NUNCA ESTIVEMOS SOZINHOS – CONTATOS ALIENIGENAS NO CINEMA & NA LITERATURA

Nossa vã filosofia sempre ponderou sobre a existência de vida em outros planetas, matematicamente aceito mas nunca cientificamente provado. O cinema e a literatura costumam se apropriar da ideia e explorá-la ao sabor da criatividade e da ilimitada imaginação.

childhoods-end-o-fim-da-infancia-capa

Em 1953 Arthur C.Clarke (autor de “2001 – Uma Odisséia no Espaço”) publicou “O Fim da Inocência” (Childhood Ends) sobre uma invasão de extraterrestres que cria na Terra um governo global, único e pacífico. Os seres jamais são vistos e proíbem as viagens espaciais além de banir as armas de fogo, relegando a humanidade a uma existência dedicada às artes e ciência. Um grupo de resistência se forma para buscar a verdade sobre os visitantes. Publicado em pelo período da guerra fria, o livro de Arthur C. Clarke questiona o preço da paz, na mesma medida que tanto investiga a natureza dos visitantes quanto discorre a respeito de nossa própria natureza ao sermos confrontados com o fim do livre-arbítrio. Em 2015, uma mini-série de Tv foi produzida adaptando a obra, que ainda não teve uma versão para o cinema à altura desta ou de seu autor. Dois anos antes da publicação do livro, Robert Wise filmou e lançou “O Dia em que a Terra Parou” (The Day The Earth Stood Still) mostrando a chegada do alienígena Klaatu, que vem  ao nosso planeta para trazer um importante alerta do qual depende o futuro da raça humana. Muito melhor que a refilmagem de 2008 com Keanu Reeves, o filme de 1951 causou grande assombro com sua mensagem anti-belicista em plena era do Macartismo. O escritor britânico H.G.Wells foi o primeiro, no entanto, a mostrar os efeitos de uma vista extraterrestre no clássico “A Guerra dos Mundos” (The War of The Worlds) publicado em 1898, e adaptado em 1953 e 2005. Mas, em vez de divagações filosóficas sobre a vida em outros planetas, o livro de Welles traça um paralelo crítico do imperialismo inglês. Outro contato devastador com alienígenas foi narrado pelo autor Jack Finney em “Invasores de Corpos” (The Body Snatchers) de 1955. Nele, os extraterrestres são incorpóreos e assumem a forma humana quando as pessoas adormecem. A história já foi filmada várias vezes, mas as melhores versões são as filmadas em 1956 e 1978.

Invasores-Don-Siegel-Vampiros-de-Almas-SITE.jpg

A ufologia, ciência não reconhecida devido ao seu caráter especulativo, já serviu de inspiração para o campo da ficção como na série “Arquivo X”, tratando de avistamentos, abduções, experiências secretas e outros fenômenos não explicados pela ciência. O renomado cientista norte americano Professor J. Allen Hynek (1910-1986) formulou uma gradação para medir os fenômenos ufológicos considerando primeiro grau para os avistamentos à distância, segundo grau para os efeitos físicos gerados pelo encontro e terceiro grau para a comunicação com os eventuais tripulantes de um disco voador. Deste último, Steven Spielberg aproveitou-se para o ótimo “Contatos Imediatos do 3º Grau” (Close Enconters of the Third Kind) de 1978, que teve o próprio Professor Hynek como um dos consultores. O realismo e a seriedade com que o tema é tratado impressiona, assim como foi o romance “Contato” (Contact) escrito por Carl Sagan em 1983 e filmado em 1997. Na obra de Sagan ceticismo e fé formam dois polos conflitantes em torno dos quais os personagens se veem divididos quando uma mensagem vinda do distante sistema Veja chega à Terra.

