GRANDE ESTREIA: ROCKET MAN

Rocketman

          Mais de 300 milhões de discos vendidos no mundo, sete álbuns consecutivos em primeiro lugar nas paradas americanas, carreira premiada com Grammy, Brit Awards, Tony, Golden Globe, Oscar entre outras honrarias são tantos feitos e tantos sucessos que seu nome certamente há sempre de pairar alto como uma pipa, ou melhor dizendo como um foguete, nascido Reginald Kenneth Dwight mas seu talento o fez renascer como Elton John. O filme que estreia hoje nos cinema é um presente para seus fãs, mas também uma oportunidade para os que não são conhecerem a trajetoria desse ícone da música pop.

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          Depois do sucesso de “Bohemian Rhapsody”,  Dexter Fletcher – que finalizou o filme do Queen depois da saída de Bryan Singer – assumiu adaptar a vida de Elton John em um filme sem concessões, mostrando os baixos na vida pessoal e profissional do cantor, mesmo que com isso a classificação etária restringisse o alcançe do filme. O próprio Elton John garantiu que assim fosse, pois em suas própria palavras “Minha vida não foi aconselhável para menores”. Mesmo com cenas fortes mostrando sexo e drogas, o filme de Dexter Fletcher impressiona pelas cenas que mesclam fantasia e realidade na medida que mostra como um garotinho venceu a timidez, e outros obstáculos pessoais, para se tornar um artista de projeção internacional. No elenco de apoio Jamie Bell (Tintin) é Bernie Taupin, o parceiro de composições de Elton e Bryce Dallas Howard (Jurassic World) interpreta a mãe do músico que trazia um talento prodigio, iniciando sua carreira no final dos anos 60 e tornando-se uma estrelas ao longo da década seguinte, período em que o roteiro se concentra no recorte biográfico. A quantidade de hits preenche a tela e as cenas, assim como “Mamma Mia” fez com as canções do Abba, inserindo-as na representação de diversas passagens da vida do músico.

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         Sua carreira sempre esteve identificada com uma união harmoniosa entre imagem e som, seja nos figurinos extravagantes que usou diversas vezes em suas apresentações nos anos 70, tal qual um Liberace renascido no cenário pop, Capitão Fantástico, Pato Donald ou Mozart, com plumas, paetês, óculos e rock saltando das teclas de seu piano, movido por canções como “Bennie & The Jets”, “Crocodile Rock” ou baladas poéticas como “Don’t Let the Sun Go Down On Me”, ou “Your Song”, esta escolhida como uma das mais belas canções de amor, seu primeiro grande sucesso nos Estados Unidos em 1970, essência de toda uma discografia, grande parte da qual composta junto a Bernie Taupin. Desde o começo Elton na música e Bernie como letrista fizeram o mundo bailar e se apaixonar até mesmo visitando e revisitando a sétima arte como quando criaram “Candle in the Wind”, melodiosa canção que fala da musa Marilyn Monroe, ou quando nos levaram de volta ao mundo de Oz em “Goodbye Yellow Brick Road”, seu sétimo álbum de estúdio lançado em 1973, presente na lista dos maiores álbuns no Rock and Roll Hall of Fame. Em 1975 Elton John fez sua primeira aparição como ator em um filme, parte do elenco da opera rock “Tommy”, dirigido por Ken Russell, transformando-se na figura delirante do Pimball Wizard na canção de mesmo nome composta por Pete Townshend da banda “The Who”.

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        O talento da dupla Taupin & John é tão imagético que seus clips trazem uma identidade cinematográfica como a história de amantes separados pela guerra de “I guess that’s why they call it the blues” (1984), o amor de um ocidental e uma comunista em tempos de guerra fria em “Nikita” (1985) ou a arquitetura retro no cenário de “Believe” (1995). Com um lirismo que evoca o romantismo de Cole Porter, Elton John cria suas melodias separado de seu parceiro de longa data, o letrista Bernie Taupin mostrando que a soma das partes leva a uma resultado admirável em que letra e música criam uma dimensão sonora viva e contagiante como a clássica “Rocketman” (1972), que dá nome a sua cinebiografia, escrita a partir de um conto de Ray Bradbury que integra o livro “The Illustrated Man”, em uma época em que canções com temática espacial eram populares.

