OS MELHORES & OS PIORES DE 2018 NO CINEMA

OS PIORES DO ANO 2018

1- UMA DOBRA NO TEMPO. SEM DUVIDA O PIOR FILME DO ANO. CHEGA A SER CONSTRANGEDOR VER BONS ATORES COMO REESE WINTHERSPOON E OPRAH WINFREY EM UMA HISTÓRIA EM QUE NADA FUNCIONA. SIMPLESMENTE NUNCA SE CONECTA COM O PÚBLICO ALVO NEM CONSEGUE IMPRIMIR AQUELE TOM CAPAZ DE FAZER OS ADULTOS EMBARCAREM EM UMA FÁBULA E QUERER VOLTAR A SER CRIANÇA.

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2- TOMB RAIDER -A ORIGEM. SE PROPÕE A SER UM REBOOT MAS NÃO CONVENCE, NÃO INFLAMA E NÃO AJUDA O FATO DE QUE ALICIA VIKANDER NÃO AGRADA. NÃO É POR COMPARAÇÃO COM ANGELINA JOLIE, MAS PORQUE O ROTEIRO NÃO AJUDA A FAZER LARA CROFT UMA PERSONAGEM INTERESSANTE.

3- SOBRENATURAL 3 – A ÚLTIMA CHAVE. PODERIA SER UMA BOA IDEIA UM TERCEIRO FILME QUE VOLTASSE AO PASSADO DA PROTAGONISTA MAS TUDO QUE O FILME MOSTRA É MAIS DO MESMO E AS SITUAÇÕES NÃO DEIXAM AQUELA ATMOSFERA ASSUSTADORA. É TUDO PRETENSO MAS JAMAIS ALCANÇADO ATÉ O FINAL.

4- A MALDIÇÃO DA CASA WINCHESTER. HELEN MIRREN É EXCELENTE ATRIZ MAS SEU TALENTO É JOGADO FORA EM UMA HISTÓRIA RECHEADA DE CLICHÊS ONDE NÃO UM UNICO MOMENTO QUE NÃO SEJA PREVISIVEL. O PIOR PARA UM FILME DE TERROR É NÃO CONSEGUIR DAR UM SUSTO. LAMENTÁVEL PARA UMA CONHECIDA HISTÓRIA ADAPTADA DE UM CASO REAL.

5 -HAN SOLO – UMA HISTORIA DE STAR WARS. SOU MUITO FÃ DA SAGA MAS O FILME DEU SONO. A TRAMA É FRACA DEMAIS QUANDO DEVERIA DE SERVIR PARA FAZER DE “HAN SOLO JOVEM” UMA FRANQUIA PARALELA. A TROCA DE DIREÇÃO PODE TER PREJUDICADO O RESULTADO FINAL, MAS CREIO QUE A OVERDOSE DE UM FILME DE STAR WARS POR ANO, CONFORME PRETENDIDA PELA DISNEY, CANSA QUALQUER PÚBLICO E NÃO DÁ MANTER A QUALIDADE NOS ROTEIROS.

OS MELHORES DO ANO 2018

1- A FORMA DA ÁGUA. GUILHERMO DEL TORO CONSEGUE EQUILIBRAR COM PERFEIÇÃO HUMOR, DRAMA, MUSICAL E FICÇÃO CIENTIFICA SEM JAMAIS PERDER O OBJETIVO DE CONTAR UMA HISTÓRIA APARENTEMENTE ESQUISITA, MAS JÁ MOSTRADA EM VÁRIOS FILMES DE MONSTRO, FAZENDO DO SER HUMANO O VERDADEIRO MONSTRO, INVERTENDO PAPEIS COMUNS AO GÊNERO E SOBRETUDO EMOCIONANDO, ENVOLVENDO O PUBLICO COMO POUCOS CONSEGUEM.

2- AQUAMAN. GRATA SURPRESA QUE FAZ A AVENTURA DE UM HEROI QUE DURANTE MUITO TEMPO FOI RIDICULARIZADO, RELEGADO A TERCEIRO PLANO NO PANTEÃO DOS SUPER HERÓIS DA DC COMICS. O FILME DE JAMES WAN É  MOVIMENTADO E ENGRAÇADO NA MEDIDA CERTA, É ÉPICO E INSTIGANTE COMO JULES VERNE E SUAS 20000 LÉGUAS CLASSICAS.

3- UM LUGAR SILENCIOSO. INVENTIVO E ASSUSTADOR COMO POUCOS FILMES DO GÊNERO CONSEGUEM SER. JAMAIS ESBARRA NO MONÓTONO APESAR DE UMA PREMISSA EM QUE O SILENCIO ANGUSTIANTE ATRAVESSA O TEMPO TODO A HISTÓRIA E FAZ O ÓTIMO ELENCO ATUAR COM OLHARES E GESTOS SEM JAMAIS CAIR NO CARICATO OU EXAGERADO.

4-PANTERA NEGRA. CONSEGUE O MESMO MÉRITO DE “CAPITÃO AMERICA SOLDADO INVERNAL”, OU SEJA, FAZER UM FILME DE SUPER HEROI QUE FOGE AO LUGAR COMUM. FALA DE POLITICA, DE QUESTÕES SOCIAIS, DE TRADIÇÃO E SOBRETUDO MOSTRA RIQUEZA CULTURAL NAS QUESTÕES ENVOLVENDO O REINO DE WAKANDA E O MUNDO EXTERNO.

