ESPIONAGEM NA LITERATURA & NO CINEMA

         Que ninguém duvide que a figura de um espião ainda é extremamente atraente ao imaginário popular. Por isso a todo momento o cinema traz adaptações de grandes romances de espionagem, embora nem sempre sendo fiel às suas raízes literárias. A figura de um agente secreto em uma missão super confidencial e de grande importância não é uma invenção recente da cultura pop mas um arquétipo recorrente e romanceado de uma prática real e nada glamurosa. Suas origens remontam na verdade séculos de atividades e exercícios ligados a intrigas políticas e jogos sombrios nos bastidores do poder.

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        O escritor norte americano James Finemore Cooper (1789 – 1851) – autor do clássico “O Último dos Moicanos – foi um dos primeiros a criar uma história de intriga política nos romances “O Espião” (1821) e “O Bravo” (1831), precursores de um gênero que só seria reconhecido no século XX. A lendária agência de detetives Pinkerton, além de ter tido participação na captura de notórios fora-da-lei, conseguiu evitar um atentado ao Presidente Abraham Linconl através de ações de vigilância que comprovam a máxima de Sun Tzu, autor de “A Arte da Guerra”, que fala sobre “ser extremamente sutil, tão sutil que ninguém possa achar qualquer rastro”. Se sutileza e mistério são essenciais na espionagem, a elas se juntou uma arma ainda mais eficaz: a sedução. Com ela a exótica Margaretha Gestruida Zelle (1876 – 1917) ganhou a eternidade como Mata Hari, que durante a Primeira Guerra (1914-1918) trabalhou para alemães e franceses, sendo por isso executada. Dançarina e cortesã, Mata Hari agia tal qual Milady de Winter na trama dos “Três Mosqueteiros” , fazendo do sexo uma arma tão ou mais mortífera que uma arma de fogo. “Mata Hari” foi vivida no cinema por Greta Garbo em 1931 , Jeanne Moreau em 1964 e Sylvia Kristel em 1985. Sua figura de curvas sinuosas e movimentos furtivos inflamou a imaginação e serviu de imagem fundamental para a caracterização de agentes eficientes na arte de coletar informações.

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           O estouro de duas Guerras Mundiais e as intrigas advindas dos interesses políticos instigaram a necessidade de agir de forma vigilante e preventiva contra inimigos em potencial, comprovando que “a supremacia da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”, como no tratado de Sun Tzu. O cinema mostrou isso em filmes como “Agente Secreto” (1936), “O Homem que Sabia Demais” (1934 e refilmado depois em 1954) , “O Sabotador” (1940) e “Intriga Internacional” (1959), todos do mestre Alfred Hitchcock e que deixaram bem claro a importância no mercado negro das informações confidenciais para atentados, insurreições e conspirações que podem abalar o equilíbrio de forças no mundo. O mundo bipolarizado do pós-guerra fez da guerra fria um elemento fértil para elaboração de tramas intricadas e teias conspiratórias. Mais do que nunca se via a importância de se controlar o fluxo de informações e evitar que o lado inimigo ganhasse qualquer vantagem. Manter vigilância constante significava se proteger. Nas palavras de Sun Tzu o lado vencedor de um conflito precisava de vidência, não de espíritos ou deuses, mas de homens que conhecessem o inimigo. Assim as atividades de contra-espionagem ganharam importância absoluta.

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            O gênero, contudo, ganhou a cultura pop com a chegada de Bond, James Bond, publicado pela primeira vez no romance “Cassino Royale”, de Ian Fleming, em 1953, e transposto para as telas nove anos depois em “007 Contra o Satânico Dr.No” com Sean Connery, o primeiro de seis atores que, desde então, viveram o agente favorito de sua majestade, e do público. Bond nunca teve um rival a altura, em termos de popularidade e longevidade nas telas, mas teve vários imitadores. Em 1966, James Coburn viveu o agente Derek Flint em “Flint Contra o Gênio do Mal” e , no ano seguinte, em “Flint : Perigo Supremo”.  Na mesma ocasião Matt Helm, o espião criado nos livros de Donald Hamilton, ganhou o ar cool de Dean Martin em 4 filmes: “O Agente Secreto Matt Helm”, “Matt Helm Contra o Mundo do Crime” , “Emboscada para Matt Helm” e “Arma Secreta Para Matt Helm”. Diferente dos livros, o tom dos filmes é de paródia com Dean Martin explorando sua própria persona: um bon-vivant, cercado de belíssimas mulheres e que, por acaso salvava o mundo. Os anos 60 fizeram da figura do agente secreto parte da cultura pop, tornando-o quase um super – herói, mas se distanciaram dos elementos literários onde o trabalho de inteligência é descrito de forma mais fria, destituído de qualquer glamour. Mais próxima dessa abordagem são os filmes em que Michael Caine interpretou o agente Harry Palmer,  criado pelo autor britânico Len Deighton. Enquanto que nos livros, o agente de Deighton é um narrador anônimo que apenas tem o primeiro nome mencionado uma vez, nos filmes produzidos por Harry Saltzman o personagem ganha uma identidade com a qual o público possa se relacionar, mas mantem o ar desglamourizado de um mero operário do governo. Os filmes “Ipcress : Arquivo Confidencial”(1965), “Funeral em Berlin” (1966) e “O Cérebro de Um Bilhão de Dolares” (1967) ajudaram a reforçar no imaginário popular a figura do espião como o salvador da democracia e da liberdade contra as forças do mal. O escritor britânico John Le Carré se concentrou em aprofundar nesse lado frio e sem encantos da espionagem, não uma brincadeira, mas um braço forte do jogo de poder das nações. Entre seus livros estão “O Espião que Saiu do frio” (1963), “A Garota do Tambor” (1983), “A Casa da Rússia” (1989), “O Espião que Sabia Demais” (1974) e “O Homem Mais Procurado” (2008) são best sellers frequentemente adaptados para o cinema, sendo esses dois últimos as mais recentes visitações de Hollywood com excelentes atuações, respectivamente, de Gary Oldman e Philip Seymour Hoffman.

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            Igualmente importantes no gênero são os autores Robert Ludlum e Tom Clancy. O primeiro é o pai do espião Jason Bourne. Uma arma humana treinada pelo governo para matar e que acaba por se tornar um embaraço e uma ameaça para o sistema quando perde sua memória. Sua história foi mostrada em “A identidade Bourne” (1980), “A Supremacia Bourne” (1986) e “O Ultimato Bourne” (1990), adaptados para o cinema a partir de 2002 com Matt Damon no papel de Bourne. Os livros de Ludlum são embebidos de ação e intriga, tendo sido escritos entre 1980 e 1990. Neles o agente secreto é simplesmente um assassino controlado por organizações que regem os acontecimentos das sombras fazendo uso de manipulações, traições e lavagem cerebral sem nenhum freio moral. Bourne também se distancia dos super espiões auto confiantes estilo James Bond já que em sua missão em campo não há aliados e o protagonista privado de sua memória só pode contar com seus instintos. Nos livros Bourne foge de seus empregadores, da justiça e trava um xadrez mental com o vilão Carlos, o Chacal, o terrorista mais letal do mundo inspirado em uma pessoa real, o mercenário e assassino venezuelano Ilich Ramirez Sanchéz, vulgo Chacal, que cumpre prisão perpétua na França. Nos filmes estrelados por Matt Damon, com exceção de alguns elementos dos livros toda a história foi reescrita.

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                  Já Clancy mostrou-se hábil em retratar os bastidores do Serviço de Inteligência Americano, e o uso de novas tecnologias com seu agente Jack Ryan. O autor foi elogiado pelo então presidente norte-americano Ronald Reagan na ocasião da publicação de “A Caçada ao Outubro Vermelho” . A ele se seguiram outros livros, todos adaptados para o cinema e vivido por 4 atores diferentes: Alec Baldwin, Harrison Ford (Jogos Patrióticos & Perigo Real e Imediato), Ben Affleck (A Soma de Todos os Medos) e , mais recentemente, Chris Pine no reboot “Operação Sombra:Jack Ryan”. O serviço de streaming Amazon Prime Video já lançou a série “Tom Clancy’s Jack Ryan” protagonizada por John Krasinski conseguindo impressionar pelo apuro na adaptação do rico material do autor em uma eletrizante série de ação.