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          Elton John colaborou com a trilha sonora de vários filmes: a balada “Daniel” toca em “Alice Não Mora Mais Aqui” (1974) de Martin Scorcese, “Tiny Dancer” em “Quase Famosos” (2001) de Cameron Crowe, “You Gotta Love Someone” em “Dias de Trovão” (1990) de Tony Scott além de séries de Tv como “Glee” (2010-2013) e “Californication” (2009-2014). O cantor passou por altos e baixos que são facilmente identificáveis em várias das fases de sua carreira, mas sempre apoiou causas humanitárias. Depois da morte de Lady Di, reverteu a canção “Candle in the Wind” para homenagear sua amiga, a princesa a quem chamou de “English Rose”, e que se tornou o single mais vendido da história. Em 1985, mesmo ano em que participou do Live Aid, participou da gravação de “That’s What Friends Are For” junto a Dionne Warwick, Stevie Wonder e Gladys Knight, que teve o lucro revertido para as pesquisas da “American Foundation For AIDS Research”. Sete anos depois o cantor deu seu nome para a criação da “Elton John AIDs Foundation”, organização que apoia além de diversas causas humanitárias.

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        Sempre muito pessoal em suas composições, ele fez sozinho a instrumental “Song for Guy” (1978) para um amigo que morrera tragicamente e em meio a seus acordes desperta uma experiência espiritual encerrada com versos que dizem “Life isn’t everything” ( A Vida não é tudo). Lançou “Empty Garden” dois anos depois da morte de John Lennon, de quem era grande amigo, além de ser padrinho do segundo filho do ex Beatle. O homem foguete da música pop chegou à década de 90 compondo, junto a Tim Rice, as canções “Circle Of Life” e “Can You feel The Love Tonight?” da trilha sonora da animação “O Rei Leão”, um dos maiores triunfos dos Estudios Disney, que lhe deu o Oscar da Academia. Alguns anos depois voltou a trabalhar com Rice para a trilha de “O Caminho para Eldorado” da Dreamworks, em que sua voz também serviu de narrador da história.  Com a própria produtora a “Rocket Pictures”, fez de suas canções o fio condutor da animação “Gnomeu & Julieta” (2011), que ganhou sequência em 2016 embalando uma nova geração com sucessos como “Don’t Go Breaking My Heart” , “Philadelphia Freedom” e “I’m Still Standing”. Em 2017, interpretou a ele mesmo em “Kingsman; Circulo Dourado”, curiosamente protagonizado por Taron Egerton, que interpreta Elton na cinebiografia “Rocketman”.

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             Esse prodígio que aos 4 anos já dedilhava no piano, que já foi dono de um time de futebol inglês, outra de suas paixões, sobreviveu a todos os excessos que um astro atravessa como drogas e álcool, além de ter lutado contra a bulimia durante vários anos. Também sobreviveu a tentativas de suicídio e com conflitos gerados por sua sexualidade, a princípio escondida e depois assumida. Hoje casado e feliz com o empresário David Furnish e com dois filhos, Zachary de 9 anos e Elijah de 6 anos, esse fantástico artista ainda esbanja vitalidade e criatividade, já tendo se apresentado no Brasil três vezes, anuncia sua aposentadoria após o final da atual turnê batizada de “Farewell Yellow Brick Road”. Elton é um sobrevivente, mas ainda de pé, depois de todo esse tempo conquistou uma vida plena com muitos fãs, incluindo este que escreve, que ao aprender inglês, traduziu como primeira canção a melodiosa “Skyline Pidgeon”, que no Brasil foi parte da trilha sonora da novela “Carinhoso” (1973). Foi amor a primeira vista, ou melhor à primeira audição, comprovando o que letra de “Sad Songs” diz, que canções romântica sempre tem muito a dizer, e certamente Elton sempre teve.

 

 

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GRANDE ESTREIA: GODZILLA O REI DOS MONSTROS

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          Desde tempos imemoriais a crença em monstros tem feito parte do folclore de várias civilizações. Como a figura do Kraken (uma espécie de lula gigante) que aterrorizou os antigos gregos. Na época das grandes navegações, eram incontáveis os relatos de serpentes marinhas. E até hoje, turistas viajam a Escócia à procura de algum sinal do lendário monstro de Loch Ness. Por isso é lógico que a ideia de um animal de proporções colossais que destrói tudo por onde passa seja explorada pelo cinema.

