CLÁSSICO REVISITADO: ALIEN O 8º PASSAGEIRO / 40 ANOS

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         Deixe de lado as narrativas poéticas de Flash Gordon, Star Trek e produtos semelhantes. O espaço não é um lugar favorável para se visitar e as formas de vida encontradas estão longe de ser cerebrais como o Sr.Spock ou formosas igual às heroínas de fantasias escapistas. No espaço ninguém nos ouviria gritar uma vez que o som não se propaga no vácuo, e a vida não se cria amigável e hospitaleira. Na sala de cinema foi o grito do público que popularizou a figura de uma criatura xenomorfa como um dos maiores monstros do cinema. A ideia de Dan O’Bannon, roteirizada pelo próprio em conjunto com Richard Shusett, veio a se tornar o primeiro “Alien” (1979) subentitulado no Brasil “o oitavo passageiro”. O’Bannon já havia ensaiado a historia de um organismo estranho à bordo de uma nave em “Dark Star” (1975) de John Carpenter, mas as raízes do filme que “Alien” se tornaria foram plantadas nos filme B dos anos 50 e 60 em títulos como “The Quartemass Experiment” (1953) e “The Thing from Outer Space” (1951). O filme de Ridley Scott trabalhou as sementes deixadas por essas pérolas e as elevou a um patamar de excelência, mexendo como nosso medo do desconhecido.

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            O filme dirigido por Ridley Scott potencializou o tema bebendo da lição spielbiguiana de mostrar pouco e insinuar muito a medida que incita o público a imaginar como seria sua criatura no final. Não à toma o renomado crítico Roger Ebbert comparou”Alien” a “Tubarão” (Jaws), lançado quatro anos antes. A narrativa de Scott  começa silenciosa, mas cresce a tensão gradativamente conforme a tripulação da Nostromo (nome que foi retirado de um poema de Joseph Conrad) é eliminada tal qual os personagens de “O Caso dos dez negrinhos” (Ten Little Indians) clássico livro de Agatha Christie. Curiosamente, o personagem de Ripley (Sigourney Weaver) assume o protagonismo de forma despretensiosa, lançando a carreira da atriz então aos 30 anos. O filme de Scott fez o nome de Sigourney Weaver conhecido e estabeleceu um padrão mixto de terror e ficção constantemente imitado, mas jamais igualado, nem mesmo as sequências da franquia imprimem o mesmo impacto. Antes de “Alien”, Scott só tinha feito um filme, o ótimo “Os Duelistas”, de 1977, pelo qual foi premiado em Cannes, além de trabalhos na TV. Hoje, Scott é renomado com 50 créditos como diretor, fora seus trabalhos como produtor e prêmios como o Globo de Ouro de melhor diretor por “Perdido em Marte” em 2016, além de diversas indicações a honrarias como o Oscar, O Cesar (Oscar Francês), o BAFTA e o Emmy.

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           O visual assustador da criatura foi idealizado pelo artista gráfico H.R. Giger (1940 – 2014) que deu ao xenomorfo a cabeça alongada e a forma humanoide, cujo traje coube ao renomado técnico Carlo Rambaldi (1925-2012), o mesmo responsável por “King Kong” (1976) e “E.T” (1982), que ficou com a tarefa de fazer o movimento da criatura e a projeção da mandíbula interna algo aterrador, o que conseguiu fazendo por merecer o Oscar de melhor efeitos visuais. Na era pré-digital coube ao nigeliano Bolaji Bandejo (1953/1992) vestir o traje que lhe deu seu único crédito como ator. A bilheteria de $78.900.000, cerca de seis vezes mais do que seu orçamento original, convenceu a Twentieth Century Fox a continuar a história, mas problemas internos no estúdio atrasaram os planos que se concretizariam tempos mais tarde como “Aliens – o Resgate”, mas isso já é outra história. Só não pense que acabou, pois certamente em breve teremos um novo capitulo a revisitar a obra de 1979 que chega a completar em agosto desse ano 40 anos de seu lançamento no Brasil.

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BEST-SELLERS: ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE DE AGATHA CHRISTIE

           Há mais de 80 anos que um seleto grupo de passageiros embarcou em uma luxuosa composição ficando confinados nela por força de uma tempestade de neve. Durante dias, até que pudessem retomar sua viagem, um dos mais ilustres passageiros: Samuel Ratchett – um riquíssimo empresário – aparece morto em sua cabine onde foi esfaqueado 12 vezes. Para que o assassino fosse encontrado, seria necessário correr contra o tempo, já que assim que a tempestade parasse, e o trem chegasse à parada mais próxima, o assassino poderia escapar. O detetive belga Hercule Poirot, a bordo do trem, assume as investigações que remontam ao sequestro e morte de uma criança, caso este não resolvido na época e que ganhara as manchetes internacionais.