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5-NASCE UMA ESTRELA. BRADLEY COOPER E LADY GAGA RESGATARAM O LADO HUMANO, EMOTIVO, ROMÂNTICO QUE O CINEMA PERDEU AO LONGO DAS DÉCADAS. É PUNGENTE E CATARTICO O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E DESCONSTRUÇÃO QUE O CASAL DE PROTAGONISTA PASSA. TOCA QUALQUER UM E UM DESEMPENHO DE AMBOS OS ATORES DIGNOS DE QUALQUER PREMIAÇÃO.

 

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GRANDE ESTREIA: O RETORNO DE MARY POPPINS

MARY POPPINS RETURNS. EUA 2018. DIR: ROB MARSHALL. COM EMILY BLUNT, COLIN FIRTH, MERYL STREAP, JULIE WALTERS, EMILY MORTIMER, DAVID WARNER, ANGELA LANSBURY, BEN WHISHAW, DICK VAN DYKE.

POPPINSA DISNEY TEM SE EMPENHADO EM REVISITAR SEUS CLÁSSICOS, SEJA REALIZANDO VERSÕES EM LIVE ACTION DE SUAS ANIMAÇÕES, SEJA REVITALIZANDO UM DE SEUS MAIORES ÍCONES COMO A PERSONAGEM DE P.L.TRAVERS, A BABÁ MÁGICA MARY POPPINS, UM ANJO QUE EM 1964 SALVOU A FAMILIA DE GEORGE BANKS (DAVID TOMLINSON).

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MAIS DE 50 ANOS DEPOIS, A DISNEY TRAZ E EXCELENTE EMILY BLUNT COMO A MARY POPPINS DE UMA NOVA GERAÇÃO. ESCOLHA ACERTADA PARA O PAPEL, BLUNT TEM TALENTO E LUZ PRÓPRIA PARA FAZER A BABÁ CONQUISTAR O PÚBLICO DE HOJE, ASSIM COMO JULIE ANDREWS FEZ DÉCADAS ATRÁS. A HISTÓRIA DO NOVO FILME SE PASSA POUCAS DÉCADAS DEPOIS DO PRIMEIRO FILME E O ANJO POPPINS RESSURGE PARA AJUDAR MICHAEL BANKS (O FILHO DE GEORGE), QUE HOJE ATRAVESSA DIFICULDADES COM SUA PRÓPRIA PROLE.

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O DIRETOR ROB MARSHALL, QUE ALCANÇOU RECONHECIMENTO COM O MUSICAL “CHICAGO” (2002) E REALIZOU MAIS RECENTEMENTE “OS CAMINHOS DA FLORESTA” (2014) REUNIU UM EXCELENTE ELENCO DE APOIO QUE INCLUI COLIN FIRTH (HARRY EM “KINGSMAN”) , MERYL STREAP, JULIE WATERS (DE “MAMMA MIA”), EMILY MORTIMER (DE “A PANTERA COR DE ROSA”) E BEN WHISHAW (O Q DE “007 CONTRA SPECTRE”); ALÉM DE DAR ESPAÇO PARA OS VETERANOS DAVID WARNER (DE “TITANIC”) ANGELA LANSBURY (DE “A BELA & A FERA”) E DICK VAN DYKE (O CECIL DE “UMA NOITE NO MUSEU”). ESTES DOIS ÚLTIMOS NONAGENÁRIOS SÃO LENDAS VIVAS DO CINEMA. DYKE TAMBÉM FEZ PARTE DO ELENCO DO MARY POPPINS ORIGINAL EM PAPEL DUPLO, COMO O LIMPADOR DE CHAMINÉS BERT E O BANQUEIRO SR.DAWES., SENDO AGORA O INTÉRPRETE DO SR.DAWES JR. PARA QUEM LEMBRA DE DICK VAN DYKE DANÇANDO COM JULIE ANDREWS E PINGUINS EM ANIMAÇÃO 2D SE ENCANTARÁ COM SUA PASSAGEM PELO NOVO FILME QUE SE JUSTIFICA MUITO MAIS QUE UMA MERA HOMENAGEM OU APARIÇÃO CAMEO.

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PARA QUEM ASSISTIU “WALT DISNEY NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS” (2014) LEMBRARÁ QUE A AUTORA INGLESA TEVE VÁRIOS DESACORDOS COM DISNEY NA REALIZAÇÃO DA ADAPTAÇÃO DE SEU LIVRO QUE PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ EM 1934. TRAVERS ESCREVEU AO TODO 8 LIVROS COM POPPINS ENTRE 1934 E 1988. CURIOSAMENTE TANTO JULIE ANDREWS EM 1964 COMO EMILY BLUNT AGORA ESTAVAM GRÁVIDAS QUANDO CONVIDADOS PARA O PAPEL, E EM AMBOS OS CASOS A DISNEY TEVE QUE REPLANEJAR AS FILMAGENS PARA ESPERAR POR SUA ESTRELA. O FILME JÁ FOI INDICADO PARA O GLOBO DE OURO 2019 EM 4 INDICAÇÕES, INCLUINDO MELHOR ATRIZ PARA EMILY BLUNT, E AGUARDA-SE QUE A ACADEMIA DE HOLLYWOOD FAÇA A MESMA HONRARIA PARA O OSCAR DO PRÓXIMO ANO.

