ESTREIAS DA SEMANA: 02 DE NOVEMBRO DE 2017

O CIRCUITO COMERCIAL DESSE FIM DE SEMANA PROLONGADO COM FERIADO AINDA É DOMINADO PELO DEUS DO TROVÃO EM “THOR RAGNAROK”. ABRE-SE ESPAÇO PARA DUAS MOVIMENTADAS AVENTURAS DRAMÁTICAS, UMA ESTRELADA POR KATE WINSLET E OUTRA ESTRELADA POR ELIZABETH OLSEN. AMBAS TRAZEM UM CINEMA MENOS PIROTECNICO E MAIS TRADICIONAL AFINAL NEM SÓ DE SUPER HEROIS VIVE O CINEMA HOLLYWOODIANO. UM FILME BRASILEIRO CHEGA A NOSSAS SALAS COM UMA REFILMAGEM E READAPTAÇÃO DE JORGE AMADO. PARA QUEM GOSTA DE TRAMAS BASEADAS EM FATOS REAIS, ELE ESTÁ DE VOLTA … SCHWARZENEGGER, MAS NÃO NO PAPEL DE INDESTRUTIVEL HEROI DE AÇÃO QUE O POPULARIZOU NOS ANOS 80 E 90, MAS PARA MOSTRAR SEUS DOTES DRAMÁTICOS. VEJAMOS ABAIXO AS ESTREIAS DA SEMANA MAIS DETALHADAS:

DEPOIS DAQUELA MONTANHA (The Mountain between us) EUA 2017. Dir: Hany-Abu Assad. Com Idris Elba, Kate Winslet, Beau Bridges, Dermot Mulroney. Drama /Ação.

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IDRIS ELBA & KATE WINSLET: O QUE É UMA MONTANHA PARA QUEM JÁ SOBREVIVEU AO TITANIC ?

Cancelamento de vôo leva um médico e uma jornalista a dividir um jatinho. Contudo, o avião cai nas montanhas quando o piloto sofre um ataque cardíaco. Perdidos em região inóspita, cheia de perigos (abismos, animais selvagens, tempestade de neve) o casal tenta sobreviver para chegar à civilização, redescobrindo seus próprios sentimentos. O filme é adaptação do livro “A Montanha Entre Nós” de Charles Martin. O filme seria inicialmente estrelado por Michael Fassbender e Margot Robbie que desistiram do projeto. Depois os nomes de Charles Hunnam e Rosamund Pike foram cotados mas também desistiram até que Idris Elba e Kate Winslet assumiram os papeis de protagonistas. As filmagens foram feitas na maioria no Canadá na fronteira entre Alberta e a Columbia Britânica. Segundo o diretor, filmaram sob temperaturas extremamente frias, incluindo com sequências feitas no cume de uma montanha com o açoite das condições climáticas da região. Assistir o desenrolar da história traz o atrativo do realismo com o qual a ação é retratada.

TERRA SELVAGEM (Wind River) EUA 2017. Dir: Taylor Sheridan. Com Elizabeth Olsen, Jeremy Renner, Jon Bernthal, Graham Greene, Tantoo Cardinal.  Suspense / Drama.

TERRA S

JEREMY RENNER & ELIZABETH OLSEN: INVESTIGAÇÃO SEM FLECHAS E SEM FEITIÇOS.

Caçador (Renner) e agente do FBI (Olsen) se unem para investigar a morte de um adolescente em uma reserva indígena. Renner e Olsen serão reconhecidos facilmente pelo publico por interpretarem o Gavião Arqueiro e a Feitiçeira Escarlate nos filmes do Universo Marvel. Baseado em fatos reais, o filme é a terceira incursão do diretor e roteirista no tema da fronteira norte-americana (os outros são “Sicario – Terra de Ninguem” e “A Qualquer Custo”), tendo sido filmado  na sétima maior reserva indígena americana. Os atores Graham Greene e Tantoo Cardinal interpretaram marido e mulher no clássico “Dança com Lobos”, que trata de tema similar.

DONA FLOR & SEUS DOIS MARIDOS. Bra 2017. Dir: Pedro Vasconcelos. Com Juliana Paes, Marcelo Faria, Leandro Hassum. Comedia.

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HASSUM, PAES & FARIAS: AMOR À TRÊS COM TEMPERO AMADO

Segunda adaptação para o cinema da obra de Jorge Amado que tornou-se um clássico nos anos 70 estrelado por Jose Wilker, Sonia Braga e Mauro Mendonça nos papeis agora vividos por Marcelo Faria, Juliana Paes e Leandro Hassum. A história, passada na década de 40, gira em torno de uma curiosa bigamia: Flor é casada com o sério farmaceutico Teodoro (Hassum) mas mantem um relacionamento com o espirito de seu falecido primeiro marido, o mulherengo Vadinho (Faria). Também houve uma adaptação para a TV nos anos 90 com Giulia Gam no papel central. A história de Jorge Amado trata de assuntos como adulterio e sensualidade no micro-cosmo da Bahia, terra adorada pelo autor.

EM BUSCA DE VINGANÇA (Aftermath) EUA 2017. Dir:Elliot Lester. Com Arnold Schwarzenegger, Maggie Grace, Scott McNairy. Suspense / Drama.

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SCHWARZENEGGER : ELE NÃO É INDESTRUTÍVEL MAS ESTÁ DE VOLTA

Baseado em um desastre real ocorrido em Uberlingen, na Alemanha, causado por negligência do controlador de tráfego aereo que veio a ser morto por facadas por homem que perdeu a esposa e os filhos no acidente. Schwarzenegger não está fazendo seu típico papel de ação, enveredando para um papel mais dramático nesta produção de Darren Aronofsky. Curioso ver Schwarzenegger em um papel mais humano, distante de personagens como Conan e o Exterminador do Futuro. Talvez por isso seus fãs venham a estranhar sua atuação.