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         Casos como o do analista de sistemas Edward Snowden (retratado no oscarizado documentário “Citizenfour”) que denunciou a máquina de espionagem e invasão de privacidade mostra que a vida real imita a arte, sem os requintes e o lado fantasioso de Hollywood, mas com o rigor de saber que há séculos vigilância e dissimulação fazem parte dos jogos de poder. Vigilância e tráfego de informações são ferramentas da manutenção da ordem mundial, já rendendo o vindouro filme “Snowden” que chega aos cinemas no final desse ano. Com isso não resta dúvidas de que  muitas guerras são travadas em meio às sombras que se estendem muito além do alcance dos olhos, pois na prática a supremacia dos jogos de guerra reside na estratégia de conhecer teu inimigo, tornando-se o próprio, planejando na escuridão e agindo rápido como um trovão e buscando um xeque-mate. Nisso, a literatura soube explorar melhor que o cinema.

ENTRE FACAS & SEGREDOS

      O filme é entrecortado por vários depoimentos e flashbacks de uma família moralmente disfuncional onde a mentira e a dissimulação é regra vital para garantir interesses financeiros. Plummer, o Capitão Von Trapp do clássico “A Noviça Rebelde”, aparece pouco mas ganha a atenção sua cumplicidade e amizade com a enfermeira Martha Cabrera (Ana de Armas). Esta faz um papel chave, mas o roteiro é tão bem escrito que as cenas são bem distribuídas para que Jamie Lee Curtis, Michael Shannon, Tony Collete e Chris Evans tenham passagens muito bem inseridas no mistério que se desenrola em três atos. Primeiro o crime cometido e os interrogatórios de Benoit Blanc seguem a estrutura de histórias como “Assassinato no Expresso do Oriente” e “Morte no Nilo” até a primeira hora quando Johnson subverte a estrutura narrativa e revela o assassino. A partir daí o filme mistura o suspense hitchcockiano com o clima da tele série “Columbo”, onde o criminoso, revelado somente aos olhos do público, procura apagar seu rastro, sendo implacavelmente perseguido pelo detetive. A medida que essa segunda parte se desenrola, temos uma mudança brusca de rumo quando Rhan Johnson retoma o clima das novelas de Agatha Christie em um criativo plot-twist que exalta a capacidade do cinema de ainda ser criativo não por romper com os clichês, mas por justamente não negá-los, brincando com estes. Assim, Johnson conseguiu resultado superior ao seu trabalho atrás das câmeras em “Star Wars: O Ultimo Jedi” (2017), que dividiu opiniões.

        O filme está merecidamente ganhando seu valor conquistando 3 indicações aos Globo de Ouro 2020, 3 indicações ao Critics Choice Award, além de outras honrarias. Dificil é imaginar quando poderíamos reencontrar Benoit Blanc já que uma segunda aventura seria bastante pertinente, bem vinda, e a prova que na literatura e no cinema o crime não apenas compensa, como diverte.

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GRANDE ESTREIA : MAMMA MIA – LÁ VAMOS NÓS DE NOVO

Mamma Mia – Here we go again. EUA 2018. Dir: Oil Parker. Com Amanda Seyfried, Meryl Streap, Lily James, Dominic Cooper, Pierce Brosnan, Stellan Skarsgard, Colin Firth, Cher, Andy Garcia, Christine Baranski, Julie Walters. Musical.

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Há dez anos o cinema balançou ao som das canções do Abba, grupo sueco que dominou o mundo pop na década de 70. Suas melodiosas canções já haviam sido reunidas em um musical da Broadway, então por que não levá-las ao cinema ? O resultado foi um sucesso arrebatador de público e crítica que impressionou também pela versatilidade com a qual a estrela Meryl Streap cantava e encantava sucessos como “Dancing Queen”, “The Winner Takes it All” e “S.O.S” entre outras, divididas com os demais membros do elenco incluindo o ex 007 Pierce Brosnan e a igualmente talentosa Amanda Seyfried como Sophie, a obstinada jovem que convida seus três possíveis pais para seu casamento. Tudo isso tendo como cenário as belas paisagens da Grécia.

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CHER & ANDY GARCIA: ALGO NO AR

Claro que não demoraria para que uma sequência fosse realizada, embora pareça tardio o lançamento do filme. Há novas canções do imenso repertório do Abba, assim como repetições no momento em que Sophie (Seyfried) retorna para o lugar em que foi criada cinco anos depois que Donna (Streap) falecera. Grávida, Sophie descobre histórias do passado de sua mãe, de como ela conheceu Sam, Bill & Harry. A novidade está nas passagens de tempo entre o presente e o passado e a chegada de Cher como a mãe de Donna.  É nas incursões do passado que Lily James (Cinderella, O Destino de Uma Nação)  brilha como a jovem Donna trazendo charme e mostrando talento para se conectar com uma personagem já marcada pela diva Meryl Streap. Lily consegue convencer, consegue encantar e mostrar como suas escolhas e atitudes levarão aos eventos do primeiro filme. À presença hipnótica de Cher adiciona-se o sempre ótimo Andy Garcia, o Fernando da clássica canção do Abba, papel para o qual foi escolhido pela própria Cher.

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LILY JAMES – DONNA JOVEM

Infelizmente os roteiristas tomaram uma decisão lamentável, para os fâs do primeiro filme. Meryl aparece pouquíssimo, praticamente em lembranças já que Donna está morta quando o filme começa. Nem mesmo contracena com Cher, que faz sua mãe. Ambas já são amigas de longa data e trabalharam juntas em 1983 no filme “Silkwood – Retrato de uma Coragem”. Ainda que a morte de sua personagem sirva para o desenvolvimento da narrativa, não há como não lamentar sua ausência. Ainda assim vale a pena assistir e se deixar por canções belíssimas, personagens marcantes e uma história, que não há de se surpreender, pode gerar no futuro um terceiro filme. Mamma Mia !!!!!

 

ESTREIAS DA SEMANA: 11 DE JANEIRO DE 2018

O TOURO FERDINANDO

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(Ferdinand) EUA 2017. Dir:Carlos Saldanha. Vozes: David Tennant, John Cena, Kate McKinnon, Bobby Carnavale, Gina Rodriguiez. Vozes Brasileiras: Octaviano Costa, Maísa Silva, Thalita Carauto. Animação.

Em 1938 a Disney levou o Oscar de melhor curta com “Ferdinand o touro”, animação de 8 minutos por sua vez adaptada do livro infantil homônimo de Munro Leaf. Carlos Saldanha, o hábil animador brasileiro pro trás de “A Era do Gelo” (2002) e “Rio” (2011), dirige esta readaptação divertida, voltada para toda a família, mas que peca por ter alongado a história original que é bem curta: Na Espanha, um touro grandão mas gentil, se recusa a ser o astro das touradas, preferindo uma vida idílica no campo entre as flores. Claro, que o sensível animal acabará inadvertidamente parar em uma tourada. A mensagem de que nós escolhemos nosso destino, e não os outros, é bonita e abre a oportunidade de conhecermos a tradição das touradas espanholas. A arena usada na história é a mais velha do mundo na vida real, tendo sido criada em 1785. Esta é o 12ª longa de animação do “Blue Sky Studio” , segundo do estudio a ser indicado a um Golden Globe (o primeiro foi “Peanuts o Filme) e último a ser distribuiido pela 20th Century Fox antes do acordo de vendas desta para o Disney.

O DESTINO DE UMA NAÇÃO

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(Darkest Hour) EUA 2018. Dir:Joe Wright. Com Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Ben Mendelsohn, Lily James. Biopic.

