GRANDE ESTREIA: SLENDERMAN PESADELO SEM ROSTO

(SLENDERMAN) EUA 2018. DIR: SYLVAIN WHITE. COM JOEY KING, ANNALISE BASSO, JAVIER BOTET, JULIA GOLDANI TELLES. TERROR.

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Nada a se admirar que algum produtor de Hollywood se interessaria em fazer um filme dessa lenda urbana criada na era digital. Um homem magro sem rosto aterrorizando jovens surgiu como um meme nas redes sociais e tornou-se uma histeria tão grande que  nos Estados Unidos, em 2014, duas adolescentes mataram uma colega dizendo que eram forçadas pelo Slenderman. Tudo começou em um concurso para criar imagens sobrenaturais, daí a origem do “Slenderman”. O pai da menina morta protestou contra o filme alegando que Hollywood estava tentando lucrar em cima de uma tragédia.

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No filme crianças e adolescentes de uma cidade pequena são perseguidas pelo assustador homem sem rosto. Para um dos principais papeis chamaram a simpática Joey King já conhecida do grande público por papeis em filmes como “Invocação do Mal” (2013), “Os Sete Desejos” (2017) e o popular filme da Netflix “A Barraca do Beijo” (2018). Sua personagem movimenta a trama, cria identificação com o público a medida que busca as respostas. Mas não há muito a fazer para o elenco já que o filme é todo feito a base de “jump scares”, que cumprem aquele papel imediato para disfarçar a frágil história criada com todos os clichês de outros exemplares do gênero.  A atriz e bailarina Julia Goldani Telles tem mãe brasileira, mas uma passagem nas telas bem rápida graças a um roteiro fraco e apoiado em soluções fáceis, nada memóravel.

 

 

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MEMORIAS DE UM CINÉFILO: A ERA DAS VIDEOLOCADORAS

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HÁ UMA SEMANA FOI DIVULGADO QUE DUAS LOJAS DA REDE BLOCKBUSTER FECHARAM AS PORTAS NOS ESTADOS UNIDOS, RESTANDO AGORA APENAS UMA NO ESTADO DO OREGON. SE PEGARMOS UMA MÁQUINA DO TEMPO E VOLTARMOS PARA 25 ANOS EXPERIMENTARÍAMOS UMA FORMA DIFERENTE DE ASSISTIR FILMES EM CASA LIVRES DAS RESTRITAS PROGRAMAÇÕES DE TV… ERAM AS LOCADORAS DE VÍDEO.

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LEMBRO NITIDAMENTE QUANDO COMPREI MEU PRIMEIRO VIDEOCASSETE, UM GRADIENTE COM DUAS CABEÇAS PARA REPRODUÇÃO. ERA O INÍCIO DOS ANOS 90 E O MAIOR PROGRAMÃO FAMÍLIA DA ÉPOCA ERA SE ASSOCIAR A UMA LOCADORA, CADA ESQUINA TINHA UMA. EU PRÓPRIO PERTENCIA A UMA QUATRO OU CINCO, CADA UMA CONTANDO COM SEU ACERVO. NOS FINAIS DE SEMANA, FAZÍAMOS UM PACOTE COM UMAS TRÊS OU QUATRO FITAS. ERA UM BARATO PEGAR AS CAPAS DAS FITAS, ALGUMAS DAS QUAIS BELÍSSIMAS COMO FOI A FITA VHS DE “JURASSIC PARK – PARQUE DOS DINOSSAUROS” COM UM CURIOSO LAYOUT PRÉ-HISTÓRICO.

