira durante as décadas de 70 e 80 perpetuando a atmosfera B dos filmes da Hammer. Na década de 80 tivemos nossa múmia brasileira no terrir “O Segredo da Mumia”, de Ivan Cardoso (1982) que deu a Wilson Grey, ator típico das chanchadas da Atlântida, seu primeiro papel de protagonista depois de décadas de contribuição ao cinema brasileiro.

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IMHOTEP (ARNOLD VOSLOO EM “A MUMIA”) DE 1999

                Quando a Universal decidiu refilmar “A Mumia” em 1999 sabia-se que o público não iria mais se assustar com um monstro enrolado em ataduras, andando devagar atrás das pessoas. Assim, o diretor Stephen Sommers transformou a história de Imhotep em uma aventura movimentada como Indiana Jones. O sucesso, que teve Brendan Fraser, Rachel Weisz e Arnold Vosloo como Imhotep, levou em pouco tempo à sequencia “O Retorno da Mumia” (The Mummy Returns) de 2001 que, alguns não lembram foi o debut cinematográfico do hoje astro Dwayne Johnson, este no papel do escorpião rei. Ainda houve o tardio “A Mumia: A Tumba do Imperador Dragao” (2008), muito fraco e já sem nenhum atrativo para manter o interesse do público com uma incursão pela China (lembrando que os chineses não mumificavam seus mortos). Mesmo com a inclusão do popular astro de artes marciais Jet Li, o filme deixa a desejar.

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SOFIA BOUTELLA

            A nova versão do monstro com Sofia Boutella e Tom Cruise mostra que o antigo Egito continuará a assombrar as telas com suas maldições, mas muito longe de chegar perto da inocente medo que figuras como Karloff, Chaney e Lee conseguiram imprimir na memória do cinema, em preto em branco ou em cores, mas empoeirado com milênios de tradição do que já foi o horror nas telas.

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