O ex primeiro minsitro britânico Winston Churchill está em alta na mída. Este é o terceiro filme a ser recentemente feito sobre o lendário estadista que enfrentou as forças hitleristas durante a Segunda Guerra e defendeu o Reino Unido durante um conflito de proporções assustadoras. Vejamos, Ano passado o excelente John Lightgow (Pai em Dose Dupla 2) o personificou na série “The Crown” da Netflix, e ganhou vários prêmios (Emmy, SAG Awards, Critic’s Choice); também ano passado o igualmente competente Brian Cox (RED: Aposentados e Perigosos) fez “Churchill” em filme britânico focando as 96 hotas que anteciparam a invasão da Normandia. “O Destino de uma Nação” segue um outro corte na vida de Churchill, preferindo iniciar com o momento em que assume o governo, a pressão para selar uma falso acordo de Paz e a determinação de enfrentar as forças do Eixo, ainda que com uma câmara relutante. Toda a história se desenrola durante Maio de 1940 (quando o Primeiro Ministro contava com 65 anos, seia anos mais velho que seu intérprete); sendo o único erro histórico o fato de que Elizabeth Layton (James) só assumiu o cargo de secretária de Churchill em 1941). A maquiagem impressionante transforma Oldman (Dracula de Bram Stoker, Batman O Cavaleiro das Trevas) na reencarnação do próprio líder, o que colabora com a impressionante atuação de Oldman (Vencedor do Golden Globe), este mimetiza o andar e o falar de Churchill em perfeita caracterização. O filme é dedicado à memória de John Hurt (que faleceu ano passado) que havia se comprometido a personificar o Ministro Neville Chamberlain, mas como estava sofrendo de câncer terminal não pôde se comprometer com o projeto, e o papel previsto foi para Ronald PickUp. O filme de Joe Wright (Peter Pan, Anna Kareninna) tem o roteiro de Anthony McCarten (A Teoria de Tudo) e será interessante para os que apreciam com fundo histórico, e os que gostarão certamente de descobrir o porquê de Winston Churchill ser uma das figuras mais celebradas do século XX, autor de “Nunca tantos … deveram a tão poucos”, o homem que muito antes da entrada dos Estados Unidos decidiu enfrentar Hitler, render-se jamais e, ainda assim, conforme mostra o filme era um homem falível mas admirável, um líder que bem poderia servir de exemplo para os que exercem os podres poderes do jogo político.

O ESTRANGEIRO

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(The Foreigner) EUA 2017. Dir:Martin Campbell. Com Jackie Chan, Pierce Brosnan, Katie Leung, Ação / Suspense.

Adaptado do livro “The Chinaman” de Stephen Leather, “O Estrangeiro” é estrelado por Jackie Chan (Bater ou Correr, O Terno de Um Milhão de Dolares) mas não é um típico filme do ator. Chan interpreta um homem que perde a filha em um atentado terrorista e busca vingança enquanto um importante membro do governo ex membro do IRA (Exercito Republicano Irlandês), os autores do atentado, e que tem seus próprios motivos para querer frear a sede de justiça de Chan. Apesar das lutas costumeiras em filmes do ator chinês, este traz um semblante amargurado e dolorido, que sabe que terá que pagar um preço por cruzar a linha entre lei e justiça. Pierce Brosnan já trabalhou com o diretor Martin Campbell em “007 Contra Goldeneye” (1995) e seu personagem é baseado em uma ndes Gerry Adams, quepessoa real, o político Irlândes Gerry Adams, que negava ter tido qualquer envolvimento com o IRA e alcançou posição de destaque no governo Irlandês agindo em negociações de paz que foram fundamentais ao país. Curiosamente o filme foi banido da Irlanda do Norte. Curiosamente, a sequência da explosão do ônibus foi feita em locação real em Londres e assustou muitos ingleses que desconheciam se tratar de uma filmagem.

 

IN MEMORIAN: ROGER MOORE

ROGER MOORE

LAMENTAMOS TODOS A MORTE DO ATOR ROGER MOORE. EU O CONHECI ANTES DE SUBSTITUIR SEAN CONNERY NO PAPEL DE 007. ERA A SÉRIE “PERSUADERS”, UMA PÉROLA DOS ANOS 70 NA QUAL O ATOR BRITÂNICO ATUAVA AO LADO DE TONY CURTIS. TAMBÉM LEMBRO DELE COMO SIMON TEMPLAR, O LADRÃO SOFISTICADO DE “O SANTO”. SIR ROGER MOORE FOI O INTÉRPRETE MAIS PROLÍFICO DE BOND, ATUANDO AO TODO EM 7 FILMES ENTRE 1973 E 1985. SEU CINISMO E PERSONALIDADE “LIGHT” FIRMARAM O PERSONAGEM AO LONGO DE UMA DÉCADA E MEIA. FOI O BOND QUE MENOS SE LEVAVA A SÉRIO, MAS QUE PARECIA SE DIVERTIR MAIS. SE POR UM LADO SALVAVA O MUNDO NOS FILMES, NA VIDA REAL TAMBÉM TENTAVA TENDO SE TORNADO EMBAIXADOR DA UNICEF, EM PROL DA CAUSA DAS CRIANÇAS DO MUNDO. QUE DESCANSE EM PAZ, O ESPIÃO QUE TODOS NÓS AMAVAMOS.

CLÁSSICO REVISITADO: OS 30 ANOS DE “HIGHLANDER”

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QUEM OUSA AMAR PARA SEMPRE ?

QUEM QUER VIVER PARA SEMPRE ?

(Who wants to live forever – Queen)

A imortalidade pode ser um devaneio humano ou um fardo terrível a se carregar através da passagem das eras. O autor Gregory Widen visitou um museu escocês e imaginou como seria se um guerreiro do passado estivesse vivo até hoje. Widen tinha 27 anos e ainda não tinha se graduado na Universidade da California quando escreveu a história que tornou-se sua tese, batizada de “Dark Knight”. Este foi vendido por US$500,000 para a Davis-Panzer Productions, que o adaptou para o cinema vindo a se tornar o filme hoje conhecido como “Highlander – O Guerreiro Imortal”, que esse ano completou 30 anos de seu lançamento original.

Em março de 1986 chegou aos cinemas americanos a história de Connor MacLeod, nascido no século XVI e ainda vivo na Nova York moderna. Membro de um antigo clã escocês, MacLeod é o principal suspeito de várias decapitações ocorridas na cidade. Tais mortes fazem parte dos embates entre a raça dos imortais, destinados a se degladiarem através da eternidade até cumprir a profecia que diz que só deve existir um. O filme foi marcante para a época com sua narrativa de videoclip, cortesia de seu diretor Russel Mulcahy que dirigira vários clips da banda Duran Duran. Mulcahy usou de cortes rápidos e trilha sonora pop marcada pelas canções da banda inglesa Queen. A principio esta faria apenas uma canção para o filme, mas depois de assistir uma cópia inacabada os membros da banda sentiram-se inspirados a compor mais. Assim o guitarrista Brian May fez “”Who wants to live forever ?”, o bateirista Roger Taylor compôs “A Kind of Magic” e Freddy Mercury escreveu “Princes of the Universe”.

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O papel de Connor MacLeod quase ficou com Kurt Russell (mas este preferiu fazer “Os Aventureiros do Bairro Proibido”), Mel Gibson, Richard Gere, Patrick Swayze, Michael Douglas e Marc Singer, entre outros, antes da contratação do ator Christopher Lambert, que apesar de ter nascido em Long island, Nova York, foi educado na Europa para onde se mudou aos dois anos já que seu pai era um diplomata da ONU. Lambert havia feito o papel de Tarzan em “Greystoke” (1984) quando mal falava inglês. Em “Highlander”, o ator já dominava melhor o idioma mas ainda precisou de um fonoaudiólogo para poder disfarçar melhor seu sotaque. No filme, MacLeod é auxiliado por um imortal mais experiente, Edgar Villar Boas Ramirez, interpretado pelo ex 007 Sean Connery. Este filmou suas cenas em uma única semana pois sua agenda estava lotada na ocasião. A atriz Roxanne Hart ficou com o papel de Brenda, o interesse romântico do imortal e o vilão Kurge foi entregue a Clancy Brown, que um ano antes fizera Viktor Frankenstein em “A Prometida” (The Bride). Conta-se que durante as filmagens, Brown não desligava seu personagem e deixava todos no estúdio com medo. Na cena em que duela com o personagem de Sean Connery, Brown teria ferido Connery com a espada inadvertidamente.

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UM SONHO, UMA ALMA, UM PRÊMIO, UM OBJETIVO
UM OLHAR PRECIOSO DO QUE PODERIA SER
ISSO É UM TIPO DE MÁGICA.