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FOI UM ACHADO INESQUECÍVEL QUANDO AS LOCADORAS RECEBERAM A TRILOGIA ORIGINAL DE “STAR WARS” REMASTERIZADAS. FOI UMA MARATONA  ASSISTIR AOS EPISÓDIOS 4, 5 E 6 SEM INTERVALOS DE TV E COM AQUELA “QUALIDADE”!!!! LEMBRO QUE EU MAIS GOSTAVA ERA DESCOBRIR AQUELES FILMES QUE NÃO ERAM EXIBIDOS NA TV, ATÉ MESMO DESCONHECIDOS DO GRANDE PÚBLICO E POR ISSO MESMO FICAVAM DISPONÍVEIS NAS PRATELEIRAS. FOI ASSIM QUE ASSISTI PELA PRIMEIRA VEZ A EXCELENTE COMÉDIA “SHERLOCK & EU” (WITHOUT A CLUE) COM MICHAEL CAINE E BEN KINGSLEY. ALUGUEI A FITA EM UM DOS PACOTES DE CARNAVAL, TÍPICO NAQUELA ÉPOCA. PARA DIVERSIFICAR, MUITAS LOCADORAS TAMBÉM OFERECIAM JOGOS E CDS, ENFIM TINHAM DE TUDO, PARA TODOS OS GOSTOS.

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A CEREJA DO BOLO ERAM OS LANÇAMENTOS, QUE NAQUELA ÉPOCA TINHAM UMA JANELA BEM MAIOR. JANELA É O PERÍODO ENTRE A EXIBIÇÃO DO FILMES NAS SALAS DE PROJEÇÃO E SUA CONSEQUENTE EXPLORAÇÃO EM OUTRAS MÍDIAS. SIM, ACREDITE, EXISTIU UMA ÉPOCA SEM NETFLIX, SEM DOWNLOAD, SEM YOU TUBE. DO CINEMA, QUASE UM ANO DEPOIS VINHAM OS LANÇAMENTOS EM VHS PARA SÓ DEPOIS PASSAREM PARA A TV POR ASSINATURA, E ENFIM… A TV CONVENCIONAL. ERA UM INTERVALO BEM MAIOR COMPARADO A HOJE E A CHEGADA DE CERTOS FILMES NAS LOCADORAS ERAM UM VERDADEIRO EVENTO COMO NO CASO DE “TITANIC” DE JAMES CAMERON, “A LISTA DE SCHINDLER” DE STEVEN SPIELBERG, “FORREST GUMP” DE ROBERT ZEMECKIS ENTRE OUTROS TÍTULOS DISPUTADOS A TAPA NAS PRATELEIRAS.

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A PROPOSITO O PRIMEIRO FILME EM VHS QUE ALUGUEI FOI “007 CONTRA GOLDFINGER“. A LOCADORA TINHA TODOS OS FILMES DE CONNERY E MOORE E COMEÇEI ASSISTINDO AOS TÍTULOS QUE NUNCA HAVIA ASSISTIDO ANTES, ATÉ TINHAM PASSADO NA TV MAS EU TINHA PERDIDO OU NÃO LEMBRAVA DE TER VISTO. ALGUÉM LEMBRA O PRIMEIRO FILME QUE ALUGOU ?? FORAM BONS TEMPOS SEM DÚVIDA, PRINCIPALMENTE PORQUE COMEÇEI A GRAVAR FILMES NA TV. LOGO VIERAM OS APARELHOS DE VIDEOCASSETE DE QUATRO E SEIS CABEÇAS E O INÍCIO DE UMA COLEÇÃO QUE TIVE QUE CHEGOU A 800 FITAS. NÃO DEMOROU MUITO PARA VIREM OS DVDS E BLU RAYS. MAS AÍ GRADATIVAMENTE A INTERNET FOI SURGINDO COMO OPÇÃO E AS LOCADORAS FORAM PERDENDO A FORÇA, MAS AINDA ASSIM MARCARAM SUA ÉPOCA COMO UM HÁBITO DE TRAZER O CINEMA EM CASA COM UM GOSTO PRÓPRIO, QUEM VIVEU VIU.

 

GRANDE ESTREIA : O PROTETOR 2

(THE EQUALIZER 2) EUA 2018. DIR: ANTOINE FUQUA. COM DENZEL WASHINGTON, MELISSA LEO, BILL PULLMAN, PEDRO PASCAL. AÇÃO.

