ESTREIAS DA SEMANA

13 DE DEZEMBRO DE 2018

AQUAMAN

AQ ORM

(AQUAMAN) EUA 2018. DIR: JAMES WAN. COM JASON MOMOA, AMBER HEARD, PATRICK WILSON, WILLIAM DAFOE, DOLPH LUNDGREN, YAHYA ABDUL-MATEEN II. AVENTURA.

Quem diria que um personagem tratado como secundário no panteão de heróis da DC Comics, ridicularizado em vinhetas do Cartoon Network, poderia render um filme tão bom. Levando-se em conta os insucessos recorrentes da DC/Warner, temos um filme de super heroi que consegue captar o melhor que o personagem criado por Paul Norris tem a oferecer concentrado em pouco mais de duas horas de filme. Sim, o filme é longo mas consegue equilibrar ação e humor, embora não fuja aos clichês do filme de origem, esta contada em flashbacks, a medida que o excelente James Wan explora a cultura Atlante com sua câmera inventiva.

Jason Momoa já havia demonstrado estar à altura de seu Arthur Curry de postura marrenta e irônica, propositalmente usada para fugir da imagem de “superamigo” que o personagem por muito tempo carregou. O roteiro capta o melhor que foi feito com o personagem em fases bem distintas das hqs originais: Peter David nos anos 90 e Geoff Johns/Ivan Reis no periodo dos novos 52.

Dada a bilheteria milionária na China, a passagem do filme a nível internacional está garantida. Espera-se que a bilheteria doméstica (nos Estados Unidos) também acompanhe o ritmo vindo não apenas uma sequência (anunciada em sequência pós créditos) como também outros filmes do rico universo da editora. Sexto filme do universo cinemático da Dc e único lançado esse ano, “Aquaman” consegue mostrar a que veio, respeita suas origens quadrinhística e cria um espetáculo que se não é perfeito ao menos torna-se uma divertida passagem pelos cinemas.

COLETTE

colette-1119182

(COLETTE) EUA 2018. DIR: WASH WESTMORELAND. COM KEIRA KNIGHTLY, DOMINIC WEST, FIONA SHAW, ELEANOR TOMLINSON. BIOPIC.

Biografia da escritora francesa Sidone Gabrielle Colette (1873-1954) autora de “Gigi” (vivida por Leslie Caron no filme homônimo de 1958) . Á frente de sua própria época, Colette foi uma rebelde que desafiou as convenções de sua própria época, foi explorada por um marido cafajeste que roubou suas obras, viveu amores com homens e mulheres mas se sagrou uma das maiores autoras francesas do século XX. O filme foca em seus percalços, vitórias e decepções apoiado na caracterização da inglesa Keira Knightly (Elizabeth Swam de “Piratas do Caribe”) no papel da protagonista, que já teve um filme biográfico em 1991.

 

GALERIA DE ESTRELAS: CENTENÁRIO DE WILLIAM HOLDEN

holden 1.jpg

O JOVEM WILLIAM HOLDEN

        Uma longa carreira marcada por papeis diversos que pontuaram sua versatilidade: gigolô, jornalista, prisioneiro de guerra, escritor, e tantos mais. Ainda assim sua carreira foi de altos e baixos deixando seu nome entre os grandes atores de uma Hollywood que não mais existe: William Holden… 100 anos depois de seu nascimento celebramos sua vida e filmes.

Holden e Stanwyck.jpg

WILLIAM HOLDEN & BARBARA STANWYCK – REENCONTRO DÉCADAS DEPOIS DE “GOLDEN BOY”

            O primeiro filme estrelado por William Holden a que assisti foi “Suplicio de Uma Saudade” (Love is a Many Splendored Thing) de 1955, ícone do romantismo cinquentista no qual Holden interpreta o jornalista Mark Elliiot cobrindo a Guerra da Coreia de Hong Kong, onde conhece e se apaixona pela médica eurasiana Suyin (Jennifer Jones). Além do obstáculo do avanço comunista na China como pano de fundo, o casal sofre com a natureza adultera de seu romance, já que Mark é casado, o que desperta a ira da sociedade e de sua família que não aprova o relacionamento. O casal Holden – Jones fotografado em meio ao esplendor de Hong Kong alimentou os sonhos amorosos ao som da canção-título gravada pelo grupo Four Aces, e que foi premiada com o Oscar. O astro já tinha 37 anos na época, era seu 40º trabalho no cinema iniciado em 1938 com dois papeis não creditados. Nascido William Franklin  Beedle Jr, em 17 de Abril de 1918, em Illinois, Estados Unidos, filho de um químico e uma professora de inglês. Seu nome artístico lhe foi dado por Harold Winston, diretor assistente na Columbia, que lhe rebatizou com o sobrenome de sua ex esposa, Gloria Holden. Bill havia sido escalado para o papel central em “Conflito de Duas Almas” (Golden Boy) em 1939, contrariando a vontade de Harry Cohn, o chefão da Columbia que queria John Garfield para o papel. Tendo recém completado 21 anos na época, Bill era muito inexperiente e estava a um passo de ser substituído quando a diva Barbara Stanwyck (sua co estrela) começou a ajudar o jovem Holden, ensaiando com ele,  encourajando – o  e ensinando tudo sobre como atuar frente às câmeras. O resultado foi o nascimento de um astro. Em eterna gratidão, William sempre enviava um buquê de rosas vermelhas à atriz no aniversário de estreia do filme, e a grande dama sempre o chamava de “Meu Golden Boy”.