(A kind of Magic – Queen)

Há várias diferenças entre o filme e o roteiro originalmente escrito por Widen: No original, MacLeod usa vários tipos de espada e no filme, o herói usa a Katana que pertencia a Ramirez. No texto escrito por Widen os imortais podem ter filhos e MacLeod teve 37 ao todo, mas no filme decidiu-se fazer dos imortais estéreis. A luz emitida pelo corpos dos mortos depois da decapitação também foi criada diretamente para o filme.

O que poucas pessoas sabem é que o filme não foi nenhum sucesso de bilheteria, tendo custado US$ 16 milhões mas só lucrando US$5,900,000 em território americano. Dois fatores ajudaram a popularizar o filme: Primeiro a bilheteria internacional, e depois o sucesso nas videolocadoras que tornavam-se uma fonte relevante para o sucesso de um filme diante do público. Apesar disso a sequência “Highlander II – The Quickening” (1992) foi desastrosa mudando o foco da narrativa e transformando os imortais em alienígenas exilados na terra, o que foi ignorado no terceiro filme “Highlander III – The Sorcerer” (1994). Ao longo da década de 90, o filme foi adaptado para os games, HQs e gerou duas séries de Tv, em uma das quais Christopher Lambert fez participação especial introduzindo outro imortal, seu primo Duncan MacLeod (Adrian Paul). Ambos ainda estrelariam juntos no cinema “Highlander – Endgame” (2000) que serve como epilogo para a série.

Recentemente tem sido divulgado um possível remake, que já teve o nome de Ryan Reynolds (Deadpool) atrelado ao projeto, mas este desistiu e nada de concreto foi anunciado além da certeza de que como um bom imortal, ele há de voltar.

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TRIVIA:

1) Durante as filmagens, Lambert e Connery se deram muito bem e na continuação de 1992 o personagem de Connery teve que ser ressucitado. Os dois atores costumavam se chamar pelo nome de seus personagens ,mesmo quando não estavam filmando.

2) Antes da banda Queen gravar a trilha sonora, Sting, David Bowie e a banda Marillion haviam sido cogitados.

3) Para as sequências de duelo, inspiradas no clássico “Os Duelistas” (1973) de Ridley Scott, as faíscas que saem das espadas foram produzidas ligando fios de baterias nas lâminas, que ao se chocarem tinham o positivo e o negativo se batendo.

4) Christopher Lambert teve aulas de esgrima com o campeão canadense Bobby Anderson.

5) Nick Nolte e Rutger Hauer foram pensados para o papel do vilão Kurgan.

6) A narração do filme foi gravada por Sean Connery no banheiro e enviada à produção já que foi acrescentada depois do fim de suas cenas.

 

 

 

 

 

GALERIA DE ESTRELAS: CARY GRANT

Certa um vez, um repórter disse ao astro “Todos querem ser como Cary Grant !”. Este teria respondido “Eu também”. Todas as estrelas de Hollywood sempre viveram cercadas de tanto glamour que suas personas ficam indelevelmente cativas da imagem que projetam. Cary Grant tornou-se sinônimo de graça, elegância e sedução.  Em 29 de novembro desse ano, completam 30 anos de sua passagem, uma estrela que brilhará sempre no panteão do cinema.

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Nascido Archibald Alexander Leach em Bristol, Inglaterra, em 18 de janeiro de 1904, vindo de origens humildes. Aos nove anos passou a viver apenas com o pai, pois sua mãe havia sido enviado a um asilo de doentes mentais. O pequeno Archie, no entanto, nada sabia e só depois de trinta anos viria a descobrir o destino de sua mãe. Em 1915, ganhou uma bolsa para a Fairchild Secondary School, que lhe abriu as portas para o ambiente teatral: O professor assistente de química o levou para ajudar a substituir os antigos lampiões de gás por um novo sistema de iluminação elétrica. Logo, Archie conseguiu emprego no teatro como o encarregado de chamar os artistas a entrar em cena. Aos quatorze anos falsificou a assinatura de seu pai para se juntar ao grupo de atores intinerantes de Bob Pender. Quando em uma turnê com o grupo visitou os Estados Unidos, decidiu não voltar mais para a Inglaterra. Não demorou muito para que sua aparência jovial e de belos traços o levassem aos palcos americanos, onde conheceu a estrela Fay Wray (de King Kong) que lhe abriu as portas para um contrato no valor de US$ 450 semanais com o estúdio da Paramount.

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LEVADA DA BRECA

Nesse momento, seu nome foi trocado para algo mais atraente que Archie Leach, e assim nasceu Cary Grant. Seu primeiro filme foi “Esposa Improvisada” (This is the night) em 1932, que desagradou ao astro. Outras oportunidades vieram contracenando com atrizes como Mae West, Marlene Dietrich, explorando seu olhar tímido e sua fotogenia leve e despretensiosa. Foi ao assinar contrato com a Columbia que Grant ensaiou os primeiros passos nos papéis de destaque, em comedias como “Cupido é Moleque Teimoso” (The Awful Truth) em 1937, “Boêmio Encantador” (Holiday) em 1938 e “Levada da Breca” (Bringing Up Baby) também em 1938. O sucesso nesses papeis lhe garantiu uma sólida reputação como ator de comédia.

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NUPCIAS DE ESCÂNDALO

Foi nesse momento que se arriscou em uma papel diferente, em um filme de ação da RKO “Gunga Din” dividindo a cena com Douglas Fairbanks e Victor MacLaglen. Como os aluguéis em Hollywood eram muito caro, foi dividir um apartamento com o ator Randolph Scott, o que provocou muitos boatos maliciosos que até hoje apontam uma suposta homossexualidade. Ainda assim, em pouco tempo casou-se com a atriz Virginia Cherrill (a jovem cega de “Luzes da Cidade”, de Chaplin), mas a união durou pouco e o ator voltou a morar com Randolph Scott. Voltou a atuar em comédia emprestando seu ar de sofisticação ao papel de ex- marido enciumado de Katherine Hepburn, que a visita no dia de seu casamento com o pacato James Stewart em “Nupcias de Escândalo” (Philadelphia Story) de George Cukor. Era o ano de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial e veio o papel de Mortimer Brewster em “Esse Mundo é um Hospício”, de Frank Capra. O filme trazia Grant como um relutante membro de uma família de loucos e assassinos no dia de seu noivado. Pelo papel, Grant recebeu uma boa quantia que doou ao esforço de guerra.

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ESSE MUNDO É UM HOSPÍCIO

Nos bastidores, Grant era minucioso com todos os estágios de filmagem e isso lhe dava problemas com os diretores, sendo notório conflitos de opinião entre o astro e diretores como Leo McCarey (seu diretor em “Cupido é Moleque Teimoso”) e Frank Capra (seu diretor em “Esse Mundo é um Hospício”). Surpreendentemente, teve um ótimo relacionamento com o mestre do suspense, Alfred Hitchcock – notório por desprezar os atores com quem trabalhava. Com Hitch, Grant fez quatro filmes. Em 1941, “Suspeita” (Suspicion) que seria seu primeiro vilão. O papel de um marido com intenções assassinas com sua esposa interpretada por Joan Fontaine desagradou ao estúdio que forçou Hitchcock a editar o final de forma que Grant não fosse o assassino, pois isso não estava de acordo com a imagem do astro. Em 1946, “Interlúdio” (Notorious) contracenando com Ingrid Bergman e Claude Rains.

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CARY GRANT & EVE MARIE SAINT: INTRIGA INTERNACIONAL

O papel de Grant era de um agente federal, usando a filha de um nazista para expor espiões infiltrados. Em 1955 Grant se dizia cansado de atuar e pensando em se aposentar, mas reformulou seus planos para trabalhar sob a batuta de Hitch em “Ladrão de Casaca” (To Catch a Thief), filmado na Riviera Francesa com Grace Kelly. Finalmente, em 1957 “Intriga Internacional” (North by Northwest), um dos melhores filmes de espionagem, um dos meus favoritos, trazendo o ator no papel de homem comum envolvido em uma trama conspiratória, o que serviria de modelo para vários filmes do gênero. Quando, anos depois, Ian Fleming teve os livros de James Bond adaptados para o cinema, seu nome era um dos favoritos para interpretar 007.

