ROMANCES ROMÂNTICOS

The_Notebook_pôster                  Podemos até reclamar que o mundo tecnológico, digital que nos cerca e atrai tem nos tornado seres humanos mais frios e sem contato real com as relações humanas. Apesar das dificuldades do mundo moderno de nos conectarmos uns com os outros há ainda uma parcela significativa de público que, mesmo que seja através da ficção, consegue dar voz à suas emoções: amor, saudade, medo, traumas de infância, laços de família estão entre alguns dos ingredientes de um bom romance romântico.Nessa seara o norte- americano Nicholas Sparks tem sido nos últimos anos um dos mais prolíficos e mais adaptados para as telas. Dos 20 livros que já escreveu 11 já foram vertidos para o cinema, tendo sido “Uma Longa Jornada(The Longest Ride) um dos últimos. Sparks, de 50 anos, invariavelmente fala de histórias que destacam dramas familiares, amores perdidos do passado lutando contra os obstáculos impostos pela vida. Geralmente tendo a Carolina do Norte, seu lar, como cenário de suas histórias, Sparks conquistou uma legião de fãs que aguardam ansiosamente o já anunciado “Two by Two” (ainda sem título em Português), seu mais novo romance. Um dos melhores de sua autoria “Diário de uma Paixão” (The Notebook) consegue contar uma história emotiva que atravessa décadas de uma casal separado pela enfermidade representada pelo mal de Alzhemier.

Nicholas Sparks

NICHOLAS SPARKS

Seguidores desse tipo de literatura/filme não se intimidam com as acusações de pieguice típicas do gênero, mas também não se entregam à formula fácil do felizes para sempre. Muitas dessas histórias fazem da adversidade a grande vitoriosa, a tragédia (herdeiros do classicismo grego) pode ser representada pela separação em vida ou a própria morte. Esta última foi presença terrivelmente ameaçadora na história de amor entre Gus e Hazel no best-seller “A Culpa é das Estrelas” (The Fault in our Stars) de John Green, que se popularizou entre o público jovem e ganhou uma bem sucedida adaptação com atuações sensíveis, e sem exageros, do casal interpretado respectivamente por Ansel Egort e Shailene Woodley. Green, atualmente com 38 anos, conseguiu se conectar com os adolescentes carentes de boas histórias que abordem seu universo sem preconceitos ou caricaturas superficiais. O autor ainda falou de decepções amorosas de forma equilibrada capaz de conquistar tanto o público jovem quanto o público mais velho como foi no recente “Cidades de Papel” (Paper Towns) e seus leitores já aguardam para breve o filme baseado em outro de seus best-sellers “Quem é Você, Alaska ?” (Looking for Alaska).

fault stars

Menos badalada em Hollywood mas uma escritora com 14 milhões de cópias vendidas no mundo, a escritora norte-americana Jodi Picoult já teve seus livros adaptados para a TV, mas o mais conhecido deles é mesmo “Uma  Prova de Amor(My sister’s keeper) filmado em 2009 e trazia Cameron Diaz, Abigail Breslin e Jason Patrick em uma historia sobre uma família abalada pela leucemia e uma menina que luta legalmente pela doação de um rim que limitará sua vida, enlouquecendo sua mãe com o dilema. Picoult, também escreveu por um tempo as HQs da Mulher-Maravilha para a DC Comics, mas é na criação de dramas envolventes e, claro, carregados de emotividade que a autora se destacou.

me before

Agora é a vez de Jojo Moyes ter seu primeiro romance levado ao cinema “Como Eu Era Antes de Você(Me Before You) sobre um romance entre uma jovem cheia de vida e um homem tetraplégico que pensa em desistir da vida. Apesar dos detratores do gênero que torcem o nariz para o sentimentalismo extremo e os clichês do puro folhetim, há personagens simpáticos capazes de se conectar bem com as experiências de vida individual dos leitores, essência de um drama bem sucedido seja nas letras ou na passagem da mesma para o cinema. A habilidade do autor de driblar a previsibilidade deste tipo de história e acertar em um tom equilibrado, sóbrio apesar das lágrimas inevitáveis faz com que sempre haja espaço para o gênero e agrade aos admiradores do gênero que assumem que a catarse provocada em nossas próprias vidas pode ser feita sem pudor ou medo, mesmo que tão breve quanto e encontro da felicidade.

