OSCAR 2019 : OS VENCEDORES

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Abertura da cerimônia em grande estilo com a banda Queen

  • MELHOR FILME : GREEN BOOK – O GUIA
  • MELHOR DIRETOR : ALFONSO CUARÓN (ROMA)
  • MELHOR ATOR: RAMI MALEK (BOHEMIAN RAPHSODY)
  • MELHOR ATRIZ: OLIVIA COLMAN (A FAVORITA)
  • MELHOR ATOR COADJUVANTE: MAHARSHALA ALI (GREEN BOOK)
  • MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: REGINA KING (SE A RUA BEALE FALASSE)
  • MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: GREEN BOOK – O GUIA
  • MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: SPIKE LEE (INFILTRADO NO KLAN)
  • MELHOR FIGURINO: PANTERA NEGRA

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    Wakanda Forever: Os Super Herois no Oscar

  • MELHOR FOTOGRAFIA: ROMA
  • MELHOR FILME ESTRANGEIRO: ROMA
  • MELHOR MIXAGEM DE SOM: BOHEMIAN RAPHSODY
  • MELHOR MONTAGEM:  BOHEMIAN RAPHSODY
  • MELHOR MAQUIAGEM / PENTEADO: VICE
  • MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: PANTERA NEGRA
  • MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: LADY GAGA, SHALLOW (NASCE UMA ESTRELA)
  • MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: PANTERA NEGRA
  • MELHOR EDIÇÃO DE SOM: BOHEMIAN RAPHSODY
  • MELHOR MIXAGEM DE SOM: BOHEMIAN RAPHSODY
  • MELHOR EFEITOS VISUAIS: O PRIMEIRO HOMEM
  • MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO: HOMEM ARANHA NO ARANHAVERS

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    Indicados e Premiado em um Oscar bem Pop !!

  • MELHOR CURTA ANIMAÇÃO: BAO
  • MELHOR DOCUMENTÁRIO – LONGA: FREE SOLO
  • MELHOR DOCUMENTÁRIO – CURTA: ABSORVENDO O TABU
  • MELHOR CURTA METRAGEM – LIVE ACTION : SKIN
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GRANDE ESTREIA: ALITA ANJO DE COMBATE

ALITA          A nova heroína de Hollywood não é da DC nem da Marvel e já chega causando sensação seja pela impressionante técnica empregada por seus realizadores ou pela mistura de inocência e bravura de sua protagonista, uma cyborg desmemoriada que pode guardar a chave para nos salvar de um futuro distópico. A união dos talentos de James Cameron (Titanic, Avatar) e Robert Rodriguez (Sin City, Pequenos Espiões) nos traz “Alita – Anjo de Combate” (Alita: Battle Angel) baseado no mangá “Gunnm” de Yukito Kishiro.  Foi Guilhermo del Toro quem recomendou a obra para Cameron, que estava ocupado com o projeto que se tornaria “ Avatar”. A princípio o próprio Cameron dirigiria o filme, mas estando ocupado com as sequências do mundo de Pandora não havia espaço livre em sua agenda. Rodriguez enxugou o roteiro, co-escrito pelo próprio Mr. Avatar, ficando com cerca de 125 páginas, assumindo a cadeira de diretor, auxiliado é claro pela supervisão de Cameron que deixou várias anotações.