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ALFRED HITCHCOCK & CARY GRANT

Duas vezes indicado ao Oscar, a primeira por “Serenata Prateada” ( Penny Serenade) em 1941, um melodrama sobre casal (Grant contracenando com Irene Dunne) que adota uma criança advindo um trágico desfecho e “Apenas um Coração Solitário” (None but the Loney Heart) em 1944 sobre um homem com o coração amargurado pela pobreza. A estatueta dourada só foi para suas mãos em 1970, um prêmio pelo conjunto da obra, entregue por Frank Sinatra ao astro emocionado com o reconhecimento de seus pares.

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DEBORAH kERR & CARY GRANT: TARDE DEMAIS PARA ESQUECER

Entre outros de seus grandes filmes, digno de nota também a comédia “Jejum de Amor” (His Girl Friday) de 1941, uma adaptação da peça de Ben Hetch & Charles MacArthur em que Grant é um editor picareta tentando atrapalhar os planos de casamento de sua melhor repórter, que por um acaso também é sua ex-esposa; o drama “A Canção Inesquecível” (Night & Day) de 1946 – cinebiografia do compositor Cole Porter; o romance “Tarde Demais Para Esquecer” (An Affair to Remember) de 1957, que revisto hoje se encaixa perfeitamente no estilo emotivo de Nicholas Sparks e “Charada” (Charade) de 1963 de Stanley Donen que segue os passos do thriller hithcockiano.

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CARY GRANT & AUDREY HEPBURN : CHARADA

Em cena Cary Grant sempre esteve cercado de belas atrizes: Ginger Rogers e Marilyn Monroe em “O Inventor da Mocidade” (Monkey Business) de 1952, Leslie Caron em “Papai Ganso” (Father Goose) de 1964, Jayne Mansfield em “O Beijo da Despedida” (Kiss me Goodbye) de 1957, Doris Day em “Carícias de Luxo” (That Touch Of Mink) de 1962,  Ingrid Bergman em “A Indiscreta” (Indiscreet) de 1968 e Sophia Loren em “Orgulho & Paixão” (The Pride & The Passion) de 1957 e “Tentação Morena” (Houseboat) de 1958.  Bergman se tornou sua grande amiga e quando ela estava exilado de Hollywood coube a Grant receber o Oscar por ela quando a bela sueca ganhou por “Anástacia” em 1956. Já Sophia Loren foi uma louca paixão para Grant, que a assediava e cortejava até que a italiana viesse a se casar com o produtor e diretor Carlo Ponti.

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CARY GRANT & GRACE KELLY ; LADRÃO DE CASACA

Na vida real, Grant se casou mais quatro vezes depois de Virginia Cherril (1934-1935): Barbara Hutton (1942-1945), Betsy Drake (1949-1962), Dyann Cannon (1965-1968) e Barbara Harris (1981-1986). Teve uma única filha, Jennifer Grant (de seu penúltimo enlace) nascida em 1966, ano de seu último filme “Devagar, não corra” (Walk, don’t Run). A partir daqui, Grant se aposentou voluntariamente do cinema e tornou-se um dos diretores da Fabargé, famosa joalheria. Sua morte em 1986 por hemorragia cerebral, aos 82 anos, deixou saudade em todos os fans da antiga Hollywood, uma que Cary Grant incorporou em sua persona, a de um homem maduro, sexy e sofisticado que todos gostariam de ser, até mesmo o próprio Archie Leach, um ícone eterno.

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CARY GRANT & MARILYN MONROE : O INVENTOR DA MOCIDADE

CLÁSSICO REVISITADO: 40 ANOS DE “O EXPRESSO DE CHICAGO”

A recente passagem de Gene Wilder ocorreu em um momento em que eu já planejava escrever um artigo sobre essa comédia  de ação a que assisti pela primeira vez pela saudosa Rede Manchete. O filme é uma divertida e movimentada paródia ao estilo hithcockiano, dirigido por Arthur Hiller (falecido poucas semanas antes de Gene Wilder) e roteirizado por Collin Higgins (1941-1988) que faria outro filme nessa mesma linha em “ Golpe Sujo” (Foul Play).

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O FILME EM DVD

Em “Expresso de Chicago” (Silver Streak) Gene Wilder vive George Caldwell, um editor de livros que viaja de trem de Los Angeles para Chicago. Durante a viagem conhece o vendedor de vitaminas Bob Sweet (Ned Beatty) e Hilly Burns (Jill Clayburgh), secretária de um renomado historiador, o Professor Schreiner que está prestes a lançar um livro sobre o pintor holandês Rembrandt. Enquanto se envolve com Hilly, George investiga por conta própria o assassinato do professor cujo corpo foi jogado para fora do trem, embora ninguém acredita em George, nem mesmo Hilly. A bela jovem, na verdade, é refém de Roger Devereaux (Patrick McGoohan), rico negociador de artes que mandou matar o professor pois este tinha posse de provas de que as pinturas de Rembrandt negociadas por Deveaurex eram falsificações.

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GENE WILDER & JILL CLAYBURGH

A principio, George é auxiliado por Bob, que é um agente do FBI disfarçado, mas quando este também é morto pelos capangas de Devearaux (Stefan Gierach, Ray Walston e Richard Kiel) e a culpa recai em George, que é forçado a pular para fora do trem fugindos dos assassinos que querem acabar com ele. Quando o xerife local (Clifton James) se recusa a acreditar em sua inocência, George recebe a ajuda de Grover Muldoon (Richard Pryor), ladrão e trambiqueiro que leva George de volta ao trem de onde é novamente jogado para fora até conseguir voltar com Grover para salvar Hilly.

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WILDER & PRYOR EM UMA DAS CENAS MAIS ENGRAÇADAS DO FILME

O filme explora a ideia do homem comum envolvido inadvertidamente em trama criminosa, papel decalcado de Cary Grant em “Intriga Internacional”. Segundo o próprio Wilder, em entrevista, ele teria sido interpelado pelo próprio Cary Grant, que depois de ter assistido o filme reconhecera várias passagens inspiradas em seu filme dirigido por Hithcock, Com orçamento de US$ 6,5 milhões, o filme foi um grande sucesso de bilheteria com indicações a prêmios como o Golden Globe (para Wilder). Os exteriores do trem foram gravados no Canadá porque a rede ferroviária de Chicago não aprovou. A trilha sonora assinada por Henry Mancini (criador do tema de “A Pantera Cor de Rosa) acentua todas as reviravoltas da história seja acentuando a ação ou o humor criado por várias situações como George passando graxa no rosto para se disfarçar de negro para fugir da perseguição da polícia. Para filmar essa cena, Richard Pryor se irritou porque o fato de George, um branco convencer como negro seria uma caricatura de mal gosto e sem efeito cômico real. Por insistência sua, George caminha com um rádio enorme no ombro, pintado de preto, e sendo olhado sem convencer negros que passam pela estação.

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DUPLA GENIAL: O LADRÃO & O MATADOR

Essa foi a primeira de quatro parcerias entre Gene Wilder e Richard Pryor. Estes deveriam ter filmado juntos “Banze no Oeste” (Blazzing Saddlers) de Mel Brooks dois anos antes, que o próprio Richard Pryor co-roteirizou, mas acabou não acontecendo. Richard Kiel, um dos capangas de Deveareax viveu o assassino Jaws em dois filmes de 007 feitos nos anos seguintes “007 O Espião que me Amava” (The Spy who loved me) e “007 Contra o Foguete da Morte” (Moonraker). Outro dos capangas foi feito por Ray Walston, ator que ficou famoso na década anterior na Tv como o Tio Martin da série  “Meu Marciano Favorito”. A cena final mostrando a locomotiva invadindo a estação foi realizada em um hangar de avião arrumado para parecer uma estação de trem e custou sozinha em torno de US$500,000 sendo o clímax do filme com duração de apenas 14 segundos na tela.

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O CLÍMAX APOTEOTICO

É lamentável que apesar de ter sido incluído pelo AFI (American Film Institute) como uma das 100 melhores comédias do cinema (posição nº95), o filme não seja tão conhecido do grande público, até por não ter sido tão reprisado na Tv quanto outros filmes. Fica aqui a sugestão para os que não o conhecem, assistir essa criativa homenagem ao mestre do suspense valorizado pela ,maravilhosa dupla Wilder-Pryor, que poderiam ser cegos, surdos ou loucos de dar nó, artistas que deixaram saudade e um vazio na arte cinematográfica Hollywoodiana.

