GALERIA DE ESTRELAS : CENTENÁRIO DE DEAN MARTIN

DEAN MARTIN 1                 Uma belíssima voz e um ar de gozador que contrastava com  a figura de incorrigível conquistador. Assim o mundo aprendeu a conhecer Dean Martin, que conquistou o mundo do entretenimento nos três principais veículos de massa (rádio, Tv e cinema), razão pela qual é um dos poucos a ter três estrelas na calçada da fama, uma para cada uma destas  em que se sagrou um dos maiores artistas do século XX.

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                  Dino, como também ficou conhecido, pode ser ouvido em filmes como “Cassino” (1995), “Os Bons Companheiros” (1989), em séries de TV como Friends, House e até em desfiles de moda como o “Victoria’s Secret Fashion Show” em 2008 mostrando que o apelo de sua voz sedutora foi além de sua morte em 1995. Seu sucesso não foi imediato para esse filho de imigrantes italianos nascido em 7 de junho de 1917, batizado Dino Paulo Crocetti. Teve uma infância pobre em Steubenville, Ohio falando apenas italiano em casa com os pais e o irmão até os 5 anos. Quando entrou para a escola, sofreu bullying pelo forte sotaque italiano. Ainda muito jovem foi trabalhar como cropier em um cassino, operário na industria do aço e boxeador sob a alcunha de Kid Crochett. Mais tarde, já uma celebridade fez piada dizendo que só perdera onze vezes mas que poderia ter feito história no esporte. Uma boa piada era algo que nunca perdia, pois apesar da fama de mulherengo e beberrão, Dean sempre foi um brincalhão, de língua ferina. Certa vez disse que viu uma estatua de cera do colega James Stewart, e ressaltou que esta “falava melhor do que o original”.

MARTIN E ESPOSA

DINO & A SEGUNDA ESPOSA JEANNE

                   Esta veia humorística, sempre disposto a tirar um “sarro” de tudo foi parte da química que demonstrou com Jerry Lewis com quem fez dupla por mais de dez anos. Quando ainda eram talentos desconhecidos, se encontraram casualmente  em 1945 no Glass Hat Club em Nova York, mas em apresentações separadas. O destino interveio para que um ano depois voltassem a se encontrar em Atlantic City, no 500 Club quando pressionados a apresentar algo atraente ao público ou seriam demitidos, improvisaram uma serie de sketches onde Martin tenta cantar, mas é interrompido pelos desastres causados por Lewis. O resultado foi uma onda contagiante de gargalhadas que levou a outras apresentações, chegando ao famoso Copacabana Club em Nova York, e pouco tempo depois ao lendário “Ed Sullivan Show” na TV.

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              Algum tempo depois já estavam diante de HaL B.Wallis, homem forte da Paramount que os contratou para ser o alívio Cômico de “Minha Amiga Irma” (My Friend Irma) de 1949. Nos dez anos seguintes, a dupla Martin & Lewis se tornou um campeão de bilheteria já protagonizando a partir de “O Palhaço do Batalhão” (At War With The Army) de 1950. A formula dos 16 filmes que fizeram juntos era simples: Martin cantava, conquistava as mulheres enquanto Lewis aloprava destilando seu histrionismo cênico. Deste período, um dos melhores é “Artistas & Modelos” (Artists & Models) de 1956 dirigido pelo mestre Frank Tashlin. Nele, os papeis da dupla relembram os dias em que procuravam se encaixar no showbizz, interpretando Rick Todd, um pintor desconhecido e Eugene Fullstack, um aspirante a escritor de histórias infantis, precursor dos nerds fâs de histórias em quadrinhos. Curioso que era Martin, e não Lewis, quem gostava do gênero. A crescente insatisfação de Martin e o controle cada vez maior de Lewis levou a desentendimentos e à separação da dupla em 1956.