sunset boulevard

COM GLORIA SWANSON EM “CREPUSCULO DOS DEUSES”

              Com o estrelato assegurado, diversos filmes vieram mas nenhum deles escalando o ator para papeis que representassem um real desafio para seu talento. Em 1941 Bill se casou com a atriz Brenda Marshall com quem teve dois filhos. A carreira ficou de lado quando ele se alistou ficando quatro anos no exército até o fim da Segunda Guerra, alcançando a patente de segundo tenente. Dando baixa, voltou a Hollywood fazendo comédia romântica, faroeste e drama, mas nenhum desses papeis foi à altura do grande ator, atuações menores que não impulsionavam sua carreira. Isso mudou quando em 1950 foi contratado para viver Joe Gills, o roteirista azarado que se torna amante e gigolô de uma atriz envelhecida interpretada por Gloria Swanson no pungente “Crepúsculo dos Deuses” (Sunset Boulevard), obra prima de Billy Wilder, que lhe deu sua primeira indicação ao Oscar. Seu porte atlético, olhos azuis e sorriso sedutor ganhava uma química impressionante com as atrizes com quem contracenava. Gloria Swanson disse certa vez que “Bill Holden era um homem por quem eu poderia me apaixonar. Perfeito dentro ou fora das telas”. Em 1953 a estatueta dourada finalmente foi para suas mãos pelo papel do Sargento J.J. Sefton, um oportunista suspeito de ser um espião dos nazistas em um campo de concentração em “Inferno Nº17” (Stalag 17), adaptação da peça de Donald Bevan e Edmund Trzcinski.

sabrina

COM BOGART & HEPBURN EM “SABRINA”

               De fato, foi um homem sedutor, mantendo um caso de amor notório com Audrey Hepburn com quem filmou “Sabrina” (1954), também de Billy Wilder. Os bastidores desta comédia romântica foi bastante conturbado devido ao clima hostil dos bastidores. O astro principal era Humphrey Bogart, que hostilizava Hepburn sendo esta defendida por Holden. Este veio a se separar de sua esposa, mas o fato de ter feito uma vascectomia foi um duro golpe para Audrey que sonhava em ser mãe. O casal se separou em meio à continua ascenção da carreira de ambos. Nessa época, no entanto, Bill começou a beber, vício que seria sua ruína nos anos que se seguiram. O coração partido foi temporariamente preenchido por um envolvimento com a belíssima Grace Kelly com quem Bill atuou por duas vezes em “As Pontes de Toko Ri” (The Bridges of Toko Ri) e “Amar é sofrer” (The Country Girl) de 1954. Sua popularidade alcançou grande dimensão nos anos 50, época em que a Tv surgia com força e rivalizava com o cinema. William Holden apareceu como ele próprio em um dos episódios de “I Love Lucy”, um dos programas de maior receptividade diante do público. Mulheres e álcool eram uma combinação compulsiva para o ator então próximo de completar 40 anos.

suplicio de uma saudade

COM JENNIFER JONES EM “SUPLICIO DE UMA SAUDADE”

               Um dos pontos altos de sua carreira veio em 1955 quando aceitou o papel de Hal Carter, um jovem amoral que chega a uma típica cidade pequena. “Férias de Amor” (Pic Nic) de Joshua Logan foi um marco do cinema e tornou-se um espelho da sociedade americana na era Eike. Como seu personagem deveria ser bem mais jovem, o estúdio pediu que Bill raspasse o peito, mas ainda assim a insegurança o fez resistir a fazer a cena em que dançava sensualmente para Kim Novak, esta então com 22 anos. Para garantir a execução da cena, o estúdio permitiu que Bill bebesse para garantir sua entrega à cena. A década de 50 não terminaria antes de um dos mais emblemáticos papeis de sua carreira, a do militar prisioneiro dos japoneses no épico de David Lean “A Ponte do Rio Kwai” (The Bridge on the Kwai River) de 1957. Foram 7 Oscars para o filme e uma soma milionária para o ator, que recebera uma percentagem dos lucros. Apesar de ser bem pago por “Marcha de Heróis” (The Horse Soldiers) o filme naufragou nas bilheterias. Ainda assim teve com ele a oportunidade de trabalhar com dois ícones do faroeste: o diretor John Ford e John Wayne, com quem manteve relacionamento nada amistoso fruto das opiniões politicas divergentes entre o conservador Wayne e o liberal Holden.

amar e sofrer.jpg

COM GRACE KELLY & BING CROSBY EM “AMAR É SOFRER”