REDESCOBRINDO MORTADELO & SALAMINHO

Nem só de Marvel & DC vivem as histórias em quadrinhos. As décadas de 70 e 80 foram riquíssimas na variedade de títulos e personagens disponíveis nas bancas de jornal, que minha geração devorava. Entre eles lembro como morria de rir com dois agentes secretos atrapalhados que divertiam a criançada, e que hoje são nada conhecidos do grande público. Mortadelo & Salaminho estão em uma animação 3D que chega aos nossos cinemas com o prestígio de ter sido premiado com o Goya 2105 (o Oscar da Espanha) como melhor animação e melhor roteiro. Mas será que no Brasil poderá reacender o interesse por esses personagens que já divertiram toda uma geração ?

CAPA CLÁSSICA PELA RGE

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Criados em 1958 por Francisco Ibañez, ainda vivo hoje e com 80 anos, Mortadelo é o magrelo narigudo que é mestre dos disfarces aparecendo  como qualquer pessoa, objeto ou animal. Salaminho, baixinho e careca, é o chefe mas sempre sofre os revezes das ações de Mortadelo. Os personagens foram criados como uma paródia de Sherlock Holmes e Watson, mas também das agências de espionagem, e dos destemidos agentes secretos. Suas aventuras, curtas até 1969, são carregadas de ironia nas histórias como o nome da agência para a qual os heróis trabalham que se chama T.I.A (Técnicas de Investigações Avançadas), sátira óbvia da C.I.A, bem como da U.N.C.L.E  da popular série americana “O Agente da Uncle”. As histórias resvalam no surreal como os disfarces mirabolantes de Mortadelo como uma flor,uma bicicleta, bombeiro, violão, enfim sem limites físicos. Antes de publicá-los pela primeira vez na revista espanhola “Pulgarcito” , edição número 1394, Ibañes pensou em batizá-los de Mr.Cloro e Mr. Yesca, Ocarino e Pernales, Lentejo e Fideíno, até chegar aos nomes Mortadelo e Salaminho batizados pela editora Bruguera. A primeira história também tinha sub-título “Mortadelo & Filemón – Agencia de Información”, também acrescentado depois de cogitado possibilidades como “Agentes Especiales” e “Agentes Detestivescos”. É a partir de 1969 que as histórias agora desenvolvidas em uma narrativa mais longa abandona as referências a Holmes e Watson e abraça ao espírito de sátira à espionagem mais próxima da série de Tv “Agente 86” (Get Smart), extremamente popular na Espanha e no Brasil. Outros personagens vieram a se juntar à dupla como o Professor Saturnino Bactério que colocava os heróis nas situações mais absurdas causadas pela ineficácia dos aparelhos inventados pelo cientista abilolado, paródia do Q dos filmes de 007. Ainda aparecia Ofélia, uma secretária que era apaixonada por Mortadelo, da mesma forma que Moneypenny para Bond.

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No Brasil a série foi publicada pela Cedibra na coleção Ases do Humor entre 1969 e 1978 com 29 edições publicadas, e entre Janeiro de 1974 e Janeiro de 1983 pela RGE (atual Editora Globo) chegando a um total de 91 edições mais três almanaques. Em 2003 houve a produção live-action “Mortadelo & Salaminho : Agentes Quase Secretos” (La Gran Aventura de Mortadelo & Filemón” , de Javier Fesser com Benito Pocino e Pepe Viyuela nos papeis centrais e Janfri Topera como Professor Bacterio. A produção com orçamento de 7,500 euros foi bem recebida nas bilheterias da Espanha, mas no Brasil passou desapercebido. Lamentável que a dupla criada por Ibañez tenha se juntado a outros personagens que caíram no ostracismo no Brasil embora tenham sido extremamente populares no passado. Quem sabe não tenha chegado a hora da nova geração descobrir o prazer e a diversão desses personagens ? Nem só de heróis de ação vive o mundo imaginário dos quadrinhos.

 

BEST SELLERS : A ESPIONAGEM AO ESTILO BOURNE

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Que ninguém duvide que a figura de um espião ainda é extremamente atraente ao imaginário popular. Por isso a todo momento o cinema traz adaptações de grandes romances de espionagem, embora nem sempre sendo fiel às suas raízes literárias. A figura de um agente secreto em uma missão super confidencial e de grande importância não é uma invenção recente da cultura pop mas um arquétipo recorrente e romanceado de uma prática real e nada glamurosa. Suas origens remontam na verdade séculos de atividades e exercícios ligados a intrigas políticas e jogos sombrios nos bastidores do poder.

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O escritor norte americano James Finemore Cooper (1789 – 1851) – autor do clássico “O Último dos Moicanos – foi um dos primeiros a criar uma história de intriga política nos romances “O Espião” (1821) e “O Bravo” (1831), precursores de um gênero que só seria reconhecido no século XX. A lendária agência de detetives Pinkerton, além de ter tido participação na captura de notórios fora-da-lei, conseguiu evitar um atentado ao Presidente Abraham Linconl através de ações de vigilância que comprovam a máxima de Sun Tzu, autor de “A Arte da Guerra”, que fala sobre “ser extremamente sutil, tão sutil que ninguém possa achar qualquer rastro”. Se sutileza e mistério são essenciais na espionagem, a elas se juntou uma arma ainda mais eficaz: a sedução. Com ela a exótica Margaretha Gestruida Zelle (1876 – 1917) ganhou a eternidade como Mata Hari, que durante a Primeira Guerra (1914-1918) trabalhou para alemães e franceses, sendo por isso executada. Dançarina e cortesã, Mata Hari agia tal qual Milady de Winter na trama dos “Três Mosqueteiros” , fazendo do sexo uma arma tão ou mais mortífera que uma arma de fogo. “Mata Hari” foi vivida no cinema por Greta Garbo em 1931 , Jeanne Moreau em 1964 e Sylvia Kristel em 1985. Sua figura de curvas sinuosas e movimentos furtivos inflamou a imaginação e serviu de imagem fundamental para a caracterização de agentes eficientes na arte de coletar informações.

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O estouro de duas Guerras Mundiais e as intrigas advindas dos interesses políticos instigaram a necessidade de agir de forma vigilante e preventiva contra inimigos em potencial, comprovando que “a supremacia da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”, como no tratado de Sun Tzu. O cinema mostrou isso em filmes como “Agente Secreto” (1936), “O Homem que Sabia Demais” (1934 e refilmado depois em 1954) , “O Sabotador” (1940) e “Intriga Internacional” (1959), todos do mestre Alfred Hitchcock e que deixaram bem claro a importância no mercado negro das informações confidenciais para atentados, insurreições e conspirações que podem abalar o equilíbrio de forças no mundo. O mundo bipolarizado do pós-guerra fez da guerra fria um elemento fértil para elaboração de tramas intricadas e teias conspiratórias. Mais do que nunca se via a importância de se controlar o fluxo de informações e evitar que o lado inimigo ganhasse qualquer vantagem. Manter vigilância constante significava se proteger. Nas palavras de Sun Tzu o lado vencedor de um conflito precisava de vidência, não de espíritos ou deuses, mas de homens que conhecessem o inimigo. Assim as atividades de contra-espionagem ganharam importância absoluta. Se James Bond tornou-se o mais popular dos espiões, também tornou-se modelo de um agente secreto mais próximo do super heroísmo, infalível em suas missões e sedutor bem sucedido que sempre salva o mundo de vilões megalomaníacos. Seus imitadores Derek Flint e Matt Helm seguiram o mesmo passo glamourizando a figura do super espião como um bon vivant que também salva o mundo