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MATT HELM

               Ainda que vendesse muitos discos na época, muitos detratores apontavam Dean como a metade menos talentosa da dupla. Seu primeiro filme em carreira solo “Dez Mil Alcovas” (Ten Thousand Bedrooms) de 1957 não foi bem sucedido. Determinado a se provar um ator dramático, Dean assumiu o papel de um  soldado americano no drama “Os Deuses Vencidos” (Young Lions) de Edward Dymitrik em 1958, dividindo a cena com Marlon Brando e Montgomery Cliff. Este ajudou Dean a se colocar diante da câmera e mudando sua imagem, ao que Martin foi mais do que grato apoiando Cliff em seus problemas pessoais. Provando de vez seu valor, o ator fez o papel de um delegado bêbado em “Onde Começa o Inferno” (Rio Bravo) de Howard Hawks em 1959, contracenando com John Wayne.

RAT PACK

THE RAT PACK

               Entrando a década de 60, Dean Martin desbancou os Beatles das paradas de sucesso com a gravação de “Everybody Loves Somebody” que tornou-se uma marca sua dentre as mais de 600 canções que gravou, entre elas também a balada “That’s Amore” em que usa de seu charme ítalo-americano para embalar romances. Sua carreira ganhou novo impulso quando se juntou a Frank Sinatra, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop formando o “Rat Pack” (apelido que teria sido atribuído por Lauren Bacall) em apresentações por toda a Las Vegas além de uma série de filmes incluindo “Onze Homens & Um Segredo” (Ocean’s Eleven) de 1960, que seria refilmado décadas depois por Steven Sodenbergh.

DEAN E JERRY REECONTRO

O REENCONTRO COM JERRY LEWIS NOS ANOS 70

              Nesta fase, Martin popularizou sua imagem de mulherengo e beberrão, o que seu filho Dean Paul Martin, anos depois desmistificou dizendo que seu pai somente bebia suco de maçã, mas gostava de fazer todos pensarem que era bebida alcoólica. Martin fez de seu “The Dean Martin Show” um dos programas mais bem vistos da TV americana, durante dez anos e levando um Golden Globe por isso. Mesmo que nunca viesse a ter uma indicação ao Oscar, Dean Martin parecia não se importar. Cantava, contava piadas, se divertia e divertia a todos de forma despretensiosa, como na série de quatro filmes que fez no papel do agente secreto Matt Helm, uma parodia de 007 onde Dean cultivava a persona que criara para seu público. Este não sabia que ele era um amigo leal, tendo se desligado da produção de “Something Gotta Give” depois da morte da estrela Marilyn Monroe com quem contracenaria. Também desistiu de um quinto Matt Helm depois que a estrela Sharon Tate foi assassinada. Martin disfarçava sua sensibilidade e mantinha uma rotina relativamente tranquila sempre que podia, saindo cedo de suas apresentações para jogar golf no dia seguinte ou passando o máximo de tempo possível ao lado dos filhos tal qual um pai amoroso que era para seus filhos, quatro do primeiro casamento com Betty McDonald e três do casamento com Jeanne Biegger. De seu terceiro casamento com Catherine Hawn adotou a filha desta durante os três anos em que ficaram juntos até 1976.

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ARTISTAS & MODELOS: DEAN MARTIN, DOROTHY MALONE, JERRY LEWIS & SHIRLEY MACLAINE

               Nos anos 70 fez as pazes com Jerry Lewis aparecendo de surpresa no Telethon apresentado pelo ex companheiro, tudo por intermédio de Frank Sinatra. Outro grande sucesso foi seu papel de piloto em “Aeroporto” (Airport) de 1970, que iniciou o ciclo dos filmes catástrofes. A tragédia se abateu sobre o artista quando seu filho Dean Paul Martin, então com 36 anos, morreu em um desastre aéreo. Para quem conhecia Dean Martin pessoalmente, contava-se que naquele dia ele também morreu. Retirou-se da vida pública, se isolou, mergulhando na bebedeira e no cigarro. Relatava-se que era como se ele tivesse desistido de viver pois mesmo quando foi diagnosticado com Câncer em 1993 se recusou a fazer uma cirurgia que prolongaria sua vida, vindo a fazer sua passagem na noite de Natal de 1995. Triste final para um artista que trazia alegria para tantos e que n os mostrou que todos amam alguém, e todos amamos de fato o artista extraordinário que foi Dean Martin.

