ESTREIAS DA SEMANA : A PARTIR DE 23 DE FEVEREIRO

A GRANDE MURALHA

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(The Great Wall) EUA 2017. Dir: Zhang Ymou. Com Matt Damon, William Dafoe, Pedro Pascoal, Tian Jing. Ação.

Já fizeram filmes sobre pontos turísticos como pirâmides, stonehenge então por que não sobre a Grande Muralha da China, única construção humana que pode ser vista do espaço. Deixando de lado qualquer veracidade sobre sua construção, os roteiristas Carlo Bernard, Doug Miro e Tony Gilroy imaginaram uma bem fantasiosa. Esta foi desenvolvida a partir de um argumento de Max Brooks (autor de “Guerra Mundial Z”), Edward Zwick e Marshall Herkowitz. Imaginaram que a muralha erguida como defesa de um ameaça sobrenatural: monstros semelhantes a grandes lagartos que ameaçam invadir a China a cada 60 anos. Matt Damon faz um mercenário contratado para auxiliar na batalha e que vem a se apaixonar pela comandante Lin Mae (Tian Jian), única mulher do grupo. O filme é uma parceria entre os estudios da Universal e a China, um mercado consumidor de blockbusters hollywoodianos cada vez mais crescentes. O diretor é extremamene conceituado, sendo dele filmes de arte como “Lanternas Vermelhas” (1991) e “Herói” (2o02). Aqui, no entanto, apesar do espetáculo das imagens por ele criadas o filme é uma típica fita de monstros carregada de ação, como muitas do gênero: Divertida e nada mais.

MOONLIGHT- SOB A LUZ DO LUAR

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(Moonlinght) EUA 2017. Dir: Barry Jenkins. Com Ashton Rogers, Mahershala Ali, Andre Holland, Naomi Harris. Drama.

Um dos grandes indicados pelo Oscar esse ano não tanto pelo número de indicações (oito incluindo melhor filme, diretor, ator coadjuvante e atriz coadjuvante) mas pela coragem de contar uma história a despeito dos preconceitos : Menino negro e pobre sofre bullying na escola e luta contra sua condição social, contra a dor de sua mãe ser uma viciada de crack  e contra a própria sexualidade. A história trata de racismo, de violência, de drogas e de homosexualidade, mas sobretudo de superação, de lutar para encontrar seu lugar o mundo contrariando o que a vida te oferece. Nisso é um filme corajoso e emocionante escrito pelo próprio diretor baseado na peça In Moonlight Black Boys Look Blue, de Tarell McCraney. A produção é de Brad Pitt.

MONSTER TRUCKS

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(Monster Trucks) EUA 2017. Dir: Chris Wedge. Com Lucas Till, Danny Glover, Jane Levy, Barry Pepper, Rob LOwe. Fantasia.

Pronto há vários anos (o projeto foi iniciado em 2013), é uma história voltada para o público infantil sobre um  estudante (Till) que descobre um monstro na garagem e o coloca dentro de sua caminhonete sendo perseguido por agentes do governo. O fracasso no seu lançamento custou a cabeça de alto executivo da Paramount, mas pode despertar interesse das crianças que quiserem fugir do carnaval. O diretor é o mesmo de “A Era do Gelo” e o ator Lucas Till é bem conhecido como o Destrutor de “X Men Primeira Classe”. Ainda em tempo, Till é o novo intérprete de MacGyver na Tv americana, série que ainda não estreou no Brasil.

A LEI DA NOITE

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(Live by Night) EUA 2017. Dir:Ben Affleck. Com Ben Affleck, Sienna Miller, Elle Fanning, Zoe Saldana. Policial.

O desastre milionário desse filme foi péssimo para a carreira de Ben Affleck que acabou desistindo da direção do novo Batman. Mas não julguem por isso. O filme não é nada fora do normal, mas custuou muito aos cofres da Warner paa reconstituir a Boston da época da lei seca, quando Joe Coughlin (Affleck) – filho de policial – se torna um implacável gangster. Affleck também assina a adaptação do livro homônimo de Dennis Lehane, o mesmo autor de “A Ilha do Medo” ,”Sobre Meninos & Lobos”, e “Medo da Verdade”, este também com Ben Aflleck.