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            A estreia da nova versão de Godzilla em 2014 coincidiu com os 60 anos do personagem. No filme original, um gigantesco lagarto pré-histórico cujo hálito pode cuspir fogo foi despertado pela ação de testes com armas nucleares que provocaram uma mutação em sua natureza jurássica. O rastro de destruição que acompanha seus passos acaba com Tóquio até que o sacrifício de um cientista põe um fim na marcha mortífera da criatura. Dirigido por Ishiro Honda, Godzilla representou para a terra do sol nascente um demônio a ser exorcizado: a radiação nuclear e a queda da bomba atômica em Hiroshima & Nagasaki eram como um flagelo incutido na memória coletiva do povo japonês e personificado na figura de Godzilla, ou no original Gojira, aglutinação de duas palavras nipônicas : Gorira (gorila) e Kujira (baleia). O filme da Toho Company chegou a ser indicado para melhor filme pela Japanese Academy Awards, mas perdeu o prêmio para Os Sete Samurais de Akira Kurosawa. Curiosamente, os efeitos especiais não receberam a mesma honraria, apesar da competência do técnico Eiji Tsuburaya, o mesmo que anos depois criaria o herói Ultraman para a TV. Tsuburaya se recusou a empregar a técnica de stop-motion (usada no clássico King Kong, por exemplo) e fez uso do que foi depois chamado de suitmotion, ou seja, um ator usa uma fantasia especial se movimentando com auxílio de aparatos mecânicos por um cenário de miniaturas e maquetes mescladas a cenas de multidão. A roupa de Godzilla pesava em torno de 90 kilos e o ator que a vestia, Haruo Nakajima, se movimentava com grande dificuldade pelos cenários, não conseguindo andar mais que 9 metros com a vestimenta.

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             A ideia de um universo compartilhado de monstros, que a Warner vem desenvolvendo, não é uma novidade exatamente, apenas há agora o investimento de uma superprodução e o melhor da tecnologia para dar vida a Godzilla, Mothra, Rodan, King Ghidorah e outras criaturas que tiveram filmes B extremamente populares, chegando até a enfrentar Godzilla.  Vejamos alguns: Em 1956, o mesmo Ishiro Honda dirigiu Rodan, o Monstro do Espaço (Sora no daikaju Radon) em que um pterosauro mutante aterroriza Tóquio. Primeiro filme japonês de monstro a cores, o pterosauro teve o nome modificado no ocidente, do original Radon (redução no Japão para puteranodon) para Rodan porque havia nos Estados Unidos um sabonete com o mesmo nome. Outra mudança na versão americana foi a voz do Professor Kashiwagi que foi redublado (embora sem ter sido creditado por isso) por George Takei, o Sr.Sulu de Jornada nas Estrelas. Mudanças como esta se tornaram comuns para a ocidentalização dos monstros japoneses. Sendo assim, a mariposa gigante Mosura do filme de 1961 virou Mothra, a Deusa Selvagem, novamente dirigida por Ishiro Honda, nesta altura já reconhecido em sua terra como um especialista em Kaiju Eiga ou Daikaiju Eiga como são chamados no Japão os filmes de monstros. Mothra foi o primeiro filme japonês de monstro em que a criatura surge não como um avatar do mal, mas com uma divindade idolatrada pelos habitantes da ilha Beiru, onde cientistas exploram a região e sequestram duas mulheres nativas, despertando assim a ira de Mothra que parte em seu resgate. Sua popularidade não demorou para que os produtores a colocassem em um mesmo filme que Godzilla. Não demoraria também para que além da Toho, outro estúdio se interessasse pelo gênero. Em 1965, os estúdios Daiei lançam Gamera, uma tartaruga gigantesca vinda do ártico para destruir Tóquio, último filme do gênero no Japão a ser filmado em preto e branco. O sucesso dele também seria seguido por uma série de outros filmes.

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           Alegorias da mente humana, defensores ou destruidores, essas criaturas ganharam imensa popularidade a medida que expurgavam os fantasmas da radiação atômica que atormentavam os japoneses. No ocidente a aparição dessas criaturas, bem como de alienígenas, espelhavam seus outros medos, mais adequados ao temor da guerra fria. Té a Inglaterra também embarcou no gênero e criou seu próprio lagarto gigante em Gorgo (1961) de Eugene Lourie, praticamente uma cópia britânica de Godzilla com Londres no lugar de Tokio. O mesmo diretor já havia filmado em 1953 O Monstro do Mar (The Beast from 20000 Fathoms) , baseado em uma história curta de Ray Bradbury, e que trazia a mesma premissa de Godzilla: a do monstro pré-histórico despertado por testes atômicos no Atlântico Norte e que vem a atacar a cidade de Nova York. Por ter sido feito um ano antes de Godzilla, muitos o consideram a inspiração para o filme de Ishiro Honda.

