CLÁSSICO REVISITADO: UM CORPO QUE CAI – 60 ANOS

vertigo cartaz.jpg

Clássico cartaz criado pelo designer Saul Bass

Um dos filmes mais celebrados da clássica Hollywood, eleito o #9 entre os melhores filmes de todos os tempos pelo AFI,  #1 entre os 100 maiores eleitos pela revista francesa “Télerama” e pela renomada “Sight & Sound” do Festival de Cinema Britânico. Tantos feitos para um filme que em seu lançamento original, em 1958, tornou-se um embaraço de bilheteria para seu diretor, o mestre do suspense. Hithcock é assim: Ame-o ou odeie-o, não há meio termo.

vertigo bastidores

            Revisto hoje, sob um olhar clínico, o 52º longa dirigido pelo mestre era um produto muito à frente de seu tempo. Um protagonistsa dominado pelo medo de alturas e pela culpa  (James Stewart) ;  uma mulher misteriosa criada e recriada sob pulsões de sexo e morte (Kim Novak); um crime premeditado e velado conduzido como um quebra cabeças de uma realidade tortuosa, fragmentada, pertubadora e vertiginosa. Este não é um filme convencional desde seu início até sua impactante conclusão que não faz concessões seja aos personagens seja ao seu público.Por isso compreensível que a plateia de 1958 não tenha compreendido o filme ou seu diretor, este um hábil manipulador do medo.

ep50_vertigo_pic

James Stewart e dose dupla de Kim Novak

          Para quem nunca teve o prazer de assistí-lo, o filme conta a história de Scottie Ferguson (Stewart) ex-policial que por conta de sua acentuada acrofobia (medo de alturas) não conseguiu salvar a vida de um amigo. Ele se aposenta e se torna detetive particular, sendo contratado por um antigo amigo (Tom Helmore) para seguir a esposa deste, Madeleine (Novak) que possui tendências suicidas. Ambos se apaixonam, mas Scotie não consegue salvá-la da morte. Tempos depois, Scotie encontra Judy (Novak), uma sósia de Madeleine. O encontro casual na verdade guarda segredos a medida que Scotie tenta transformar Judy em Madeline.

UmCorpoQueCai_MostraHitchcock-e1381337981791.jpg

              O roteiro foi feito a partir do romance francês  D’entre les morts (Dentre os Mortos), de Pierre Boileau e Thomas Narcejac. Hitckcock pretendia adaptar o romance anterior da dupla “Celle qui n’étati plus”, mas este veio a ser utilizado para o filme “As Diabólicas” (Les Diaboliques) de 1955. Assim, tendo em mãos o material que Boileau & Narcejac Hithcock fez de “Um Corpo que Cai” um estudo sobre a obsessão, o medo patológioco e a culpa. Os acordes do maestro Bernard Herrman acompanham passo a passo as voltas e reviravoltas da narrativa com a crueldade de um frio destino manipulando a tudo. A escolha de San Francisco como cenário se mostra eficiente poris sua topografia de altos e baixos reforça ainda mais a sensção acrofóbica do protagonista. Hitchcock tecia sua rede sempre querendo impactar mas jamais mostrando profundidade em suas intenções, o que ele sempre rejeitava. Durante as filmagens conta-se que a estrela Kim Novak teria lhe indagado sobre a motivação de sua personagem, o que ele teria supostamente respondido dizendo “É apenas um filme querida”. Kim Novak tinha 24 anos na época e foi escalada para o papel duplo de Madeleine/Judy depois que Vera Miles recusou por estar grávida.

vertigo casal

         Já o pobre James Stewart amargou a responsabilidade que o proóprio diretor lhe imputou para o fracasso do filme. Hitch teria alegado que Stewart estava velho demais (então com 49 anos) para o papel e sem a química adequada para atrair a plateia. Foi a última vez que o ator e diretor trabalharam juntos (esta foi a quarta vez). Após o lançamento do filme, Hitch conseguiu manter os direitos por este e outros 4 filmes (O Terceiro Tiro, A Janela Indiscreta, O Homem que Sabia Demais e Festim Diabólico) que por seu desejo ficaram fora de qualquer exibiçlão, só sendo relançados em 1984, quatro anos depois da morte do diretor. Hitchcock foi um pioneiro com a câmera na forma como reproduziu o efeito de vertigem (aproximando a câmera fisicamente do objeto ao mesmo tempo em que da um zoom no objeto), imitado mais tarde por outros.