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MEMÓRIAS DE UM CINÉFILO : A REVISTA CINEMIN

Cinemin Capas I

Entre novembro de 1982 e outubro de 1993 circulou no Rio de Janeiro a melhor revista sobre cinema desse país. Em suas páginas aprendi tanto que esse período, durante o qual fui fiel leitor dela, foi como se eu tivesse um curso superior completo de artes cinematográficas. Foi meu primo quem me apresentou a revista Cinemin, edição nº9 de Abril de 1984. No centro da capa o anuncio de “No Limite da Realidade”, filme em que Steven Spielberg, John Landis, Joe Dante e George Miller retomavam a clássica série de Tv “Além da Imaginação” (The Twilight Zone), criada por Rod Serling e que eu adorava assistir. Como o título em Português era diferente, não tinha percebido que era uma adaptação. Foi a Cinemin que me informou não apenas disso como também apontando quais episódios estariam refilmados. Na época, com 13 anos e tendo a TV como babá, eu descobria também quem tinha sido a atriz Frances Farmer, como tinha sido a vida do astro Gary Cooper e do maior dos intérpretes de Tarzan (herói de minha infância), o ator Johnny Weissmuller, que havia falecido no México em Janeiro daquele ano. As páginas da Cinemin eram bastante diversificadas equilibrando o amor pelo passado clássico da sétima arte com as atualidades da época. Lembrando que na época não existia internet, redes sociais ou programas de TV por assinatura que hoje colocam a informação ao alcance da palma de nossas mãos. Assim sendo, a Cinemin também informava sobre os lançamentos de “O Dia Seguinte”, polêmico na época ao falar de uma catástrofe nuclear e o divertido “Jogos de Guerra” que apresentava ao público o talentoso Matthew Broderick.

cinemin 9

A CINEMIN NASCE & RENASCE. Na verdade a Cinemin, que conheci então, era a 5ª série publicada pela editora Ebal, do saudoso Adolfo Aizen. A revista começou a ser editada em Novembro de 1951 trazendo a quadrinização de grandes filmes, tendo sido a primeira o musical “Quando fala o coração” com Jane Powell e Ricardo Montalban. Essa série teve 100 edições mensais em formato americano, publicada em uma média de 36 páginas em preto e branco. Em fevereiro de 1960 a revista zerou sua numeração e seguiu por mais 35 edições, sendo que até o número 24 era mensal e a partir daí até o fim permaneceu bimestral. Em Janeiro de 1964, a terceira série da Cinemin recomeçou com regularidade mensal, mas com um formato estranho, comprido, difícil de manusear sem rasgar as páginas, o que desagradou ao público leitor. Logo, a partir do numero 7 datado de Julho de 1964, a Ebal retornou ao formato americano. Outra mudança nessa fase foi que ocasionalmente, em vez de trazer a quadrinização de clássicos do cinema, trouxe em suas páginas a versão em HQ de episódios da popular série “Além da Imaginação”. 24 edições depois a revista foi descontinuada, e só foi brevemente retomada em Março de 1975 por 5 edições mensais coloridas que publicou as HQ humorísticas de Francis, a mula falante, licenciadas da editora americana Dell Comics. Curiosamente, a capa estampava que esta era a 3ª série demonstrando que os editores da Ebal se confundiram com a numeração.

cinemin 1ª serie

A REVISTA DA SÉTIMA ARTE. A revista Cinemin que eu conheci, trocou as versões em quadrinhos por um trabalho jornalístico sério voltado para a divulgação do cinema contemporâneo e capitaneado pelo jornalista e crítico de cinema Fernando Albagli, que trabalhara durante um bom tempo no Jornal do Brasil. A primeira edição dessa nova encarnação da revista Cinemin chegou às bancas em Novembro de 1982, anunciada como “a revista da sétima arte”. Foi o ano em que o Brasil perdeu a copa da Espanha, a Inglaterra venceu a Argentina na guerra das Malvinas e o nosso país açoitado por dívidas com o FMI vivia a primeira eleição direta para governador marcando o início de uma redemocratização. Para mim, em plena adolescência alimentada por filmes na TV e nos cinemas,  o mais importante era ter contato com todo um universo que me encantava.

Fernando Albagli, a alma da Cinemin

Fernando Albagli, a alma da Cinemin

A principio, a revista oscilava entre uma periodicidade ora bimestral ora trimestral até maio de 1985 (edição número 14 trazendo Fred Astaire & Ginger Rogers na capa) quando passou a mensal, ainda que eventualmente motivos de força maior a fazia pular um mês, mas voltando sempre a regularidade de mês a mês. Cinemin foi pioneira em seu trabalho, teve concorrentes na sua área de atuação, mas nenhuma que fizesse um trabalho tão bem feito informando, divulgando, fazendo história já que a Cinemin testemunhou o nascimento do mercado de home-video com a chegada do vídeo-cassete, que levou a magia do cinema para uma nova geração. Fernando Albagli editava a revista com a paixão impressa em cada página e acompanhada de um time de ouro que dividia com ele o mesmo amor : Antonio Carlos Gomes de Mattos (que eu já conhecia da revista “Amigão”, encarte da Amiga Tv Tudo que tratava de cinema e TV) , João Lepiane,  Luiz Saulo Adami, Gil Araujo, Salvyano Cavalcanti entre outros.