            Encerrando os anos 50 como um dos atores mais bem pagos de Hollywood, William Holden chegou aos anos 60 com papeis menores, abaixo de seu talento, mas voltou a trabalhar com Audrey Hepburn em “Quando Paris Alucina” (Paris when it sizzles) de 1964 e ainda trabalhou sob o comando de Sam Peckinpah no faroeste “Meu Ódio Será Tua Herança” (The Wild Bunch) de 1969. Em sua vida pessoal mudou para Genebra, Suiça com a família e fundou o “Mount Kenya Safari Club” que despertou no ator uma grande paixão pela proteção da vida selvagem, paixão essa que compartilhou com a atriz Stephanie Powers (Casal 20) com quem teve um longo romance. Contudo, se envolveu em grave acidente de trânsito na Itália e decidiu voltar a morar nos Estados Unidos. Nos anos 70 ganhou um Emmy pelo drama de TV “O Cavaleiro Azul” (The Blue Knight) e atuou em três grandes sucessos: “Inferno Na Torre” (The Towering Inferno) de 1974,  “Rede de Intrigas” (Network) de 1976  e “Damien A Profecia II” (Damien The Owen II) de 1978. No primeiro destes se juntou a um elenco estelar em um dos maiores filmes catástrofes de Hollywood.

william holden e stephanie

HOLDEN & STEPHANIE POWERS

            Seu último filme foi dirigido por Blake Edwards em “S.O.B” (1981), mergulhando nas causas ambientais que defendia com tanto ardor e, com a ajuda de Stephanie Powers, abrindo a “William Holden Wildlife Foundation”. Infelizmente, o álcool era seu calcanhar de Aquiles e refúgio para suas decepções e frustrações, sendo a razão do fim de seu relacionamento com Stephanie Powers. Sozinho em sua casa, levou um tombo depois de ter bebido muito mas não procurou socorro. Segundo os médicos legistas, se o tivesse feito não teria morrido naquele fatídico dia 15 de novembro de 1981 em que um estupido acidente trouxe o fim a uma carreira admirável, um talento notável e uma vida de realizações. Anos depois sua morte foi citada pela cantora e compositora Suzanne Vega na letra da canção Tom’s diner, um de seus grandes sucessos. Um grande ator, um grande defensor, um homem sedutor, um garoto dourado.

GALERIA DE ESTRELAS : AUDREY HEPBURN

beijo na chiva

         Um beijo sob uma forte chuva em um beco novaiorquino. Os protagonistas eram um jovem escritor desconhecido , uma garota de programa e entre eles … um gato. A cena vem de “Bonequinha de Luxo” (Breakfast at Tiffany’s) de 1961, mas na minha imaginação o jovem escritor era eu. Assim me apaixonei por Audrey Hepburn, ao som da maravilhosa “Moon River”. Nesse mês ela completou 25 anos de sua passagem, de saudades de uma das maiores atrizes do firmamento Hollywoodiano.

Nothing-is-Impossible-Audrey-Hepburn

NADA É IMPOSSÍVEL ! A PRÓPRIA PALAVRA DIZ “SOU POSSÍVEL”

Sua silhoueta magra, elegante, de passos e gestos sofisticados contrastava com uma história de vida sofrida, de dores, desilusões e superações. Durante a Segunda Guerra precisou fugir dos nazistas que invadiram a Holanda, país em que viveu entre os dez e quinze anos; abatida pela desnutrição, pela icterícia e outros males advindos dás condições desumanas a que estava submetida. Certa vez disse que sua mãe a advertia “Não teremos o que comer, então é melhor ficar na cama para manter as energias”. Quando a guerra acabou retornou à Inglaterra onde vivera até os nove anos sonhando com uma carreira de bailarina. Frustrada em seu sonho, passou a trabalhar de modelo, fez teatro protagonizando o papel-título em “Gigi” na Broadway. Não demorou para conseguir um papel no filme “Monte Carlo Baby” (1952).

PRINCESA

Com Gregory Peck em “A Princesa & O Plebeu”

         Audrey atuava para sobreviver, buscava algo em que pudesse se encaixar. Despretensiosamente se candidatou ao papel da Princesa Ann e conquistou a atenção de William Wyler que lhe deu o papel que faria seu nome brilhar, ao lado de Gregory Peck, em “A Princesa & O Plebeu” (Roman Holidays). O astro foi tão generoso que exigiu que o nome da novata aparecesse junto ao seu acima do título do filme. O brilho de Audrey, seu sorriso encantador, seu olhar misto de desamparo e nobreza lhe deu o tom certo, natural para quem havia sobrevivido a tantas adversidades aos 24 anos, tão jovem e agraciada então com o Oscar de melhor atriz. O mestre Billy Wilder afirmou certa vez que “Deus beijou o rosto de Audrey Hepburn”, e ainda que trouxesse suas inseguranças e carências estrelou “Sabrina” (1954) de Wilder, contracenando com os astros Humphrey Bogart e William Holden. Conta-se que Bogart não teria tido paciência, ou boa vontade com ela. Já William Holden a cortejou durante as filmagens e tiveram um curto romance. A partir desse filme começou a longa associação entre Audrey e o estilista francês Hubert De Givenchy, uma forte amizade que a acompanhou a vida toda criando nas telas ou fora delas a imagem icônica da elegância encarnada.