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          O sucesso e a popularidade de Godzilla sempre foi superior a dos demais tendo retornado em diversas continuações, e refilmagens em um total de 30 filmes, sendo que 7 deles tiveram a direção de Honda incluindo os curiosos King Kong vs. Godzilla(1962), Mothra vs. Godzilla (1964), Ghidrah, o Monstro Tricefálo (1964) que também trazia Rodan, A Guerra dos Monstros (1965) e Terror Contra Mechagodzilla (1975). Com exceção do primeiro Godzilla de 1954, o lagartão com barbatanas dorsais e pele cinzenta e áspera que deu vida aos pesadelos dos japoneses deixou de ser seu algoz para ser defensor da humanidade nas sequências feitas, entrando em combate com outros monstros, e até com alienígenas, para salvar a Terra. Dessa forma, Godzilla tornou-se um fenômeno popular tanto no oriente quanto no ocidente onde foi americanizado com uma nova versão dois anos depois de seu lançamento original. O filme de Ishiro Honda foi remontado para lançamento internacional e com acréscimo de um novo personagem, o repórter Steve Martin (Raymond Burr) que é enviado ao Japão para cobrir o ataque de Godzilla. O processo que incluía dublagem das vozes originais se repetiu constantemente com Mothra e os demais filmes do gênero que ganhariam lançamento internacional.

           Mesmo que na década de 70 e 80, o gênero já estivesse desgastado na América; no Japão o rei dos monstros é recriado para uma nova geração em The Return of Godzilla (1984), muito antes que o reboots se tornassem comum. Dirigido por Koji Hahimoto, esse filme recupera a figura da fera como vilão. O ator Akhiko Hirata, que no filme original interpretou o Dr. Serizawa, que cria a fórmula usada para matar Godzilla, foi quase incluído nesse novo filme, mas infelizmente um câncer de garganta o matou antes. O filme, contudo, não teve um impacto tão grande assim apesar de outros exemplares continuarem a ser feitos no Japão. Uma nova tentativa de  ocidentalizar o monstro foi feita em 1998 pelo diretor Rolland Emmerich, que havia realizado o blockbuster de sucesso Independence Day. Emmerich aceitou recriar Godzilla depois de garantir a liberdade de promover as mudanças que desejasse, incluindo no visual da criatura já que admitira na época nunca ter sido fã do personagem. Apesar do bom elenco que incluía Matthew Broderick e Jean Reno, o resultado foi insatisfatório com um roteiro que mais parecia um amálgama de toda a série Jurassic Park. A perseguição dos filhotes de Godzilla no estádio, por exemplo,  lembrava a perseguição dos velociraptores.  Embora em termos financeiros o filme não tenha sido ao contrário do que se pensou desastroso, não agradou ao público e muito menos a critica. As sequências de ação não empolgavam e abusavam demais do bom senso como Godzilla desfilando por entre os edifícios de Nova York , a perseguição na ponte suspensa ou a criatura cavando tuneis, todas extremamente exageradas para um animal de tais dimensões. A decepção com o resultado desestimulou os planos do estúdio para continuações. Em 2000, o Japão retomou o personagem ignorando o filme de Emmerich em Godzilla 2000, que teve lançamento internacional, mas não o impacto esperado. A fórmula do grande monstro, no entanto,  nunca se esgotou no cinema sendo ocasionalmente revisitada como J. J.Abraams em Cloverfield (2008) ou Guilhermo del Toro em Círculo de Fogo (2012).