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           Todo esse intrigante enredo foi fruto da fértil imaginação de Agatha Mary Clarissa Miller, nascida em 15 de Setembro de 1890, que alcançou a eternidade usando o sobrenome de seu primeiro marido: Agatha Christie. O referido livro que viria a ser chamar “Assassinato no Expresso do Oriente” surgiu em sua mente quando a própria autora viajou a bordo do Expresso do Oriente durante uma viagem realizada em 1928. Além disso, o episódio do luxuoso trem preso durante uma tempestade de neve realmente ocorreu anos antes. O esmero da autora foi tamanho que ela incluiu detalhes sobre cada composição como a posição das maçanetas, a disposição das cabines e dos corredores inserindo em sua narrativa  precisão e realismo, dando aos seus leitores a sensação de também estar viajando junto aos magnatas e aristocratas, passageiros usuais do expresso.  A subtrama sobre o sequestro e a morte de um inocente foi retirada de um caso real: o dramático sequestro e assassinato do filho do aviador Charles Lindbergh que provocou comoção nos anos 30. Agatha escrevia movida por ideias surgidas de todas as formas e de todos os lugares. Durante sua estadia na Turquia,  hospedou-se no Pera Palas Hotel, onde escreveu o livro que seria publicado de forma seriada nas páginas do “Saturday Evening Post” em 1933, e com o título “Murder on the Calais Coach até ser publicado pela primeira vez como romance em 1º de Janeiro de 1934 pela Editora Collins, lar das imaginativas histórias da Rainha do crime,  e contendo 256 páginas. Nessa época, a viagem no Expresso do Oriente havia atingido seu ápice de glamour e sofisticação, antes que a Segunda Guerra interrompesse o serviço do transporte. Na época,  Agatha  já era um sucesso editorial com mais de 20 livros publicados, além de contos publicados em várias coletâneas. Era uma celebridade no mundo das letras e “Assassinato no Expresso do Oriente” alcançaria a impressionante marca de 3 milhões de cópias vendidas na época.

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A AUTORA

            Agatha Christie fez de seu detetive belga, Hercule Poirot, um dos maiores personagens do romance policial. Baixinho, com um indefectível bigode e sempre orgulhoso de suas pequenas células cinzentas, Poirot é até hoje a criação mais popular da autora britânica. Além de sua excentricidade e elegância europeias, Poirot é meticuloso em sua abordagem e nem um pouco modesto de sua capacidade dedutiva sendo comparável a Sherlock Homes. Tanto um quanto o outro dividem preferências, carregam uma legião de admiradores e estão no mesmo pódio entre os maiores investigadores da literatura.

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A JOVEM AGATHA CHRISTIE

               Poirot sempre foi apresentado de forma assexuada, nunca se envolvendo com mulheres exceto por uma ocasião em que demonstra sentimentos profundos pela Condessa Vera Rossakoff no romance “The Big Four” . Seu modus operandi analisa psicologicamente os suspeitos e deduz detalhes com um olhar clínico de admirável precisão. Sua baixa estatura contrasta com seu ego, este bem adequado ao seu primeiro nome derivado do semi-deus da mitologia grega. Poirot sempre se demonstra orgulhoso de suas “pequenas células cinzentas” , o modo como se refere ao cérebro privilegiado com o qual elucida os mistérios. Ocasionalmente, recebe a ajuda do Capitão Hastings, o bom amigo que se torna seu Watson na investigação criminal. Todas essas características garantiram ao personagem um lugar de honra no imaginário dos amantes de histórias policiais.

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ALBERT FINNEY COMO HERCULE POIROT (1974)

          Dois anos antes do falecimento de Agatha Christie, a autora autorizou a publicação de “Cai o Pano” (Curtain) em que o detetive belga morre em uma história escrita durante a Segunda Guerra Mundial e mantida em um cofre no banco durante décadas. Em Agosto de 1975, o renomado jornal New York Times publicou a morte do personagem na seção Obituário, marcando o fim de um ciclo no gênero que coroou Agatha como Rainha e fez de Poirot uma celebridade entre seus semelhantes. Poirot protagonizou 39 livros, sendo 33 romances policiais além de contos diversos reunidos depois. Agatha criou outros detetives como a abelhuda Miss Marple e o investigador Parker Pyne, mas Poirot sem dúvida ocupa uma posição privilegiada no imaginário popular dos amantes do gênero.