 

ESTREIAS DA SEMANA : 4 DE AGOSTO

ESQUADRÃO SUICIDA

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(Suicide Squad) EUA 2016. Dir:David Ayer. Com Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Carla Delavigne, Joel Kinnaman, Scott Eastwood, Adam Beech, Jared Leto. Ação.

A oficial do governo Amanda Waller (Davis) ordena a reunião dos piores criminosos do país para combater uma entidade maligna que pode destriuir o mundo. A premissa não é novidade em termos de cinema se lembrarmos de clássicos como “Os Doze Condenados”(1967), mas nas hqs ela foi usada antes (veja matéria publicada anteriormente). A ideia de compor a equipe com supervilões veio em 1986,  e funcionou gerando grande popularidade. A Dc Comics tem tido dificuldade para firmar seu universo cinemático, em parte porque a crítica especializada tem sido dura demais, e em parte devido a atitudes desastrosas da Warner. No caso, as críticas devastadoras a “Batman vs Superman” levou a Warner a remontar o filme e refilmar várias cenas de forma a acrescentar mais humor. A supervalorização dos bastidores do filme com noticias dos desatinos de Leto que teria incorporado o Coringa mesmo fora das filmagens. De qualquer forma, em filmes que trazem dinâmicas de grupo, raros são aqueles que conseguem desenvolver um equilibrio na trama capaz de valorizar todos os personagens e não é diferente dessa vez. A Arlequina rouba a cena, Viola Davis é ótima e não me surpreende que Jared Leto não tenha atingido a melhor das performances como Coringa depois de atuações marcantes como as de Heath Ledger e Jack Nicholson. Curiosamente o filme chega às telas no 50º aniversário da primeira encarnação do Coringa  vivido por um ator, no caso o célebre Cesar Romero na série de Tv do “Batman”. Como cinéfilo sempre suspeito dos extremos, seja os filmes aclamados ou os execrados. Talvez estejamos errando justamente por comparar, a Marvel e a Dc pois ambas tem erros e acertos. O orçamento de US$ 175 milhões é mais sóbrio que o de “Batman VS Superman” e justamente por não serem personagens com pretensões de serem baluartes de moral e altruísmo acrescenta algo novo ao gênero dos super herois, não inovador, apenas algo diferente do usual, mas que pode divertir sem gerar grandes pretensões. O público é claro que dirá. Atentem para a cena pós creditos envolvendo Ben Affleck e Viola Davis. No mais boa diversão.

A INTROMETIDA

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(The Meddle) EUA 2016. Dir: Lorena Scafaria. Com Susan Sarandon, Rose Byrne, J.K.Simmons, Casey Wilson, Laura San Giacomo. Comédia.

Mulher víuva decide se mudar para perto da filha em Los Angeles mas começa a interferir na vida dela até conhecer o vizinho da filha. O filme integrou o Festival de Toronto em 2015 e traz Susan Sarandon em elogiosa atuação. O filme mescla doses de drama e comédia e pode agradar ao público adulto.

UM NEGÓCIO DAS ARÁBIAS

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(A Hologram for the King) EUA 2016. Dir: Tom Twyker. Com Tom Hanks, Ben Whishaw, Tom Skerrit.

Adaptação do livro “Um Holograma Para o Rei”, de David Eggars, roteirizado e dirigido por Tom Twyker que foi autor do roteiro de “A Viagem” (Cloud Atlas) estrelado também por Hanks. A história gira em torno de homem de negócios que perdeu sua fortuna que pretende enriquecer de novo vendendo um holograma para um rei da Arabia Saudita.

BEN AFFLECK: UM ATOR & TRÊS HERÓIS

Em 2003, ainda bem no início do boom dos filmes de super heróis, a Fox realizou o filme do “Demolidor” (Daredevil) , vulgo “O Homem Sem Medo”, com direção de Mark Steven Johnson, e estrelado por Ben Affleck. Isso é bem sabido por todos, como também fonte de grande desagrado para os fãs de HQs. A verdade é que o filme passou longe da essência do personagem criado por Stan Lee & Bill Everett  , e que foi enriquecido pela abordagem de Frank Miller nos anos 80. O filme da Fox foi mal escalado, com um vilão caricato demais (o Bullseye de Collin Farrell) e sem conseguir traduzir o universo urbano e sombrio do personagem. Por isso, quando Affleck foi anunciado como o novo intérprete do Batman, a reação dos fãs não foi das melhores, já que a imagem negativa do ator como o Demolidor ainda era forte demais.