sabrina.jpg

Sabrina

              Ainda em 1954, o amigo Gregory Peck a apresentou ao ator Mel Ferrer. Ambos estrelaram a peça “Ondine” que a premiou com o Tony (o Oscar do teatro) de melhor atriz. Não demorou para que a proximidade entre Audrey e Mel torna-se algo mais que profissional. Os dois se casaram em setembro do mesmo ano, e dois anos depois estrelaram juntos “Guerra & Paz” (War & Peace), adaptação do texto de Leon Tolstoy, superprodução indicado para três Oscars, e que deu a Audrey o Bafta (Oscar britânico) de melhor atriz. Seu salário de US$350,000 foi na época o maior já pago a uma atriz. No ano seguinte, acompanhou seu marido à França e decidiu aceitar o papel de Jo Stockton em “Cinderela em Paris” (Funny Faces) contracenando com Fred Astaire. Em uma das cenas, a mãe de Audrey, que era uma Baronesa na vida real, faz uma rápida aparição como freguesa de um café parisiense.

FFACES.jpg

Com Fred Astaire em “Cinderela em Paris”

                    Ser mãe era mais importante para Audrey do que o estrelato no cinema. Filmou com Gary Cooper (Amor na Tarde, Love in the Afternoon, 1957), com Burt Lancaster ( O Passado Não Perdoa, The Unforgiven, 1960), Peter Fionch (Uma Cruz À Beira do Abismo, The Nun’s Story, 1959), mas não desistia de ter uma familia completa com Mel. Assim, depois de vários abortos espontâneos, ela conseguir finalmente dar a luz em 1960 a Sean Ferrer. Nesse período parou de filmar, só voltando para fazer a adorável Holly Golightly de “Bonequinha de Luxo” , lançado em 1961. Segundo o site imdb, o escritor da peça, Truman capote, não teria ficado satisfeito com a escalação de Audrey pois queira Marilyn Monroe para o papel. Um dos executivos da Paramount queria retirar do filme a canção “Moon River”, mas foi impedido pelo prestígio já adquirido pela atriz que teria dito “Só por cima de meu cadáver!”. Audrey a cantou na janela de seu apartamento com tamanha graça que marcou uma geração. Foi sua sofisticação e polidez que fez do papel de uma garota de programa, alguém com quem o público se apaixona, e se identifica, fazendo de seu visual de vestido preto, óculos escuros e piteira moda e impacto até hoje. Já aquela canção, a mesma que quase foi cortada do filme, levou o Oscar de melhor canção e o Grammy de 1962.

charada

Com Cary Grant em “Charada” – Juntos a essência da Sofisticação

               Três filmes foram muito marcantes na carreira de Audrey em seguida. Filmou “Charada” (Charade) de 1963 com Cary Grant e direção de Stanley Donen; no ano seguinte fez “Minha Bela Dama” (My Fair Lady) com George Cukor que elogiava sua simplicidade e sensibilidade no set de filmagem, voltando a trabalhar no mesmo ano com William Holden em “Quando Paris Alucina” (Paris When it Sizzles).  O casamento com Mel Ferrer começou a se desgastar aumentando ainda mais as carências e medos que a estrela trazia dentro de seu espírito. Audrey tinha uma necessidade imensa de dar e receber amor incondicional. Conta-se que a medida que ela e Mel Ferrer iam se afastando, ela se aproximava ainda mais de Albert Finney, seu co-star em “Um Caminho Para Dois” (Two for the Road) de 1967. O caso com Finney não teve outro feito além de destruir de vez a reconciliação com Mel, apesar deste ter dirigido Audrey no papel de uma cega em “Um Clarão Nas Trevas’ (Wait Until Dark) no mesmo ano, resultando em nova indicação ao Oscar. A atriz precisava refazer sua vida e ficou oito anos sem filmar. Nesse tempo conheceu o psiquiatra italiano Andrea Dotti com quem se casou e teve seu segundo filho Luca.. Voltou a Hollywood em 1975, aos 46 anos, para trabalhar ao lado de Sean Connery em “Robin & Marian” e decidida de que sua carreira seria segundo plano em sua vida se afastou de novo até 1979 quando protagoniza “A Herdeira” (Bloodline).

unicef hepburn

Seu maior papel – O amor maior foi a solidariedade

         As infidelidades do marido não demoraram a aparecer jogando um balde de água fria em sua pretensa felicidade. Um longo divorcio e trabalhos ainda mais esparsos a ocupavam quando descobriu um papel que desempenharia até o fim de sua vida, o de embaixadora da Unicef. Ela viajava, usava de seu prestígio para levar comida, alívio e compaixão ajudada pela habilidade de falar 5 idiomas. (francês, italiano, holandês, inglês e espanhol). Audrey adorava chocolate, apreciava a bossa nova, amava os animais. Sua ultima aparição nas telas não poderia ser mais simbólica: Interpretou um anjo em “Além da Eternidade” (Always) de Steven Spielberg em 1989. O câncer de apêndice a levou embora em 20 de Janeiro de 1993, aos 63 anos. Mas aquele beijo na chuva perdura até hoje, foi o beijo de um anjo, o anjo Audrey Hepburn.