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            O resultado é uma mistura de ficção científica e ação, seguindo a estética cyberpunk com humor e até romance. O mangá de Kishiro foi originalmente lançado entre 1990 e 1995, e só chegou ao Brasil em 2002 rebatizado “Alita Battle Angel Gunnm”, mas problemas com o licenciamento interromperam sua continuação pela editora Opera Graphica.  No ano seguinte a JBC republicou na íntegra o material, dividido em 9 volumes, rebatizando de “Gunnm – Hyper Future Vision”. Uma vez que os mangás  se tornaram parte da cultura pop mundial, era questão de tempo para que Alita, ou Gunnm , tivesse uma adaptação para o cinema tal qual obras como “Ghost in The Shell”, “Akira” e “Fullmetal Alchemist”, que foram vertidos em animes ou versões live-action, com resultados variados. Não somente na narrativa como também no visual, os mangás carregam uma aura facilmente identificada com a linguagem cinematográfica. Conforme o próprio autor de livros e hqs Scott McCloud observou “os mangás são mestres em combinar os personagens com os ambientes produzindo um efeito bastante realista, destacando a expressividade dos rostos.” Por isso, os personagens sempre são desenhados com olhos grandes, o que Cameron pediu que fosse feito com o rosto da atriz Rosa Salazar, depois que seus traços fossem capturados digitalmente. A Alita do filme é propositalmente um personagem de mangá em 3D, contracenando com os demais personagens em live action, o que inclui atores conhecidos como Jennifer Connelly (Uma Mente Brilhante), Michelle Rodriguez (Velozes & Furiosos)  e Christophe Waltz (Django Livre, Bastardos Inglorios). O personagem de Waltz é o Dr. Dyson Ido, que no mangá original se chama Daisuki Ido. Ele é o cientista especializado em órgãos artificiais e robótica que encontra o corpo de Alita destruído e o recompõe, adotando-a como sua filha adotiva.

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           A personagem Alita é descrita como um robô com cérebro humano, máquina com consciência e valores morais. Em sua jornada ela mantem a inocência em seu coração, mas a bravura para usar sua força e habilidades com violência se necessário na sua luta por justiça. Tais sentimentos contrastam com a frieza do vilão Vector (personagem do ator oscarizado Mahershala Ali) ardiloso na disputa de Motorball, um esporte futurista brutal e desprovido de piedade. No mangá  a passagem pelo Motorball , extraída dos livros 3 e 4,  é essencial para o desenvolvimento de Alita em sua luta. A história ainda abre espaço para um retrato dicotômico da sociedade: Zalem é a cidade suspensa nas nuvens, que possui toda a tecnologia e recursos financeiros, enquanto a Cidade da Sucata (Iron City) na superfície é um imenso ferro velho, desolado e entregue aos desafortunados. O paralelo com a realidade foi propositalmente pensado e, o próprio James Cameron disse em recente entrevista que se inspirou em favelas brasileiras para o visual da Cidade da Sucata.

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          Tanto James Cameron quanto Robert Rodriguez se esforçaram para conceber o filme como um produto híbrido, parte live-action, parte animação digital, fazendo uso convincente da tecnologia de captura de movimento que transforma Rosa Salazar em uma personagem empoderada, bem ao gosto das plateias, traçando a clássica jornada do herói, mas sem grandes surpresas, mas deixando claras pistas de possíveis sequências, até porque o filme só explora a os 4 primeiros livros da obra de Kishiro. Em 2001, o autor decidiu continuar a história e lançou “Gunnm: Last Order” em 19 volumes ignorando alguns dos principais eventos do encerramento da série original. A sequência está nos planos de publicação para esse ano, anunciada em versão reduzida de 12 volumes, tal qual sua reedição posterior.  A criação de Kishiro ainda gerou uma animação lançada diretamente em vídeo em junho de 1993 com dois episódios.

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                  Embora seja possível encontrar referências a filmes como “Mad Max” e “Blade Runner”, a virtude do mangá de Kishiro é ainda mais complexa que a do filme pois faz de sua protagonista um modelo de humanidade que não aceita se extinguir à sombra da máquina. Talvez por isso tenha se projetado com tanto sucesso na Europa e na América, como um lembrete de que a tecnologia deve servir ao homem e não ser servida por ele. A discussão não é nova e nos acompanha a medida que evoluímos, mesmo que muitos nem se lembrem do romance “Cyborg” de Martin Caidin, de 1972, ou de sua adaptação para Tv “O Homem de Seis Milhões de Dólares”. Tanto Caidin quanto Kishiro são defensores de que são os sentimentos que nos diferem da máquina e esse combate travamos o tempo todo.

 

 

ESTREIAS NO CINEMA:7 DE FEVEREIRO 2019

UMA AVENTURA LEGO 2

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(The Lego Movie 2) EUA 2018. Dir: Mike Mitchell. Com Chris Pratt, Elizabeth Banks, Will Arnett, Animação.

