IN MEMORIAN : ROBERT GUILLAUME

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Faleceu no último dia 24 o ator Robert Guillaume, famoso por ter dublado Rafiki na animação “Rei Leão” (1995). Com uma extensa filmografia, em maior parte advinda de trabalhos na TV, eu particularmente guardo com carinho sua atuação na sitcom “O Poderoso Benson” (1979-1986) em que interpretou o espirituoso e sábio mordomo do governador de Nova York. A série foi exibida no Brasil na segunda metade da década de 80 na faixa “Sessão Comedia” da Rede Globo.

THOR RAGNAROK & MAIS

                 O mais recente capítulo no universo compartilhado Marvel usa de humor e ação unindo dois heróis de peso, mas mistura duas narrativas diferentes das HQs.

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           Ragnarok é o apocalipse da mitologia nórdica no qual os deuses (Thor, Loki, Odin etc…) perecem, o mundo é mergulhado em cataclismas encerrando um ciclo para depois renascerem e repovoarem o mundo. Já tendo sido objeto de estudos acadêmicos, o Ragnarok pode ser lido em poemas como o “Edda”, compilação datada do século XIII. Nos quadrinhos da Marvel, o apocalipse nórdico foi primeiro explorado por Stan Lee & Jack Kirby em “Thor” #157 (Outubro 1968). A chegada do demônio Mangog, quatro meses antes, colocou o filho de Odin diante da eminente destruição de Asgard, almejada por Hela, a deusa da morte, surgida em 1964. Nas historias de Lee & Kirby, Hela nunca foi a filha de Odin, mas segundo a tradição nórdica contada no “Edda” e outros textos históricos, ela é a filha de Loki. Em 1978, Roy Thomas e John Buscema voltaram a tratar do assunto (publicado no Brasil em “Herois da TV” #99).  Um dos melhores arcos a traçar o destino final dos deuses se deu, no entanto, na primorosa “Saga de Surtur”, escrita e desenhada por Walt Simonson em 1984, a primorosa narrativa explorar todos os elementos mergulhados na tradição das lendas nórdicas. Sendo um evento cíclico, embora adiado ao final de fase Simonson, o Ragnarok finalmente caiu sobre os deuses de Asgard no período em que os Vingadores foram reformulados por Brian Michael Bendis no arco “A Queda” (2004 3 2005). Lógico que pouco tempo depois os deuses renascem e um  novo título do deus do trovão é iniciado por J.M.Strancswiski (criador da serie de TV “Babylon 5”) e Oliver Coipiel.

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ARTE DE JACK KIRBY

         Se o filme fosse adaptar com seriedade o Ragnarok, deveria de aparecer o Lobo Fenris, o nobre Balder, a Serpente de Midgard e outros elementos ligados ao profético fim dos asgardianos. Além disso o evento é de uma dimensão que não caberia em um filme preocupado em se conectar com o anunciado “Vingadores: Guerra Infinita”. Não há humor nas histórias mencionados, uma vez que o personagem sempre foi mais sisudo que sua representação por Chris Hemsworth iniciada em um pálido filme inicial em 2011, continuado com uma sensível melhora em 2013 e, depois da participação em dois filmes dos Vingadores, chegamos ao terceiro filme solo do personagem.

PLANETHULK

PLANETA HULK – A HQ

           Diluindo ainda mais o impacto do que seria de fato o Ragnarok, Thor divide a cena com o “Hulk”, um riquíssimo personagem relegado ao status de coadjuvante nos filmes do Marvel Studios já que a Universal, detentora dos direitos do personagem, não autoriza a realização de um filme solo do herói verde. Nos quadrinhos, Thor e Hulk se enfrentaram em diversas ocasiões começando com a clássica edição “Thor” #112 (Janeiro de 1965) anunciada como a batalha épica do ano com a arte maestra de Jack Kirby, este sendo co-criador do universo Marvel (Sim, Stan Lee NÂO É o único pai dos heróis da editora), Pouco divulgado é o fato de que nos anos 50, Kirby havia criado uma versão de Thor para a concorrente DC Comics. O herói que conhecemos hoje e popularizado pelos filmes do universo cinemático Marvel/Disney estreou  em Agosto de 1962 na 83ª edição da revista “Journey Into Mystery“. A partir da edição #97, Lee & KIrby exploram toda a riqueza da cultura nórdica em histórias curtas batizadas ‘”Contos de Asgard”. Nesse período Thor era um entre outros personagens publicados em “Journey into Mystery”, um título de antologias. A partir do número #104 o herói passa a ostentar seu nome abaixo do nome da revista, ganhando destaque cada vez maior até que na edição #126 passa a se chamar apenas “The Mighty Thor”. No Brasil o personagem chegou em 1967 pela editora Ebal que o publicou nas páginas de “Album Gigante”, enquanto na TV, o personagem teve seu próprio desenho animado produzido pelo estúdio canadense Grantray-Lawrence Animation , e popularizado pelo programa do saudoso Capitão Aza na antiga Tv Tupi.