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A Espionagem, contudo, não é um jogo glamuroso e o autor Robert Ludlum soube manter os pés no chão quando criou o espião Jason Bourne. Uma arma humana treinada pelo governo para matar e que acaba por se tornar um embaraço e uma ameaça para o sistema quando perde sua memória. Sua história foi mostrada em “A identidade Bourne” (1980), “A Supremacia Bourne” (1986) e “O Ultimato Bourne” (1990), adaptados para o cinema a partir de 2002 com Matt Damon no papel de Bourne. Os livros de Ludlum são embebidos de ação e intriga, tendo sido escritos entre 1980 e 1990. Neles o agente secreto é simplesmente um assassino controlado por organizações que regem os acontecimentos das sombras fazendo uso de manipulações, traições e lavagem cerebral sem nenhum freio moral. Bourne também se distancia dos super espiões auto confiantes estilo James Bond já que em sua missão em campo não há aliados e o protagonista privado de sua memória só pode contar com seus instintos. Nos livros Bourne foge de seus empregadores, da justiça e trava um xadrez mental com o vilão Carlos, o Chacal, o terrorista mais letal do mundo inspirado em uma pessoa real, o mercenário e assassino venezuelano Ilich Ramirez Sanchéz, vulgo Chacal, que cumpre prisão perpétua na França. Em 1988, uma mini série de Tv (exibida no Brasil pela Rede Globo com o nome “Missão:Matar”) fez uma adaptação bem próxima do primeiro livro trazendo Richard Chamberlain como Jason Bourne e a ex-pantera Jaclyn Smith como Marrie. Nos filmes estrelados por Matt Damon, com exceção de alguns elementos dos livros toda a história foi reescrita. A personagem Marie (Franka Potente) é morta no segundo filme, ao contrário do livro em que se baseia. Na história original a segunda aventura de Bourne gira em torno de uma trama para provocar uma guerra entre a China e o mundo ocidental. Ludlum encerrou sua narrativa em “O Ultimato Bourne” com um conflito definitivo com o Chacal, travando um jogo de gato e rato com tensão crescente. Depois da morte do autor, Bourne assume novas missões em tramas escritas por Eric Van Lustbader. Do livro seguinte “O Legado Bourne” (2004) o filme só aproveitou o título apresentando  outro desenrolar e outro protagonista, o agente Aaron Cross (Jeremy Renner). A esse livro se seguiram mais seis que certamente se adaptados provavelmente seguirão a mesma linha dos filmes. O novo entitulado apenas Jason Bourne é uma história original co-escrita pelo diretor Paul Greengrass. Podemos contar que o personagem criado por Robert Ludlum ainda terá outros retornos.

BOND 16 : 007 PERMISSÃO PARA MATAR

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1989 foi um ano de muita concorrência no cinema: O Batman de Tim Burton, Máquina Mortífera 2, Indiana Jones & A Última Cruzada entre outros dividiam a atenção do público e as gordas bilheterias das salas de exibição. Em meio a tudo Timothy Dalton retorna como James Bond em “007 Permissão Para Matar” (License to Kill) em um filme que desagradou muito aos fãs. Na época, o roteirista   Richard Maibaum (em seu último trabalho na série) usou alguns elementos de “Live & Let Die” e “ The Hildebrand Rarity”, este último um conto inicialmente publicado na revista Playboy em 1960 e depois incluída na coletânea “For Your Eyes Only” .

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No filme, o agente da CIA Felix Leiter (David Hedison), amigo   pessoal de Bond, se casa mas é capturado e torturado pelo traficante de drogas Franz Sanchez (Robert Davi). A esposa de Leiter morre e o ex-agente fica entre a vida e a morte. Bond, praticamente, se rebela diante da inatividade do serviço secreto britânico, abandona seu trabalho e parte em missão pessoal para encontrar e matar Sanchez. Bond,   recebe a ajuda de Q (Desmond Llewellyn), se infiltra no grupo do vilão e conquista sua confiança com o objetivo de desbaratar sua organização e matá-lo. A história se desdobra como um filme de ação convencional e a figura de Bond ganha contornos mais humanos uma vez que este se entrega a um irrefreável instinto de retaliação. As bond-girls Pam Bouvier (Carey Lowell) e Lupe Lamora (Talisa Soto) dividem a atenção de 007  e se integram à ação em que terão que escolher um lado,  em uma história de vingança pessoal, destituída de qualquer contextualização política. David Hedison reprisa o papel de Felix Leiter que fizera em “Com 007 Viva & Deixa Morrer” em 1974, sendo o primeiro ator a reprisar o personagem que tivera outros intérpretes em outros filmes. O vilão da vez ficou com Robert Davi, mais lembrado como um dos irmãos Fratelli em “Os Goonies”.

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Foi a primeira vez que um filme de 007 teve um título (que a princípio seria “License Revoked” ) sem nenhuma conexão com os livros de Ian Fleming. Analisando como um filme da série é razoável, menor quando comparado ao filme anterior, mas ainda superior a outros, principalmente à era Moore. Analisando como um filme de ação é bom e funciona por dinamizar mais as motivações de seu protagonista, um direcionamento que seria retomado muitos anos depois em “Quantum Of Solace”, já na era Craig.  A bilheteria baixa do filme foi decepcionante para o apelo que sempre se esperou de um filme de 007, sendo considerada a pior arrecadação da série, o que não significa dizer que tenha sido um prejuízo uma vez que seu custo de $32 milhões deu um retorno internacional de mais de $250 milhões na época.

O contrato de Dalton, na época, previa um terceiro filme que acabou não acontecendo porque a MGM e a United Artists foram vendidas a um grupo australiano que planejava fazer uso dos filmes da franquia sem acordo comum com a EON Pictures de Albert Broccoli. A disputa judicial paralisou sucessivamente todas as tentativas de se iniciar um novo filme. Nos seis anos que se seguiram até que os aspectos legais fossem resolvidos, o contrato de Dalton expirou sem que o ator galês se interessasse em renovar, uma vez que sua carreira teatral  se consolidava com sucesso. Bond só retornaria em 1995 já com um novo intérprete, mas isso é história para o próximo artigo.

 

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 CONTRA GOLDENEYE

 

 

BOND 15: 007 MARCADO PARA A MORTE

Quando Roger Moore deixou o papel de James Bond em 1985, o cinema estava dominado pelos filmes de ação dos futuros mercenários Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, a guerra fria já não era mais a mesma e o tom nada sério que perdurou na era Moore havia desgastado a imagem de 007 diante do público. Broccoli precisava se adaptar à década de 80 e também Bond, cujo apetite sexual não era condizente com as assustadoras noticias sobre a AIDS que chegavam às pessoas. Além disso, praticamente quase todos os livros de Fleming já haviam sido adaptados (Os títulos ao menos, já que sabemos que as histórias eram sempre modificadas).

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“The Living Daylights” era originalmente um dos contos publicados na mesma coletânea que “Octopussy” e tratava da deserção de um oficial russo que atraía Bond para trás da cortina de ferro (como era chamado os países socialistas do leste europeu). O oficial é recapturado e Bond mergulha na investigação dos eventos que envolvem um plano para deflagar um novo conflito mundial. O roteiro novamente de Michael G.Wilson e Richard Maibaum muda vários elementos do conto original, deslocando a deserção das  fronteiras das Alemanhas (Ocidental e Oriental como era então dividida) para a Thechosolaquia. A direção foi entre entregue para John Glenn pela quarta vez e nota-se sua tentativa de recriar a franquia Bond com um ritmo mais acelerado de ação, sem humor intencional ou involuntário, se aproveitando da nova imagem do personagem personificado por um novo intérprete. Foram cogitados na época os nomes de Christopher Lambert, Mel Gibson e Sam Neill que chegou a fazer testes de cena. O escolhido acabou sendo … o irlandês Pierce Brosnan, mas este estava preso sob contrato à série de TV “Remington Steele”, situação semelhante a que passou Tom Selleck que por causa de seu contrato com Magnum na Tv não pôde fazer Indiana Jones.  O destino pregou curiosa peça já que Timothy Dalton já tinha sido, no passado, considerado para o papel de 007 quando Sean Connery deixou o papel livre após “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” em 1967. Na época Dalton era muito jovem, mas agradou o suficiente para que o convite fosse refeito e o ator galês fosse anunciado como o novo 007 ainda em 1986. O filme “007 Marcado para a Morte”, título nacional para “The Living Daylights” acertou no tom e na escolha: Timothy Dalton, agora com 41 anos, fazia um Bond mais jovial que Moore e mais sério, mais próximo inclusive dos livros de Fleming e mais comportado sexualmente. Sua única Bond girl no filme é a atriz Maryam D’Abo que havia sido testada para um papel secundário em “007 Na Mira dos Assassinos” (A View to a Kill) e embora tenha sido reprovada, chamou a atenção de Barbara Broccoli, que se lembrou da atriz, então com 27 anos, para o papel da violoncelista Kara Milovy.