GALERIA DAS ESTRELAS : HUMPHREY BOGART

bogie-star                  Quando eu tinha 18 anos, eu já tinha ouvido falar muito do lendário Humphrey Bogart. Tive então a oportunidade de assistir pela primeira vez um de seus filmes mais famosos, “Casablanca”. Me impressionei com sua postura de caladão, pouco movimento labial em virtude de uma paralisia no lábio superior causada por uma briga quando jovem, que o ajudaria a compor os tipos durões que interpretou,  mas sua presença em cena era maior que isso. Humphrey Deforest Bogart nasceu no dia de Natal de 1899, filho de um famoso cirurgião novaiorquino e uma ilustradora de revistas que se juntava ao movimento das sufragistas.

bogie-family

BOGIE, STEVEN & LAUREN

          O ambiente familiar de Bogart era frio pois seus pais, além de brigarem muito, o tratavam com um distanciamento sentimental que serviria para forjar no ator sua personalidade pouco sociável e avesso a sentimentalismos. Foi expulso da Faculdade de Medicina e ingressou logo em seguida na Marinha para lutar na Primeira Guerra.  Depois de dar baixa em 1919, juntou-se a uma companhia de teatro e logo já estaria nos palcos da Broadway. De pequenos papeis, veio a conseguir o papel do gangster Duke Mantee em “A Floresta Petrificada” (The Petrified Forest), que repetiria no cinema, quando depois de pequenos papéis nas telas, foi finalmente notado. Não demorou muito para que seu nome viesse a figurar ao lado do de Edward G.Robinson e James Cagney como os bandidões do período. Quem lhe deu a oportunidade de mostrar que era mais do que um John Dillinger (gangster da época da lei seca) foi o novato John Houston, na estreia como diretor em “Relíquia Macabra” (The Maltese Falcon), adaptação da obra de Dashiel Hammet. Bogart viveu o detetive Sam Spade inaugurando o ciclo dos filmes noir em 1941 e fazendo de sua imagem um perfeito simulacro para os detetives amorais e cafajestes da literatura como também Philip Marlowe de “ À Beira do Abismo” (The Big Sleep), segundo dos quatro filmes que fez com Lauren Bacall. Bogart já havia sido casado três vezes, casamentos infelizes e tumultuados. Mayo Methet, sua terceira esposa, chegou a esfaqueá-lo certa vez depois de uma briga.

big-sleep

BACALL & BOGART EM “À BEIRA DO ABISMO”

           Quando conheceu Lauren Bacall ao protagonizar com ela “Uma Aventura na Martinica” (To Have & Have Not) em 1944, Bogie tinha 44 anos e Lauren tinha 19 anos. Se apaixonaram, se casaram e tiveram dois filhos: Steven que veio a se tornar documentarista e escreveu o livro “In Search of My Father” em 1996 e Leslie, enfermeira e professora de Yoga. Seu nome foi escolhido em homenagem ao ator Leslie Howard, amigo de Bogie que usou de seu prestigio em Hollywood para garantir que Bogart mantivesse seu papel em “A Floresta Petrificada”. Bogart era um homem de muitos amigos como Frank Sinatra, Spencer Tracy e o diretor John Houston, que além de “Relíquia Macabra”, trabalhou com Bogie em “O Tesouro de Sierra Madre” (The Treasure of Sierra Madre) em 1944 e “Paixão dos Fortes” (Key Largo) de 1946. Houston era companheiro de Bogart em suas bebedeiras. Quando Houston, e seu pai Walter, ganharam respectivamente os Oscar de melhor diretor e melhor ator coadjuvante por “O Tesouro de Sierra Madre”, Bogart se juntou a eles para beberem pela noite, chutando uma laranja como se jogassem bola, vestindo smoking .

casablanca-humphrey-bogart-15979151-1024-768

                Não há como falar de sua carreira sem mencionar seu papel de Rick Blaine, de “Casablanca”. Era 1942 e a Segunda Guerra ainda acontecia quando Michael Curtiz filmou com Bogart e Ingrid Bergman criando um dos filmes mais míticos da clássica Hollywood. Falas como “Com tantos bares, em tantas partes do mundo,ela tinha que entrar justamente no meu”, entraram para a história do cinema. A química entre Bogie e Ingrid foi algo único com Bogart destilando seu cinismo e anti-heroismo em uma história que lida com patriotismo e amor, sacrifício e idealismo ao som da maravilhosa canção As Time Goes By, na voz de Dooley Wilson. Filmado em meio à indecisões da parte do estúdio Warner que não tinha o roteiro pronto enquanto filmavam, “Casablanca” tornou-se um dos maiores clássicos do cinema.

africa-quuen

BOGART & KATHERINE HEPBURN EM “UMA AVENTURA NA ÁFRICA”

                 Além de Bergman, Bogart dividiu a cena em Hollywood ao lado de outras belíssimas atrizes como Audrey Hepburn em “Sabrina” (1954), Ava Gardner em “A Condessa Descalça” (The Barefoot Countessa) no mesmo ano, Gloria Grahame em “No Silêncio da Noite” (In a Lonely Place) de 1950, Gene Tierney em “Do Destino Ninguem foge” (The Left Hand of God) de 1955 entre outras. O Oscar de melhor ator só veio em 1951 no papel de Charlie Allnut, um beberrão que conduz uma missionária interpretada por Katherine Hepburn pelos rios do norte da Àfrica em “Aventura na Àfrica” (The Africa Queen) em 1951, dirigido novamente pelo amigo John Houston. Em seus últimos anos, foi chamado a depor no congresso durante a paranoia MacArthista e se opôs a perseguição a atores e outros profissionais protestando junto a outros amigos contra a caçada anti-comunista.