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IN MEMORIAN : ROBERT GUILLAUME

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Faleceu no último dia 24 o ator Robert Guillaume, famoso por ter dublado Rafiki na animação “Rei Leão” (1995). Com uma extensa filmografia, em maior parte advinda de trabalhos na TV, eu particularmente guardo com carinho sua atuação na sitcom “O Poderoso Benson” (1979-1986) em que interpretou o espirituoso e sábio mordomo do governador de Nova York. A série foi exibida no Brasil na segunda metade da década de 80 na faixa “Sessão Comedia” da Rede Globo.

THOR RAGNAROK & MAIS

                 O mais recente capítulo no universo compartilhado Marvel usa de humor e ação unindo dois heróis de peso, mas mistura duas narrativas diferentes das HQs.

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           Ragnarok é o apocalipse da mitologia nórdica no qual os deuses (Thor, Loki, Odin etc…) perecem, o mundo é mergulhado em cataclismas encerrando um ciclo para depois renascerem e repovoarem o mundo. Já tendo sido objeto de estudos acadêmicos, o Ragnarok pode ser lido em poemas como o “Edda”, compilação datada do século XIII. Nos quadrinhos da Marvel, o apocalipse nórdico foi primeiro explorado por Stan Lee & Jack Kirby em “Thor” #157 (Outubro 1968). A chegada do demônio Mangog, quatro meses antes, colocou o filho de Odin diante da eminente destruição de Asgard, almejada por Hela, a deusa da morte, surgida em 1964. Nas historias de Lee & Kirby, Hela nunca foi a filha de Odin, mas segundo a tradição nórdica contada no “Edda” e outros textos históricos, ela é a filha de Loki. Em 1978, Roy Thomas e John Buscema voltaram a tratar do assunto (publicado no Brasil em “Herois da TV” #99).  Um dos melhores arcos a traçar o destino final dos deuses se deu, no entanto, na primorosa “Saga de Surtur”, escrita e desenhada por Walt Simonson em 1984, a primorosa narrativa explorar todos os elementos mergulhados na tradição das lendas nórdicas. Sendo um evento cíclico, embora adiado ao final de fase Simonson, o Ragnarok finalmente caiu sobre os deuses de Asgard no período em que os Vingadores foram reformulados por Brian Michael Bendis no arco “A Queda” (2004 3 2005). Lógico que pouco tempo depois os deuses renascem e um  novo título do deus do trovão é iniciado por J.M.Strancswiski (criador da serie de TV “Babylon 5”) e Oliver Coipiel.

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ARTE DE JACK KIRBY

         Se o filme fosse adaptar com seriedade o Ragnarok, deveria de aparecer o Lobo Fenris, o nobre Balder, a Serpente de Midgard e outros elementos ligados ao profético fim dos asgardianos. Além disso o evento é de uma dimensão que não caberia em um filme preocupado em se conectar com o anunciado “Vingadores: Guerra Infinita”. Não há humor nas histórias mencionados, uma vez que o personagem sempre foi mais sisudo que sua representação por Chris Hemsworth iniciada em um pálido filme inicial em 2011, continuado com uma sensível melhora em 2013 e, depois da participação em dois filmes dos Vingadores, chegamos ao terceiro filme solo do personagem.