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O ENCANTO DE MARY POPPINS É NOS FAZER SENTIR CRIANÇAS DE NOVO, ESQUECER OS OBSTÁCULOS QUE A VIDA IMPÕE E LEMBRAR QUE A FAMILIA AINDA É A COISA MAIS IMPORTANTE DO MUNDO, ASSIM COMO O AMOR !!

NETFLIX 2018: A PRINCESA & A PLEBEIA

(THE PRINCESS SWITCH) EUA 2018. DIR:MIKE ROAH. COM VANESSA HUDGENS, SAM PALLADIO, NICK SAGAR, ALEXA ADEOSUN.

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É AGRADAVEL ASSISTIR A UM FILME CUJA UNICA PRETENSÃO É SER DIVERTIDO PARA UMA FAMÍLIA SE REUNIR EM VOLTA DA TV. FOI COM ESSE ESPÍRITO QUE ASSISTI A “A PRINCESA E A PLEBEIA”  SOBRE UMA SIMPLES CONFEITEIRA DE BOLO QUE EM VIAGEM PARA UM CONCURSO EM PAÍS FICTÍCIO DA EUROPA CONHECE UMA DUQUESA QUE É SUA SÓSIA PERFEITA. A TROCA DE IDENTIDADES E DE ESTILOS DE VIDA GERA UMA SÉRIE DE SITUAÇÕES DIVERTIDAS, TODAS LEVEMENTE INSPIRADAS NO LIVRO CLÁSSICO “O PRÍNCIPE E O MENDIGO” (THE PRINCE & THE PAUPER) DE MARK TWAIN LANÇADO EM 1882. 

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O FILME DE MIKE ROAH É UM TRADICIONAL LANÇAMENTO NATALINO DA NETFLIX E TRAZ AQUELE GOSTO AGRADAVEL DE FIM DE ANO. VANESSA HUDGENS, NO PAPEL DUPLO DE STACY DENOVO E LADY MARGARETH NÃO IMPRESSIONA, MAS TAMBÉM NÃO FAZ FEIO, CONSEGUINDO ENTREGAR UMA ATUAÇÃO AO MENOS EQUILIBRADA ENTRE O ESTILO SOFISTICADA DE UMA E O DESASTROSO MAS BEM INTENCIONADO DA SUA DUPLA PLEBEIA. NO MOMENTO EM QUE AMBAS SE MISTURAM AOS NOSSOS OLHOS VANESSA FICA PERDIDA NO TOM DE CADA UMA QUANDO ESTAS TEM QUE DISFARÇAR SUAS VERDADEIRAS IDENTIDADES. NO FINAL, QUANDO AMBAS SÃO SÃO REVELADOS AO OLHOS DE TODOS, PERCEBE-SE AINDA ASSIM O MESMO MAS NADA QUE COMPROMETA A DIVERSÃO EM SI. VANESSA AINDA PRECISA ENCONTRAR UM PAPEL QUE FAÇA TODOS ESQUECEREM DA DOCE GABRIELLE DE “HIGH SCHOOL MUSICAL” PARA QUE SUA CARREIRA POSSA ALCANÇAR VÔOS MAIS ALTOS.

COMO REFERÊNCIA, NA CENA EM QUE QUE KEVIN () E STACY/LADY MARGARTH (HUDGENS) ESCOLHEM UM FILME PARA ASSISTIR, AMBOS SELECIONAM “O PRINCIPE DO NATAL” (THE CHRISTMAS PRINCE) LANÇADO PELA NETFLIX EM 2017. A CANÇÃO DA SEQUÊNCIA DE ABERTURA DO FILME TEM A VOZ DE SAM PALLADIO, O ATOR QUE INTERPRETA O PRÍNCIPE EDWARD. FILME DIVERTIDO E COM GOSTO DE PANETONNE. 

ESTREIAS DA SEMANA

13 DE DEZEMBRO DE 2018

AQUAMAN

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(AQUAMAN) EUA 2018. DIR: JAMES WAN. COM JASON MOMOA, AMBER HEARD, PATRICK WILSON, WILLIAM DAFOE, DOLPH LUNDGREN, YAHYA ABDUL-MATEEN II. AVENTURA.

Quem diria que um personagem tratado como secundário no panteão de heróis da DC Comics, ridicularizado em vinhetas do Cartoon Network, poderia render um filme tão bom. Levando-se em conta os insucessos recorrentes da DC/Warner, temos um filme de super heroi que consegue captar o melhor que o personagem criado por Paul Norris tem a oferecer concentrado em pouco mais de duas horas de filme. Sim, o filme é longo mas consegue equilibrar ação e humor, embora não fuja aos clichês do filme de origem, esta contada em flashbacks, a medida que o excelente James Wan explora a cultura Atlante com sua câmera inventiva.

Jason Momoa já havia demonstrado estar à altura de seu Arthur Curry de postura marrenta e irônica, propositalmente usada para fugir da imagem de “superamigo” que o personagem por muito tempo carregou. O roteiro capta o melhor que foi feito com o personagem em fases bem distintas das hqs originais: Peter David nos anos 90 e Geoff Johns/Ivan Reis no periodo dos novos 52.