20484900.jpg

            Por pressão dos censores da época foi filmado uma cena em que Midge (Barbara Bel Geddes) ouve no rádio que a polícia está prestes a capturar o assassino. Hitchcock cortou a cena  da edição final, mas esta foi incluída para lançamento em DVD/Blu Ray. A surpressão da citada cena certamente deve ter incomodado a visão moralista do público de 1958. Hitchcock, contudo, não se preocupava com mensagens moralizantes, nem com redenções ao final. Hoje, sessenta anos depois “Um Corpo que Cai” continua pertubador, envolvente e influenciador como nos trabalhos de Brian dePalma (Duble de Corpo), parodiado por Mel Brooks (Alta Ansiedade), mas acima de tudo isso uma aula de como manipular nossas fobias e obsessões, promover catarse através de nosso instinto primitivo e de nossa percepção do que é real. A sensação de vertigem é inexorável e inevitável diante da vida, mas como o mestre dissera “É só um filme”.

 

GALERIA DE ESTRELAS : KIRK DOUGLAS

Em “Trumbo” (2015), durante a paranoia Macarthista vários profissionais perdiam espaço de trabalho quando acusados de serem comunistas, entre eles o excelente roteirista Daltom Trumbo. Protagonista e produtor executivo de “Spartacus”, o ator Kirk Douglas ignorou o boicotte e contratou Trumbo como roteirista. Sua força de caráter não esteve só visível diante das câmeras, mas também nos bastidores de Hollywood. Logo, seu centenário coleciona diversos episódios que justificam o valor desse grande astro, um dos últimos durões do cinema, que ganha de 25 de novembro até 11 de dezembro, uma mostra pela cinemateca do MAM reunindo 29 longas de uma carreira prolífica carreira, além do lançamento de um livro “O Ùltimo Durão – Centenário de Kirk Douglas” escrito por Mario Abbade, jornalista, crítico de cinema e curador da mostra.

fuga-do-passado

FUGA DO PASSADO : CONTRACENANDO COM ROBERT MITCHUM

Nascido em Nova York, Issur Danielovitch, em 9 de dezembro de 1916, filho de imigrantes judeus originários da Russia. Adotou o sobrenome Demsky quando criança enquanto sua família se fixava na América, legalmente modificado para Kirk Douglas pouco antes de ingressar na Marinha durante a Segunda Guerra. Lutou boxe desenvolvendo um físico atlético que seria útil na composição de papeis rudes. Para conseguir uma bolsa para a universidade, entrou para um grupo de drama e veio a trabalhar no rádio e em comerciais de Tv. Nesse meio tempo conseguiu papeis pequenos no cinema estreando nas telas em 1946 em “O Tempo Não Apaga” (The Strange Love of Marha Ivers), papel que conseguiu por intermédio da amiga Lauren Bacall. O nobre ator conseguiu chamar a atenção para si no filme seguinte “Fuga do passado” (Out of the Past) no papel de um gangster. Em três anos veio a primeira indicação ao Oscar de melhor ator por “O Invencível” (Champion), no papel de um boxeador que o fez reviver uma fase de sua própria vida. Logo vieram o xerife de “Embrutecido pela violência” (Along The Great Divide), o detetive de “Chaga de Fogo” (Detetctive Story) ambos de 1951, mas apesar do sucesso destes, o obstinado ator tinha muito mais a dar, além de trazer o pão nosso para família formada em 1943 com a também atriz Diana Dill e com quem teve dois filhos: Michael em setembro de 1944 e Joel em janeiro de 1947.