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AUSTIN TREVOR – O PRIMEIRO POIROT DO CINEMA

            Já foi vivido por diversos atores, tendo sido o desconhecido Austin Trevor o primeiro Hercule Poirot das telas, no filme “Alibi” (1931), adaptação de “O Assassinato de Roger Ackroyd”. Trevor retornou ao papel em “Black Coffee” (1931) e  “Lord Edgware Dies” (1934). Tony Randall foi o segundo ator a interpretar Poirot em “The Alphabet Crimes” (1965), adaptação de “Os Crimes ABC” , que traz a curiosidade de ser o único encontro entre Poirot e Miss Marple (Margareth Rutherford). Em 1974, Albert Finney conquistou uma indicação ao Oscar por sua personificação de Poirot em “Assassinato no Expresso do Oriente”, chegando ainda a ganhar o BAFTA, o Oscar do cinema britânico. No entanto, o  mais recorrente ator a viver o personagem foi Peter Ustinov que fez 6 filmes entre 1978 e 1988, três deles para o cinema e três deles para a Tv. Em tempos mais recentes, o inglês David Suchet personificou Poirot em uma série da Tv inglesa que começou a ser produzida em 1989 e seguiu até tempos recentes.

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PETER UISTNOV COMO POIROT (1978)

              Além do teatro, o cinema e a Tv constantemente revisitam as obras de Agatha Christie. Há 40 anos estreou a melhor versão de um livro de Dame Agatha, título de nobreza que lhe foi concedido pela Rainha da Inglaterra em 1971. Em 24 de Novembro de 1974 chegou às telas “Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder on The Orient Express) dirigido por Sidney Lumet, que demorou para convencer a autora a permitir a adaptação que se tornou a melhor sucedida de um livro da Rainha do Crime. A produção recriou o requinte e o luxo dos vagãos do Orient Express nos famosos Estudios Pinewood em Londres, já que a composição original não mais existia. O filme reuniu um super elenco encabeçado pelo ator inglês Albert Finney (então com 38 anos) no papel de Hercule Poirot. Finney, que na época se apresentava no teatro em horário próximo ao das filmagens, seguia de ambulância para o estúdio e no caminho tinha a maquiagem, que o transformava em Poirot, aplicada em seu rosto enquanto o ator ainda dormia. Na lista de passageiros / suspeitos investigados pelo detetive belga estavam personagens interpretados por Sean Connery, Anthony Perkins, Martin Balsam, Michael York, Sir John Gieguld, Vanessa Redgrave, Jaqueline Bisset, Jean-Pierre Cassell, Lauren Bacall e Ingrid Bergman, tendo esta última ganhado por seu papel o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Sua grande cena no filme, no entanto, se restringe a uns cinco minutos em cena, durante o interrogatório de Poirot. Curiosamente, Ingrid Bergman contracena com Lauren Bacall que na vida real era viúva de Humphrey Bogart, par romântico de Bergman no clássico “Casablanca”. O roteiro de Paul Dehner manteve o elemento envolvente da obra de Agatha e fez mudanças mínimas no material original como mudança nos nomes de personagens menores na trama, além da nacionalidade do diretor da linha férrea que de francês virou italiano. O filme foi indicado para um total de 6 Oscars, além da honraria de ser indicado para o BAFTA, o Oscar Inglês.  Na mesma época, Agatha já era a autora mais lida do mundo, e aos 84 anos aprovou a atuação de Finney como Poirot. Ela  compareceu à estreia do filme, satisfeita pela primeira vez com uma adaptação de uma obra sua para o cinema.  Essa seria sua última aparição pública antes de falecer de causas naturais em Janeiro de 1976. “Assassinato no expresso do Oriente” ainda seria refilmado para a Tv em 2001 com Alfred Molina como Poirot. Essa adaptação subaproveitou a trama reduzindo o número de suspeitos e incluindo o interesse amoroso de uma mulher por Poirot, o que não existe no livro. Em 2010 uma nova adaptação , também para a TV, com David Suchet em elogiada atuação na série britânica que leva o nome do personagem. Entre dezembro de 1992 e Janeiro de 1993 ainda houve uma adaptação para a rádio BBC, dividida em 5 partes, com Poirot na voz de John Moffatt.