Dada a bilheteria milionária na China, a passagem do filme a nível internacional está garantida. Espera-se que a bilheteria doméstica (nos Estados Unidos) também acompanhe o ritmo vindo não apenas uma sequência (anunciada em sequência pós créditos) como também outros filmes do rico universo da editora. Sexto filme do universo cinemático da Dc e único lançado esse ano, “Aquaman” consegue mostrar a que veio, respeita suas origens quadrinhística e cria um espetáculo que se não é perfeito ao menos torna-se uma divertida passagem pelos cinemas.

COLETTE

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(COLETTE) EUA 2018. DIR: WASH WESTMORELAND. COM KEIRA KNIGHTLY, DOMINIC WEST, FIONA SHAW, ELEANOR TOMLINSON. BIOPIC.

Biografia da escritora francesa Sidone Gabrielle Colette (1873-1954) autora de “Gigi” (vivida por Leslie Caron no filme homônimo de 1958) . Á frente de sua própria época, Colette foi uma rebelde que desafiou as convenções de sua própria época, foi explorada por um marido cafajeste que roubou suas obras, viveu amores com homens e mulheres mas se sagrou uma das maiores autoras francesas do século XX. O filme foca em seus percalços, vitórias e decepções apoiado na caracterização da inglesa Keira Knightly (Elizabeth Swam de “Piratas do Caribe”) no papel da protagonista, que já teve um filme biográfico em 1991.

 

BICENTENARIO DE FRANKENSTEIN

       IMPACTO INDELÉVEL DA OBRA DE MARY SHELLEY NAS MIDIAS E NA ARTE.

  Algumas obras literárias ultrapassam todas as barreiras de espaço e tempo além de inspirar um misto de horror e fascínio no imaginário popular. Uma autora grafou seu nome na eternidade com a mesma ousadia do personagem cujo nome ostenta o título de um dos maiores clássicos da literatura que, duzentos anos depois de sua publicação, ainda nos assombra. A criatura … Frankenstein, a criadora… Mary Shelley… este legado é nosso.

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BORIS KARLOFF: A CARACTERIZAÇÃO DEFINITIVA

 

A CIÊNCIA FRANKENSTEINIANA

          A história nasceu em uma noite de tempestade, depois de uma sugestão do poeta britânico Lord Byron (1788 – 1824), que passava um final de semana junto com o casal Percy & Mary Shelley em uma casa em Genebra, Suiça. Byron sugeriu que cada um escrevesse um conto sobrenatural para passar o tempo. Na mente de Mary povoavam ideias sobre reanimação dos mortos, inflamadas por calorosas discussões ocorridas na casa em que morava com seu pai, William Goodwin, filósofo, escritor e jornalista, que constantemente se reunia com a nata da intelectualidade de sua época.

           Era maio de 1816, e o termo cientista ainda nem existia, quando Frankenstein nasceu na imaginação de Mary Shelley, que revisitou o mito grego de Pigmalião, o escultor que dá vida à estátua de uma bela mulher. Assim, Victor Frankenstein mostra um poder similar vindo de uma ciência hipotética, identificada com as teorias galvanistas que estudavam como uma corrente elétrica se propaga em um corpo. O próprio Dr. Luigi Galvani a chamava de “eletricidade animal” pois acreditava que esta viesse dos corpos. Em 1803, em Londres, Giovanni Aldini (sobrinho de Galvani) realizou experiência similar na prisão londrina de Newgate, com o corpo de George Foster, um notório criminoso que havia sido executado. Mais tarde Alessandro Volta empregou dois arcos de metal para gerar eletricidade e mostrou que o corpo era apenas um condutor e não o gerador da eletricidade.

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CHRISTOPHER LEE : FRANKENSTEIN PELA HAMMER FILMS

A FILOSOFIA DE FRANKENSTEIN

             Mary não entrou em detalhes e imbuiu sua narrativa de divagações filosóficas sobre a vida e a morte. A autora trabalha com o arquétipo do homem da ciência que questiona a natureza com seu intelecto desprovido do freio da moralidade. A história se tornou um precursor da literatura de ficção-científica, muitas décadas à frente de Jules Verne e H.G.Wells, os pais do gênero.

            A história de Mary recebeu o subtítulo “O Moderno Prometeu” , referência ao titã da mitologia grega que roubou o fogo de Héstia para dá-lo aos homens. Como punição Zeus o acorrentou ao cume do monte Cáucaso, onde todos os dias uma ave (águia em algumas versões e corvo em outras) devorava seu fígado, que se regenerava para no dia seguinte ser devorado novamente. Este foi o preço a pagar pela ousadia de ir além dos limites estabelecidos por forças superiores, e Frankenstein encarna esse papel, fascinado pela possibilidade de criar vida.