Sabrina.jpg

AUDREY HEPBURN & BOGIE EM “SABRINA”

             Seu último filme, antes que o câncer desenvolvido no esôfogo o matasse, foi “Trágica Farsa” (The Harder They Fall) de 1956, um ano antes de seu adeus. Bogart o homem morreu, mas o mito nasceu, virando personagem vivido pelo ator Jeff Lacey no filme “Sonhos de Um Sedutor” (Play it Again Sam) de 1975, em que o fantasma de Bogie ensina Woody Allen a ser um conquistador bem sucedido. Em 1980, o filme “Bogie”, feito para a Tv, dramatiza a trajetória desse grande ator que deixou uma imagem de durão, mas que assim como Rick Blaine disfarçava seus sentimentos, mas conseguia conduzir os nossos, da plateia que aplaudiu uma carreira prolífica que jamais vai esquecer de seu nome, mesmo hoje sessenta anos depois de sua passagem.

bareffot-countess

AVA GARDNER & BOGIE EM ” A CONDESSA DESCALÇA”

GALERIA DE ESTRELAS: CARY GRANT

Certa um vez, um repórter disse ao astro “Todos querem ser como Cary Grant !”. Este teria respondido “Eu também”. Todas as estrelas de Hollywood sempre viveram cercadas de tanto glamour que suas personas ficam indelevelmente cativas da imagem que projetam. Cary Grant tornou-se sinônimo de graça, elegância e sedução.  Em 29 de novembro desse ano, completam 30 anos de sua passagem, uma estrela que brilhará sempre no panteão do cinema.

cary-grant

Nascido Archibald Alexander Leach em Bristol, Inglaterra, em 18 de janeiro de 1904, vindo de origens humildes. Aos nove anos passou a viver apenas com o pai, pois sua mãe havia sido enviado a um asilo de doentes mentais. O pequeno Archie, no entanto, nada sabia e só depois de trinta anos viria a descobrir o destino de sua mãe. Em 1915, ganhou uma bolsa para a Fairchild Secondary School, que lhe abriu as portas para o ambiente teatral: O professor assistente de química o levou para ajudar a substituir os antigos lampiões de gás por um novo sistema de iluminação elétrica. Logo, Archie conseguiu emprego no teatro como o encarregado de chamar os artistas a entrar em cena. Aos quatorze anos falsificou a assinatura de seu pai para se juntar ao grupo de atores intinerantes de Bob Pender. Quando em uma turnê com o grupo visitou os Estados Unidos, decidiu não voltar mais para a Inglaterra. Não demorou muito para que sua aparência jovial e de belos traços o levassem aos palcos americanos, onde conheceu a estrela Fay Wray (de King Kong) que lhe abriu as portas para um contrato no valor de US$ 450 semanais com o estúdio da Paramount.

Levada-da-Breca3.jpg

LEVADA DA BRECA

Nesse momento, seu nome foi trocado para algo mais atraente que Archie Leach, e assim nasceu Cary Grant. Seu primeiro filme foi “Esposa Improvisada” (This is the night) em 1932, que desagradou ao astro. Outras oportunidades vieram contracenando com atrizes como Mae West, Marlene Dietrich, explorando seu olhar tímido e sua fotogenia leve e despretensiosa. Foi ao assinar contrato com a Columbia que Grant ensaiou os primeiros passos nos papéis de destaque, em comedias como “Cupido é Moleque Teimoso” (The Awful Truth) em 1937, “Boêmio Encantador” (Holiday) em 1938 e “Levada da Breca” (Bringing Up Baby) também em 1938. O sucesso nesses papeis lhe garantiu uma sólida reputação como ator de comédia.

the-philadelphia-story-actgranthepburncukorphiladelphia

NUPCIAS DE ESCÂNDALO

Foi nesse momento que se arriscou em uma papel diferente, em um filme de ação da RKO “Gunga Din” dividindo a cena com Douglas Fairbanks e Victor MacLaglen. Como os aluguéis em Hollywood eram muito caro, foi dividir um apartamento com o ator Randolph Scott, o que provocou muitos boatos maliciosos que até hoje apontam uma suposta homossexualidade. Ainda assim, em pouco tempo casou-se com a atriz Virginia Cherrill (a jovem cega de “Luzes da Cidade”, de Chaplin), mas a união durou pouco e o ator voltou a morar com Randolph Scott. Voltou a atuar em comédia emprestando seu ar de sofisticação ao papel de ex- marido enciumado de Katherine Hepburn, que a visita no dia de seu casamento com o pacato James Stewart em “Nupcias de Escândalo” (Philadelphia Story) de George Cukor. Era o ano de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial e veio o papel de Mortimer Brewster em “Esse Mundo é um Hospício”, de Frank Capra. O filme trazia Grant como um relutante membro de uma família de loucos e assassinos no dia de seu noivado. Pelo papel, Grant recebeu uma boa quantia que doou ao esforço de guerra.