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Não lembro de ter assistido à série de Tv (1985 – 1989) na qual esse filme se baseia. Na verdade isso não faz falta, pois o que importa aqui é a hábil maneira de conduzir a ação do diretor e seu astro Denzel Washington (ambos juntos pela quarta vez). É a primeira sequência dirigida por Fuqua que sabe como explorar habilmente os clichês do gênero para produzir uma narrativa envolvente. Beneficiado claro pela presença de Denzel Washington, também estrelando sua primeira sequência, um ator de amplos recursos, sempre equilibrado nos papéis que defende. Denzel é Robert McCall, o ex agente da CIA que agora defende a causa dos desamparados. McCall está envolvido em uma missão mais pessoal, o assassinato de uma grande amiga (Leo). O primeiro filme, de 2014, foi uma grata surpresa custando em torno de 55 milhões de dolares e rendendo nas bilheterias mundiais três vezes mais. Essa credibilidade do astro e diretor são fundamentais para garantir a apreciação desse segundo filme que comete seus deslizes narrativos. Sem entregar spoilers, pode-se garantir que nada compromete o prazer de assistir ao filme e, claro, a forte possibilidade de que tenhamos um terceiro capítulo em breve.

 

GRANDE ESTREIA: CHRISTOPHER ROBIN UM REENCONTRO INESQUECÍVEL

(CHRISTOPHER ROBIN) EUA 2018. DIR: MARC FORSTER. COM EWAN MACGREGOR, HAYLEY ATWELL, MARK GATISS. DRAMA/FANTASIA.

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TODOS CONHECEM A HISTÓRIA DE WINNIE THE POOH (NA MINHA INFÂNCIA ERA SÓ URSINHO PUFF) E UMA TURMA DE AMIGOS IMAGINÁRIOS SAÍDAS DA MENTE DE CHRISTOPHER ROBIN, O PERSONAGEM QUE TAMBÉM É O NOME DO FILHO DO AUTOR BRITÂNICO A.A. MILNER. ESTE CRIOU TUDO A PARTIR DA FÉRTIL IMAGINAÇÃO DE SEU FILHO COM SEUS BRINQUEDOS. A DISNEY, DONA DOS DIREITOS DOS PERSONAGENS DECIDIU SEGUIR A MESMA FORMULA DE “HOOK – A VOLTA DO CAPITÃO GANCHO”, OU SEJA, A CRIANÇA CRESCEU E ESQUECEU A MAGIA DE TEMPOS MAIS INOCENTES. HOJE UM EXECUTIVO CHEIO DE PROBLEMAS DO MUNDO ADULTO, ELE REENCONTRA TODA A TURMA QUE O AJUDARÁ A REVIVER O MENINO DENTRO DO HOMEM, A GRAÇA DA VIDA E UM DOCE LEMBRANÇA DE QUE SEMPRE DEVEMOS CULTIVAR A CRIANÇA INTERIOR. POR ISSO, O FILME FUNCIONA BEM PARA CRIANÇAS E PAIS.

GRANDE ESTREIA : MEGATUBARÃO

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THE MEG. EUA 2018. DIR: JOHN TURTELTAUB. COM JASON STATHAM, BINGBING LI, MASI OKA, RUBY ROSE. SUSPENSE/AVENTURA.

Sejamos sinceros já foram incontáveis filmes de tubarão (Vide matéria abaixo) e o melhor continua sendo o filme de 1974 de Steven Spielberg. Em meio a coisas rídiculas como “Sharknado” tivemos boas tentativas como “Águas Rasas” e “Medo Profundo” recentemente. O filme de Jon Turteltaub (A Lenda do Tesouro Perdido) não foge aos clichês, mas se rende a eles. Não digo como demérito mas como apreciação da diversão pretendida.

