CLÁSSICO REVISITADO: 40 ANOS DE “STAR WARS EPISÓDIO IV : UMA NOVA ESPERANÇA”

            Há quarenta anos o mundo conheceu a saga da família Skywalker, e não foi em uma galáxia tão distante assim. Para mim, então com nove anos, foi na capa de uma revista da extinta Bloch Editores chamando a atenção para o filme que fora anunciado na TV com a imponente trilha sonora de John Williams. George Lucas tinha 33 anos quando “Star Wars – Episodio IV: Uma Nova Esperança” chegou aos cinemas, naquela época chamado de “Guerra Nas Estrelas”, alimentado pelos antigos seriados de “Flash Gordon” (o herói que enfrenta um imperador maléfico), pela estética dos filmes de samurais do renomado Akira Kurosawa (no filme “A fortaleza escondida”, uma princesa é escoltada por território hostil no Japão feudal) e os impressionantes quadrinhos de “Valerian e Laureline” de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, recentemente adaptados por Luc Besson.

STAR WARS IV

             Na época de sua realização, a ficção científica era considerada um sub-gênero cinematográfico, associado a filmes B não levados a sério. Lucas mudou isso a duras custas já que nenhum estúdio se interessou pelo projeto. Tendo convencido a 20th Century Fox a fazer um acordo que daria a Lucas os direitos, assim como a responsabilidade do prejuízo no caso de um eventual fracasso. A Força estava com Lucas, como mostrou o lucro estimado em mais de US$700 milhões e o papel que sua história desempenharia na cultura pop nos anos que se seguiram.

VADER 2

      Nos seis anos seguintes a trilogia encerrou o ciclo com “O Império Contra Ataca” (1981), considerado o melhor dos filmes, e “O Retorno de Jedi” (1983). São muitos os momentos registrados na memória dos fãs, como o momento em que Luke descobre quem é seu pai, os duelos dos sabres de luz ou o imenso cruzador imperial que parece sair da tela na abertura de “Uma Nova Esperança”.

           Sabe-se que os filmes dessa trilogia eram os episódios intermediários de uma história maior, que viria a ser produzida ao longo das décadas. O impacto da história foi expandido para além do cinema quando George Lucas permitiu que autores explorassem a história após os eventos de “O Retorno de Jedi” na forma de HQs e livros. Este universo expandido foi rebatizado de “Legends” (Lendas) quando a Disney comprou os direitos de Lucas, e guarda momentos apreciados por fãs como a trilogia “Herdeiros do Império”, escrita por Timothy Zahn, que mostra a Nova Republica enfrentando o Almirante Thrawn, um militar implacável , sem nenhuma conexão com a Força, que busca reconstruir o Império e esmagar as forças rebeldes.

landscape-1460734471-obi-wan-versus-vader

         “Guerras nas Estrelas” teve indicação para vários Oscars e ganhou sete – melhor direção de arte, melhor figurino, melhor som, melhores efeitos especiais, melhor edição, melhores efeitos sonoros e melhor trilha sonora. Seu elenco era então composto principalmente por desconhecidos, apesar de Carrie Fisher (Princesa Lea) ser filha da consagrada atriz Debbie Reynolds (Cantando na Chuva). As duas únicas exceções são Alec Guiness (1914-2000) , veterano ator que vinha de clássicos como “Lawrence da Arabia” (1962) e “Dr.Jivago” (1964) e Peter Cushing (1913 – 1994) que estrelou vários filmes de terror ao lado de Christopher Lee pela Hammer Films. O trio central formou-se em torno de Lea, Luke (Mark Hamil) e Han Solo (Harrison Ford), heróis de uma epopeia que ainda trazia os icônicos robôs R2D2 (Kenny Baker) e C3PO (Anthony Daniels), este último evocando a clássica imagem de Maria, a robô de “Metropolis” (1927) de Fritz Lang.

            Ná década em que o episódio IV foi originalmente lançado, o público estava acostumado aos filmes- catástrofe (Destino do PoseidonAeroportoInferno na Torre), filmes policiais (Dirty HarryOperação França) e recém-saído dos acordes assustadores do “Tubarão” de Speilberg. Lucas entregou um produto que atingiu em cheio as plateias mais jovens, que não eram o foco das produções cinematográficas da época. Desprovido de qualquer pretensão, o filme transbordou com puro escapismo e foi capaz de encantar – geração após geração – seduzidas pelo apelo irresistível da Força, da imagem hoje emblemática do vilão de negro, Darth Vader, classificado como o terceiro maior do cinema pelo AFI (perdendo apenas para Norman Bates (#2) e Hannibal Lecter (#1) em uma lista de 50 personagens escolhidos em julho de 2003).

STAR WARS iv 2

Ainda tenho na lembrança a primeira exibição do episodio IV na TV, no distante 11 de dezembro de 1983, pela já extinta Rede Manchete. Não havia sido retocado por George Lucas, que modificou cenas para o relançamento de 20 anos do filme, e depois nas sucessivas passagens para outras mídias (DVD, Blu-ray).

           Tampouco tínhamos imagens digitais a nossa disposição, mas marcou tanto quanto no dia de sua estreia nos cinemas brasileiros em janeiro de 1978. Minha geração revive essas emoções a cada reprise e comparecerá aos cinemas para se despedir de Lea no novo filme “Star Wars – Episodio IX:O Ultimo Jedi”. Mas a força sempre estará em  nossos corações.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s