filmes_8277_mundo01

ESSE MUNDO É UM HOSPÍCIO

Nos bastidores, Grant era minucioso com todos os estágios de filmagem e isso lhe dava problemas com os diretores, sendo notório conflitos de opinião entre o astro e diretores como Leo McCarey (seu diretor em “Cupido é Moleque Teimoso”) e Frank Capra (seu diretor em “Esse Mundo é um Hospício”). Surpreendentemente, teve um ótimo relacionamento com o mestre do suspense, Alfred Hitchcock – notório por desprezar os atores com quem trabalhava. Com Hitch, Grant fez quatro filmes. Em 1941, “Suspeita” (Suspicion) que seria seu primeiro vilão. O papel de um marido com intenções assassinas com sua esposa interpretada por Joan Fontaine desagradou ao estúdio que forçou Hitchcock a editar o final de forma que Grant não fosse o assassino, pois isso não estava de acordo com a imagem do astro. Em 1946, “Interlúdio” (Notorious) contracenando com Ingrid Bergman e Claude Rains.

warner_nxnw15-800

CARY GRANT & EVE MARIE SAINT: INTRIGA INTERNACIONAL

O papel de Grant era de um agente federal, usando a filha de um nazista para expor espiões infiltrados. Em 1955 Grant se dizia cansado de atuar e pensando em se aposentar, mas reformulou seus planos para trabalhar sob a batuta de Hitch em “Ladrão de Casaca” (To Catch a Thief), filmado na Riviera Francesa com Grace Kelly. Finalmente, em 1957 “Intriga Internacional” (North by Northwest), um dos melhores filmes de espionagem, um dos meus favoritos, trazendo o ator no papel de homem comum envolvido em uma trama conspiratória, o que serviria de modelo para vários filmes do gênero. Quando, anos depois, Ian Fleming teve os livros de James Bond adaptados para o cinema, seu nome era um dos favoritos para interpretar 007.

grant-alfred

ALFRED HITCHCOCK & CARY GRANT

Duas vezes indicado ao Oscar, a primeira por “Serenata Prateada” ( Penny Serenade) em 1941, um melodrama sobre casal (Grant contracenando com Irene Dunne) que adota uma criança advindo um trágico desfecho e “Apenas um Coração Solitário” (None but the Loney Heart) em 1944 sobre um homem com o coração amargurado pela pobreza. A estatueta dourada só foi para suas mãos em 1970, um prêmio pelo conjunto da obra, entregue por Frank Sinatra ao astro emocionado com o reconhecimento de seus pares.

An-affair-to-remember-an-affair-to-remember-32316634-500-209.png

DEBORAH kERR & CARY GRANT: TARDE DEMAIS PARA ESQUECER

Entre outros de seus grandes filmes, digno de nota também a comédia “Jejum de Amor” (His Girl Friday) de 1941, uma adaptação da peça de Ben Hetch & Charles MacArthur em que Grant é um editor picareta tentando atrapalhar os planos de casamento de sua melhor repórter, que por um acaso também é sua ex-esposa; o drama “A Canção Inesquecível” (Night & Day) de 1946 – cinebiografia do compositor Cole Porter; o romance “Tarde Demais Para Esquecer” (An Affair to Remember) de 1957, que revisto hoje se encaixa perfeitamente no estilo emotivo de Nicholas Sparks e “Charada” (Charade) de 1963 de Stanley Donen que segue os passos do thriller hithcockiano.

charada

CARY GRANT & AUDREY HEPBURN : CHARADA

Em cena Cary Grant sempre esteve cercado de belas atrizes: Ginger Rogers e Marilyn Monroe em “O Inventor da Mocidade” (Monkey Business) de 1952, Leslie Caron em “Papai Ganso” (Father Goose) de 1964, Jayne Mansfield em “O Beijo da Despedida” (Kiss me Goodbye) de 1957, Doris Day em “Carícias de Luxo” (That Touch Of Mink) de 1962,  Ingrid Bergman em “A Indiscreta” (Indiscreet) de 1968 e Sophia Loren em “Orgulho & Paixão” (The Pride & The Passion) de 1957 e “Tentação Morena” (Houseboat) de 1958.  Bergman se tornou sua grande amiga e quando ela estava exilado de Hollywood coube a Grant receber o Oscar por ela quando a bela sueca ganhou por “Anástacia” em 1956. Já Sophia Loren foi uma louca paixão para Grant, que a assediava e cortejava até que a italiana viesse a se casar com o produtor e diretor Carlo Ponti.