agroglifo

AGRÓGLIFO

Mensagens de seres de outros mundos são como são tomados as Linhas de Nasca na Cordilheira dos Andes e os agróglifos (círculos nas plantações) observados em várias partes do mundo, principalmente no Reino Unido, e que já ganharam versão romanceada no cinema em “Sinais” (2003) de M.Nigh Shymalan. Há registros de tais círculos desde o século 17, mas sua popularização se deu a partir da década de 70, embora nunca tenham sido provados como sendo de origem extraterrestre, os belos desenhos vistos do alto já foram associados a fenômenos naturais, ação do homem, ou alienígenas. Estes, entraram definitivamente para cultura pop e conforme “Homens de Preto” (Men in Black) de 1997, já estão entre nós há muito tempo. Os afeitos a tramas conspiratórias acreditam que o governo americano mantem seres de outro planeta em cativeiro e que manipulam em segredo tecnologia alienígena. Casos como Roswell, Tunguska e até mesmo em Varginha, Minas Gerais inflamam a mente embora o governo negue a todo momento, mas ainda assim fazem pesquisas na misteriosa Área 51 no deserto de Nevada, onde qualquer um que se aproxima é fuzilado em nome da segurança nacional. O roteirista e ator Simon Pegg curtiu a ideia de invadir as imediações do local e encontrar um genuíno ser extraterrestre em “Paul – O Alien Fugitivo” (Paul) de 2011, uma parodia do “E.T” (1982) de Steven Spielberg.

PAUL.jpeg

A verdade, que buscamos, está em algum lugar e um dia chegará e talvez possamos encontrar um sentido similar à saudação KLATU BARADA NIKTO, ou ainda esteja para ser escrito, encenado, montado no campo da ficção uma visão mais próxima da chegada desse futuro.

Anúncios

OS 120 ANOS DE “A MÁQUINA DO TEMPO”

 

“HÁ QUATRO DIMENSÕES CONHECIDAS PELO HOMEM, TRÊS DAS QUAIS DENOMINAMOS OS TRÊS PLANOS DIMENSIONAIS DE ESPAÇO, E UMA QUARTA É O TEMPO”
(WELLS, H.G – A MÁQUINA DO TEMPO)

livro-maquinadotempo

O homem do final do século XIX estava em um momento de transição na forma de se relacionar com o mundo a sua volta. Com a criação do automóvel aprendera a se locomover mais rápido, com o telefone pôde se comunicar entre as distâncias, substituiu o vapor pela eletricidade e vivia todas as transformações advindas do progresso. O homem ampliava o horizonte à sua frente e descobria novas possibilidades graças a esse avanço da ciência. A literatura não demorou a incorporar o impacto de novas descobertas à fértil imaginação de autores que desbravavam novas fronteiras. Na França, Jules Verne (1828 / 1905) nos levou ao redor do mundo, às profundezas submarinas à bordo do Nautilus, mas foi o inglês H.G.Wells (1866 /1946) quem ousou nos levar para o futuro. Há exatos 120 anos, Hebert George Wells publicou, aos 29 anos, seu primeiro livro que serviria de inspiração para diversas outras histórias do gênero, “A Máquina do Tempo” (The Time Machine).

A MAQUINA DO TEMPO ORIGINAL

FILME DE 1960 COM ROD TAYLOR

É verdade que antes de Wells já haviam histórias que falavam em viagens no tempo como “Um Conto de Natal” (A Christmas Carol) de Charles Dickens, em  e “Um Yankee na Corte do Rei Arthur” (A Yankee at King Arthur’s Court” de Mark Twain, em , mas nelas o deslocamento temporal se dava por efeito de mágica ou algum poder sobrenatural, sem qualquer base científica. Foi Wells quem deu à viagem temporal um apuro mais racional ao descrever, embora sem grande detalhes de seu funcionamento, uma ferramenta física capaz de transportar um homem através do corredor infinito das eras. Na história, um homem (cujo nome não sabemos) reúne seus amigos para anunciar sua invenção: uma máquina capaz de se deslocar não pelo espaço (através das três dimensões conhecidas) , mas através do tempo. Claro que seus amigos o recebem com ceticismo, apesar do brilhantismo de suas teorias. Decidido a provar seu intento, o homem se senta na poltrona diante do aparentemente simples painel de sua máquina, composto de duas alavancas e um cronômetro, e desaparece por uma semana. Ao retornar diante do olhar preocupado de seus amigos, ele narra sua incrível jornada ao ano 802.701, um futuro longínquo em que a humanidade foi resumida a duas raças: Os Elois, de porte pequeno e feições belas e os Morlocks, criaturas disformes e de hábitos canibalescos que vivem nos subterrâneos e se alimentam dos Elois. Estes são completamente indefesos e levam uma vida contemplativa e passiva. O viajante se revolta com os descendentes da raça humana e a total falta de perspectiva de evolução seja natural ou social.