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POR DENTRO DA REVISTA.  Eu devorava a “Galeria das Estrelas” que mês a mês trazia a vida dos artistas que pertenciam ao meu panteão de admiração e adoração : James Stewart, Spencer Tracy, Cary Grant, Barbara Stanwyck, Greta Garbo, Tyrone Power, Ingrid Bergman e muitos outros. Para mim, era como se eu estivesse temporariamente transportado para Hollywood, visitando a calçada da fama. Outra seção que eu adorava era “Isto não é fita… é fato” que trazia diversas curiosidades sobre os bastidores dos filmes e sobre as personalidades (atores, diretores e produtores) fora dos holofotes. A revista jamais ficava restrita a um único assunto, sendo assim além de Hollywood, a Cinemin falou de Neo Realismo, Novelle Vague, festivais nacionais (Riocine, mostra São Paulo, festival de Brasilia), expressionismo alemão, coadjuvantes notáveis, os seriados do cinema, enfim a lista é grande. Várias entrevistas foram publicadas e o Gil Araújo fazia uma ponte entre o leitor e a revista respondendo tudo o que perguntassem. Lembro de alguns artigos que considero os melhores (e olha que a escolha é difícil) : Os maiores espadachins das telas, os grandes seriados da TV, Hitchcock & Stewart : A essência do suspense, os maiores cowboys das telas, galeria do horror etc.. Ocasionalmente, a Ebal também publicou a edição especial “Cinemin Fantastic” centrada no universo dos filmes de terror e ficção científica (outro pioneirismo imitado depois por outras editoras). A primeira edição trazia uma painel da ficção cientifica no cinema e a melhor reportagem sobre os filmes de 007 até o último então que marcava a despedida de Roger Moore.

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O FIM. Uma vez que a Cinemin reverenciava o passado sem nunca virar as costas para o presente ou o futuro, por volta do número 63 ou 64, quando a revista voltou a circular bimestralmente,  começou uma série de artigos entitulada “Stars 90” falando da carreira de Julia Roberts, Demi Moore entre outros talentos que despontavam nas telas. Lamentavelmente, a revista deixou de circular depois da edição 86, datada de outubro de 1993, depois de cerca de 70 mil exemplares vendidos sem ter o luxo de anunciantes que patrocinassem a revista, um feito e tanto no mercado editorial brasileiro. Tenho várias, mas sucessivas mudanças de endereço e empréstimo a algumas pessoas diminuíram meu acervo. Frequentemente releio minhas Cinemins e o que encontro nela, site nenhum ou livro nenhum consegue se igualar. Saudades ficaram e a esperança de que um dia uma publicação (real ou virtual) consiga fazer pela nova geração de cinéfilos o que a Cinemin soube fazer pela minha, pois o show deve continuar. Obrigado, Fernando Albagli e equipe ! Obrigado Adolfo Aizen !

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 19 DE MARÇO

MAPA PARA AS ESTRELAS

mapa para as estrelas

(Map to the stars) EUA 2014. Dir:David Cronemberg, Com Julianne Moore, Mia Waskowska, Evan Bird, Robert Pattinson, John Cusack, Olivia Williams. Drama. Ainda se associa muito o nome de David Cronemberg a seus trabalhos ligados ao cinema fantástico como “A Mosca” ou “Scanners – Sua Mente Pode Destruir”, mas o diretor é um competente condutor de histórias capazes de mexer com nossos sentimentos e imaginação. Esse seu novo trabalho lida com os bastidores de Hollywood e se divide entre vários personagens para compor uma análise da obsessão pela fama, no glamour ilusório que as celebridades exercem na sociedade. Dois papéis fortes e centrais na trama são os de Julianne Moore (em excelente momento de sua carreira), que faz uma atriz decadente com fixação pela figura da mãe e Mia Wasikowska, esta uma jovem misteriosa que retorna a Los Angeles para acertar as contas com esse obscuro passado. Em volta delas circulam personagens como o ator mirim que saiu de uma clínica de reabilitação (como vários no mundo real), o motorista da ex-estrela de cinema, o guru das celebridades. A premissa da história lembra “Crepúsculo dos Deuses”  (1950) de William Wyler, mas Cronemberg é mais ácido até mesmo dada a diferença entre as épocas e como a sociedade se articulou em tempos modernos em torno do estrelato, da fama e do culto às celebridades. Carrie Fisher (a princesa Leia de “Star Wars”) que teve na vida real problemas graves com bebida e os superou aparece como ela mesma no filme, acentuando o im -pacto da história. O roteirista Bruce Wagner se baseou em sua própria vida já que trabalhou no passado como motorista de limusine e conviveu com a fina nata das estrelas de um ponto de vista observacional. O filme ainda ganhou o prêmio de melhor atriz para Julianne Moore no Festival de Cannes, além de ter concorrido à Palma de Ouro.