O primeiro foi uma surpresa para todos há cerca de cinco anos. A sequência é uma diversão mediana, com piadas algumas funcionais, outras não. A cidade de Emmet sofreu com uma invasão alienigena e agora precisam sobreviver. Lanterna Verde e Batman possuem seus momentos de humor embalado com trilha sonora pop. Algumas referências no entanto podem escapar dos pequenos como o personagem de Chris Pratt se apresentando como um arqueologo das galáxias, cowboy e treinador de raptores fazendo referência a seus personagens em “Guardiães da Galaxia”, “Sete Homens e Um Destino” e “Jurassic World”. Esta é a primeira animação do estudio Warner a ter uma antagonista feminina, o que abre espaço para uma crítica ao machismo, o que também funciona mais para os pais do que para as crianças. Estas vão ter o que querem: Ação e humor e, quem sabe, em breve um terceiro filme.

NO PORTAL DA ETERNIDADE

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(At Eternity’s Gate) FR 2019. Dir: JUlian Schnabel. Com Williem Dafoe, Oscar Isaac, Mads Mikkelsen. Drama.

A vida do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853 – 1890) já foi tema de uma belíssima canção de Don McLean e de outras adaptações cinematográficas, sendo a minha favorita a de Vincent Minelli (1956) em que o pintor foi vivido por Kirk Douglas. William Dafoe é o interprete agora deste incrível artista, alma perturbada que  deixou um legado admirável de beleza artística. O filme do também pintor Julian Schnabel faz um recorte na vida de Van Gogh focando no periodo em que, mergulhado na melancolia, pintou um de seus maiores quadros, “O Quarto em Arles”, período em que viveu na França. A atuação de Dafoe, indicado novamente ao Oscar, é de fato no ponto justificando as aplaudidas passagens do filme por premiações como o Golden Globe e o vindouro Oscar, além  da bem sucedida exibição no Festival de Veneza de 2018 que deu um merecido prêmio para Dafoe. Os fans vão lembrar dele mais por ter sido o Duende Verde do filme “Homem Aranha” (2001) e o Vulko do recente “Aquaman” (2018). Uma coisa curiosa é que nem o diretor nem Dafoe são fluentes em Francês e , apesar de algumas sequências em Francês, 90% do filme é falado em inglês. O próprio Van Gogh na vida real falava quase nada em Francês, o que acentuou sua sensação de alienação e inadequação que o empurrava ainda mais para o caminho da depressão. Não é um filme para o público em geral e sua atmosfera depressiva pode incomodar muitos.

ESTREIAS DA SEMANA: 31 DE JANEIRO

O MENINO QUE QUERIA SER REI.

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(The Kid Who Would Be King) EUA 2019. Dir: Joe Cornish. Com Louis Serkis, Patrick Stewart, Rebecca Ferguson, Tom Taylor, Genevieve O’Reilly, Dean Shaumoo, Rhianna Dorris, Angus Imrre. Fantasia.

Sou grande admirador das lendas arturianas, mesmo das variações – e olha que são muitas, como essa que transforma um grupo de crianças une esforços para enfrentar nada mais nada menos que a lendária bruxa Morgana (Ferguson) que desperta no mundo moderno com intenção de dominá-lo ou destruí-lo. O pequeno Alex (Serkis) sofre bullying na escola e é o escolhido para empunhar a poderosa espada Excalibur, reunindo seus amigos, incluindo os valentões que o persegue formando uma especie de versão juvenil dos cavaleiros da távola redonda, que inclui uma versão rejuvenescida do mago Merlin.  Escrito e dirigido por Joe Cornish (roteirista de “Homem Formiga” – 2015 e “As Aventuras de Tin Tin” – 2011), o filme é uma agradável aventura juvenil estrelada por Louis Serkis, filho do ator Andy Serkis (Gollum de “Senhor dos Aneis” e Cesar de “Planeta dos Macacos”). Merlin, em sua versão adulta, é interpretado por Patrick Stewart, o Capitão Picard de “Star Trek The Next Generation”, que foi parte do elenco do clássico “Excalibur” (1980), a melhor adaptação da lenda. Já Morgana ficou com a excelente Rebecca Ferguson, essa belíssima atriz sueca tem se destacado em bons papeis como “O Rei do Show”, os dois últimos “Missão Impossivel” e, em breve, será vista em “Doutor Sono” (adaptação de Stephen King) e “MIB Internacional”.  Não é um filme de grandes pretensões, talvez por isso torna-se um agradável programa para pais e filhos, mostrando que as lendas renascem, mas nunca morrem.