          Sua falta de um senso de responsabilidade segue o imperativo categórico kantiano. Victor age como se bastasse seu intelecto para justificar suas ações, e nesse sentido suas ações são coerentes com sua postura de que os fins justificam os meio, é sua forma de enxergar o mundo e a si próprio, mas ao perceber o que fez, abandona a criatura. Esta, sendo um ser deformado, desperta o medo e o ódio da sociedade. Nesse momento da história, Mary Shelley bebe da fonte de Jean Jacques Rousseau (1712 / 1778) , que diz que o homem nasce puro, mas é corrompido pela sociedade. O bom selvagem do filósofo francês habita grande parte da história de Mary Shelley sempre que a criatura sofre mal tratos dos homens, o desprezo de seu criador e a incompreensão de sua própria existência. Então, a criatura inominada busca sua vingança e metonimicamente chega mesmo a usurpar o nome de seu criador. Até hoje muitos pensam que o título da obra se refere ao monstro. Quando publicado originalmente o nome da autora foi suprimido, mas a mãe de “Frankenstein” se recusou a usar um pseudônimo masculino que facilitasse sua publicação. Somente na reedição de 1823 seu nome veio a ser creditado como a autora.

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ROBERT DE NIRO NA VERSÃO MAIS FIEL À OBRA DE SHELLEY

OS FOCOS NARRATIVOS

           A narrativa de Mary se divide em três pontos de vista que conduzem o leitor pela história: Começa com o Capitão Robert Walton que encontra Victor Frankenstein à deriva no Ártico, o acolhe e ouve sua história, relatando-a depois à sua irmã Margareth através de cartas. O foco muda da terceira para a primeira pessoa quando um Victor Frankenstein moribundo conta com suas próprias palavras os infortúnios sofridos nos levando de Geneva a Ingolstad na Alemanha a medida que revela sua profana experiência. Nova mudança ocorre quando Mary Shelley dá voz ao monstro, que conta o que se sucedeu desde o momento de seu “nascimento” no laboratório de Frankenstein, quando cria consciência de sua existência e em surpreendente auto-didatismo desenvolve linguagem observando uma família. A autora ainda faz uso da intertextualidade através de “Paradise Lost” de John Milton. Shelley possibilita assim que o leitor crie seu próprio julgamento a respeito dos papeis de criador e criatura, sobre quem é o verdadeiro monstro: o cientista egocêntrico que abandona a sua criação, a sociedade que rejeita o monstro como algo diferente,  ou a criatura abandonada e rejeitada.

             A mesma essência é mais tarde retomada em obras de outros autores que fizeram da obra de Shelley  fonte de inspiração e referência como os replicantes de Phillip K.Dick em “Do the Androids dream of electronic sheep?”, obra que inspirou o filme “Blade Runner”, o protagonista de “Edward Mãos de Tesoura” de Tim Burton, entre outras que exploraram o tema tão recorrente na vida real através da engenharia genética, da clonagem, do emprego das células tronco, do desenvolvimento de inteligência artificial, entre outros avanços discutidos na atualidade sob a luz da ética.

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FRANKENSTEIN NOS QUADRINHOS

AS ADAPTAÇÕES

                A ficção de Shelley foi levado ao cinema ainda no período do cinema mudo, em 1910, produzida pela produtora de Thomas Edison (o inventor da lâmpada), dirigida por J.Searle Dawley e com o ator Charles Ogle no papel do monstro. O filme de 16 minutos é uma raridade que ficou perdida por muito tempo até que uma cópia foi encontrada em Wiscosin em meados da década de 70. A criação do monstro é mostrada de forma atípica: Produtos químicos e poções são misturados para seu nascimento, lembrando que na época em que Mary Shelley escreveu o livro houve avanço notável na química, que foi alçado a um posto de ciência sem nenhuma ligação com a alquimia ou a própria medicina graças ao tratado de Lavosier no final do século XVIII. No filme, o efeito de criação do monstro foi conseguido queimando um boneco e rolando o filme de trás para a frente. Mais curioso ainda é o fim do monstro, que simplesmente desaparece no ar!!

               O choque elétrico gerado por uma noite de tempestade foi liberdade poética tomada pela sua adaptação cinematográfica mais famosa, de 193, estrelada por Boris Karloff. Como a descrição física da criatura é vaga no livro,  coube ao maquiador Jack Perkins elaborar o visual que se fixou no imaginário popular: Corpo descomunal e desajeitado, cabeça achatada com cicatriz enorme na testa, eletrodos nas laterais do pescoço e botas pesadas retardando os movimentos. Outra diferença entre o livro e os filmes, em geral, é que a criatura literária é inteligente e articula bem as palavras, enquanto que o cinema costuma retratá-la como um ser privado de raciocínio, reagindo apenas instintivamente. Karloff interpretou o monstro três vezes.

            No final da década de 50, a produtora inglesa Hammer Films ressucitou o monstro em um ciclo de filmes com Peter Cushing no papel de Victor Frankenstein e, inicialmente com Christopher Lee como o monstro em “A Maldição de Frankenstein” (The Curse of Frankenstein) em 1957. A melhor versão da obra de Shelley, contudo, embora muito subestimada, é “Frankenstein de Mary Shelley” (Mary Shelley’s Frankenstein) de 1995 com Robert De Niro como o monstro e Kenneth Branagah como Victor Frankenstein. O filme foi a primeira adaptação a procurar respeitar a obra original. O filme foi produzido por Francis Ford Coppola, que a principio também o dirigiria assim como fizera poucos anos antes com “Dracula de Bram Stoker”. Branagah assumiu a direção, e foi duramente criticado pela sua pretensão.        Recentemente houve “Victor Frankenstein” que traz James McAvoy e Daniel Radcliff em uma releitura modernizada do livro. Entre 2015 e 2017 houve a série britânica “As Crônicas de Frankenstein” (The Frankenstein Chronicles) reimaginando a obra da autora, que ganhou nova roupagem também na série “Penny Dreadul” (2014 a 2016), na animações “Hotel Transilvania” de 2012 e, “Frankweenie” (2012) de Tim Burton.