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Claro que o livro de Steven Alten, publicado em Julho de 1997, tem muitos méritos e conseguiu se destacar entre a vasta literatura do gênero, apesar de liberdades poéticas como mostrar dinossauros co-existindo com o megalodonte, pertencentes a períodos pré históricos bem distintos.  Se Hollywood vai filmar os outros 7 livros restantes é preciso esperar pelo resultado da bilheteria. O famigerado site “Rotten Tomatoes” deu 50% de aprovação mostrando uma crítica dividida.

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Jason Statham faz o papel do herói destemido, o biólogo e mergulhador profissional Jonas Taylor, que ajudar um grupo a caçar o tubarão pre-histórico (de 30 metros) encontrado nas fossas Marianas, uma das maiores fenda submarinas, ainda inexplorada na vida real. Sim, há um embasamento cientifico para a história do filme, mas apenas superficial pois estamos diante de um filme de aventura e ação. Momentos de humor aliviam a trama, mas esta falha em criar a mesma tensão que o clássico de Spielberg apesar de obvias homenagens a este. O projeto levou 20 anos para se concretizar e nos traz uma boa diversão para o fim de semana.

TUBARÕES NO CINEMA

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SPIELBERG NA BOCA DE BRUCE

                   O cinema nunca se cansa de mostrar filmes sobre tubarões. Não importa o quanto os biólogos tentem defendê-lo, o cinema cuidou de explorar bem o medo inconsciente que temos desse predador que vive há aproximadamente 400 milhões de anos em nossos mares. Nas telas ele protagoniza praticamente um sub- gênero do típico filme de monstro, o que mostra o quanto o público está disposto a ver pessoas sendo devoradas por esse vilão marinho.

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BRUCE ENFRENTA ROY SCHEIDER

                 Mesmo que mais de 200 espécies de tubarão estejam sob o risco de extinção, de acordo com a “International Shark Foundation”, eles estão no topo da cadeia alimentar e nós estamos no topo do cardápio. Assim o cinema e a Tv fizeram tudo para vilanizá-lo mostrando tubarões gigantes, tubarões inteligentes e tubarões vingativos. Peter Benchley enriqueceu com o livro “Tubarão” (Jaws), a história de um grande branco que ataca as praias da fictícia Amity, ilha na costa leste dos Estados Unidos. Adaptado ao cinema, este tornou o nome de Steven Spielberg mundialmente conhecido, abocanhando as bilheterias e inaugurando para uma geração o conceito de blockbuster de verão. Seu filme seguiu a cartilha hithcockiana de mostrar pouco e sugerir muito, estimulando a imaginação com o tema de duas notas de John Williams. Foi uma forma criativa de disfarçar as deficiências técnicas de Bruce, o tubarão mecânico batizado pelo diretor com o nome de seu advogado, um monstro sorrateiro que não faz concessões, movido por uma fome insaciável: O peixe ou o advogado ?! Ainda mais voraz é a fome de lucro dos produtores que realizaram mais 3 sequências, nenhuma das quais dirigidas por Spielberg: “Tubarão 2” (1978) repetiu Roy Scheider a contragosto no papel do Chefe Brody; “Tubarão 3” (1983) em 3D que acentua ainda mais suas deficiências, e “Tubarão IV – A Vingança” (1987) que trouxe de volta Lorraine Gary, do elenco original, quando  o tema já estava desgastado. O único desses que consegue trazer alguma informação respeitosa é o filme de 1978 quando o Chefe Brody comenta que os Tubarões seguem sensorialmente os impulsos elétricos dos corpos em movimento na água. Entre todos o filme de Spielberg se mantém superior a todos, uma envolvente história ainda capaz de mexer com o público.