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O que poucos sabem ou lembram é que Affleck também foi o Superman uma vez !!! Isso mesmo. Em 2006, Ben Affleck vestiu o icônico uniforme do herói Kryptoniano para viver a vida de George Reeves, ator que personificou o Superman nos anos 50 em uma série de TV. O filme, adaptado do livro homônimo de Paul Bernbaum  , narra a trajetória de Reeves, que depois de quase uma década vivendo o super herói na Tv, teve sua carreira prejudicada já que na época o mundo do showbizz era muito diferente. Não havia prestígio nenhum em interpretar um super herói, na verdade isso era visto como “coisa de criança”, e não era levado a sério. Após o fim da série, ninguém oferecia trabalhos a George Reeves, e nem ao menos lhe abria qualquer possibilidade, ainda que George tivesse sido coadjuvante em vários filmes desde o final da década de 30. Em 1951, sua participação em “A Um Passo da Eternidade” (From Here to Eternity) chegou a ser cortada depois da má reação inicial das plateias que riram quando o viram no filme. Em 16 de Junho de 1959, aos 45 anos, George foi encontrado morto em um quarto com um buraco de bala na cabeça, sugerindo suicídio. Discrepâncias no local da morte e o fato de que George tinha como amante a esposa de um gangster levantaram a possibilidade, nunca provada de fato, de que o suicídio teria sido um homicídio. O filme, dirigido por , foca no trabalho investigativo do detetive Louis  (Adrien Brody) para elucidar o caso. Curiosamente, o papel de Toni Mannix, a tal amante, foi de Diane Lane, a Martha Kent de “Batman Vs Superman –  A Origem da Justiça”.

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Ainda que vista o uniforme do Superman para interpretar seu interprete do passado, Ben Affleck tem uma surpreendente boa atuação como George Reeves, bem diferente do homem sem medo do filme da Fox, tendo sido inclusive indicado para o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante.  Boa pedida assistir “Hollywoodland” e, conhecer um pouco sobre esse outro lado de Hollywood ouvindo a canção “Superman’s Ghost” de Don McLean, que canta a vida de Reeves, super herói em uma época que o gênero não era visto da mesma forma que hoje onde um contrato com a Marvel ou com a DC significa prestígio e dinheiro muito além do que nossos olhos podem alcançar.

 

 

BATMAN & SUPERMAN : AS ORIGENS DA JUSTIÇA

Batman vs Superman

Os super heróis das HQs formam o panteão olímpico da era moderna. Nascidos nas páginas de publicações populares inicialmente voltadas para o público juvenil, o gênero evoluiu, foi adaptado para diversas mídias, ganhou uma complexidade que acompanhou o crescimento do público leitor e hoje divide as atenções do grande público entre as produções da Marvel e os personagens da tradicional DC Comics que demorou para despertar. Depois do relativo sucesso de “O Homem de Aço”, a Dc Comics / Warner tinha alguns problemas : Apesar de bem sucedido, os filmes de Batman dirigidos por Christopher Nolan possuíam um tom mais realista e, por isso, destoante da noção de um “universo fantástico” povoado por seres de grande poder. Além disso, filmes como “Lanterna Verde” (2008) com Ryan Reynolds se tornaram grandes equívocos. Apesar da Dc Comics ter se firmado na TV, no cinema a Marvel ganhou um espaço enorme que foi mal aproveitado pela concorrente. A estreia de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” vem com a pretensão de preencher esse espaço, e dar o impulso para vários projetos com heróis como Mulher Maravilha, Aquaman, Flash, Lanterna Verde, Shazam e, claro, a Liga da Justiça, grupo que reúne os heróis DC, e que, na verdade, foi criado nas HQs antes mesmo dos “Vingadores”. A aposta é alta com orçamento astronômico, grandes nomes no elenco e com a participação de vários personagens conhecidos do público leitor.