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           O novo filme, que agora dá sequência ao filme de 2014, traz um elenco de nomes que inclui Vera Farmiga (de “Invocação do Mal”) e Milli Bobby Brown (a Eleven de “Stranger Things”), mas o elenco humano não tem muito o que fazer, por mais que haja a nítida intenção de dramatizar quando o que todos querem assistir é o embate de monstros já que é disto que se trata o gênero Kaiju, como é chamado na terra do sol nascente. Não espere, no entanto, que este seja o ultimo filme pois a Warner já planeja para o ano que vem “Godzilla Vs Kong“, e não saiam da sala antes de ver a cena pós-crédito. A popularidade de ambos os monstros sempre garantiu seu lugar na cultura pop, o que ganhou espaço em animações e HQs. No imaginário popular, todos aprendemos a temer e a adorar o monstrengo, e por isso mesmo justifica-se sua alcunha de “Rei dos Monstros”

ALADDIN – MAIS QUE MIL & UMA NOITES

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TEXTO DE AGATHA MATTOS DE CARVALHO SANTOS & ADILSON DE CARVALHO SANTOS

É COM MUITO ORGULHO QUE PUBLICO ABAIXO O PRIMEIRO ARTIGO ESCRITO A QUATRO MÃOS, COM A COLABORAÇÃO DE MINHA FILHA AGATHA. NÃO A TOA O TEMA DO FILME É A MÁGICA, AFINAL DE CONTAS ELA REALIZA MÁGICAS EM MINHA VIDA.

        “Dez mil anos ali dentro te deixam com um terrível torcicolo”, foi com essa frase bem irônica que um gênio azul se apresenta na fantástica animação da Disney de 1992. Um triunfo dirigido por John Musker e Ron Clements com auxilio de um time de animadores e técnicos que mesclaram as técnicas tradicionais do gênero com o melhor em computação gráfica disponível então. O apelo dessa história atravessa gerações, fixa em nosso imaginário valores de amor, lealdade e bravura como nas palavras de uma criança  :

      “A história de Aladim surgiu na antiga Pérsia mostrando um rapaz humilde que se apaixona pela princesa Jasmine, mas eles não podiam ficar juntos porque Jasmine era filha do Sultão, rica, e Aladim era plebeu. Ele encontra uma lâmpada mágica que trazia um gênio capaz de realizar três desejos. Assim, Aladim chama a atenção do Sultão, enfrenta o malvado Jafar e conquista o coração de Jasmine. Aladim é jovem e corajoso pois enfrenta todos os perigos da caverna das maravilhas, e ainda os planos do maligno Jafar para se apossar do reino. Jasmine não tinha liberdade para escolher seu destino, mas mesmo que triste não se permite ter medo de Jafar. O gênio é piadista, falante, divertido e como Aladim e Jasmine, também tem um sonho, a sua liberdade. Juntos esse trio vive mil e uma aventuras e, assim, é o melhor filme da Disney com melodia emocionante. Muito legal a mensagem de que precisamos acreditar em nossos sonhos, nossos desejos, mesmo não tendo na vida real um gênio de verdade ao nosso lado”.

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ANIMAÇÃO E LIVE ACTION

          Pois esta história compõe uma coletânea que remonta tempos imemoriais levadas ao ocidente pelo francês Antoine Galland por volta de 1704. Este reuniu diversas histórias atribuídas à figura da Rainha Sherazade, esposa do rei Shariar que matava todas as mulheres com quem casava desde que fora traído por sua primeira esposa. Ao casar-se com o rei, Sherazade passou a contar-lhe uma série de histórias (dentre elas Ali Babá e os 40 ladrões, Simbad o marujo entre outras) cuja inventividade e desenrolar mantiveram o rei entretido por mil e uma noites, ao final dos quais o rei abandonou sua sede de matança. Sherazade tornou-se um ícone como poder feminino já que usou o poder de suas palavras para mudar um reino. Sua façanha é mencionada em manuscritos datados do século IX e em diversas variações literárias reunindo contos folclóricos provenientes da Índia, do Oriente Médio e outras regiões próximas. A própria história original de Aladim se passa na China, e muitos historiadores acreditam que Galland modificou e acrescentou vários elementos por conta própria.