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O novo filme de Bond também foi o último a  ter a trilha sonora composta por  John Barry e o primeiro em que a personagem Srta Moneypenny não é interpretada por Lois Maxwell, tendo sido substituída por Caroline Bliss. Outra mudança é o personagem do russo Pushkin (John Rhyes Davis, o anão Gimli de “O Senhor dos Anéis”) que entra na trama em papel chave que seria a principio desempenhado pelo General Gogol (Walter Gotell), personagem recorrente nos filmes anteriores da série. O problema era que o ator Walter Gotell estava com a saúde debilitada e não poderia assumir uma papel mais ativo na trama, ficando este com uma pequena aparição, sua última nos filmes de 007.

Timothy Dalton e Carey Lowell

A canção-tema ficou com a banda norueguesa A-HA, dando ao filme um clima mais pop, sendo que os produtores chegaram a convidar Morten Harken (o vocalista da banda) para um pequeno papel, mas o cantor recusou. O filme custou em torno de $40 milhões e rendeu bem mais do que o dobro, tendo estreado em 30 de Julho de 1987 e coroando Dalton no papel que voltaria a desempenhar apenas mais uma vez, dois anos depois.

JAMES BOND RETORNARÁ AO BLOG EM “007 PERMISSÃO PARA MATAR”

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 30 DE JULHO DE 2015

SOBRENATURAL – A ORIGEM

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(INSIDIOUS – CHAPTER 3) DIR: LEIGH WHANNELL. COM DERMOT MULRONEY, LIN SHAY, STEPHANIE SCOTT. TERROR.

Medium aceita, contra a vontade, ajudar adolescente atormentada por entidade sobrenatural antes dos eventos dos filmes anteriores. Este terceiro filme da franquia é uma prequela (narra eventos de um prologo) dirigida pelo mesmo roteirista dos filmes anteriores

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(MAGIC MIKE XXL) EUA 2015. DIR: GREGORY JACOBS. COM CHANNING TATUM, MATT BOOMER, ELIZABETH BANKS. COMÉDIA.

Comédia co roteirizada por Channing Tatum que estrela como eu ex go go boy que reune os amigos para uma ultima apresentação em uma boate.

BOND 8 : COM 007 VIVA & DEIXA MORRER

No início da década de 70, os produtores Broccoli & Saltzman viviam um impasse : Embora Sean Connery tivesse feito “007 Os dimantes são Eternos” (Diamonds are forever), este não estava disposto a continuar mais vindo a recusar uma oferta de $5,5 milhões de dólares. O mundo também não era o mesmo, a cultura pop abraçara a “blaxploitation”  (filmes dirigidos e protagonizados por atores negros) e o público ligava a Tv e via um mundo mais cínico em que a violência urbana assustava mais ao cidadão do que o embate ideológico da guerra fria. Os nomes de Burt Reynolds, Clint Eastwood, Paul Newman e Robert Redford chegaram a ser cogitados para substituir Connery.  Assim sendo, os produtores decidiram redirecionar os filmes de Bond para uma nova geração, retirando o tom mais sério das primeiras aventuras, privilegiando o deboche na figura de seu novo intérprete, o inglês Roger Moore, então com 46 anos. Este já havia sido quase escolhido para o papel ainda nos anos 60 mas Moore estava impossibilitado por seu contrato com a série de TV “O Santo”. Na época de sua escalação afinal, Moore terminara seu contrato com a Tv onde atuava no seriado “Persuaders”, ao lado de Tony Curtis.

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“Com 007 Viva & Deixa Morrer” (Live & Let Die) já começa com o inusitado assassinato de um agente secreto que assiste a um funeral, que em seguida se torna um festival popular pelas ruas de Nova Orleans. Logo em seguida, a canção tema de Paul McCartney preenche a tela com seus acordes eletrônicos que se tornam onipresentes a medida que a narrativa segue os passos de 007 para investigar as conexões do diplomata Dr.Kananga com o gangster Mr.Big, responsável por uma rede de tráfico de drogas. Ambos acabam sendo a mesma pessoa, interpretado pelo ator novaiorquino Yaphet Kotto. O vilão deste 8º filme de James Bond se cerca de importantes aliados como o terrível Tee Hee (Julius Harris) que possui um braço direito mecânico com uma garra no lugar da mão e o sombrio Barão Samedi (Geoffrey Holder), um feiticeiro Vudu dono de uma gargalhada extremamente sinistra. Além desses, o vilão utiliza em seus planos o dom de profetizar o futuro da belíssima e virginal sacerdotisa Solitaire (Jane Seymour, então com 22 anos em sua estreia nos cinemas). Contudo, se for tocada por um homem, Solitaire perderá seus poderes, o que claro é o que acontecerá em seu encontro com Bond, despertando ainda mais o ódio de Mr.Big/Kananga.

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O livro original de Fleming foi lançado em 1954, o segundo logo após “Cassino Royale”. A história mistura a ação conduzida pela investigação de Bond em cima de antigas moedas de ouro contrabandeadas e o sobrenatural através dos elementos do vudu. O MI6  e a SMERSH agem no Caribe mostrando nitidamente a bipolarização representada pela guerra fria e sua influência nos países de terceiro mundo. O filme, dirigido por Guy Hamilton (o mesmo de “Goldfinger” e “Os Diamantes são Eternos”) também tomava outras liberdades em relação ao livro: Neste, não há humor e nem existe a sequência de Bond saltando por sobre as cabeças de famintos crocodilos, Simone Latrelle , o nome real de Solitaire não é mencionado no filme e na cena que Bond é ameaçado de perder um de seus dedos, no livro a ameaça é concretizada.

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O filme ainda trouxe de volta dois personagens da primeira aventura cinematográfica de Bond : Quarrell Jr – que também não aparece no livro já que este foi escrito antes de “Dr.No”) que é o filho do barqueiro que auxilia Bond e o agente da CIA Felix Leiter, papel que aqui coube a David Hedison (que era amigo na vida real de Roger Moore) e ainda reprisaria o papel de novo em 1989 em “007 Licença Para Matar”. O filme ainda inclui no elenco o xerife Pepper, que persegue Bond e que foi tão bem sucedido que voltaria no filme seguinte “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”.

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Apesar de todas as mudanças em relação ao livro de Fleming, que se tornaram cada vez mais frequentes nos filmes subsequentes, Moore marcou uma era com seu Bond nada sério dividindo preferências e ficando no posto ao longo de 12 anos e 7 filmes, um recorde. Também foi o ator mais velho a ficar com o papel que teria em frente altos e baixos artísticos mas alta bilheteria que justifica que o personagem vive não apenas duas ou três vezes, mais muito mais.

BOND VOLTA AO BLOG SEMANA QUE VEM COM “007 CONTRA O HOMEM DA PISTOLA DE OURO”

NAS BANCAS : CONHECIMENTOS PRÁTICOS LITERATURA ED.61

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AMIGOS, CHEGOU ÀS BANCAS NA SEMANA PASSADA A 61ª EDIÇÃO DA REVISTA “CONHECIMENTO PRÁTICO : LITERATURA” (EDITORA ESCALA) DA QUAL SOU FREQUENTE COLABORADOR. DESTA VEZ O MEU ARTIGO PUBLICADO GIRA EM TORNO DOS ESPIÕES NO CINEMA E NA LITERATURA, COM DESTAQUE PARA O ESPIÃO FAVORITO DE TODOS, JAMES BOND, MAS BUSCANDO OUTROS AUTORES E OBRAS QUE MERECEM SER LIDOS E CONHECIDOS POR OCUPAREM LUGAR ESPACIAL NO IMAGINÁRIO DO PÚBLICO. A REVISTA TAMBÉM TRÁS MATÉRIA DE CAPA SOBRE JOSÉ SARAMAGO, SEMPRE UM PRAZER A SER LIDO  E QUEM SABE DESCOBERTO POR QUEM AINDA NÃO TEVE A OPORTUNIDADE DE LER SUAS OBRAS. FICA AQUI O RECADO: COMPREM, LEIAM E OBRIGADO SEMPRE POR TODO O APOIO.

ADILSON DE CARVALHO SANTOS