sede-de-viver

SEDE DE VIVER

             Não demoraria para Kirk mostrar seu talento em dramas psicológicos como o papel do repórter Charles Tatum de “A Montanha dos Sete Abutres” (Ace in the Hole) de 1951 e no ano seguinte o produtor Jonathan Shields de “ Assim estava escrito” (The Bad & The Beautiful), uma visão crítica dos bastidores de Hollywood dirigida por Vincent Minelli. A versatilidade passou a ser uma marca na carreira de Kirk Douglas, oscilando entre papéis mais físicos e outros mais desafiadores, e sempre sem medo de se arriscar. Logo, interpretou o rebelde marinheiro Ned Land na adaptação da Disney para “20000 Léguas Submarinas” (20000 Leagues Under The Sea) ao passo que incorporou o pintor Vincent Van Gogh na cinebiografia “Sede de Viver” (Lust for Life) dirigida por Vincent Minelli. Por este, o ator levou o prêmio de melhor ator da crítica de Nova York. Filmado no mesmo local de nascimento e morte do pintor pós-impressionista holandês. Apesar de várias indicações ao Oscar, incluindo para Kirk que perdeu para Yul Brinner por “O Rei & Eu” (The King and I). Apesar da excelente atuação de Kirk, do elenco de “Sede de Viver” quem levou a estatueta dourada foi Anthony Quinn como coadjuvante por uma participação de 22 minutos como o também pintor Gauguin. Segundo o site imdb, na cena em que Van Gogh corta sua orelha foi tão impactante que  Michael e Joel, filhos de Kirk choraram em desespero por acharem que seu pai havia se mutilado de verdade. Vários westerns se aproveitaram de seu talento como “Rio da Aventura” (The Big Sky) de 1952 ,  “Homem sem Rumo” (Man without a Star) de 1955 (quando Kirk fundou sua propria produtora, a Bryna Productions, com intenção de obter maior controle sobre sua carreira)  e “Duelo de Titâs” (Last Train From Gun Hill) de 1959. Neste último, travou um acirrado duelo em cena com o igualmente talentoso Anthony Quinn.

sem-lei-e-sem-alma

SEM LEI E SEM ALMA: OS DURÕES KIRK DOUGLAS & BURT LANCASTER

Foi ao lado do icônico Burt Lancaster que Kirk Douglas teve diversas atuações impressionantes forjando uma parceria muito bem sucedida diante do público e que duraria quatro décadas, criando uma imagem de amizade que existia na cabeça do grande público. Ainda assim, a química dos dois era inegável, sete vezes em cena em “Estranha Fascinação” (I Walk Alone) 1948, “Sem Lei Sem Alma” (Gunfight at OK Corral) 1957, ”O Discípulo do Diabo” (The Devil’s Disciple) 1959, “A Lista de Adrian Messenger” ( The List of Adrian Messenger) 1963, “Sete Dias de Maio” (Seven Days in May) 1964, “Vitoria em Entebbe” (Victory at Entebbe) 1976 e “Os Últimos Durões” (The Tough Guys) 1986. Dentre estes “Sem Lei & Sem Alma” é certamente um dos mais notáveis, versão romanceada de famoso tiroteio ocorrido no Arizona em 1881, já levado às telas em 1946. Douglas faz o pistoleiro Doc Holliday que vem a auxiliar o xerife Wyatt Earp interpretado por Burt Lancaster. Metódico e detalhista na composição de seus personagens, Kirk teria planejado quantas tossidas e de que intensidade essas seriam em cada cena de forma que quando editado o filme não tivesse erro de continuidade.

