ADILSON CINEMA: 1917

O filme intitulado com o penúltimo ano da Primeira Guerra começa em 6 de Abril, data em que os Estados Unidos entraram no conflito. Com várias premiações e indicações, o filme conta com 10 indicações ao próximo Oscar, incluindo melhor filme e direção para Sam Mendes. Com tanta badalação, facilmente podemos entender porque mesmo que não completamente original, “1917” consegue o mérito de mostrar as possibilidades quando um realizador tem talento para reunir uma equipe capaz de mostrar o que é a sétima arte, não o que se faz, mas como se faz.

1917

         O mérito do filme não é apenas técnico, pois os recursos narrativos estão a serviço de uma história bem elaborada que sabe evitar o ufanismo geralmente associado aos filmes do gênero. O filme de Mendes evoca na memória ecos de “Glória Feita de Sangue” (1957) e “Sem Novidades no Front” (1930) ambos também ambientados na Primeira Guerra (1914-1918) e expondo os horrores que a marcha belicista traz ao espírito humano. Mendes começa com um plano aberto no campo onde dois soldados britânicos descansam debaixo de uma árvore, e logo em seguida são despertados à medida que caminham para dentro de um labirinto de trincheiras que dividem o exército inglês dos alemães. Os soldados são incumbidos de levar uma mensagem até um batalhão inglês prestes a cair em uma armadilha que custará suas vidas. O patriotismo cego não move os passos dos jovens Blake (Dean-Charles Chapman) e Schofield (George MacKay), é mais pessoal, emotiva.  O primeiro assume a missão pois seu irmão mais velho está entre os soldados sobreviventes e a um passo da emboscada, e o segundo é movido pela amizade e a promessa feita ao atravessar uma terra de ninguém. MacKay (Capitão Fantástico) conecta-se com o público, vive à flor da pele o significado de derramar sangue, suor e lágrimas. A travessia da terra de ninguém até o front ganha uma dimensão de incrível realismo graças à fotografia de Roger Deakins (Oscarizado em “Blade Runner 2049”) cujas imagens impactantes são o verdadeiro protagonista dessa história. Se a frase “esses são os horrores da guerra” já foi ouvida em outros filmes, o filme de Mendes as explora com precisão cirúrgica desde a mudança brusca de um idílico campo ao claustrofóbico ambiente de uma trincheira; ou da segurança desta para uma corrida desesperada com tiros e bombas sucessivas. A trilha sonora de Thomas Newman se mescla à ação de forma que corremos com o cabo Schofield e sofremos como se pudéssemos nos transportar para dentro da tela. Mesmo a rápida aparição de rostos conhecidos como Colin Firth, Mark Strong e Benedict Cumberbatch não nos distrai do principal na história, não o seu desenrolar, não é senso de patriotismo ou de dever cumprido, mas como o ser humano eclipsa em meio à destruição e morte, essas sim as únicas vencedoras de guerra.

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