cary-greace

CARY GRANT & GRACE KELLY ; LADRÃO DE CASACA

Na vida real, Grant se casou mais quatro vezes depois de Virginia Cherril (1934-1935): Barbara Hutton (1942-1945), Betsy Drake (1949-1962), Dyann Cannon (1965-1968) e Barbara Harris (1981-1986). Teve uma única filha, Jennifer Grant (de seu penúltimo enlace) nascida em 1966, ano de seu último filme “Devagar, não corra” (Walk, don’t Run). A partir daqui, Grant se aposentou voluntariamente do cinema e tornou-se um dos diretores da Fabargé, famosa joalheria. Sua morte em 1986 por hemorragia cerebral, aos 82 anos, deixou saudade em todos os fans da antiga Hollywood, uma que Cary Grant incorporou em sua persona, a de um homem maduro, sexy e sofisticado que todos gostariam de ser, até mesmo o próprio Archie Leach, um ícone eterno.

cary-marilyun

CARY GRANT & MARILYN MONROE : O INVENTOR DA MOCIDADE

GALERIA DE ESTRELAS : OS 100 ANOS DE GREGORY PECK

Poucos atores no panteão Hollywoodiano tinham tanta proximidade entre os personagens interpretados e sua personalidade quanto Gregory Peck : Liberal, democrata convicto, pacifista e anti-racista.

gregory_peck_to_bert

Extremamente intensa é sua atuação como o advogado Atticus Finch em “O Sol é Para Todos” (To Kill a Mockinbird) de 1962 em que vive um advogado sulista que vai à corte para defender um negro acusado de estupro. O filme serviu de plataforma para as convicções de Peck que marchara ao lado de Martin Luther King para defender os direitos dos negros em uma época de grandes confrontos pelos direitos civis. Durante a caça macarthista na America, Peck assinou uma carta de protesto contra os interrogatórios e acusações que vitimavam os profissionais de Hollywood, sem temer retaliações por parte do governo. Logo, sua nobreza de espírito caiu como uma luva para interpretar o rei David em “David & Betsabá” (King David) em 1945. Suas atividades em prol de causas humanitárias o levaram ao prêmio Jean Hersholt em 1968 e o aproximavam constantemente de boatos acerca de uma carreira política. Se opunha ferrenhamente à guerra do Vietnã e a postura política de Ronald Reagan. Mesmo chegando a receber a Medalha da Liberdade do Presidente Lyndon Johnson. Sua integridade fora das câmeras era refletida nos papeis que desempenhou como o advogado idealista de “Da Terra Nasce os Homens” (The Big Country) de 1958.

gregory peck atticus

O SOL É PARA TODOS

Para mostrar sua versatilidade Peck não se prendeu a um único tipo de papel fazendo um pistoleiro canalha em “Duelo Ao Sol” (Duel in The Sun) de 1946, um heroico marinheiro em “O Falcão dos Mares” (Captain Horatio Hornblower) de 1951 e um moribundo na adaptação de Ernest Hemingway “As Neves do Kilimanjaro” (The Snows of Kilimanjaro) de 1952.

gregory peck ahab.jpg

MOBY DICK

Sempre disposto a ir além dos próprios limites encarnou o psicótico Capitão Ahab no clássico “Moby Dick” (1956) e o sádico Josef Menguelle em “Os Meninos do Brasil” em 1978. Ambos, papéis de complexa representação que surpreendia o público pela sua versatilidade em mostrar seu outro lado como intérprete. Assim foi também quando Peck, um apaixonado pacifista, aceitou atuar em “MacArthur o General Rebelde” (MacArthur) como um personagem que entrou para a história pelo belicismo e pela atitude reacionária. Nunca ficou preso a um único gênero, fez westerns como “O Ouro de MacKenna” (Mackenna’s Gold) em 1968, aventura de guerra como “Os Canhões de Navarone” (The Guns of Navarone) em 1961, e até experimentou o terror em “A Profecia” (The Omen) de 1976.

gregory peck oscar

Gregory Peck trabalhou com vários diretores de peso: William Wyler, Henry King, Alfred Hitchock, Stanley Donen, John Houston entre outros. Trabalhou ao lado de grandes atrizes como Sophia Loren, Jane Fonda, Audrey Hepburn, Lee Remick, Ingrid Bergman, etc.. Indicado cinco vezes ao Oscar, venceu justamente pelo papel de Atticus Finch em “O Sol é Para Todos”. Desde o drama psicológico ao filme de ação, Eldred Gregory Peck (5 de Abril de 1916 – 12 de Junho de 2003)  teve uma carreira prolífica, abrangendo teatro, cinema e TV onde no final de carreira teve momentos marcantes como “O Escarlate & O Negro’ (The Scarlet & The Black) em que viveu um monseignor envolvido na luta contra o nazismo e até mesmo uma refilmagem de Moby Dick, vivendo outro personagem. Sua morte em 2003 deixou um grande vazio pois poucos atores tiveram uma postura de equilíbrio e dignidade tão ímpar, e capaz de se entregar a papéis diversos com um talento que poucos tem. Há cem anos ele nasceu, há 13 anos ele desencarnou mas seus filmes estão para sempre eternizados no firmamento das grandes estrelas.