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BRUCE SEM A MAGIA DA CÂMERA DE SPIELBERG

               Até lá, no entanto, claro que outros estúdios invadiram essa praia e investiram em filmes B. Em 1976 “Mako – O Tubarão Assassino” (Mako – The Jaws of Death) mostrava um homem com o poder de se comunicar com um tubarão dessa espécie hoje ameaçada pela caça predatória. Outro caso curioso é a co-produção anglo-mexicana “Tintorera” (1977) baseado no livro do oceanógrafo Ramón Bravo. O nome de origem espanhola se refere ao tubarão-tigre, que despertou o interesse de Bravo que observou como estes peixes ficam em estado adormecido no fundo do mar em “Isla Mujeres” no Caribe. O ataque da referida espécie é secundário, já que o filme dirigido por Rene Cardona Jr está mais para uma aventura erótica destacando os corpos curvilíneos das atrizes Susan George e Fiona Lewis. Na época, o filme foi bem popular aqui no Brasil, além de ter se tornado parte da coleção particular do renomado Quentin Tarantino que o exibiu no 8ª Festival Internacional de Filmes de Morella, no México.

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Tintorera

             Outra pérola que nadou por essas águas foi o italiano Enzo Castellari em “O Último Tubarão” (L’Ultimo Squalo) de 1981. Este não se preocupou em disfarçar o plágio em cima do filme de Spielberg. O ator James Francisco interpreta um personagem chamado de Peter Benton (semelhança com Benchley não é mera coincidência), o mesmo papel de Roy Scheider, da mesma maneira que Vic Morrow faz o experiente pescador tal qual Quint (Robert Shaw) no filme de 1975. Todos os momentos icônicos do filme original são absurdamente imitados, até a maneira como o peixe é morto. Com isso tudo, o filme de Castellari foi proibido de ser exibido nos Estados Unidos, embora possa ser facilmente encontrado no You Tube ou à venda pela Amazon. Diferente do filme de Spielberg, o filme de Castellari é, no mínimo, risível usando um tubarão mecânico ainda mais tosco que Bruce. Dando um sabor brasileiro, ainda tivemos uma paródia brasileira: “Bacalhau”, de 1975, dirigida por Adriano Stuart e estrelado por Helio Souto e Mauricio do Vale. Essa pérola de nossa cinematografia mostra uma cidade no litoral paulista atacada pelo peixe do título. O bacalhau usado nas filmagens ainda traz a marca “Made in Ribeirão Preto”.Surpreendentemente foi um dos filmes brasileiros de maior bilheteria em 1976.

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NOSSA VERSÃO BRASILEIRA

            Na segunda metade da década de 70 ainda tivemos variações no tema “monstros aquáticos” enfurecidos. A mais notável é a paródia assumida de Joe Dante “Piranha” (1978) que ganhou duas refilmagens: uma em 1995 e outra em 2010. Ainda tivermos a baleia azul de “Orca – A Baleia Assassina” (Orca The Killing Whale) de 1977 e o polvo gigante da produção italiana “Tentáculos” (Tentacoli) no mesmo ano. Quando já se pensava que o mar seria seguro, os produtores arranjavam um jeito de atrair o público, mas o efeito final está mais para o ridículo. Em tempos mais recentes tivemos tubarões inteligentes (Deep Blue Sea), habitantes das areias (Sand Shark) fora as inusitadas versões de TV que constantemente aparecem na telinha como “Tubarão Fantasma” (Ghost Shark) ou “Sharkanado” e suas inacreditáveis sequências, todas realizadas pelo sci-fi channel.

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O ÚLTIMO TUBARÃO

            Quando a pergunta é se ainda há espaço para alguma produção respeitosa sobre esses animais, merece menção o caso de “Águas Rasas” (The Shallows) de 2016, que tornou-se uma grande sucesso de bilheteria. O filme de Jaume-Collet Serra serviu como “Tubarão” de uma nova geração, trocando o modelo mecânico pela computação gráfica. Eficiente suspense com sua abordagem psicológica, o filme mostrou um fato no mínimo questionável quando a personagem de Blake Lively nada no meio de águas-vivas sugerindo que o tubarão branco teria medo destas mesmo tendo uma pele extremamente grossa. Ainda tivemos ano passado “Medo Profundo” (47 Meters Down) onde duas irmãs ficam presas em uma gaiola no fundo do mar em águas infestadas de tubarões. Fala-se até de uma provável sequência a ser filmada no Brasil, e agora o “MegaTubarão” (The Meg) com Jason Statham.