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O ALADDIN DO CINEMA MUDO COM ATORES INFANTIS

            A reconstrução do conto em uma cidade árabe já aparece em “Aladdin and the magical lamp”, adaptação de 1917. Nela, assim como no conto, a princesa não se chama Jasmine, mas Badr al-badur, e tanto ela quanto Aladim são interpretados por crianças. Em 1924, uma variação do mesmo conto das mil e uma noites gerou “O Ladrão de Bagda” (The Thief of Bagda) veículo para o estrelato de Douglas Fairbanks que impressionou as plateias do passado ao levitar sobre o tapete mágico. Em 1940, o mesmo foi refilmado com o ator indiano Sabu no papel do ladrão Abu que substitui Aladim como o bravo herói a desafiar o grão-vizir Jafar. O filme ganhou três Oscars: Melhor fotografia, direção de arte e efeitos especiais, estes de fato triunfantes ao mostrar Rex Ingram no papel do gênio. Em 1945, a Columbia Pictures realizou uma versão ainda mais livre do conto em “Aladim & A Princesa de Bagda” (A Thousand & One Nights) fazendo de Aladim um cantor sedutor que se apaixona pela princesa Armina (Adele Jergens). Entre as liberdades tomadas, o gênio é uma mulher (Evelyn Keyes) e Aladim ganha a companhia de um amigo trambiqueiro, Abdullah, interpretado por Phil Silvers, comediante de língua ferina extremamente popular nos anos 40 e 50. Silvers faz um personagem descolado e anacrônico portando óculos que ainda não tinham sido inventados e disparando a todo momento o irônico comentário de que nasceu mais de 1000 anos antes de seu tempo. Essa versão acabou se tornando uma pérola da antiga Hollywood.

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NA VERSÃO DE 1945 O GÊNIO É A ATRIZ EVELYN KEYES MAS É O COMEDIANTE PHIL SILVERS QUEM ROUBA A CENA COM SEU HUMOR FALASTRÃO

                Ainda tivemos uma versão brasileira da lenda estrelada por Renato Aragão e Dedé Santana em 1974 e dirigido pelo saudoso J.B Tanko. Entitulada “Aladim & A Lâmpada Maravilhosa”, o filme foi gravado no Rio de Janeiro e São Paulo e alcançou uma das dez maiores bilheterias nacionais. Outra versão livre intitulada simplesmente foi “Aladdin” de 1986 que teve Bud Spencer (da hoje esquecida dupla Trinity) no papel do gênio e com a ação transferida de Badga para a Miami oitentista.

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RENATO ARAGÃO, DEDÉ SANTANA & MONIQUE LAFOND NA VERSÃO BRASILEIRA DE ALADDIN

               Foi, no entanto, a versão de Disney de 1992 que se beneficiou do talento de um dos astros mais queridos do cinema americano, o ator Robin Williams, que roubou a cena no papel do gênio. A presença de Williams, maior que a tela, fez do gênio um dos pontos mais altos da animação, improvisando a maior parte de suas falas. Ainda que o público brasileiro tenha ouvido a excelente dublagem de Marcio Simões para o gênio, a personalidade histriônica de Robin Williams é contagiante. O ator, infelizmente, teve problemas posteriores com a Disney devido ao uso de sua imagem no personagem, mas é inegável que os animadores Ward Kimball e Freddie Moore souberam explorar a figura de Williams adaptando seu talento com as cores e formas múltiplas que o gênio assume ao longo da história. Williams, falecido em 2014, deixou um enorme legado com sua capacidade de extrair emoção e risadas com sua presença em cena, e o gênio é um de seus maiores feitos. Para o desenho de Aladdin, os animadores usaram o rosto de Tom Cruise como inspiração e acrescentaram os trejeitos do então, igualmente popular, Michael J.Fox (De Volta Para o Futuro). O resultado, além de bilheteria milionária, foi a conquista do Oscar de melhor trilha sonora, e de melhor canção para “A Whole New World” .

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ROBIN WILLIAMS O GÊNIO QUE FEZ UM GÊNIO

              A refilmagem que traz Will Smith no papel do gênio mostra a grande mágica dessa história que, há gerações, vem nos divertindo com uma mistura de ação, humor e emoção pois todos se sentem atraídos por histórias que exploram grandes desafios, lugares fantásticos perdidos no tempo e no espaço mas encontrados no imaginário popular, um lugar ideal onde a mágica nunca deixou de existir e tampouco ficou limitada a três desejos. Como nas palavras de Robin Williams, O gênio que fez UM gênio, “Sou história, não sou mitológico, não importa… ei sou livre !!!” Livre com o poder do talento e de uma imaginação que atravessa bem mais do que mil e uma noites.