VIKINGS.jpg

VIKINGS OS CONQUISTADORES

A credibilidade impressa em cena por Kirk era tamanha que seus papeis pareciam ser feito sob medida não importando que filme fosse. No auge dos épicos, o ator fez o guerreiro grego descrito por Homero na Ilíada em “Ulisses” em 1954  – ano em que se casou pela segunda vez, com Anne Buydens e com quem teria mais dois filhos. Interpretou o príncipe Einar de “Vikings – Os Conquistadores” (The Vikings) de 1958 contracenando com Tony Curtis,  e o escravo rebelde “Spartacus” de 1960, do qual também foi produtor. Este último sagrou-se na história como um dos melhores filmes do gênero, desafiando o status-quo ao contratar o perseguido Dalton Trumbo como roteirista, conforme mencionado, e o talentoso diretor Stanley Kubrick, com quem Kirk já havia trabalhado em “Gloria Feita de Sangue” (Paths of Glory) de 1957, até hoje um dos melhores filmes de guerra, com um discurso anti-belicista em plena era da guerra fria. Durante as décadas de 70 e 80 os bons papeis foram reduzindo e Kirk fez duas tentativas como diretor: “As Aventuras de um Velhaco” (Scalawag) de 1973 e “Ambição Acima da Lei” (Posse) de 1975, Neste escreveu um papel especialmente para o ator James Stacey que havia perdido seu braço esquerdo e sua perna esquerda em um atropelamento, dando-lhe a primeira oportunidade para atuar após o acidente . Em entrevista recente com o crítico Mario Abbade (publicado em O Globo) reconheceria que achou melhor não continuar, se despindo de qualquer vaidade em admitir.

kirk-e-michael-douglas

KIRK E MICHAEL; DUAS GERAÇÕES DE TALENTO

Kirk nunca escondeu a frustração de não ter estrelado a adaptação cinematográfica de “Um Estranho no Ninho” (One Flew Over the Cuckoo’s Nest), no papel que fizera nos palcos e que no cinema seria vivido por Jack Nicholson. Curiosamente, o filme seria produzido pelo seu filho Michael Douglas e foi premiado com 5 Oscars.  Seguindo sua carreira, Kirk Douglas nunca parou de apoiar causas filantrópicas como uma campanha contra o abuso sofrido por idosos que o levou a ser citado pelo Congresso Nacional e resultou no filme de TV “Amos” de 1985, contracenando com Elizabeth Montgomery (da série “A Feitiçeira”). O sucesso de Michael Douglas, seu filho mais velho, no cinema estabeleceu uma dinastia no cinema. As duas gerações se encontrariam em “Acontece nas melhores Famílias” (It Runs in the Family) de 2003.

furia

FÚRIA

Ator e produtor já consagrado, trabalhou sob a batuta de Brian DePalma em “A Furia” (The Fury) 1978 e Stanley Donen em “Saturno 3” (Saturn 3) 1980 experimentando o cinema fantástico já que o primeiro era um thriller tratando de força telecinética e o outro uma ficção cientifica convencional. Fez trabalhos na Tv e até emprestou sua voz para um dos episódios de “Os Simpsons” em 1996. Sua aposentadoria só ocorreu devido a um derrame que lhe prejudicou a fala. Entre os diversos prêmios e honrarias,  recebeu a “Presidential Medal of Freedom”, a mais alta condecoração civil do Presidente Jimmy Carter, além de um prêmio “Life Achievement Award”pelo AFI em 1998. Embora não tenha vencido um Oscar competitivo nas três vezes que concorrera, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra em 1996. Sua tenacidade o levou a superar os revezes como o derrame, a morte de seu filho mais novo Eric em 2004 por overdose e nem o peso da idade lhe tiram aquele olhar altivo, honrado ou diminuem o charme da covinha em seu queixo, marca registrada de uma carreira prolífica e que o torna uma lenda viva.

m-douglas-427943

 