INSURGENTE

INSURGENTE

(Insurgent) EUA 2015. Dir:Robert Scwentke. Com Shailene Woodley, Theo James, Ansel Egort, Kate Winslet, Naomi Watts, Octavia Spencer. O segundo volume da série escrita por Veronica Roth recomeça a história nas telas poucas horas depois dos eventos retratados no filme “Divergente”. Já é de se esperar que Tris (Woodley) exerce o mesmo papel que a Katniss de “Jogos Vorazes”, ou seja, a salvadora deste futuro distópico. Junto ao seu amado Quatro (James), Tris busca a verdade sobre o passado de seu mundo a medida que ambos fogem da perseguição de Jeanine (Winslet), a líder da Erudição. Aliados e inimigos surgem enquanto Tris encara o desafio de salvar o que resta desse mundo, descobrir o que seus pais escondiam e sobreviver a caçada de seus algozes que revelam possuir uma máquina capaz de identificar e revelar os divergentes da ordem vigente. Tudo interessante para quem é fã da trilogia, mas que não consegue estabelecer um diferencial de outras distopias teen que Hollywood transformou em um filão rentável.

ESTREIAS DA SEMANA : A CULPA É DAS ESTRELAS

Eles não se abatem com a morte, mas vivem a plenitude da vida.

Eles não se abatem com a morte, mas vivem a plenitude da vida.

Confesso a grata surpresa de ter lido o livro de John Green. Não apostava que fosse gostar tanto da história e maior surpresa ainda saber que a adaptação do livro pela 20th Century Fox, dirigida por Josh Boone, consegue hábilmente transpor para as imagens as palavras de Green que foram perfeitas para mostrar que existe muito mais a oferecer ao público jovem que histórias insossas de amor entre vampiros e humanos. “A Culpa é das Estrelas” foi escrito com admirável sensibilidade, e imbuído desse mesmo espírito Josh Boone traz a talentosa Shailene Woodley para o papel de Hazel Grace Lancaster, a jovem de 16 anos que sofre de câncer nos pulmões e que durante uma terapia de grupo conhece Augustus Waters (Ansel Elgort) que sofre do mesmo mal que lhe privou de uma das pernas, lhe tirou uma carreira no basquete e lhe abrevia a vida. Ambos os atores estão ótimos nos papéis, bem como os coadjuvantes Laura Dern ( a mãe de Hazel), William Dafoe (o escritor favorito de Hazel que vive recluso) e o jovem Nat Wolff (Isaac, o amigo de Augustus que perdeu a visão). Apesar de voltado para o público jovem, o filme cujo título é uma adaptação das palavras de Julius César (da peça de Shakespeare) agrada a qualquer um que se deixe conquistar por uma história sem grande pretensões com personagens cativantes. Não é difícil ter a sensação de que Hazel e Augustus são reais, verossímeis, como se fossem pessoas que conhecemos e que, por casualidade de um cruel destino, descobrem a dor, a inevitabilidade do fim mas aprendem também o prazer e a vida de um ponto de vista mais intenso e sincero. Todas essa emotividade não é apresentada de forma gratuita ou superficial. A história de Green sabe como dosar emoção e humor sem se entregar às obviedades dos clichês.

A atriz Shailene Woodley e o autor John Green

A atriz Shailene Woodley e o autor John Green

A atriz Shailene Woodley já havia mostrado seu talento como a filha de George Clooney em “Os Descendentes” e recentemente encarnou a heroína de “Divergente” onde curiosamente aparece ao lado de Ansel Elgort que faz nesse o papel de seu irmão. Shailene, inclusive entrou em contato com o autor John Green se mostrando interessada no papel de Hazel, para o qual emagreceu e cortou as longas madeixas para ser convincente, e ela é. A química com Ansel é evidente e cativa sem exageros. Enfim, o filme é recomendado, agradável e mostra como é bem saber que ainda se sabe contar uma boa história. Esperamos que outros livros de Green como “O Teorema Katherine” e o recente “Cidades de Papel” ganhem uma adaptação. Por hora, podemos nos permitir refletir e sentir com o romance de Hazel e Augustus e ainda que a finitude da vida seja inescapável, que deixemos nossas vidas breves brilhar por frívolos instantes e que o julgamento fique para as estrelas.