PLANETHULK

PLANETA HULK – A HQ

           Diluindo ainda mais o impacto do que seria de fato o Ragnarok, Thor divide a cena com o “Hulk”, um riquíssimo personagem relegado ao status de coadjuvante nos filmes do Marvel Studios já que a Universal, detentora dos direitos do personagem, não autoriza a realização de um filme solo do herói verde. Nos quadrinhos, Thor e Hulk se enfrentaram em diversas ocasiões começando com a clássica edição “Thor” #112 (Janeiro de 1965) anunciada como a batalha épica do ano com a arte maestra de Jack Kirby, este sendo co-criador do universo Marvel (Sim, Stan Lee NÂO É o único pai dos heróis da editora), Pouco divulgado é o fato de que nos anos 50, Kirby havia criado uma versão de Thor para a concorrente DC Comics. O herói que conhecemos hoje e popularizado pelos filmes do universo cinemático Marvel/Disney estreou  em Agosto de 1962 na 83ª edição da revista “Journey Into Mystery“. A partir da edição #97, Lee & KIrby exploram toda a riqueza da cultura nórdica em histórias curtas batizadas ‘”Contos de Asgard”. Nesse período Thor era um entre outros personagens publicados em “Journey into Mystery”, um título de antologias. A partir do número #104 o herói passa a ostentar seu nome abaixo do nome da revista, ganhando destaque cada vez maior até que na edição #126 passa a se chamar apenas “The Mighty Thor”. No Brasil o personagem chegou em 1967 pela editora Ebal que o publicou nas páginas de “Album Gigante”, enquanto na TV, o personagem teve seu próprio desenho animado produzido pelo estúdio canadense Grantray-Lawrence Animation , e popularizado pelo programa do saudoso Capitão Aza na antiga Tv Tupi.

THOR E HULK

A VOLTA DO INCRÍVEL HULK DE 1988

        O filme atual também não é a primeira vez que os heróis se enfrentam em um filme compartilhado. Em 1988, o telefilme da NBC “A Volta do Incrivel Hulk” trazia Bill Bixby & Lou Ferrigno interpretando a popular versão de carne e osso do dicotômico herói verde da Marvel. Nele, o Dr. Banner luta ao lado de Thor, invocado pelo Dr.Donald Blake (sua identidade secreta criada por Lee & Kirby) a cada vez que este grita “Odin” e ergue o martelo do herói. Levado ao em Maio de 1988, e pouco depois exibido pelo SBT no Brasil, a intenção inicial era fazer deste o piloto de uma série do Thor, nos mesmos moldes da estrelada por Bixby/Ferrigno, o que acabou não acontecendo.

       O Hulk aliás aparece no filme “Thor Ragnarok” como um coadjuvante de luxo com elementos enxertados no filme extraído do popular arco “Planeta Hulk”, escrito por Greg Pak (2006) onde o herói foi exilado em um outro planeta, tornou-se gladiador e depois grande líder daquele povo. Misturar elementos de “Planeta Hulk” e “Ragnarok” foi uma jogada da Marvel para satisfazer os fans do Hulk, interligando-o aos eventos de sua atual fase anunciada para terminar no mais distante “Vingadores 4” e, assim como o Ragnarok nórdico traçar um fim para um ciclo para começar um outro com renovação de personagens e elenco. Afinal, o fim apontará um novo começo.

ESTREIAS DA SEMANA : 26 DE OUTUBRO DE 2017

THOR RAGNAROK

THOR RAGNAROK

(Thor Ragnarok) EUA 2017. Dir: Taika Waititi. Com Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Tom Hiddlestone, Anthony Hopkins, Cate Blanchett, Jeff Goldblum, Tessa Thompson, Karl Urban, Idris Elba, Sam Neill. Aventura.

Thor corre contra o tempo para salvar Asgard do Ragnarok, o apocalipse das lendas nórdicas. Contudo, é derrotado por Hela, a deusa da morte, tem seu martelo destruído e é exilado em um planeta de gladiadores onde reencontra o Hulk. A eles se juntam o traiçoeiro Loki e a corajosa Walkiria em uma batalha decisiva. Apesar da ação inerente a essa mistura de duas narrativas diferentes das HQs Marvel (Ragnarok e Planeta Hulk) está impregnada com o humor típico do filme do Deadpool e com aquela trilha sonora pop que remete a “Guardiões da Galáxia”. Essa mistura promete atrair o público e preparar o terreno para a chegada de “Vingadores:Guerra Infinita” ano que vem. A participação de Ruffalo é menor em relação às pretensões de se aproveitar de um arco tão extenso quanto “Planeta Hulk”, mas a Marvel não pode fazer um filme solo do personagem, que está preso a um contrato com a Universal. O filme ainda tem a participação especial de Benedict Cumberbatch como Dr.Estranho, que auxiliará Thor a reencontrar Odin, desaparecido depois dos eventos de “Thor Mundo Sombrio”. A vilã de Cate Blanchett é o maior atrativo da história e funciona como uma excelente antagonista para Thor. Leiam a postagem especial acima que trará outras informações sobre o deus do trovão nas hqs originais.