MISSÃO: IMPOSSÍVEL – ADEUS MR.PHELPS, OLÁ MR.HUNT

Assisti ao seriado “Missão: Impossível’ na Rede Bandeirantes no final dos anos 70. Foi hipnotizado pelo som do tema do musico argentino Lalo Schifrin que provoca tensão crescente a medida que um pavio de pólvora vai chegando a um explosivo fim. Se você acha que conhece a história, está enganado. A série de TV original, que estreou em setembro de 1066, girava em torno de uma equipe de contra-espionagem convocada para missões de alta periculosidade que o governo mantem como desconhecida. A partir daí, série e filmes não poderiam ser mais diferentes.

A SÉRIE ORIGINAL

A SÉRIE ORIGINAL

Criada por Bruce Gellar e gravada nos estúdios da Desilu (de Lucille Ball & Desi Arnaz) para a CBS, “Missão Impossível” era centrada em um trabalho de equipe. Apesar de liderada por Dan Briggs (Steven Hill na 1ª Temporada) e Jim Phelps (Peter Graves a partir da 2ª temporada), cada agente tinha sua especialidade e seu grau de importância dentro da história. A figura do líder foi trocada depois de constante insistência da CBS que não concordava com a escolha de Steven Hill para o papel. Além disso, Hill se recusava a trabalhar nos finais de semana pois, como Judeu ortodoxo, isso contrariava sua religião. A figura de Peter Graves ficaria eternamente associada à Missão Impossível ao longo de suas 7 temporadas, e mesmo 15 anos depois de seu cancelamento Graves voltou ao papel quando a série ganhou uma nova roupagem, ainda que breve.

A PRIMEIRA EQUIPE NA TV

A PRIMEIRA EQUIPE NA TV

Entre os agentes da IMF havia um mestre dos disfarces (Martin Landau, depois substituído por Leonard Nimoy), uum perito em eletrônica (Greg Morris), uma mulher sedutora (Barbara Bain, que era casada com Martin Landau, depois substituída por Leslie Ann Warren), um eficiente galã faz tudo (Peter Lupus) entre outros escolhidos de acordo com a missão e que acompanhavam as mudanças de temporada como Sam Elliot, Linda Day George, Lee Merriwether  e Barbara Anderson. Não havia, portanto, a figura de um super agente central nas tramas. Estes não possuíam passado, envolvimentos passional nem moralidade nas ações executadas. Todos os meios eram justificáveis para se concluir a missão, fossem meios legais ou ilegais. Não havia muita ação física, pois o foco era maior na tensão psicológica envolvendo os agentes e seus alvos, estes encurralados de tal forma que muitas vezes as intenções não eram muito claras. A série foi um marco na dramaturgia televisiva do gênero e foi tão impactante justamente porque nada igual existia no ar naquela época. Durante algum tempo vários projetos para adaptá-la na forma de longa-metragem naufragaram, ao menos até ter seus direitos comprados por Tom Cruise.

CENA MEMORÁVEL DO PRIMEIRO FILME DE 1996

CENA MEMORÁVEL DO PRIMEIRO FILME DE 1996

Entre o fim dos anos 80 e inicio dos anos 90, “Os Intocáveis” e “O Fugitivo”, duas séries de Tv extremamente populares haviam se tornado bem sucedidas adaptações para o cinema. Tom Cruise chamou Brian de Palma (diretor do primeiro) para comandar o filme “Missão Impossível” (1996), que veio a ser roteirizado por David Koepp e Robert Towne. Este, no entanto, transformou o que era um contra-golpe em um “One Man Show”, uma variação do super agente secreto tendo Ethan Hunt (Cruise) como uma variação de James Bond, único sobrevivente de sua equipe, eliminada durante missão na Embaixada de Praga. O que mais desagradou aos fãs da série original, no entanto, foi transformar Jim Phelps (Jon Voight) no vilão da trama. Peter Graves e Greg Morris, convidados a fazer uma aparição no filme, recusaram e repudiaram as mudanças no status quo de personagens icônicos.