maquina_guy

VERSÃO DE 2003 COM GUY RITCHIE

Apesar do impacto de tentar alertar os leitores do futuro sombrio ao qual a raça humana pode se condenar, H.G.Wells usou da ficção científica como metáfora para retratar as contradições da era vitoriana: O abismo entre burguesia e proletariado observado com a Revolução Industrial, a luta de classes preconizada pelas teorias marxistas, a evolução das espécies de Darwin formam um conteúdo de sub-leitura em “A Máquina do Tempo”, bem como em outras obras do autor, ecos de sua visão apurada capaz de questionar o presente falando do que está por vir. Wells usou do artifício da viagem ao futuro para tecer sua visão crítica de um processo de industrialização selvagem que ignora a condição humana.

o fim da eternidade

INSPIRAÇÃO PARA O FUTURO. É bem provável que H.G.Wells não tenha previsto que seu romance seria precursor das histórias sobre viagem no tempo, praticamente um sub´gênero dentro da literatura de ficção científica, da qual ele e o francês Jules Verne são os pais. Diversos autores ao longo do século passado criaram histórias desse mote. O renomado Isaac Azimov, por exemplo, publicou em 1955 “O Fim da Eternidade” (The End of Eternity) sobre uma organização que existe fora do tempo e composta de homens que se auto-denominam “Eternos”, embora não sejam imortais. O romance lida com os paradoxos da viagem temporal à medida que Asimov discorre sobre os perigos de intervenção no passado.  Cinco anos antes, Azimov já havia tratado da viagem no tempo no livro “827 Era Galáctica” (Peeble in the Sky) sobre um velho alfaiate transportado para um futuro em que o planeta está radiativo e é governado por um conselho de anciões que rege o mundo de forma opressora.

planetadosmacacos

Charlton Heston, Kim Hunter & Roddy McDowell em “O Planeta dos Macacos” de 1968

Uma das obras mais marcantes do gênero foi publicada em 1963, escrita pelo francês Pierre Boulle, entitulada “O Planeta dos Macacos” (La Planète des Singes) , uma obra distópica em que o autor usa do artifício da viagem no tempo para alertar as gerações de que a supremacia do homem no mundo não é eterna. Uma crítica social e uma curiosa análise da evolução darwiana invertida, o livro de Boulle foi adaptado por várias mídias (Tv, cinema, HQs) e continua instigante até hoje. Igualmente instigante é a série de nove livros, escrita pelo autor espanhol J.J.Benitez, “ Operação Cavalo de Tróia” (Caballo de Troya) lançada entre 1984 e 2011 onde um viajante temporal volta ao passado para comprovar a existência de Jesus Cristo. Os mais de 6 milhões de livros vendidos mundialmente parecem mostrar o interesse do público por histórias do tipo, apontando a infinidade de possibilidades narrativas. A norte-americana Audrey Niffenegger publicou em 2003 “A Mulher do Viajante do Tempo” (The Time Traveller’s Wife) sobre uma anomalia genética que faz um homem ricochetear para frente e para trás em seu período de vida. O livro de Niffenegger deixa o tom aventuresco da viagem para fazer um romance carregado de emotividade. O mesmo não pode ser dito do prolífico Stephen King que publicou em 2011 “Novembro de 1963” (11/22/63) em que um homem volta ao passado para evitar o assassinato de Kennedy, provocando uma mudança na linha temporal com graves consequências. O livro de King ganhou diversos prêmios, publicado no Brasil pela Suma de Letras.