MARK FELT – O HOMEM QUE DERRUBOU A CASA BRANCA

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(Mark Felt – The Man Who Brought Down the House) EUA 2017. Dir: Peter Landesman. Com Liam Neeson, Brian D’Arcy, Bruce Greenwood, Diane Lane, Josh Lucas. Biopic.

O roteirista e diretor Peter Landesman dramatiza a história do diretor do FBI que entrou para a história com a alcunha “Garganta Profunda”, o homem que tornou-se informante dos reporteres do Washington Post, sendo fundamental para a queda do ex presidente Nixon no historico Escândalo de Watergate. Filme voltado para os apreciadores de filmes biográficos. Em um momento de corrupção escandalosa em nosso próprio país é positivo assistir um episódio real que mostra como um país realmente democrático procede diante do abuso de poder.

O FORMIDÁVEL

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(Le Redoubtable) Fr. 2017. Dir: Michel Hazanavicius. Com Louis Garrel, Berenice Bejó, Stacy Martin, Biopic.

Adaptação do livro “Un An Aprés” de Anne Wiezemsky que faz um recorte na vida do cineasta francês Jean-Luc Goddard que durante as filmagens de “A Chinesa” (1967) apaixonou-se pela atriz de 17 anos Anne Wiezemsly, a autora do livro. O romance abala profundamente a vida de Goddard, um dos maiores nomes do cinema francês de sua geração. O filme é escrito e dirigido pelo cineasta parisiense Michel Hazanavicius que em 2011 conquistou o mundo e 5 Oscars com “O Artista”, onde também trabalhou com a atriz Berenice Bejó.

PELÉ – O NASCIMENTO DE UMA LENDA

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(Pelé – The Birth of a Legend) EUA 2017. Dir:Jeff Zimbalist & Michael Zimbalist. Com Rodrigo Santoro, Seu Jorge, Milton Nascimento,  Vincent D’Onofrio,  Felipe Simas, Diego Boneta. Biopic.

Já houve um documentário sobre o rei do futebol em 2004. Este filme biográfico estava inicialmente previsto para estrear na Copa do Mundo de 2014, mas só foi finalizado recentemente. A trajetória de Edson Arantes do Nascimento que de uma infância pobre tornou-se um dos jogadores de futebol mais famosos do mundo, tendo integrado a seleção que ganhou a Copa do Mundo de 1958

ESTREIA ESPECIAL: BLADE RUNNER 2049

Se imaginássemos que daqui  a dois anos as grandes cidades se tornariam extremamente populosas, com a poluição se alastrando por entre imensos prédios castigados por constante chuva, insuficientes no entanto para lavar a sujeira física e moral desta realidade depreciativa. Se você ainda se pergunta se o homem é realmente a imagem e semelhança de Deus, então o que dizer de sofisticados androides dotados de inteligência artificial buscando o sentido da vida ? Se quiser descobrir o que há nisso tudo, bem vindo ao mundo de “Blade Runner”.

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Agente K (Ryan Gosling) & Deckard (Harrison Ford)

     Quando lançado em 1982 o filme não causou nenhum furor imediato aos intrigantes questionamentos da história, em que humanos e replicantes estão mergulhados na filosofia Nietzschiniana em que ao olhar para o abismo, este olha de volta para você. Na verdade, a bilheteria da época não correspondeu ao investimento estimado então em torno de US$28,000,000 e o status cult do filme surgiu ao longo dos anos que se seguiram. O público digeriu devagar as implicações desta perceptível dicotomia entre o velho e o moderno, o humano e o inumano, a vida e a morte. Já sua atmosfera distópica remete ao pesadelo orwelliano misturada à fotografia noir que faz de Rick Deckard (Harrisson Ford) herdeiro futurista dos detetives amorais e cafajestes inspirados na literatura de Raymond Chandler e Dashiel Hammet. A personagem Rachael (Sean Young) representa a sedução gélida e fatal das femme fatales e pivô de uma tensão que se estende para além da aparentemente rotineira investigação de Deckard.