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A VERSÃO DE 1910 RECENTEMENTE RESTAURADA

          Tantas adaptações e readaptações mostram que a riqueza da obra continua a refletir  nossos medos como naquela noite de tempestade em Genebra, o sonho de vencer a lei natural tomando para si o poder da vida e a morte, o que nas palavras de sua autora vão além de qualquer limite vivo, ainda vivo !!!

AQUAMAN – HQS, CINEMA & TV

O REI DOS SETE MARES EM UMA SUPER PRODUÇÃO

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JASON MOMOA

Durante muito tempo Aquaman foi um dos heróis mais subestimados da DC Comics e, até bem pouco tempo atrás, poucos o levavam a sério com sua imagem sendo usada até mesmo em vinhetas humorísticas no Cartoon Network. Criado em Novembro de 1941 por Paul Norris e Mort Weisinger, o herói submarino foi inicialmente tratado como um personagem secundário publicado nas páginas de “More Fun Comics” em seus primeiros cinco anos, depois ficando encostado em “Adventure Comics” até 1961. Hoje estreando um filme próprio, com um visual mais arrojado, e destaque maior nas hqs, o personagem assumiu uma posição mais central no universo da DC Comics, reconquistando fãs, muitos dos quais ainda se lembrando do personagem chamado de “herói submarino” nos desenhos produzidos pelo estúdio Filmation (The Superman / Aquaman Hour), já exibidos pelo SBT.

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O HEROI NA ERA DE PRATA

      O atual Aquaman mescla elementos de duas fases distintas do herói: Na década de 90, o autor Peter David lhe deu uma postura mais agressiva com barba e um arpão no lugar de uma das mãos. Coube a David também explorar a mitologia do continente perdido de Atlântida, lar de Arthur Curry, o nome do personagem, fruto do amor de uma princesa do mítico reino aquático e de um homem da superfície. No período em que Peter David esteve à frente das histórias de Aquaman, este abandonou a imagem de um herói politicamente correto e assumiu uma atitude mais imponente, independente do trabalho em equipe na Liga da Justiça, grupo do qual tomou parte desde seu lançamento em 1960 (The Brave & The Bold #28), sendo esta inclusive a primeira vez que Aquaman apareceria na capa de uma hq desde sua criação. Outra fase essencial para a formação do novo status quo do personagem foi o período chamado de “Novos 52”, em que o autor Geoff Johns e o desenhista brasileiro Ivan Reis praticamente reinventaram o personagem, inclusive usando a seu favor o desinteresse do público que subestimava o personagem para criar histórias que aproveitassem ao máximo 60 anos de histórias. Johns e Reis desenvolveram os coadjuvantes, introduziram novos elementos em seu passado e conduziram os leitores a uma guerra com o mundo da superfície, até então, sem precedentes  no universo da editora DC Comics.

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O HEROI SUBMARINO DOS NOVOS 52

        Muitas mudanças acompanharam ao longo de sua publicação. Na era de ouro (1938 – 1946) o personagem era um entre vários do gênero, enfrentando principalmente piratas e vilões nazistas, bem adequado ao clima ufanista do período. Com o advento da era de prata (1956 – 1970), a DC Comics convencionou que haveria duas terras paralelas e vários personagens (The Flash, Lanterna Verde etc) foram recriados. Aquaman foi aqui batizado de Arthur Curry, ganhou um elenco de coadjuvantes, incluindo os parceiros mirins Aqualad e Aquamoça, a amada Mera, o conselheiro Vulko , e os vilões Arraia Negra e  Mestre dos Oceanos, sendo este o meio-irmão de Arthur com quem o herói disputaria o trono da Atlântida. Esta fase teve os roteiros de Robert Bernstein e a arte de Ramona Fradon, uma das primeiras mulheres desenhistas na época. A partir de 1962, Aquaman ganhou série própria com seu nome, e que duraria 9 anos de publicação contínua. Várias histórias desse período chegaram ao Brasil pela saudosa editora EBAL, do pioneiro Adolfo Aizen.

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A INSPIRAÇÃO PARA O VISUAL DE JASON MOMOA VEM DOS QUADRINHOS DE AQUAMAN DE PETER DAVID NA DECADA DE 90

       No título “Aquaman” (1969 / 1970), versão brasileira editora Ebal, o herói teve momentos emblemáticos como a parceria com Aqualad, confronto com o mitológico Netuno e até o casamento com Mera, uma princesa vinda de uma outra dimensão aquática. A partir de 1975 com a popularização do desenho da TV “Superamigos”, produzido pelo estúdio Hanna-Barbera, Aquaman passou a aparecer nas páginas de uma revista homônima, publicada entre 1975 e 1982, inicialmente em preto e branco, e depois a cores, em vários formatos. Apesar de ter poderes muito ligados ao mundo aquático, Arthur tem pele invulnerável, capacidade de sobreviver aos rigores das profundezas submarinas, força, agilidade e reflexos sobre humanos, além de telepatia que lhe permite se comunicar com os seres marinhos, justamente um dos poderes mais atacados por ”haters” que jocosamente questionam “por que falar com peixes? ”. No início dos anos 2000 o roteirista Rick Veitch ousou estabelecer uma ligação entre Arthur Curry, o Aquaman, e o lendário Rei Arthur das lendas medievais, incluindo a troca do arpão por uma mão mágica feita de água concedida pela dama do lago.