A SEREIA – O LAGO DOS MORTOS

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(Rusalka: Ozero myortvykh) EUA 2019. Dir: Svyatoslav Podgaevskiy. Com Viktoryia Agalakova, Igor Khripunov, Nikita Elenev, Efim Petrunim. Terror.

O diretor do recente “A Noiva” (2017) volta ao gênero para mostrar que os russos também sabem fazer filme de terror. Usando a lenda da sereia que atrai os homens para a ruína o filme mostra um casal de noivos encontra a tal sereia, que coincidentemente no passado tentou atrair o pai do rapaz para o fundo do lago. Personagens lendários como a figura da sereia são atraentes para o público em geral, mas não espere pela clássica imagem da mulher com cauda de peixe, a sereia do filme russo está representada mais como uma mistura de fantasma com bruxa. Um ponto que pode contar contra o filme é que apesar de ser russo as cópias exibidas estão redubladas em inglês e o movimento labial dos atores pode ficar fora de sincronia. Apesar de tentar caprichar nos sustos, o filme não consegue fugir aos clichês do gênero, inclusive o clima de montanha russa e a total falta de aprofundamento dos personagens que estão á apenas para serem vítimas da sereia, que aliás também não é explorada quanto à mitologia desta.

UMA NOVA CHANCE

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(Second Act) EUA 2019. Dir: Peter Segal. Com Jennifer Lopez, Vanessa Hudgens, Milo Ventimiglia, Treat Williams. Comédia Dramática.

Lembro bem de trama parecida com esse filme em “O Segredo do meu Sucesso” de 1987 onde Michael J.Fox era um zé ninguém que vira executivo de uma grande empresa. No filme da cantora e atriz Jennifer Lopez seu personagem passa por algo similar. Ela é a empregada de uma loja de departamento que, por engano, acaba se tornando alta executiva, usando de sua experiência como vantagem no mundo dos negócios. Em tempos de empoderamento feminino e de toda a discussão em torno das igualdades salariais, o filme – também produzido por Jennifer Lopez – mostra a frieza do mundo empresarial, a competitividade desenfreada e cruel. O filme guarda momentos de humor com momentos dramáticos e segue todos os clichês dos filmes do gênero incluindo uma rival para Maya (Lopez) interpretada por Vanessa Hudgens (High School Musical). Nos Estados Unidos a bilheteria foi alta, tendo custado 16 milhões de dolares mas arrecadando mais do que o dobro até agora. Bom para a atriz que estava um tempo afastada das telas, e entrou no projeto depois da desistência de Julia Roberts, inicialmente escalada para o papel. O diretor é o mesmo de “Agente 86” (2008) e “Como se fosse a primeira vez” (2004) e sabe como conduzir a história que pode ser um agradavel programa de fim de semana.

VICE

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(Vice) EUA 2019. Dir:Adam McCay. Com Christian Bale, Amy Addams, Sam Rockwell, Steve Carrell. Biopic.

Escrito e dirigido por Adam McCay, que já trabalhou com Christian Bale e Steve Carrell em “A Grande Aposta”, o novo projeto do trio na trilha da premiação do Golden Globe e do Critic’s Choice que deu a Christian Bale um merecido reconhecimento no papel de Dick Cheney. Ele foi o vice presidente do governo George W. Bush e figura central de várias tramas nos bastidores de poder na Casa Branca. Admiravel caracterização de Bale, que de fato engordou para o papel, voltando a dividir a cena com Amy Addams com quem contracenou em “A Trapaça” (2014).  Amy é uma das melhores atrizes de sua geração mas ainda não recebeu o devido valor. Ela está indicada para o Oscar de melhor atriz coadjuvante desse ano e a torçida para a encantadora Addams é certa. O filme ainda concorre a outras 7 estatuetas, inclusive melhor filme, dirertor e – claro – melhor ator para Bale.