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O Filme de 1982

      O roteiro de Hampton Fancher, reescrito por David Webb Peoples, adapta o romance “Do Androids dream of electric sheep?” do escritor americano Philip K.Dick publicado pela primeira vez em 1968. O filme toma o livro apenas na superfície se concentrando na caçada aos androides fugitivos, que nunca são chamados de replicantes pelo autor. O termo foi sugerido em uma conversa entre o roteirista David Peoples e sua filha que comentara com o pai sobre a capacidade replicante das células clonadas. O livro também toca na extinção dos animais e a ação se desenvolve em uma São Francisco pós apocalíptica em vez da Los Angeles mostrada no filme. O livro mostra a Terra como um planeta sendo evacuado em favor de colônias em outros planetas como Marte e os humanos que ainda residem no planeta seguem uma religião chamada Mercerismo, em que seus membros compartilham habilidades telepáticas, o que não é sequer mencionado no filme.

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Philip K. Dick – O Autor

      O filme veio a ser dirigido por Ridley Scott que foi demitido ao longo das filmagens, e depois readmitido devido a conflitos com os produtores do filme. Também tornou-se notório as constantes desavenças entre o diretor e Harrisson Ford. Este durante muitos anos se recusou a falar do filme em suas entrevistas, e dizia recusar qualquer possibilidade de voltar ao papel, o que acabou eventualmente fazendo este ano. Ford teria gravado a narração em off, não prevista no roteiro original extremamente contrariado, forçado pelos produtores que acharam o filme incompreensível no corte original. Anos depois, dois funcionários da Warner teriam encontrado um arquivo considerado perdido, sem a narração em off e com uma montagem que se achou fosse a pretendida por Ridley Scott. Esta suposta versão original chegou a ser lançada em 1989, mas Scott disse que não era assim que ele pretendia fazer e em 2007 o estúdio fez as pazes com o diretor permitindo que este remontasse o filme como inicialmente pensado, gerando o “Final Cut” e dividindo os fãs com três versões diferentes do clássico.  Curiosamente, muitos acreditaram que o filme carregava uma espécie de maldição pois empresas como a RCA e a Atari, cujos logos são usados no filme faliram tempos depois.

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         O monologo final de Rutge Hauer (escolhido para o papel de Roy Beatty sem que Ridley Scott o tivesse entrevistado para o papel) foi improvisado pelo ator e a cena previa a principio haveria uma luta entre Roy e Deckard em vez de apenas uma perseguição na chuva. A beleza das palavras “Todos aqueles momentos estarão logo perdidos como lágrimas na chuva” cria um efeito de espelho distorcido entre caça e caçador, homem e replicante (apesar das constantes interpretações de que Deckard seria um replicante também), onde orgânico e inorgânico procuram pelas mesmas perguntas: Quanto tempo ainda temos? Por que existimos? Podemos prolongar nossa vida? Qual o sentido da vida? Uma relação Frankensteniana elevada a uma constrangedora dimensão que nos faz nos perceber de forma diferente. Assim o autor confronta nossa humanidade falha, corrupta, ambiciosa e inconsequente. O novo filme que chega a nossas telas promete prosseguir com as divagações, explorar os mistérios do filme original que reflete para 2019 a insistente e inquietante pergunta que procura saber se realmente somos meras máquinas orgânicas ou uma obra de inspiração divina, sonhando com ovelhas elétricas em nossa vã filosofia.

ESTREIAS DA SEMANA : 05 DE OUTUBRO DE 2017

O PICA PAU

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(Woody Woodpecker) EUA 2017. Dir: Alex Zamm. Com Thaila Ayala, Timothy Omundson, Graham Verchere. Animação.