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A PRIMEIRA VERSÃO DE “ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE” DE 1974 : SUSPEITOS REUNIDOS

              Tanto sucesso não significa que Agatha não tivesse seus detratores. Alfred Hithcock dizia desprezar seu estilo de narrativa que convencionou-se chamar pejorativamente de “whodunit” (quem fez isso?) . Contudo, inegável é o fato que Agatha Christie tornou-se sinônimo do gênero literário que escreveu. Sua narrativa serviu de inspiração para diversos imitadores. Novas adaptações de seus livros são frequentes na mídia e indicam sem sombra de dúvida que se o crime não compensa, certamente ele cria seguidores, e entre tantos autores notórios Agatha Christie se destaca como uma excelente analista da natureza humana, nossas fraquezas e ambições que há décadas alimentam a imaginação de gerações de leitores.

 

PRIMEIRA IMAGEM: ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE.

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DIVULGADO HOJE AS PRIMEIRAS FOTOS DA NOVA ADAPTAÇÃO DE “ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE”, CLÁSSICO DA LITERATURA POLICIAL ESCRITO POR AGATHA CHRISTIE. A FOTO ACIMA MOSTRA O ELENCO REUNIDO NA CAPA DA REVISTA “ENTERTAINMENT WEEKLY”: MICHELLE PFEIFFER, JOHNNY DEPP, JUDI DENCH, PENELOPE CRUZ, JOSH GAD, DEREK JACOBI, WILLIAM DAFOE E KENNETH BRANAGH, QUE DIRIGE O FILME E ASSUME O PAPEL ICÔNICO DO DETETIVE HERCULE POIROT JÁ VIVIDO POR ALBERT FINNEY EM 1974 E ALFRED MOLINA EM 2001 (PARA A TV). A ESTREIA DO REMAKE DE BRANAGH ESTÁ PREVISTA PARA 10 DE NOVEMBRO NOS ESTADOS UNIDOS.

GALERIA DAS ESTRELAS : INGRID BERGMAN

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´PLAY IT AGAIN SAM

Uma das mais belas estrangeiras importadas para Hollywood, Ingrid Bergman nasceu em Estocolmo, Suécia em 29 de Agosto de 1915. Seu talento apareceu bem cedo, já que quando jovem, seu pai que era fotografo, registrava seu belo rosto de traços suaves, e que se tornaria despretensiosamente atraente à luz dos holofotes. Ingrid perdeu sua mãe quando tinha dois anos, e durante um bom tempo seu pai era tudo que tinha, e este estimulava sua filha diante das câmeras. Quando seu pai também morreu, quando tinha 12 anos, Ingrid foi morar com seu tio e quando terminou sua educação escolar básica, já havia decidido se tornar uma atriz. Apesar de uma curta passagem pelos palcos, Ingrid queria o cinema e depois de pequenos papeis, conseguiu o papel de Anita Hoffman em “Intermezzo” (1936). Foi quando chamou a atenção do lendário produtor de Hollywood David O’Selznick (de “E O Vento Levou”) que lhe ofereceu um contrato levando- a a California onde reprisaria o mesmo papel na refilmagem homônima lançada em 1939. Foi sua grande chance, em um momento em que sua compatriota, a mítica Greta Garbo, se retirava do firmamento Hollywoodiano.

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AO LADO DE SPENCER TRACY EM “O MEDICO E O MONSTRO”

Ingrid voltou brevemente ao seu país para cumprir seu contrato, mas logo retornou à America encarnando uma prostituta ao lado de Spencer Tracy e Lana Turner na refilmagem de “O Médico & O Monstro” (Dr.Jekykll & Mr.Hyde) em 1941. Um dos papéis mais marcantes de sua carreira já veio no ano seguinte quando assumiu o papel de Ilsa Lund no cultuado “Casablanca” (1942) de Michael Curtiz. Seus traços europeus e o sotaque em sua voz fez Hollywood se apaixonar ainda mais por sua beleza fresca, despretensiosamente envolvente com a qual encarnou a figura de uma mulher dividida entre o idealismo político e um grande amor. Quando o amargurado Rick Blaine (Humphrey Bogart) resmunga para a plateia “Por que com tantos bares, em tantas partes do mundo, ela teve que entrar justamente no meu?”, sua presença em cena preenche com uma classe capaz de fazer o gelo derreter com seu olhar. Décadas depois de entrar para a história do cinema com essa história de amor, Ingrid sempre se recusava a falar muito sobre o filme de Curtiz, deixando claro não ser uma de suas atuações favoritas. Diferente da orgulhosa e corajosa  Maria de “Por quem os Sinos Dobram” (For Whom The Bells Toll) atuando ao lado de Gary Cooper. Segundo a própria em sua autobiografia, Ingrid aceitou de bom grado cortar suas madeixas para ter oportunidade de trabalhar em uma adaptação de Ernest Hemingway, autor do qual gostava muito. Por esse papel recebeu sua primeira indicação ao Oscar.