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AMBER HEARD, O DIRETOR JAMES WAN, JASON MOMOA E PATRICK WILSON

           Além de Jason Momoa que interpreta Aquaman pela terceira vez (Batman vs Superman, Liga da Justiça e o filme solo), o personagem já teve dois interpretes: Alan Ritchson o interpretou em episódios do seriado de TV “Smallville”, entre 2005 e 2010, animando a Warner Tv a produzir um episódio piloto intitulado “Mercy Reef” protagonizado por Justin Hartley, mas o piloto acabou recusado pelos executivos da época. Curiosamente, Aquaman também foi um filme fictício na segunda e terceira temporada de “Entourage” na HBO, pura paródia ! Absorvido pela cultura pop, o herói é constantemente mencionado no seriado “The Big Bang Theory”, aparece em animações e até mesmo em desenhos de Mauricio de Souza para o evento da “Comic Con Experience”. Que não se duvide da importância do herói, muito além dos fictícios sete mares da literatura ou dos reais 61 mares que cobrem 71% da Terra, e muito mais na imaginação fértil em quadrinhos ou em outras mídias, e que agora conferimos com todo o requinte de uma super produção que pode reerguer o prestígio da DC Comics nas telas.

ROBIN HOOD -A ORIGEM DO LENDÁRIO HERÓI NA HISTORIA, LITERATURA E FILMES

          Antes dos super-heróis, o cinema trazia aventureiros de capa, máscara, chapéu e espadas. Um desses ícones frequentemente revisitados é ladrão, rebelde, herói e bandido com aventuras foram imortalizadas na literatura, na Tv, no cinema e mesmo nos quadrinhos.

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FRAGMENTO DO POEMA PIERS PLOWMAN

         O personagem, que entrou para a história como aquele que rouba dos ricos para dar aos pobres, nasceu na época dos grandes trovadores que narravam grandes feitos em cantigas passadas de geração a geração, até que o poema Piers Plowman de 1377 tornou-se o primeiro registro escrito da lenda, de autoria de William Langand. A referência ao herói é breve, através de rimas, mas não o suficiente como prova de sua existência. O problema é que as várias versões que se seguiram divergem entre si, e isso dificulta o trabalho de historiadores em determinar o que é fato e o que foi ficção na história de Robert Locksley, um nobre privado de suas terras pelo Príncipe John que usurpou o trono do Rei Ricardo Coração de Leão, enquanto este participava das cruzadas. Na floresta de Sherwood adotou o nome de Robin Hood, sendo este uma referência a um tipo de chapéu com pena.

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BANDEIRA DE NOTTINGHAM

          Nottingham, a cidade inglesa em que se desenrola a história, hoje homenageia o herói com estátua, museu, passeio pelos locais citados pela lenda e até mesmo uma bandeira ostentando a silhueta do herói desde 2010. Na literatura, Alexandre Dumas (autor de “Os Três Mosqueteiros”) escreveu dois volumes intitulados “Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões” (de 1872) e “Robin Hood, o Proscrito” (de 1873).  Dez anos depois o escritor e ilustrador americano Howard Pyle publicou “The Merry Adventures of Robin Hood of Great Renown in Nottinghamshire”, revistando os vários feitos que entraram para o cânone da lenda como a luta de bastões com João Pequeno, o torneio de arco e flecha entre outras. Maid Marian, o interesse romântico do herói, não aparece em nenhuma das cantigas originais da lenda, aparecendo pela primeira vez em versões mais tardias, a partir do século XVII. Em 1820, Robin Hood ainda apareceu como um personagem menor na obra de Sir Walter Scott “Ivanhoe”, considerado primeiro romance histórico do romantismo. Nessa como em outras encarnações, Hood é retratado como elemento fundamental na guerra entre Saxões e Normandos na Inglaterra medieval.

RHOOD Fairbanks

DOUGLAS FAIRBANKS

            Nos primórdios do cinema, começando em 1908, a lenda foi inicialmente adaptada no curta inglês “Robin Hood & His Merry Men” dirigido por Percy Stow, ainda no período silencioso. Em 1912, uma nova adaptação da lenda foi feita na America intitulada apenas “Robin Hood” com Robert Frazer no papel título. Ainda haveriam mais três versões entre 1912 e 1913, além de uma adaptação de “Ivanhoe” em 1913  até a versão mais famosa do período, de 1922 igualmente chamada “Robin Hood”  e estrelada por Douglas Fairbanks, que no período do cinema mudo incorporou vários heróis similares. Acreditava-se que esta pérola tivesse sido perdida mas foi redescoberto nos anos 60, sendo restaurado em 2009 pelo Museu de Arte Moderna.