DORIS DAY ETERNA

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É COM ESSE SORRISO QUE VOU ME LEMBRAR DELA. NADA A DIZER ALÉM SAUDADES DE UMA DAS MAIORES ESTRELAS DO CINEMA CUJA VOZ EMBALOU MINHA VIDA. RECENTEMENTE POSTEI EM 3 DE ABRIL UM TEXTO SOBRE MINHA DIVA QUE HOJE SE JUNTOU ÀS ESTRELAS.

GRANDE ESTREIA : CEMITÉRIO MALDITO

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A ATUAL VERSÃO

                     Era obvio, desde o sucesso de “IT – A Coisa”, que Hollywood redescobriria o potencial de Stephen King, o prolífico escritor que desde a segunda metade dos anos 70 é recorrente em adaptações ora para o cinema ora para TV. Certamente que nem sempre o resultado dessas adaptações foi à altura da criatividade deste norte-americano de 71 anos, o que justifica até certo ponto que seja revisitado e refilmado ao gosto da nova geração.

                    “Cemitério Maldito(Pet Sematary) é o único livro que o próprio autor admitiu já tê-lo assustado. Escrito no curto período em que Stephen King alugou uma casa à beira de uma movimentada estrada onde morreu o gato de sua filha, Naomi;  King imaginou a história que veio a se tornar o livro, mas que demorou a publicar porque não acreditava na qualidade desta até que sua esposa o convenceu a publicá-lo. O livro acabou se tornando um campeão de vendas e um de seus trabalhos mais memoráveis, já tendo sido adaptado em 1989.

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O FILME ORIGINAL

                    A história é a de um casal que se muda com seus filhos para uma casa à beira de uma estrada. A floresta próxima guarda mistérios, como um antigo cemitério indígena onde quem é enterrado ressuscita, porém transformado em um ser maligno, sem alma ou coração. O filme de 1989 foi uma adaptação bem próxima do material original, com o terror criado a partir de uma premissa reflexiva, a de que há coisas piores que a morte. O livro fala da aceitação da brevidade da vida e de que se interferimos na ordem natural das coisas, pagamos um preço terrível por isso. Embalado pela trilha sonora que inclui a banda “Ramones”, a favorita do autor, “Cemitério Maldito” está entre as melhores adaptações de King, e entre as mais assustadoras obras do gênero. Difícil não tremer quando o menino Cage é subitamente atropelado por um caminhão. Essa e outras passagens da história criam um clima de angustia crescente tanto nas páginas do livro quanto nas cenas que se desenrolam à medida que a família Creed (Dale Midkiff e Denise Crosby) se desesperam e vão às últimas consequências para recriar sua família. Com orçamento modesto de cerca de US$11 milhões, o filme dirigido por Mary Lambert foi um sucesso quando lançado nos cinemas em outubro de 1989.

                 Na nova versão teremos algumas modificações além do elenco que inclui o sempre excelente John Lightgow no papel de Judd Crandall, o homem solitário que conhece os segredos do cemitério de animais. No filme de 1989, o papel foi vivido por Fred Gwynne, o Herman da clássica série “Os Monstros” da década de 60. O novo filme também mostra sequências que haviam sido cortadas da primeira versão mostrando o Wendigo, a criatura sobrenatural que habita as florestas e provoca sustos na narrativa do livro. Outro triunfo para quem curte as histórias do autor é a sua habilidade de conectar suas histórias. Muito antes que se falasse em universo compartilhado, King sempre que escrevia histórias novas incluía referências a outros de seus sucessos. Em “Cemitério Maldito”, o livro, encontra-se menções ao cão Cujo e à cidade de Jerusalem, respectivamente dos romances “Cujo” e “Salém’s Lot”. Este último, inclusive, ganhará nova versão em breve.

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           O filme de 1989 foi inclusive o primeiro de seus livros roteirizado pelo próprio King, que faz uma aparição em cena como um padre. Na nova versão os diretores Kevin Kolsh e Dennis Widmyer aproveitam detalhes deixados de lado no filme de 1989, faz algumas modificações mas mantém o clima das páginas que fizeram de Stephen King um rei do gênero. Sem spoilers, saibam que a nova versão não uma repetição quadro a quadro do filme original, mas uma releitura, recriando o final e acertando em não se render ao susto fácil, mesmo sem que seja um primor comparado a outras adaptações de King, o filme cumpre a promessa de assustar e provar que a morte não é um fim, mas seria melhor que fosse, ao menos nesse caso.