tunel do tempo

Tunel do Tempo : Série Clássica de Irwin Allen

OUTRAS MÍDIAS.  Viajar no tempo tornou-se o argumento ideal para várias séries de TV. No final da década de 60 houve “O Tunel do Tempo” (The Time Tunnel) sobre dois cientistas americanos que ficam perdidos visitando aleatoriamente diversos períodos históricos. A série, criada por Irwin Allen e estrelada por James Darren e Robert Colbert, foi muito famosa no Brasil mas teve curta duração, com 30 episódios. Melhor sucedida e extremamente inventiva foi no final da ´década de 80 “Contra Tempos’ (Quantum Leap) onde um cientista desloca sua consciência para os corpos de diversas pessoas do passado, sem conseguir é claro controlar suas partidas ou chegadas à medida que interfere no curso de vidas. A série recebeu vários prêmios e foi produzida ao longo de 5 temporadas. Séries de antologia aproveitaram bem o tema e contaram histórias bem interessantes como a clássica “Além da Imaginação” (The Twilight Zone) que  transmitiu em Fevereiro de 1960 o episódio “The Last Flight” , roteirizado pelo renomado Richard Matherson. Nele, um piloto da Primeira Guerra Mundial atravessa um portal e chega a uma base aérea americana.  Ainda mais instigante foi o episódio “Soldier” da série de antologia “Quinta Dimensão” (The Outer Limits). Escrita por Harlan Ellison, o episódio mostrava um soldado de uma guerra futurística enviado ao passado da Terra em perseguição a um perigoso inimigo, em uma luta que pode mudar o curso da história. O conto de Ellison guarda uma incrível similaridade com a trama de “O Exterminador do Futuro” (The Terminator) sobre a viagem ao passado para corrigir o futuro, anunciando para Abril de 2011 o dia em que o computador Skynet se torna consciente e ordena o extermínio da vida humana no planeta. Ellison chegou a processar o diretor James Cameron por plágio, o que não impediu o filme de ser tornar um sucesso com várias sequências (a mais recente se chama “Terminator: Genysis” , lançada esse ano nas telas), além de produtos derivados em outras mídias como games, séries de TV e HQs.      A ideia de corrigir, violar ou desviar a linha temporal ainda gerou um roteiro engenhoso pelas mãos de Bob Gale e Robert Zemeckis, que gerou o filme “De Volta Para o Futuro” (Back to the Future) cuja data de 21 de Outubro de 2015 (mostrada no segundo filme) foi recentemente celebrada na mídia internacionalmente. Todas essas histórias explorando criativamente as teorias sobre paradoxos, e de como pode ser desastroso modificar o futuro alterando o passado também serviu na franquia “Star Trek” diversas vezes incluindo o recente reboot dirigido por J.J.Abbrams em 2009. Todas essas datas exploram dramaticamente o recurso temporal como justificativa narrativa para se criar uma grande aventura e encontram um enorme público que viaja junto em cada uma delas, ao menos na imaginação.

devolta

Christopher Lloyd & Michael J.Fox em “De Volta Para o Futuro”

AS ADAPTAÇÕES. O romance de H.G.Wells foi levado às telas duas vezes: Primeiro em 1960, dirigido por George Pal e estrelado por Rod Taylor e Yvette Mimieux. Essa versão de “A Máquina do tempo” (The Time Machine) deu ao viajante um nome (coisa que no livro foi omitido pelo autor) , curiosamente H. George Wells, conforme mostrado, no filme, na placa colocada no painel da máquina. O filme dá a data de 12 de Outubro como a chegada de George no futuro, uma metáfora para a chegada em um novo mundo, já que foi esta a data de chegada de Colombo na América. O filme ganhou na época o Oscar de melhor efeitos especiais, além de ter sido indicado para o Hugo Awards (prêmio dado a obras de fantasia e ficção cientifica). A obra de Wells teve nova adaptação em 2003, dirigido pelo neto do próprio H.G.Wells, Simon Wells. Novas mudanças foram feitas no material original como forma de dinamizá-la para a nova geração: o viajante foi rebatizado de Alexander Hartdegen e sua história pessoal, inexistente no livro de Wells, foi adicionada com um amor trágico para servir de impulso para sua busca pelo tempo. Os vilões, os Morlocks, ganharam a figura de um líder inteligente, interpretado pelo ator Jeremy Irons. Outra adaptação que merece menção é o roteiro, escrito por Nicholas Meyer e dirigido pelo próprio, que imagina uma perseguição de H.G.Wells a Jack o estripador transportando-o da Inglaterra Vitoriana a São Francisco do final da década de 70. O filme entitulado “Um Século em 43 Minutos” (Time After Time) trouxe Malcolm McDowell no papel de H.G. Wells e Mary Steenburgen como seu interesse romântico do futuro, Amy Robbins, nome da segunda esposa do autor de “A Máquina do tempo”, na vida real.