O SEGUNDO FILME NA VISÃO POP DE JOHN WOO

O SEGUNDO FILME NA VISÃO POP DE JOHN WOO

Apesar disso, o filme tornou-se um sucesso de bilheteria, custando $80 milhões e faturando $180 milhões no ano de seu lançamento. A sequência de Tom Cruise  invadindo as instalações da CIA pendurado por cabos foi visualmente memorável e realizada com o próprio ator que usou moedas nas botas para equilibrar o peso e evitar de constantemente bater a cabeça. A trama confusa demais foi bastante criticada, e por isso, quando Cruise e sua sócia Paula  Wagner encomendaram uma sequência, quatro anos depois, decidiram por uma narrativa mais simplificada, calcada na mesma premissa de “Interlúdio’ (Notorious) do mestre Alfred Hithcock. Em “Missão Impossível 2” (2000) Ethan Hunt é enviado atrás de um agente renegado da IMF com ajuda de uma ladra charmosa (Thandie Newton) para evitar a dissiminação de uma arma biológica mortífera. Devido ao cronograma das filmagens, dirigida por John Woo, o ator Dougray Scott que fazia o vilão não pode aceitar o papel de Wolverine em “X Men-O Filme”, que acabou dando oportunidade para Hugh Jackman. A bilheteria ainda maior (em torno de $215 mihões)  não disfarçou o fato de que apesar de toda a ação frenética, o filme nada tem a ver com o espírito da série, sendo ainda mais evidente se tratar de um veículo para o estrelato de Tom Cruise.

O MELHOR FILME

O MELHOR FILME

Disposto que cada filme da franquia venha a ter um diretor diferente, Cruise chamou J.J.Abbrams para comandar “Missão impossível 3” em 2006. Abbrams atenuou a centralização na figura de Ethan Hunt e recompôs a dinâmica de grupo com os personagens de Jonathan Rhys Meyers, Kerri Russell (em papel primeiro oferecido a Scarlett Johansson) e Ving Rhames (o único membro da IMF a aparecer em todos os filmes da franquia. O roteiro de Robrto Orci & Alex Kurtzman recuperou em parte elementos da série na primeira metade, mas entrega no final toda a ação à figura de Hunt que precisa resgatar a amada das mãos do vilão Owen Davian (um excelente Phiilip Seymour Hoffman). O filme é superior aos dois primeiros justamente por recuperar o espirito da série, tendo J.J.Abbrahms convidado Martin Landau para uma participação especial no filme, mas este recusou. Apesar de bem sucedido para um filme de ação, foi a menor bilheteria da franquia com cerca de $134 milhões. Em 2011, Cruise veio com o melhor deles, justamente o quarto filme entitulado “Missão impossível: Protocolo Fantasma” , dirigido por Brad Bird (da animação da Pixar “Os Incríveis”). O roteiro colocava Tom Cruise como o chefe de uma equipe renegada da IMF, dissolvida depois de uma missão desasrosa no Kremilin. Definitivamente, havia algo mais similar a serie de Tv com a equipe de Hunt (Jeremy Renner, Paula Patton e Simon Pegg reprisando o papel que já havia aparecido no filme três) agindo na clandestinidade para evitar uma guerra nuclear. Mais $200 milhões de bilheteria garantiram a volta de Ethan Hunt para o quinto filme e um já anunciado sexto filme que prova que nada é impossível. Para quem, como eu, assistiu à série original não adianta comparar, os filmes de Tom Cruise até funcionam como entretenimento, mas estão longe da essência da série, que era muito melhor e cujos roteiros estavam acima do lugar comum do gênero, inteligentes, criativos, algo quase que impossível de se encontrar atualmente. Abaixo, veja a abertura original da série e conheça o que foi “Missão Impossível”, antes que esse blog se destrua automaticamente.