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ALVORECER DOS SUPER HEROIS . Apesar de vários aventureiros e heróis, o personagem que foi o primeiro super herói a sair da imaginação para o papel foi o “Superman”, publicado em “Action Comics #’1” em 1938, criado pela dupla Jerry Siegel & Joe Shuster. A capa histórica com o herói erguendo um carro acima da cabeça cercado pelo olhar de assombro de pessoas é hoje um dos itens mais caros e raros do meio. Abriu caminho, pois depois de Clark Kent e seu alter ego surgiram diversos outros personagens com poderes fabulosos (Lanterna Verde, Flash e, inclusive o Shazam acusado na ocasião de ser um plágio do herói kryptoniano). Naqueles primórdios, o Superman não voava mas saltava por entre os arranha céus de Metropolis. “Batman” veio no ano seguinte em “Detective Comics #27” nascido do talento de Bob Kane & Bill Finger. O tom sombrio e gótico de sua cidade era repleta de personagens que compunham uma caricatura distorcida das debilidades humanas, diferente da radiante Metropolis das histórias do Superman.

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Os dois heróis foram um sucesso de vendas que logo os levou aos seus próprios títulos mensais. Na década de 40, Kirk Alyn viveu o homem de aço, enquanto Lewis Wilson vestiu a capa e a máscara do homem morcego, ambos em seriados da Columbia. No Brasil, os personagens chegaram na década de 40 graças aos esforços do editor Adolfo Aizen que os publicou na revista “O Lobinho”. Com o costume de traduzir os nomes, Batman foi chamado de Morcego Negro, Gotham City foi inicialmente chamada de Riacho Doce e Bruce Wayne ficou como Bruno Miller, enquanto Clark Kent foi batizado de Edu. Claro que pouco tempo depois as traduções foram abandonadas e substituídas pelos nomes originais.

Nas HQs o apelo de ambos com o publico leitor era enorme, dividindo preferências entre o público leitor. Apesar de possuírem naturezas distintas, cada um é ambíguo à sua própria maneira. O Superman não é humano mas prefere se passar por um e viver por trás dos óculos do repórter Clark Kent. Já Bruce Wayne não passa de uma máscara para esconder a eterna busca de vingança de um homem. Naturezas tão dicotômicas foram um prato cheio para os artistas dos quadrinhos. Contudo, no início do Universo DC os dois compartilhavam uma amizade desde sua primeira história juntos publicada em “Superman #76” (1952) onde Clark Kent e Bruce Wayne encontram-se a bordo de um navio. As expressivas vendas levaram ao título “World’s Finest” lançado ainda no início da década de 40 com os dois heróis sempre juntos na capa, mas atuando em histórias separadas. A partir da edição #71 os heróis formaram uma parceria que se estendeu por décadas. Apesar de algumas histórias em que os heróis se desentendiam ou em que um dos dois era controlado mentalmente, os leitores tinham ambos como superamigos. Em uma história bizarra publicada em ___ os editores chegaram a criar em 1964 o “Superman Composto”, um ser metade Batman e metade Superman.

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PÓS CRISE & PÓS MILLER. Em 1985, a Dc Comics  fez um reboot em seu universo de heróis com a saga “Crise Nas Infinitas Terras”, de Marv Wolfman & George Perez. Depois disso, coube a Frank Miller e John Byrne recontar a origem desses heróis. A relação entre estes passou a ser de respeito mútuo mas não de amizade. Antes disso, Miller já havia reformulado o futuro com a mini série “Batman o Cavaleiro das Trevas”. Nela, em um futuro distópico, um Batman sessentão volta à ativa e desafia o status quo, vindo a enfrentar o Superman, retratado como um pau mandado do governo. Já foi insinuado que o filme de Zach Snyder se inspirou em parte no material de Frank Miller. Quando Batman, vestido uma armadura, consegue derrotar o homem de aço, ele diz “ Clark … .I want you to remember my hand at your throat. I want you to remember the one man who beat you.” (Clark, … Quero que você se lembre da minha mão em sua garganta. Quero que você se lembre do único homem que o derrotou). Esse é tom anunciado dos personagens para as correntes adaptações e, que já foi explorado diversas vezes nos quadrinhos. O roteiro de Chris Terrio ainda aproveita para introduzir a Mulher Maravilha, o vilão megalomaníaco Lex Luthor e o monstro Apocalipse, que nas HQs matou o Superman. A semente está plantada para germinar nos diversos projetos com os personagens desse riquíssimo universo de personagens, com uma pegada de videogame que virou moda nos atuais filmes do gênero. Em meio às cinzas dessa batalha titânica será o Batman a proferir “Ser”, o Superman a proferir “Não Ser”, mas será a Mulher Maravilha que os unirá com um “Eis a Questão”, movido a sangue de guerreiros fictícios que falam diretamente pela nossa imaginação.