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ÁGUAS RASAS

           Feras desalmadas, devoradores, ou animais vulneráveis, mal-compreendidos, vítimas da má-propaganda de Hollywood, não importa pois as pessoas parecem não perder o interesse por eles sendo notável o acesso às mídias digitais que perpetuam filmagens e relatos de ataques. Certamente virão mais filmes já que o filão constantemente se renova com o público. Admito ainda assim, eu nunca consigo ir à praia e entrar na água sem que em minha mente eu ouça aqueles os tensos acordes daquelas notas. Tudo culpa de John Williams, Peter Benchley e Steven Spielberg. Boa diversão e bom apetite !

GRANDE ESTREIA : MAMMA MIA – LÁ VAMOS NÓS DE NOVO

Mamma Mia – Here we go again. EUA 2018. Dir: Oil Parker. Com Amanda Seyfried, Meryl Streap, Lily James, Dominic Cooper, Pierce Brosnan, Stellan Skarsgard, Colin Firth, Cher, Andy Garcia, Christine Baranski, Julie Walters. Musical.

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Há dez anos o cinema balançou ao som das canções do Abba, grupo sueco que dominou o mundo pop na década de 70. Suas melodiosas canções já haviam sido reunidas em um musical da Broadway, então por que não levá-las ao cinema ? O resultado foi um sucesso arrebatador de público e crítica que impressionou também pela versatilidade com a qual a estrela Meryl Streap cantava e encantava sucessos como “Dancing Queen”, “The Winner Takes it All” e “S.O.S” entre outras, divididas com os demais membros do elenco incluindo o ex 007 Pierce Brosnan e a igualmente talentosa Amanda Seyfried como Sophie, a obstinada jovem que convida seus três possíveis pais para seu casamento. Tudo isso tendo como cenário as belas paisagens da Grécia.

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CHER & ANDY GARCIA: ALGO NO AR

Claro que não demoraria para que uma sequência fosse realizada, embora pareça tardio o lançamento do filme. Há novas canções do imenso repertório do Abba, assim como repetições no momento em que Sophie (Seyfried) retorna para o lugar em que foi criada cinco anos depois que Donna (Streap) falecera. Grávida, Sophie descobre histórias do passado de sua mãe, de como ela conheceu Sam, Bill & Harry. A novidade está nas passagens de tempo entre o presente e o passado e a chegada de Cher como a mãe de Donna.  É nas incursões do passado que Lily James (Cinderella, O Destino de Uma Nação)  brilha como a jovem Donna trazendo charme e mostrando talento para se conectar com uma personagem já marcada pela diva Meryl Streap. Lily consegue convencer, consegue encantar e mostrar como suas escolhas e atitudes levarão aos eventos do primeiro filme. À presença hipnótica de Cher adiciona-se o sempre ótimo Andy Garcia, o Fernando da clássica canção do Abba, papel para o qual foi escolhido pela própria Cher.

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LILY JAMES – DONNA JOVEM

Infelizmente os roteiristas tomaram uma decisão lamentável, para os fâs do primeiro filme. Meryl aparece pouquíssimo, praticamente em lembranças já que Donna está morta quando o filme começa. Nem mesmo contracena com Cher, que faz sua mãe. Ambas já são amigas de longa data e trabalharam juntas em 1983 no filme “Silkwood – Retrato de uma Coragem”. Ainda que a morte de sua personagem sirva para o desenvolvimento da narrativa, não há como não lamentar sua ausência. Ainda assim vale a pena assistir e se deixar por canções belíssimas, personagens marcantes e uma história, que não há de se surpreender, pode gerar no futuro um terceiro filme. Mamma Mia !!!!!