“A possibilidade de viajar no tempo permanece em aberto. Mas não quero apostar nisso. Meu adversário na aposta talvez tenha a vantagem injusta de saber o futuro” (Stephen Hawkings)

A CIÊNCIA & A FICÇÃO. Mas,  afinal de contas, é possível se mover através do tempo ? Conseguiremos um dia vencer as barreiras que limitam nossa existência involuntariamente linear ? Para Isaac Newton o tempo era único e absoluto, sem possibilidade de nos mover para frente ou para trás. Quando Albert Einstein desenvolveu sua teoria da relatividade jogou uma luz sobre o assunto. Se pudéssemos nos mover próximo à velocidade da luz, poderíamos avançar no tempo, mas nunca houve um meio físico, tal qual pensamos em uma máquina, pois nossa engenharia não é avançada o suficiente para isso. De acordo com Einstein, em trabalho publicado originalmente em 1905, se alguém se afastasse do planeta Terra o tempo para ele correria mais devagar que para um observador em nossa superfície. Quando o viajante retornasse para a Terra, seria de fato como se ele tivesse viajado para o futuro. Einstein  refinou as teorias de Newton e Galileu mostrando que a passagem do tempo não é um valor absoluto e imutável. Contudo, nada pode viajar mais rápido que a velocidade da luz, grandeza essa que, se vencida, permitiria o deslocamento temporal. Outro trabalho que enriqueceu as hipóteses em torno do tema foi a noção de “buraco de minhoca”       (em inglês: wormhole) desenvolvida pelo físico norte-americano John Archibald Wheeler em 1957. Este trata-se de uma forma de dobrar o espaço, criando um túnel ou atalho entre dois pontos do espaço-tempo, dois lados da mesma moeda. O que matematicamente se torna provável, no entanto, é um desafio que nossa mecânica e engenharia não conseguem concretizar, ou seja, transportar um individuo para o passado ou para o futuro. As teorias ganharam mais impulso na mídia depois do trabalho do astro-físico inglês Stehen Hawkings em seu livro “Uma breve história do tempo”, publicada originalmente em 1984. Nele, Hawkings divaga sobre essas possibilidades e admite que há vários buracos de minhoca ao nosso redor, ao nível sub-atômico, portanto invisível ao nossos olhos e impossíveis de serem acessados. O físico adianta que é necessário que a ciência e a tecnologia se desenvolvam mais de forma a superar as limitações físicas para se dobrar o espaço-tempo. Ao mesmo tempo, o autor ratifica a impossibilidade de visitar o passado, se referindo à ausência de visitantes vindos do futuro que comprovassem a volta no tempo. Outra barreira aparentemente intransponível para a viagem no tempo é o chamado “paradoxo do vovô”: Se alguém voltasse no tempo e impedisse que seu avô casasse com sua avó, então você não nasceria. Logo, se não nasceu, você não existe e, portanto, não poderia viajar no tempo. A contradição representada pelo pensamento lógico parece apontar que, em vez de viajar para seu passado, você estaria criando uma realidade paralela resultante de sua intervenção no passado, conforme explicado pelo personagem Spock (Zachary Quinto / Leonard Nimoy) no filme “Star Trek” de 2009 e, ainda mais inventivamente no filme “Efeito Borboleta” (The Butterfly Effect) de 2004, onde cada interferência no curso do passado, provoca uma mudança ainda mais drástica e imprevisível, conforme fundamentado pela conhecida teoria do caos e em noções matemáticas desenvolvidas em 1963 por Edward Lorenz, matemático e filósofo norte-americano. Mesmo restrito à imaginação de escritores e sonhadores, a viagem no tempo é ainda tão fascinante hoje quanto foi há 120 anos, quando H.G.Wells lançou seu livro, adiantando em plena era vitoriana que o que está por vir não é fixo, mas sim volátil,  mutável e questionável. Quem sabe assim esse autor possa um dia provar que a mente humana pode visitar e revisitar o que já foi e acrescentar um novo parágrafo a esse artigo de que a ficção de outrora se tornou o fato do presente, reescrevendo o futuro como se fosse um artigo como tal faço.