FUTURO REESCRITO : O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 : O JULGAMENTO FINAL

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Sete anos depois do primeiro “Exterminador do Futuro” (Terminator), Arnold Scwarzenegger já havia consolidado sua carreira como astro dos filmes de ação, Linda Hamilton havia estrelado a bem-sucedida série de Tv “A Bela & A Fera” e James Cameron havia realizado “Aliens o Resgate” (Aliens) e “O Segredo do Abismo” (The Abyss). Os efeitos digitais haviam evoluído bastante e muitas das iniciais de Cameron que não puderam ser aproveitadas com o baixo orçamento do filme de 1984 encontrariam agora o momento certo para uma sequência. Era 30 de Agosto de 1991, quase dois meses depois da estreia no circuito norte-americano, o filme chegava às telas brasileiras mas mostrando uma Sarah Connor (Hamilton) encarcerada em um manicômio e torturada por médicos e enfermeiros. Seus alertas de que as máquinas adquirirão consciência e erradicarão o homem da face da Terra são tomadas como delírios de uma louca. Mesmo seu filho John Connor (Edward Furlong), agora com nove anos não lhe dá razão nem ouvidos. É quando o então presente recebe a chegada de ois andróides do futuro,: o modelo T 800 (Schwarzenegger) – o mesmo que no passado tentou matar Sarah, mas agora reprogramado para protegê-la e a John e o modelo mais avançado T1000 feito de metal líquido, capaz de mimetizar qualquer forma e virtualmente indestrutível. A ideia inicial de Cameron era colocar o T 800 e Kyle Reese (Michael Biehn) – do primeiro filme – em papéis invertidos, mas logo foi abandonada por receio de que confundiria o público. Em seguida, pensou-se no cantor Billy Idol para o papel do T 1000, mas este sofreu um acidente de moto que o impediu de assumir o papel que foi para as mãos de Robert Patrick, descoberto depois de uma pequena parte como um dos terroristas em “Duro de Matar 2” (Die Hard 2).

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As filmagens foram longas, levando oito meses para ficarem prontas. O ator Edward Furlong, então com 13 anos apresentou uma diferença no tom de sua voz ao longo desse tempo e precisou ser dublado com exceção da cena em que John e T 800 conversam por que as pessoas choram pois Cameron achou que o efeito dramático seria maior se fosse a voz original de Furlong em contraponto a de Schwarzenegger. No filme, em meio à ação desenfreada em cenas de lutas e perseguição, a narrativa permite o questionamento filosófico sobre o que é o futuro : Existe destino inexorável a ser cumprido ou podemos fazer de fato alguma diferença com nossas escolhas ? O que difere o homem de uma máquina ? Qual o valor da vida humana ? Divagações herdadas de autores como Isaac Azimov e Nietchze, o roteiro de James Cameron e William Wisher Jr consegue eficientemente equilibrar ação e emoção com qualidade técnico assombrosa para a época, a cargo da Industrial Light & Magic.

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A dinâmica entre T 800 e John Connor se transforma ao longo do filme passando de protetor e protegido a um inevitável paternalismo que parece contradizer a guerra homem-máquina. Sarah se reaproxima de John e precisa encarar seu destino bem como decidir quem vive e quem morre quando decide matar Miles Dyson (Joe Morton), o responsável pelo projeto que levará à criação da Skynet, o cérebro eletrônico que dará às máquinas a supremacia global. Mata-lo pode significar o fim do perigo ou simplesmente o adiamento do fim profetizado para 29 de Agosto de 1997 ? Quando assisti ao filme nos cinemas, fiquei intrigado com o fato de que todos os esforços para mudar o que estava para acontecer, mexia com as possibilidades de realidades alternativas, presente e futuro, ecos das fantasias vitorianas de H.G.Wells sobre viajar no tempo para moldar a realidade.  O filme superou o anterior, rendendo o dobro do que custou, recuperando seu custo inicial estimado em    . Foi a primeira vez que uma sequência foi premiada pela Academia, sem que o filme original tenha sido indicado. Ganhou o BAFTA (Oscar Inglês) de melhor som e efeitos visuais, além de 4 Oscars (melhor som, efeitos sonoros, efeitos visuais e maquiagem).

Schwarza e os membros do Guns' n' Roses interpretes da agitada You could be mine na trilha sonora.

Schwarza e os membros do Guns’ n’ Roses interpretes da agitada You could be mine na trilha sonora.

Em um filme de superlativos inflacionado pelo salário de seu astro : Schwarzenegger recebeu $15 milhões de dólares ($21,429 por palavra). Só a icônica “Hasta la vista, baby” garantiu ao austríaco $85,716. Uma curiosidade: Na cena em que Sarah encontra o T 1000 tomando sua forma, o efeito das “duas Sarahs” foi obtido com a ajuda de Leslie Hamilton, a irmã gêmea de Linda. Esta sofreu um revés durante as filmagens : Tendo se esquecido de por fones de proteção nos ouvidos para uma sequência de explosão, a atriz acabou perdendo definitivamente parte de sua audição. Ao final das filmagens, Linda e James Cameron iniciaram um relacionamento que levou ao nascimento de uma filha. Após alguns anos o casal se separou e Linda obteve, como parte de seu acordo de divorco, os direitos sobre a franquia “Exterminador do Futuro” que logo vendeu, e por isso, Cameron nada teve a ver com as sequências posteriores realizadas em 2003 e 2008, bem como no novo filme que se aproxima e que usará o sugestivo subtítulo “Genesys”. Nada mais precisa ser dito além de : ELE VAI VOLTAR !!!!