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ERROL FLYNN

         No final dos anos 30 a Warner e a MGM disputavam realizar a primeira versão falada, mas foi a Warner quem acabou levando a cabo sua realização. Convidando Douglas Fairbanks Jr para o papel central, mas este não estava disposto a repetir os feitos de seu pai. Foi então que o papel ficou com Errol Flynn, então com 28 anos, vindo do sucesso estrondoso alcançado em fitas como “Capitão Blood” (1935) e “A Carga da Brigada Ligeira” (1936), ambos dirigidos por Michael Curtiz e co-estrelado por Olivia DeHavilland. Curtiz foi chamado pela Warner para concluir as filmagens de “As Aventuras de Robin Hood”, iniciadas por William Keighley cuja lentidão nas filmagens ameaçava inflar orçamento e atrasar seu lançamento que veio a acontecer em maio de 1938.

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SEAN CONNERY & AUDREY HEPBURN “ROBIN & MARIAN”

              Curtiz e Flynn se odiavam e, segundo o renomado site imdb, certa vez Flynn teria se ferido superficialmente quando um dos dublês, em cena de duelo, teria lutado sem a proteção na ponta da espada, isso sob ordens de Curtiz. Os duelos foram exímios e coreografados com perfeição sob a supervisão do especialista Fred Cavens, que também teria treinado Flynn e Basil Rathbone em “Capitão Blood”. Apesar de Flynn ter corpo atlético e de notável elasticidade para o manejo da espada, Rathbone era um espadachim superior em cena. A bilheteria do filme encheu os cofres da Warner e, além do público, a crítica deu sua benção ao filme com 4 indicações ao Oscar, levando 3 (melhor edição, trilha sonora e direção de arte). O elenco de coadjuvantes também brilhou: Claude Rains foi um odioso Príncipe John; Alan Hale repetiu o papel de João Pequeno que também fizera na versão de Fairbanks, e que repetiria anos depois em “O Cavaleiro de Sherwood” (1950) e Olivia DeHavilland estava adorável como  Marian. O filme foi um prodigioso roteiro equilibrando momentos cômicos com pura ação. Nos diálogos do roteiro de Norman Reilly Raine e Selton Miller momentos memoráveis como Robin (Flynn) dizendo “Normandos ou Saxões não importa, o que odeio é a injustiça”. A Warner chegou a cogitar fazer uma sequência, mas acabou não acontecendo.

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ANIMAÇÃO DA DISNEY

            No entanto várias versões renovaram o ícone perante o público como Cornel Wilde, que interpretou Robert de Nottingham em “O Filho de Robin Hood” (The Bandit of Sherwood Forest) de 1946; John Hall em “Prince of Thieves” de 1948, adaptado do livro homônimo de Alexandre Dumas; e John Derek em “O Cavaleiro de Sherwood” (Rogues of Sherwood Forest) de 1950 com Derek também interpretando um descendente direto do lendário herói.

          Entre 1955 e 1960 Richard Greene viveu o herói na TV inglesa em “As Aventuras de Robin Hood” (The Adventures of Robin Hood) tornando-se a primeira série inglesa a fazer sucesso nos Estados Unidos. Em 1976, o ex-007 Sean Connery viveu um Robin Hood maduro ao lado de Audrey Hepburn como Maid Marian em “Robin & Marian”, com os personagens lidando com a inevitável passagem do tempo. Um ano antes o comediante Renato Aragão arrancou deliciosas risadas no filme “Robin Hood O Trapalhão da Floresta”. A Disney também fez sua versão animada personificando o herói como uma raposa em “Robin Hood”, segundo longa animado realizado após a morte de Walt Disney, trazendo em sua versão brasileira as vozes de Claudio Cavalcanti, Orlando Drummond e Juraciara Diacovo. Alguns anos antes o animador Ralph Bakshi realizou a versão futurista “Super Robin Hood” (Rocket Robin Hood), extremamente popular na Tv com 52 episodios.

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KEVIN COSTNER & MORGAN FREEMAN “ROBIN HOOD O PRÍNCIPE DOS LADRÕES”

       Em tempos mais recentes coube a Kevin Costner trazer a lenda para novas gerações em “Robin Hood o Príncipe dos Ladrões” (1991) em uma super produção com trilha pop de Bryam Addams. O efeito da câmera na flecha reproduzindo a visão do disparo desta causou sensação entre o público e o destacou de outra produção parecida lançada na mesma época chamada “Robin Hood o Heroi dos Ladrões” com Patrick Bergin e Uma Thurman nos papeis centrais. Ainda é digno de nota a parodia de Mel Brooks “A Louca História de Robin Hood” (1993) com Cary Elwes e “Robin Hood” (2010) com Russell Crowe e Cate Blanchet dirigido por Ridley Scott.

         Robin Hood também foi a fonte de inspiração para Mort Weisinger criar o herói das hqs “Arqueiro Verde” em 1941, que originou a série de sucesso “Arrow” que já está em sua sétima temporada. Tamanha popularidade mostra que o mito sobrevive a várias reinterpretações e que não reste dúvida de que Taron Egerton não será o último a apontar aquela flecha no coração dos amantes da aventura pois esse alvo continua na mira dos que se identificam com um rebelde que decide se erguer contra as injustiças de seu tempo. Nada mais atual!