BOND 15: 007 MARCADO PARA A MORTE

Quando Roger Moore deixou o papel de James Bond em 1985, o cinema estava dominado pelos filmes de ação dos futuros mercenários Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, a guerra fria já não era mais a mesma e o tom nada sério que perdurou na era Moore havia desgastado a imagem de 007 diante do público. Broccoli precisava se adaptar à década de 80 e também Bond, cujo apetite sexual não era condizente com as assustadoras noticias sobre a AIDS que chegavam às pessoas. Além disso, praticamente quase todos os livros de Fleming já haviam sido adaptados (Os títulos ao menos, já que sabemos que as histórias eram sempre modificadas).

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“The Living Daylights” era originalmente um dos contos publicados na mesma coletânea que “Octopussy” e tratava da deserção de um oficial russo que atraía Bond para trás da cortina de ferro (como era chamado os países socialistas do leste europeu). O oficial é recapturado e Bond mergulha na investigação dos eventos que envolvem um plano para deflagar um novo conflito mundial. O roteiro novamente de Michael G.Wilson e Richard Maibaum muda vários elementos do conto original, deslocando a deserção das  fronteiras das Alemanhas (Ocidental e Oriental como era então dividida) para a Thechosolaquia. A direção foi entre entregue para John Glenn pela quarta vez e nota-se sua tentativa de recriar a franquia Bond com um ritmo mais acelerado de ação, sem humor intencional ou involuntário, se aproveitando da nova imagem do personagem personificado por um novo intérprete. Foram cogitados na época os nomes de Christopher Lambert, Mel Gibson e Sam Neill que chegou a fazer testes de cena. O escolhido acabou sendo … o irlandês Pierce Brosnan, mas este estava preso sob contrato à série de TV “Remington Steele”, situação semelhante a que passou Tom Selleck que por causa de seu contrato com Magnum na Tv não pôde fazer Indiana Jones.  O destino pregou curiosa peça já que Timothy Dalton já tinha sido, no passado, considerado para o papel de 007 quando Sean Connery deixou o papel livre após “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” em 1967. Na época Dalton era muito jovem, mas agradou o suficiente para que o convite fosse refeito e o ator galês fosse anunciado como o novo 007 ainda em 1986. O filme “007 Marcado para a Morte”, título nacional para “The Living Daylights” acertou no tom e na escolha: Timothy Dalton, agora com 41 anos, fazia um Bond mais jovial que Moore e mais sério, mais próximo inclusive dos livros de Fleming e mais comportado sexualmente. Sua única Bond girl no filme é a atriz Maryam D’Abo que havia sido testada para um papel secundário em “007 Na Mira dos Assassinos” (A View to a Kill) e embora tenha sido reprovada, chamou a atenção de Barbara Broccoli, que se lembrou da atriz, então com 27 anos, para o papel da violoncelista Kara Milovy.

007 marcado para a morte

O novo filme de Bond também foi o último a  ter a trilha sonora composta por  John Barry e o primeiro em que a personagem Srta Moneypenny não é interpretada por Lois Maxwell, tendo sido substituída por Caroline Bliss. Outra mudança é o personagem do russo Pushkin (John Rhyes Davis, o anão Gimli de “O Senhor dos Anéis”) que entra na trama em papel chave que seria a principio desempenhado pelo General Gogol (Walter Gotell), personagem recorrente nos filmes anteriores da série. O problema era que o ator Walter Gotell estava com a saúde debilitada e não poderia assumir uma papel mais ativo na trama, ficando este com uma pequena aparição, sua última nos filmes de 007.

Timothy Dalton e Carey Lowell

A canção-tema ficou com a banda norueguesa A-HA, dando ao filme um clima mais pop, sendo que os produtores chegaram a convidar Morten Harken (o vocalista da banda) para um pequeno papel, mas o cantor recusou. O filme custou em torno de $40 milhões e rendeu bem mais do que o dobro, tendo estreado em 30 de Julho de 1987 e coroando Dalton no papel que voltaria a desempenhar apenas mais uma vez, dois anos depois.

JAMES BOND RETORNARÁ AO BLOG EM “007 PERMISSÃO PARA MATAR”