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COM CARY GRANT EM “INTERLUDIO”

A versatilidade era uma característica de sua natureza, já que em 1944 interpretou uma mulher frágil e insegura em “À Meia Luz” (By Gaslight) , dirigida por George Cukor, que lhe deu o primeiro Oscar de melhor atriz. Em seguida, foi convidada a trabalhar com Alfred Hithcock em três ocasiões em “Quando Fala o Coração” (Spellbound) em 1945 contracenando com Gregory Peck,  em “Interlúdio” (Notorious) em 1946 ao lado de Cary Grant e Claude Rains e depois em “Sob o Signo de Capricornio” (Under Capricorn) em 1946 co-estrelado por Joseph Cotten. No mesmo ano foi mais uma vez indicada por outra mudança drástica de papel, interpretando uma religiosa em “Os Sinos de Santa Maria” e em 1948, depois de um ano de descanso, atuou em “Joanna D’Arc” (Joan of Arc) onde representou os conflitos e a fé de uma importante personagem histórica.

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COM YUL BRINNER EM “ANASTACIA – A PRINCESA ESQUECIDA”

Sua vida pessoal, no entanto, daria uma guinada de 180 graus no final da década de 40 quando conhece o diretor italiano Roberto Rossellini (quem inaugurou o neo realismo italiano com “Roma Cidade Aberta”) . Ingrid já era casada com o Dr.Peter Lindstrom e tinham juntos uma filha, Pia Lindstrom, quando a atriz foi filmar com Rosselini “Strombolli” em 1950. Ambos se apaixonaram e Ingrid virou as costas para tudo: sua família, sua carreira e seu novo lar, indo morar na Italia com Rosselini, gerando um escândalo que a levou a ser acusada de libertina. Quando sua gravidez foi anunciada, Ingrid foi execrada pelos moralistas de plantão. Em 1952, nasceria as gêmeas Isotta e  Isabella Rosselini, esta viria a se tornar famosa como modelo e depois, seguindo os passos da mãe, como uma ótima atriz. Durante esse tempo, Ingrid trabalhou em alguns filmes de seu segundo marido, seguindo em frente com sua vida com a determinação de não olhar para trás.

MÃE E FILHA : INGRID E ISABELLA

MÃE E FILHA : INGRID E ISABELLA

Aos 40 anos, se reinventou mais uma vez quando se divorciou de Roberto e voltou aos Estados Unidos onde filmou “Anastácia – a Princesa Esquecida” (Anastasia) de Anatole Litvak , em 1956. Hollywood parece lhe ter perdoado já que por esse papel ganhou seu segundo Oscar de melhor atriz. Em seguida teve novas oportunidades de mostrar sua atuação, trabalhando ao lado de grandes diretores como Stanley Donen em “A Indiscreta” (Indiscreet)  em que voltou a contracenar com Cary Grant e Mark Robson em “A Morada da Sexta Felicidade” (The Inn of the Sixth Happiness) com Robert Donat. Progressivamente, perdeu o interesse por Hollywood, diminuindo sua atividade nas telas, mas voltando temporariamente aos palcos. Casou-se novamente com um diretor sueco, alternando trabalhos nos Estados Unidos e na Europa, no cinema, no teatro e na TV.

MÃE E FILHA: TALENTOS

MÃE E FILHA: TALENTOS

MÃE E FILHA: TALENTOS

Na década de 70, recebeu mais um Oscar por seu papel em “Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder in the Orient Experess), adaptação da obra de Agatha Christie dirigida por Sindey Lumet,  onde contracenou com Lauren Bacall, a viúva de Humphrey Bogart, seu co-astro em “Casablanca”. Em 1978, trabalhou ao lado de Liv Ullman em “Sonata de Outono” de seu compatriota Ingmar Bergman, seu último papel no cinema, e mais uma indicação da Academia. Quatro anos depois, já afastada dos holofotes, interpretou a primeira ministra de Israel Golda Meir (1982) em uma minisérie de Tv que lhe valeu o Emmy de melhor atriz, e que veio a ser seu canto do cisne de uma carreira prolífica e brilhante. Quando filmou a mini-série, Ingrid já sabia que sofria de câncer, vindo a falecer no dia de seu 67º aniversário em 1982. Uma vida riquíssima de uma mulher como poucas cuja personalidade jamais foi ofuscada pela beleza e cuja paixão por atuar a guiou por momentos difíceis e de escolhas dolorosas que ela, como ninguém, enfrentou de cabeça erguida a medida que o tempo passou, deixando nas telas as marcas, não só de uma estrelas, mas de uma das melhores atrizes de uma Hollywood