THOR E HULK

A VOLTA DO INCRÍVEL HULK DE 1988

        O filme atual também não é a primeira vez que os heróis se enfrentam em um filme compartilhado. Em 1988, o telefilme da NBC “A Volta do Incrivel Hulk” trazia Bill Bixby & Lou Ferrigno interpretando a popular versão de carne e osso do dicotômico herói verde da Marvel. Nele, o Dr. Banner luta ao lado de Thor, invocado pelo Dr.Donald Blake (sua identidade secreta criada por Lee & Kirby) a cada vez que este grita “Odin” e ergue o martelo do herói. Levado ao em Maio de 1988, e pouco depois exibido pelo SBT no Brasil, a intenção inicial era fazer deste o piloto de uma série do Thor, nos mesmos moldes da estrelada por Bixby/Ferrigno, o que acabou não acontecendo.

       O Hulk aliás aparece no filme “Thor Ragnarok” como um coadjuvante de luxo com elementos enxertados no filme extraído do popular arco “Planeta Hulk”, escrito por Greg Pak (2006) onde o herói foi exilado em um outro planeta, tornou-se gladiador e depois grande líder daquele povo. Misturar elementos de “Planeta Hulk” e “Ragnarok” foi uma jogada da Marvel para satisfazer os fans do Hulk, interligando-o aos eventos de sua atual fase anunciada para terminar no mais distante “Vingadores 4” e, assim como o Ragnarok nórdico traçar um fim para um ciclo para começar um outro com renovação de personagens e elenco. Afinal, o fim apontará um novo começo.

ESTREIAS DA SEMANA : 26 DE OUTUBRO DE 2017

THOR RAGNAROK

THOR RAGNAROK

(Thor Ragnarok) EUA 2017. Dir: Taika Waititi. Com Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Tom Hiddlestone, Anthony Hopkins, Cate Blanchett, Jeff Goldblum, Tessa Thompson, Karl Urban, Idris Elba, Sam Neill. Aventura.

Thor corre contra o tempo para salvar Asgard do Ragnarok, o apocalipse das lendas nórdicas. Contudo, é derrotado por Hela, a deusa da morte, tem seu martelo destruído e é exilado em um planeta de gladiadores onde reencontra o Hulk. A eles se juntam o traiçoeiro Loki e a corajosa Walkiria em uma batalha decisiva. Apesar da ação inerente a essa mistura de duas narrativas diferentes das HQs Marvel (Ragnarok e Planeta Hulk) está impregnada com o humor típico do filme do Deadpool e com aquela trilha sonora pop que remete a “Guardiões da Galáxia”. Essa mistura promete atrair o público e preparar o terreno para a chegada de “Vingadores:Guerra Infinita” ano que vem. A participação de Ruffalo é menor em relação às pretensões de se aproveitar de um arco tão extenso quanto “Planeta Hulk”, mas a Marvel não pode fazer um filme solo do personagem, que está preso a um contrato com a Universal. O filme ainda tem a participação especial de Benedict Cumberbatch como Dr.Estranho, que auxiliará Thor a reencontrar Odin, desaparecido depois dos eventos de “Thor Mundo Sombrio”. A vilã de Cate Blanchett é o maior atrativo da história e funciona como uma excelente antagonista para Thor. Leiam a postagem especial acima que trará outras informações sobre o deus do trovão nas hqs originais.

MARK FELT – O HOMEM QUE DERRUBOU A CASA BRANCA

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(Mark Felt – The Man Who Brought Down the House) EUA 2017. Dir: Peter Landesman. Com Liam Neeson, Brian D’Arcy, Bruce Greenwood, Diane Lane, Josh Lucas. Biopic.

O roteirista e diretor Peter Landesman dramatiza a história do diretor do FBI que entrou para a história com a alcunha “Garganta Profunda”, o homem que tornou-se informante dos reporteres do Washington Post, sendo fundamental para a queda do ex presidente Nixon no historico Escândalo de Watergate. Filme voltado para os apreciadores de filmes biográficos. Em um momento de corrupção escandalosa em nosso próprio país é positivo assistir um episódio real que mostra como um país realmente democrático procede diante do abuso de poder.

O FORMIDÁVEL

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(Le Redoubtable) Fr. 2017. Dir: Michel Hazanavicius. Com Louis Garrel, Berenice Bejó, Stacy Martin, Biopic.

Adaptação do livro “Un An Aprés” de Anne Wiezemsky que faz um recorte na vida do cineasta francês Jean-Luc Goddard que durante as filmagens de “A Chinesa” (1967) apaixonou-se pela atriz de 17 anos Anne Wiezemsly, a autora do livro. O romance abala profundamente a vida de Goddard, um dos maiores nomes do cinema francês de sua geração. O filme é escrito e dirigido pelo cineasta parisiense Michel Hazanavicius que em 2011 conquistou o mundo e 5 Oscars com “O Artista”, onde também trabalhou com a atriz Berenice Bejó.

PELÉ – O NASCIMENTO DE UMA LENDA

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(Pelé – The Birth of a Legend) EUA 2017. Dir:Jeff Zimbalist & Michael Zimbalist. Com Rodrigo Santoro, Seu Jorge, Milton Nascimento,  Vincent D’Onofrio,  Felipe Simas, Diego Boneta. Biopic.

Já houve um documentário sobre o rei do futebol em 2004. Este filme biográfico estava inicialmente previsto para estrear na Copa do Mundo de 2014, mas só foi finalizado recentemente. A trajetória de Edson Arantes do Nascimento que de uma infância pobre tornou-se um dos jogadores de futebol mais famosos do mundo, tendo integrado a seleção que ganhou a Copa do Mundo de 1958