Sou de uma geração que assistia, quando criança, os desenhos do Pica-pau pelo SBT. Marcou nossa infância sem dúvida, e fez parte da história já que foi o primeiro desenho exibido na TV brasileira, em 19 de setembro de 1950, na hoje extinta TV Tupi. O personagem nasceu em 1940 no curta “Knock Knock“, criado por Walter Lantz. De coadjuvante no curta protagonizado por Andy Panda, o insano pássaro roubou a cena e se tornou a estrela principal do estudio de Lantz. Reza a lenda que este criou o personagem depois que um pica-pau incomodou sua lua-de-mel. O longa que chega a nossos cinemas é uma tentativa de apresentar a transloucada ave a uma nova geração que não acompanhou as constantes reprises na TV, passando por exibições na Record, Globo e tv por assinatura. No inicio, o pica pau era bem mais malvado, com olhos grandes vesgos, dentuço e barriga vermelha, uma força de caos com penas capaz de enlouquecer um guarda que persegue os rachadores (The Screwdriver, 1941), ou caçar um operário que só queria fazer a barba entoando a clássica ópera de Rossini (The Barber of Seville, 1944). Com o sucesso, o personagem foi domado por seu criador, ganhou traços mais suaves e comportamento anárquico, porém mais contido. Essa versão mais sociável estrela esse filme onde um casal ameaça desmatar uma área natural onde o pica-pau mora e, claro não deixará barato. A atriz brasileira Thalia Ayala está no centro da história dirigida por Alex Hamm (O Fada do Dente 2, Dr. Doolittle 5). Certamente que os adultos se deliciarão mais com o filme, mas não espere ver os coadjuvantes clássicos como Zeca Urubu, Zé Jacaré, Leôncio ou o bandido Dooley. Erro dos roteiristas em não aproveitar o rico elenco que acompanhou o personagem em mais de 200 desenhos (levando-se em conta claro a retomada da série pela Fox no final da década de 90). Se você que lê essa resenha ver um adulto comentar que já teve vontade de descer as cataratas em um barril, é normal. Com tantos anos trabalhando nesta industria vital, não é a primeira vez que isso acontece. Então, como diria a bruxa “E la vamos nós”.

CHOCANTE

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(BRa 2017) Dir: Johnny Araújo & Gustavo Bonafé. Com Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro Filho, Marcus Majella, Bruno Garcia, Pedro Neschling, Debora Lamm, Tony Ramos, Klara Castanho. Comédia.

Membros de uma boy band dos anos 90 se reune depois de vinte anos para o funeral de um deles. Com isso decidem voltar a ativa e reconquistar o público.  O filme, co-roteirizado por Bruno Mazzeo, revive a gloria e a decadencia de grupos como Menundo, Tremendo (anos 80), Backstreet Boys (anos 90) etc. O filme, co-produzido pela Globo Filmes, investe no clima de paródia explorado por um bom elenco de comediantes.

 

 

 

NAS BANCAS : CONHECIMENTO PRÁTICO LITERATURA Nº 73

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AMIGOS LEITORES DO BLOG, CHEGOU ÀS BANCAS A EDIÇÃO N°73 DA REVISTA “CONHECIMENTO PRÁTICO LITERATURA“, DA EDITORA ESCALA. BELÍSSIMA CAPA TRAZENDO A VIDA E A OBRA DO ESCRITORN FRANCÊS EMILE ZOLA. COMO COLABORADOR FREQUENTE DA REVISTA, ASSINO A MATÉRIA SOBRE AS LENDAS ARTURIANAS COM UMA ANÁLISE HISTÓRICO & LITERARIA DO MITO DE ARTHUR E SEUS CAVALEIROS DA TÁVOLA REDONDA. A EDIÇÃO ESTÁ RIQUÍSSIMA COM UMA ANÁLISE DO MAGNUS OPUS DE MACHADO DE ASSIS “MEMORIAS PÓSTUMAS DE BRAS CUBAS”, ALÉM DE COMOVENTE ULTIMA ENTREVISTA DO ESTUDIOSO E HISTORIADOR DE QUADRINHOS ÁLVARO DE MOYA, QUE NOS DEIXOU MÊS PASSADO. BOA LEITURA & OBRIGADO.