VELOZES & FURIOSOS: HOBBS & SHAW

           Quando Dwayne Johnson entrou para o elenco de “Velozes & Furiosos“, no quinto filme, a franquia ganhou um segundo fôlego. Seu personagem, o agente Luke Hobbs, ganhou espaço e marcou presença em todos os filmes na sequência. Natural que tenha sido pensado em um derivado (spin off), principalmente depois da inegável química entre Johnson e Jason Statham, introduzido como antagonista do sétimo Velozes, e retornando como importante aliado no oitavo filme “The Fate of the Furious“.

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         Nesse caso só para efeitos comparativos, o lucro foi de US$207 milhões (Velozes 1), US$ 236 milhões (Velozes 2), US$158 milhões (Velozes 3), US$ 363 milhões (Velozes 4), chegando a Velozes 5” lucrando em torno de US$209 milhões de bilheteria doméstica, chegando a mais de US$600 milhões contabilizando o mercado internacional. Consideremos também as mudanças na estrutura narrativa da franquia a partir da entrada de Hobbs. Desde o final do 4º filme Bryan, o personagem do saudoso Paul Walker, passou de perseguidor a cúmplice de Dominic Toretto (Vin Diesel), levando o agente Hobbs a algoz, e depois aliado não oficial, recrutando os serviços da equipe de Toretto. A partir desse ponto, a franquia deixa o perfil de filmes de corrida e abraça o estilo “Missão Impossível” com ação desenfreada voltada para um público diverso tanto de jovens como de adultos. Depois da morte de Paul Walker acentua-se ainda mais a ação superlativa de lutas corporais, saltos monumentais, explosões e acrobacias impossíveis. “Hobbs & Shaw” mantem esse padrão e não poupa recursos para jogar o público em uma montanha – russa reunindo os personagens de Dwayne Johnson e Jason Statham dois anos depois dos eventos de “Velozes 8”. Um vírus letal está desaparecido e chega às mãos de Hattie (Vanessa Kirby), agente do MI6 em missão. Acontece que ela é irmã mais novas de Deckard Shaw (Statham), e alvo do vilão Brixton (Idris Elba), um super soldado de força ampliada, que como o próprio afirma o faz um “Superman negro”. Claro que em meio a essa explosão de testosterona, o filme tem espaço para o poder feminino. A personagem de Vanessa Kirby não é uma dama em perigo, mas uma espiã com atitude e inteligência, sem mencionar as passagens em cena da dama Helen Mirren, reprisando seu papel de Sra Shaw, e da atriz, cantora e modelo mexicana Eiza Gonzales adicionando tempero latino com sua Madame M.

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            O roteirista Chris Morgan, também responsável pelos outros filmes da franquia, entrega um entretenimento esperado pelo público alvo, com ação e humor e dois protagonistas que se toleram por conta da situação mas que não perdem a oportunidade de trollar um ao outro. O diretor David Leitch entrega um filme recheado de ação, linguagem que já mostrou dominar em “John Wick” com Keanu Reeves (embora não creditado), “Atômica” com Charlize Theron e “Deadpool” com Ryan Reynolds.

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          Claro que quando se fala de “Velozes & Furiosos” espera-se cenas estonteantes como a chuva de carros em “Velozes 8” ou carros saltando de paraquedas como em “Velozes 7”. Não é diferente desta vez e o público vai delirar ao ver os músculos de Dwayne Johnson tentar segurar um helicóptero ou Jason Statham em coreografias de luta que fazem ambos parecerem super heróis, afinal de contas o filão continua alto em Hollywood e atrai bilheterias impressionantes. Mas não espere abuso de tecnologia digital e tela azul, Leitch garante que tudo foi filmado com técnicos e dublês como a eletrizante perseguição de moto com Idris Elba, de tirar o fôlego. O filme ainda acrescenta aquele elemento de família que perpassa a franquia Velozes quando a ação leva a dupla de parceiros relutantes a uma ilha da Polinésia, raiz dos antepassados de Dwayne e palco do desfecho da história. O próprio Dwayne garantiu que atores asiáticos fossem escalados, além do lutador de WWF Joe Anoa’i em seu primeiro papel no cinema.

             Foi notório que ocorreram desentendimentos entre Diesel (produtor executivo da franquia) e Johnson. Conta-se que os desentendimentos teriam começado quando os produtores da Universal se decidiram por um filme centrado nos personagens de Johnson e Statham, levando Vin Diesel a faltar às filmagens e até a reduzir o espaço em cena dos dois atores em “Velozes 8”. O fato é que com a decisão do estúdio de investir primeiro em “Hobbs & Shaw” e a deixar o próximo Velozes para 2021 provocou uma cisão no clima de “família” da série.  Esqueça, no entanto, que Diesel tenha anunciado “Velozes 9” sem Johnson ou Statham. Esqueça também a lógica ou qualquer traço de verossimilhança. Acelere e se divirta, e já vai ter valido a pena a ida ao cinema.

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